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Leonel Brizola durante a Campanha da Legalidade, com fuzil na mão
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Por Álvaro Hauschild
O Brasil passa, atualmente, por uma crise de natureza que
supera todas as questões corriqueiras, como a economia, a estrutura
sócio-política, a moral, etc. Todas estas questões, cada vez mais específicas e
individualizadas, separadas de todo o resto nos debates e nas intenções de
intelectuais, políticos e do próprio povo, são, na verdade, manifestações de um
mal maior, portanto devem ser estudadas como elementos interligados e
subjacentes a princípios transcendentes.
A crise do Brasil é uma crise espiritual, que vem crescendo
ao longo da história, 1) em primeiro lugar por culpa da inação do povo e das
autoridades diante das rédeas do país. O Brasil nunca teve um projeto para
robustecer por si mesmo e tomar seu espaço na conjuntura internacional e para inspirar
as massas enraizadas em uma identidade própria. Houve na história, no melhor
dos seus momentos, um Getúlio Vargas, que, contudo, não foi capaz de
compreender o Brasil no seu todo nem erigir um projeto
nacional-desenvolvimentista suficientemente soberano, para sanar as
contraditoriedades internas e sua posição no cenário internacional. Ao mesmo
tempo, o povo brasileiro, que, por lógica, deveria ter ativamente participado
para resolver seus problemas diante da fraqueza das autoridades, permaneceu
entregue à passividade cultural e aos prazeres do consumismo fácil, do
oportunismo e da selvageria anti-patriótica. E, 2) em segundo lugar, a crise
espiritual do país vem recebendo intensiva influência de fatores externos, cujo
objetivo é destruir toda possibilidade de união e cura dos seus problemas
internos, que redundaria, certamente, no surgimento de um poderoso adversário
internacional e, ao mesmo tempo, de um país-continente capaz de proteger os
recursos naturais e étnicos, não apenas do seu país, mas também de seus
vizinhos parceiros.
Visto isto, se os brasileiros, que compõem as vítimas de
uma crise tanto interna quanto externa, quiserem resolver suas próprias vidas,
sanar suas angústias internas, subjetivas, eles devem atentar para os fatores
que contribuíram para sua degeneração completa, e lutar para resolvê-las corretamente,
com um olhar amplo sobre o todo corpóreo, tal como a medicina antiga, que descobre
na dor de um órgão a decadência de um corpo por inteiro, que muitas vezes tem
origem lá onde menos se esperaria quando se lança um olhar muito breve e
localizado.
Segundo nossa introdução, podemos diagnosticar os fatores
para nossa crise, que se multiplica desde manifestações subjetivas, individuais
de cada brasileiro, até os níveis institucionais e sociais. Tudo caduca e sofre,
tudo degenera e se decompõe. Estes fatores se resumem, tanto interna quanto
externamente, tanto por parte das autoridades quanto por parte do povo, no que
podemos definir como o problema da soberania do nosso país. Todos os fatores
presentes na nossa crise são fatores de decomposição da soberania, isto é, do
auto-controle sobre recursos, instituições e atividades sociais diante das
contradições internas e das interferências externas. Os brasileiros, porém,
estão inativos; enchem as ruas, as mensagens pela internet, as redes sociais,
claro, mas até agora essas convulsões só trouxeram desordem generalizada,
confusões e descrenças, promotoras de fakenews e divisões internas. A inação do
brasileiro é com relação a um esforço inspirado e ascendente capaz de arquitetar
uma rebeldia eficiente e tomar o controle de sua situação. E é aqui que os problemas,
para além de todos os elementos expostos, se tornam manifestações de um
problema espiritual.
A Figura do Líder
O povo brasileiro sente, consciente em alguns e inconscientemente
em outros, a falta que temos de figuras de liderança, que inspire e lidere,
guiando as massas à luz, à solução dos seus problemas subjetivos e,
consequentemente, objetivos. Ao mesmo tempo em que temos esta falta, a ausência,
temos a necessidade dessa figura, pois só ela é capaz de tirar as massas do
buraco individual que sufoca cada um, reunindo-as a uma unidade orgânica capaz
de articular soluções em conjunto. É só o líder, um homem com autoridade acima
de todos, que é capaz de uma tal façanha.
Mas, ao mesmo tempo que o povo sente esta carência,
ninguém do povo toma para si, seja em grupos aristocráticos ou em
personalidades individuais, a missão de liderar. Todos querem ser liderados, e
se atiram passivamente a toda personalidade agressiva e odienta que se
apresenta no cenário público. Esquecem que a liderança se faz de dentro para
fora; para que haja líder, é necessário que, no mínimo, uma pessoa, em uma
atividade suficientemente ascética, se sacrifique em nome de todo um conjunto e
um ideal. O líder é um sacrifício aos deuses, e não surge sem dor.
O desconhecimento disto, ou então a negligência do povo
para com o que realmente está em jogo, o faz passivamente adorar personalidades
vazias que oferecem em troca da adoração qualquer coisa de fútil e de medíocre:
a fama, o dinheiro, o poder em geral ou então o prazer de ser idolatrado junto
dele, conforme os vícios e os pecados que cada um carrega consigo.
Surgem então figuras falsas de todos os lados, cada um
representando um grupo inorgânico, como o Lula, da esquerda, e o Bolsonaro, da
direita. Uma maior plurificação do debate, cada vez mais vazio, tornam possível
o surgimento de figuras ainda mais vazias, cada vez mais vazias, como é o caso
do Amoêndo do partido Novo, representando os anarco-capitalistas. Cada um tem
uma bandeira completamente aleatória: um é símbolo da “esquerda” (entre aspas,
porque não existe uma tal “esquerda”, com ideais e objetivos suficientemente
bem delimitados) e grita a plenos pulmões pelo progresso do feminismo; outro,
da “direita”, pela pátria; outro, ainda, pela preservação individual. Diante
dessa constante plurificação, a questão que se deve fazer, em primeiro lugar é:
em que perspectiva estas bandeiras conflitantes realmente conflitam entre si? O
silêncio como resposta, a dúvida, deve nos fazer refletir sobre o que realmente
está em jogo nestas discordâncias mascaradas; poder-se-á descobrir a completa
ausência de planos de governo em ambos os lados, o que de fato representaria a
realidade de cada um dos grupos, como a “esquerda” e a “direita” e outros, uma
vez que não há unidade nem plano de governo para quaisquer desses grupos. O que
há, apenas, são interesses subjetivos e completamente fragmentários, disputando
pelo poder.
A figura da liderança não deve tomar partido de quaisquer
interesses fragmentados, pois seu papel é liderar o todo e não apenas impor os
interesses de uma parte. Neste sentido, deve se colocar para além desses
interesses e buscar iluminar o povo sobre a natureza da unidade política, sobre
as relações internas entre os elementos, distintos entre si. O líder deve ter a
missão de pôr cada elemento em seu lugar, de harmonizar o arranjo como um todo,
alocando as notas cada qual para formar uma música, uma canção nostálgica e
sacra, acabando, assim, com o caos negro e cacofônico que configura a desunião
e a crise interna.
O líder deve tornar lúcido ao povo como as partes,
estando no mesmo universo, possuem sua importância única e exclusivamente na
medida em que participam para a boa ordem da música. Se porventura alguma parte
se tornar essencialmente caótica, histérica, ela deve ser tratada como um
câncer, uma vez que sua atividade colabora para a dissolução da unidade e,
consequentemente, para a aniquilação de cada brasileiro enquanto tal.
Neste sentido, o Brasil precisa que cada um dos
brasileiros tome para si a tarefa de buscar entender nossos problemas e de agir
como se fosse um líder, primando sempre pela ordem geral, não atendendo a
qualquer chamada individual, mas buscando resolver as contradições internas. Burcar
iluminar, intelectual e politicamente, todos aqueles que se encontram na
escuridão, isolados em paranoias e outros fenômenos subjetivos. A consciência
do homem que toma para si essa tarefa se eleva e supera suas contradições
individuais, alcançando níveis supra-individuais – e isto, por si só, já representa
uma vitória espiritual, pelo menos de alguns homens que, na medida em que isso
ocorre, colaborarão ativamente para o resgate da pátria como um todo. Pois um
homem desperto é luz para outros que despertarão.
O líder, convenhamos, requer estabilidade emocional e
intelectual, determinação, coragem, auto-confiança, raciocínio intuitivo analítico
e sintético, e todas estas são características essencialmente masculinas.
No caso do Bolsonaro, porém, é importante lembrarmos de
alguns detalhes. O povo enxerga nele uma figura paternal, que luta pelo
reconhecimento generalizado da figura masculina; os sinais que ele dá são a
agressividade, única e exclusivamente. Acontece que a agressividade não é uma
característica essencialmente masculina, ela apenas acompanha alguns atos masculinos,
é secundária. Características essencialmente masculinas são, por exemplo, a
capacidade intelectual de governar e erigir harmonias científicas, a coragem
(que em grego, andreia, vem justamente
de andros, homem masculino), a constância
e a auto-confiança, a estabilidade, a determinação. Nenhuma dessas
características, fundamentais para um líder, está presente na figura e nos
ideais do Bolsonaro. O líder é, antes de tudo, alguém que lidera, e para isto
deve haver algo que é liderado: o povo. O apelo do Bolsonaro pelas forças armadas,
pela violência da polícia, porém, não está harmonizado com o objetivo de alguém
que estaria liderando o povo. Bolsonaro, juntamente de Paulo Guedes, quer a
independentização do Banco Central, a liberalização da economia brasileira e a
diminuição do Estado brasileiro, cujo resultado será o abandono de todo um povo
diante de feras capitalistas do mercado internacional. É necessário que o povo
entenda que a violência promovida pelo Bolsonaro por meio de forças armadas é única
e exclusivamente com o fim de defender a ordem do mercado internacional contra
as possíveis revoltas populares, uma vez que o resultado das políticas dele
será nada além de pobreza extrema da grande maioria, acentuando a concentração
de renda no país que já tem a maior concentração de renda do mundo inteiro.
Bolsonaro promove uma violência de cima para baixo, que
sufoca as manifestações populares contra elites sanguessugas. É o tipo de
violência que contradiz totalmente a promovida por um líder do povo, que clama
por uma violência de dentro para fora, isto é: uma violência que sai do braço
do povo e esmaga os inimigos dele, que devem ser vistos como externos à pátria.
E o mercado dos acionistas internacional, dos banqueiros, dos agiotas
internacionais, de todos os mega-empresários que visam um lucro puramente
individual (o que significa que eles se colocam de fora da comunidade, enquanto
idios, de onde a palavra “indivíduo”
e “idiota”), não fazem parte dessa comunidade; se elas mantêm algum tipo de
relação com essa comunidade e que beneficiam a elas, por meio de lucros, elas
são o câncer e estão enriquecendo às custas do sofrimento generalizado de toda
uma pátria.
O líder é uma figura que deve servir de exemplo. O líder
é alguém que é seguido, não alguém que arrasta seus governados. Ele deve, antes
de tudo, ser um asceta, não se sujar com os excessos das elites, buscando o que
Aristóteles chamava de “mediania”, o meio termo que mantém a alma estável e
longe de vícios que poderiam escraviza-la. É alguém que se põe na primeira fileira
da falange, e não alguém que se esconde atrás de seus governados como se eles
fossem mera massa de manobra para atingir objetivos pessoais.
Neste sentido, a única figura que surgiu nas últimas
décadas, após Leonel Brizola, foi Ciro Gomes, em seu momento decisivo, como
alguém que se põe a servir de exemplo para um povo sem figura paterna. Tendo
recusado salários dos cofres públicos, a moradia nos aposentos do governo em
Brasília, onde as famílias são servidas por mordomos e mil outras comodidades,
foi governador e ministro, obtendo ótimos resultados no Ceará ao apostar na
educação da juventude para a redução de mazelas sociais. Sua postura nas
palestras em todo o Brasil, e fora dele também, denuncia uma relação erótica
para com o povo brasileiro, mantendo um cuidado diante daquilo que analisa e
sobre o qual discute, fazendo sempre apelo à elevação do olhar daqueles com
quem debate, com vistas a observar o cenário como um todo, de cima. E a
governança é uma atividade erótica, senão mística, entre líder e liderados. Não
há aparato mecânico que construa (sistemas do direito, por exemplo) nem aparato
cognitivo (ciências políticas e sociais, por exemplo) que traduza e compreenda
essa relação profunda de confiança entre mestre e discípulo, entre líder e
liderado, entre pai e filho. A governança é um fato espiritual do mundo como
qualquer fenômeno da natureza, que independe dos nossos conheceres e quereres.
É neste misticismo que se funda a religião e a
civilização, separados nas ciências, mas inseparáveis na realidade. O apelo de
Bolsonaro por “Deus, pátria e família” soa, então, muito controverso, uma vez
que permanece apenas na palavra, muito longe dos seus atos concretos. Seu
governo extinguirá Deus, pátria e família. Seu governo será o maior inimigo de
toda relação profunda e mística que subjaz na vida dos brasileiros. Extinguirá
Deus porque destruirá as relações naturais de confiança para instaurar o
Direito consuetudinário anglo-saxão e abrirá a pátria para o mercado
internacional, fazendo dissolver as comunidades tradicionais e religiosas que
ainda abundam no nosso país. Sumirá nossa pátria porque tudo que seu governo
fará constitui a destruição de nossa soberania. E dissolverá nossas família
pelo mesmo motivo que elas vêm se dissolvendo há décadas: a educação dos filhos
será única e exclusivamente rendida aos interesses do mercado, e assim seguirão
as universidades; não haverá tradição familiar, cada indivíduo será, na
família, um elemento separado e independente da família, como quer o mercado.
Essa decadência da família é a última que ocorre, tendo iniciado lá quando se
instituiu como conceito de família apenas a família nuclear (pai, mãe e filho,
sem avós, tios e primos), que também colaborou para o surgimento de uma classe
média dependente de um mercado globalista e apátrida.
A Soberania
Surpreendentemente, o mais óbvio dos aspectos concretos
de nossa crise brasileira, a crise da soberania nacional, é o menos
compreendido, onde há mais confusão entre o povo e, até mesmo, entre políticos
e intelectuais.
Parece que há uma enorme venda negra sobre os olhos do
Brasil que tape um olhar adequado à questão da soberania. Pois ninguém percebe
ainda que, para resolvermos nossos problemas internos, precisamos sobretudo de
autonomia nas decisões sobre o que ocorre dentro de nosso país. Caso este fosse
um aspecto perceptível, jamais haveriam projetos como os da chamada “esquerda”
nem como os da chamada “direita”, pois ambos os espectros parecem ser máquinas sociais
perfeitamente construídas para a destruição da soberania. De um lado, as
ideologias vazias das ciências sociais, o subjetivismo intelectual, o
identitarismo neo-kantiano das intermináveis vertentes feministas e de
movimentos LGBT, que contribuem para a dissolução das identidades brasileiras e,
ao mesmo tempo, para a criação de identidades avulsas e contingentes, de
caráter universalista e global: a consequência disso será, obviamente, a
universalização dos ideais “ocidentais” e a dissolução de qualquer unidade
nacional, condição de possibilidade para qualquer nível de soberania nacional.
De outro lado, a crença absurda de uma “mão invisível do mercado” capaz de
regular as relações sociais e a diminuição do Estado, o que significaria um
enfraquecimento para lidar com quaisquer influências externas, desde as
culturais, intelectuais, científicas, até as de força – como demonstrado pelo
exercício dos EUA na Amazônia nos anos recentes, pelos grampos da CIA e NSA,
pela divulgação de agentes dessas organizações em importantes cargos
brasileiros no governo e nas mídias, pela nitidamente forçada privatização de
nossas indústrias e recursos naturais (inclusive para empresas como Nestlé e Coca-Cola,
no caso da água dos aquíferos).
Ambos, direita e esquerda, despontam como duas
mega-frentes que apenas se contrapõem no discurso, enquanto colaboram
intensamente na prática. O combate entre essas duas frentes é, obviamente, conscientemente
imposto pelas elites, com o fim de criar a ilusão de que são dois polos
opostos, uma sendo “o bem” e outra sendo “o mal”, dependendo de que lado se
está. Isto anestesia o raciocínio de todas as classes e arrasta todo o povo
para lutas fratricidas sem significado algum. É evidente que, assim, os
assuntos mais importantes ficam de lado; e conforme informações surgem
diariamente por todos os meios, elas vão obscurecendo cada vez mais o debate,
deixando apenas ao ódio mútuo e à violência, à desconfiança generalizada, o império
da situação.
É necessário, pois, pensar a soberania. Afinal, estamos
todos no mesmo barco. Ou melhor, no mesmo corpo. É preciso entender isso para
que se descubra o verdadeiro inimigo. Os contos antigos, de Vladivostok à
Cidade do Cabo, da Groenlândia à Austrália, do Ártico à Terra del Fuego, todos possuem
uma sabedoria muito útil à nossa realidade contemporânea. Os contos a que me
refiro são aqueles que contam a história de um mercador ou um viajante que
chega em uma cidade pacata e ganha a confiança de algumas pessoas importantes;
e tendo conhecido a estrutura da comunidade, quem manda em quem, depois de ter
se inteirado dos vícios e das virtudes de cada uma das pessoas, trata de divulgar
mentiras de um para outro sobre cada um deles, e o faz com tal maestria que, em
questão de tempos, está instalada uma guerra interna. O mercador financia então
as armas e, dada a vitória de alguém, cobra a retribuição, escravizando a nova
autoridade da comunidade aos seus interesses mercantis.
Pois é isto o que ocorre no Brasil. As ideologias
intelectuais identitárias neo-kantianas e/ou universalistas e atomistas são
inoculadas no nosso país por meio de intelectuais, jornalistas e políticos
estratégicos, e mais recentemente por empresários que disseminam vídeos mal-intencionados
ou com informações falsas em whatsapp, transformando a opinião pública (a este
ponto chegamos!). É ponto pacífico entre intelectuais decentes que o
neoliberalismo (que se alimenta das confusões citadas acima) é uma ideologia
espalhada em países periféricos (América Latina, Europa continental, Rússia,
Irã, Síria) a partir dos países de centro (EUA, Inglaterra, Israel) que,
contudo, não adotam em seus próprios países. Donald Trump toma medidas cada vez
mais protecionistas em relação ao mercado global, mas no Brasil a chamada “direita”
quer simplesmente abrir o país aos “investidores” internacionais. E mais: se os
países de centro jamais tivessem sido estatistas e protecionistas, jamais
teriam se tornado “o centro”. A questão que fica para o povo brasileiro, então,
é a seguinte: queremos ser um país autônomo, capaz de uma vez ter seu centro
sobre si mesmo, ou queremos ser cada vez mais escravizados por interesses de pessoas
que não têm nenhum dever e nenhum amor para conosco?
Mais uma vez, não é Bolsonaro nem Lula, nem Amoêdo nem
outra porcaria dessas mesmas de sempre que têm um olhar beneficamente decisivo
para nosso país. É Ciro Gomes, que se esforçará em desenvolver um aparato de
segurança e de inteligência robusto para competir com a NSA, a CIA e o próprio
FBI em seu exemplo interno, para eliminar não apenas os traficantes das
favelas, mas os barões do tráfico dos bairros nobres, que financiam políticos e
jornalistas para defenderem interesses deles. É ele, que pretende chamar a
China para uma conversa entre duas nações que visam seus próprios interesses,
buscando um equilíbrio justo nas negociações; com a China, Ciro visa recuperar uma
boa parte da indústria do nosso país, em troca dos minérios que o Brasil já
envia para os chineses. É ele, que pretende refinanciar as forças armadas e
construir uma indústria bélica genuinamente brasileira para competir com todas
as potências mundiais com o fim de defender os interesses dos brasileiros
dentro do seu país e fora dele, por meio da persuasão. É ele, que pretende
refinanciar as universidades para desenvolver tecnologias brasileiras, sem as
quais absolutamente nada, nem sequer a fundição de metal para a manufatura de
um prego, seria possível. É ele, que pretende investir em escolas em todo o
país para desenvolver um amplo sistema de formação (Bildung, Paideia)
nacional, onde certamente o orgulho da pátria e o amor familiar e conjugal
serão recuperados, sem os quais uma civilização simplesmente morre, como
aconteceu com Roma, que terminou em chacina generalizada para benefício de
elites mercantis e internacionais.
Conclusão
Nesse texto, quisemos apresentar alguns aspectos que devem
servir para o brasileiro refletir, sem os quais não haverá solução para
absolutamente nada. É preciso de cérebros e filósofos, e é preciso também de
homens corajosos, para defender nossa soberania e restaurar uma saúde
espiritual no país como um todo.
Quando enaltecemos a figura de Ciro Gomes, não é porque
somos “do partido do Ciro”. Muito pelo contrário, abominamos essa abordagem
para com os políticos. Não há que ser fanático ao ponto de se tornar cego.
Pois, quando fizemos elogios ao candidato Ciro Gomes, é por tudo quanto ele tem
defendido até então; ele representa, de fato, uma saída concreta para os
problemas do Brasil. Ele não é a solução em si, não buscamos nele a salvação da
pátria. Mas ele é um elemento de suma importância para que possamos algum dia
respirar aliviados e tomar forças para, quem sabe no futuro, poder reconstruir
nossa pátria.
Pelos mesmos motivos, devemos olhar para a história e
observar os pontos positivos de Enéias Carneiro, de Leonel Brizola, Getúlio
Vargas, sem perder de vista seus pontos negativos ou anacrônicos, que deverão
ser corrigidos aqui e ali em projetos futuros. A Campanha da Legalidade do
Brizola deve servir de exemplo para todos nós, brasileiros, da coragem de um
homem firme, inteligente e amoroso. E isto é sacro, e isto é belo!
Si vis pacem para
bellum