sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Maduro: EUA estão por trás da crise migratória na Europa


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pensa que os EUA é o principal causador da atual crise migratória que transtorna a Europa.

Em uma entrevista concedida à agência russa de notícias Russian Today, o presidente venezuelano assegurou na quinta que as políticas aplicadas por Washington no Oriente Médio e no Norte da África provocaram a crise migratória europeia.

"O desastre no Iraque quem causou foram os EUA na época de Bush (ex-presidente estadunidense) com um falso propósito; com uma mentira se meteram e destruíram um país que é origem da civilização. Agora Iraque está esquartejado em 20 pedaços", salientou Maduro. 

Do mesmo modo, recordou que a situação passou na Líbia e depois na Síria, onde os EUA, mediante o financiamento de terroristas, busca destruir o país.

A seu ver, todas estas intervenções estadunidenses foram planejadas para se apropriar do petróleo destes países através de transações ilegais no mercado negro.

Assim, salientou que a Europa está pagando as consequências destes desastres gerados por EUA no Oriente Médio, pelo que atualmente as nações europeias não podem confrontar a terrível crise migratória que estão sofrendo.

"A Europa está recebendo milhares de migrantes e não sabem o que fazer. E os perguntei (a vários chanceleres europeus) quê medidas vão tomar, e não sabem o que vão fazer com os pobres da terra que chegam do Afeganistão, do Iraque, da Síria, da Líbia e de Tunis", comentou.

Para finalizar, o presidente venezuelano considerou que os EUA, a parte do Oriente Médio, pretende criar caos em outras regiões do mundo, em referência às ações subversivas da ultradireita venezuelana que, segundo Maduro, estão apoiadas por Washington.

No último 19 de agosto, Katerina Konecna, deputada tcheca no parlamento europeu, asseverou que as políticas dos EUA no Oriente Médio e no norte da África provocam "em grande medida" a crise migratória europeia.

Segundo um informe da Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 2000 pessoas foram mortas no ano de 2015 ao tentar cruzar as águas do Mediterrâneo rumo à Europa.

EUA assumem agora o lado fascista na história


Em uma celebração em Pequim na quinta-feira, dia 3 de setembro de 2015, marcando o aniversário de 70 anos da liberdade chinesa do agressor Japão logo do final da Segunda Guerra Mundial na China, os Estados Unidos conspicuamente evitaram de se posicionar ao lado de seu antigo aliado da Segunda Guerra, a China, que foi um dos aliados pró-democracia durante a guerra, e ao invés disso retrospectivamente mudou de lado, para o lado do antigo eixo dos poderes fascistas, entre eles Japão e Alemanha.

A diplomacia internacional está duramente focada no simbolismo historico, algo que qualquer um que está envolvido em diplomacia internacional entende. A diplomacia internacional é constantemente sobre história, e sobre fazer historia; esta é a natureza dessa profissão; e o simbolismo histórico neste evento diplomático em particular foi claro: os EUA retrospectivamente deixaram o lado anti-fascista dos Aliados, e mudaram para o lado do Eixo; os EUA agora se identificam com as nações do Eixo da Segunda Guerra - os agressores. Os EUA não mais se identifica com o lado das nações que foram agredidas.

A BBC, reportando as preparações da China para o evento, referiu-se à "notável ausência dos líderes ocidentais" da lista de pessoas que aceitaram os convites. "A parada serve a um papel duplo: uma reflexão sobre o passado e um sinal para o futuro. Os discursos dos oficiais chineses sobre os horrores do passado chinês - humilhação histórica nas mãos de poderes coloniais - estão diretamente ligados aos atuais interesses chineses sobre soberania e integridade territorial, incluindo os Mares Oriental e Sul chineses. Em um nível visceral dentro da sociedade chinesa, é impossível separar o passado do presente". A reportagem ainda fechou reconhecendo a resolução do presidente chinês, Xi Jinping, de "proteger os interesses essenciais da China". Esta é uma referência simpática e não de todo hostil, no fim de um artigo. A captação da BBC de uma foto que era similarmente honesta, e sem qualquer coloração propagandística do então planejado evento: "A parada comemora o que a China chama de 'Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa'". É de fato como a China a chama, e como de fato foi; e a BBC estava honestamente apresentando a perspectiva chinesa sobre uma parte momentânea da história chinesa. Os comuns noticiários anti-chineses e anti-russos do Ocidente não estavam presentes nesta admirável reportagem da BBC.

Então, na quinta, 3 de setembro, o dia do evento, a agência de notícias oficial da China, Xinhua (agora chamada "Nova Agência de Notícias da China", a fim de enfatizar o rompimento da China com relação à posição marxista-leninista dos tempos da Guerra Fria) manifestaram que "Xi chama os países a lembrar da história e perseguir o desenvolvimento pacificamente", e suas notícias abriram:

O presidente chinês Xi Jinping disse na quinta que todos os países deveriam tomar lições da história da Segunda Guerra e buscar um desenvolvimento pacífico.

Xi fez as observações enquanto saudava uma grande parada militar para comemorar o aniversário de 70 anos da vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês Contra a Agressão Japonesa e a Guerra do Mundo Anti-Fascista.

"É nossa sincera esperança que todos os países adquiram sabedoria e força da história, persigam pacificamente o desenvolvimento e trabalhem juntos para abrir um futuro promissor de paz mundial", disse ele a mais de 800 convidados chineses e estrangeiros.

A vitória da China na guerra foi um grande triunfo vencido pelo povo chinês em luta, ombro a ombro, com seus aliados anti-fascistas e com os povos em todo o mundo, disse ele.

"Como o principal cenário oriental da guerra anti-fascista, a guerra chinesa de resistência fez uma crítica contribuição para a vitória de todo o mundo", acrescentou Xi.

"Nenhuma força é maior que as que trabalham juntas em uma mente" ele disse, notando que durante a guerra, pessoas de todos os aliados anti-fascistas e outras forças em torno do mundo uniram mãos na luta contra seu inimigo comum.

"Nós os chineses nunca esqueceremos o incalculável apoio dado pelos países amantes de paz e justiça, pessoas e organizações internacionais, à nossa luta contra os japoneses agressores."


A reportagem descreveu a visão de Xi para o futuro da China:

Com uma memória dolorosa do passado, disse Xi, que o povo chinês têm persistentemente se comprometido em um caminho de pacífico desenvolvimento e uma estratégia de abertura em que todos ganham.

"Uma China mais forte e mais desenvolvida significará uma força mais forte para a paz mundial", disse o presidente.

O Jornal de Notícias Econômicas Alemão, em reportagem, notou:

Muitos líderes se abstiveram de participar na parada militar - a fim de não ofender os EUA entre outros aliados do Japão. A Alemanha e os EUA enviaram apenas seus embaixadores. O único líder da União Europeia lá era o presidente da República Tcheca, Milos Zeman. O muito criticado na China, conservador de direita, primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, negou o convite para o memorial à vitória da resistência chinesa.

Então, quem esteve lá? Quem de fato aceitou o convite?

Entre os aproximadamente 30 convidados estatais foram Vladimir Putin, os Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, o Presidente Park Geun-hye da Coreia do Sul, que também sofreu com as agressões japonesas. Na parada também marcharam em torno de 1000 soldados de 17 países como Rússia, Cuba, Kazaquistão, México, Paquistão e Sérvia.

Em outras palavras, este evento, que foi sobre Segunda Guerra, teve uma lista atendida que refletiu, ao invés da Segunda Guerra, a Guerra Fria - guerra entre o capitalismo e o comunismo - embora o comunismo esteja hoje completamente morto e só deixou vestígios na simbologia geopolítica, que já se apagam. A ideologia contra a qual os EUA travou a Guerra Fria deveria, portanto, agora ser ignorada, não mais tratada como se a Guerra Fria estivesse ainda viva e fosse ainda o foco central da política externa dos EUA. O foco desta Guerra Fria dos EUA sobre o evento da Segunda Guerra é doente, especialmente na era das ameaças reais dos jihadistas islâmicos ao redor do mundo, uma ameaça real tanto para o Oriente quanto para o Ocidente. Essa Segunda Guerra Fria pode produzir uma Terceira Guerra Mundial, uma guerra nuclear global. Para quê? Sobre o quê? Não sobre terrorismo islâmico. Mas isto é, apesar de tudo, o que os líderes dos EUA estão procurando: restaurar a Guerra Fria, depois de todo senso decente para uma coisa dessas foi deixada de lado. Um artigo de Xinhua foi mancheteado "Poucos no Ocidente se lembram do papel da China na Segunda Guerra: especialista de Oxford", e abriu: "Poucos no Ocidente se lembram do fato de que a China foi o primeiro país a entrar no que se tornou a Segunda Guerra, e foi um aliado dos Estados Unidos e da Grã Bretanha logo depois de Pearl Harbor até a rendição do Japão em 1945, disse um especialista de Oxford".

CCTV America mancheteou em 25 de agosto "China divulga lista de líderes mundiais a atender a parada do Dia da Vitória", e notou: "repórteres na conferência mostraram interesse sobre os líderes que não atenderão ao convite da celebração".

O BRICS Post reportou que, "Com exceção da presidente brasileira, Dilma Rousseff, que está lutando contra a oposição doméstica, os líderes dos Estados do BRICS são esperados a atender a parada chinesa no próximo mês para fortificar laços".

O Portal Matutino do Sul da China, na mais minuciosa de todas as reportagens sobre a lista dos que atenderão, mancheteou "Apenas os 'amigos verdadeiros' da China atenderão à parada de aniversário ao passo que os líderes-chave ocidentais e Kim Jong Un não estarão lá". A reportagem afirmou: "O único chefe de Estado ou governo da União Europeia é o presidente Milos Zeman da República Tcheca. O primeiro ministro Shinzo Abe do Japão não atenderá, embora o antigo primeiro ministro japonês Tomiichi Murayama atenderá. Pyongyang [Coreia do Norte] mandará seu membro Politburo, Choe Ryong-hae. Os EUA, o Canadá e a Alemanha enviarão representantes das suas missões diplomáticas na China [alguém da embaixada], enquanto a França e a Itália enviarão ministros estrangeiros". No entanto, o antigo primeiro ministro britânico, Tony Blair, também atendeu, como fez o presidente Vladimir Putin da Rússia e Park Geun-hye da Coreia do Sul.

Em outras palavras: os EUA, Canadá, Alemanha e Coreia do Norte enviarão os representantes de níveis mais baixos; a República Tcheca, a Coreia do Sul e a Rússia enviaram o de maior nível; e França, Itália, Bretanha e Japão ficaram no meio. China é um dos países do BRICS, assim é natural que os BRICS enviem representantes de nível maior. A Coreia do Norte enviou apenas um membro da Politburo, isto indica que Pyongyang está profundamente insatisfeita com o grau de apoio que a China alcançou recentemente. Japão enviou um antigo primeiro ministro, isto mostra que o governo japonês realmente não quer outra guerra entre dois gigantes econômicos da Ásia: é uma concessão extraordinária do país cuja derrota foi celebrada no evento.

A lista de convidados é um livro completo de informação sobre onde as coisas realmente estão na estrutura das relações internacionais. É um estatuto histórico, sobre o presidente, bem como sobre o passado. O simbolismo pode não ser tão descaradamente claro como palavras, mas é tão mais significativo, porque é a realidade crua, que palavras podem representar apenas (ou talvez até confundir). Claramente, a administração de Obama fez de tudo que pôde para apoiar as potências antigamente fascistas, Japão e Alemanha, contra a China, retrospectivamente, nesta ocasião. Japão é menos disposto que a Alemanha para andar junto ao esforço da Alemanha para reconstruir relações mundiais sobre a fundação da Segunda Guerra com os EUA tendo mudado 180 graus para se tornar agora o poder líder fascista (substituindo o que a Alemanha foi). A Itália também não tende a abraçar inteiramente o papel dos EUA como líder fascista mundial. Assim, também, o Reino Unido não tende inteiramente a aceitar (a aliança EUA-RU está se esgaçando). A Coreia do Norte está aparentemente junto dos EUA apenas por causa da sua relação com a China. Coreia do Sul é mais interessada em não ofender a China do que contribuir a fortalecer a relação de vassalo que tem com o fascista EUA. É extraordinário, mas isto se fortalece enquanto a Coreia do Norte enfraquece os laços com a China.

No entanto, ao passo que os EUA adota uma liberdade simbólica do nazismo, como faz com o financiamento do Praviy Sektor na Ucrânia e de grupos neonazistas por todo o mundo, sua ideologia continua liberal. EUA precisam desesperadoramente de homens fortes que lutem por seus interesses, e não há nada de mais inteligente do que apoiar grupos neonazistas para que façam o trabalho sujo e manter o controle à distância. Na Ucrânia, todavia, estes grupos, que caíram na armadilha de George Soros e outros, estão gradativamente percebendo o erro, e se voltando contra o governo de Kiev em favor do qual lutavam, passando para o lado anti-EUA, dos separatistas pró-russos.

parte deste artigo foi retirado de estrategicculture

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Conheça as meninas por trás das fotos de Nabi Saleh


"As fotos se tornaram virais. Isso é importante", disse Ahed Tamimi, 14 anos, "assim o mundo pode ver o que acontece". Ahed é a garota loura à esquerda na foto amplamente publicada de um violento confronto entre mulheres e crianças palestinas contra um soldado israelense na vila Nabi Saleh, Cisjordânia. No quadro Ahed está mordendo no soldado depois que ele a espancou no rosto. Desde que agora imagens não famosas foram primeiramente publicadas, Tamimis, e Ahed em particular, foram visitadas por multidões de jornalistas querendo saber como a família palestina se sentiu ao ver o pequeno Mohammed Tamimi, de 12 anos, também conhecido como Abu Yazan, despencou no chão.

Nas fotografias as garotas e as mulheres palestinas olham em pânico, e a expressão do soldado israelita é frenética. Abaixo dele está Abu Yazan, que olha como se gemesse de dor, amassado e empurrado pelo solado, seu braço amassado como se estivesse pressionado contra uma pedra. As quatro mulheres Tamimis - Nariman e Nawal, mães de meia-idade, e as garotas, Ahed e Nour, adolescentes - enfrentaram o soldado que tentava deter Abu Yazan por ter jogado pedra durante um protesto semanal contra os confiscos de terras.

"Quando você vê alguém da sua família em perigo, você não tem tempo para pensar", disse Nour Tamimi, 16 anos, quando sentamos no pátio da casa de Ahed. Ela é prima de Ahed e aparece na extrema direita, vestindo um top preto nas imagens virais.

"Ele estava me batendo e eu vi sua mão no meu rosto, então eu o mordi", disse Ahed com sua voz suave.

Ahed e Nour pareceram dolorosamente envergonhadas quando conversamos, Ahed mais que Nour. Ambas vestidas em seus jeans e camisetas, Ahed com uma estampa de Lola Bunny, interesse amoroso de Bugs Bunny. Ahed gosta de jogar futebol e dançar. Ela estuda inglês na escola, mas se envergonha de falar. Quando crescer, ela quer ser juíza. As duas foram a sofás ao ar livre, então se mudaram para uma cozinha para fazer um lanche da tarde, sanduíches com lebane, um iogurte típico do Oriente Médio, e shata, um tempero vermelho apimentado. Quando preparavam o lanche, elas fofocaram como meninas fazem. A noite estava fresca e agradável , um agradável mudança com relação à onda de calor que recentemente cobriu a região. O risto das duas, e a chegada de dúzias de visitantes das cidades ao redor da Cisjordânia deram um tom festivo à noite. Estava bem diferente do tumulto que passaram quatro dias atrás.

Ainda assim, os militares de Israel empoleiraram-se num checkpoint aéreo, procurando carros que entravam e saíam de Nabi Saleh. Alguns residentes foram proibidos de deixar a vila, inclusive os parentes de Ahed na terça-feira pela manhã. As duas foram detidas por uma hora e meia, antes que as forças israelitas as mandassem de volta para dentro da sua cidade.

Quando as fotos explodiram nas redes, a mídia internacional legendou o uso da força contra uma criança com um braço quebrado como o conto de "Davi e Golias", enquanto a mídia israelita ficou consternada que um grupo de mulheres botou um soldado pra correr. As mulheres morderam, arranharam, estapearam e socaram o soldado. Então elas tiraram a balaclava do rosto dele. Embora não tenha sido fotografado, e não incluso em um vídeo que também capturou a cena do fim de semana, foi Bassem Tamimi (marido de Nariman e pai de Mohammed e Ahed) e seu filho mais novo de nove anos, Salam Tamimi, quem também foram golpeados pelos soldados.

Em seguida o ministro da cultura e de esportes de Israel, Miri Regev, clamou por regulamentações perdidas no uso de fogo vivo por soldados, caluniando a "humilhação" que as fotos trouxeram ao exército israelita.

Agora para a família de Tamimi o incidente que se tornou um espetáculo na internet foi tão somente em uma outra sexta-feira vivendo na ocupação, nem mais nem menos. Começou com uma demonstração e terminou com cinco membros da sua família no hospital. Nariman tem asma e usa muletas, depois ela foi baleada por soldados israelitas meses atrás na rótula do joelho. Ela precisou de tratamento. Bassem, Ahed e Abu Yazan também sofreram estilhaços nos seus corpos. Como foi com Salam, ele foi baleado com uma bala de borracha, deixando seu dedo quebrado.

Uniformemente toda a família Tamimi ficou surpresa que tanta gente da mídia estrangeira tenha chegado para seguir as fotos icônicas. Além disso, que o protesto chamou atenção do governo israelita.

"Eles fizeram um grande estardalhaço com a 'humilhação' do soldado, mas estão matando o povo palestino", disse Nour, fazendo referência ao que disse Regev. Às adolescentes de Nabi Saleh, o exército israelita já é visto como belicoso. Em 2013, quando o jornalista e autor Ben Ehrenreich escreveu uma característica sobre Nabi Saleh para o The New York Times Magazine, Nariman estimou que umas 100 pessoas da vila tinham sido presas, e em torno de 500 violadas durante as demonstrações. Recentemente, dois dos membros da cidade - também parte do clã Tamimi - foram mortos por soldados israelitas. Mustafa Tamimi, 27, foi espancado na cabeça com uma bomba de gás lacrimogênio em 2011 e Rudshi Tamimi, 31, foi morto com tiro à queima-roupa no ano seguinte.

Para jovens em Nabi Salah, a morte de Mustafa e Rudshi causaram uma última impressão e as dificuldades a pioraram. "Depois de seis anos começaram a saber como lidar", disse Nour, indicando o tempo que os residentes de Nabi Saleh protestaram, que começaram em 2009 depois do fechamento do acesso ao povo à paisagem natural.

"Três anos e meio atrás meu amigo foi morto por soldados israelitas, então eu me tornei mais forte. Assim eu disse pra mim mesma 'por que não ser uma jornalista' que manda mensagem de todas as crianças, para todas as pessoas no mundo?" disse Janna Jihad, 9 anos, prima e amiga de Ahed. "Mustafa", Jihad continuou, "ele foi um amigo para todas as crianças em Nabi Saleh".

Jihad, uma irada e confidente garota que cresceu entre Nabi Saleh e West Palm Beach, na Flórida, então disse "sou a menor jornalista do mundo!" Ela tem uma página no facebook com em torno de 20.000 seguidores que leem suas postagens e veem suas fotos dos protestos de Nabi Saleh. Sua linha do tempo é cheia de imagens de seus parentes e colegas correndo do gás lacrimogênio tipicamente lançados em protestos durante as marchas semanais. Quando ela crescer, Jihad disse que quer reportar à CNN ou Fox, para ter uma plataforma a fim de alcançar pessoas divulgando sobre os modos com que as crianças sofrem com a ocupação. A morte de Mustafa, o baleamento de Nariman, o de Salam, o de outro parente três semanas antes que foi fuzilado com cinco balas no peito, deixou Jihad com a impressão de que sua vila está no caos "todo dia, todo dia, todo dia. Não é vida". Como falamos Ahed se uniu ao grupo de crianças que se reuniram em uma colina para ver Halamish, construída sobre as terras de Nabi Saleh. A construção foi feita por linhas-duras de Gush Emunim nos anos 1970 e desdeentão se tornou um subúrbio equipado com piscinas, caminhadas e guardas armados nos portões. Em Nabi Saleh, a maioria das ruas não são pavilhadas. A disparidade na riqueza é radicalmente aparente.

Voltando a Bassem, o pai de Ahed quando jovem costumava brincar nas encostas que agora estão cobertas por casinhas Halamish. O baixo vale era coberto por campos e jardins floridos.

"Há uma relação entre nós e esta terra", ele disse, entre conversas com vizinhos sobre um futuro Estado único ou dois Estados em Israel e no território palestino e sobre quão se ampliaram os conflitos não-violentos das demonstrações semanais. Bassem apoia o Estado único, o que ele vê como um fim lógico à ocupação que começou quando era criança. Sua esperança é que as demonstrações como Nabi Saleh se espalhem furiosamente e inaugurem condições, urgentemente, para o fim de uma ocupação sobre a qual comentadores estão dizendo que mudou de temporária para permanente. Até então ele continuará protestando toda sexta-feira - venha o que vier.

via mondoweiss

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobre memórias geneticamente herdadas por ancestrais - existem memórias inatas?

No seriado Supernatural Memória, escrito por Bennet Joshua Davlin, Dr. Taylor Briggs, que lidera pesquisas em memória, examina um paciente encontrado próximo da morte na Amazônia. Enquanto checava o paciente, Taylor é acidentalmente exposto a uma droga psicodélica que ativa memórias de um assassino que cometeu assassinatos muitos anos antes que Taylor tivesse nascido. O assassino era seu ancestral. As memórias de Taylor, apesar de serem memórias de acontecimentos que Taylor nunca experienciou, são bem detalhadas. Elas contêm o ponto de vista do seu ancestral e todo o cenário visual experienciado pelo assassino.

Embora o filme seja sobrenatural, traz à tona uma questão interessante. É possível herdar as memórias de nossos ancestrais? A resposta não é preto no branco. Depende do que estamos significando com "memória". A história do filme é muito buscada: não há evidência ou teoria científica crível que sugere que podemos herdar memórias de episódios específicos de acontecimentos que nossos ancestrais experienciaram. Em outras palavras, é bem improvável que você de repente se lembre do dia do casamento de seu tataravô ou do parto da sua tataravó.

Mas a ideia de herança ou memória genética de um tipo distinto tem um grau de plausabilidade. Há muitos tipos distintos de memória. Memória episódica é memória de acontecimentos específicos, tais como sua memória da sua última festa de aniversário. Memória semântica é memória de informação que é apresentada como um fato, por exemplo, o fato de que Obama é o atual presidente, que "ranariano significa um tipo de sapo, ou que 31 é um número primo. Finalmente, memória procedural é memória de como fazer coisas, por exemplo, sua memória de como nadar ou trocar uma lâmpada.

É controverso que a memória procedural pode ser herdada. Bebês sabem como chupar sem serem ensinados a isso. Isso é um tipo de memório procedural, e é claramente genético. A controvérsia central e muito mais controversa é a questão de se a memória episódica e a semântica podem ser herdadas. A memória semântica parece ser o candidato, pelo menos parcialmente, mais genético. Filósofos proeminentes, psicólogos e linguístas através da história já pensaram que a memória semântica não é sempre adquirida através do ensinamento. O grande e antigo filósofo grego, Platão, pensou que as almas que não são instanciadas em um corpo humano são parte de um céu platônico. No céu platônico, as almas adquirem ideias universais platônicas (por exemplo, piedade, justiça, bondade moral). Quando uma alma é instanciada em um novo nascimento, o bebê aprende estes universais ao "olhar para trás" em direção ao véu da realidade física e encontrar as verdades na sua alma.

Car Gustav Jung, um psicoterapeuta suíço e psiquiatra fundador da psicologia analítica, é bem conhecido por sua teoria do inconsciente coletivo. O inconsciente coletivo, diferente do inconsciente pessoal, é um tipo de memória genética que pode ser compartilhado por indivíduos com um ancestral comum da história. Enquanto não somos conscientes do inconsciente coletivo, pode influenciar nossas ações. Tomando um exemplo bem mundano, se nossos ancestrais tiveram uma crença de que o fogo era perigoso, essa crença pode ser parte de nosso inconsciente coletivo e influenciar como nos comportamos quando estamos próximos do fogo.

Jung encontrou esta teoria do inconsciente coletivo durante a psicanálise dos sonhos dos seus pacientes. Ele acreditou que o simbolismo que ele encontrou era proeminente nos sonhos dos seus pacientes, comumente marcas emprestadas de um ancestral histórico. Este tipo de simbolismo é um tipo de evento de sonho que é difícil de explicar por qualquer coisa na própria vida daquele que sonha.

Em tempos modernos, Noam Chomsky, um influente linguísta americano, é famoso por ter levado adiante uma teoria que tem um elemento de memória semântica genética como seu núcleo. Chomsky argumentou que os homens nascem com uma capacidade para a aquisição linguística que põe certas limitações sobre que tipos de línguas humanas são possíveis. As limitações que limitam que tipo de gramática uma língua humana pode ter são também algumas vezes referentes à "gramática universal". A gramática universal pode ser compreendida como uma rede de estruturas de linguagem herdada, que é comum a todos nós.

Como nossa memória semântica genética pode ser manifestada no cérebro? As memórias são armazenadas no cérebro na forma de redes neurais no córtex cerebral, a camada externa do cérebro. O cérebro deposita específicas proteínas ao longo das sinapses neurais que tornam os neurônios possíveis de se comunicar no futuro. Isso é também conhecido como "potenciação de longo prazo". Enquanto as proteínas são normalmente depositadas como um resultado de aprendizado, é possível que algumas delas sejam codificadas pelo código genético.

Mas se, na verdade, há algo como memória semântica, qual parte do genoma humano a codifica? Nós realmente não sabemos. O que sabemos é que não temos ainda descoberto o propósito de muitos segmentos de código genético. Alguns desses segmentos podem conter informação de memória semântica.

Há alguma evidência de pessoas que nascem sem um dos sentidos que ainda têm habilidade para formar imagens visuais que representam a falta de informação sensorial. Por exemplo, pessoas que sempre foram cegas, de nascimento, reportam imagem visual. Não podemos confirmar que o que elas reportam como imagem visual seja realmente visual. Para confirmar isto deveríamos investigar se há atividade neural nas áreas visuais do cérebro quanto a estes assuntos, no momento em que reportam estas imagens visuais. Mas é ainda um projeto para o futuro.

sábado, 29 de agosto de 2015

Estudo aponta: mulheres são lésbicas porque não conseguem namorados


Mulheres tendem a ser homossexuais quando não conseguem transar com homens, aponta um estudo feito por Elizabeth McClintock, da Universidade de Norte Dame, na Indiana.

A doutora McClintock disse que as mulheres tendem menos ao bissexualismo se encontram facilmente um parceiro masculino. Ela disse: 'Mulheres que têm sucesso em conseguir um parceiro masculino, como é esperado tradicionalmente, nunca explorará atração por outras mulheres. No entanto, mulheres que possuem as mesmas tendências sexuais (heterossexuais, N. B.), mas são menos favorecidas, terão grande oportunidade de experimentar parceiros do mesmo sexo (relações homossexuais, N. B.).'

Parece, então, que as mulheres incapazes de conseguir namorados se tornam lésbicas. O estudo descobriu que as mulheres menos atrativas tendem a se tornar lésbicas.
 
O estudo conclui: A análise mostrou que mulheres atrativas tendem a se considerar puramente heterossexuais.

Além disso, o estudo falou sobre mulheres que voltaram atrás em sua orientação sexual, como um jogador de tênis que muda a raquete de mão a cada momento. É muito comum mulheres que passam a vida resmungando contra os homens, afirmando seu inabalável lesbianismo, até que alguns velhos carentes lhe deem uma cantada e imediatamente as transformam em donas de casa.

sábado, 8 de agosto de 2015

Ivan Ilyin sobre a Ortodoxia


O grande filósofo russo do século XX, Ivan Ilyin (1883-1954), atacado pela mídia ocidental depois que Putin o recomendou para seu governo, explica como a nação russa não foi forjada apenas através da guerra, mas também pelo amor e beleza divinos - a fé cristã ortodoxa. Abaixo, texto do filósofo.

A cultura espiritual nacional foi criada de geração em geração não por pensamento consciente nem por escolha arbitrária, mas por uma longa, integral e inspirada tensão de todo o ser humano; e sobretudo por um instinto inconsciente, forças noturnas da alma. Essas forças misteriosas da alma são capazes de criatividade espiritual apenas quando são iluminadas, enobrecidas, formadas e cultivadas pela fé religiosa.

A história não conhece um grande povo cultural e espiritualmente criativo que habitou na divindade. Mesmo os mais antigos selvagens tiveram sua fé. Caindo na descrença, as nações degeneraram e morreram. Que a elevação da cultura nacional depende da perfeição da religião é incompreensível.

Desde tempos imemoriais a Rússia foi uma nação cristã ortodoxa. Seu principal núcleo nacional-linguístico criativo sempre confessou a fé ortodoxa. (Ver, por exemplo, os dados estatísticos de D. Mendeleiev. Sobre a Sabedoria da Rússia. pgs. 36-41, 48-49. No início do século XX a Rússia contou com uma população em torno de 66% ortodoxa, em torno de 17% cristãos não ortodoxos e em torno de 17% de religiões não-cristãs - alguns 5 milhões de judeus e povos turco-tártaros). Eis porque o espírito da ortodoxia sempre definiu e continua definindo profundamente a criatividade nacional russa.

Pelos presentes da ortodoxia todos os povos russos viveram, educaram-se e encontraram salvação ao longo dos séculos. Eles foram todos cidadãos do Império Russo - tanto aqueles que esqueceram estes presentes quando aqueles que não os perceberam, renunciando e até mesmo blasfemando sobre eles; cidadãos pertencentes a outras confissões cristãs; e outros povos europeus além das fronteiras russas.

Precisaríamos de todo um estudo histórico para uma descrição exaustiva destes presentes. Posso apontá-los apenas com uma breve enumeração.

1. Toda básica composição da revelação cristã foi recebida pela Rússia do Leste Ortodoxo na forma da Ortodoxia, em línguas grega e eslava. "A grande revolução espiritual e política do nosso planeta é o cristianismo. Dentro desse elemento sacro do mundo desapareceu e foi renovado" (Pushkin). O povo russo experienciou esse elemento sacro do batismo e a investidura no Cristo, o Filho de Deus na Ortodoxia. Foi para nós o que foi para os povos ocidentais antes da divisão das igrejas; deu-as o que elas logo mais perderam, e o que nós preservamos; pois este espírito perdido eles começam agora a se voltar para nós, chocalhados pelo martírio da Igreja Ortodoxa na Rússia.

2. A Ortodoxia estabeleceu na fundação do ser humano a vida do coração (os sentimentos e o amor), e a contemplação derivando do coração (a visão e a imaginação). Aqui está a mais profunda distinção do catolicismo, que leva a fé da vontade para a razão, e do protestantismo, que leva a fé da razão para a vontade. Essa distinção, definindo a alma russa, permanece eterna; nenhuma "União", nenhum "rito oriental", e nenhuma atividade missionária protestante pode refazer a alma ortodoxa. Todo o espírito russo e todo o caminho foram feitos pela Ortodoxia. Aqui está o porque de que quando o povo russo cria, busca ver e expressar o que ama. Esta é a base do ser e da criatividade nacional russa. Eles foram fundados pela Ortodoxia e cingidas pelo eslavismo e pela natureza da Rússia.

3. Na esfera moral, isto deu ao povo russo um sentido vivo e profundo de consciência; um sonho de retidão e sacralidade; uma acurada percepção do pecado; o presente de um arrependimento que renova; a ideia da catarse ascética; e um agudo senso de "verdade" e "mentira", bem e mal.

4. Por isso o espírito de piedade e fraternidade popular, sem-castas, supranacional tão característico do povo russo, a simpatia pelo pobre, pelo fraco, doentes e oprimidos, e até mesmo criminosos (vejam, por exemplo, no Diário de um Escritor de Dostoievsky de 1873, Artigo III "Ambiente" e Artigo V "Vlas"). Por isso nossos mosteiros e tsares que amam os pobres; por isso nossos hospícios, hospitais e clínicas criadas com doações privadas.

5. A Ortodoxia cultivou no povo russo esse espírito de sacrifício, servidão, paciência e lealdade, sem o que a Rússia nunca teria resistido a seus inimigos nem construído uma morada terrena. No curso de toda a história, os russos aprenderam a construir a Rússia "beijando a cruz" e a basear-se sua força moral na oração. O presente da oração é o melhor presente da Ortodoxia.

6. A Ortodoxia afirmou a fé religiosa sob liberdade e seriedade, conectando-as em uma só; com esse espírito informou-se a alma russa e a cultura russa. As missões ortodoxas trouxeram pessoas "ao batismo" "através do amor", e de nenhum modo através do medo (Da instrução do Metropolita Makário ao Arcebispo Gury em 1555. As exceções só confirmam a regra básica). Por isso vem da história russa precisamente aquele espírito de tolerância religiosa e nacional que os cidadãos russos de outras confissões e religiões valorizam por seu mérito apenas depois das perseguições revolucionárias da fé.

7. A Ortodoxia trouxe ao povo russo todos os presentes do sentido cristão de justiça - uma vontade para a paz, para a fraternidade, justiça, lealdade e solidariedade; um sentido de dignidade e categoria; uma capacidade para o auto-controle e respeito mútuo; em uma palavra, tudo o que pode levar o mais perto dos mandamentos de Cristo.

8. A Ortodoxia nutriu na Rússia o sentido de uma responsabilidade cidadã, aquela de um oficial diante do Tsar e de Deus, e acima de tudo consolidou a ideia de uma monarquia, clamada e ungida, que serviria a Deus. Graças a isto os governadores tirânicos na história russa foram uma completa exceção. Todas as reformas humanas na história russa foram inspiradas ou sugeridas pela Ortodoxia.

9. A Ortodoxia russa fielmente e sabiamente resolveu a mais difícil tarefa com a qual a Europa Ocidental quase nunca lidou - encontrar uma correta correlação entre a Igreja e o poder secular, um apoio mútuo sob lealdade mútua e sem usurpações.

10. A cultura monasterial ortodoxa deu à Rússia não apenas tropas de homens retos. Deu a ela crônicas, i.e. estabeleceu uma fundação para a historiografia russa e para a consciência russa. Pushkin expressou isso assim: "Somos obrigados perante os monges por nossa história, e consequentemente por nossa iluminação" (Pushkin, Notas Históricas de 1822). Nós não podemos esquecer que a fé ortodoxa foi desde muito considerada como o verdadeiro critério de "russidade" na Rússia.

11. A doutrina ortodoxa sobre a imortalidade da alma de uma pessoa (perdida no protestantismo contemporâneo, interpretando a "vida eterna" não no sentido de imortalidade da alma, que é vista como mortal); sobre a obediência às autoridades superiores por uma questão de consciência; sobre a paciência e a entrega da vida "por seus amigos" deram ao Exército Russo todas as fontes de seu conquistador espírito cavalheira e individualmente destemido e sacrificial, que desenvolveu em suas guerras históricas e especialmente no ensinamento da prática de Alexandr Surovov - e foi frequentemente reconhecido por grandes capitães inimigos (Frederico o Grande, Napoleão, etc.).

12. Toda a arte russa derivou da fé ortodoxa, no início nutrindo seu espírito de contemplação profunda, crescente oração, livre franqueza e responsabilidade espiritual (vejam "O que, ultimamente, é a essência da poesia russa?" e "Sobre o lirismo de nossos poetas" de Gogol; vejam meu livro Fundamentos da Arte. Sobre a Perfeição na Arte). A pintura russa veio do ícone; a música russa foi inspirada pelos cantos da Igreja; a arquitetura russa veio do trabalho das catedrais e monastérios; o teatro russo nasceu dos "atos" dramáticos sobre temas religiosos; a literatura russa veio da Igreja e das obras monásticas.

Por acaso foi tudo enumerado aqui, tudo mencionado? Não. Ainda não falamos dos anciões ortodoxos; das peregrinações ortodoxas; do significado da língua Antiga Eslavônica Ortodoxa; da escola ortodoxa e da filosofia ortodoxa. Mas tudo o que é ainda impossível exaurir.

Tudo isso forneceu a Pushkin a base para estabelecer a seguinte e inquebrantável verdade: "A confissão grega, separada de todas as outras, nos dá um caráter nacional especial" (Notas Históricas, Pushkin, 1822). Este é o significado cristão ortodoxo na história russa. Assim é como essas perseguições selvagens e nunca expostas contra a Ortodoxia, que agora endurece com os comunistas. Os bolcheviques entendem que as raízes do cristianismo russo, o espírito nacional russo, da honra e consciência russas, a unidade estatal russa, a família russa, e o senso de justiça russo - são estabelecidos em nome da fé ortodoxa, portanto tentam desenraizá-la.

Na luta com tais tentativas, o povo russo e a Igreja Ortodoxa trouxeram toda uma tropa de confessores, mártires e santos mártires; e ao mesmo tempo eles restauraram a vida religiosa da era das catacumbas em todo lugar - nas florestas, nas ravinas, nas vilas e cidades. Por vinte anos o povo russo aprendeu a concentrar-se em silêncio, limpar-se e forjar suas almas diante da face da morte, orando em sussurros e organizando a vida da Igreja em perseguições, fortalecendo-a em segredo e silêncio. E no momento, depois de vinte anos de perseguição, os comunistas tiveram que admitir (no inverno de 1937) que um terço dos residentes em cidades e dois terços da população nas vilas continuam abertamente a acreditar em Deus. E quantos dos que restaram ainda acreditam e rezam em segredo?

As perseguições estão despertando dentro do povo russo uma nova fé, uma força plena toda nova e um novo espírito. Corações sofridos restauram sua contemplação antiga e religiosa. E a Rússia não apenas não deixará a Ortodoxia, mas seus inimigos no Ocidente esperam, mas serão fortalecidos nos fundamentos sacros do seu ser histórico.

As consequências da revolução superará suas causas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Os EUA podem impedir uma guerra contra a Rússia?


por Jack Hanick
Os Estados Unidos tendem a uma guerra contra a Rússia. Alguns chamam esta nova situação de "aumento de hostilidade" ou "Guerra Fria II". Há dois lados nesta história. Penso que os jornalistas estadunidenses de todas as convicções geopolíticas não estão oferecendo análises críticas. Compreender o lado russo e tomar seriamente seus argumentos podem ajudar a prevenir sérias consequências.

Os estadunidenses (o povo) acreditam que os russos são alimentados por propaganda feita pela mídia controlada pelo Estado. Se os russos (o povo) só pudessem ver a verdade, eles pensam, eles adotariam a posição dos EUA. Isto não é verdade. Há mais que 300 estações de televisão disponíveis em Moscou. Apenas 6 são controladas pelo Estado. A verdade é que os russos preferem ouvir as notícias do Estado ao invés aquelas da internet ou de outras fontes. É diferente de quase qualquer outro país do mundo. Não é a Coreia do Norte, onde as notícias são censuradas. Cada noite durante a crise da Crimeia, qualquer um poderia assistir a CNN ou a BBC meterem pau na Rússia.

Com relação à Ucrânia, a Rússia desenhou uma linha vermelha: nunca permitirá a Ucrânia ser parte da OTAN. A Rússia vê os EUA como o agressor, rodeando a Rússia com bases militares na Europa Oriental em todas as oportunidades desde o colapso da União Soviética. Os EUA veem a Rússia como o agressor contra seus vizinhos. Um pequeno passo em falso poderia levar à guerra. Agora a guerra não será mais "lá". Os bombardeiros russos voando para a Califórnia em 4 de julho claramente demonstram isso. Os russos compreendem que os EUA nunca lutaram uma guerra em sua própria terra desde a guerra civil. Se novas hostilidades começarem, a Rússia não deixará a guerra ser à distância, na qual os EUA disponibilizam as armas e os conselheiros, deixando que os outros "de botas no chão" combatam. A Rússia levará a guerra para os EUA. Como chegamos a este ponto crítico em tão pouco tempo?

Primeiro, algum retrospecto. Fui à Moscou há dois anos e meio. Fui à Rússia para construir um canal de notícias não-governamental com visões editoriais consistentes com a Igreja Ortodoxa Russa. Completei a missão e retornei ao Ocidente. Vejo dois lados desse conflito e, a menos que haja mudança de pensamento, o resultado será catastrófico. Quando cheguei, a relação entre os EUA e a Rússia pareciam normais. Como americano, minhas ideias foram aceitas, mesmo buscadas. No momento, o sr. Obama planejava atacar o exército de Assad na Síria por ter cruzado a "linha vermelha" em busca de armas químicas. A Rússia interveio e persuadiu a Síria a destruir suas armas químicas. O sr. Putin ajudou o sr. Obama salvar o rosto e não fazer uma mancada ainda maior na Síria. Logo depois, o sr. Putin escreveu um editorial publicado no The New York Times, no qual foi em geral bem recebido. As relações pareciam estar no seu curso normal. Houve cooperação no Oriente Médio e a russofobia estava leve.

Então a Rússia passou uma lei que preveniu a propaganda sexual para menores de idade. Foi o início das tensões. O lobby LGBT no Ocidente viu esta lei como anti-gay. Não foi isso que eu vi. A lei foi uma cópia direta da lei inglesa e foi tencionada a prevenir a pedofilia, não se referindo a relações entre adultos. Relações gays na Rússia não são ilegais (embora não sejam aceitas pela maioria do povo). Com relação aos protestos gays, ficaram longe da visão das crianças. Vejo isto do mesmo modo que vimos nos EUA crianças serem distanciadas de ver filmes marcados com "R". A punição por quebrar esta lei é um tanto menos que $100. Estacionamento duplo em Moscou é mais pesado: $150. Não obstante, a reação estava generalizada contra a Rússia.

O boicote das Olimíadas de Sochi foi o modo do Ocidente de descreditar a Rússia. A Rússia viu este boicote como um ato agressivo feito pelo Ocidente para interferir em suas políticas internas e ridicularizar a Rússia. Sochi foi para os russos uma grande fonte de orgulho nacional e não teve nada que ver com política. Para o Ocidente, isso foi o primeiro passo para criar a narrativa de que a Rússia era a antiga repressora União Soviética e que a Rússia deve ser parada.

Então vieram as revoluções coloridas na Ucrânia. Quando o presidente da Ucrânia foi derrubado (Yanukovich), do ponto de vista russo foi um golpe organizado pelo Ocidente. A derrubada de um presidente democraticamente eleito sinalizou que o Ocidente estava interessado em uma expansão de poder, não em valores democráticos. As conversações vazadas da Secretária Assistente de Estado, Victoria Nuland, e o Embaixados estadunidense, Geoffrey Pyatt, sugerem que os EUA estiveram ativamente envolvidos na mudança de regime na Ucrânia. Para a Rússia, os ucranianos são seus irmãos, muito mais que qualquer outro grupo. As línguas são similares; eles são ligados culturalmente e religiosamente. Kiev teve um papel central na cristianização da Rússia. Muitos russos têm membros familiares na Ucrânia. Para os russos, esta relação especial foi destruída por forças externas. Imaginem se o Canadá de repente se aliasse à Rússia ou à China. Os EUA certamente veriam isto como uma ameaça em sua fronteira e agiriam decisivamente.

Quando a União Soviética colapsou, do ponto de vista estadunidense, as fronteiras da Europa Oriental foram congeladas. Entretanto, no fim dos anos 1990, as fronteiras da Iugoslávia mudaram, dividindo o país ao meio. Os russos tinham aceitado o governo de Kiev sobre a Crimeia desde 1954, como um irmão confiável pode cuidar de uma propriedade da família. Mas quando este irmão não mais fazia parte da família, a Rússia quis a Crimeia de volta. A Crimeia também queria a Rússia de volta. Os crimeanos falam russo e estão atados com a herança russa de 300 anos. Do ponto de vista russo, foi um problema familiar que não interessa ao Ocidente, as sanções impostas foram vistas como agressão por parte do Ocidente para manter a Rússia no seu lugar.

As sanções separam a Rússia do Ocidente e a empurram para a China. O turismo chinês na Rússia bate os níveis recordes. Mais transações são agora estabelecidas diretamente entre o Rublo e o Yuan, sendo o dollar estadunidense um meio que já míngua. Embora o dollar permanece forte agora, é enganador. A China criou o banco banco AIIB para diretamente competir contra o FMI por poder bancário mundial, e os EUA estão tendo problemas em prevenir seus aliados de se juntar a ele. Esta é a primeira rachadura na dominação financeira dos EUA, como resultado direto das sanções.

Estamos nos movendo mais perto de uma guerra real. Os republicanos e os democratas falam em política externa com a Rússia. Quando todos os políticos estão de acordo, não há discussão de abordagens alternativas. Qualquer alternativa para o isolamento completo da Rússia e para a construção da OTAN em torno das fronteiras russas é um sinal de fraqueza. Qualquer alternativa para a construção militar é criticada como "apaziguamento", comparada à falida política externa do primeiro ministro britânico, Neville Chamberlain, com relação à Alemanha Nazista entre 1937 e 1939.

Os liberal-democratas historicamente são anti-guerra, mas não agora. Na República Tcheca houve o começo de um movimento anti-guerra quando a OTAN pôs seu armamento nas suas fronteiras. "Tanques, mas nenhum obrigado [Tanks but no thanks]" se tornou um coro. Os tchecos ficaram desconfortáveis com um músculo que flexionava rumo ao impasse. Apenas um só libertário, Ron Paul, elevou uma crítica da sabedoria dessa construção militar.

O erro que custará aos EUA muito caro é a hipótese de que a Rússia  tem as mesmas ambições que a União Soviética. A estratégia da Guerra Fria usada contra a União Soviética não pode ser repetida com os mesmos resultados. A União Soviética foi comunista e ateia. A Rússia moderna retornou às suas raízes cristãs. Há um renascimento na ortodoxia russa com mais de 25.000 novas igrejas construídas na Rússia depois da queda do comunismo. Em qualquer domingo, as igrejas são embaladas. Mais de 70% da população se identifica como cristã ortodoxa. Combinados este renascimento religioso com o renovado nacionalismo a Rússia cresce auto-confiante.

A ideologia marxista seguida pela União Soviética foi evangelista. Apenas quando todo o mundo tiver se tornado comunista é que os princípios marxistas teriam sido realizados. Quando as fazendas coletivas perderam seus fins, foi porque todo o mundo não era mais comunista, não porque a ideologia destruiu a iniciativa individual. Por esta razão, a União Soviética precisou dominar o mundo todo. Para a Rússia moderna, a dominação mundial não é o objetivo. A Rússia quer manter sua identidade russa e não perdê-la para forças estrangeiras.

A história russa é repleta de invasores tentando conquistar a Rússia Napoleão e Hitler são apenas os últimos exemplos. A Rússia sempre prevaleceu. Dirigindo do aeroporto, você pode ver exatamente o quão perto Hitler chegou de Moscou. Você também lembrou que foi aqui que ele foi parado. A Rússia está certa de que repelirá o novo invasor: a OTAN.

Uma guerra com a Rússia não pode ser vencida economicamente. O petróleo russo e uma abundância de recursos naturais ocupa o maior perímetro do mundo. Está crescendo em sua habilidade de substituir bens restritos [sancionados] do Ocidente. Uma guerra à distância usando o exército ucraniano não resolverá o problema.

Ainda há tempo de fazer um acordo. Mais sanções e mais isolamento do Ocidente não são o meio para resolver as diferenças. Os EUA articulando seu músculo militar não resolverá os problemas. A guerra não é a resposta, mas muito frequentemente na história se torna a única solução quando dois lados se recusam a ver o ponto de vista do outro.

via katheon

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Policial russo sacrifica sua vida e salva 300 crianças na estrada, e sobrevive

 No sábado, uma caravana de 9 ônibus voltava de um acampamento de crianças pela cidade de Abakan, capital da República da Khakassia no sul da Sibéria quando um policial - que agora é saudado como um heroi - fez o impensável.

Aleksandr Kosolapov, um oficial de polícia russo, acompanhava o comboio de aproximadamente 300 crianças quando um motorista imprudente vinha do outro lado desviando da sua pista e se dirigindo de encontro com o comboio das crianças. Conforme a Toyota Caldina, que acelerava em alta velocidade, avançava para além da linha divisória das duas pistas, passando à contra-mão na auto-pista Abakan-Ak-Dovurak, o oficial Kosolapov notou que tinha uma decisão a tomar - e tomou-a sem hesitação.

Sem se preocupar com sua própria vida, o homem de 39 anos, a quem estavam confiadas as crianças, desviou seu Ford Focus para ficar entre o primeiro ônibus e o veículo fora de controle. A calculada, porém devastadora, colisão deixou ambos os veículos completamente destruídos e o oficial em estado grave.

"O oficial rapidamente avaliou a situação e arriscou sua própria vida, conseguiu prevenir uma colisão fatal", disse a polícia Khakassiana. "Como resultado da colisão massiva, o carro de patrulha se transformou literalmente em uma pilha de ferro. De acordo com os especialistas, é um milagre o oficial de polícia ainda estar vivo".

O oficial Kosolapov está agora consciente e em condição estável.

Quanto aos cinco passageiros - um dos quais era um menino de 10 anos de idade - que estavam na Toyota; todos sobreviveram e milagrosamente sofreram apenas ferimentos leves.

Nenhuma das crianças que estavam nos ônibus foram feridas.

As autoridades estão agora revisando o incidente e abriram um caso criminal sob artigo de "violação do motorista de leis de trânsito ou operação de veículos que resultam em graves riscos à saúde humana", contra o motorista do carro desgovernado.







via theantimedia

terça-feira, 28 de julho de 2015

Rússia expulsa os alimentos geneticamente modificados


 
Neonnettle: O vice-primeiro ministro russo, Arkady Dvorkovich anunciou que o futuro da agricultura para a Rússia não envolverá GMO (alimentos geneticamente modificados). A Rússia agora tende a focar em melhorar a saúde do solo e em ter a comida mais limpa do mundo.
 
De acordo com WorldTruthTV, a Rússia não importa GMO como fazem os países europeus, nem os faz crescer. Contrariamente aos EUA, a Rússia aprofundou sua preocupação quanto à segurança dos GMO e optou em implementar um moratorium estendido sobre seu uso como parece aos outros, tecnologias mais seguras que não vêm com o risco de nascidos defeituosos, disrupção endócrina e câncer.
 
No recente Fórum Econômico Internacional feito em São Petersburgo, Dvorkovich contou aos ouvintes que a Rússia "optou por um caminho diferente", e que o país "não mais usará tecnologias genéticas em alimentos" que aumentem a produção. O anúncio coincide com as afirmações feitas pelo presidente Vladimir Putin em 2014 sobre a necessidade de proteger os cidadãos russos contra os GMO. 

"Precisamos construir adequadamente nosso trabalho de modo que não esteja contrário às nossas obrigações perante a WTO (Organização Mundial do Comércio, pela sigla em inglês)", afirmou Putin. "Mas mesmo com isto em mente, não obstante temos métodos e instrumentos legítimos para proteger nosso próprio mercado, e sobretudo os cidadãos".

Oficial: GMO causam obesidade e câncer, e não serão tolerados.

Esse é o tipo de coisa que os americanos deveriam demandar dos seus próprios políticos eleitos - uma ênfase sobre proteger as pessoas ao invés dos lucros das corporações - mas, infelizmente, os Estados Unidos olham para os GMO de modo muito diferente. A despeito de todos os riscos envolvidos, os fantoches políticos americanos acreditam que os GMO deveriam continuar a dominar o mercado de alimentos nacional sem que eles próprios sejam etiquetados.

Enquanto isto, a Rússia está rumando para a expulsão dos venenos tóxicos, enfatizando a necessidade de políticas agrárias que tomam uma abordagem precavida às modalidades controversas como biotecnologia que envolvem gens artificiais e pesticidas tóxicos. A vice-presidente da Associação Nacional para Segurança Genética Russa, Irina Ermakova, disse recentemente:

"Foi provado que não apenas na Rússia, mas também em muitos outros países do mundo que os GMO são perigosos. O consumo e o uso de GMO podem levar a tumores, cânceres e obesidade".

O primeiro ministro: Se os americanos querem GMO, tudo bem, mas os russos preferem orgânicos.

O primeiro ministro Dmitri Medvedev também fez algumas chamadas ano passado quando anunciou que a Rússia não mais importaria quaisquer produtos GMO, audaciosamente proclamando que a Rússia tem mais que o bastante de terras e recursos para produzir alimentos orgânicos seguros e limpos, sem qualquer necessidade de alimentos multinacionais e bio-pirateados, além de químicos venenosos.

Ele afirmou, conforme a RT.com, que "se os americanos gostam de comer produtos GMO, deixemos que comam então. Nós não precisamos disto; temos o bastante de espaço e oportunidades para produzir alimentos orgânicos".

Com tudo isso em mente, os "Rússia maligna" da mídia americana se tornou menos convincente. Os estadounidenses serão duramente pressionados a nunca ter um político contra a GMO, como são os líderes russos, e então estes é que são os "bandidos" e os estadounidenses é que são os "mocinhos"?

domingo, 26 de julho de 2015

Ivan Ilyin: Sobre o Diabo


Em seu ensaio de 1947, o filósofo russo Ivan Ilyin (1883-1954) aponta a realidade do diabo na história e em nossos tempos. Comentando, o avanço das formas seculares e materialistas corresponde com um fascínio sempre crescente pelo diabo - juntamente com sua justificação pública. Abaixo, segue um trecho do filósofo.


Na vida da raça humana, o princípio diabólico tem sua própria história. Sobre esta questão existem sérios estudos acadêmicos - não concernentes, no entanto, com as últimas décadas. Agora, essas últimas décadas verteram nova luz sobre os dois últimos séculos. A era do Iluminismo europeu (iniciando com os enciclopedistas franceses do século XVIII) minou no homem a fé no ser de um diabo pessoal. O homem educado não pode acreditar na existência de um ser antropomórfico revoltado "com um rabo, patas e chifres" (de acordo com Zhukovsky), não visto por ninguém, mas ilustrado em baladas e pinturas. Lutero ainda acreditava nele e até jogoou sujeira nele, mas depois os séculos rejeitaram o diabo, e ele gradualmente "desapareceu" e esfumaçeou como um "preconceito ultrapassado".

Mas foi precisamente o momento em que a arte e a filosofia se tornaram interessadas nele. O Iluminismo europeu tinha só um manto do Satã ainda, e ele começou a se vestir com fascínio. Queimou um desejo de encontrar mais sobre o diabo, discernir a "forma verdadeira", adivinhar seus pensamentos e desejos, "transformar-se" nele ou pelo menos caminhar diante dos homens sob a aparência dele...

E assim a arte começou a imaginá-lo e ilustrá-lo , enquanto a filosofia tendia à sua justificação teórica. O diabo, é claro, "não teve êxito", porque a imaginação humana é incapaz de contê-lo, mas na literatura, música e pintura começou uma cultura de demonismo. No início do século XIX a Europa estava fascinada com suas formas anti-divinas; lá aparece o demonismo da dúvida; a negação; o orgulho; a rebelião; a decepção; a amargura; a melancolia; o desdém; o egoísmo e até mesmo o tédio. Os poetas retratam Prometeu, o Filho da Aurora, Caim, Don Juan e Mefistófeles.

Byron; Goethe; Schiller; Chamisso; Hoffmann; Franz Liszt; e mais tarde Stuck, Baudelaire, e outros exibem toda uma galeria de demônios ou homens e disposições demoníacos. Ademais, esses demônios são inteligentes, espirituosos, educados, engenhosos e temperamentais, em uma palavra, charmosos e que evocam simpatia, enquanto homens demoníacos são a incarnação da "angústia do mundo", "protesto nobre", e alguma "consciência revolucionária superior".

Ao mesmo tempo, a doutrina mística, sustentando que há um "princípio negro", ainda mesmo dentro de Deus, é reavivada. Os Românticos Alemães encontram palavras poéticas em favor do "inocente despudor", e o Hegeliano de Esquerda, Marx Stirner, surge abertamente pregando a auto-deificação e o egoísmo demônico. A negação de um diabo pessoal é gradualmente substituída pela justificação do princípio diabólico...

O abismo oculto por trás disso foi visto por Dostoievsky. Ele o identificou, e com seu alarme profético viu os meios para vencer isto em toda sua vida.

Friedrich Nietzsche também alcançou este abismo, foi cativado por ele, e viria a exaltá-lo. Seus últimos trabalhos, A Vontade de Poder, O Anticristo e Ecce Homo contêm direta e aberta propagação do mal... Nietzsche designa a totalidade dos sujeitos religiosos (Deus, a alma, a virtude, o pecado, o outro mundo, a verdade, a vida eterna) como um "punhado de mentiras, nascidos de maus instintos com naturezas doentias e nocivas no sentido mais profundo". "A concepção cristã de Deus" é para ele "uma das concepções corruptas criadas na terra". Aos seus olhos todo o cristianismo é apenas uma "fábula bruta de um salvador embusteiro", e os cristãos, "o partido de ninguéns e idiotas rejeitados".

O que ele exalta são o "cinismo" e o despudor, "o mais que pode ser alcançado na terra". Ele invoca a besta no homem, o "animal superior" que deve ser libertado, seja lá o que virá depois disso. Ele demanda o "homem selvagem", "vicioso" com "pança satisfeita". Tudo "cruel, o inalienavelmente ferino, o criminoso" o arrebata. "Grandiosidade existe apenas onde está um grande crime". "Em cada um de nós a besta bárbara e selvagem se afirma a si mesma". Tudo na vida que cria uma irmandade de homens - ideias de "culpa, punição, justiça, honestidade, liberdade, amor, etc." - "deveria ser completamente removido da existência". "Em direção a", ele exclama, "blasfemos, imoralistas, independentes de todos os tipos, artistas, judeus, jogadores -todas as classes rejeitadas da sociedade!"...

E não há gozo maior para ele do que ver "a destruição do melhor homem e acompanhar como, passo a passo, eles vão à destruição"... "Eu conheço meu destino", ele escreve.

Um dia meu nome será associado com a recordação de algo assustador, uma crise como tal que nunca foi vista sobre a terra, o mais profundo choque de consciência, uma sentença conjurada contra tudo que até então fora acreditado, demandado, santificado. Não sou um homem, eu sou uma dinamite.

De um tal modo a justificação do mal encontra suas últimas formas teóricas diabólicas, e ela permaneceu apenas para esperar seu decreto. Nietzsche encontrou seus leitores, discípulos e admiradores; eles adotaram sua doutrina, combinando-a com a doutrina de Karl Marx, e tomou a execução desse plano 30 anos atrás...

"Demonismo" e "satanismo" não são um e o mesmo. Demonismo é uma questão humana, enquanto satanismo é uma questão de abismo espiritual. O homem demônico é entregue aos seus instintos básicos e pode ainda arrepender-se e converter-se, mas o homem no qual, pelas palavras do Evangelho, "Satã entrou", é possuído por uma força estranha e supra-humana, e ele próprio se torna um diabo em forma humana.
Judas joga fora as pratas, por Platon Vasiliev

Demonismo é um escurecimento espiritual transitório, sua fórmula sendo vida sem Deus; o satanismo é o total e final escurecimento do espírito, sua fórmula é a derrubada de Deus. No homem demônico se rebela um instinto desenfreado e apoiado pela razão fria; o homem satânico age como instrumento de alguém que serve o diabo, capaz de saborear seu serviço repulsivo. O homem demônico gravita em torno de Satã: brincando, se divertindo, sofrendo, entrando em pactos com ele (de acordo com a tradição popular), ele gradualmente se torna o domicílio conveniente do diabo; o homem satânico se perde e se torna o instrumento terrestre de uma vontade diabólica. Aqueles que não viram tais pessoas, ou que não as veem, não as reconhecem, não conhecem o perfeito demônio primordial e não têm um entendimento do elemento verdadeiramente diabólico.

Nossas gerações são estabelecidas diante de manifestações terríveis e misteriosas do seu elemento e até nossos tempos não resolvemos como expressar sua experiência de vida em palavras adequadas. Nós poderíamos descrever este elemento como "fogo negro", ou defini-lo como inveja eterna; ódio inextinguível; banalidade militante; mentiras despudoradas; absoluta impudência e desejo absoluto por poder; o atropelo da liberdade espiritual; a sede de degradação universal; gozo sobre a ruína do melhor homem, e o anti-cristianismo. O homem que sucumbiu a este elemento perde a espiritualidade, o amor, a consciência; dentro dele começa a degeneração e a dissolução. Ele se rende ao vício consciente e à sede de destruição; ele termina em um desafiador sacrilégio e tormento humano.

A simples percepção deste elemento diabólico provoca em uma alma saudável a repulsa e o horror que pode transitar em indisposição corporal genuína, um específico "desmaio" (o espasmo do sistema nervoso simpático, disritmia nervosa e doença psicológica - que também pode levar ao suicídio). Homens satânicos são reconhecidos por seus olhos, por seu sorriso, sua voz, suas palavras e atos. Nós, russos, os enxergamos vivos e em carne viva; nós sabemos quem eles são e de onde vêm. Os estrangeiros até agora não compreenderam este fenômeno e não querem compreendê-lo, pois os leva ao julgamento e à condenação.

E até hoje, certos teólogos reformistas continuam escrevendo sobre a "utilidade do diabo" e simpatizam com sua insurreição moderna.