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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Gogol e a Monarquia Sacra


"O governo de muitos não é bom. Que seja um só governador,
Um rei."
- Ilíada, livro II, 203-204
Família do Tsar Nicolau II, assassinada durante a Revolução Russa
 É possível que há um nível além de unidade nacional, uma avenida para a qual é aberta pela Santa Ortodoxia. Conforme Konstantin Malofeev, fundador de Tsargrad TV e presidente da Fundação Beneficente São Basílio, notou em uma entrevista recente que "hoje, 5% da população vai à igreja aos domingos. Quando isto será 30% ou até mesmo 50%, então a questão da monarquia surgirá por si."

É natural supor, todas as coisas sendo iguais, que as pessoas não aprenderão menos e não deixarão de saber - podemos confidencialmente conceder que a presença aos Serviços Divinos se intensificará. O dia em que a pergunta será feita chegará.

A monarquia não é apenas um sistema político entre outros, de acordo com a Igreja. É a ordem natural e supernatural das coisas. Como disse São João de Kronstadt:

O inferno é uma democracia, o Céu é um Reino. (Демократия – в аду, а на Небе – Царство)

A monarquia é a única forma de governo elaborada nas Sagradas Escrituras. A Igreja até o século passado não conhecia outra forma. Começando com a conversão de São Constantino através do Império Bizantino; em pé até a conversão do Grão Príncipe Vladimir; e finalmente terminando no Império Russo da Dinastia Romanov.

No que ela consiste?

A monarquia ortodoxa é aquela forma de um só governador soberano, ungido de Deus pela Santa Igreja, que vota para servir seus súditos; providenciar seu bem; agir no interesse da nação; defendê-los e proteger a igreja; manter a pureza da Fé Ortodoxa; e assegurar a segurança e qualidade de vida de todo seu povo, independente da religião ou confissão.

Seus súditos se voltam com lealdade ao soberano.

Soberano e súdito são igualmente responsáveis perante a Lei de Deus, preservada e interpretada pelos Concílios Ecumênicos e santos padres.

Todos são responsáveis perante o código de lei do país.

***

Mesmo com sua imaginação infinita, Gogol não poderia ter imaginado uma Rússia sem um Tsar. No Diário de um Louco, são as novidades da vacância do trono espanhol que despedaçam a já rachada sanidade de Aksenty Ivanovich.

...Há coisas estranhas pelos lados da Espanha... eles escrevem que o trono está vazio e que a nobreza está com dificuldade em eleger uma herdeiro, que está levando ao tumulto. Isto me fere de um modo extremamente estranho. Como pode um trono estar vazio? Eles dizem que alguma dona pode subir ao trono. Nenhuma dona pode subir ao trono. É simplesmente impossível. Só pode haver um rei no trono. Assim, eles dizem que não há rei. Nenhum Estado pode existir sem um rei. Há um rei, mas ninguém sabe quem ele é...

Tal dificuldade leva a esta declaração:

43º dia de abril no ano de 2000
Hoje celebramos um ilustríssimo evento! A Espanha tem um rei. Ele foi encontrado. Eu sou este rei.

Não foi por conta da ausência de visão que Gogol não pôde ver uma Rússia sem um Tsar. Ele estava consciente da alternativa. Ele sabia bem das ideias do Iluminismo. Uma das cartas mais interessantes em sua correspondência publicada se refere inteiramente ao tema do Iluminismo. Ele viveu depois que a ideia foi apropriada e aplicada (com violência) na França e (pela guerra civil) nos Estados Unidos da América. Ele sabia o que eram a liberal democracia e o republicanismo democrático.

Gogol não via o Iluminismo como algo contra a Santa Ortodoxia, contra a monarquia ou em qualquer sentido negativo do tipo. Ele se refere brilhantemente às medidas gerais de Pedro o Grande e apontou a falha do Império Russo para atingir todo o povo - ele não se poupou.

Quem quer que vê esses espaços desabitados e vazios desamparados pelas vilas ou casas não se sente deprimido, quem quer que nos lúgubres sons das nossas músicas não ouve a repreensão dorida em si mesmo - de fato, em si mesmo - ou preencheu seu dever como deveria, ou não é um Russo na alma. Quase 150 anos decorreram desde que nosso soberano Pedro I clareou nossos olhos pelo purgatório do iluminismo europeu; ele pôs nas nossas mãos os meios e instrumentos da ação...

Gogol, no entanto, realmente encontra uma falta. Mas do melhor jeito. É o tipo mais feio de preguiça intelectual para criticar, morder, rasgar, desmantelar e oferecer alternativa nenhuma. Reciprocamente é o melhor tipo de compromisso o oferecer novas ideias e perspectivas, criar novas possibilidades - para construir, não quebrar, fazer pontes e não queimá-las.

Gogol cruzando o Dnepr, por Anton Ivanov
O pensamento de Gogol era de que a preocupação francesa com o cristianismo cismático e sectário ocidental não deveria ser levada para o Império Russo. Mesmo Pedro e Catarina (os Grandes) parecem ter instintivamente percebido isto, embora eles ainda, tristes, capturam o conteúdo contagioso para o monasticismo através do contato com os polemistas ocidentais.

Gogol pensava que a Igreja era o veículo do autêntico Iluminismo, não um impedimento (Pedro e Catarina) ou seu inimigo (Voltaire).

A inteira e total visão de vida permaneceu na Igreja Ortodoxa, manifestamente mantida em reserva para mais tarde e para uma educação mais completa do homem. Ela tem o espaço não apenas para a alma e coração do homem,, mas também para sua razão, em todos os poderes supremos; neça está o caminho e a estrada pela qual tudo no homem se tornará um hino harmonioso do Ser Supremo...
... Iluminar não significa ensinar ou edificar, ou educar, ou até mesmo iluminar, mas iluminar um homem através de todas suas faculdades e não apenas se sua inteligência, tomar toda sua natureza através de um fogo purificador. Essa palavra é emprestada da nossa Igreja, que pronunciou por quase mil anos, apesar de toda a escuridão e melancolia ignorante que rodeia por todo lado, e sabe o porquê pronuncia. Não é por nada que o bispo, em celebração do serviço, elevando com uma mão o candelabro de três braços, que significa a Santa Trindade, e com a outra o candelabro de dois braços, que significa a descida à terra do Verbo em sua dupla natureza, Divina e humana, através desses [gestos] clarifica tudo, pronunciando 'Que a Luz de Cristo ilumine tudo!' Não é por nada também que num outro momento do serviço soam trovoando, como se fossem dos Céus, as palavras: 'Senhor da iluminação!' e nada mais é acrescentado.

Os arquitetos originais do ideal e seus expoentes durante o Iluminismo francês, apesar de seu anticlericalismo, foram eles mesmos monarquistas - Voltair incluso. Estes pensadores foram mais bem-vindos em São Petersburgo do que em Paris. Muitos, de novo entre eles Voltair, mantiveram correspondência com Catarina a Grande, confidenciando grandes esperanças na Rússia.

Os verdadeiros ideais do Iiluminismo, no início, eram
1. Governo de reis
2. Tolerância religiosa (não laicismo oficial do Estado)
3. Gosto elegante na arte e na literatura

A monarquia ortodoxa fecha mais com o critério do governo de reis do que a liberal democracia.

Quanto à tolerância religiosa - um Estado laico não é tolerância de religião. É, antes disso, a forma mais alta de intolerância, desde que não dá lugar nem concede participação no governo da religião da maioria - enquanto este sistema de governo reclama ser representativo do povo.

Uma exclusão geral a priori é uma ruidosa intolerância a todas as religiões, quer seja o aspecto mais vital da vida e dos trabalhos de uma nação: o governo. Não há tolerância religiosa quando a única menção à religião garantida na Constituição ou código de lei é uma nota que não tem espaço nos assuntos estatais.

Em contraste com isso, a monarquia ortodoxa faz da religião do povo o fator determinante do Estado do mesmo modo que define a maioria dos cidadãos como indivíduos. E enquanto o Império, o Tsar e a Família Real devem ser ortodoxos, por definição, a liberdade de religião é garantida para as minorias heterodoxas e até mesmo encorajadas em frases que lembram o primeiro Edito de Milão de Tolerância de 313 do Imperador Ortodoxo.

Lemos no capítulo VII, 67, das Leis Fundamentais Imperiais Russas de 1906:

A liberdade de religião é concedida não apenas para cristãos de seitas estrangeiras, mas também judeus, islâmicos e pagãos; assim, todos os povos que vivem na Rússia podem glorificar o Deus Todo Poderoso em várias línguas de acordo com as leis e confissões de seus ancestrais, abençoando o reino dos Monarcas Russos e suplicando ao Criador do universo para aumentar o bem-estar da nação e fortalecer o poder do Império.

Sobre o gosto elegante na arte e na literatura. Parece-me, um confirmado classicista, que é óbvio que o gosto e a literatura desapareceram junto com a Realeza do mundo moderno, desde que a monarquia melhor preenche a condição de governo dos reis em comparação com a liberal democracia. A melhor prova - ninguém se importa.

Ninguém hoje sentiria qualquer desejo para ter gosto, deixar de lado o gosto elegante, na arte e na literatura.

A maioria na verdade preza sobretudo o mau gosto. Elegância e (bom) gosto são tão ultrapassados! A mente hesita, os olhos rolam, o peito arfa, o coração suspira. Triste, mas assim é.

Por outro lado, a Santa Ortodoxia é a Mãe do que chamamos elegância e (bom) gosto e arte e literatura. Nossos templos e as altaneiras catedrais, abóbadas douradas e brilhantes cruzes, nossos iluminados ícones, nossos grandes compositores e incomparáveis escritores juntos com seus temas, assuntos e inspiração. Tudo isso vem da Santa Ortodoxia. Tudo isso foi patrocinado e apoiado pelos nossos Tsares.

***

Para um leitor moderno, uma pequena nota sobre a viabilidade da monarquia está em ordem.

Sua reação reflexiva não é algo como "Monarquia! Sério?" Esse é o auspicioso dia do roubo de identidade e armamentos nucleares. Estamos um pouco além da Realeza hoje.

Vamos consultar a Enciclopédia: "Preconceito é opinião sem juízo".

Você aprende algo todo dia, eles dizem. Hoje você aprendeu que a reação irracional é um preconceito. Que preconceito particular é apoiada em muitas asserções não-verdadeiras amplamente em circulação sobre monarquia. Que monarquia é inflexível, invariavelmente produz tiranos e que foi universalmente eliminada por oposição populista desde que as sociedades se tornaram suficientemente auto-conscientes.

Tsar Nicolau II num hospital com seus homens durante a Grande Guerra, por Pavel Rizhenko
A monarquia é inflexível? Não. As monarquias modernas provaram serem realistas e adaptáveis no início do século. Quase todas as monarquias modernas trabalharam em códigos legislativos e com corpos representativos, instituições civis, comitês consultivos, etc. A autocracia popular, invertida, emergirá no século XX na forma das ditaduras democraticamente eleitas depois que as coroas caíram ao chão.

Quanto à tirania, regimes e ditaduras muito mais brutais e opressivas surgiram no mundo moderno sob os auspícios e em nome da democracia, muito mais brutais e opressivas do que qualquer outra monarquia feita na história.

Finalmente, a maioria das monarquias caíram principalmente como consequência das Guerras Mundiais e foram forçosamente prevenidas de serem restauradas por poderes estrangeiros - mais conspicuamente o ferozmente anti-monarquista Estados Unidos da América. A presença de Woodrow Wilson em Versalhes é o início de um longo hábito dos EUA de interferir muito além da sua esfera legítima de interesses nacionais.

O Kaiser e o Sultão desaparecem depois da Primeira Guerra Mundial; o primeiro foi completamente proibido de ser restaurado, enquanto o segundo não foi de interesse britânico ou francês.

Os monarcas europeus orientais todos caíram sob a sombra soviética no pós-guerra - seu destino decidido por dois poderes anti-monárquicos vitoriosos: a URSS e os EUA.

De todas as monarquias modernas que terminaram na memória recente, três foram a consequência da oposição populista e só uma delas envolveu um referendo democrático (Itália, em que 59% votou pela república).

***

A restauração da monarquia ortodoxa dificilmente precisa de minha defesa. Prejuízos e estroinices à fora, é óbvio que uma monarquia poderia governar um país com sucesso, defender seus interesses e facilitar os direitos legais de seus cidadãos tanto quanto uma liberal democracia ou república democrática.

E se é a vontade de que o povo do país, como será em tempos na Federação Russa, então o verdadeiramente representativo governo poderia ser uma monarquia.

Ver parte I (Gogol e o Mundo Russo)
via souloftheeast

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"A arte contemporânea é uma fraude"



 A crítica mexicana Avelina Lésper denuncia a especulação e a bolha econômica, como foi a imobiliária, de obras que "carecem de valores estéticos".

Não foram poucos os que se identificaram, há um par de anos, com aquela mulher da limpeza de um museu alemão tão zelosa de seu trabalho que se empenhou a fundo para eliminar algumas terríveis manchas que haviam em alguma das obras expostas. Nem ocorreu suspeitar que formavam parte vital da peça Wenn es anfängt durch die Decke zu tropen (Quando começa a gotejar o teto) do artista Martin Kippenberger, avaliada em 800 mil euros. O Museu Ostwald de Dortmund (cujas primeiras entradas no Google são sobre o sucesso, superando sua rede oficial), chegou a afirmar que "estamos tentando esclarecer antes que tipo de capacitação tem o pessoal da limpeza".

A crítica de arte mexicana Avelina Lésper diria que essa pobre trabalhadora, ademais de um grande sentido do asseio, tinha também um grande sentido comum. Lésper, colaboradora de diferentes meios de comunicação latinoamericanos e diretora do programa de televisão El Milenio visto pela Arte, é uma das vozes que mais soam contrárias à arte contemporânea, questionando desde os ready-made (uso de objetos comuns como o vaso sanitário de Duchamp) às performances efêmeras.

-Como definiria a arte contemporânea em uma palavra?
-Fraude.

-Explique-se...
-Carece de valores estéticos e se sustenta em irrealidades. Por um lado, pretende através da palavra mudar a realidade de um objeto, o que é impossível, outorgando-lhes características que são invisíveis e valores que não são comprováveis. Além disso, supõe-se que temos que aceitá-los e assimilá-los como arte. É como um dogma religioso.

-E por outro lado?
-Também é uma fraude porque está sustentada por nada mais que o mercado, que é fluido e artificial na maioria dos casos. Outorgam-se às obras valores artificiais para que pense: "se custa 90 mil euros é porque deve ser arte". Estes preços são uma bolha, como existiu a da imobiliária.

-Estourará?
-Tem que estourar. Uma torre de papel sanitário de Martin Creed custa 90 mil euros. O objeto não é o importante, mas o que tu pode demonstrar economicamente através da tua compra.

-E não podem comprar Murillo ou Picasso?
-Não podes especular com pintura antiga porque há pouca. Por sua vez, este tipo de obra são realizadas em minutos, algumas são feitas em fábricas.

-Não poder-se-ia especular com obra atual com valores estéticos?
-A arte toma tempo. Não há jeito de Antonio López terminar um quadro... por sua vez, deve esperar que o pintor ou escultor faça suas obras. Por outro lado, a arte necessita de talento, que o artista tenha algo a mostrar através de sua obra. Com a arte contemporânea os artistas não precisam ter nada.

-Pode dar algum exemplo?
-Quando Duchamp fez seu ready-made proibiu a todos os artistas o processo intelectual. Qualquer objeto é arte, o que seja. Sob este ponto de vista, imagine a quantidade de obras de arte que tu tens. Tudo a tua volta é passível de se converter em arte. Não tem que esperar que esse artista forme, demonstre seu talento e que acabe mostrando algo, o que é terrivelmente difícil. Outro exemplo é Santiago Sierra com seus ready-made. Diz-te: "Isto é uma privada da Índia". Que impressionante!

-Como um mínimo pensam na definição...
-O crítico Arthur Danton disse: "deixem que os filósofos pensemos na obra, vocês tragam seus objetos". Se pões como tema a privada sanitária, já chegará o mestre a elaborar o discurso e te faz da miséria, das últimas castas que recolhem a merda... há toda uma justificação social e moral. Se manifesta que isso carece de valor estético, automaticamente te dizem que está contra a mensagem social. É uma arte chantagista também. Utiliza esse tipo de discurso para que o aceite como arte. Se não o aceitar, está contra ele e és um ignorante.

-A denúncia social foi sendo feita ao longo da história da arte...
-Foi sendo feita, mas não como valor da obra. Os Fuzilamentos de 3 de maio de Goya valem pela realização artística, porque sua pintura foi transcendental e profundamente moderna em seu momento. E segue sendo moderna hoje. Por isso vale uma pintura de Goya, não pelo seu discurso.

-Estão sendo confundidas a arte com a mensagem?
-Agira a arte só é mensagem. Não há arte, só há panfletos. Estas obras não podem existir sem os museus. As obras, paradoxalmente, estão melhores no catálogo que ao vivo. E já não digamos com os artistas de performance, que só têm o registro fotográfico do que fazem porque dizem que é efêmero, ainda que repitam 700 vezes. São obras que só existem nos catálogos e através dos discursos e da teoria que lhes colocam os comissários e especialistas em estética. São objetos de luxo, uma nova forma de consumo.

-A maioria das pessoas não gostam da arte contemporânea porque é difícil de entender...
-É que não há nada para entender. É uma arte que exige assimilar e não discutir, por isso também é dogmática. Te exige fé, que acredite nela, não que a compreenda, como as religiões. Quer submeter nosso intelecto. Todo tempo quem se equivoca é o espectador, o artista e a obra são infalíveis. Se tu dizes que carece de valores estéticos, de inteligência, que não te propõe nem demonstra nada, então te dizem que és um ignorante.

-Quem decide o que é arte?
-É uma decisão arbitrária que se toma entre as instituições, museus, universidades... é uma arte da academia. Isso de que é independente e livre é mentira.

-É financiado?
-Totalmente, não pode viver sem os financiamentos do Estado. É uma arte parasitária. A maioria dos artistas contemporâneos vivem do Estado.

-O público não pinta nada?
-Não. Por isso é demagogia pura que dizem que essa arte tem intenções sociais e que manifesta intenções morais. Rechaça as pessoas, que para eles são ignorantes. Esta arte não vive das pessoas, vive das instituições e da especulação.

-Poderíamos dizer que reflete a sociedade atual?
-Refletir é muito diferente de denunciar. Eles parasitam a sociedade em que vivem, reflete melhor Madoff. Ambos são parte de uma mesma mentira social que criou o capitalismo através da especulação econômica. A arte contemporânea é parte do fracasso capitalista.

-Somos órfãos da arte?
-Sim, porque não há espaço para os artistas que estão criando de verdade. O que mostra o Macba ainda que esteja vazio? Na Espanha há muitos centros de arte contemporânea que nasceram a par da bolha imobiliária, para que tenha uma ideia de como está a coisa. O que te pode mostrar Jeff Koons que imita objetos de feira o qualquer ready-made? Eles fizeram do material a obra: Agora para dizer guerra já não precisa pintar os fuzilamentos, agora escreve a palavra guerra em um letreiro. Isso é não ter pensamento abstrato. Jamais a arte tinha se despojado tanto das metáforas... o problema é que estão acabando com uma capacidade cognitiva.

-Nos querem burros?
-Exatamente. E sabes por quê? Isso tem por trás de si o mais pedestre que possas imaginar, o dinheiro. Por isso é também um fracasso do capitalismo. Tudo o que foi feito pelo dinheiro nestas duas últimas décadas fez um dano enorme à humanidade. Por dinheiro se destruiu a economia da Europa, dos Estados Unidos, temos o narcotráfico na América Latina... e por dinheiro estão destruindo a arte.

-Alguma boa notícia vinculada à arte?
-Claro, mas as galerias precisam que estejam amparadas pelas instituições. Quando a Rainha Sofia deixou de comprar em Arco, Arco quebrou.

-A Rainha Sofia deixou de comprar em Arco e começou a expor Picasso...
-... e Goya, para que as pessoas sigam...

-Isso seria o início da mudança?
-Exatamente. Chega um momento em que as instituições vão ter que escutar a população e deixar de trabalhar para interesses privados.

-O que pensa de artistas espanhóis contemporâneos como Tàpies ou Barceló?
-Barceló tem alguns desenhos e aquarelas sensacionais. Tàpies está supervalorizado. Surgiu porque a arte espanhola começou a se ver órfã de criadores e foi a oportunidade de elevar um tipo como Tápies, com uma linguagem e uma criação limitadíssima.

-Vê mal a arte espanhola?
-A arte espanhola é um fenômeno para análise. Foi a cúspide da arte mundial, teve criadores que contribuiram com nada e agora os artistas simplesmente não existem. E a crítica espanhola está entregue e submissa ao sistema. Quando a Espanha se dará conta de que perdeu seu lugar na arte?

-Não é a única coisa que perdeu...
-Mas é um fator muito delicado. A arte não nos tirará da crise, mas contribui à humanidade.

Via revistacultura

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Espanha disposta a fazer frente conjunta com Argentina para reivindicar Malvinas e Gibraltar

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, confirmou que estão abertos a apoiar as reivindicações argentinas contra a Grã-Bretanha, se receberem o mesmo.



"Nós sempre estivemos de acordo com a Argentina em três coisas que são as três em que Gibraltar e Malvinas são idênticas", afirmou José Manuel García-Margallo.

Esses pontos coincidentes são que em ambos os casos "se aplica o princípio de integridade territorial e não o princípio da autodeterminação e os dois devem ser resolvidos da negociação das partes", assinalou o ministro espanhol.

"Caso se ponha nesses termos votaremos as resoluções em favor da Argentina como os argentinos votarão a favor da Espanha", assegurou García-Margallo, antes de acrescentar que "outra coisa são medidas que cada país - Argentina ou Espanha - adotem para resolver o litígio, no que podemos estar de acordo ou não".

García-Margallo insistiu que em Madri "se analisa todas as opções para resolver o conflito" criado sobre Gibraltar, incluindo o recurso à Corte Internacional de Justiça de Haya.

"É música para nossos ouvidos escutar ao ministro que Espanha considera levar esse caso a tribunais internacionais", afirmou o ministro principal de Gibraltar, Fabián Picardo, em uma entrevista publicada domingo no El País.

Extraído de infobae

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Você sabia que a máscara de V de Vingança representa um "idiota útil" que facilitou as ambições expansionistas do império britânico?

Você sabia que a máscara de V de Vingança representa um "idiota útil" que facilitou as ambições expansionistas do império britânico? É um grave erro esquecer nossa história, mas um erro ainda pior é não conhecê-la, pois isso nos lava a cometer os mesmos erros do passado.

Nos últimos anos é comum ver, em diferentes atos de reivindicação, manifestantes usando a máscara do personagem do filme hollywoodiano "V de Vingança" (Lei Dinde, WikiLeaks, 15-M... ). O grupo de supostos hackers Anonymus chegou inclusive a entronizá-la, convertendo-a em seu principal símbolo.



Mas, sabem realmente, aqueles que a usam, quem é o personagem que representa? E, o mais importante, sabem o grande serviço que prestou esse personagem (sem o querer) à coroa britânica e aos seus anseios expansionistas? Provavelmente a esmagadora maioria não, assim como desconhecem eles mesmos são usados mata fins muito similares para os que foram usados o personagem que representa essa máscara.

Esse personagem é Guy (ou Guido) Fawkes

No ano de 1605, um grupo de fanáticos católicos ingleses, admiradores da inquisição espanhola, entre eles Guy Fawkes, são acusados de tentar explodir o parlamento inglês, com toda família real dentro, com objetivo de restaurar a religião católica na Inglaterra.

O julgamento, como demonstraram muitos historiadores (1), esteva cheio de irregularidades: testemunhos auto-incriminatórias obtidos sob tortura, falsos testemunhos pagos pela acusação, provas falsas, etc. Usando um procedimento igualmente manipulado, a coroa britânica acusou a Espanha (com quem, nessa época, disputava a hegemonia mundial) de estar por trás desta conspiração. Isso foi usado como desculpa para intervir na guerra que a Espanha levava contra os rebeldes holandeses, em apoio aos últimos. Essa intervenção foi crucial para a derrota da Espanha, e indispensável para por, a partir de então, sob a órbita da influência britânica os Países Baixos.

Além disso, esse arranjo, conhecido pelo nome de "conspiração de pólvora", serviu para justificar a posterior brutal perseguição sofrida pelos católicos ingleses, desencadeada sob o pretexto de uma espécie de guerra preventiva contra o terrorismo católico. Essa perseguição tinha como objetivo verdadeiro liberar a Inglaterra definitivamente da influência do papado (ao serviço dos interesses da França e Espanha) sobre sua política interior e exterior, através de sacerdotes fiéis incrustados à corte inglesa, que bloqueavam as pretensões expansionistas da Inglaterra.

Em todo esse perverso jogo político, Guy Fawkes e alguns de seus amigos mais próximos foram apenas idiotas úteis (bodes expiatórios) necessários, usados por Sir Robert Cecil, o premier do rei Jaime I (ou Tiago I) para impulsionar a nova política expansionista britânica.

Hoje em dia, todas aquelas pessoas que, com ou sem a máscara do "V de Vingança", estão prestando apoio a causas como WikiLeaks, o movimento Occupy ou Anonymus, estão desempenhando um papel muito similar ao que Fawkes e os seus prestaram em seus dias:

Anonymus e seu teatrinho de ciberguerra contra o poder governamental está sendo de grande utilidade para alertar sobre o suposto perigo que constitui o anonimato na rede (a polícia chegou a comparar o Anonymus com a al-Qaeda) e, acima de tudo, para mistificar e apresentar a internet como um meio independente e democrático (a pesar de se tratar de uma ferramenta do exército americano, totalmente controlada por este). Isso serviria, em primeiro lugar, para justificar uma maior controla de ciberespaço e, em segundo, para catapultar a internet como novo meio de direção e controle político, supostamente democrático, mas que devido à sua estreita vinculação com os centros de poder imperialistas, seria utilizado como um perfeito meio de controle social totalitário (2).

WikiLeaks, mediante falsos informes, como aqueles em que vinculava od governos de Cuba ou Venezuela com o ETA e as FARC, ou nos quais sem provas insinuava que o programa militar iraniano tinha fins militares, foi de grande utilidade para justificar políticas agressivas contra esses povos.

O movimento 15-M servirá para impulsionar reformas neoliberais destinadas a reformular o capitalismo, com o propósito de fazê-lo ainda mais escravista. A diferença entre o 15-M e a armação da Conspiração de Pólvora, é que, enquanto esta só usada para apenas uma dúzia de "idiotas úteis", no caso de 15-M dezenas de milhares deles trabalharam , na maioria dos casos, de forma totalmente desinteressada.

Via Todoestarelacionado

Tradução por Conan Hades

(1) Eu recomendo a leitura de "A Conspiração da Pólvora. Catolicismo e terror na Europa do século XVII", de Antonia Fraser.
(2) Consulte "A era tecnotrônica" (1970) por Zbigniew Brzezinski.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O feminismo contra a Vênus do espelho

Por Lúcia Hernández Soria

Uma das obras mais polêmicas e discutidas de Diego Rodriguez de Silva y Velázquez se trata de "Vênus ao espelho", que desde sua realização provocou o escândalo sobre o erotismo com o qual foi elaborada, fazendo sua recepção como de uma obra menor e um tanto vulgar por ser atrevida segundo a época. O tema já havia sido executado anteriormente por outros autores, mas o que fez Velázquez, o pintor favorito da corte espanhola, gerou posições contrárias.



A mudança de proprietários e conflitos armados fizeram com que essa obra se mantivesse perdida por alguns anos, o que provocou a perda de seu registro, no entanto, dada a técnica que Velázquez usou em sua maturidade acredita-se que a pintou em 1649, período de suas obras finais; a interpretação simbólica que os críticos fizeram, vão desde a desafiante cor escurecida do cabelo de Vênus que confronta todas as escolas de pintura e que mostra o interesse por fazer uma deusa mais ao gosto espanhol.

Também é conhecida com o nome "O amor conquistado pela beleza", pois o cupido se encontra parado contemplando sua mãe segundo a mitologia, e é aqui que está o ponto chave desta obra: o rosto que aparece borrado no espelho não obstante que no barroco se dava maior importância à expressividade, ainda mais tratando-se do autor de um dos maiores retratistas. Enigmaticamente é aqui onde Vênus foca sua maior atração, o que faz dessa pintura uma obra única pela suavidade em que se perde o traço em contraste da matéria que a rodeia, dando impressão que se trata de algo etéreo.

Esta pintura também provocou reações contra si como o atentado de 10 de março de 1914, quando uma ativista feminista chamada Mary Richardson com um pequeno machado fez cortes sobre a tela, se bem que na época manteve a versão de que o ato foi em protesto pela detenção de uma sufragista britânica, disse em uma entrevista em 1952 que "não gostava da maneira com que os visitantes masculinos a olhavam (a pintura) boquiabertos o dia inteiro".

A tela foi restaurada, causando a manifestação de grupos feministas as quais consideravam como um símbolo de opressão masculina, ao se tratar de uma encomenda de Carpio Gaspar de Haro y Guzmán, que se diz que "amava tanto a pintura quanto amava as mulheres" e foi o maior colecionador de nu artístico de sua época além de libertino.

O feminismo radical ainda mantém a ideia de que as obras de arte onde se mostra a mulher nua a representam como um objeto, e que para a devida aceitação da mulher estas pinturas e esculturas deverão ser destruídas sem importar o legado cultural ou histórico tal como é a "Vênus de Milo", esse efeito é conhecido como "A repressão de Vênus" e indica que as primeiras obras que devem desaparecer são as que sejam delicadas como essa deusa.

Tradução Conan Hades

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dívida pública espanhola é a maior desde 1910

 
Dados proporcionados por fontes oficiais mostram que em 2012 a dívida pública aumentou em 146 bilhões de euros até chegar nos 882,339 bilhões de euros no fim do ano passado, o que se considera um récorde desde 1910.
 
Dado que o Instituto Nacional de Estatística (INE) ainda não revelou a cifra do PIB, algumas estimativas públicas e privadas, revelam que os 882,339 bilhões de euros equivalem aproximadamente entre 88,5% e 84% do PIB.
 
O déficit do conjunto da administração, o resgate bancários e o plano de pagamento a provedores são algumas das principais causas desta nefasta cifra.
 
De igual maneira, os planos do Governo de Mariano Rajoy como os duros recortes e aumentos de impostos foram incapazes de controlar a dívida pública.
 
A economia espanhola, com seus milhões de desempregados, previu que a dívida pública chegaria a 85,8% do PIB em Dezembro de 2013, cifra que quase se alcançou já em 2012.
 
Depois do começo da recessão financeira na Espanha, o governo de Madrid, para paliar a crise, baixou os orçamentos dos funcionários, fez recortes em vários setores, especialmente, na saúde e educação, endureceu o acesso aos subsídios por desemprego e barateou a demissão.

Espanha, submersa em uma crise financeira desde 2008, atualmente vive um dos mais difíceis momentos de sua história, ao registrar altras taxas de desemprego e déficit público.


Via Hispantv

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Judeus contra Espanha: Israel aposta em Catalunha Independente

Amores que matam? O jornal israelense "Haaretz" publica neste fim de semana uma longa reportagem em que assegura que Catalunha "será muito logo do povo catalão, da mesma forma que Israel é do povo judeu". A publicação judaica vai mais longe ao descartar para Catalunha outra fórmula territorial que não seja a independência total. Nem estado binacional, nem federação, nem confederação e muito menos autonomia.

A reportagem inclui uma entrevista com o portavoz de Solidaritat Catalana per la Independència, Alfons López Tena.

"Batata quente"

"O bumerangue já foi posto a girar: os catalães darão sua reposta a Rajoy em 25 de Novembro", assegura o jornal, para acrescentar que "os catalães estão decididos a iludir a Constituição Espanhola e celebrar um referendo de independência". Uma consulta que 'Haaretz' qualifica como "uma batata quente que logo acabará nas saias da União Europeia".

O jornal sionista aproveita a reportagem para recordar os conflitos similares que existem atualmente aos que, segundo ele, vivem entre Catalunha e Espanha. "A última vitória dos separatostas do Quebec, Canadá, os contínuos esforços para desmantelar o reino da Bélgica, e o referendo nacional que celebrará na Escócia em 2014 são só alguns exemplos que o demonstram", salientou 'Haaretz'.

"Amigável com Israel"

Em suas declarações ao jornal hebreu, o deputado Tena, de origem valenciana, salienta que "nossa honra e nossa liberdade são fundamentais" e que "incluso sem a crise econômica teria uma maioria clara em favor da independência". Assegura que uma "Catalunha independente será amigável com Israel".

Na reportagem se destaca assim que a segunda equipação do Barça sejam já as cores da bandeira catalã, assim como o fato de que os catalães estejam já cansados de que as regiões pobres da Espanha vivam às custas dos catalães e que, por conseguinte, estes se sentem "roubados" pelo estado espanhol. Por isso, salienta o jornal judeu, exigem "cobrar seus próprios impostos" para que um 9% do PIB catalão "não vá aos cofres do governo central em Madrid".

Via 1948palestina

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Taxa de desemprego bate novo recorde na região do Euro


Espanha tem a maior quantidade de desempregados da Europa.

O desemprego na eurozona alcançou um novo máximo histórico, segundo informa a oficina de estatística comunitária Eurostat. Epanha lidera a lista principalmente, segundo alguns especialistas, por causa da reforma trabalhista do governo.

O país com a taxa de desemprego mais alta segue sendo Espanha, com uns 26,6%, seguida de Grécia com 26%. O desemprego na zona do euro aumentou em Novembro um décimo com respeito ao mês anterior e se situou em 11,8%, enquanto que o conjunto da União Europeia (UE) se mantém estável nos 10,7%.

O secretário de economia do partido político espanhol Izquierda Unida, José Antonio García Rubio, considera que tal momento da taxa de desemprego na Espanha é consequência da reforma trabalhista do governo de Mariano Rajoy, que está permitindo, segundo suas palavras, "despedir com muitíssima facilidade".

"A reforma trabalhista é a principal causa do incremento do desemprego na Espanha, que é muito mais rápido e muito mais forte que no resto da União Europeia, incluindo a zona euro", indicou o político.

A Eurostat revelou que tanto na zona euro como no conjunto da UE, as cifras de desemprego aumentaram de maneira significativa com respeito ao mês de Novembro do ano anterior, quando se situavam nos 10,6% e 10%, respectivamente.

Esta estatística significa que o número de desempregados aumentou no último ano em 2,015 milhões de pessoas entre todos os países da zona do euro.

Via RT

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dia de greve e protestos pela Europa

Uma fúria de protestos anti-austeridade varre a Europa, com paralisações gerais em Portugal e Espanha e greves na Grécia e Itália - vôos cancelados, escolas fechadas e transporte público parado.

Na Espanha, 118 pessoas foram presas - incluindo dois suspeitos de portar metarial explosivo - após os confrontos com os grevistas e danos nas vitrines. A tropa de choque disparou balas de borracha contra os manifestantes no centro de Madri. Cerca de 74 pessoas ficaram feridas.



"Isso não é sobre política ou sindicato. É social e econômico. Se tivermos que fechar o país, nós vamos fechá-lo", disse Mariluz Gordillo, 24 anos, uma operadora de telefonia não sindicalizada do El Corte Ingles, de Madri.



Em Bruxelas manifestantes queimaram uma bandeira da União Européia como parte das manifestações encenadas em frente à sede da Comissão Européia e a Embaixada Alemã.

 

Em Roma, confrontos eclodiram entre a tropa de choque e os manifestantes que jogaram pedras, garrafas e fogos de artifício contra a polícia. Cerca de 60 manifestantes foram detidos. Os manifestantes ocuparam a Torre de Pisa por uma hora, pendurando um cartaz escrito "Erga-te. Nós não pagaremos por tua crise".



O desemprego em Portugal saltou para o recorde de 15,8%, enquanto na vizinha Espanha um a cada quatro pessoas da população ativa está desempregada.



"Eu estou de greve por aqueles que trabalham e são basicamente chantageados a sacrificar mais e mais em nome da redução da dívida, que é uma grande mentira" disse Daniel Santos de Jesus, 43, que leciona arquitetura na Universidade Técnica de Lisboa.

Via thestar e demotix

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Greve geral na Europa

 
"No dia 14 de novembro ocorrerá uma greve geral na Espanha, Portugal e Grécia. Unir as lutas dos trabalhadores em escala europeia! Construir também na Itália a greve geral!"
(Declaração do Comitê Central do PdAC)

As massas populares de toda Europa estão sofrendo ataques pesadíssimos em suas condições de vida e de trabalho. Direitos conquistados em anos de lutas são desmantelados. Demissões, miséria, salários de fome são o quotidiano para milhões de trabalhadores de todos os países europeus. Os governos burgueses, a partir daqueles dos países com a dívida pública mais alta (os chamados PIIGS - Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), têm lançado em campo planos de austeridade que preveem o desmantelamento do Estado de bem estar social, a redução dos salários, a demissão nos serviços públicos, o aumento dos impostos pagos pelos trabalhadores. Os governos nacionais aplicam as medidas que lhes são requeridas pela chamada Troika, isto é Banco Central Europeu, Comissão europeia e Fundo Monetário Internacional: estes organismos supranacionais, enquanto continuam a dar bilhões aos bancos e indústrias, jogam os custos da crise nas costas dos operários, dos trabalhadores assalariados, dos jovens estudantes e dos imigrantes.

O que está ocorrendo na Itália com a revisão de despesas e o pacote do governo Monti (chamado cinicamente "lei de estabilidade") é semelhante ao que está ocorrendo na Grécia, Espanha e Portugal. O governo, depois de haver fornecido bilhões ao capital financeiro e industrial, hoje apresenta uma alta conta aos trabalhadores: novos e pesadíssimos cortes na saúde, na escola pública (enquanto se dá mais de 220 milhões às escolas privadas em obsequio ao Vaticano), na administração pública.

Também na Espanha, Portugal e Grécia os governos estão baixando pacotes semelhantes: mas nestes países os trabalhadores há meses estão organizando uma dura resistência, com greves gerais, manifestações de massa e até ataques ao Parlamento. É hora de, também na Itália, os trabalhadores, os estudantes e os jovens sairem às ruas em uma grande jornada de greve geral, que bloqueie o país até dobrar o governo.

O dia 14 de novembro representa uma ocasião importantíssima para lançar esta luta na Itália, na unidade de classe com os proletariados espanhol, português e grego. Na Grécia, Espanha e em Portugal os sindicatos - sejam aqueles de colaboração sejam aqueles de luta e de base - proclamaram uma greve geral. Construamos a greve geral do dia 14 de novembro também na Itália! Transformemos a jornada do dia 14 em uma primeira grande greve geral europeia!

Demonstremos aos banqueiros e capitalistas que têm o destino da Europa  nas mãos que o proletariado, se for a campo unido, é uma força imbatível.

Abaixo os planos de cortes sociais da UE!
Não ao saque dos trabalhadores e do povo!
Fora a Troika e seus governos!
Esta dívida não é nossa!

Viva a luta internacional dos trabalhadores!

Via Vermelhoaesquerda

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Mulheres imigrantes apresentam falsas denúncias de maus tratos para ganhar assistência social



A Guarda Civil de Almería prendeu 18 integrantes de uma organização criminosa que colocava mulheres imigrantes em contato com homens com residência legal na província, para regularizar sua situação no país. Eles concordavam em apresentar falsas denúncias de violência de gênero para receber a assistência pública correspondente.

Foram detidos três organizadores da trama, mais 6 homens e 9 mulheres que participaram na fraude. Até o momento, a investigação pode determinar pelo menos 14 denúncias falsas.

Os agentes notaram o aumento das denúncias por violência de gênero entre marroquinos, nas que coincidiam uma série de caracterísitcas e padões comuns. Após as primeiras averiguações se localizou um grupo organizado por três marroquinos que se dedicavam a buscar mulheres marroquinas em situação irregular. Era a oferecida a legalização simulando serem vítimas de violência de gênero, além de conseguir as ajudas econômicas que as vítimas destes delitos recebem na Espanha.

ayudas-sociales
Para isso contavam com homens marroquinos com a situação regularizada, aos quais eram oferecidos entre 2000 e 4000 euros para fingir ser marido e agressor da mulher, com a promessa de que quando esta conseguisse residência legal a denúncia seria seria retirada e arquivada.

Uma vez feita a denúncia e com a sentença provisória, as mulheres se dirigiam para a Oficina de Estrangeiros de Almería, onde apresentavam um pedido de residência e trabalho por circunstâncias excepcionais, conforme sua condição de vítimas de violência. Nos casos investigados até o momento essas ajudas eram concedidas em até um mês.

Quando as mulheres conseguiam a regularização, davam ao suposto marido o dinheiro combinado, bem como aos membros da organização. 

Uma das detenções aconteceu no porto de Almería, quando uma das implicadas tentava voltar ao Marrocos após saber da investigação policial.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Milhares de estudantes paralisam atividades na Espanha



Os estudantes da Espanha cumprem nesta quinta feira o terceiro dia da jornada de luta de três dias em defesa da escola pública. Segundo o sindicato dos estudantes, organizador da greve, teve uma paralisação de 70% dos estudantes, no primeiro dia (3ª feira, 16 de outubro).

No segundo dia de luta, também segundo o sindicato dos estudantes, terão paralisado cerca de 3 milhões de estudantes em todo o Estado espanhol. A greve no ensino secundário terá tido um nível de adesão de 95% em Galiza, Astúrias, Aragão, Catalunha, País Valenciano, Madrid, Estremadura e Andaluzia e de 85% nas outras comunidades. Foram constituídos mais de 760 comitês de luta, que se estenderam às universidades.

Nas manifestações desta 4ª feira terão participado centenas de milhares de estudantes em 70 cidades.

A jornada de luta tem a solidariedade de professores e pais. Pela primeira vez, a confederação de pais (Confederación Española de Asociaciones de Padres y Madres de Alumnos - CEAPA) apelou à greve, em conjunto com o Sindicato dos Estudantes, e participarão nas manifestações que estão convocadas para esta quinta feira à tarde em diversas cidades de Espanha.

Os estudantes protestam contra a flexibilização de horários, as modificações curriculares, a manutenção dos apoios às instituições que segregam por sexo, o aumento do número de alunos por turma, o aumento do preço das matrículas e a diminuição das bolsas. Exigem sobretudo a retirada do anteprojeto governamental de lei da reforma educativa, que “só permitirá” o ensino para os ricos, segundo o sindicato dos estudantes e a confederação dos pais.

O ministro da Educação do governo do PP, José Ignacio Wert, acusou a confederação de pais de ser “irresponsável” e o sindicato de estudantes de “radical” e “extremista”. O presidente do sindicato de estudantes, Tohil Delgado, respondeu ao ministro na manifestação desta quarta feira em Madrid: “Hoje estamos a dar uma lição ao cavernícola Wert. Ainda que nos chame terroristas, o único terrorista é ele, que destrói a educação pública”. Tohil Delgado afirmou ainda que os jovens não querem “um governo que está ao serviço dos banqueiros e dos grandes empresários e que destrói tudo o que é público” e rematou: “Eles são parasitas sociais que se nutrem do nosso sofrimento”.

FONTE: Esquerda.Net

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

América Latina é mais feliz que o resto, segundo pesquisa



 A New Economics Foundation (NEF) publicou a terceira edição de seu Índice do Planeta Feliz (Happy Planet Index), um ranking em que classifica, a cada dois anos, o nível de felicidade dos países. Costa Rica ocupou o primeiro lugar pela segunda vez consecutiva na lista global, seguida de Vietnã e Colômbia.

Nesta medição, a lista conta com a presença de nove países da região no Top Ten. América-Latina superou em felicidade aos Estados Unidos, China, e Espanha.

El Salvador, Panamá, Nicarágua, Venezuela e Guatemala, entre os primeiros dez lugares dos 151 países analizados. No entanto, Argentina ocupa o posto número 17, Chile aparece com 19, México com 21 e Brasil com 22.

O estudo mede três fatores: bem-estar que os habitantes de uma nação dizem possuir, esperança de vida e interesse ecológico. 

Para Saamah Abdallah, analista do Centro de Bem-Estar do NEF, a região está muitas vezes à frente da Europa em questões ambientais. Salientou que Costa Rica e Colômbia são dois bons exemplos por sua autonomia a nível energético.

"Na América Latina segue tendo pobreza e desigualdade econômica, mas há também outro fator que quase nunca figura nos indicadores econômicos: o capital social, o valor dos laços humanos e das iniciativas comunitárias", agregou. 

A caída da Espanha ao posto de número 62 se deve, sobretudo, à diminuição da "percepção subjetiva do bem-estar" à raiz da crise que vive o Velho Continente, que deslocou também a Grécia ao número 83.

Outros perdedores são Egito e Tunísia, onde a mirada sobre o bem-estar diminuiu depois da onda da Primavera Árabe. Os últimos lugares da lista são Catar, Chad e Botswana.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Indepedentismo catalão mais forte que nunca

El indepentismo catalán pide un nuevo Estado europeo 
A Catalunha celebra hoje seu grande dia no ambiente mais indepedentista dos últimos anos e pendente de importantes mudanças econômicas.

Muitos catalãos aproveitam tradicionalmente os 11 de setembro, festa oficial da Catalunha, para expressar seus desejos indepedentistas ou soberanistas. Não é casualidade, já que a derrota do povo catalão nesse dia no ano de 1714 foi o começo de sua perda de direitos e soberania dentro do território espanhol.

No entanto, esse ano a Diada (nome da festa) está especialmente marcada pelo indepedentismo. E não é unicamente pela multidão de bandeiras e proclamações desse tipo que acontecem em todos os municipios do território, mas também nas instituições políticas regionais. O próprio presidente da Generalitat da Catalunha, apoiou oficialmente a marcha indepedentista anunciada para esta tarde em Barcelona e organizada pela plataforma Assembleia Nacional Catalã. precisamente nesstes meses há no governo e no parlamento catalão mais coesão da que seria possível imaginar uns anos atrás. O elemento unificador é a luta do presidente Mas para obter um novo pacto fiscal com o governo espanhol, medida apresentada para superar a crise.

O governo nacionalista conservador catalão, que recentemente foi obrigado a pedir um resgate econômico para a Espanha de mais de 5 bilhões de euros, soubbe atrair grande parte da oposição e do povo com uma jogada político-econômica que retoma ademais uma antiga exigência soberanista: um pacto fiscal que conceda para a Catalunha autnomia total com seus impostos. Aprovada com um grande consenso no parlamento regional, os catalães poderão começar a ver que probabilidades reais tem a proposta no próximo dia 20, quando acontecerá a primeira reunião sobre o tema com o governo central. Aconteça o que acontecer e nas seguintes, grande parte da Catalunha seguirá lutando para obter mais soberania e, o que é mais importante, encontrar uma saída para uma crise que parece não ter fim.


Cataluña celebra hoy su día grande en el ambiente más independentista de los últimos años y pendiente de importantes cambios económicos. Muchos catalanes aprovechan tradicionalmente el Once de Septiembre, fiesta oficial de la comunidad autónoma catalana, para expresar sus deseos independentistas o soberanistas. Y no es casualidad, ya que la derrota infligida al pueblo catalán ese día en 1714 fue el principio de su pérdida de soberanía y derechos dentro del territorio español. Sin embargo, este año la ‘Diada’, nombre popular de la fiesta, está especialmente teñida de independentismo. Y no se siente únicamente en la multitud de banderas y proclamas de este corte que abarrotan los balcones en casi todos los municipios del territorio, sino también en las instituciones políticas regionales. El propio presidente de la Generalitat de Cataluña, Artur Mas, ha apoyado en su discurso oficial la marcha independentista anunciada para esta tarde en Barcelona y organizada por la plataforma Asamblea Nacional Catalana. A la manifestación, que se congregará bajo el lema ‘Cataluña, nuevo Estado de Europa’, asistirán numerosos miembros del gobierno catalán. Precisamente estos meses hay en el gobierno y en el Parlamento de Cataluña más cohesión de la que hubiera sido posible imaginar hace unos años. El elemento unificador es el ‘órdago’ lanzado por el presidente Mas para obtener un nuevo pacto fiscal con el Gobierno central de España, medida que el catalán presenta como panacea para superar la crisis. El gobierno nacionalista conservador catalán, que recientemente se ha visto obligado a pedir un rescate económico a Madrid de más de 5000 millones de euros, ha sabido atraer a gran parte de la oposición y del pueblo catalán con una jugada político-económica que retoma además una antigua exigencia soberanista: un pacto fiscal que conceda a Cataluña total autonomía en la gestión de sus impuestos. Aprobada con gran consenso en el Parlamento regional, los catalanes podrán empezar a ver qué probabilidades reales tiene la propuesta el próximo día 20, cuando se celebre la primera reunión sobre el tema con el Gobierno central. Pase lo que pase en esa reunión y en las siguientes, gran parte de Cataluña, la comunidad más endeudada de toda España, seguirá luchando por obtener más soberanía y, lo que para muchos es más importante, por encontrar una salida a una crisis que ahoga a la población y parece no tener fin.

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/53458-indepentismo-catalan-pide-nuevo-europeo

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Os novos cortes adotados pelo governo espanhol são "suicidas"

As medidas de austeridade só conduzem à recessão do país, afirmam os especialistas

As medidas de austeridade que os governos adotam apenas conduzem à depressão da economia e à recessão de uma nação. A atuação do presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, nas atuais circunstâncias que atravessa o país "é suicida", consideram os especialistas.

Segundo o escritor e jornalista Miguel-Anxó Murado, o "Governo espanhol simplesmente tem uma visão ideológica do que acontece". Rajoy "é refém de seu discurso", já que "quando estava na oposição dizia que tudo era muito fácil, que a única coisa a se fazer eram cortes e planos de austeridade, e que os mercados responderiam favormente", manifesta Murado.

Contudo, os mercados são muito complexos e "entendem que muitos cortes conduzem à depressão da economia, à recessão, então tampouco querem investir em uma nação em recessão", assegura o jornalista.

Também defende que adotar essas medidas, que tem um forte impacto social, em um momento de extremas dificuldades econômicas no país, "é suicida".

Nesta quarta as autoridades espanholas anunciaram, entre outras reformas, uma subida do IVA de 18% para 21%, e uma nova reforma do sistema de prestações por desemprego, com o qual os recém-desempregados receberão menos a partir do sexto mês, entre 50% e 60%.

Mas de acordo com o especialista, o governo de Rajoy "se enganou" ao tomar estas decisões. Neste ambiente, os protestos dos mineiros em repúdio a estas políticas se converteram em "um verdadeiro símbolo da resistência do povo ante os ajustes".

Via RT

segunda-feira, 2 de julho de 2012

51% dos catalães votariam "sim" para a independência

51,1% dos catalães votariam a favor da independência da Catalunha se um referendo fosse convocado amanhã, enquanto crescem os partidários de um estado próprio, no que 55,5% acredita que viveriam melhor, segundo diz uma pesquisa da Generalitat.

Estes dados refletem um aumento dos catalães favoráveis a independência, extraídos da última pesquisa do Centro de Estudos de Opinião (CEO) da Generalitat (governo catalão) a partir de uma amostra de 2500 pesquisas telefônicas realizadas entre os os dias 4 a 18 de junho, com margem de erro de 2,47%.
  La bandera 'estelada'.
Segundo o diretor do CEO, Jordi Argeleguet, a pesquisa revela um dado importantissimo, já que pela primeira vez nas pesquisas o "sim" supera o 50%, pelo que os cidadãos partidários da secessão subiram 6,5% nos últimos 4 meses.

O aumento do independentismo é progressivo, diz Argeleguet, se tomarmos em conta que em seis anos, desde junho de 2006 a 2012, a porcentagem de cidadãos favoráveis a um estado próprio dobrou, ao passar de 13,9% a 34%. Esse dado se desprende da pergunta "Acreditas que Catalunha deveria ser...?" com 34% de respostas favoráveis a um "estado independente", frente a 28,7% a um estado federal e 25,4% de uma "comunidade autonôma". 

20minutos

terça-feira, 5 de junho de 2012

Síria expulsa embaixadores ocidentais

Síria anunciou terça-feira a expulsão dos embaixadores dos EUA, Reino Unido, França, Suíça, Espanha, Itália, Bélgica, Bulgária e Canadá, segundo a televisão nacional.

Segundo a fonte, o Ministério dos Negócios Estrangeiros adotou esta medida " seguindo o princípio de reciprocidade."No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio disse que o governo ainda está disposto a estabelecer relações com diplomatas expulsos, mesmo aqueles que já retornaram ao seu país, como o embaixador dos Estados Unidos.


 
"A República Árabe da Síria ainda acredita na importância do diálogo baseado em princípios de respeito mútuo e igualdade", diz um comunicado da chancelaria. "Esperamos que os países que iniciaram estas etapas para respeitar estes princípios, que permitem que as relações de volta ao normal novamente", ressalta.


 Uma semana atrás, vários países europeus, como França, Alemanha, Espanha, Itália e Grã-Bretanha anuncioaram, juntamente com Estados Unidos e Canadá, a expulsão de diplomatas sírios após o massacre de Hula, que matou mais de cem pessoas, 34 crianças entre eles.

 O anúncio desta onda de expulsões aconteceram em meio a crescentes esforços diplomáticos para pôr fim ao derramamento de sangue na Síria, onde ambas as partes envolvidas no conflito não atendem enviado o plano de paz para a ONU, Kofi Annan.

 O embaixador russo Vitaly Churkin disse que a resolução de conflitos sírio ter sido apenas "algum progresso", como o estabelecimento de cooperação entre as autoridades sírias e as agências de ajuda para Asist da população. 

"Em relação aos outros pontos, encontra-se o plano Annan", disse Churkin. De acordo com ele, você tem que censurar-se igualmente a todas as partes envolvidas no conflito: o governo sírio por não totalmente retirado as armas pesadas das cidades e não cumprir a promessa de não usar contra o povo, a oposição continue a ataques contra as autoridades, e também os países que fornecem armas para a oposição (Arábia Saudita, Catar).

 Ao contrário do Ocidente e os Estados Unidos, Rússia e China se manifestam contra a invasão na Síria, argumentando que a única possibilidade de resolução pacífica de conflitos é o plano de paz da ONU e rejeitar qualquer tipo de intervenção militar. Devido a estas razões, os dois países vetaram resoluções duas vezes promovidas pelo Ocidente no Conselho de Segurança da ONU.


Via RT

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Protecionismo argentino gera dano real à economia europeia

A União Europeia (UE) denunciou nesta sexta-feira a Argentina ante a Organização Mundial do Comércio (OMC) pelas "restrições" às importações impostas pelo governo da presidente Cristina Kirchner, que provocaram um "dano real" à economia europeia. "As restrições argentinas à importação violam as normas comerciais internacionais e devem ser eliminadas. Estas medidas provocam um dano real às empresas da UE e prejudicam o emprego e toda nossa economia", declarou o comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht.
 
A denúncia da UE não envolve a recente decisão da Argentina de expropriar 51% das ações da petroleira YPF, todas elas procedentes dos 57,4% sob controle da espanhola Repsol. Fontes europeias afirmaram que a UE está considerando todas as opções e está muito preocupada com a decisão argentina. A denúncia inicia um longo processo na OMC, com sede em Genebra. Em uma primeira fase, as duas partes foram chamadas para negociar. Contudo, se depois de 60 dias não chegarem a um acordo, a entidade instalará um painel arbitral que deverá "pronunciar-se sobre a legalidade das medidas argentinas".
 
Caso seja preciso, a OMC poderá impor sobretaxas sobre os bens argentinos. Justamente a UE é o segundo maior mercado da Argentina, atrás apenas do Mercosul, e o principal investidor estrangeiro do país, com mais de 50% do total. De acordo com as fontes europeias, "as medidas protecionistas adotadas pela Argentina provocaram uma queda de 14% das exportações europeias à Argentina no período abril 2011 - abril 2012, enquanto que as importações procedentes da Argentina recuaram 4%".
 
Uma imagem muito clara do impacto das medidas pode ser vista no porto de Buenos Aires, onde se "verão fileiras de containeres", descreveram. As restrições em 2011 "afetaram cerca de 500 milhões de euros" em exportações nesse mesmo ano. "Desde carros até eletrodomésticos, passando por telefones celulares, todos os produtos europeus foram afetados", disse De Gucht. Caso a UE tenha expressado nos últimos meses sua preocupação com relação ao governo de Kirchner, "a resposta de Argentina não foi satisfatória para os membros" do bloco europeu.
 
Em março, 19 membros da OMC, incluindo todos os países da União Europeia, além de Estados Unidos, Japão, México e Panamá, se queixaram ante a OMC pelas restrições que a Argentina tem aplicado às importações. O governo de Cristina Kirchner tem incrementado de forma gradativa as barreiras às importações desde a crise mundial de 2008, tendo intensificado esse processo desde abril de 2011. Com as medidas protecionistas, o governo argentino pretende manter o superávit comercial, que é sua principal fonte de divisas, ante o fechamento dos mercados financeiros após o default de 2001.
 
Essas medidas, no entanto, têm provocado fortes tensões com seus sócios do Mercosul. Inclusive, o Parlamento Europeu pediu recentemente em Bruxelas que retire a Argentina do Sistema Generalizado de Preferências (GSP), do qual se beneficiariam até 2014 cerca de 27% das vendas argentinas à UE. De Gucht precisou que "de momento" a UE não pensa em retirar a Argentina do GSP ou interromper as negociações para um acordo de livre comércio com o Mercosul.
 
Kirchner justificou a expropriação da YPF com a queda da produção de petróleo, que dobrou as importações de hidrocarbonetos em 2011 com relação a 2010, que o governo considerou uma falta de investimentos da petroleira. Na véspera, o chanceler argentino, Héctor Timerman, criticou em Paris as medidas protecionistas de países desenvolvidos e afirmou que a "Argentina e os países em desenvolvimento são prejudicados pelas altíssimas restrições comerciais". "O comércio deve ser um instrumento de aproximação entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento", afirmou.

 http://www.jornaldenegocios.pt/images/2012_04/cristinafernandezkirchnerargentinanot.jpg

Fonte

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Espanha proporá ao Brasil acordo UE-Mercosul sem a Argentina

O ministro de Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, afirmou nesta segunda-feira que abordará com as autoridades brasileiras, na viagem que fará ao país nesta quarta-feira, a possibilidade de seguir negociando um acordo de associação entre a União Europeia (UE) e o Mercosul sem a Argentina devido ao polêmico caso da petrolífera YPF.

"O Brasil é uma potência emergente de um interesse enorme para nós. Quem tem que contemplar se quer uma negociação de uma maneira ou de outra é o Brasil", declarou García-Margallo ao término de um Conselho de Ministros de Exteriores da UE em Bruxelas.

"O que digo é que, para alcançar um acordo de associação, que tem que estar ratificado pelo Parlamento Europeu e por todos os Parlamentos nacionais, é preciso cumprir as regras do jogo. E é evidente que neste momento a Argentina não parece cumpri-las", continuou o ministro, que propôs a seus colegas europeus em abril a possibilidade de seguir negociando com o Mercosul, mas sem os argentinos.

O Executivo espanhol considera que a decisão do governo de Cristina Kirchner de expropriar da YPF a companhia petrolífera espanhola Repsol impede a negociação de um convênio comercial entre a UE e os países que integram o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), se as autoridades de Buenos Aires não aceitam oferecer à empresa uma compensação justa.

Na opinião de García-Margallo, tanto os 27 membros do bloco europeu como os países do Mercosul devem refletir agora sobre se devem continuar a negociação com a Argentina, um país que, assinalou, "não segue as regras do jogo" nem em nível comercial nem no campo dos investimentos.

O ministro lembrou que a Argentina tem "casos pendentes" no organismo internacional encarregado de dirimir disputas por investimentos (Ciadi) e que o Senado americano "se propôs a considerar a expulsão da Argentina do G20 como consequência do que fez com a Repsol".

Além disso, apontou que a Comissão Europeia deve descartar a Argentina de seu sistema de vantagens tarifárias (o Sistema Geral de Preferências, SGP), a partir de 2014, por considerar que o país sul-americano alcançou um nível de renda médio-alto.

"O que têm que fazer (as autoridades argentinas) é que, se expropriam, têm que pagar. Me parece razoável. E se não, se expõem a sérias consequências. No Banco Mundial está sendo considerada a possibilidade de que um país que descumprir um laudo, que tem uma sentença que não executa, tenha seu financiamento cortado", assinalou.

O ministro espanhol insistiu que a decisão sobre a desapropriação da companhia petrolífera "causa dano a uma empresa espanhola, mas, no final, prejudica à economia argentina. É preciso buscar uma solução que evite esses danos".

"Acho que o caminho tomado pela Argentina é um mau caminho, e me preocupa muito a Espanha, mas me preocupa enormemente a Argentina também", concluiu.

A UE e o Mercosul negociam desde o ano 2000 um amplo acordo de associação que inclui um tratado de livre-comércio.

Após as negociações permanecerem bloqueadas desde 2004, foram retomadas em 2010, mas, desde então, não avançaram no importante capítulo do acesso dos produtos aos respectivos mercados.

Fonte