sábado, 5 de novembro de 2016

TSIDMZ: A Busca por Beleza, Majestade e Metafísica

por Mindaugas Peleckis

TSIDMZ significa THULESEHNSUCHT IN DER MASCHINENZEIT, isso quer dizer Sehnsucht (nostalgia) por Thule em um Tempo de Máquinas. Thule é um “espaço primordial”, provavelmente um lugar físico, mas indubitavelmente, um domínio metafísico. De acordo com a mitologia indo-europeia, os povos indo-europeus que outrora habitaram as terras da Eurásia eram descendentes de Thule, a última terra remanescente do continente Hiperbórea. De uma maneira muito breve e grosseira, podemos dizer que Thule é equivalente ao Éden bíblico. É o lugar da “perfeição” original, o lugar dos ancestrais e heróis que viveram próximos ao divino. A TSIDMZ expressa exatamente esse tipo de nostalgia de um ponto de vista pessimista, significando “ausência”, e também de um ponto de vista construtivo, significando uma nova realização. Portanto, essa nova realização deve ser alcançada em nossos tempos, “In Der Maschinenzeit”. Será possível realizar uma sociedade justa, sublime e “espiritual” na era pós-atômica? Será possível combinar a máquina com a Tradição? De acordo com a TSIDMZ uma possível resposta pode ser encontrada no Futurismo, a nível artístico e cultural, e no Socialismo, a nível político e social. Como consequência, música eletrônica e toda forma de arte “industrial” tornam-se imperativos. No que tange aos níveis social e político o Homem deve ser o mestre da máquina, e não mais um escravo ou vítima. Da mesma forma, a nível cultural o Novo Homem precisa se integrar com a máquina, que deve tornar-se parte de sua nova cultura com o objetivo de dar continuidade aos valores tradicionais com essa nova ferramenta. Como resultado, isso irá criar uma identificação artística e estética, que dará uma nova identidade apropriada ao Arbeiter, como Jünger o entendeu (o Arbeiter é o conceito de E.Jünger sobre o Novo Homem que combina técnica e visão ascética/metafísica). “A técnica é o meio pelo qual a figura do trabalhador mobiliza o mundo.” – E. Jünger. Como consequência, a TSIDMZ apreciou a ideia, o conceito e o tema eurasianos: equilíbrio social, superar todas as ideologias, uma weltanschauung metapolítica e metafísica para reconquistar a Eternidade na pós-modernidade. A TSIDMZ é parte da Associação de Artistas Eurasianos: https://www.facebook.com/EurasianArtistsAssociation. [Fonte: página da TSIDMZ no facebook]. Em minha opinião, a TSIDMZ é uma das melhores e mais interessantes bandas da atualidade: letras profundas, temas sérios, música dramática: é uma bomba que irá explodir sua mente se ela está sob o controle do Big Brother. A entrevista com o líder da banda, Tetsuo, também conhecido como Uomo D’Acciaio (ideias, música, atmosferas, amostras, distorções, efeitos) foi feita em 17 de Outubro de 2016.

Você trabalhou com uma pletora de artistas ao longo dos anos. Quais colaborações foram/são as mais interessantes e importantes pra você, e por quê?

Eu tive a chance de trabalhar com muitos artistas e amigos que eu sempre gostei e apreciei. Cada colaboração foi importante para o enriquecimento cultural e musical do som da TSIDMZ e teve uma origem e história excepcional.

Das primeiras colaborações com Lonsai Maikov, Rose Rovine e Amanti, Heiliges Licht, [distopia], Narog, etc. até as últimas com Gregorio Bardini, barbarossa Umtruk, Order Of Victory, L’Effet C’Est Moi, The Wyrm, Corazzata Valdemone, Gnomonclast, Strydwolf, Suveräna, Horologium, Porta Vittoria, Sonnenkind, Le Cose Bianche, Valerio Orlandini, Winterblood, the Serbian poet/writer Boris Nad etc, eu posso dizer com orgulho que a música sempre foi e é muito variada e em constante evolução e enriquecimento.

Você pode me dizer, resumidamente, quais são as principais ideias por detrás de sua música? Você poderia mencionar suas composições, álbuns e colaborações favoritos?

Por detrás da música da ThuleSehnsucht há a fascinação pela relação dos opostos, a descoberta do desconhecido e a busca pela beleza, majestade e metafísica.

Eu gosto de tudo que fiz ainda se em uma viagem hipotética ao passado eu quisesse melhorar ou mudar algumas coisas. Cada música, CD, compilação, trabalho avulso e colaboração possui uma história, origem, desenvolvimento e esforço único, então é difícil dizer o que eu prefiro. Tudo foi útil para o nosso crescimento.

Uma menção especial vai para Barbarossa Umtruk. Um artista francês muito prolífico, original e talentoso que eu amava antes de começar minha própria música. Ele encontrou uma alquimia de sons única e temas que me fascinaram muito e influenciaram profundamente minha abordagem pessoal à música e a alguns temas.

Por essa razão e em primeiro lugar pela amizade que estabelecemos de maneira espontânea, nós fizemos muitas músicas em colaboração e por isso ele é o único artista presente em toda a trilogia da TSIDMZ (Pax Deorum Hominumque, Ungern Von Sternberg Khan, René Guénon et la Tradition Primordiale) com duas músicas em cada álbum. Da mesma forma, eu tive a chance de estar em alguns de seus trabalhos: La Fosse De Babel, Der Talisman Des Rosenkreuzers: La Mission Secrete Du Baron Sebottendorf, Tagebuch eines Krieges (2005-2015).

O novo álbum está indo bem, mas não como os últimos três CD’s físicos. Ele é menos marcial e muito mais meditativo. Se Pax Deorum Hominumque, por exemplo, possui uma abordagem fácil, o álbum René Guénon et la Tradition Primordiale requer maior concentração e interesse sobre o assunto que eu trato em cada música. Uma boa maneira seria escutar o álbum acompanhando os textos (disponíveis através do Facebook e Bandcamp da TSIDMZ). E dali em diante minha esperança é que todos comecem uma pesquisa e um estudo de maneira profunda e pessoal, interessando-se pelos temas.

O som é mágico. Você provou isso. Porém, o que resta quando não há música?

Som é energia e Deus é pura energia (pensante) então talvez o som puro nunca irá acabar.

O que é e o que não é um som artístico?

Arte em geral deveria estar em primeiro lugar na promoção/educação da beleza, natureza e espiritualidade. As artes deveriam elevar a humanidade, deveriam proporcionar visões do todo e da eternidade e ao mesmo tempo deveriam exorcizar a realidade. Esses são os elementos menos presentes nas “artes” modernas.

Arte, nesse caso, arte musical, significa também trazer algo (em ideias, ou sons, ou em textos em um estilo específico de voz) do “mundo das ideias” platônico para esse mundo. Imitar outro artista, repetir o que já foi dito por outros e “copiar e colar” não é arte. É muito mais uma questão de ser bom ou ruim tecnicamente ou como banda cover.

O que você pensa sobre as relações entre a arte antiga e a arte de computador? Elas são compatíveis?

O computador, como toda coisa inanimada, é uma ferramenta. Uma arma não mata até que alguém a utilize para matar e o computador não mata a arte ou a música até que você o utilize para fazê-lo. Em toda coisa inanimada o que importa é qual o “espírito” que há por detrás dela. Com qual espírito, valor, princípio, visão de mundo e filosofia você utiliza o laptop, a arma, o carro, a família, música, sexo, matemática etc. Aqui se encontra a questão principal e a primeira de todas.

Ferramentas são só coisas inanimadas até que você decida como e quando usá-las. É claro que algumas ferramentas são mais perigosas que outras e requerem mais atenção e mais consciência, mas uma sociedade doente não deveria usar sequer uma colher. Tudo o que uma sociedade doente ou uma filosofia doente ou uma pessoa moralmente doente usa e faz estará errado. De maneira oposta, uma sociedade saudável ou uma pessoa saudável ou uma Weltanschauung saudável irão usar de uma maneira apropriada até mesmo o fogo. Para concluir, tudo pode ser feito (não por todos), mas depende como é feito.

O que você pensa a respeito dos milhares de projetos de bandas eletrônica, neofolk, industrial, ambient, tribal, eletroacústico, avant-guarde etc? É um tipo de tendência, ou uma inclinação em direção à músicas melhores?

Em todos os lugares e em todas as épocas da história sempre houve muitos artistas, músicos, instrumentistas e assim por diante. A única diferença é que agora com as tecnologias, internet, plataformas web e etc. é mais fácil divulgar a própria música e as performances. O que você escutava na taverna, na festa do vilarejo ou nas ruas, hoje pode ser escutado em casa através de um dispositivo, porque as tecnologias permitiram gravar o que uma vez só podia ser tocado e escutado em um evento público.

Agora nós podemos ter tudo imediatamente e a primeira consequência disso é a produção em série e desvalorização de tudo, a falta de entendimento profundo acerca do que escutamos.

O problema toca a questão da socialização e da qualidade.

Se outrora a música foi um agregador social e cultural, agora o homem pós-moderno pode isolar-se completamente de qualquer contexto social e pode escutar o que quiser no momento em que quiser (e na maioria das vezes, o que o sistema quer que você escute. É o zeitgeist! A solidão pós-moderna, consequência do extremo individualismo, a desintegração social e a falta de valores tradicionais e naturais controla mais e mais as nossas vidas. É claro que até no passado a música era tocada e escutada em solidão ou em situações muito privadas, mas o que era uma exceção ou apenas uma das muitas formas de se escutar música agora se tornou a norma.

Então nós chegamos na qualidade. O fato de que agora podemos gravar qualquer coisa que quisermos não significa que estamos indo em direção a uma música superior ou a coisas de maior qualidade. Quantidade raramente significa qualidade. Nós temos uma sobrecarga de álbuns que saturam a escuta. Muitos desses álbuns são só boas composições técnicas, repetição das estruturas habituais de grandes artistas históricos que são chamadas incorretamente de arte.

Imitação não é arte, é apreciável e legal, mas não é música ou arte superior. Ter uma atitude de “banda cover”, uma “atitude de DJ” ou possuir uma boa técnica no que tange à música não é suficiente para preencher a palavra arte. Um som original, textos originais ou músicas originais ou composições originais não são poucas, mas também não são propriedades de qualquer músico. Como eu disse, arte significa trazer algo do “Mundo das Ideias” para esse mundo; quantos dos ditos artistas fazem isso?

Então com a internet a qualidade definitivamente caiu. A internet deveria ser uma maneira de promover e começar para observar como a sua arte funciona; a pós-modernidade é um mundo líquido (dinheiro falso que não existe; o deus invisível chamado mercado que hoje governa tudo; a ideia de que tudo é permitido e não há certezas) e o mp3 sem graça e de baixa qualidade em uma plataforma web que hoje existe, mas amanhã talvez não, é outro elemento da decadente “sociedade líquida” em que vivemos. Não se tem certeza sobre nada, nada mais é qualitativo, tudo é massivo, quantitativo, plastificado, em série, sem nenhum entendimento profundo e mensurável unicamente através do dinheiro... e hoje nem o dinheiro possui um valor real; dinheiro líquido, sem ouro ou um papel correspondente, devido ao fato de que uma grande quantia de dinheiro é criada diariamente na virtualidade (com a consequente usura e especulação).

Concluindo, o primeiro passo urgente é retornar à natureza, nos tornarmos “muito humanos”, e libertarmo-nos desse mundo desumanizado e cada vez mais mecanizado. Referente às artes, um bom ponto de partida poderia ser recuperar o prazer de ler um livro físico ou escutar música em um vinil ou em um CD; na verdade, é impossível ter um controle total e uma compreensão completa de algo até que esse algo esteja somente na virtualidade ou em estado líquido.

Quando conseguirmos re-descobrir o valor de uma sociedade real-concreta que raciocina pelo bem comum, para a beleza física e metafísica e para as raízes das pessoas e identidades e não para os interesses do mercado, talvez será mais fácil iniciar um novo caminho em que a música também se incline ao melhor e em direção a ideias mais originais...

 O que mais inspira você?

Deus, beleza, majestade, eternidade, opostos, filosofia, metafísica, metapolítica, geopolítica, mitologia, religiões, tradições, identidades, pessoas, ideias e ideologias, história, arqueologia corrente e arqueologia oculta, futurismo, cinema, a relação homem-máquina, surrealismo, vida e morte, música industrial, clássica, folk, étnica, eletrônica e rock (metal).

No que você está trabalhando agora?

Está sendo planejado um novo álbum com um som novo, novas ideias e novos temas, mesmo que os anteriores ainda estejam sempre presentes de uma forma ou de outra. Além disso, o projeto está sempre ativo em suas colaborações, compilações temáticas e trabalhos separados.

O que o nome da sua banda significa para você? Que ideologia/religião/visão de mundo você segue?

Significa tudo que eu fui e ainda sou. Significa minha principal Weltanschauung. TSIDMZ é um acrônimo para ThuleSehnsucht in Der MaschinenZeit; isso quer dizer Sehnsucht (nostalgia) por Thule em Tempos de Máquinas. É uma frase que une a parte espiritual com a parte filosófica e a parte artística e musical da minha pessoa. Em poucas palavras, sou eu.

É uma frase que também foi influenciada profundamente por esta famosa frase de E. Jünger: “A técnica é o meio pelo qual a figura do trabalhador mobiliza o mundo.”.

“O Trabalhador” é o Novo Homem de E. Jünger, que combina a técnica moderna e visão ascética/metafísica; em um nível cultural esse Novo Homem precisa se integrar com a máquina, que se tornou parte de sua nova cultura, para que ele possa dar continuidade aos valores tradicionais com essa nova ferramenta.

Eu não me prendo a nenhuma definição. Nem na filosofia e nem na música. Para todo campo humano há muitos rótulos como se fossem marcas comerciais e muitas pessoas que não pensam, são monótonas, iguais em tudo (iguais de maneira inferior e não superior).

As pessoas estão cada vez mais cegas que nunca irão ver o quanto já está condicionado pelos contravalores pós-modernos e antinaturais e pela miríade de mentiras e pseudomitos modernos e pós-modernos em que vivemos. Pensar com seu próprio cérebro significa ser humilde para escutar, descobrir, ler, comparar e entender profundamente (e não com um punhado de frases encontradas nas mídias sociais) o que é totalmente oposto ao que a mídia e o presente sistema orwelliano mandaram você pensar até agora. Esse é só o primeiro ponto para começar a dizer: “Eu penso”.

A humanidade pós-moderna está no ápice da desumanização, no ápice do afastamento da natureza e da vida concreta e real.

Iluminismo, uma espécie de nova religião sem um deus transcendente (como todo materialismo, progressismo, evolucionismo, internacionalismo, ideologias de liberação, feminismo, veganismo e assim sucessivamente com todo o resto de “religiões” modernas construídas ao redor de falsas construções mentais e elementos singulares transformados em absolutos para toda realidade), realizou o primeiro passo para o afastamento de Deus (com o slogan/desculpa frequente de “oh como são ruins as religiões”... seria a bomba atômica ou todo o mal materialista e “laicista” dos últimos séculos uma consequência das religiões!?), e o último passo foi dado com a atual desconexão pós-moderna em relação à vida, à natureza, ao pensamento lógico e simplesmente de sermos humanos.

Em suma, nós podemos dizer que de um deus transcendente no centro do universo nós ganhamos o mercado no centro do universo.

A melhor solução é ter fortes princípios tradicionais e só então considerar qualquer tipo de música, qualquer filosofia e qualquer ideologia. Quando você possui princípios fortes, identitários, naturais, eternos e espirituais, quando você possui uma filosofia holística verdadeira (e não sectária como muitos modernos erroneamente chamam as “filosofias”/conhecimentos), quando você sabe que tudo possui uma origem divina ou espiritual (apenas leia Platão) e limites muito específicos impostos por princípios metafísicos (e portanto você é forçado a não fazer qualquer coisa permitida pela tecnologia ou humanos comuns) quando você entende que a matéria é limitada e o ilimitado (como é o mercado) é um contravalor antinatural, quando você entende que o bem comum é o valor mais alto em uma sociedade, quando você entende que primeiro existe a família e os povos com suas histórias/identidades próprias, únicas, específicas que precisam ser preservadas para que sobrevivam (esse sentimento deveria ser instintivo e padrão, e o fato de que a modernidade o destruiu em muitos povos, é outro sinal da completa desconexão com tudo que é natural e lógico), você também é capaz de compreender o melhor de cada situação e construir a sua “vontade de poder” / moralidade e talvez estar “além do bem e do mal”.

É claro que o mundo pós-moderno não ajuda de modo algum. O “pensamento fraco” e o pior relativismo dominam.

O Novo Homem, o “Übermensch” deve lidar com isso, é a última luta.

“Atualmente nós não estamos em guerra contra uma nação, contra um fenômeno, contra um partido ou uma ideia política, mas sim contra o surgimento de um novo e apavorante aeon, um aeon que irá varrer tradições, irá inverter valores, irá aniquilar e substituir a essência profunda, real e espiritual do ser humano com identidades falsas, baixas e demoníacas. Como consequência nós precisamos ser Futuristas: assistindo ao futuro e à técnica como uma continuação em relação ao passado e à tradição.”

TSIDMZ –ThuleSehnsucht In Der MaschinenZeit-


Obrigado

Tradução: Maurício Oltramari

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Hitler na Consciência Germânica


por Emil Cioran

Nenhum político no mundo hoje inspira tanta simpatia e admiração em mim quanto Hitler. Há algo de irresistível no destino deste homem, para quem todo ato da vida tem significância apenas por sua participação simbólica no destino histórico de uma nação. Pois Hitler é um homem que não tem o que se chama de vida privada. Desde a guerra, sua vida é uma abnegação e um sacrifício. O estilo de vida de um político adquire profundidade apenas quando o desejo pelo poder e a vontade imperialista de conquistar estão acompanhados por uma grande capacidade de abnegação.

A mística do Führer na Alemanha é perfeitamente justificada. Até mesmo aqueles que se consideram adversários apaixonados de Hitler, e que dizem odiá-lo, são levados pela fluidez de sua mística que erigiu sua personalidade em um mito. Durante a conspiração de Röhm, quando nada oficial se sabia ainda, ouvi tantas pessoas que, na véspera, criticavam Hitler sem reservas, exclamando: "tenhamos esperança de que nada tenha acontecido com ele!"

Seus discursos são marcados por um pathos e um frenesi que apenas as visões de um espírito profético pode alcançar. Goebbels é mais refinado, mais sutil, tem uma ironia mais discreta, tem gestos nuanciados e toda uma aparência de um muito refinado e habilidoso intelectual, mas ele não é capaz das vulcânicas e torrenciais explosões que te privam de teu espírito crítico. O mérito de Hitler foi ter despojado uma nação de seu espírito crítico. Pode-se dinamizar algo, pode-se criar efervescência apenas enquanto se privar os homens daquela liberdade que é sua distância entre uns e outros e entre si mesmo [entre eux et soi]. A fecundidade de uma visão é revelada apenas por sua habilidade para seduzir. Ser capaz de acusar de irresponsabilidade aqueles que escolheram outro caminho, eis o destino dramático e a responsabilidade de um visionário, um ditador e um profeta. 

Com Hitler, a habilidade de seduzir é tanto mais impressionante naquilo que não é assistido pelo charme de uma fisionomia expressiva. Seu rosto nunca expressou nada mais do que energia e tristeza. Porque deve-se apenas saber: Hitler é uma pessoa triste. Esta tristeza deriva de demasiada seriedade. Isto caracteriza todo o povo germânico, um povo desesperadamente sério, comparadas com o qual as nações latinas são de algazarra.

Tive a oportunidade de testemunhar um dia, em Berlim, um tipo de êxtase coletivo diante do Führer. Durante uma celebração, no momento em que Hitler estava passando no Unter den Linden, a população se precipitou e circundou seu carro, sem ser capaz de pronunciar uma única palavra, paralisada. Hitler é tão enraizado na consciência germânica que deveria ser um grande desapontamento para as pessoas terem que deixar adorá-lo. É perfeitamente curioso ver que Hitler ganhou ainda mais confiança da nação depois da crise recente do partido.

Aqueles que falam reservas sobre ele fazem menção à sua "falta de cultura". Como se, para liderar uma nação, fosse necessário citar Goethe a cada discurso! O que importa é uma infinita vibração da alma, uma absoluta vontade de realização na história, uma intensa exaltação ao absurdo, um élan irracional ao sacrifício da própria vida. Admitamos que, nas ditaduras da Europa hoje esta grande tensão está presente. É necessário se tornar um poder. Nós devemos também seriamente nos questionar se nações pequenas podem avançar sem recorrer [passer par] à ditadura.

É igualmente verdadeiro que as ditaduras representam as crises do espírito. Cada uma marca um vazio no progresso histórico da cultura. Um justo número de Nacional Socialistas concede isto. Carência de universalidade, eis o problema da cultura germânica. E o Nacional-Socialismo fez até mesmo a ilusão de uma universalidade desaparecer. Julgando-a de um ponto de vista estrito, é um movimento de uma magnitude espantosa. Um dinamismo extraordinário dimensionou a nação e imprimiu sobre ela um ritmo de intensidade inaudível. Em apenas um ano, o Nacional-Socialismo criou mais que o Fascismo em dez. Mussolini é talvez mais prendado que Hitler, mas não esqueçamos que Hitler lutou mais, que ele encontrou dificuldades incomparáveis, e que o destino da Alemanha é infinitamente mais complexo e dramático que o da Itália. Uma genuína tragédia social está acontecendo na Alemanha: nas atuais condições, é humanamente impossível derrotar o desemprego. A tensão nacional é tão grande que, dada a impossibilidade de trazer soluções imediatas e concretas para muitos problemas insondáveis no momento, persiste-se em uma atmosfera de "dinâmica perpétua" cujos perigos foram realçados por [Vice Chanceler Franz] von Papen em seu discurso de Marburg, uma dura crítica ao regime feita em nome da oposição católica.

A oposição dos católicos é inegavelmente grande. O papa, tendo proibido os jovens católicos de se unir à Juventude Hitlerista (Hitler-Jugend), a pressão hitlerista e as reações levaram a sérios conflitos com os católicos. Os bávaros, que são fortemente católicos praticantes, não hesitariam um instante se eles tivessem que escolher entre sua fé e o Nacional-Socialismo.

Mas Hitler significa mais para o povo germânico do que não-sei-que papa que se envolve em assuntos internos de um povo em nome de uma cristandade trivializada pela política e chamada de catolicismo.

Hitler apaixonadamente incendiou as lutas políticas e dinamizou por uma inspiração messiânica todo um domínio de valores que o racionalismo democrático tornou chato e trivial. Nós todos precisamos de um místico, pois estamos todos cansados de tantas verdades que não estouram das chamas.

Munique, 4 de julho, 1934.
 
Emil Cioran, Apologie de la Barbarie: Berlin-Bucarest (1932–1941) (Paris: L’Herne, 2015), “Hitler dans la conscience allemande,” 129–33. Primeiramente publicado em Vremea, 15 de julho, 1934.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Os princípios do judaísmo e da elite financeira globalista

Rothschild e Rockefeller
A ideologia neoliberal é essencialmente judaica. O secularismo do cristianismo é um retorno ao judaísmo primitivo, que concebe Deus apenas como sujeito criador, ocioso e distante da criação. O judaísmo despreza o amor do criador e da criação inerentes ao cristianismo; para o judaísmo, a criação é apenas uma máquina. E este modo de pensamento é o que criou o neoliberalismo e todas as demais ideologias modernas: a casa é uma máquina de morar, o casamento é um contrato, o Estado é um contrato social, o trabalho obedece leis jurídicas e o mercado se rege por interesses dos "sujeitos" (os indivíduos). Para o judeu, não há amor, não há união, não há sacralidade, não há beleza, não há ideal, e tudo deve ser reduzido a mera disputa de interesses, fundamentada no ódio das partes umas contra as outras. Este não é um pensamento natural, é completamente artificial, antinatural e alheio à natureza humana, à natureza do mundo e à natureza do Criador.
Em uma época em que não se pode falar do judeu, devemos abrir os olhos para o motivo real: ele, embora não carregue uma auréola na cabeça, deve ser idolatrado e respeitado acima de tudo, pois é o "povo escolhido por Deus", o povo coitado que sofreu perseguições no mundo todo, o povo, contudo, em verdade, que mentiu muito até alcançar o posto de manda-chuva, através das crises financeiras e do poder da mídia, da especulação, do internacionalismo, das privatizações, das ideologias de gênero, o individualismo, o igualitarismo, o cosmopolitismo, etc. etc. etc.
Se os Protocolos dos Sábios de Sião foram feitos por mãos cristãs, o foram por mãos extremamente perspicazes e inteligentes que captaram uma estratégia REAL, que EXISTE há séculos na história mundial e sobretudo ocidental. Os Protocolos apenas expressam um pouco da ambição megalomaníaca do povo judeu, enterrado no pecado de Mammon, na avareza.
O que estamos vivendo no Brasil é apenas um episódio dos muitos, nos quais os judeus subjugam poderes soberanos. Ao longo da história, eles derrubaram impérios, depois acabaram com os Estados-nação subjugando-os ao mercado, e agora buscam romper as fronteiras e misturar o mundo todo dentro de um governo mundial orquestrado pelas mesmas mãos que coordenam o sistema bancário e o mercado global. As teorias conspiratórias podem ter muito exagerado e entrado em algumas paranoias cíclicas fechadas em filmes de Hollywood, mas de modo algum estão de todo erradas, as motivações contra a maçonaria, contra a Nova Era, contra os bancos, contra Rockefeller, Rothschild, Soros etc., são óbvias, claras, transparentes, e só não enxerga quem não quer ver.
Abaixo, listamos alguns dos princípios deste povo autodenominado virtuoso, o "coitadinho" da história:
"Os judeus são seres humanos, mas os goyim (gentios) não são seres humanos; são apenas bestas." —Baba Mezia 114a-114b
“O não judeu é um animal em forma humana, e é condenado a servir ao judeu dia e noite.”—Midrash Talpiah 225
"Os não judeus são como cachorros. Deve-se honrar a um cachorro mais do que a um não judeu"— Jalkut Rubeni gadol 12b.
"As almas dos não judeus vêm de espíritos impuros e são chamadas suínas"— Ereget Raschi Erod. 22 30
“Los judios son llamados humanos de condición, pero los no judios no son humanos. Ellos son bestias.” (Baba mezia, 114 b)
-“El no judio es una basura; un excremento”. (Schulkman Arukh, con las palabras del rabino Josef Caro).
“Todos los niños gentiles son animales”. (Yebamoth 98 a).-“Los pueblos de gentiles (no judios) constituyen el prepucio del género humano que debe ser cortado”. (Libro del ohar, s. n. con.).”
-“Vosotros israelitas sois llamados hombres, mientras que las naciones del Mundo no son de llamarse hombres, sino bestias”. (Baba mezia, 114 c. 1)
“El Akum (no judio) es como un perro. Si: la sagrada escritura enseña a honrar al perro mas que a un no judio”. (Ereget Raschi Erod. 22, 30).
-“Jehová creó al no judio en forma humana para que el judio no sea servido por bestias. Por lo tanto, el no judio es un animal en forma humana, condenado a servir al judio de dia y de noche”. (Midrasch Talpioth, 255 1, Warsaw 1.855).
-“Las almas de los no judios provienen de espíritus impuros y se llaman cerdos”. (Jalkut Rubeni Gadol, 12 b).
-“Aunque el no judio tiene la misma estructura corporal del judio, ellos se comparan con el judio como un mono a un humano”. (Schene luchoth haberith, p. 250 b).
-“Si tu comes con un gentil (un no judio) es lo mismo que si comes con un perro”. (Tosapoth, Jebamoth 94 b).
“El mejor de los gentiles debe ser asesinado”. (Tractaes menor, Soferim 15, Regla 10).
-“Cuando el mesias hijo de David venga, exterminará a todos los enemigos”. (Majene jeshua fol. 76, c. 1).
-“Si vemos que un idólatra (gentil) es arrastrado o se ahoga en el rio, no debemos ayudarlo. Si vemos que su vida está en peligro, no debemos ayudarle a él”. (Maimonides, Mishnah Torah, p. 184).
-“El que derrama sangre de los no judios ofrece un sacrificio a Dios”. (Jalkut Simeoni ad Pentateucum, s. n. con.)
-“Al mejor de los no judios, matadlo”. (Abodah Zara, 26 b, Thosephoth, reeditando la enseñanza de Ben Yohai – Nota: en otras versiones se podria traducir como: “Hasta el mejor de los gentiles debe ser asesinado”.
“Si un judio tiene un sirviente o criado no judio que muere, no se le debe dar el ésame al judio, sino que debe decírsele: Dios reemplazará tu pérdida como si uno de tus bueyes o asnos hubiese muerto “. (Jore dea 377, 1).
-“Un gentil hereje puede ser asesinado de inmediato por tus propias manos”. (Abodah Zara, 4 b).”No salves al goyim en peligro de muerte”. (Hilkkoth Akum, z 1).
-“Todo judio que derrame la sangre de los sin Dios (no judios), hace lo mismo que un sacrificio a Dios”.(Bammidber raba c. 21 y Jalkut 722).
-“El judio que derrame sangre de un goyim ofrece a Dios un sacrificio agradable”. (Sepher Or Israel 177 b).
-“Asesinar un goyim es lo mismo que matar a un animal salvaje”. (Sanhedrin 59 a
-Esta permitido tomar el cuerpo y la vida de un gentil (un no judio)”. (Sepher ikkarim III, c. 25).
-“Golpear a un judio es como abofetear la cara de Dios”. (Sanhedrin 58 b).
-“Establecemos que ningún rabino alguna vez pueda irse al infierno”. (Hagigah 27 a
Cuando el mesias llegue, cada judio tendrá 2.800 esclavos”. (Simeon Haddaesen, fol. 56 d).
-“El Santísimo habló así a los israelitas: vosotros me habeis reconocido como el único dominador del mundo y, por eso, yo os haré los únicos dominadores del mundo”. (Chaniga fol. 3 a y 3 b).
-“Solo Israel justifica la creación de la tierra”. (Abramo Seba, “Zeror hammor” fol. 6, c. 4).”Si se prueba que alguien le dió dinero de los israelitas a los goyims, de alguna manera debe ser encontrado, pues es razón suficiente para arrojarle fuera de la faz de la tierra”. (Choschen Ham 388, 15).
-“El mesias no vendrá mientras existe un judio que deba soportar el ser dominado por un no judio”. (Shanhedrin 98 a).”En tiempos del mesias, los judios extirparán a todos los pueblos del mundo”. (Bar Nachmani, “Bammidhar baba”, fol. 172, c. 4 y 173, c. 1).
-“El mesias dará al judio el dominio del mundo y todos los pueblos serán subyugados”. (Sanhedrin fol. 88, c. 2, fol. 99 c. 1).
-“Todas las propiedades de las otras naciones pertenecen a la nación judia, la cual, por consiguiente, tiene derecho a apoderarse de todo sin ningún escrúpulo”. (Schulchan Aruch, Choszen Hamiszpat 348).
-“Informar a un goyim de algo relacionado con nuestra religión seria igual que matar a todos los judios, pues si los goyims supieran lo que enseñamos acerca de ellos, nos matarian abiertamente”. (Libro de David, 37).
-“Que cosa es una prostituta? Toda mujer no judia”. (Eben ha Ezer, 6, 8).
-“Las mujeres no judias son burras”. (Berakoth 58 a).
-“Se obliga decir la oración siguiente a todo judio cada dia: Gracias Dios por no haberme hecho un gentil, una mujer o un esclavo”. (Menahoth 43 b- 44 a).
-“Un judio puede hacerle a una mujer no judia lo que él quiera. Puede tratarla como trataria un trozo de carne”. (Nadarine 20 b, Schulman Aruch, Choszen Hamiszpat 348).
-“Que un adulto copule con una muchacha pequeña no significa nada”. (Kethuboth 11 b).
-“Un kohen (tipo de rabino) no debe casarse con una prostituta, y que es una prostituta?, cualquier mujer no judia”. (Schulkhan Arukh, palabras del rabino Josef caro reafirmando a Eben ha Ezer).
-“Allí donde lleguen los judios deberan convertirse en patrones, y hasta que no logremos el dominio absoluto, debemos considerarnos como exiliados y prisioneros; hasta que no nos hayamos apoderado de todo, no debemos cesar de gritar: ay, que tormento!, ay que humillación!”. (Sanhedrin fol. 104, c. 1).
-“Millones de niños judios fueron envueltos en hojas de pergaminos y se les quemó vivos por los romanos”. (Gittin 58 a).
-“Cuando Roma sea destruida, Israel será redimida”. (Talmud Abadian, s. n. con.)
“Los judios pueden usar mentiras para engañar a un gentil”. (Babha Kamma, 113 a).
-“Proclamamos que es lícito hacer uso de la mentira y del perjurio si se requiere condenar en un juicio a un no judio”. (Baba Kama, 113b).
-“Aquellos judios que hacen el bien a los cristianos nunca resucitarán cuando mueran”. (Zohar 1, 25 b).”Los judios tienen que ocultar su odio por los cristianos”. (Iore Dea 148, 12 h).
-“Serás inocente de asesinato si intentas dar muerte a un cristiano”. (Makkoth, 7 b).
-“La propiedad cristiana pertenece al primer judio que la reclame”. (Babba Bathra 54 b).
-“En vísperas del Passovar, Yeshu (Jesus) fué colgado. Que defensa pudo hacerse entonces? No era acaso un Mesias?”. (Sanhedrin 43 a).
-“Los cristianos y otros quienes desecharon el Talmud irán al infierno y se les castigará allí por todas las generaciones”. (Rosh Hashanah 17 a).
-“Está prohibido prestar a los no judios sin usura”. (Talmud Sanhedrin, fol. 76, c. 2).
-“La hipocresia está permitida cuando el judio la necesite, o cuando tenga motivos por temor. Puede decir al no judio que le ama”. (Schulkan Arukh, palabras del rabino Josef Caro).
-“Los judios pueden jurar falsamente por el medio del uso de palabras de subterfugio”. (Schabouth Hag. 6 b).
-“Si un gentil golpea a un judio, a ese gentil se le debe matar”. (Sanhedrin 58 b).


Para terminar, deixamos um link para um famoso vídeo a respeito de um autodenominado sobrevivente do Holocausto, que desde 2014 está queimando no inferno: https://www.youtube.com/watch?v=bS1ajmjM4kI

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Como os Corvos se Tornaram Negros


Era uma vez, muito tempo atrás, Wotan caminhava sob os braços de Yggdrasil quando dois corvos mergulharam e pousaram em seus ombros. O corvo em sua esquerda era branco como a névoa de Niflheim (até então todos os corvos eram brancos), e seus olhos miraram as nuvens. O corvo em sua direita reluzia no sol como a neve de Jotunheim, e olhou-o com alvos e claros olhos. E Wotan chamou o corvo a sua direita de Hugin - Pensamento -, e o outro nomeou-o de Munin - Memória.

Conforme os dias passavam, Hugin e Munin fixaram-se na curiosidade do Pai de Todos por tudo que havia nos Nove Mundos, voando e observando e ouvindo a tudo que podiam, e às noites retornavam a Ele para contá-lo tudo que tinham visto e ouvido nas longas horas do dia. Contaram-lhe sobre os lentos pensamentos das montanhas, sobre as coloridas e sempre mutáveis memórias dos homens, e sobre o som da canção do coração de tudo que vive.

E embora Wotan se deleitasse com o conhecimento que lhe traziam ele sempre sentia que ali faltava algo, e dizia, "Foi muito, mas ainda não o bastante. Amanhã vocês devem voar de novo. Tentem descansar por ora". E os corvos dormiram com dificuldade, sem saber o que lhes faltava, e cada manhã eles voavam de novo. Chegou então uma de muitas noites depois de um longo dia em que eles tinham visto tudo o que a luz de Sunna poderia mostrar, tinham ouvido a todos os pensamentos brilhantes dos homens em Midgard, e leram suas memórias despertas, momento em que Hugin disse a Munin: "Ainda não podemos voltar. Precisamos ir adiante". E mergulharam na noite escura.

E Hugin voou através dos sonhos negros da humanidade e ouviu seus pensamentos os quais não deviam pensar durante o dia, nem mesmo diante de si mesmos. Ele guinou através do vazio entre as estrelas onde não havia nada, e para dentro do crepuscular mundo do futuro onde há tudo e nada ao mesmo tempo. E quando retornou, suas penas, de ponta a ponta, eram negras como a noite.

E Munin adentrou as mentes dos homens em cada canto e célula assombrada onde eles escondiam todas as coisas que não gostavam e as trancafiavam dizendo "não lembro mais". Planou o vácuo indistinguível de Ginnungagap, e sempre adiante até que alcançou as cinzas de Ragnarok que obscureceu esta era. E quando ele retornou, suas penas, do bico ao rabo, eram negras como a fuligem.

Os corvos voltaram a Wotan imediatamente antes do despertar da aurora, quando a noite estava em sua mais negra expressão, e quando eles pousaram em seus ombros ele soube tudo que eles tinham visto, e eles não precisaram lhe contar. E ele entendeu o que estava faltando, mas assentiu dizendo "É muito, e é o bastante. Descansarão por hoje". E os corvos piscaram sonolentos sob os primeiros raios do sol nascente que brilhou em suas agora penas negras, esconderam seus bicos sob suas asas e dormiram muito bem.

Desde então todos os corvos foram vistos negros como uma sombra em noite sem estrelas. Muito raramente acontece de alguém vislumbrar um corvo branco, e seria você um sortudo se visse algum, e viria a saber que já caminhara longe o bastante para a terra da memória, tempos de outrora em que os corvos costumavam ser alvos.

sábado, 30 de julho de 2016

Huldufólk: crença islandesa em elfos

Elfos dançando sobre um lago no crepúsculo. O conceito nórdico de elfo era muito semelhante às Criaturas da Terra ou espíritos protetores da natureza.
August Malmström, 1866.
 
Religião na Islândia Medieval

Capa de um manuscrito da Prosa Edda,
mostrando Wotan, Heimdallr, Sleipnir e
outras figuras da mitologia nórdica.
Islândia foi estabelecida pelos Nórdicos no século IX. Quando os vikings chegaram da Escandinávia, eles trouxeram com eles sua língua, cultura e religião nórdicas. Devido à localização da Islândia, sendo isolada por uma boa distância da Europa, a religião Nórdica sobreviveu muito mais na Islândia do que em qualquer outro lugar. Mesmo depois da cristianização, o clima cultural na Islândia era de tal modo que os costumes antigos conseguiram sobreviver juntamente da nova religião.

Na verdade, foi um cristão quem relembrou os mitos nórdicos como os conhecemos hoje. Snorri Sturluson reescreveu a Prosa Edda, também chamada de Edda Juvenil, bem como as Sagas dos Reis Nórdicos no século XIII. Embora a Islândia tenha se tornado decididamente cristã muito antes dos tempos de Snorri, o povo não se afastou de suas raízes como aconteceu aos outros europeus.

Embora a Igreja Católica Romana tenha sido responsável pela (frequentemente forçada) conversão da Europa nórdica, o catolicismo, em muitos casos, permitiu que as práticas dos povoados regionais mantivessem seus costumes como se houvessem entes cristãos sendo ali venerados. O culto aos santos é um bom exemplo. As deidades locais eram frequentemente re-rotuladas como santos locais. Assim, os locais puderam continuar venerando-os. Quando a Renascença ganhou força, entretanto, os reformadores investiram contra os aspectos "pagãos" do catolicismo. Crenças populares, vistas como remanescentes do paganismo, foram pisadas com grande fervor. Embora houvessem caçadas às bruxas na Islândia, a população era removida o bastante dos acontecimentos da Europa ao ponto das crenças sobreviverem comparativamente intactas.

Entre as antigas crenças que se mantiveram estava uma forte conexão com o Landvaettir e Huldufólk - as "criaturas da terra" e o "povo oculto".
Parque Nacional Jökulsárgljúfu, Islândia. Foto: Karl Kerling.

A Paisagem Mística
Ilha de Lava no Lago Mývatn.
Foto: Andreas Tille

Enquanto o isolamento da Islândia pôde tê-los separado ao ponto de proteger sua cultura, pode ter havido outra razão pela qual o folclore antigo sobreviveu. A paisagem da Islândia é... bem, é difícil de resumir em uma palavra. A paisagem é drástica, poderosa, dramática, que inspira temor, e você ainda poderá dizer que é mágica.

Apesar do nome da Islândia (N.T.: Terra do Gelo), a terra é bastante fértil, com uma abundância de verde durante partes do ano. Sendo uma nação-ilha, o mar era (e é) uma fonte de renda e sustento. Assim, os laços com a terra e o mar permaneceram fortes.

Ainda mais aguda é a ostentação da Islândia de incomuns fenômenos geológicos. É uma das mais ativas regiões vulcânicas da Terra. A atividade geotermal tal como os geysers (gáiseres) e as fontes termais são também abundantes. O que torna essa região tão única é que os vulcões e as fontes termais estão justapostos com as formações de rocha nevada e com os glaciares.
Gígjökull, glaciar se desprendendo de Eyjafjallajökull, Islândia. Foto: Andreas Tille

Terra de Fogo e Gelo
Erupção vista em Þórolfsfell.
Foto: David Karna

Assim, o que a geologia única da Islândia tem que ver com a sobrevivência da mitologia nórdica? Bem, é quase como se a terra fosse um vivo mensageiro de certos mitos. Fogo e Gelo são uma grande parte do imaginário envolvido no mito de criação nórdico.

Mustpelheim é a terra do calor e do fogo. É são quente que nada pode sobreviver ali exceto criaturas indígenas, como os jötunn (gigantes) de fogo.

Niflheim, por sua vez, é o oposto. É um frio nebuloso, terra do gelo. Nove rios de gelo fluem através desta gélida realidade.

Entre estas duas terras está um grande vazio chamado Ginnungagap. E estava no vazio onde o fogo e o gelo se encontram, faiscando a criação dos Nove Mundos.
Pôr do sol no Goðafoss, Winter, Islândia. Foto: Andreas Tille

A Crença nos Elfos nos Nossos Dias
Casinhas de elfos perto de Strandakirkja,
sul da Islândia.
Foto: Christian Bickel

Uma grande minoria da população islandesa abertamente admite acreditar em elfos e outras Entidades Ocultas nos nossos dias. Estas crenças sobreviveram o máximo possível nas áreas rurais, onde fazendeiros podem ainda comunicar-se com as Criaturas da Terra. Entretanto, a crença é surpreendentemente prevalecente em áreas urbanas também. Muitas casas residenciais prestam homenagem aos elfos do jardim construindo casinhas para eles. Casinhas de elfos podem ser vistas pontilhando o país.

Embora apenas uma pequena porcentagem de pessoas admitirão acreditar neles, uma muito alta porcentagem da população ainda não negará sua existência. Muitas pessoas não abertamente dizem que os elfos são reais, mas ao mesmo tempo tomam precauções para evitar incomodá-los. É algo como que dizer que "os elfos provavelmente não existem, mas eu não quero de qualquer forma me precipitar, caso eles mesmo existam!".

Elfos Moram em Grandes Rochas
Álfaborg, castelo das criaturaspróximo a Borgarfjörður.
Foto: Schorle

Islandeses acreditam que elfos vivem dentro de pedregulhos e grandes formações rochosas. Se um pedregulho é conhecido por ser morada de um elfo, é considerado desrespeitoso escalá-lo ou se intrometer no local de qualquer modo. Má sorte pode cair sobre alguém que incomoda os elfos.

É interessante que mesmo que o número de pessoas que abertamente dirão "eu acredito em elfos" é uma minoria, o público ainda aconselhará a parar projetos de construção que passarão por cima de terra acreditada ser ocupada por elfos.

Estradas e construções de autoestradas foram abortadas e alteradas quando o público soube que as rochas dos elfos iriam ser demolidas.

As bases militares dos Estados Unidos na Islândia foram investigadas pelos locais por pôr em perigo o bem-estar dos elfos indígenas. Em 1982, 150 pessoas apareceram na base naval dos EUA clamando que as atividades militares dos EUA estavam pondo em perigo a vida dos elfos nativos.

Algumas vezes "portas de elfos" foram feitas de madeira e pintadas em colorido pelos locais para serem colocadas em frente a rochas conhecidas por serem povoadas por elfos. Isto serve como uma marca de identificação a fim de que os outros saibam não se intrometer nestas rochas.

Comunicação com os Elfos
Um garotinho fala com uma princesa elfo.
Ilustração: John Bauer

Os elfos islandeses se comunicam com os humanos de vários modos. Eles podem expressar insatisfação de modos que não são verbais, mas nunca menos descaradamente. Por exemplo, eles podem fazer rolar pedras e causar outros desastres naturais a fim de fazer conhecer que a atividade humana está os ameaçando e enraivecendo. Eles podem também causar doenças em humanos, destruição de colheitas e doenças em mantimentos.

Quando os elfos estão contentes, no entanto, eles podem abençoar um fazendeiro com uma abundante safra, ou agraciar sua região com climas agradáveis e mares calmos para a navegação.

Sonhos são outro modo de comunicação do elfo com os homens. Um construtor islandês registrou que estava planejando remover um pedregulho em seu projeto, e uma elfo que nele vivia veio a ele em sonho. Ela suplicou que ele deixasse sua família por um tempo até que recolhessem seus pertences a fim de encontrar alojamento temporário até que o pedregulho fosse realocado, momento em que eles poderiam voltar. O construtor estagnou a realocação do pedregulho por alguns dias, adiando a construção. Quando questionado por isso, o construtor recusou mudar os planos. Tratar os elfos com respeito era simplesmente a coisa certa a se fazer.

Elfos podem falar diretamente com os homens em ocasiões. A maioria das pessoas não são capazes de vê-los, mas indivíduos agraciados com habilidades psíquicas mediúnicas podem ser capazes de ver e se comunicar com os elfos.

Entretanto, se você andar por alguma vila islandesa, você possivelmente encontrará a dona de casa que diz que pode ver e falar com os elfos residentes no seu jardim.
 
via exemplore

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Os Saami: povo de pastores de renas do extremo Norte

Família Saami na Noruega em torno de 1900 (imagem de domínio público)
 
Quem são os Saami?

Os Saami, também falado Sami, são um povo indígena que viveram no extremo norte da Escandinávia por centenas, senão milhares de anos. Embora fossem vizinhos dos Antigos Nórdicos, eles eram um grupo étnico inteiramente distinto. Enquanto as línguas oficiais da Noruega, Suécia e Dinamarca são germânicas, a língua dos Saami pertencem à família fino-úgrica (juntamente com finlandeses, húngaros e outros). Assim, enquanto estão espalhados por estas nações (exceto Dinamarca) eles são uma cultura distinta e separada.

Discriminação Histórica
Os Saami ocupam Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia

A região tradicionalmente ocupada pelos Saami é conhecida como Sápmi. Ela é considerada uma "região cultural", mas não é uma nação.

Embora os Saami estejam espalhados por uma vasta extensão de terra, eles foram historicamente discriminados e não têm seu próprio estado-nação.

Como povos indígenas de outras terras, tais como os Nativos Norte Americanos por exemplo, foram submetidos a programas de assimilação, tentativas foram feitas para romper a cultura Saami e assimilar seu povo às culturas maiores dos países onde viveram.

Por causa dessas campanhas, elementos da cultura Saami começaram a morrer e entraram em perigo de desaparecerem para sempre. Esforços massivos para converter os Saami de sua religião nativa foram instituídos pelos luteranos durante os séculos XVIII e XIX. Muitas crianças Saami foram forçadas a falar norueguês ou sueco ao invés de sua própria língua.
Bandeira dos Saami e da "região cultural" Sápmi

Infelizmente, isto não era incomum durante as eras recentes. Há paralelos não apenas com os nativos da América do norte, mas isto também ocorreu com os falantes de língua celta na Irlanda, no País de Gales e outras áreas da Grã-Bretanha.

Assim como muitos outros grupos foram tratados como inferiores pela população dominante, os Saami foram frequentemente zombados e olhados por cima. Por muitos anos eles foram chamados de "Lapões" e sua morada conhecida por "Lapônia". Até hoje muitas pessoas não sabem que o termo "lapão" é ofensivo aos Saami. Aparentemente o termo se refere a trapos e implica que eles são um "povo que veste trapos". Hoje, o termo Saami ou Sami é preferido.

Os Saami e Suas Renas
"Pastor Laestadius instruindo os lapões" por François-Auguste Biard, 1840

Um homem e uma criança Saami, em Finnmark, Noruega, 1900
Dever-se-ia dizer que os Saami, como alguns outros povos, tiveram uma ampla variedade de ocupações. Pastoreio de renas é uma pela qual eles são mais conhecidos, mas isso não é tudo que os Saami fazem ou fizeram historicamente. Isso pode algumas vezes ser um ponto de contenção quando afirmações são feitas de que todos os Saami são pastores de rena. Dito isto, é verdade e justo dizer que o pastoreio de renas é um grande aspecto da cultura Saami por gerações.

Até os nossos dias, o pastoreio de renas é ainda praticado por muitos Saami. Os animais vivem uma vida semi-selvagem, gastando muito do seu tempo vagando para pastar em amplos espaços abertos do extremo norte. Os Saami dirigem as renas para casa em determinados momentos para contar e alimentar o gado.

As renas e o povo Saami viveram juntos em harmonia por centenas de anos. Os animais providenciam aos Saami comida, couro para roupas, e as galhadas eram usadas para fabricar ferramentas e outros utensílios domésticos.

Uma mulher sueca vestida em trajes tradicionais Saami com uma rena branca. Foto: Anthony Randell
Mas a conexão com as renas é mais antiga do que se pode datar. As renas constituem um significado espiritual e cultural simbólico para o povo Saami. Eles aparecem bastante em mitos, lendas e artes tradicionais.

Cartão postal vintage da "Lapônia".

Shamãs do Norte

Conforme dito acima, os Saami enfrentaram injúrias e perseguições durante séculos. Um elemento maior de sua cultura que foi atacado com grande vigor foi sua religião ancestral.
Cópia do tambor rúnico pertencente ao centenário Saami Anders Paulsen. Departamento Cultural do Museu em Olso, Noruega. O tambor rúnico foi confiscado pelas autoridades de Vadsø em 1691. Foto por Sandivas.

A espiritualidade indígena dos Saami é uma forma antiga de animismo. Central ao seu sistema de crença era a presença de shamãs. Estes shamãs são conhecidos por seus tambores do espírito fabricados à mão que eram usados para bater um transe induzindo um ritmo para uma jornada ao mundo do espírito. Os tambores dos shamãs eram feitos de couro animal, frequentemente pele de rena. Desenhado no tambor estaria um mapa que dirigia o shamã para os Outros-mundos.

Uma ilustração antiga de um shamã Saami tocando tambor em transe. Note que o artista interpreta a jornada do espírito do shamã como demoníaca.
Contrariamente à crença popular, punhados de povos europeus ainda não tinham sido cristianizados ao fim da Idade Média e até mesmo durante a Idade Moderna. Os Saami foram um destes grupos. A Europa do Norte foi por muito tempo considerada o último bastião do paganismo, e muitos livros ensinavam que os nórdicos vikings eram os últimos europeus a se converterem ao cristianismo. Isto é falso. Muitos outros povos mantiveram-se firmemente fiéis a suas religiões nativas por centenas de anos depois da conversão dos povos germânicos e nórdicos. Os bálticos são assim um exemplo, quando o grande reino da Lituânia se manteve antes de sucumbir aos invasores teutônicos. O povo de Mari El, que vivem profundamente adentro da Rússia, são outro grupo de pessoas que mantiveram-se fortemente agarrados aos costumes nativos.

Em torno do século XVIII e XIX, e até mesmo do XX, os Saami foram mirados por missionários luteranos para conversão e assimilação. Suas crenças espirituais ancestrais foram incompreendidas e rotuladas de demoníacas. Ao mesmo tempo que sua religião era dissolvida, os Saami foram desencorajados a falar as línguas nativas. Eles foram também subjugados à propriedade privada, e perderam muito de suas pastagens ao longo dos anos. Mesmo aos nossos dias os Saami lutam para reconquistar a terra na qual viveram e puseram seu gado para pastar por centenas de anos.

Renovação e Renascimento da Cultura
Homem Saami em vestes tradicionais. Foto: Norbert Kiss

Nos últimos anos houve uma renovação do orgulho popular entre os Saami. Eles usam recursos como a internet para conectar com outros Saami por longas distâncias e promovem caminhadas para promover seus interesses comuns. Eles deram vozes ao demandar os direitos e o respeito que eles merecem.

Assim como outros grupos na Europa e em outros lugares estão revivendo suas crenças ancestrais, alguns Saami estão revivendo sua própria religião indígena e reintroduzindo o shamã Saami.

Outros aspectos da cultura estão recebendo atenção também. Muitos artistas Saami estão trazendo sua música tradicional ao escopo internacional. Sua música tende a possuir insinuações do som de uma tribo ouvido em outras culturas indígenas ao redor do mundo, com um nível de influência folk escandinávia, mas um som que é distintamente Saami.

Há muitas culturas belas ao redor do mundo. Mas há algo de especialmente mágico nos Saami. Pode ser o simples mas profundamente significativo modo com o qual eles tradicionalmente existiram no esbranquiçado de neve extremo norte. Pode ser sua assombrosamente bela música folk, ou o contraste entre as vívidas cores de suas roupas tradicionais contra o branco limpo da neve. Este povo parece manter algo que muitos de nós há muito perdemos; uma profunda conexão com a natureza e com os animais com os quais eles compartilham sua morada.
 
 
 
via hubpages