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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Trabalho, educação e cultura

por Alberto Buela

Trabalho

Costuma-se recomendar na filosofia, assim como fizeram entre outros Heidegger, Zubiri, Bollnow e nosso Wagner de Reyba, que a primeira aproximação (aproximación) ao objeto de estudo seja através de um aperfeiçoamento (acercamiento) etimológico. Porque, como afirma Heidegger: "a linguagem começa e termina ao fazermo-nos sinais da essência de uma coisa"[1]. Assim comprovamos que o trabalho provém do verbo latino tripaliare que por sua vez provém de tripalium=três varas (palos), que era um poste ou jugo feito com três varas onde se atavam os bois e também os escravos para açoitar. Vemos como o aperfeiçoamento etimológico ao termo trabalho nos revela sua vinculação ao sofrer, a qualquer atividade que produz dor no corpo. Daqui que o verbo tripaliare significa em latim atormentar, causar dor, torturar.

Esclarecido o termo passemos agora a sua descrição fenomenológica. O trabalho, que pode ser definido como a execução de tarefas que implicam um esforço físico ou mental para a produção de algum tipo de bens ou serviços para atender as necessidades dos homens, tem duas manifestações: como opus= obra e como labor=labor. Enquanto a obra expressa o produto ou bem objetivo que produz, assim como labor expressa o produto subjetivo que logra.

Sobre a obra não há discussão, a obra está aí, ao alcance da mão e da vista, no máximo se pode discutir se esta está bem ou mal feita. O assunto se complica no trabalho como labor, pois implica uma subjetividade, a do trabalhador. Pois no labor está implicado a expressão do próprio trabalhador. Até não muito [tempo atrás] se reservava o termo de "labores" a uma matéria nos colégios de senhoritas. Creio que a matéria se denominava "manualidades e labores", onde tecido (hilado), o bordado, o tecido (tejido) e a costura constituíam sua temática. É que o trabalho como labor implica a formação profunda do homem que trabalha. Não é necessário esclarecer que o termo homem compreende tanto a mulher quanto o varão, pois ambos formam parte do gênero homem. A língua alemã possui também dois termos para designar as manifestações do trabalho: Arbeit para obra e Bildung para labor. E este último tem o sentido de formação.

E aqui é onde encontramos nós a vinculação entre o trabalho e a escola: na busca não tanto da informação, de conhecimentos, mas na busca da formação do educando.

E a isto sobretudo ajuda o trabalho em uma época tão dessacralizada como a que hoje nos toca viver, pois o sagrado desapareceu de nossa consciência habitual. E a educação nos valores morais se tornou muito difícil, tendo em conta que o que o menino vê diariamente é corrupção, crimes, assassinatos, roubos, golpes, droga, desordem, anomia etc.

Assim o trabalho é o único meio que temos em mãos para criar virtude[2], pelo menos pela repetição de atos, de nos levantarmos todos os dias cedo ainda que não gostamos. De lavarmos o rosto e nos pentearmos. A cumprir um horário. De ter que escutar o companheiro de trabalho com suas diferenças e nos acostumarmos a conviver com o outro, ainda que mais não seja por oito ou seis horas diárias. O trabalho limita e faz moderar (morigera) o capricho subjetivo, de onde nascem todas nossas arbitrariedades e nossos males.

E como a virtude se funda na repetição habitual de atos bons, o trabalho nos permite o passo inicial à virtude, que é fazer as coisas bem, corretamente, evitando o dano ao outro e ao meio ambiente.

Em nosso país temos tido o privilégio de proclamar que existe uma só classe de homem: o que trabalha. Ou outro: governar é criar trabalho. Incluso a máxima obra teórico-política que com traços próprios e originais se realizou na Argentina durante o século XX foi a Constituição do Chaco de 1951, onde em seu preâmbulo afirma: Nós o povo trabalhador... e não como as Constituições de 1853, incluso a de 1949 e a atual 1994: Nós o povo... ao típico estilo liberal, filho dos jjuristas da Revolução Francesa.

É que em uma época não tão longínqua se sustentava e se proclamou aos quatro ventos o ideal da liberação pelo trabalho e através dele, a poupança (ahorro).

Hoje, pelo contrário, o não-trabalho e o subsídio vieram substituir o ideal da liberação pelo trabalho. Esperemos que não seja para sempre e possamos retomar tão louvável ideal.

Educação

Como fizemos com o termo trabalho, observamos que educação vem do latim ducere que significa guiar, conduzir. De modo que educar consiste em poder guiar conduzir o educando ao logro de sua formação de homem como tal.

Este ideal educativo nos chega dos gregos com sua famosa paideia, que significou a formação do homem de acordo com seu autêntico ser; o da humanitas romana do Varrón e Cicerón, de educar o homem de acordo com sua verdadeira forma humana; o do mundo cristão com sua ideia de exemplariedade em todos os tratados De Magistro dos pensadores medievais que têm Cristo como mestre dos mestres e o do mundo moderno com Johann Pestalozzi e seu método.

Todo este ideal educativo se plasmou em nosso país a partir da lei 1420 pela qual a educação primária tem como objetivo a eliminação do analfabetismo e a formação no menino dos valores morais. (Ensinam-se modos maneiras, costumes. Em uma palavra, ensinam-se hábitos práticos etc.) De igual maneira a educação média tem por objetivo fortalecer a consciência de pertença histórico-política à Nação a que se pertence. (Ensinam-se valores cidadãos e pátrios. Em uma palavra hábitos socio-políticos)

E finalmente a educação superior que tem por objetivo entregar um método de estudo sistemático e reconhecido, onde os logros dos níveis prévios podem se expressar e se detectem as carências. Todo este ideal educativo se questionou a partir do último quarto do século XX quando massivamente a escola deixou seus ideais de formação para se limitar, no melhor dos casos, a ser uma simples transmissora de conhecimentos.

A escola, e há que recordar mais uma vez, como seu nome indica é e deve ser antes que nada o lugar do ócio. O termo vem do latino schola, o que por sua vez vem do grego (scholé, N.A) que significa ócio. Antes que qualquer coisa, a escola é o lugar do ócio. Se se quer, o lugar onde não se faz nada. Nada de útil, nada que não tenha seu fim em si mesmo. Nada em vista de outra coisa que não seja a formação do próprio educando. O caráter de útil, a utilidade, vem depois da escola e é em geral uma preocupação dos pais. Uma vez que se determinou a escola se verá se seus ensinos são úteis. Mas a escola não é outra coisa que o lugar para aprender no ócio. É o desfrutar jogando na aprendizagem, uma aprendizagem que vale por si mesmo e não em vista de outra coisa. Este aprender é por nada. Tem um fim em si mesmo que é o acesso ao saber e à sabedoria.

Faz 2500 anos Platão na Carta VII nos legou um ensino perdurável de como nos aproximarmo-nos do saber e da sabedoria: primeiro através do nome, depois buscando a definição, em terceiro lugar a imagem representada para chegar por último ao conhecimento mesmo. E para que se entenda põe o exemplo do círculo. Em primeiro lugar temos um nome chamado círculo, depois buscamos a definição composta de nomes e predicados: aquele cujos extremos distam todos igual do centro. Em terceiro lugar a imagem como representação sensível, cópia imperfeita e não permanente exemplificada por círculos e rodas. Para chegar finalmente ao conhecimento mesmo, tudo o que "depois de uma longa convivência com o problema e depois de ter ganhado intimidade com ele, de repente, como a luz que salta da faísca, surge a verdade na alma[3].

Cultura

Cada vez que escutamos falar de cultura ou de gente culta, associamos a ideia com a gente que sabe muito, que tem títulos, que é lida, como diziam nossos pais, longe e há tempo. É por isso que fez fama, apesar de sua demonização política, a frase de Goebbels: Cada vez que me falam de cultura levo a mão ao meu revólver. Porque sintetiza melhor que nada, em um brevíssimo juízo, o rechaço do homem comum, do homem de classes mais baixas (pueblo llano), ao monopólio da cultura que desde a época do Iluminismo para cá possuem e exercem os ilustrados e suas academias.

Cultivo

Por outro lado, para nós cultura é o homem se manifestando. É tudo aquilo que ele faz sobre a natureza para que esta lhe outorgue o que de seu e espontaneamente não lhe dá. É por isso que o fundamento último do que é cultura, como seu nome indica, é o cultivo.

Cultura é tanto a obra do escultor sobre a pedra amorfa quanto a obra do torneiro sobre o ferro bruto ou como a da mãe sobre a manualidade do menino, quando lhe ensina tomar o talher.

Vemos de início não mais, como esta concepção é diametralmente oposta a essa noção livresca e acadêmica que mencionamos no começo.

O termo cultura provém do verbo latino colo/cultum que significa cultivar.

Para o pai dos poetas latinos, Virgílio, a cultura está vinculada no genis loci (o nascido da terra em um lugar determinado) e ele lhe outorgava três traços fundamentais: clima, solo e paisagem.

Caracterizado assim o genius loci de um povo, este podia compartilhar com outros o clima e a paisagem, mas não o solo. Assim como nós os argentinos compartilhamos o clima e a paisagem com nossos vizinhos, mas não compartilhamos o solo. E isso não apenas porque é que neste último se assenta o Estado-Nação, mas da perspectiva de Virgílio o solo é para ser cultivado pelo povo[,] sobre ele assenta para conservar sua própria vida e produzir sua própria cultura.

Enraizamento

Mas para que um cultivo frutifique, este deve deixar boas raízes, profundas e vigorosas que deem seiva ao plantado. Toda cultura genuína exige um enraizamento (arraigo) como o exige toda planta para crescer vigorosa e forte, e neste sentido recordemos aqui de simone Weil, a mais original filósofa do século XX, quando em seu livro L'Enracinement nos diz: o reconhecimento da humanidade do outro, este compromisso com o outro, só se faz efetivo se há "raízes", sentimento de coesão que enraiza as pessoas a uma comunidade"[4]. A filósofa deu um passo além, pois, passou do mero deixar raízes ao enraizamento que sempre indica uma pertença a uma comunidade em um lugar determinado. O enraizamento, diferente da terra natal que é o pedaço de terra natal, abarca a totalidade das referências à vida que nos são familiares e habituais. O enraizamento genuíno se expressa em um ethos nacional.
Fruto

Logo de ter arado, rastreado, semeado, regado e esperado o amadurecer, aparece o melhor que dá o solo: o fruto, que quando é acabado, quando está maduro, quer dizer perfeito, dizemos que o fruto expressa plenamente o labor e então nos gosta.
Sabor

E aqui aparece um desses paradoxos da linguagem que nos deixam pensando sobre o intrincado emparelhamento entre as palavras e as coisas Nós ainda usamos para expressar o gosto ou o prazer que nos produz um fruto ou uma comida uma velha expressão em castelhano: o fruto nos "sabe bem". E saber provém do latim sapio, e sapio significa sabor. De modo tal que podemos concluir que o homem culto não é aquele que sabe muitas coisas, senão o que saboreia as coisas da vida.

Sapiente

Existe para expressar este saber um termo que é o de sapiente, que nos indica, não só o homem sábio, mas aquele que une a si mesmo sabedoria mais experiência pelo conhecimento de suas raízes e sua pertença ao meio[5]. Os antigos gregos tinham uma palavra para expressar este conceito: (phrónesis)

Vemos, então, como a cultura não é algo externo, mas que é um fazer-se e um manifestar-se da coisa mesma (uno mismo). Por outro lado a cultura, para nós argentinos, tem que se americanizar, mas isto não se entende se se concebe a cultura como algo externo. Como uma simples imitação do que vem de fora, do estrangeiro.

Não há que esquecer que por detrás de toda cultura autêntica está sempre o solo. Que como dizia nosso mestre e amigo o filósofo Rodolfo Kusch: "Ele simboliza a margem de enraizamento que toda cultura deve ter. É por isso que se pertence a uma cultura e se recorre a ela nos momentos críticos para enraizar-se e sentir que está com uma parte de seu ser preso ao solo"[6].

Cultura e Dialética

É sabido desde Hegel para cá que o conceito é "o que existe fazendo-se", que para ele, encontra sua expressão acabada na dialética, que tem três momentos: o suprimir, o conservar e o superar. E não a vulgar expressão de tese, antítese e síntese a que não têm se acostumado os manuais. Temos visto até agora como a cultura põe fim, faz cessar a insondável completude (oquedad) da natureza primitiva com o cultivo, a pedra ou o campo bruto, por exemplo, e em um segundo momento conserva e retém para si o sabor e o saber de seus frutos, vgr.: as obras de arte. Falta ainda descrever o terceiro dos momentos desta Aufhebung ou dialética[7].

Se bem podemos, em uma versão sociológica, entender a cultura como o homem se manifestando, "a cultura, afirmamos em um velho trabalho, não é só a expressão do homem se manifestando, mas que também envolve a transformação do homem através de sua própria manifestação"[8].

O homem não só se expressa através de suas obras, mas que suas obras, finalmente, o transformam ele mesmo. Assim na medida em que passa o tempo o campesinato se mimetiza com seu meio, o obreiro com seu trabalho, o artista com sua obra.

Esta é a razão última, em nossa opinião, pela qual o trabalho deve ser expressão da pessoa humana, porque do contrário o trabalhador perde seu ser nas coisas. O trabalho devém trabalho alienado. E é por isso, por um problema eminentemente cultural, que os governos devem privilegiar e defender como primeira meta e objetivo: o trabalho digno.

Esta imbricação entre o homem e seus produtos onde em um primeiro momento aquele quita o que sobra da pedra dura ou o ferro amorfo para dar-lhe a forma preconcebida ou se se quer, para desocultar a forma, e, em um segundo momento se goza em seu produto, para, finalmente, ser transformado, ele mesmo, como consequência desse deleite, desse sabor que é, como vimos, um saber. Esse saber gozado, experimentado, é o que cria a cultura genuína.

Assim a sequência cultura, cultivo, enraizamento, fruto, sabor, sapiência e cultura descreve esse círculo hermenêutico da ideia de cultura.

Círculo que se alimenta dialeticamente neste fazer-se permanente que é a vida, onde compreendemos o mais evidente quando chegamos a conjecturar o mais profundo: que o ser é o que é, mais o que pode ser.

Resumindo, vimos como o trabalho gera virtude, pelo menos mundana ou não transcendente, que se relaciona com a educação enquanto ambas atividades buscam a formação do homem em seu ser, para que este possa plasmar em sua vida uma cultura genuína, isto é, vinculada a seu enraizamento.

NOTAS

[1] Heidegger, Martín: Poéticamente habita el hombre, Rosario, Ed. E.L.V., 1980, p. 20.-

[2] Outro grande iniciador laico, em algumas virtudes, é o esporte.

[3] Platão: Carta VII, 341 c4. Também em Banquete 210e 

[4] Weil, Simone: Echar Raíces, Barcelona, Trotta, 1996, p. 123.-

[5] Buela, Alberto: Traducción y comentario del Protréptico de Aristóteles, Bs.As., Ed. Cultura et labor, 1984, pp. 9 y 21. "Temos optado por traduzir phronimós por sapiente e phrónesis por sapiência, por dois motivos. Primeiro porque nossa menosprezada língua castelhana é a única das línguas modernas que, sem forçar, assim o permite. E, segundo, porque dado que a noção de phrónesis implica a identidade entre o conhecimento teórico e a conduta prática, o traduzi-la por "sabedoria" a seca, tal como se fez habitualmente, é mutilar parte da noção, tendo em conta que a sabedoria implica antes de nada um conhecimento teórico".

[6] Kusch, Rodolfo: Geocultura del hombre americano, Bs.As. Ed. F.G.C., 1976, p.74.

[7] Buela, Alberto: Hegel: Derecho, moral y Estado, Bs.As. Ed. Cultura et Labor- Depalma, 1985, p. 61 "Em uma sucinta aproximação podemos dizer que Hegel expressa o conceito de dialética através do termo alemão Aufhebung ou Aufheben sein, que significa tanto suprimir, conservar como superar. A palavra tem em alemão um duplo sentido: significa tanto a ideia de conservar, manter como ao mesmo tempo a de cessar, pôr fim. Claro está que estes dois sentidos implicam um terceiro que é o resultado da interação de ambos, que é o de superar ou elevar. Daí que a fórmula comum e escolástica para explicar a dialética é a de: negação da negação".

[8] Buela, Alberto: Aportes al pensamiento nacional, Bs.As., Ed. Cultura et labor, 1987, p.44.- 


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Sionismo Cristão

Por Alberto Buela

Em um muito bom artigo publicado por Eladio Fernández sob o título de Evangélicos cristãos, seita financiada por Israel e Washington, onde aparece uma foto de Netanyahu falando em um congresso evangélico, afirma que: "Os evangelistas cristãos acumulam uma história de grupo político mais que religioso. Seu vínculo com a AIPAC (lobby hebreu) e o potente lobby gay é indiscutível, como ferramenta político-social, mais que religiosa. O investimento na Espanha é notável, e se multiplicam por dois em tão somente dez anos. As igrejas evangélicas são um sistema similar ao utilizado pela CIA para infiltrar suas ONGs como sistema de penetração ideológica unilateral, que maneja coincidências veladas".

O que não disse o artigo é que o evangelismo cristão norteamericano para atuar assim encontra seu apoio e seu embasamento no denominado "sionismo cristão". Sim, ainda que a primeira vista pareça uma contradição flagrante, instalou-se desde anos um grande movimento sionista cristão no seio das igrejas evangélicas. A nós isso soa raro porque por estes pagos nem se fala do assunto. Por isso vamos tentar explicá-lo.

Como consequência da Reforma protestante se impôs o método literal de interpretação das escrituras que veio para substituir os métodos alegóricos, analógicos e hermenêuticos praticados pelo catolicismo. Assim, quando o texto bíblico realiza promessas a Israel estas são interpretadas como realizadas ao Estado de Israel atual, e não à Igreja como povo de Israel ou Israel espiritual.

O autor conclui com a afirmação de que os judeus têm direito divino de ocupar territórios no Levante ou Oriente Médio. Que Jerusalém seja sua capital exclusiva. Que os muçulmanos são seus inimigos. E além de tudo, que o [Estado] de Israel atual não tem nenhuma responsabilidade com os crimes que pratica sobre os palestinos. Este último apoiado na teoria da dispensa das responsabilidades dos judeus de seus atos atuais e passados.

Segundo esta teoria teológica a história humana passou por uma série de mordomias ou períodos administrativos de tratamento com Deus que culminarão com a segunda vinda de Cristo. Assim, em um primeiro momento foram os judeus, a descendência de Abraão, Isaac e Jacó, logo a Igreja católica, logo as igrejas protestantes, mas como as igrejas cristãs (católicas e protestantes) fracassaram em seu trato com Deus, sobretudo depois da segunda guerra mundial, há que devolver a representação de Deus aos judeus instalados no Estado de Israel, para que eles preparem a Segunda Vinda do Senhor.

Encontramos na voz do sionismo cristão na Internet a seguinte caracterização de seu poder na atualidade: "hoje, Jerry Falwell, que chama o Cinturão Bíblico estadunidense de Cinturão de Segurança de Israel, calcula que existem 70 milhões de sionistas cristãos e 80.000 pastores sionistas cujas ideias são disseminadas por 1.000 emissoras cristãs de rádio e 100 redes cristãs de televisão. Constituem de forma clara uma facção dominante do Partido Republicano e representam um quarto dos votantes".

De uma perspectiva católica o caso mais emblemático de sionismo cristão encontramos no filósofo francês Pierre Boutang (1916-1998), sucessor de Emmanuel Levinas na cátedra de metafísica de Sorbona-Paris IV.

O sionismo de Boutang não é político, mas teológico, e seu raciocínio é o seguinte: o fracasso da cristandade na Europa depois da barafunda da segunda guerra mundial desqualificou o cristianismo e, então, restituiu a Israel seu cargo original.

A única vitória que trouxe a segunda guerra mundial para o cristianismo foi a criação do Estado de Israel. É que a Igreja que é o verdadeiro Israel, não podendo conservar esse privilégio e como consequência do Vaticano II restituiu Israel que foi o primeiro depositário. "nous Chrétiens, en un sens, avec nos nations cruellement renégates, avons pris le rang des Juifs de la diaspora" (nós cristãos, em certo sentido, com nossas nações que cruelmente renegaram o cristianismo, tomamos o lugar dos judeus da diáspora).

E em suas conversações com George Steiner observa que os efeitos do caso Dreyfus foram o fracasso de uma França católica e monárquica estigmatizada pela vitória da democracia parlamentária que tem em seu seio o messianismo judeu laicizado. Isso é, quando se carnalizou o desjudaizado de seu sentido originário.

Boutang, como nosso Nímio de Anquim, vem denunciar a descristalização do poder político e a "carnalização" do mesmo através do judaísmo.

Só os enraizadamente católicos como Boutang são os únicos que estão em condições de entender o que quer dizer. O resto dos mortais, como nós neste assunto, temos que guardar silêncio para não pecar.

Que tire cada um suas conclusões, segundo seu real saber e entender. Nós só nos limitamos a apresentar o tema.

sábado, 16 de maio de 2015

Alberto Buela: Quem controla o mundo?

Por Alberto Buela*

Pela primeira vez desde a finalização da segunda guerra mundial (1945) os Estados Unidos tomam uma decisão política internacional à qual se opõe o Estado de Israel e os judeus em geral, como é o acordo nuclear com o Irã com o apoio da Alemanha, Grã Bretanha, Rússia, China e França.

Este acordo que tem que ser feito em forma definitiva em 30 de junho para fechar os detalhes técnicos e jurídicos é explicitamente boicotado pelo Estado de Israel e o lobby judeu estabelecido nos governos dos Estados Unidos, Alemanha, Grã Bretanha, França e, inclusive, Irã. Sobre este último recordemos que nos funerais do Papa João Paulo II, teve só dois chefes de Estado que falavam farsi, o aiatolá Jatami e o então presidente israelita Moshe Katsav, e entre eles se entenderam. A comunidade judia no Irã é a mais forte dentre todos os países árabes.

O Irã é considerado um perigo para a existência do Estado israelita. Os atentados de Buenos Aires há 23 anos se explicam como atentados de falsa bandeira produzidos por serviços secretos de Israel e dos EUA para buscar um motivo pelo qual declarar guerra ao Irã.

Este objetivo depois se deixou de lado e nós, os argentinos, terminamos pagando os pratos vermelhos e medidos em um conflito que não têm nada que ver conosco, mas que pagamos generosamente com o dinheiro de nosso minguado Estado.

Os lobbies judeus estão trabalhando contra o tempo para fazer abortar o pacto final do acordo que acaba de ser feito nesta primeira semana de abril de 2015, e nesse sentido já o chefe supremo iraniano Ali Khamenei acaba de pôr em dúvida que se possa firmar o acordo definitivo em 30 de junho.

Os dirigentes máximos do mundo, em sua maioria, veem com bons olhos o acordo de um pacto nuclear, pois isso traria algo de tranquilidade ao infortúnio internacional que estamos vivendo hoje. Até o Papa Francisco, de quem ninguém pode duvidar que é, por convicção própria, o maior defensor dos interesses judeus, apoiou o pacto.

De modo tal que não fica nenhuma autoridade de peso sobre a terra que se oponha ao acordo de há uma semana atrás, mas, não obstante, há indícios de que o pacto não seja fechado de forma definitiva. E então surge a questão "mas quem manda no mundo? Quem tem o mais poder que a vontade explícita dos cinco poderosos da terra, para anular sua decisão?"

Retorna mais uma vez à nossa memória o velho ensinamento do velho ministro inglês Disraeli quando afirmou: Ignora o mundo quem maneja o poder detrás dos bastidores. Será o imperialismo internacional do dinheiro manejado pelos dois bancos mais poderosos: Rockefeller e Rotschild?

A nós, como convidados de pedra destas grandes medidas geopolíticas e estratégicas, só cabe distinguir que estas são manobras dos homens, mas que outras podem ser as medidas de Deus. Mal de muitos consolos de pobres.

*Filósofo e escritor

via elespiadigital

domingo, 15 de dezembro de 2013

Alberto Buela - A América Ibérica

Por Maurício Oltramari

Alberto Buela, nascido em Buenos Aires em 1946, é um filósofo argentino que tem se destacado por seus trabalhos nas áreas de metapolítica, teoria do dissenso e teoria da virtude, tendo sido o fundador da primeira revista de metapolítica ibero-americana, ou hispano-americana, ainda nos anos 90. Buela é um dos autores que direciona seus esforços em criar uma “filosofia ibero-americana” contemplando os sentidos do “ser ibero-americano” e “o sentido da América”. No presente texto, iremos explanar de forma breve o pensamento acerca da América que tem sido desenvolvido por este filósofo, para isso teremos como base seus trabalhos direcionados a explicar o sentido do ecúmeno hispano-americano.

Hispano-América contra o Ocidente

A América Hispânica, ou América Ibérica é o termo utilizado para designar o grupo de países formado por Espanha, Portugal, Andorra e todas as nações do continente americano cuja cultura tem suas bases na hispanidade, ou seja, tudo aquilo que possui suas origens no Hispânico (Espanha e Portugal). Aqui entendemos esses países como aqueles que vão desde o México até o sul da América do Sul. Para Buela, os países americanos que constituem a supracitada designação, devem, por sua natureza, opor-se à cultura ocidental pós-moderna. Pois bem, ainda que tais nações americanas façam parte do chamado Ocidente, sua tradição e seus modos distanciam-se significativamente daqueles compartilhados pelos Norte-americanos e Europeus. A passagem pelo período das revoluções mundiais, ou seja, a Reforma, Revolução Francesa, Revolução Bolchevique e Revolução Tecnológica até a idade pós-moderna culminaram na cosmovisão que hoje predomina na Europa e América anglo-saxã. Sob os pilares das ideias de progresso, poder onímodo da razão, democracia, manipulação da natureza pela técnica e o cristianismo subjetivo conforma-se a Weltanschauung sustentada e difundida globalmente pelo aparato cultural, econômico e militar dos EUA e seus aliados. Em oposição a estes axiomas, vemos o homem ibero-americano chegar a América antes do período das revoluções mundiais, no séc. XVI, e, portanto, ainda isento das influências dessas transformações que se iniciaram com a era das luzes. O homem americano carrega em si a mentalidade católica, do baixo medieval, que mistura-se com a mentalidade indígena, própria dos povos que já habitavam essas terras. Portanto, estes dois elementos, o “católico” e o “indigenista”, conformam a consciência e cosmovisão do homem ibero-americano.

América como “O Hóspito”

Buela compreende a América como uma nova morada, uma nova chance para os homens que atravessaram o mar em busca de tempos melhores. A ideia de América como espaço geográfico carrega em si o conceito de hospedar (hospitari), pois nenhum continente recebeu e albergou -como a América- tantos povos de diferentes culturas e localidades. Povos vindos do inóspito, fugindo da perseguição, da guerra, da fome, da miséria, enfim, de toda sorte de problemas e desgraças em suas terras natais, vieram buscar um novo lar nesse continente, e aqui fundar raízes e novas tradições. Esse “fundar raízes” exige o esforço de identificar-se e situar-se como um novo homem nessas terras, o homem ibero-americano. Assim, podemos identificar o Ser da América como “o hóspito”.

O Ser Ibero-americano

“Um misto perfeito...”

É desse modo que Buela se refere ao Ser ibero-americano. Em oposição à ideia de mestiçagem racial ou cultural, que não expressa plenamente a concepção do Ser hispano-americano, adota-se o termo simbiose. Uma simbiose entre o católico, homem que chegou a essas terras antes do período das revoluções mundiais, e o índio telúrico, homem que habitava a América na época de seu descobrimento. O conceito de católico tomado aqui não deve ser entendido como “categoria confessional”, mas sim como a consciência europeia e cosmovisão que conformava os traços do homem que chegou nessas terras. Então, se a identidade do homem ibero-americano é um composto harmônico, estamos falando da junção de dois componentes completos em si mesmos, e que por fusão conformam um novo ser, único, e dessa forma, diferente dos dois elementos pelo qual está composto. A consciência desse homem está conformada pelo sentido hierárquico da vida e dos seres, que se funda em valores absolutos e indiscutíveis, ao contrário do homem moderno e sua consciência igualitária, que nivela e rebaixa os homens em uma só massa homogeneizada a partir de valores subjetivos e coletivistas. O Ser do homem ibero-americano se identifica pela preferência de si mesmo em relação ao outro, por isso não estamos falando de uma simples mestiçagem, agregado, somatória ou sobreposição, mas sim, de um autêntico misto perfeito.

A Filosofia Ibero-americana

A América possui um modelo civilizacional único, e assim, o seu próprio pensamento filosófico, definido por suas características essenciais, representadas pelo católico e o índio telúrico, sobre os quais já nos referimos em parágrafos anteriores. Não obstante, como nos demonstra Buela, a história dessa filosofia é muitas vezes uma história de simples imitação e admiração do pensamento filosófico europeu e de sua erudição que, afinal de contas, não tem como objeto de seu trabalho o nosso continente e seu habitante. É certo que as condições de pobreza e mesmo ignorância as quais temos sido submetidos desde nossas origens pela dominação econômico-cultural, tornam a tarefa de desenvolver uma filosofia genuína uma verdadeira obra hercúlea. Assim se apresenta o desafio: produzir uma filosofia que possa explanar “quem” e “o que” somos, que possa expor e buscar soluções desde as origens, e não apenas vislumbrar uma América como o eterno continente do futuro, onde toda visão positiva se foca em um futuro hipotético, em um “vir-a-ser” que nunca se realiza.

O Tempo americano

Adentrando a concepção de um “tempo americano” apresentada por Buela, pode-se dizer que a América Hispânica possui um tempo próprio, característico de seu clima, solo e paisagem, e talvez incompreensível para os não americanos. Quando especificamos a categoria de um “tempo próprio” queremos dizer uma forma própria de valorizar o tempo. E esse tempo, não é o “time is money” norte-americano e nem o “laizzes-faire” que predomina hoje na Europa. O tempo americano é um “madurar com as coisas”, ele se desenvolve e é determinado pelo ritmo da natureza. É o tempo del gaucho, o homem nativo do campo ou da cidade pequena, aquele que trabalha quando a natureza lhe permite e descansa quando ela apresenta condições adversas. Portanto, o homem ibero-americano não simplesmente utiliza o seu meio para o aperfeiçoamento da técnica e a busca pelo progresso, ele vive como se fosse parte integrante dessa natureza. Essa concepção de tempo põe, mais uma vez, o homem americano em oposição ao pensamento ocidental beligerante.

Conclusão

A busca de um sentido concreto para a América e o Ser Americano passa pela concepção de uma realidade, de um lugar, de uma filosofia e de um tempo próprios. Buela é um dos filósofos que soube reconhecer essas verdades e segue desenvolvendo seus esforços para que se afirme El Sentido de América. Não seria exagero dizer que ele é atualmente um dois maiores divulgadores da metapolítica como ciência em nossas terras. Esse continente, que compartilha língua e cultura comuns, salvo os regionalismo, presentes em qualquer grande espaço geográfico, deve ser a expressão plena de nosso ser, em oposição a todo aspecto da pós-modernidade que não nos representa. Remontando aos ideais de Bolívar e San Martín, a missão do homem ibero-americano é unir esse grande continente em uma única unidade de sentido, em uma única nação.

Bibliografia:

Buela, Alberto. El Sentido de América. Buenos Aires, Ediciones Nuestro Tiempo, 1990.

Buela, Alberto. Hispanoamerica Contra Ocidente. Madrid, Ediciones Barbarroja.

Buela, Alberto. La Sinarquia y lo Nacional. Buenos Aires, Fundación de Cultura et Labor, 1974.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Do zorzal ao sabiá



Por Alberto Buela(*)

Com motivo da publicação de um livro nosso em português, Hispanoamérica Contra o Ocidente[1], tivemos ocasião de passar alguns dias em Curitiba, capital do Estado do Paraná.

Que surpresa foi a nossa quando às quatro e meia da manhã nos acorda, assim como acontece todos os dias em Buenos Aires, o belo porém interminável canto do zorzal, que lá o chamam de sabiá.

Mas esta não seria a única coincidência. Na conferência[2] que citamos se tomava mate, tiveram assistentes vestidos de gaúchos, todo o pessoal que encontramos se mostrou predisposto a falar em portunhol, viajando ao litoral marítimo observamos o costume de pintar as casas de azul e branco, o homem curitibano é muito parecido com o tipo argentino. Enfim, pareceu estarmos em um pedaço da nossa terra.

Quando chegamos ao aeroporto e, como os amigos que viriam nos receber se atrasaram, perguntamos a um policial que estava por aí o que poderíamos fazer e, ao observar nosso pouco domínio do português, nos pediu que falássemos em castelhano, porque ele era descendente de guaranis paraguaios.

No museu histórico paranaense pudemos observar uma sequência histórica temporal da região sobre um grande mural e ali, em homenagem à verdade, figura um primeiro período tupi-guarani, um segundo espanhol e um terceiro bandeirante e, depois, a chegada dos negros, assim até chegar aos dias de hoje.

Como no dia 20 de Novembro se celebra o dia da consciência negra no Brasil, surgiu uma polêmica sobre se o declarassem feriado ou não.

Da leitura dos jornais pudemos aprender que todo o pensamento progressista do Brasil, no qual se inclui o marxismo político e universitário, está em favor da festa e do feriado como uma reivindicação do sofrimento da escravidão negra.

Conversando com alguns amigos de Curitiba comentamos que nos parecia um grave erro, uma imbecilidade. Primeiro porque o monopólio da dor e da exploração não só possuem os negros no Brasil. E se tivesse que homenagear alguma etnia ou comunidade, esta seria a de São Paulo para baixo, a tupi-guarani, que foi massivamente exterminada pelos bandeirantes. Segundo porque outras coletividades, como os italianos, poloneses, alemães, japoneses, espanhóis e chinêses, também podem reclamar o mesmo. Terceiro porque Zumbi dos Palmares é uma lenda marxista para usar os negros como elemento para acelerar a contradição na sociedade brasileira. Além disso, Zumbi dos Palmares, o ídolo negro, tinha uma comitiva enorme que, enfim, vendia como escravos aos bandeirantes. Quarto porque a teoria do multiculturalismo, segundo a qual uma minoria tem razão só pelo fato de ser minoria e não pelas razões de conduzem a seu favor, é uma invenção da intelligensia norteamericana para quebrar as unidades nacionais.

O Brasil, como a Argentina, são grandes espaços territoriais que se conformaram através de uma cultura de síntese. Na verdade, não somos muitas culturas separadas como pretende o multiculturalismo “a la carte”, mas uma intercultura. Quer dizer que em cada um de nós, sul-americanos, que não somos nem tão europeus nem tão índios, vivem várias culturas ao mesmo tempo. Isto deu lugar a esta cultura de síntese, que foi expressa na ideia de mestiçagem, mistura ou simbiose que expressou com grande clareza e lucidez, entre outros, este grande pensador social brasileiro, Alberto Torres (1865-1917).

E esta cultura deu ao mundo um arquétipo de homem que foi e é o gaucho ou gaúcho, cujo território e vigência se extende desde o pampa e a mesopotâmia argentina, passando pelo Uruguai, até os estados do Rio Grande, Santa Catarina e Paraná.

Pensado em termos antropoculturais, esta grande região gaúcha já tem uma expressão unificada: o portunhol. Um arquétipo humano: o gaucho ou gaúcho. Uma história comum: a luta contra Espanha e Portugal e a contemporânea contra os interesses ingleses e norteamericanos. Politicamente, neste grande espaço convergem hoje quatro países: três estados do Brasil, três províncias argentinas, todo o Uruguai e a parte oriental do departamento de Canindeyú do Paraguai. Tudo isso dá para pensar em quantas coisas nos unem, os povos da América do Sul.

[1] Editora Austral (N.T.) 

(*) arkegueta, aprendiz constante, melhor que filósofo

Traduzido por Álvaro Hauschild

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CURITIBA/PR: Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política



"Estamos frente aos portões de entrada da pós-modernidade. Seus primeiros sinais já se fazem visíveis. A queda do mundo ideológico que marcou toda luta política pelo intenso século XX configura um deserto espiritual em que nada brota no campo do pensamento. É o deserto subpolítico da pós-modernidade. 

Esquerda e direita desaparecem como topográfica política identificável, a primeira endireita-se em matéria de vínculo econômico, e a segunda esquerdiza-se em matéria de valores e cultura. O que resta da direita apodrece na busca de sistemas para otimizar o status quo, e o que resta da esquerda deliberadamente autoaliena-se em simulacros de revoluções. 


Ilusões débeis e apegos anímicos a ideias já carcomidas pelo poder do capital, bandeiras sujas de dólares e símbolos de uma era de seriedade e luta comercializados no mercado negro ideológico.


Pouca coisa é ideologicamente identificável na pós-modernidade, e o ideal do indivíduo emancipado e desobrigado é talvez a principal delas. Este, por sua vez, é a luz destes tempos, que cegou todas as outras chamas ideológicas. Isto marca não menos o liberalismo como o representante completo no campo das ideias deste ideal, e pensamento reinante em todas as esferas.


Marxismo, Fascismo e teorias políticas interligadas, os quais configuraram outrora alternativas ao mundo liberal, hoje já não se representam como forças políticas, senão como meros atores que cumprem determinados papeis inofensivos no jogo da política pós-moderna. Estas são ideologias completamente derrotadas. O fascismo foi pisado e decapitado de forma fulminante, o marxismo foi humilhado e hoje é mantido como escravo ideológico. E uma vez sem inimigos a altura, o liberalismo transmuta a si mesmo em pós-liberalismo e domina a personalidade do Ocidente. Como uma locomotiva globalista e capitalista, passando por cima de todos os povos e nações, o Ocidente americanista e europeu simplesmente expande seu domínio em direção a um mundo comprimido sob o signo do poder militar e cultural que derivam de uma divindade econômica.
         
Assim, diante das possibilidades e das tendências catastróficas que se fazem notar a medida que a era pós-moderna avança irreversivelmente, necessário se torna produzir uma rota de saída, e, a partir dela, um caminho para o enfrentamento.
          
Este é o espírito da Quarta Teoria Política. 

Já está mais do que na hora de uma verdadeira alternativa vir a tona a tudo isso. Corrupção, usura, exploração, opressão, relativismo, já estão em níveis críticos, pois esgotam-se seus meios de velamento.
          
Aquilo que pela insuficiência, impotência e incompetência, mesmo com todo potencial de enfrentamento, foi incapaz  de abater o grande inimigo americano, liberal e globalista, deve ser redefinido, revirado, reposicionado até o ponto de essencialmente não ser mais o que um dia foi. Deve ser, pois, superado.
          
Uma nova frente de batalha está para ser conquistada. Diante de um grande agente que porta o signo da antítese total, que conduz um signo do mal, todo ideal de oposição carrega uma marca de salvação, de destino, de dever, de libertação. E isto é incorporado na proposta de uma quarta posição política que rompe as barreiras ideológicas do fracasso, da manipulação e nos leva a uma vontade irresistível de lutar.
          
A 1ª Conferência Ibero-Americana Sobre a Quarta Teoria Política é um evento que marca em terras austrais uma nova posição político-ideológica, forjada na certeza inegociável de se superar em criatividade e beligerância todas as formas e estratégias um dia criadas para enfrentar a ideologia liberal dominante, e atingir uma posição geopolítica que proteja os povos da América Austral da dominação imperialista do grande capital.
          
No mundo das ideias esta proposta é das mais empolgantes. Desmontar marxismo, perfurar seu núcleo ideológico e observá-lo desde fora, dissecar o fascismo, retirar e examinar seu sujeito histórico, perceber o próprio liberalismo em sua forma expandida, com suas vertentes, globalização, sistema financeiro, leis econômicas e jurídicas, etc, é um ótimo exercício para um espírito disposto ao desafio de pensar e interpretar a realidade.
          
Esperamos com enorme satisfação a participação de todos, que possam superar as dificuldades de todos os tipos e se fazer presentes neste evento.
          
De toda equipe organizadora do evento e amigos ajudantes, um forte abraço a todos.

Nos vemos em Curitiba."
Evento:
A 1ª Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política ocorrerá em Curitiba/PR - Brasil, nos dias 15 e 16 de Novembro de 2013.


Inscrições:
A inscrição só passará a ter validade com o pagamento das taxas previamente estipuladas pela Organização do Evento, as quais devem ser pagas por meio de depósito bancário. Para efetuar o pagamento é necessário enviar um e-mail para 4tpbrasil@gmail.com, informando o interesse em participar do Evento. Entraremos em contato informando a conta corrente para o depósito bancário. Após o pagamento, que deve ser informado enviando o comprovante de depósito scanneado ou fotografia com dados legíveis, o inscrito receberá a resposta de confirmação dentro de 3 dias. 

Obs.: Não é necessário o envio de dados pessoais como RG e CPF por email, porém é obrigatória a apresentação do RG para entrar no local.

TAXA DE INSCRIÇÃO: R$ 50,00. 

Localização:
Centro de Convenções de Curitiba
Rua Barão do Rio Branco, 370 - Centro
Curitiba - PR, 80010-180 

Local privilegiado, próximo de vários pontos turísticos da cidade, de fácil acesso no trajeto aeroporto-local, rodoviária-local e com muitos outros hotéis com preços acessíveis ao redor, sendo alguns indicados para os interessados reservarem suas estadias.
Programação:
Em breve. 


Estadia e Alimentação: 
A hospedagem e alimentação para os dois dias do evento são de responsabilidade do inscrito. Serão oferecidos durante todo o evento lanches da tarde durante um pequeno intervalo entre as apresentações Sugerimos alguns hotéis, pousadas e albergues próximos ao local da Conferência, na região central de Curitiba.
  
Sugestões de Hospedagens


Segue abaixo uma relação de hotéis mais econômicos, próximos ao local em que será realizado o encontro:


Hotel Itamaraty

Av. Presidente Afonso Camargo, 279, em frente à Rodoviária http://www.hotelitamaratycwb.com.br

Palace Hotel Paraná

Rua Barão do Rio Branco, 62 http://www.palacehotelpr.com.br/

Aladdin Hotel - Paraná Suite

Rua Lourenço Pinto, 440 http://www.hotelaladdin.com.br/

Hotel Marabá

Rua André de Barros, 435 http://www.marabahoteis.com.br/

L'Avenue Apart Hotel

Rua XV de Novembro, 526 http://www.lavenueaparthotel.com.br

Apart Hotel Paraty

Rua Riachuelo, 30 http://www.hotelparati.com.br/

Hostel Roma

Rua Barão do Rio Branco, 805 http://www.hostelroma.com.br

EuroHotel

Rua João Negrão, 400 http://www.eurohotel.com.br


Alimentação


Na região central de Curitiba, principalmente próximo ao local do evento, há inúmeros bons restaurantes, para todos os gostos, de diferentes tipos de culinárias. 


Palestrantes:

LEONID SAVIN

Formação: Faculdade Sumy de construção de máquinas; faculdade de teologia; Associação Ucraniana de Educação a Distância; Escola Superior de Jornalismo; assim como inúmeros seminários e cursos de treinamentos sobre ONG’s e organização intra-governamentais como a ONU e o Conselho da Europa. 


ALBERTO BUELLA

Professor Licenciado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires; (DEA) Diplome d'Etudes Approfondies pela Universidade de París - Sorbonne; Doutor em Filosofia pela Universidade de París - Sorbonne.  Nascido em Buenos Aires em 1946, é um filósofo argentino que tem se destacado por seus trabalhos nas áreas de metapolítica, teoria do dissenso e teoria da virtude, tendo sido o fundador da primeira revista de metapolítica ibero-americana, ou hispano-americana, ainda nos anos 90.


Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política