domingo, 26 de julho de 2015

Ivan Ilyin: Sobre o Diabo


Em seu ensaio de 1947, o filósofo russo Ivan Ilyin (1883-1954) aponta a realidade do diabo na história e em nossos tempos. Comentando, o avanço das formas seculares e materialistas corresponde com um fascínio sempre crescente pelo diabo - juntamente com sua justificação pública. Abaixo, segue um trecho do filósofo.


Na vida da raça humana, o princípio diabólico tem sua própria história. Sobre esta questão existem sérios estudos acadêmicos - não concernentes, no entanto, com as últimas décadas. Agora, essas últimas décadas verteram nova luz sobre os dois últimos séculos. A era do Iluminismo europeu (iniciando com os enciclopedistas franceses do século XVIII) minou no homem a fé no ser de um diabo pessoal. O homem educado não pode acreditar na existência de um ser antropomórfico revoltado "com um rabo, patas e chifres" (de acordo com Zhukovsky), não visto por ninguém, mas ilustrado em baladas e pinturas. Lutero ainda acreditava nele e até jogoou sujeira nele, mas depois os séculos rejeitaram o diabo, e ele gradualmente "desapareceu" e esfumaçeou como um "preconceito ultrapassado".

Mas foi precisamente o momento em que a arte e a filosofia se tornaram interessadas nele. O Iluminismo europeu tinha só um manto do Satã ainda, e ele começou a se vestir com fascínio. Queimou um desejo de encontrar mais sobre o diabo, discernir a "forma verdadeira", adivinhar seus pensamentos e desejos, "transformar-se" nele ou pelo menos caminhar diante dos homens sob a aparência dele...

E assim a arte começou a imaginá-lo e ilustrá-lo , enquanto a filosofia tendia à sua justificação teórica. O diabo, é claro, "não teve êxito", porque a imaginação humana é incapaz de contê-lo, mas na literatura, música e pintura começou uma cultura de demonismo. No início do século XIX a Europa estava fascinada com suas formas anti-divinas; lá aparece o demonismo da dúvida; a negação; o orgulho; a rebelião; a decepção; a amargura; a melancolia; o desdém; o egoísmo e até mesmo o tédio. Os poetas retratam Prometeu, o Filho da Aurora, Caim, Don Juan e Mefistófeles.

Byron; Goethe; Schiller; Chamisso; Hoffmann; Franz Liszt; e mais tarde Stuck, Baudelaire, e outros exibem toda uma galeria de demônios ou homens e disposições demoníacos. Ademais, esses demônios são inteligentes, espirituosos, educados, engenhosos e temperamentais, em uma palavra, charmosos e que evocam simpatia, enquanto homens demoníacos são a incarnação da "angústia do mundo", "protesto nobre", e alguma "consciência revolucionária superior".

Ao mesmo tempo, a doutrina mística, sustentando que há um "princípio negro", ainda mesmo dentro de Deus, é reavivada. Os Românticos Alemães encontram palavras poéticas em favor do "inocente despudor", e o Hegeliano de Esquerda, Marx Stirner, surge abertamente pregando a auto-deificação e o egoísmo demônico. A negação de um diabo pessoal é gradualmente substituída pela justificação do princípio diabólico...

O abismo oculto por trás disso foi visto por Dostoievsky. Ele o identificou, e com seu alarme profético viu os meios para vencer isto em toda sua vida.

Friedrich Nietzsche também alcançou este abismo, foi cativado por ele, e viria a exaltá-lo. Seus últimos trabalhos, A Vontade de Poder, O Anticristo e Ecce Homo contêm direta e aberta propagação do mal... Nietzsche designa a totalidade dos sujeitos religiosos (Deus, a alma, a virtude, o pecado, o outro mundo, a verdade, a vida eterna) como um "punhado de mentiras, nascidos de maus instintos com naturezas doentias e nocivas no sentido mais profundo". "A concepção cristã de Deus" é para ele "uma das concepções corruptas criadas na terra". Aos seus olhos todo o cristianismo é apenas uma "fábula bruta de um salvador embusteiro", e os cristãos, "o partido de ninguéns e idiotas rejeitados".

O que ele exalta são o "cinismo" e o despudor, "o mais que pode ser alcançado na terra". Ele invoca a besta no homem, o "animal superior" que deve ser libertado, seja lá o que virá depois disso. Ele demanda o "homem selvagem", "vicioso" com "pança satisfeita". Tudo "cruel, o inalienavelmente ferino, o criminoso" o arrebata. "Grandiosidade existe apenas onde está um grande crime". "Em cada um de nós a besta bárbara e selvagem se afirma a si mesma". Tudo na vida que cria uma irmandade de homens - ideias de "culpa, punição, justiça, honestidade, liberdade, amor, etc." - "deveria ser completamente removido da existência". "Em direção a", ele exclama, "blasfemos, imoralistas, independentes de todos os tipos, artistas, judeus, jogadores -todas as classes rejeitadas da sociedade!"...

E não há gozo maior para ele do que ver "a destruição do melhor homem e acompanhar como, passo a passo, eles vão à destruição"... "Eu conheço meu destino", ele escreve.

Um dia meu nome será associado com a recordação de algo assustador, uma crise como tal que nunca foi vista sobre a terra, o mais profundo choque de consciência, uma sentença conjurada contra tudo que até então fora acreditado, demandado, santificado. Não sou um homem, eu sou uma dinamite.

De um tal modo a justificação do mal encontra suas últimas formas teóricas diabólicas, e ela permaneceu apenas para esperar seu decreto. Nietzsche encontrou seus leitores, discípulos e admiradores; eles adotaram sua doutrina, combinando-a com a doutrina de Karl Marx, e tomou a execução desse plano 30 anos atrás...

"Demonismo" e "satanismo" não são um e o mesmo. Demonismo é uma questão humana, enquanto satanismo é uma questão de abismo espiritual. O homem demônico é entregue aos seus instintos básicos e pode ainda arrepender-se e converter-se, mas o homem no qual, pelas palavras do Evangelho, "Satã entrou", é possuído por uma força estranha e supra-humana, e ele próprio se torna um diabo em forma humana.
Judas joga fora as pratas, por Platon Vasiliev

Demonismo é um escurecimento espiritual transitório, sua fórmula sendo vida sem Deus; o satanismo é o total e final escurecimento do espírito, sua fórmula é a derrubada de Deus. No homem demônico se rebela um instinto desenfreado e apoiado pela razão fria; o homem satânico age como instrumento de alguém que serve o diabo, capaz de saborear seu serviço repulsivo. O homem demônico gravita em torno de Satã: brincando, se divertindo, sofrendo, entrando em pactos com ele (de acordo com a tradição popular), ele gradualmente se torna o domicílio conveniente do diabo; o homem satânico se perde e se torna o instrumento terrestre de uma vontade diabólica. Aqueles que não viram tais pessoas, ou que não as veem, não as reconhecem, não conhecem o perfeito demônio primordial e não têm um entendimento do elemento verdadeiramente diabólico.

Nossas gerações são estabelecidas diante de manifestações terríveis e misteriosas do seu elemento e até nossos tempos não resolvemos como expressar sua experiência de vida em palavras adequadas. Nós poderíamos descrever este elemento como "fogo negro", ou defini-lo como inveja eterna; ódio inextinguível; banalidade militante; mentiras despudoradas; absoluta impudência e desejo absoluto por poder; o atropelo da liberdade espiritual; a sede de degradação universal; gozo sobre a ruína do melhor homem, e o anti-cristianismo. O homem que sucumbiu a este elemento perde a espiritualidade, o amor, a consciência; dentro dele começa a degeneração e a dissolução. Ele se rende ao vício consciente e à sede de destruição; ele termina em um desafiador sacrilégio e tormento humano.

A simples percepção deste elemento diabólico provoca em uma alma saudável a repulsa e o horror que pode transitar em indisposição corporal genuína, um específico "desmaio" (o espasmo do sistema nervoso simpático, disritmia nervosa e doença psicológica - que também pode levar ao suicídio). Homens satânicos são reconhecidos por seus olhos, por seu sorriso, sua voz, suas palavras e atos. Nós, russos, os enxergamos vivos e em carne viva; nós sabemos quem eles são e de onde vêm. Os estrangeiros até agora não compreenderam este fenômeno e não querem compreendê-lo, pois os leva ao julgamento e à condenação.

E até hoje, certos teólogos reformistas continuam escrevendo sobre a "utilidade do diabo" e simpatizam com sua insurreição moderna.


Os 'Quatro Grandes' Bancos de Wall Street e as 'Oito Famílias'

por Alfredo Jalife-Rahme
 
A mídia russa expurgou e apontou em forma específica os quatro oligopólios financeiristas - os "quatro grandes megabancos" -que "controlam o mundo", como é o caso de uma perturbadora investigação de Russia Today: Black Rock, State Street Corp., FMR (Fidelity), Vanguard Group.


Resulta também que a "privatização da água" é realizada pelos mesmos "megabancos" de Wall Street, em uníssono do Banco Mundial, que beneficia em seu conjunto o nepotismo dinástico dos "Bush" que buscam controlar o Aquífero Guarani na América do Sul, um dos maiores de "água doce" do planeta.

Já desde 2012 o anterior legislador texano Ron Paul - pai do candidato presidencial Rand; um dos criadores do apóstata "Partido do Chá (Tea Party)", mas um dos melhores fiscalistas dos EUA - tinha salientado que "os Rotschild possuem ações das principais 500 transnacionais da revista Fortune" que são controladas pelos "quatro grandes (The Big Four)": Black Rock, State Street, FMR (Fidelity) e Vanguard Group.

Agora, Lisa Karpova, de Pravda.ru, entra no labirinto das finanças globais e comenta que se trata de "seis, oito ou talvez 12 famílias que realmente dominam o mundo, sabendo que é um mistério (supersic!) difícil de decifrar".

Como pode existir no século XXI ultratecnificado e transparentemente democrático, como pregam seus turiferários também e tão bem controlados, tanta opacidade para conhecer quem são os plutocratas megabanqueiros oligopólios/oligarcas que controlam as finanças do planeta?

Karpova salienta que as oito (supersic!) reduzidas "famílias", que foram amplamente citadas na literatura, não se encontram longe da realidade: Goldman Sachs, Rockefeller, Loeb Kuhn e Lehman (em Nova Iorque), os Rothschild (de Paris/Londres), os Warburg (de Hamburgo), os Lazard (de Paris), e Israel Moses Seifs (de Roma). Haja lista polêmica onde, a meu ver, nem são todos os que estão, nem estão todos os que são!

Karpova empreendeu o "inventário dos maiores bancos do mundo" e percebeu-se da identidade de seus principais acionistas, assim como de quem "toma as decisões". Alguém poderá criticar, não sem razão, que o inventário de Karpova não alcança a sofisticação de Andy Coghlan e Debora MacKenzie, da revista New Scientist, que develam a plutocracia bancária e suas redes financeiristas - o um por centro que governo o mundo -, baseados em uma investigação de três teóricos dos "sistemas complexos", mas que no final das contas coincide de forma surpreendente, apesar de sua simplicidade interrogatória.

Karpova descobriu que os sete megabancos de Wall Street controladores das principais transnacionais globais são: Bank of America, JP Morgan, Citigroup/Banamex, Wells Fargo, Goldman Sachs, Bank of New York Mellon e Morgan Stanley. Karpova descobre que os megabancos de outrora são controlados por sua vez pelo "núcleo" de "quatro grandes" (The Big Four)": Black Rock, State Street Corp., FMR (Fidelity) e Vanguard Group.

Estes são os achados dos controladores de cada um dos sete megabancos: 1) Bank of America: State Street Corp., Vanguard Group, Black Rock, FMR (Fidelity), Paulson, JP Morgan, T. Rowe, Capital World Investors, AXA, Bank of NY Mellon; 2) JP Morgan State Corp., Vanguard Group, FMR (Fidelity), Black Rock , T. Rowe, AXA, Capital World Investor, Capital Research Global Investor, Northern Trust Corp., e Bank of Mellon; 3) Citigroup/Banamex: State Street Corp., Vanguard Group, Black Rock, Paulson, FMR (Fidelity), Capital World Investor, JP Morgan, Northern Trust Corporation, Fairhome Capital Mgmt e Bank of NY Mellon; 4) Wells Fargo: Berkshire Hathaway, FMR (Fidelity), State Street, Vanguard Group, Capital World Investors, Black Rock, Wellington Mgmt, AXA, T. Rowe e Davis Selected Advisers; 5) Goldman Sachs: os quatro grandes, Wellington, Capital World Investors, AXA, Massachusetts Financial Service e T. Rowe; 6) Morgan Stanley: os quatro grandes, Mitsubishi UFJ, Franklin Resources, AXA, T. Rowe, Bank of NY Mellon e Jennison Associates, e 7) Bank of NY Mellon: Davis Selected, Massachusetts Financial Services, Capital Research Global Investor, Dodge, Cox, Southeatern Asset Mgmt. e os cuatro grandes.

Os "quatro grandes" que dominam os sete megabancos e gozam de sobreposição e interações apenas destróem quem controlam State Street e Black Rock. 

A) State Street: Massachusetts Financial Services, Capital Research Global Investor, Barrow Hanley, GE, Putnam Investment e … os quatro grandes (eles mesmos são acionistas!), e B) Black Rock: PNC, Barclays e CIC.

Dá o exemplo de sobreposições/interações , como PNC, que é controlado por três dos "quatro grandes": Black Rock, State Street e FMR (Fidelity).

Em seu livro Guerra de Câmbios, o autor chinês Song Hongbing no momento catalogava os Rothschild como a família mais rica do planeta, com um descomunal capitão de 5 bilhões de dólares.

Se os Rothschild fossem um país, teriam então o quinto (supersic!) lugar do Ranking global, atrás do PIB de 7,3 bilhões de dólares da Índia (quarto lugar) e maior que Japão de 4,8 bilhões de dólares (quinto) e antes que a Alemanha (sexto), Rússia (sétimo), Brasil (oitavo) e França (nono).

Já havia citado um artigo do mesmo The Economist - também propriedade, como The Financial Times, do grupo Pearson -: todos controlados pela matriz Black Rock, um dos "quatro grandes" - em que se demonstrava as transnacionais que Black Rock controla: principal acionista de Apple, Exxon Mobil, Microsoft, GE, Chevron, JP Morgan, P&G, Nestlé, sem contar os 9 por cento de ações da Televisa.

Segundo Karpova, "os quatro grandes" controlam além disso as maiores transnacionais anglosaxões: Alcoa; Altria; AIG; AT&T; Boeing; Caterpillar; Coca-Cola; DuPont; GM; G-P; Home Depot; Honeywell; Intel; IBVM; Johnson&Johnson; McDonald's; Merck; 3M; Pfizer; United Technologies; Verizon; Wal-Mart; Time Warner; Walt Disney; Viacom; Rupert Murdoch' News; CBS; NBC Universal. Os donos do mundo!

Como se o anterior fosse pouco, Karpova comenta que a "Reserva Federal (a FED) compreende 12 bancos, representados por um conselho de sete pessoas e representantes dos quatro grandes".

No fim do dia a FED está controlada pelos "quatro grandes" privados: Black Rock, State Street, FMR (Fidelity) e Vanguard Group.

A meu ver, é muito provável que existam imprecisões que seriam produto da própria opacidade dos megabanqueiros.

Na fase da "guerra geofinanceira", o que conta é a percepção dos analistas financeiros da China e da Rússia que acusam a existência de "quatro grandes" e oito famílias, entre as quais se destacam os banqueiros escravistas Rothschild: controladores em seu conjunto de outro tanto de megabancos e da FED.

Os donos do universo!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Gogol e a Monarquia Sacra


"O governo de muitos não é bom. Que seja um só governador,
Um rei."
- Ilíada, livro II, 203-204
Família do Tsar Nicolau II, assassinada durante a Revolução Russa
 É possível que há um nível além de unidade nacional, uma avenida para a qual é aberta pela Santa Ortodoxia. Conforme Konstantin Malofeev, fundador de Tsargrad TV e presidente da Fundação Beneficente São Basílio, notou em uma entrevista recente que "hoje, 5% da população vai à igreja aos domingos. Quando isto será 30% ou até mesmo 50%, então a questão da monarquia surgirá por si."

É natural supor, todas as coisas sendo iguais, que as pessoas não aprenderão menos e não deixarão de saber - podemos confidencialmente conceder que a presença aos Serviços Divinos se intensificará. O dia em que a pergunta será feita chegará.

A monarquia não é apenas um sistema político entre outros, de acordo com a Igreja. É a ordem natural e supernatural das coisas. Como disse São João de Kronstadt:

O inferno é uma democracia, o Céu é um Reino. (Демократия – в аду, а на Небе – Царство)

A monarquia é a única forma de governo elaborada nas Sagradas Escrituras. A Igreja até o século passado não conhecia outra forma. Começando com a conversão de São Constantino através do Império Bizantino; em pé até a conversão do Grão Príncipe Vladimir; e finalmente terminando no Império Russo da Dinastia Romanov.

No que ela consiste?

A monarquia ortodoxa é aquela forma de um só governador soberano, ungido de Deus pela Santa Igreja, que vota para servir seus súditos; providenciar seu bem; agir no interesse da nação; defendê-los e proteger a igreja; manter a pureza da Fé Ortodoxa; e assegurar a segurança e qualidade de vida de todo seu povo, independente da religião ou confissão.

Seus súditos se voltam com lealdade ao soberano.

Soberano e súdito são igualmente responsáveis perante a Lei de Deus, preservada e interpretada pelos Concílios Ecumênicos e santos padres.

Todos são responsáveis perante o código de lei do país.

***

Mesmo com sua imaginação infinita, Gogol não poderia ter imaginado uma Rússia sem um Tsar. No Diário de um Louco, são as novidades da vacância do trono espanhol que despedaçam a já rachada sanidade de Aksenty Ivanovich.

...Há coisas estranhas pelos lados da Espanha... eles escrevem que o trono está vazio e que a nobreza está com dificuldade em eleger uma herdeiro, que está levando ao tumulto. Isto me fere de um modo extremamente estranho. Como pode um trono estar vazio? Eles dizem que alguma dona pode subir ao trono. Nenhuma dona pode subir ao trono. É simplesmente impossível. Só pode haver um rei no trono. Assim, eles dizem que não há rei. Nenhum Estado pode existir sem um rei. Há um rei, mas ninguém sabe quem ele é...

Tal dificuldade leva a esta declaração:

43º dia de abril no ano de 2000
Hoje celebramos um ilustríssimo evento! A Espanha tem um rei. Ele foi encontrado. Eu sou este rei.

Não foi por conta da ausência de visão que Gogol não pôde ver uma Rússia sem um Tsar. Ele estava consciente da alternativa. Ele sabia bem das ideias do Iluminismo. Uma das cartas mais interessantes em sua correspondência publicada se refere inteiramente ao tema do Iluminismo. Ele viveu depois que a ideia foi apropriada e aplicada (com violência) na França e (pela guerra civil) nos Estados Unidos da América. Ele sabia o que eram a liberal democracia e o republicanismo democrático.

Gogol não via o Iluminismo como algo contra a Santa Ortodoxia, contra a monarquia ou em qualquer sentido negativo do tipo. Ele se refere brilhantemente às medidas gerais de Pedro o Grande e apontou a falha do Império Russo para atingir todo o povo - ele não se poupou.

Quem quer que vê esses espaços desabitados e vazios desamparados pelas vilas ou casas não se sente deprimido, quem quer que nos lúgubres sons das nossas músicas não ouve a repreensão dorida em si mesmo - de fato, em si mesmo - ou preencheu seu dever como deveria, ou não é um Russo na alma. Quase 150 anos decorreram desde que nosso soberano Pedro I clareou nossos olhos pelo purgatório do iluminismo europeu; ele pôs nas nossas mãos os meios e instrumentos da ação...

Gogol, no entanto, realmente encontra uma falta. Mas do melhor jeito. É o tipo mais feio de preguiça intelectual para criticar, morder, rasgar, desmantelar e oferecer alternativa nenhuma. Reciprocamente é o melhor tipo de compromisso o oferecer novas ideias e perspectivas, criar novas possibilidades - para construir, não quebrar, fazer pontes e não queimá-las.

Gogol cruzando o Dnepr, por Anton Ivanov
O pensamento de Gogol era de que a preocupação francesa com o cristianismo cismático e sectário ocidental não deveria ser levada para o Império Russo. Mesmo Pedro e Catarina (os Grandes) parecem ter instintivamente percebido isto, embora eles ainda, tristes, capturam o conteúdo contagioso para o monasticismo através do contato com os polemistas ocidentais.

Gogol pensava que a Igreja era o veículo do autêntico Iluminismo, não um impedimento (Pedro e Catarina) ou seu inimigo (Voltaire).

A inteira e total visão de vida permaneceu na Igreja Ortodoxa, manifestamente mantida em reserva para mais tarde e para uma educação mais completa do homem. Ela tem o espaço não apenas para a alma e coração do homem,, mas também para sua razão, em todos os poderes supremos; neça está o caminho e a estrada pela qual tudo no homem se tornará um hino harmonioso do Ser Supremo...
... Iluminar não significa ensinar ou edificar, ou educar, ou até mesmo iluminar, mas iluminar um homem através de todas suas faculdades e não apenas se sua inteligência, tomar toda sua natureza através de um fogo purificador. Essa palavra é emprestada da nossa Igreja, que pronunciou por quase mil anos, apesar de toda a escuridão e melancolia ignorante que rodeia por todo lado, e sabe o porquê pronuncia. Não é por nada que o bispo, em celebração do serviço, elevando com uma mão o candelabro de três braços, que significa a Santa Trindade, e com a outra o candelabro de dois braços, que significa a descida à terra do Verbo em sua dupla natureza, Divina e humana, através desses [gestos] clarifica tudo, pronunciando 'Que a Luz de Cristo ilumine tudo!' Não é por nada também que num outro momento do serviço soam trovoando, como se fossem dos Céus, as palavras: 'Senhor da iluminação!' e nada mais é acrescentado.

Os arquitetos originais do ideal e seus expoentes durante o Iluminismo francês, apesar de seu anticlericalismo, foram eles mesmos monarquistas - Voltair incluso. Estes pensadores foram mais bem-vindos em São Petersburgo do que em Paris. Muitos, de novo entre eles Voltair, mantiveram correspondência com Catarina a Grande, confidenciando grandes esperanças na Rússia.

Os verdadeiros ideais do Iiluminismo, no início, eram
1. Governo de reis
2. Tolerância religiosa (não laicismo oficial do Estado)
3. Gosto elegante na arte e na literatura

A monarquia ortodoxa fecha mais com o critério do governo de reis do que a liberal democracia.

Quanto à tolerância religiosa - um Estado laico não é tolerância de religião. É, antes disso, a forma mais alta de intolerância, desde que não dá lugar nem concede participação no governo da religião da maioria - enquanto este sistema de governo reclama ser representativo do povo.

Uma exclusão geral a priori é uma ruidosa intolerância a todas as religiões, quer seja o aspecto mais vital da vida e dos trabalhos de uma nação: o governo. Não há tolerância religiosa quando a única menção à religião garantida na Constituição ou código de lei é uma nota que não tem espaço nos assuntos estatais.

Em contraste com isso, a monarquia ortodoxa faz da religião do povo o fator determinante do Estado do mesmo modo que define a maioria dos cidadãos como indivíduos. E enquanto o Império, o Tsar e a Família Real devem ser ortodoxos, por definição, a liberdade de religião é garantida para as minorias heterodoxas e até mesmo encorajadas em frases que lembram o primeiro Edito de Milão de Tolerância de 313 do Imperador Ortodoxo.

Lemos no capítulo VII, 67, das Leis Fundamentais Imperiais Russas de 1906:

A liberdade de religião é concedida não apenas para cristãos de seitas estrangeiras, mas também judeus, islâmicos e pagãos; assim, todos os povos que vivem na Rússia podem glorificar o Deus Todo Poderoso em várias línguas de acordo com as leis e confissões de seus ancestrais, abençoando o reino dos Monarcas Russos e suplicando ao Criador do universo para aumentar o bem-estar da nação e fortalecer o poder do Império.

Sobre o gosto elegante na arte e na literatura. Parece-me, um confirmado classicista, que é óbvio que o gosto e a literatura desapareceram junto com a Realeza do mundo moderno, desde que a monarquia melhor preenche a condição de governo dos reis em comparação com a liberal democracia. A melhor prova - ninguém se importa.

Ninguém hoje sentiria qualquer desejo para ter gosto, deixar de lado o gosto elegante, na arte e na literatura.

A maioria na verdade preza sobretudo o mau gosto. Elegância e (bom) gosto são tão ultrapassados! A mente hesita, os olhos rolam, o peito arfa, o coração suspira. Triste, mas assim é.

Por outro lado, a Santa Ortodoxia é a Mãe do que chamamos elegância e (bom) gosto e arte e literatura. Nossos templos e as altaneiras catedrais, abóbadas douradas e brilhantes cruzes, nossos iluminados ícones, nossos grandes compositores e incomparáveis escritores juntos com seus temas, assuntos e inspiração. Tudo isso vem da Santa Ortodoxia. Tudo isso foi patrocinado e apoiado pelos nossos Tsares.

***

Para um leitor moderno, uma pequena nota sobre a viabilidade da monarquia está em ordem.

Sua reação reflexiva não é algo como "Monarquia! Sério?" Esse é o auspicioso dia do roubo de identidade e armamentos nucleares. Estamos um pouco além da Realeza hoje.

Vamos consultar a Enciclopédia: "Preconceito é opinião sem juízo".

Você aprende algo todo dia, eles dizem. Hoje você aprendeu que a reação irracional é um preconceito. Que preconceito particular é apoiada em muitas asserções não-verdadeiras amplamente em circulação sobre monarquia. Que monarquia é inflexível, invariavelmente produz tiranos e que foi universalmente eliminada por oposição populista desde que as sociedades se tornaram suficientemente auto-conscientes.

Tsar Nicolau II num hospital com seus homens durante a Grande Guerra, por Pavel Rizhenko
A monarquia é inflexível? Não. As monarquias modernas provaram serem realistas e adaptáveis no início do século. Quase todas as monarquias modernas trabalharam em códigos legislativos e com corpos representativos, instituições civis, comitês consultivos, etc. A autocracia popular, invertida, emergirá no século XX na forma das ditaduras democraticamente eleitas depois que as coroas caíram ao chão.

Quanto à tirania, regimes e ditaduras muito mais brutais e opressivas surgiram no mundo moderno sob os auspícios e em nome da democracia, muito mais brutais e opressivas do que qualquer outra monarquia feita na história.

Finalmente, a maioria das monarquias caíram principalmente como consequência das Guerras Mundiais e foram forçosamente prevenidas de serem restauradas por poderes estrangeiros - mais conspicuamente o ferozmente anti-monarquista Estados Unidos da América. A presença de Woodrow Wilson em Versalhes é o início de um longo hábito dos EUA de interferir muito além da sua esfera legítima de interesses nacionais.

O Kaiser e o Sultão desaparecem depois da Primeira Guerra Mundial; o primeiro foi completamente proibido de ser restaurado, enquanto o segundo não foi de interesse britânico ou francês.

Os monarcas europeus orientais todos caíram sob a sombra soviética no pós-guerra - seu destino decidido por dois poderes anti-monárquicos vitoriosos: a URSS e os EUA.

De todas as monarquias modernas que terminaram na memória recente, três foram a consequência da oposição populista e só uma delas envolveu um referendo democrático (Itália, em que 59% votou pela república).

***

A restauração da monarquia ortodoxa dificilmente precisa de minha defesa. Prejuízos e estroinices à fora, é óbvio que uma monarquia poderia governar um país com sucesso, defender seus interesses e facilitar os direitos legais de seus cidadãos tanto quanto uma liberal democracia ou república democrática.

E se é a vontade de que o povo do país, como será em tempos na Federação Russa, então o verdadeiramente representativo governo poderia ser uma monarquia.

Ver parte I (Gogol e o Mundo Russo)
via souloftheeast

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Papa impulsiona a uma rebelião contra o capitalismo

O Papa Francisco está fomentando a desobediência social, levando a uma rebelião das massas contra os superricos capitalistas, assegura o jornalista Paul Farrel.

Em seu artigo MarketWatch o colunista analisa o discurso do Sumo Pontífice na Bolívia em 9 de julho passado.

"A recente viagem de Francisco a América do Sul revelou uma óbvia mensagem socialista e anticapitalista que insta a uma mudança estrutural da economia global que atenta contra o projeto de Jesus", escreve Farrel. Tal conclusão do jornalista se baseia nos argumentos do papa apresentados em continuação.

Terra, teto e trabalho são direitos sagrados

 Todas as pessoas têm direito outorgado por Deus a um trabalho, à posse de terra e a uma renda, segundo a provavelmente mais audaz declaração do papa Francisco.

Não são promessas nem objetivos dos sistemas econômicos atuais dos EUA e outras partes do mundo.

Tampouco estão dentro do ensinamento tradicional da Igreja Católica, que ainda advoga por um trabalho digno, não o declara um direito outorgado por Deus, salienta o jornalista.

O povo, e não a vantagem, deve ser o foco da economia global

Marcando o capitalismo não controlado de "ditadura sutil" e "esterco do Diabo" (como salientou Giovani Papini), Francisco sustenta que quando governa "a ambição desenfreada do dinheiro" o "serviço para o bem comum fica de fora". "Digamos NÃO! a uma economia de exclusão e desigualdade onde o dinheiro reina ao invés de servir. Essa economia mata. Essa economia exclui. Essa economia destroi a Mãe Terra!", insta o papa Francisco.

Bilhões já não podem mais esperar as mudanças

Referindo-se à injustiças econômicas o papa disse que "o tempo parece que está chegando ao fim". O papa mobiliza o povo: "dizemos sem medo: queremos mudança, mudança real, mudança de estrutura!"

A Mudança começa por baixo

O papa salienta que as mudanças estruturais não chegam "porque estão presas a tal e tal opção política". As mudanças de baixo funcionam, disse, porque viver "cada dia encharcado no nó da tormenta humana" comove e move.

Obrigação moral, um mandamento

"A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, a carga é ainda maior: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e aos povos o que lhes pertence", recorda Francisco.

Povo e tradição

No entanto, já em visita à Bolívia, no início do mês de julho passado, o papa já discursava em favor do poder do povo, e afirmou que "a lógica do consumismo busca transformar tudo em objeto de troca, em objetos de consumo, tudo negociável. Uma lógica que pretende deixar espaço para poucos, descartando todos aqueles que não produzem, que não se considera aptos ou dignos porque, aparentemente, não geram resultados".

Também  falou sobre a tradição religiosa e reiterou que a riqueza de uma sociedade se mede através dos idosos que transmitem sabedoria e memória de seu povo aos mais jovens e não deixou de falar do papel das mães na sociedade.

sábado, 18 de julho de 2015

Gogol e o Mundo Russo


Nikolai Gogol não é um escritor muito bem conhecido no Ocidente. A imagem dele se adquire em fontes em inglês - Wikipedia e introduções à traduções de sua ficção - é um escritor talentoso, mas não realizado. Um nacionalista cripto-ucraniano apesar de nunca escrever em Ucraniano, mesmo quando escrevia em casa para sua mãe. Um religioso fanático até o fim de sua vida e finalmente, ridiculamente, talvez um homossexual. Sua ficção é pouco apreciada, desesperadamente mal interpretada e superficialmente analisada, e seu pensamento fora disso é quase desconhecido.

Mas Gogol teve muito a dizer. Sobre Deus, sobre a Santa Igreja, Rússia, Europa, iluminismo, futuro. Estes temas o dominam e preocupam inclusive em sua ficção.

Sem tentar um estudo exaustivo de seu pensamento com constante referência ao seus escritos sobre todos os temas enumerados, eu gostaria de comentar sobre ele, desenvolver seu pensamento no contexto dos nossos dias que temos diante de nós, e fazer precisamente porque seus insights são tão vivamente relevantes agora.

Gogol viveu com seus olhos no futuro esperando pelo melhor. Não, como muitos frequentemente, com eles fixados sobre o que é comumente apenas uma caricatura auto-maquinada do passado e realçar o pior. Muito do que ele disse é assim. Muito do que ele antecipou aconteceu. E nós podemos investigar em que ele esperou de melhor.

O que eu escreverei parecerá ingênuo. Sejamos ingênuos. Se fôssemos um pouco mais seriamos todos muito mais felizes.

***

Русь! Русь!
. . .Что пророчит сей необъятный простор?
 Здесь ли, в тебе ли не родиться беспредельной мысли,
когда ты сама без конца?
[Russ! Russ!
... O que a vasta extensão prevê para ti?
Por acaso ela não nasce dos pensamentos infinitos,
já que tu mesma é infinita?]

Você fez seu voo nos bons tempos e a taça de champanha que brilhou no salão incandesce dentro de você enquanto você se acomoda. Lembra como soou quando foi derramada? Você pôs sua bolsa em cima, caminhou para seu assento na janela e se afundou na almofada. Desliga seu telefone. Por acaso a aeromoça não é bonita? É sim.

Quando chega em Moscou no Aeroporto Internacional de Sheremetievo há duas capelas para escolher na qual rezar. Depois que você fez o sinal da cruz pela última vez e beijou as portas na saída - você pode querer pegar o trem. E então quando você o pega você pode ligar o rádio e ouvir a vida dos santos e a história da Santa Russ.
Processão em São Petersburgo

Quando chega ao apartamento do seu amigo ou faz o check-in no hotel, você pode querer ligar a televisão por apenas uma hora, ou mais, antes de tomar banho. E você encontrará documentários que exploram frequente e excelentemente os assuntos ortodoxos. Uma novela em torno de um ícone. Um seriado de televisão sobre a Guarda Branca.

Mas não se acomode tanto. Você não pôde dispor que o hotel e seu amigo pudessem assistir 1612, um filme esplêndido sobre a derrota dos invasores poloneses vindos de fora da Moscou Ortodoxa.

A Rússia é hoje um país ortodoxo. A Federação Russa é o maior pode ortodoxo no mundo hoje.

Aproximadamente 7 a cada 10 russos são ortodoxos. De acordo tanto com o Centro Levada como com o Patriarcado de Moscou, o número aumenta.

Ícones retornaram, templos e mosteiros são restaurados, novas igrejas são construídas - em um ritmo de quase 1 por dia.

A educação religiosa está aumentando, e o comparecimento no Domingo está melhor a cada ano.

E isto é apenas o começo. Quais são as possibilidades?

Eu não pergunto o que podemos esperar, já que expectativas aqui estão fora de lugar. A convicção religiosa considera a livre consciência dos indivíduos. 50 anos antes da Revolução de Outubro ninguém poderia esperar o erguimento do comunismo soviético. E ninguém que viu a Revolução pôde esperar o milésimo Aniversário de Batismo da Russ. Possibilidades, na Rússia, são o que podemos pensar de melhor. A troika de Gogol, escancarando bocas em espanto na medida em que toma um caminho, apesar de tudo, pode prever. Mas as possibilidades, pelo menos, como eu disse, podem ser consideradas. Eu gostaria de focar em uma.

Suponha, conceda, imagine que a Santa Ortodoxia continue rapidamente satisfazendo as mentes, os corações e as almas de cada vez mais pessoas russas nas próximas décadas. Quais são as possíveis consequências e implicações geopolíticas disso? Eu tenho três que penso serem dignas de análise.

1. Unidade, cooperação e mente comum da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, pelo menos em nível público e não no político (no caso de Kiev: quase certo que não neste último caso). Ou seja, o mundo russo (Русский мир).

2. Monarquia ortodoxa como uma viva possibilidade, pelo menos na Federação Russa.

3. Monarquia ortodoxa como modelo de governo, e ainda mesmo se não ressurgir a monarquia ortodoxa, um competidor em alguns lugares: uma alternativa à democracia liberal do Ocidente. Nestas instâncias onde um tal modelo de governo pode ser alternativa viável, este será o mundo ortodoxo (Православный мир).

Estou perfeitamente consciente e igualmente confortável de que todas as três possibilidades acima não serão consideradas boas por muitos leitores. Muitos descartam a primeira como sendo uma corrente tão fraca que não será capaz de aguentar o fardo de quaisquer esperanças. A segunda até mesmo Vladimir Vladimirovich publicamente descartou como impraticável. A terceira é material de imaginação da Rússia contemporânea, da postura do Estado e do orgulho histórico.

Mas depois da reação reflexiva, que eu generosamente permiti a você, pensemos um pouco sobre se haverá ou não algo do tipo.

Eu não quis tratar as três sistematicamente ou ainda necessariamente em ordem. Apenas tudo que eu disse circulará em torno de um ou outro de todos os três pontos.

***

É sobre o primeiro ponto que Gogol tem algo a nos dizer.

Gogol viveu em um Império Russo em que a Grande Rússia, a Pequena Rússia e a Rússia Branca estiveram unidas pela fé, pela esperança e pelo amor. Depois do colapso da URSS surgiram os nacionalismos e países surgiram - Federação Russa, Ucrânia e Bielorrússia. Mas nenhum amontoado de votos pode alterar a história. Ainda há uma cultura e uma memória comum. O termo cunhado para isto é o Mundo Russo.
Maly Kitezh, por Ilya Glazunov

A Russ que se tornou Império Russo tem seu início na conversão do Grande Príncipe Vladimir cuja capital foi Kiev, mãe de todas as cidades russas cuja fé cristã ortodoxa foi herdada de Bizâncio.

Nossos ancestrais fora batizados na água viva de Dnieper - a Dnieper que flui através da Ucrânia, da Rússia e da Bielorrússia. É isto que une a maioria dos russos, ucranianos e bielorrussos, e que pode unir todos nós de um modo que nem mesmo o nacionalismo estatal pode (nota: o nacionalismo estatal é um nacionalismo baseado na fidelidade ao Estado muito antes do que à etnia).

Há uma Russ histórica que é a fonte compartilhada e história comum de todos os três países contemporâneos - e há uma Igreja Ortodoxa Russa da qual a maioria em todos os três países são filhos e filhas.

Quem não notou que as fronteiras e a pronúncia importa menos para os dois povos ortodoxos? Em minha experiência, como Gogol foi um descendente de ucranianos, encontrei pessoas da Rússia que não enxergam diferença alguma entre mim e eles, mesmo com meu sobrenome rústico derivado de algum grão. (nota: o próprio nome Gogol é estranho o suficiente).

Então encontrei pessoas que têm um respeito "legal demais" por Deus, o epítome de russos que têm certeza de que eu sei que minha família não vem da Federação Russa, e que gracejam a minhas custas sobre a suposição de que as bocas ucranianas estão cheias apenas de linguagem chula, vodka ou varenniki. Nós os vemos como se fossem um centímetro maior que um bonobo em nosso desenvolvimento mental.

A mais sincera e séria está na Fé Ortodoxa, quanto mais eles conhecerão sobre a história da Santa Russ. Mais familiar com a vida dos santos e histórias de monastérios, locais de catedrais e templos. Espalhadas por todos os três países, mais inclinados ficamos a visitá-los. Quanto mais contato, mais unidos e menos pessoas estrangeiras serão uns aos outros.

A Santa Ortodoxia é o único poder unificador deixado por um momento antes que fôssemos "outros" uns para os outros. Tomados em conjunto com o fato de que o ensinamento da Igreja é inteiramente amor, bondade, não julgamento, harmonia de espírito, pureza de alma e balanço da mente. Supondo que por isto é que russos, ucranianos e bielorrussos estarão trabalhando ao alcançar e tentar seu melhor na prática. Ou até mesmo com estas coisas incansavelmente mantidas diante deles na vida e na devoção à Igreja. Paz, estabilidade e cooperação seriam consequências bem-vindas.

A Santa Ortodoxia é supra-racional. Os políticos e oligarcas não podem se opor ao inevitável. Unidade. E se o governo nesses países é representativo, a política virá para refletir isto.

A unidade do Mundo Russo hoje se estende a uma Fé compartilhada, a um calendário, uma cultura e uma história em comum. É possível que haja um nível ainda superior de unidade, um caminho aberto pela Santa Ortodoxia com destino à esta unidade?

Via souloftheeast

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crises: as explanações convencionais e a marxista

 por Valentin Katasonov

Não muitas pessoas corretamente desvendam sinais enviados de cima chamados "crises". Essas crises econômicas pelos dois últimos séculos já surpreendente e periodicamente têm atormentado a humanidade. Algumas pessoas consideram-nas como uma variedade dos desastres naturais como secas e tsunamis. Ao mesmo tempo, as pessoas frequentemente se negam a ver as razões humanas por trás das crises - razões condicionadas, acima de tudo, pela mudança de consciência do homem, e então por suas ações e por seu comportamento.

A doutrina de William Jevons, economista inglês, estatístico e filósofo (1836-1882), é considerada um exemplo de uma abordagem natural e física à explanação das crises periódicas. De acordo com sua opinião, o fator do desenvolvimento cíclico é um processo conectado ao movimento de manchas sobre o sol (que, por sua vez, influencia a condição da agricultura, e assim o cientistas arranjou uma corrente de causas e efeitos que explicam as mudanças de todos os aspectos da vida em sociedade).

Aliás, Alexander Chizhevsky (1897-1964), nosso cientista doméstico, é muito mais conhecido na Rússia como um dos representantes dessa abordagem. Ademais, ele não foi um economista, mas um bio-físico. De acordo com Chizhevsky, a atividade solar tem uma amplitude definida de oscilações que se encontram nos 11 anos de amplitude de oscilações da indústria.

A abordagem subjetiva-psicológica não é menos popular durante os dois últimos séculos. O ponto é que o fator de todas as mudanças na economia são as mudanças no humor do homem (otimismo, desânimo, desapontamento, pânico, etc.).

Por exemplo, Arthur Pigu (1877-1959), economista inglês, acreditou que a crise foi causada por acumulação de "erros de otimismo". Pigu explicou essas ideias em 1929 em seu trabalho Flutuações Industriais.

John Keynes (1883-1946), um conhecido economista inglês, também viu uma repetição do desenvolvimento da economia nas mudanças dos humores psicológicos das pessoas e usou tais conceitos que pouco tem que ver com as ideias exatas da ciência, como "inclinação para salvamentos", "inclinação para investimentos", etc. "O Psicologismo" de Keynes é revisado em sua obra-prima Teoria Geral da Apreensão, do Interesse e do Dinheiro.

As razões da ordem demográfica são frequentemente tomadas como razões da crise de superprodução. A lógica do raciocínio dos "deterministas demográficos" é assim: a produção de bens (serviço) cresce até a saturação da demanda no mercado dos tais bens (serviço). A capacitação do mercado, de acordo com eles, é especificada, antes de tudo, pela população do país. No entanto, as dadas razões não explicam coisa alguma. Primeiro, porque pode ajudar a explicar apenas a interrupção do crescimento de produção, mas não sua queda e progresso cíclico. Em segundo lugar, porque não está nada claro o porquê precisamos de crescimento permanente da economia se todas as necessidades da sociedade por bens e serviços é satisfeita. Basicamente, a produção deveria crescer na economia com a demanda saturada, mas deveria encontrar crescimento demográfico e nada mais.

A análise de tendências do crescimento econômico e dos processos demográficos demonstra que os ritmos do incremento de renda bruta para o século XX como um todo sobre o mundo são orientados por uma lei além e maior do que o nível de aumento populacional. Isso prova apenas que a dinâmica econômica (ao menos na economia moderna) não é determinada pela demografia. Um tal rápido desenvolvimento da economia no século XX difere de uma sociedade medieval, onde a demografia e a economia tiveram trajetórias muito similares.

Provavelmente, é possível e necessário estudar as ligações entre a dinâmica da economia e as tendências demográficas, mas você deve entender que a) a dinâmica econômica e das tendências demográficas podem ter ainda direções distintas (por exemplo, a recessão econômica pode ocorrer em condições de rápido crescimento da população); b) na ligação "economia-demografia" o ciclo de negócios é primário, e os processos demográficos são secundários, a dinâmica da economia é derivativa (mas não o contrário). Particularmente, a recessão da economia causa processos demográficos desfavoráveis; a expansão da economia melhora os processos demográficos.

Em uma palavra, explicando o ciclo da economia pelas mudanças na demografia, os "deterministas demográficos" confundem causa e efeito.

Um grande grupo de economistas consideram as crises um inadvertido "pagamento" pela engenharia e pelo progresso econômico da humanidade. A ciclicidade é posta no desenvolvimento da ciência, da engenharia, das forças produtivas. É a abordagem tecnocrata.

As ideias tecnocráticas sobre a natureza das crises prevalece entre os economistas modernos. Por exemplo, a teoria do "desenvolvimento de onda da economia" de Nikolai Kondratiev (1892-1938), nosso economista doméstico, é muito popular. As chamadas "longas ondas de Kondratiev" são explicadas por um certo mecanismo misterioso de desenvolvimento da ciência e da tecnologia: periodicamente (uma vez a cada 50-60 anos) há descobertas causando mudanças revolucionárias na engenharia e em todas as forças produtivas da sociedade. No entanto, as ideias similares foram populares no século XIX quando o Ocidente enfrentou a primeira crise de superprodução. Aqui podemos nos lembrar da teoria do "desenvolvimento cíclico da economia" de Karl Marx (1818-1883); as gerações velhas e adultas se lembram dessa teoria muito bem devido aos livros de economia política capitalista. O comprimento dos ciclos de Marx é muito menor que o comprimento dos ciclos de Kondratiev.

No Ocidente, os trabalhos de Josef Shumpeter (1883-1950), economista austríaco, são ampplamente conhecidos entre os trabalhos sobre explanação do desenvolvimento cíclico da economia. Antes de tudo, é seu trabalho publicado em Business Cycles, 1939.

Todas as teorias tecnocratas, apesar da diferença na linguagem utilizada, a estimativa do comprimento do ciclo, entre as fases do ciclo e algumas outras partes têm semelhança no geral. Seus autores tomam como as razões do desenvolvimento cíclico da economia (e de acordo com isso a periodicidade das crises) os "avanços tecnológicos", mais estritamente a ciclicidade dos processos de deslocamento dos fundos financeiros com uma nova base de engenharia. Por diferentes variações os autores de teorias similares demarcam as seguintes fases do ciclo:

1) explosão da produção baseada em novas tecnologias e larga escala de investimentos em indústrias "locomotivas";
2) expansão do mercado e elevação da demanda efetiva em todas as indústrias (as fontes de dinheiro originadas nas indústrias "locomotivas" espalhadas em toda a economia);
3) O multiplicativo aumento em todas as indústrias das despesas da crescente demanda efetiva agregada;
4) a exaustão do efeito multiplicativo e decréscimo da produção (crise de superpopulação, recessão) com todas as consequências (dificuldade em vendas de produtos, quebra de negócios, redundância, desmoronamento de preços para os bens e ativos etc.).

Os "tecnocratas" como Kondratiev têm pouca consideração em aspectos antropológicos, sociais e políticos da atividade econômica, e sua estrutura lógica é como um esboço astrológico ou cabalístico. Tais autores, voluntariamente ou não, atribuem algumas propriedades místicas do desenvolvimento em "cíclico", "onda", "espiral", à ciência, à engenharia, às forças produtivas como se o assunto fosse sobre nascer do sol ou crepúsculos ou mudanças de estação. Esse misticismo lembra um pouco o panteísmo - uma filosofia e concepção religiosa da existência de uma certo Deus impessoal identificado com a natureza.

O paradoxo está no fato de que antes que a humanidade transferisse a economia para a civilização capitalista realmente teve uma natureza sazonal de progresso desde que era predominantemente agrária. Mas nessa economia não havia crises econômicas de superprodução (logo mais as crises de subprodução como um resultado das secas e outros desastres naturais). Na civilização capitalista, a atividade trabalhista do homem foi concentrada na indústria, i.e., se afastou das influências dos fatores sazonais. No entanto, desde aquele tempo a sociedade experimentou crises cíclicas na economia, e com surpreendente periodicidade.

Para os partidários das diferentes abordagens dos economistas "profissionais" em relação à explicação das crises (tecnocratas, subjetivas, psicológicas, monetaristas, etc.), a medida moral e espiritual da vida econômica parece estar além das teorias. De acordo com isso, as propostas "construtivas" de tais "profissionais" são combinadas para corrigir o atual modelo (capitalista), não tocando na fundação espiritual e moral da sociedade. Por exemplo, impulsionar ou, pelo contrário, refrear a regulação estatal da atividade econômica. Ou corrigir a política monetária por meios de aumento de fornecimento de moeda (ou, pelo contrário, retirar uma parte do dinheiro de seu movimento). Ou substituir o papel moeda por ouro (metal). E assim por diante. No entanto, tais medidas "cosméticas" podem apenas suavizar as crises, no máximo. Um pouco mais tarde, a doença da economia volta ainda mais forte. Os sintomas são muito diferentes e chamados diferentemente: inflação ou desinflação, desemprego, superprodução ou subprodução, recessão, depressão, estagnação, estagflação, bancarrota, pânico bancário, revelia, etc.

O retorno da doença sob seus diferentes nomes significa que o diagnóstico e os métodos de tratamento foram especificados incorretamente.

Economia política por Marx: definição do capitalismo

Representantes separados da abordagem tecnocrata tiveram nuances que detalham e suplementam a explanação tecnocrata da crise com fatores sociais, psicológicos e até mesmo políticos. É razoável expandir sobre a teoria de Karl Marx que foi a "única teoria correta" em nosso país (Rússia) por 70 anos. Ademais, nas condições da crise atual podemos assistir o Renascimento do Marxismo, muitos buscam por uma explicação da atual (a primeira em cem anos na Rússia) crise em Das Kapital - o principal trabalho dentre os clássicos.

Certamente, Marx como um filósofo é claramente tecnocrata, desde que busca quaisquer variações da vida pública nas variações da força produtiva, e a força produtiva ele, acima de tudo, reduz aos meios de produção, i.e., maquinário e tecnologias. Mas em Das Kapital a abordagem tecnocrata aparece como a meia-distância, e forja a abordagem da economia política. Figurativamente falando, Marx em Das Kapital subiu um passo acima: a abordagem da economia política estipula a análise das relações humanas, mas não todas e apenas aquelas que se relacionam com a economia. As relações econômicas sob Marx são relações entre pessoas ligadas à produção, ao intercâmbio, à distribuição e ao consumo de produtos do trabalho (bens, serviços). Na verdade, Marx vê no homem o Homo oeconomicus. Quando traduzido, isso significa "homem econômico", i.e., uma criatura com um simples conjunto de necessidades e instintos (Marx chama isso de "preocupações econômicas"). Algo como um animal ou uma máquina com as reações conhecidas antecipadamente a um ou outro "sinal do mercado".

Para explicar a teoria de progresso cíclico de Marx, devemos ainda antes falar sobre o entendimento "clássico" de algumas categorias chaves. Antes de tudo, da categoria do "capitalismo". Vejam, ele afirma muito definidamente que as crises cíclicas são características somente do capitalismo. O capitalismo é o que timidamente hoje chamamos de "economia de mercado". Do próprio nome "capitalismo" segue-se uma tal organização da sociedade em que o principal objetivo da atividade humana é acumulação, aumento de capital, mas não produção de bens e serviços para satisfação de necessidades vitais de todos os membros da sociedade.

Vamos nos colocar de lado por um momento: a palavra "capitalismo" descobre todo o sentido e propósito dessa civilização a qual costumamos chamá-la deste modo. O problema é que em relação ao acúmulo de capital a elite da sociedade tem propósitos ainda "maiores", que durante toda a história foram escondidos e continuam a ficarem escondidos.

Dialética dos ricos e do poder

Estou me referindo à supremacia do mundo, o poder mundial. Os ricos são o poder sobre todas as coisas. E há o poder sobre o povo. Se falarmos sobre o poder sobre o corpo humano, sua capacidade de criar quaisquer confortos, é uma mera "conservação do corpo". Já foi assim na história. Mas há o poder sobre a alma do homem, "conservação da alma". A elite dessa sociedade que mecanicamente chamamos de "capitalista" também tende a este objetivo maior. Quando o poder sobre a alma do homem é alcançado, será o poder sobre seu corpo, e todos os valores materiais sobre a Terra.

Em relação a este objetivo maior, os milionários parecem apenas meios. Apenas os "selecionados" e "iniciados" na elite assim chamada sociedade "capitalista", os usurários, entendem isso e são guiados por isso, e estaremos falando sobre eles mais tarde. Aqueles "selecionados" não são materialistas vulgares em geral, eles têm altos "ideais", "espiritualidade" e "religião". Do ponto de vista do cristianismo, é a insanidade, a espiritualidade com sinal menor, objetivando o homem a ocupar um lugar de Deus e dominar sobre a natureza e sobre as pessoas, como um Deus. É como a nebulosidade espiritual ocorrida com Lúcifer, o anjo de Deus (2 Crusts. 11-14) que desejou ser como Deus, e pareceu ser prostrado e transformado em Satã conhecido como Lúcifer. É notável que muitos "selecionados" e "iniciados" conscientemente vangloriam Lúcifer.

Eu penso que, ainda do ponto de vista deles, a doutrina de Marx sobre o "capitalismo" é materialismo rude, tratamento vulgar da civilização, o "produto intelectual" das plebes. Aqueles que estudam o marxismo e sua doutrina de formações sócio-econômicas não podem entender até agora o sentido espiritual-político da história moderna e aqueles eventos que a Rússia experiencia hoje.

Como nós a tempo fomos ensinados pelos professores do marxismo-leninismo baseados na teoria de Marx de formações socio-econômicas, aquele "capitalismo vem para mudar o feudalismo". Atualmente, essa frase padrão esconde a maior mudança da história da humanidade: uma nova civilização sob o codenome "capitalismo" vem para mudar a civilização cristã (que foi mascarada sob um "feudalismo" indiferente). Para mascarar sua natureza espiritual, os clássicos reduziram tudo ao "capital", "valor excedente" e "lucro". O problema é que essa civilização nega e se sobrepõe ao cristianismo. Max Weber (1864-1920) falou sobre isso aproximadamente em meio século depois do Das Kapital em seu trabalho Ética Protestante e Espírito do Capitalismo.

Capitalismo é uma civilização anticristã

Hoje o processo da "sobreposição" do capitalismo sobre o cristianismo foi tão longe que qualquer pessoa imparcial entende que a civilização anticristã está por trás do símbolo "capitalismo".

A definição correta desse sistema público que começou a alguns séculos atrás nos permite desvendar o objetivo "maior" que a elite da sociedade "capitalista" está erigindo. Esse objetivo é a chegada do Anticristo. Só o Mal, um inimigo da humanidade, sabe bem sobre esse objetivo "maior". Os usurários pensam que eles serão donos de todo o mundo. Atualmente, eles apenas limpam o caminho para o Mal, são seus mensageiros. Eles usam usurários "em silêncio". Nós não vamos desvendar as iguarias espirituais da civilização com o codenome "capitalismo". Você pode ler o que é sua estrutura, o "núcleo" espiritual-religioso, o desenvolvimento do caminho etc. estão no recentemente publicado livro de O. Zabegailo, Entendimento Espiritual da História (vejam a lista de referências ao fim do capítulo).

Mas devemos retornar ao problema das crises. Os clássicos entram no esquema do progresso cícliclo no conceito econômico de "demanda pagável limitada" que, em sua opinião, é um "defeito" orgânico do capitalismo. Para salvar o leitor de recontar sobre o Das Kapital, onde Marx com linguagem Talmudista profissional tenta explicar o caráter cíclico do desenvolvimento da economia capitalista, devemos dizer apenas: o fator de "demanda pagável limitada" no modelo de Marx "cobre" o fator do "cíclico progresso do capital fixo" (melhoramento, envelhecimento e deslocamento dos fundos fixos obsoletos), criando um efeito sinergético negativo periódico poderoso como as crises destrutíveis de superprodução.

A doutrina de Marx: meia verdade ou meia mentira

De acordo com Marx, há um conflito incurável do capitalismo - entre demanda pagável limitada e oferta de bens e serviços. A demanda pagável limitada (demanda de população para bens de consumo e serviços, e companhias - sobre máquinas, equipamento e outros bens de investimento, matéria prima, energia), a decadência e a estagnação da economia é o "padrão" do capitalismo. É a doença que "surge", e todo mundo pode ver o "podre" do capitalismo. A doença pode ser "interna" apenas por um curto período - na fase da expansão econômica. Como a crise do capitalismo de modo engraçado nota, em um tal sistema social a estagnação é um padrão do estado econômico da sociedade, e o progresso e o crescimento são curtos períodos entre os períodos de estagnação.

De acordo com Marx, atraso de demanda pagável (i.e. demanda providenciada com dinheiro) da oferta de bens e serviços é causada por exploração capitalista. Essa exploração é exibida, acima de tudo, na apropriação por um capitalista (o dono da empresa) do básico criado por um produto do trabalhador (novo custo) - assim chamado "produto excedente", ou "valor excedente". O trabalhador apenas "permanece" do custo recreado como um "produto indispensável". Tal "permanece" não pode providenciar um processo pagável necessário, especialmente tomando em conta o precipitado processo de polarização de propriedade da sociedade e acumulação do capital nas mãos de capitalistas e homens de negócio. Marx chamou este processo de "lei universal de acumulação capitalista".

As provisões mencionadas acima dos clássicos são populares o bastante, e bem conhecidas para não apenas professoras de economia. Hoje, nas condições de crise em que observamos um certo Renascimento do Marxismo, o Das Kapital se tornou um livro requerido de novo. Realmente, muitas provisões dos clássicos como "sobreposição" são atuais. No entanto, o que Marx falou sobre o progresso cíclico da economia e da demanda pagável limitada, como mostraremos em seguida, - apenas metade - a verdade. O criador de Das Kapital não terminou o discurso mamis importante. Ele fala que o atraso crônico da demanda pagável da oferta de bens é causada por capitalistas, pela classe capitalista. E atualmente, o capitalista vai ao primeiro plano, que recebe um valor excedente, i.e. um operário, industrialista ou dono de usina. E aqui Marx mistura a verdade com a mentira, ele faz um coquetel chamado "meia-verdade". E a meia-verdade é algumas vezes pior que uma fraude, desde que a mentira "pura" pode ser pega mais facilmente. As explanações mencionadas acima sobre as crises (ainda acrescidas com explanações de economia política) são superficiais, elas não toca as "fontes" da operação de uma civilização capitalista.

Via Kathateon

sábado, 11 de julho de 2015

O Amor perde: A falsa união da sodomia


Escrevemos (xaviersthrone) este curto e introdutório artigo sobre o Amor e sua decadência perpetrada pelo ethos moderno, não porque estamos 'desapontados' ou de algum modo escandalizados pela recente aprovação do "casamento" gay nos EUA; aceitamos este evento como algo inevitável, um tipo de 'símbolo' no sentido de Spengler de eterna decadência da Civilização Ocidental. Há muito que nos conformamos com a queda do Ocidente e, salvo pela intervenção de fontes sobrenaturais, com a impossibilidade de sua salvação ou recuperação da sua saúde anterior. Simplesmente estamos usando este evento como desculpa para proliferar uma crítica essencial das perversões homossexuais, para investigar como o fenômeno do "casamento" gay simboliza ou de fato epitomiza a weltanschauung moderna, e finalmente reforçar o tradicional, supramoral sentido de Amor.

Em segundo lugar, desde que compreendemos a definição de sodomia como um ato meramente sexual que não é em vista à procriação, estamos usando-a para se referir exclusivamente aos atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Isto é porque, desde que masturbação, felatio e especialmente o sexo anal entre um homem e uma mulher são perversões, os atos feitos entre membros do mesmo sexo são particularmente desvios da ordem normal e por isso ainda mais representativos do que estamos falando aqui: é o pecado da sodomia entre homens, sobretudo, que 'clama aos Céus por vingança' (entre pessoas do mesmo sexo, não pode haver ato sexual em vista de outra coisa senão aos prazeres da carne, e é por isso que o homossexualismo é essencialmente pecador).

I

Aqui está a chave para toda a metafísica do sexo: Através da Díade para a Unidade ~Julius Evola

Para realmente compreender algo físico devemos primeiro compreender o metafísico. O homem, em sua original e superior forma, é um ser sexualmente indiferenciado. Seu estado ontológico em sua perfeição primordial é de absoluta unidade, possuindo dentro de si tanto o princípio masculino como o feminino coerentemente organizado e todo em si mesmo. É só como resultado da criação, da participação no mundo da regeneração, onde as coisas são caracterizadas por sua multiplicidade e dualidade ao invés da unidade ou unicidade, que as formas masculina e feminina surgem: 'Trazido para baixo pelo abismo de seu pecado, o homem sofreu a divisão de sua natureza no masculino e no feminino, e pelo fato de que ele não quis usar o modo celeste de propagação, um justo julgamento reduziu-o à multiplicidade da forma animal e corruptível, consistindo em masculino e feminino' (John Scotus Eriugena, De Divisione Naturae). A queda mitologizada no Gênese descreve a queda do homem originalmente integrado para dois entes separados, enquanto certamente capaz de recrear depois a anterior unidade através do amor mútuo, que são não obstante condenados a continuamente engendrar entes separados por copulação. Essa interminável divisão do homem representa sua separação de Deus, cuja semelhança o homem carrega em sua totalidade:

Deus criou sua imagem e semelhança em um único homem. Adão foi um homem e também uma mulher... pois Deus não fez no começo homem e mulher, ele não os criou ao mesmo tempo, porque a vida na qual as duas propriedades do masculino e do feminino são unidas em uma só consiste no homem em imagem de Deus (Jacob Böhme, Mysterium Magnun)

Homem e mulher são portanto duas metades de um todo, dissociados um do outro em toda forma concebível. Eles são como dois polos opostos em um espectro metafísico, com o princípio de masculinidade representando a criatividade e a liderança e o princípio feminino representando a fertilidade e a submissão: 'O masculino representa a forma específica; o feminino representa a matéria, sendo passivo desde que ela é feminina, onde o masculino é ativo' (Aristóteles, De Generatione Animalium). Na 'realidade ordinária', i.e., o domínio da multiplicidade; esses dois polos constituem a Díade que define toda criação material; essa dualidade é expressa simbolicamente, tal como o Sol e o elemento do fogo simbolizam a masculinidade enquanto a Lua e o elemento da água simbolizam a femininidade.

Isso se estende para toda a metafísica tradicional; assim como as escolas peripatéticas ocidentais consideram a forma como masculina e a matéria como feminina, o sistema védico compreende purusha (espírito) como masculino e prakriti (natureza) como feminina. Nos Upanishads, purusha é o princípio criativo imaterial, que se expressa através de prakriti, o material mutável; e no Tantra a entidade principial e imóvel é o deus Shiva, cuja 'emanação' no sentido blakeano é a deusa Shakti, que orbita Shiva e permite à natureza hipostática dele que se manifeste em si na criação. No 'Grande Tratado', um dos principais comentários do I Ching, a mesma fórmula é expressa assim: 'O masculino age de acordo com o modo do criativo, onde o feminino opera de acordo com o modo do receptivo' (T Chuan, I, p. 4). Dos rituais helênicos e romanos que associaram a masculinidade com o fogo e a femininidade com a água aos conceitos da Kabbalah de dubrah e nubkah (Deus e sua Shekinah), toda metafísica tradicional intuiu a mesma fundamental realidade: o masculino é criativo e o feminino é receptivo, e juntos eles são necessários para o sustento da vida como a conhecemos. São duas partes de um todo (por isso o Shiva hermafrodita, Ardhanarishvara, que representa o todo sintético de Shiva e Shakti).

O conceito de yin e yang é um exemplo particularmente útil no que ele precisamente explica a interdependência dos princípios masculino e feminino e a necessidade de sua união. De novo, toda realidade é condicionada e concebida em termos do masculino e do feminino, yang e yin. 'Todos os fenômenos, forma, entes, e mudanças do universo são considerados no nível de vários encontros e combinações do yin e do yang... Do seu aspecto dinâmico yang e yin são opostos, mas também forças complementárias. A luz e o Sol têm uma qualidade yang, ao passo que a sombra e a Lua têm a qualidade yin' (Julius Evola, Eros e os Mistérios do Amor: a Metafísica do Sexo). O masculino e o feminino pertencem à mesma ordem de ideias, como virilidade e fertilidade, atividade e passividade, espírito e natureza; eles são análogos um ao outro, cada um representando de forma diferente o que o outro também representa. Eles representam essencialmente o princípio da dualidade que intervém sobre toda a realidade criada; eles representam o que os pitagóricos chamam de 'Díade', a lei da oposição que define tudo que é manifestado.

Está também de acordo com esta lei que cada princípio requer e deseja seu oposto, pois em seu estado diferenciado é inútil: o que é a criatividade sem o material para o uso da criação? o que é a virilidade quando tudo é estéril? Assim como não podemos reproduzir sem cooperação com o sexo oposto, também não podemos preencher nosso si sem a participação 'no outro', o que quer que seja aquilo que não possuímos. O próprio Platão diz que 'qualquer pessoa sem qualquer hesitação julgaria que se ouvisse seu próprio desejo por longo tempo, seria estar unido e fundido com seu amado a fim de formar uma única natureza de todos os entes distintos. Agora, a causa desse desejo está na nossa natureza primitiva quando constituímos uma unidade que era completa; é realmente o anseio ardente por essa unidade que carrega o nome do amor' (Platão, O Banquete). Toda criação deseja a totalidade desde que toda criação deseja retornar à sua forma original e precondicionada.

Em seu aspecto mais profundo, o Eros incorpora um impulso para superar as consequências da Queda, para deixar o mundo restritivo da dualidade, restaurar o estado primordial, ultrapassar a condição da existencialidade dual, rachada e condicionada pelo "outro". (Julius Evola, Eros e os Mistérios do Amor: A Metafísica do Sexo)

II

Isso nos traz de volta ao nosso assunto. Como Platão disse acima, o Amor é o meio pelo qual alcançamos essa totalidade, nossa união conosco mesmos. Quando desejamos fortemente algo, vemos nesse objeto uma parcela do Céu, da realidade inteligível, e acima de tudo uma parcela daquilo que nós mesmos somos: 'o Amor, assim, é toda intenção para aquele outro encanto, e existe para ser o medium entre o desejo e o objeto do desejo. É o olho do desejador; por seu poder o que ama é capaz de ver a coisa amada' (Plotino, As Enéadas, III, v. 2). Essa dor inicial que sentimos quando o amor é despertado é evidência de nosso conhecimento sobre a ausência de uma parte de nós mesmos; é como uma pessoa faminta que se torna sutilmente, tortuosamente consciente da sua fome quando vê e cheira algo delicioso, apenas mil vezes mais agonizante devido à mais grandiosa necessidade de satisfação espiritual ao invés de física. Soloviov concorda que o homem em sua 'natureza empírica' é cheio desse estado constante de querer, e tenciona que o fim do Amor é reintegrá-lo em suas 'partes perdidas':

O caráter peculiar da nossa natureza espiritual consiste apenas em uma habilidade humana, enquanto permanecer o mesmo ser humano, de acomodar o conteúdo absoluto em sua forma própria, tornar-se uma personalidade absoluta. Mas a fim de ser preenchido com o conteúdo absoluto... este mesmo homem deve ser restaurado em sua inteireza (deve ser integrado). Na natureza empírica do ser humano, assim, não é assim - ele existe só em uma univocidade e finitude específica, como uma individualidade masculina ou feminina. No entanto, um homem verdadeiro na totalidade de sua personalidade ideal... não pode ser meramente masculino ou feminino, mas deve ser a maior unidade de ambos. realizar essa unidade, criar o verdadeiro ser humano como uma unidade livre dos princípios masculino e feminino, preservar sua individualização formal, mas tendo ultrapassado sua separatividade e divergência essencial - essa é a missão própria e imediata do amor. (Vladimir Soloviov, O Significado do Amor)

A reconciliação da individualidade masculina com a feminina é necessária para a formação da verdadeira personalidade. Isso é verdade porque o homem em sua essência não é nenhuma delas: ele é ambas. Otto Weininger supôs que somos naturalmente atraídos a, mesmo no sentido psicossomático, indivíduos que possuem uma substância que não possuímos. 'Todos os indivíduos têm tanta femininidade quanto carecem de masculinidade. Se são completamente masculinos eles desejarão uma contraparte completamente feminina, e se são completamente femininos, uma completamente masculina. Se, no entanto, eles contêm uma grande proporção de Homem e outra, de modo algum desprezível, proporção de Mulher, vão demandar um indivíduo que complementará as partes e a masculinidade fragmentada para formar um todo; ao mesmo tempo, sua proporção de femininidade será completada do mesmo modo' (Otto Weininger, Sexo e Caráter). Assim, alguém que é, por exemplo, '75% masculino' será naturalmente mais atraído a uma mulher que é '75% feminina', e vice-versa, porque é nesse sentido que ambos indivíduos melhor completam um ao outro; eles estão preenchendo o que cada um deles carece dentro de si. A lei da 'atração dos opostos' nunca foi mais clara. De modo algum há algo como um 'transgênero', porque conforme somos nascidos masculino ou feminino teremos sempre uma maior porção do princípio em cuja representação sexual somos nascidos. Mesmo se alguém é somente '51% masculino' (e portanto '49% feminino'), ele é um masculino autêntico, e nenhum tipo de cirurgia ou drogas alterará seu estado interior. Isto é porque as coisas são manifestadas de acordo com os princípios metafísicos, e portanto não sujeito à probabilidade, mas por autoridade causal:

Se o nascimento não é uma questão de probabilidade, então não é uma coincidência para um ente estar "desperto" para si no corpo de um homem ou uma mulher. Aqui também, a diferença física deveria ser vista como equivalente a uma diferença espiritual; por isso um ente é um homem ou uma mulher no modo físico somente porque um ente é ou masculino ou feminino de um modo transcendental; diferenciação sexual, longe de ser fator irrelevante na relação com o espírito, é o sinal que aponta para uma vocação particular e para um dharma distintivo... O homem e a mulher são dois tipos distintos; aqueles que são nascidos homens devem realizar-se como homens, enquanto aquelas que são nascidas mulheres devem realizar-se como mulheres, superando qualquer mistura e promiscuidade de vocações. (Julius Evola, Revolta Contra o Mundo Moderno)

Nós já podemos adivinhar o que isso tudo significa para a atividade 'homossexual', e de fato Weininger vai dizer que a grande maioria das relações homossexuais ocorrem onde os parceiros são intermediatamente diferenciados, significando que eles possuem altas proporções de H e M e assim desejam parceiros que são também intermediatamente diferenciados; o homem que tem 49% M em si terá mais atração por um homem com o mesmo de proporção do que por um homem que é 80 ou 90% H. Isto explica a muito alta proporção de homossexuais homens e mulheres que também se identificam como 'bissexuais', ou são pelo menos não aversos às relações sexuais normais. Evola também apoia esta ideia, mas acrescenta que 'quando a homossexualidade não é "natural" [de acordo com a teoria mediana da diferenciação sexual explicada acima] ou então não pode ser explicada em termos de formas incompletas de desenvolvimentos sexuais no nascimento, deve haver um caráter de desvio, um vício ou perversão' (Julius Evola, Eros e os Mistérios do Amor: A Metafísica do Sexo). Então, na nossa sociedade, por exemplo, onde as desordens espirituais e mentais (aquelas que não são simulação psiquiátrica) resultado da dissolução da família, da comunidade, e da natureza socio-política inteira, são mais difundidas que nunca, é completamente esperado que o nível de sexo sodomita seja alto como é, certamente mais alto que teria sido se seria limitado a parceiros que beiram os 50% H e 50% M.

O verdadeiro crime da atividade homossexual consiste simplesmente em sua completa inversão da interação normal dos sexos. As tradições metafísicas que sublinhamos acima não são abstrações teóricas que existem em um 'vácuo intelectual'; são fundamentalmente reais, em comparação com este mundo criado, o 'véu de Maya', que não é senão distorção ilusória. Elas profundamente influenciam este mundo porque são este mundo em sua forma mais verdadeira e articulada. Na performance da união copulativa, por exemplo, o homem e a mulher recriam a gênese do mundo; eles se fundem e criam não apenas uma vida gerada por eles, um novo mundo, mas criam a si mesmos através da síntese erótica de cada um. 'Cada um dos dois sexos é uma imagem do poder e da ternura de Deus, com igual dignidade embora em modo diferente. A união do homem com a mulher em casamento é um modo de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador' (Catecismo da Igreja Católica, n. 2335). O homem se torna homem verdadeiro, a mulher se torna mulher verdadeira, e juntos se tornam o novo Adão: 'E eles dois devem ser um na carne. Portanto eles não são mais dois, mas uma carne' (Marcos, 10:8). A Queda é vencida pela união física que, sacramentalmente, também tem a natureza da união mística; onde eles foram anteriormente opostos um ao outro, os princípios duais (yin e yang, Shiva e Shakti, Nut e Geb) são agora imediatamente combinados na máxima expressão da natureza essencial e nas suas relações um com o outro:

Se a raiz da falsa existência consiste na impenetrabilidade, i.e., na exclusão mútua dos entes, então a verdadeira vida é viver num outro ao invés de em si mesmo, ou encontrar no outro o positivo e absoluto preenchimento do próprio ser. A base e o tipo dessa verdadeira vida permanece e sempre será sexual ou amor conjugal... A união pressupõe a verdadeira separatividade daquele ser unificado, i.e., uma separatividade pelo poder do qual eles não se excluirão, mas mutualmente preencherão um ao outro, cada qual encontrando no outro o preenchimento a sua própria e adequada vida [his own proper life]. (Vladimir Soloviov, O Significado do Amor)

A sodomia não tem nenhuma justificação ou bênção; não há telos qualquer para sua prática: 'Os atos homossexuais são contrários à lei natural. Eles fecham o ato sexual ao presente da vida. Eles não procedem de uma complementariedade genuína, afetiva e sexual' (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357). Esta intransponível disputa entre a atividade sodomita e o homem e a mulher como eles realmente são é o que torna anti-natural em ambos um sentido metafísico e físico. De fato, é pelo fato de que não há legitimidade metafísica às relações homossexuais que não há legitimidade física: a copulação do homem com a mulher resulta no nascimento de uma nova vida por causa de sua união em um nível superior (pelo menos in potentia; a procriação que é a consequência de sexo extraconjugal é ainda natural, mas está divorciada do sacramento do casamento, por isso é de menor qualidade devido à ausência de uma autoridade sacra que abençoa a união).

A copulação do homem com um homem ou de uma mulher com uma mulher, por outro lado, não carrega nenhum fruto por causa da sua incompatibilidade na natureza principial. O princípio de masculinidade só age de acordo com sua natureza quando é associado com o princípio de femininidade , que correspondentemente age de acordo com sua natureza; aquele que é viril e criativo naturalmente deseja aquela que fará manifestar estas qualidades em si, que é, claro, a fertilidade e a passividade da contraparte feminina. Ao renegar este acordo primordial e a lei metafísica, a 'união' homossexual se condena a uma perseguição infrutífera de algo que mira para uma direção completamente errada; é uma caricatura sacrílega da suprema união, e torna algo que é idealmente espiritual e sacro em algo estritamente físico e portanto feio. Ao invés da satisfação sentida quando algo suavemente se encaixa, como derramar vinho em uma taça, o ato sexual consiste essencialmente da frustração envolvida em derramar água em uma peneira, porque há zero de complementariedade entre dois princípios ativos e dois passivos: o masculino e o feminino criam um todo auto-suficiente que completa um ao outro, ao passo que o masculino e o masculino ou o feminino e o feminino são condenados a vagar sozinhos, irresgatáveis e inseparados de si mesmos.

Todos os amores naturais, todos que servem aos fins da Natureza, são bons... aquelas formas que não servem aos propósitos da Natureza são meramente acidentes em perversão: em nenhum sentido são Entes-Reais ou ainda mesmo manifestações de qualquer realidade; pois eles não são assuntos da alma; são meramente acessórios de um defeito espiritual que a alma automaticamente exibe na total disposição e conduta. (Plotino, As Enéadas, III, v. 7)

III

Se a meta de toda vida humana é se tornar reintegrada como uma pessoa inteira no modo de Adão antes de sua Queda, não pode se seguir disso que estabelecendo uma relação erótica com uma mulher é necessário para este fim, pois isto significaria a futilidade e todos ascetas e homens santos e outros tipos que têm certamente se aproximado a esta realidade que a vasta maioria dos homens e mulheres casados. A verdade é que a capacidade para reintegração subsiste na profundeza de nós próprios: o potencial para se tornar inteiro está em cada um de nós. Amar uma mulher é simplesmente o meio mais direto disponível porque está ordenadamente alinhado com nossos apetites da libido, mas é dificilmente o único, como os vários caminhos espirituais ou iogues para a auto-completude são manifestamente singulares pela natureza, orientados em torno do preenchimento da própria natureza ou dharma. De fato, até mesmo no amar uma mulher o que na verdade estamos fazendo é amar a nós mesmos; a presença de outra pessoa é meramente o objeto que faz faiscar no homem o desejo por algum elemento de si mesmo mostrado em uma indivíduo separado. A verdade disso deveria já ser aparente pela virtude de nossos argumentos anteriores, que homem e mulher são realmente uma entidade, e que homens e mulheres inerentemente perseguem seres cujas naturezas correspondem ao que eles carecem em um esforço de criar um inteiro; assim, se nós realmente sentimos amor como um desejo ardente para restaurar a nós mesmos a um estado anterior de integração, faria sentido ver em nosso amado simplesmente a outra metade da qual nós uma vez fomos.

É crucial não ser confundido pelo que significamos com "amar a si mesmo". Nós certamente não queremos dizer que estamos engajados em um narcisismo auto-erótico em que idolatramos nosso ego ou os fragmentos sombrios da nossa própria personalidade maleável; o que realmente queremos dizer é que o amor daquilo que somos como um todo composto, de nosso si como um composto da pessoalidade do masculino e do feminino harmonicamente organizado. Em nosso amor por outra pessoa nós vemos nós mesmos como perfeitos: 'Quando acontece de um homem amar,, ele ama a si mesmo. Não sua subjetividade, não o que atualmente representa como um ente infectado com toda fraqueza e baixeza, toda falta de graça e toda mesquinhez, mas o que ele quer ser completamente e o que ele deve ser completamente, sua natureza mais pessoal e mais profunda, livre de qualquer migalha de necessidade e de qualquer resíduo de sua natureza terrena' (Otto Weininger, Sexo e Caráter). A constituição perturbada e amorfa da realidade ordinária e de nossas mentes conscientes é repentinamente clarificada em algo tão sólido e verdadeiro que nós não podemos ajudar, mas derramar nossos corações, sentindo nosso amado como algo absolutamente necessário para o nosso ser. 'Não é por amor à mulher que ela é desejada pelo homem, mas antes por amor ao atman' (Brihadaranyaka Upanishad, IV). O atman é o mais alto princípio do Si, absolutamente real e imutável pelos fatores condicionais (tais como espaço e tempo) do mundo criado, e é o que vemos no que amamos. Shakespeare lindamente expressa esta ideia em um soneto:

Mine eyes have drawn thy shape, and thine for me
Are windows to my breast, wherethrough the sun
Delights to peep, to gaze therein on me.
[Meus olhos puxaram tua forma, e elas para mim
São janelas para meu peito, onde o sol
Adora chilrear e mostrar para mim.]
(William Shakespeare, Soneto 24)

O poeta neoplatônico francês Antoine Hermoet é igualmente sublime em sua descrição da mesma coisa:

[I meditated upon] how our hearts, bent on "death",
Revived one another;
How mine, loving his,
Transformed itself into his without changing.
[Meditei sobre como nossos corações, curvados para a "morte",
Reviveram um no outro;
Como o meu, amando o seu,
Transformou-se no seu sem mudar]
(Antoine Heroet, La Parfaicte Amye)

Então, de novo, em forte contraste com a ordem normal das coisas, as relações homossexuais são fundadas não em um amor espiritual do Si concebido como um todo perfeito composto tanto de masculino e de feminino, mas em um amor puramente físico do ego. O ato sexual do sodomita não é algo que simboliza a harmonização do masculino e do feminino em uma carne e uma alma, mas algo que representa o falso amor do homem por si mesmo; não é o atman que ele 'ama', porque isto implicaria a reconciliação dos opostos em um única Si, mas meramente seu próprio prazer e desejo ourobórico e possivelmente sua própria personalidade demente. É de fato nem mesmo uma entrada no Outro: pois ao couplar com outro homem (ou mulher com mulher) ele está copulando consigo mesmo; enquanto eles são ostensivamente duas pessoas diferentes, ambos membros do ato derivam do mesmo princípio de masculinidade, e assim metafisicamente correspondem ao mesmo indivíduo. É como se Shiva tivesse tentado atuar através de Shiva ao invés de Shakti; o mundo não seria criado, e nunca seria reunificado em si mesmo.

O pecado da sodomia é o pior exemplo do onanismo possível porque simultaneamente satiriza a união sagrada do masculino e feminino e projeta sobre outra pessoa os próprios defeitos; pelo fato disso ser extra-matrimonial é manifestamente e monstruosamente pior neste caso pela virtude do envolvimento de mais um extremo narcisismo, de desordens psíquicas e espirituais que tomam prazer de práticas anormais, a confusão da própria masculinidade ou femininidade principial (i.e., seu desejo natural em estar com o outro), e a completa ausência de qualquer fim natural para o fato. Uma vez mais, é essencialmente caracterizado pelo amor-próprio: 'Perversão pode ser definido como a diversão do desejo sexual de uma pessoa do sexo oposto para um corpo do sexo oposto... ou a uma pessoa do mesmo sexo... ou a uma coisa inanimada (fetichismo). Na raiz de todas as formas de perversão está o amor-próprio, a utilização do outro, que... é visto como nada menos do que um instrumento para os próprios prazeres (ou dores)' (Vladimir Moss, A Teologia do Eros). A extensão de quão moralmente e espiritualmente adverso esse tipo de comportamento é, na medida em que não é auto-evidente, é completamente iluminada por comparação com o comportamento sexual normal:

O homem deveria ajudar a mulher a se libertar da sua mulherzisse [womanliness] (como incompletude), e a mulher, por sua vez, deveria ajudar o homem, a fim de que em ambos toda a imagem primitiva do homem será interiormente fundida de novo. Ambos os dois, ao invés de serem meio-homens (homem no sentido geral da palavra, sentido de humano, N. do B.), tornar-se-ão homens inteiros mais uma vez, i.e. cristãos. Pois as expressões: ter se tornado um cristão, ser nascido de novo, e ter encontrado integridade da natureza humana são sinônimos. (Franz Xaver von Baader, Werke [Trabalhos])

Na crise do mundo moderno, os princípios que foram uma vez intimamente conhecidos e até mesmo tomados por certo são inteiramente obscurecidos por tanto um entendimento exclusivamente empírico e positivista da realidade que determina tudo de acordo com sua natureza material, como por uma cruzada falsamente 'humanista' pelos 'direitos humanos' ao ponto em que os desejos instintivos e temporais do indivíduo, independentemente de quão perversos, importam mais que a saúde da alma ou da comunidade por inteiro. É nesse ambiente que o 'culto ao corpo', exemplificado pela 'Revolução Sexual' no meio do século passado, foi capaz de florescer, pois é só na ausência do intelecto e da consciência moral que os impulsos morais são capazes de revoltar-se desinibidos por seus constrangimentos normais. Evola está certo em atribuir isso ao atraso do nosso atual ciclo civilizacional, pois, como qualquer organismo na natureza, nossa cultura é um antigo animal agonizante: 'Permanece verdade que um interesse universal e febril pelo sexo e pela mulher é marca de todo período crepuscular e que esse fenômeno de hoje é um entre muitos sinais de que essa época é a fase terminal de um processo regressivo... Está claro que hoje pela regressão estamos vivendo em uma civilização cujo interesse predominante não é nem intelectual, nem espiritual, nem heróico, nem mesmo direcionado às formas superiores de emoção. Ao invés disso, o subpessoal - sexo e comida [sex and belly] - são idolatrados...' (Julius Evola, Eros e os Mistérios do Amor: A Metafísica do Sexo). É exatamente isto, o subpessoal, que motiva tais noções como núpcias homossexuais (ou mesmo a normalização da pedofilia, conforme a 'ladeira escorregadia' procede depressa), pois a real pessoalidade consiste não em realizar as próprias fantasias sexuais em outro indivíduo, mas em identificar quem é você, que invariavelmente significa uma reconciliação do masculino e do feminino dentro de você.

Conforme o demonstravelmente falso fenômeno do 'casamento gay' se alastra para aqueles lugares no Ocidente que mais acuradamente imita o ethos da modernidade, é crucial lembrar que o amor fraternal, ou amor sincero entre homens, é inteiramente possível - previsto que tais relações são celibatárias. Precisamos apenas trazers a atenção do leitor para tais práticas de adelhopoiesis da Igreja Bizantina, que ritualizaram uma extraordinária amizade entre homens, ou da sociedade co-sanguínea da sociedade nórdica e dos citas que uniram homens em algo mais que amigos. A diferença, claro, consiste na permissividade modernista no domínio sexual, onde tudo é permitido tão logo é um 'crime sem vítimas' (uma terrível vacuidade quando considerado os danos espirituais que tais atos perpetram); o homem 'gay' se torna gay não meramente por seus hábitos perversos e sexuais, mas por sua própria identidade. A gayzisse de um 'gay' o marca como se ele fosse mais que qualquer faceta do seu caráter, desse modo epitomiza a moderna compreensão puramente física da realidade, onde nada existe a não ser o que se pode tocar e sentir. De fato, a ridícula ideia de 'orgulho gay' serve como um ordinário e transparente símbolo da hubris do homem moderno: não estamos meramente permitindo nossa regressão em formas piores de barbaridade, estamos orgulhosos disso, como se estivéssemos chamando Deus para destruir Babel mais uma vez, desafiando-o a nos ferir.

Em profunda contradição com isso é a visão de mundo tradicional, de acordo com a qual o espiritual não é apenas real, mas é mais real que o físico. O homem é chamado não para 'ser o que é' no sentido vulgar, mas a se tornar aquilo que ele é essencialmente; que significa a reconciliação dos sexos, que significa se tornar um homem não-decaído, que significa se tornar como Deus. Sim, isso pode ser alcançado através do amor especial entre homem e mulher; mas pode ser ainda mais fortemente alcançado através de uma direta unidade entre homem e Deus: 'Há necessidade de uma paixão bendita do eros sacro; ele liga a mente aos objetos espirituais e persuade-a a preferir o imaterial ao invés do material, o inteligível e o divino ao invés do sensível' (São Maximus o Confessor, Sobre a Caridade). A 'paixão do eros sacro' é um meio excelente de descrever o fervor do homem por Deus; em lugar de uma mulher que o inspira a encontrar seu Si, o homem começa a ver Deus, que o ajudará nisso mais do que qualquer outra coisa. Ao imitar Deus, o homem se torna como Deus: 'Pois o Filho de Deus se tornou homem a fim de que nós possamos nos tornar Deus' (Santo Atanásio, De Incarnatione). O amor entre um homem e uma mulher não é outra coisa além de uma reflexão do amor que Deus tem por suas crianças, e aqueles que o amam, por sua vez, estão garantidos pela salvação: 'Eu os amo aqueles que me amam: e aqueles que pela manhã cedo buscam por mim, encontrar-me-ão' (Provérbios 8:17). O amor perde quando é reduzido a algo físico, a algo que faz das leis de Deus uma zombaria e tenta casar duas coisas que já são uma só; o amor vence quando dois entes diferentes vêm juntos de vidas separadas e solitárias para formar um inteiro. Pois o amor existe não para nos dividir ou nos juntar aos nossos elementos mais básicos; o amor existe para nos unificar.

Eu sou você e você em mim mútuo no amor divino ~ William Blake, Jerusalém