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domingo, 18 de outubro de 2015

O futuro da geopolítica global

O recente acordo comercial firmado entre os EUA, Japão e outros países do Pacífico não se limita ao econômico.


Na segunda-feira (05/10/2015) foi anunciado que Estados Unidos, Japão, Canadá, México, Chile, Peru, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Vietnam, Malasia e Brunei chegaram a um acordo para firmar o tratado comercial com maior alcance da história. É conhecido como TPP, Trans-Pacific Partnership, e foi arquitetado para, em teoria, promover o livre comércio e contra-atacar o poder da China no Pacífico. Ainda que, considerando a questão ligeiramente e de uma maneira superficial, pode intuir-se que o plano dos EUA é mais ambicioso, o país pretende em realidade assumir um posicionamento para seguir sendo o grande líder global.

Depois de anos de negociações secretas (só reveladas ao público através do Wikileaks), enfim se tornam conhecidos os detalhes daquilo que será a mudança mais radical que temos visto no comércio mundial. Estamos diante de um acordo histórico, como foi em seu momento o GATT, em 1947, firmado pouco depois de Bretton Woods depois da Segunda Guerra Mundial; ou o acordo que veio depois: A Organização Mundial do Comércio, cujas negociações se prolongaram de 1986 -no que ficou conhecido como “Ronda Uruguai”- até o ano de 1994, sob a liderança de Clinton.

O GATT foi um acordo de menor alcance, limitado principalmente ao comércio de bens. Posteriormente idealizou-se a OMC, cujo objetivo era estabelecer um organismo global para regular o comércio moderno, incrementando assim o controle a outros âmbitos, como os serviços, a agricultura, o investimento estrangeiro... Foi um grande passo adiante, mas se estagnou. Os interesses nacionais boicotaram a maior parte dos possíveis acordos globais, e os países acabaram optando por “acordos bilaterais” firmados entre si.

A revolução do TPP é que, por um lado, regula todos os âmbitos que possamos imaginar (jurídico, patentes, propriedade intelectual, internet...) e por outro lado, envolve a países que perfazem 40% do comércio mundial. Ademais, está implementado com o que poderíamos denominar “arquitetura aberta”, de maneira que se um país deseja firmar o acordo, só precisa cumprir alguns requisitos determinados para fazê-lo, e dessa forma, favorecer a expansão da aliança e não simplesmente constituir um clube fechado.

Soa muito bem, mas a realidade é mais discutível. As principais críticas ao acordo são: foi realizado à imagem e semelhança das multinacionais e que foi um tratado negociado de forma secreta, sem o conhecimento da população. Acusações Graves, sem dúvida. Há que destacar, entretanto que isso demonstra, mais uma vez, que a política exterior estadunidense segue gozando de boa saúde. Alcançaram um acordo muito favorável a seus interesses, a pesar de ser polêmico e favorecer um tipo de globalização que em seu formato atual começa a ser questionada.

Geopolítica

Estados Unidos defende sua indústria, seu cinema, seus laboratórios farmacêuticos, suas tecnologias... Estados unidos defende seu modelo. Mas é o único que consegue. Não é algo casual que o acordo envolva aos principais países do Pacífico, exceto a China. E a crescente influência do gigante asiático na região preocupa tanto à administração Obama como a seus vizinhos, que são céticos em relação à suas verdadeiras intenções. Por isso, Estados Unidos e Japão tiveram que dar um golpe na mesa diante do crescente poder amarelo.

De fato, o golpe é certeiro em muitos aspectos. Por um lado é uma demonstração de força da política estadunidense, mandando uma mensagem de “aqui estamos” ao resto dos países da região asiática do pacífico, região declarada estratégica depois do fiasco do Oriente. Por outro lado promoverá que empresas atualmente instaladas na China, ou aquelas que estejam investindo no país, decidam investir ou transladar-se a outros países que hoje já se mostram como uma alternativa em alguns setores, -como o têxtil- , diga-se de passagem, o Vietnam ou a Malásia, por exemplo.

Por último, o TPP deixa a porta aberta para a entrada de novos membros. Se a China quisesse ser um deles, teria que reformar profundamente sua economia (empresas estatais, sistema financeiro...), algo custoso e difícil, o que de toda forma, seria resignar-se e “passar através do aro”, deixando que os Estados Unidos marquem as regras do comércio mundial. Regras que são boas para as multinacionais pela facilidade na realização das operações comerciais e também porque influenciam o ambiente empresarial ou redundam em uma regulação laboral mínima. Isto é, regras travestidas de boas intenções que prejudicam a muitas empresas emergentes.

O tratado é um golpe que afeta a região, moral e economicamente, e não só isso. Sua maior virtude é que seus efeitos serão globais. E que sem dúvida, o estabelecimento do TPP será um forte empurrão para a aprovação do polêmico Trans-Atlantic Trade and Investment Partnership (TTIP). Esse acordo é similar àquele firmado com os países do Pacífico, mas nesse caso concentrado na União Europeia, aonde as críticas são numerosas. Depois do seu estabelecimento, é provável que o eixo do mundo transferir-se-á ao Leste se não concordamos com estas regras. Se assim ocorrer, os EUA conseguirão que 2/3 do volume de seu comércio exterior se realize mediante acordos de livre comércio.

O mesmo ocorreu nos anos oitenta, quando a abertura comercial dos Estados Unidos para a Ásia provocou a inclusão da União Europeia na “Ronda Uruguai”, que terminou por ser o gérmen da Organização Mundial do Comércio, como já mencionamos anteriormente. Agora poderia repetir-se essa mecânica. Será esta a razão do estranho comportamento que estão tendo ultimamente Alemanha e Rússia? Ao invés de ater-nos às palavras para julgar, vamos aos fatos.

Está chamando a atenção de muitos o fato de que, apesar de enfrentar-se pela Ucrânia, pela Grécia, ou pelo poder no leste europeu, Alemanha e Rússia negociaram um acordo para a ampliação do Nord Stream. Este gasoduto conecta diretamente por mar os russos com os alemães, e possibilita que as vias atuais possam ser cortadas se a Rússia assim desejar, enquanto o gás continuaria chegando na parte ocidental da Europa. Na prática, a ampliação outorga um enorme poder à Rússia e reitera sua política de pressão à seus países satélites.

É perceptível e chama a atenção o fato de que a Rússia não fez nem sequer ameaçou ajudar a Grécia em sua “luta” contra alguns países da zona do euro. Acredita-se que seja devido à crise e a falta de fundos, mas não era necessário dinheiro para defender a postura helena: bastaria fornecer energia barata ou pronunciar-se favoravelmente para fortalecer a Grécia no debate. È possível que a Rússia não quisesse incomodar a Alemanha? Nunca o saberemos, só podemos observar a história e ver que as mudanças drásticas são comuns nas relações entre ambos os países.

Talvez isso se explique em parte pelas sinergias mútuas: um possui energia e o outro possui indústria para desenvolvê-la e/ou utilizá-la. Mas, em qualquer caso, e ainda que as relações não fossem realmente boas, o que ganha a Alemanha não cancelando o Nord Stream? Ganha subsídio energético à custa de favorecer a Rússia, à custa de não respeitar o acordo tácito para debilitá-la que em teoria existe no Ocidente depois dos incidentes na Criméia. Ganharia também uma posição de força para negociar o TTIP?

O que parece evidente em qualquer caso é que, da mesma forma que a China conseguiu uma vitória com seu AIIB, agora são os Estados Unidos que consegue dar um soco na mesa e convencer os seus sócios para que suas regras sigam sendo a referência mundial. Algo nada fácil tendo em conta os numerosos interesses nacionais existentes em meio a tudo isso. É um debate bem distinto se isso é algo positivo ou não, o que não podemos responder pela quantidade de informação desconhecida sobre o tratado. Uns pensarão como Obama que “não podemos deixar que China escreva as regras do futuro”, outros pensarão que as formas são passíveis de melhoramento, e haverá quem o qualifique como desastre. Seja como for, este parece ser o futuro. Ainda que, uma coisa é criar as regras, e outra bem distinta, ganhar o jogo. 

via elconfidencial, traduzido por Maurício Oltramari 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Orçamento militar: potências asiáticas se armam até os dentes!

Orçamento chinês triplicou em dez anos


Os gastos militares das principais potências asiáticas aumentaram dramaticamente na última década. China lidera a tendência, tendo quadruplicado seu orçamento bélico desde o ano 2000.

O orçamento total de guerra da China e outros quatro países - Índia, Japão, Coréia do Sul e Taiwan - duplicou nos últimos dez anos até os 224 bilhões de dólares em 2011. Se espera que superem os gastos militares da Europa este ano, segundo um estudo revelado nesta Segunda-Feira.

O Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, com sede em Washington, previu que estas estatísticas assegurarão que os Estados Unidos cumpra com seu plano para transferir seu foco estratégico para a Ásia-Pacífico.

O orçamento militar da China atualmente é o segundo depois dos Estados Unidos, país que destina mais de 600 bilhões de dólares anualmente de suas arcas para fins militares.

Os gastos da China para a defesa saltaram dos 22,5 bilhões em 2000 aos 89,9 bilhões em 2011, segundo os dados oficiais proporcionados pelo Governo chinês.

Mas o estudo admite, citando várias avaliações independentes, que os gastos militares do gigante asiático poderiam ser muito maiores. Assim o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo situou o orçamento de guerra para 2011 em 142,2 bilhões de dólares.

Analistas de ICD Reasearch estimam que nos próximos cinco anos o país asiático manterá o atual ritmo de aumento de seu orçamento militar, podendo alcançar para 2017 os 174,9 bilhões de dólares.

Nos últimos anos, o crescente gasto militar chinês despertou a desconfiança não só do Japão, Coréia do Sul, Filipinas e Vietnã, que o criticam por sua atitude agressiva e por rivalizar diretamente com eles, mas também os Estados Unidos que tenta expandir seu poderio militar na Ásia.

China salientou que o objetivo deste aumento orçamentário é reduzir a lacuna tecnológica que tem respeito com Estados Unidos e insiste que seu desenvolvimento militar não supõe uma ameaça a nada.

Via RT

Texto completo en: h

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Japão está em alerta por foguete

O primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, declarou nesta quinta-feira que seu país estava em alerta máximo, poucos minutos antes do anunciado lançamento de um foguete pela Coreia do Norte.

"Esperamos que no último momento demonstrem moderação", disse Noda.

Japão e seus aliados, entre eles os Estados Unidos, solicitaram diversas vezes que a Coreia do Norte renunciasse ao que consideram o disparo de teste de um míssil balístico.

"Nós estamos preparados para qualquer eventualidade", disse aos jornalistas pouco antes das 19h00 de quarta-feira, hora de início da janela de lançamento do foguete norte-coreano.

A Coreia do Norte advertiu que lançará um foguete Unha-3 entre 12 e 16 de abril, entre as 19h00 e 00h00, para colocar em órbita sincronizada com o Sol um satélite civil de observação da Terra.

O governo japonês instalou uma célula de crise frente à iminência do disparo. Um grupo de funcionários e especialistas se reuniram em um escritório especial dos serviços do primeiro-ministro para coletar e analisar as informações nos próximos dias.

O foguete será lançado da base de Tongchang-ri, no extremo noroeste da Coreia do Norte. Seu primeiro andar deve cair no mar Amarelo, a oeste da península coreana, e o segundo no leste das Filipinas, sobrevoando algumas das ilhas de Owinawa (sul do Japão).

Diante da possibilidade de o foguete ou seus restos caírem em seu território, o Japão se prepara, assim como a Coreia do Sul, para destruí-lo se for necessário.

No centro de Tóquio e seus arredores foram instalados mísseis terra-ar PAC-3 (Patriot Advanced Capability-3) para proteger a megalópole e seus 35 milhões de habitantes, o mesmo foi feito nas ilhas de Okinawa. Além disso, três destroyers equipados com o sistema de combate Aegis e mísseis interceptores SM-3 (Standard Missile-3) foram enviados ao Mar da China Oriental.

Fonte

segunda-feira, 19 de março de 2012

Coreia do Norte rejeita apelo para cancelar lançamento de satélite

Apesar das críticas, Pyongyang afirma que lançamento continua marcado para abril. Comunidade internacional acredita que manobra é disfarce para teste de mísseis de longo alcance. Acordo com EUA também está ameaçado.

A Coreia do Norte repudiou neste domingo (18/03) as críticas sobre seus planos de lançar um satélite no espaço, entre os dias 12 e 16 de abril, como parte das comemorações do aniversário de seu fundador, Kim II-Sung, avô de Kim Jong-Un, novo líder do país.

O lançamento do foguete com o satélite – o que vem sendo considerado pelos norte-americanos como um disfarce para o que seria na verdade um teste de mísseis de longo alcance – foi anunciado na sexta-feira (16/03) e recebeu duras críticas dos países vizinhos.

Ao reiterar a decisão, os norte-coreanos devem contrariar seu maior apoiador, a China, e voltar a congelar as relações com os Estados Unidos, no momento em que os dois países acenavam para a volta do diálogo.

"O desenvolvimento e uso pacífico do espaço é um direito legítimo e soberano universalmente reconhecido", afirmou a agência de notícias estatal da Coreia do Norte, ressaltando que o uso de satélites para fins científicos não pode permanecer como um privilégio de poucos países

Segundo a agência, os países estão "redondamente enganados" se estiverem pensando que as críticas farão com que os norte-coreanos abortem a operação de lançamento do satélite de observação.

Além dos EUA, também a Coreia do Sul, o Japão e as Nações Unidas expressaram preocupação com os planos da Coreia do Norte, já que há anos o país vem tentando construir um arsenal nuclear.

Analistas acham que anúncio visa reforçar legitimidade de Jong-Un

Para analistas, anúncio visa reforçar legitimidade de Jong-Un

Acordo questionado

O governo dos EUA considera o anúncio de Kim Jong-Un "extremamente provocativo". Para Washington, ao prosseguir com a proposta, Pyongyang levanta dúvidas sobre a efeitividade do acordo fechado com os norte-americanos no dia 29 de fevereiro, segundo o qual os norte-coreanos concordam em suspender seu programa nucleares e de lançamento de mísseis de longo alcance em troca da doação de 240 mil toneladas de alimentos ao país.

Em abril de 2009, o lançamento de um foguete balístico resultou em uma rodada de sanções por parte da ONU, abalando ainda mais a já frágil economia norte-coreana e aprofundando seu isolamento. O lançamento foi considerado uma falha depois que o primeiro estágio caiu no Mar do Japão sem conseguir colocar um satélite em órbita. Um outro teste similar também fracassara em circunstâncias similares em 1998.

Analistas políticos acreditam que o anúncio visa reforçar a legitimidade de Kim Jong-Un, que assumiu o governo coreano após a morte do pai, Kim Jong Il, em dezembro passado.

Via Deutsche Welle