Mostrando postagens com marcador Colonialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colonialismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de abril de 2015

Para além das Malvinas, o colonialismo moderno no mundo

 Por Frederico Larsen - A reivindicação argentina pela soberania sobre as Ilhas Malvinas não é o único pedido de descolonização pendente no mundo, 17 territórios são hoje monitorados para terminar com o colonialismo a nível global.

Durante o século XX deu-se a grande onda de descolonização a nível global que permitiu o surgimento de novos Estados-Nação em todo o mundo. Se bem a África e a Ásia foram os continentes mais afetados pelo fenômeno, em todas as latitudes se sentiu com firmeza a reivindicação pela autodeterminação dos povos a eleger suas formas de governo e exercer sua soberania.

Depois de acompanhar esse processo e acabar com o colonialismo europeu no mundo, as Nações Unidas instituíram a "Declaração sobre a concessão da independência aos países e povos coloniais", conhecida também como a Declaração sobre a Descolonização, em 1961. Um ano mais tarde se constituiu o Comitê Especial de Descolonização, conformado por 24 países que devem assegurar a aplicação dos princípios fundamentais da declaração. No último fevereiro, Equador foi reeleito na presidência do comitê.

Atualmente existem 17 "territórios não autônomos", como os define a ONU, onde vivem milhões de pessoas. Dez deles são controlados pelo Reino Unido: Anguila, Bermudas, Gibraltar, Ilhas Caimã, Ilhas Malvinas, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens Britânicas, Montserrat, Pitcain e a ilha de Santa Elena; três pelos Estados Unidos: Guam, Ilhas Virgens dos EUA e a Samoa Americana; e dois em mãos da França: Nova Calcedônia e a Polinésia Francesa. A estes é necessário acrescentar dois mais, que recebem uma atenção especial por parte da ONU, e são Porto Rico, considerado um "Estado livre associado", mas não incorporado aos EUA, e a República Árabe Saharaui Democrática, ocupada por Marrocos depois da cisão espanhola.

Contrariamente ao que se pode pensar, na maioria dos casos estes territórios não constituem nenhuma vantagem econômica direta para os colonizadores. Pelo contrário, o status econômico que conseguiram, especialmente entre os anos 70 e 90, comporta uma série de obrigações administrativas muitas vezes onerosas para as potências administradoras.

Embora os povos "não autônomos" possam eleger um poder legislativo e um primeiro ministro, o Poder Executivo é compartilhado com um governador eleito diretamente da potência colonial, que toma as decisões sobre a política externa, militar e de comércio internacional, e os pressupostos de investimentos em infraestrutura são geralmente cobertos pelo país colonizador.

Não obstante, em sua maioria -10 de 17 - estão incluídas dentro da lista internacional de paraísos fiscais da OCDE, dando conta de um nível altíssimo de vida alcançado sob esta organização ao amparo da especulação financeira a nível mundial. Boa parte destes países são conhecidos por informação "de cor" que as potências difundem em muitos casos para refletir um estado de paz.

Samoa, por exemplo, se tornou famosa recentemente por sua seleção de futebol, reconhecida pela FIFA e considerada a pior do mundo, mas também a primeira a incorporar uma jogadora transexual entre seus homens.

Assim a atualidade destes territórios não se reduz a seu status de paraísos fiscais ou turísticos. Sua submisão aos governos centrais e os movimentos independentistas que surgiram ao longo dos anos trouxeram não poucos conflitos.

Um dos mais ressonantes é o que enfrenta hoje Paris contra a Polinésia Francesa, que reivindica uma boa indenização por ter sido durante 30 anos a zona de provas nucleares da República Francesa.

Entre as 118 ilhas que compõem este enclave colonial no Pacífico, se encontram as tristemente famosas Mururoa e Fangataufa, onde entre 1968 e 1996 França exportou 193 artefatos nucleares deixando, segundo denunciaram as autoridades polinésias ano passado, 3200 toneladas de material radioativo em suas costas.

Paris deve também atender outra frente no âmbito da descolonização nos próximos meses. Trata-se da Nova Calcedônia, que fará cumprir uma das cláusulas do Acordo de Noumea firmado em 1998 entre os moradores das ilhas e França, que prevê a celebração de um referendo independentista "entre 2014 e 2018".

Embora a força política majoritária há 25 anos ali seja a direitista UMP - partido liderado por Nicolás Sarkozy - que se opõe a qualquer reivindicação independentista, o Front de Libération Nationale Kanak et Socialiste (FLNKS), com forte presença indígena, está cobrando cada vez mais força e hoje lidera a campanha em favor da independência.

Os domínios britânicos tampouco estão livres de conflitos. O Primeiro Ministro de Anguilla, Hubert Hughes, voltou no final de 2013 a insistir na celebração de um referendo, de comum acordo com Londres, para definir o status colonial da ilha. A última vez que se levou a cabo uma iniciativa similar foi em 1967 quando 1813 moradores da ilha contra 5 votaram em favor da independência. Dois anos mais tarde os paraquedistas britânicos chegaram para estabelecer a ordem.

A política plebiscitária para resolver este tipo de controvérsias também está sendo fortemente criticada. Existem casos, como o do referendo nas Ilhas Malvinas de 2013, onde o resultado da consulta é evidentemente influenciado pela política colonial da potência administradora.

Este sentou precedentes no âmbito internacional, como no caso de Guam, no Pacífico Ocidental sob o controle norteamericano. Ali em 1982 os 180.000 habitantes da ilha foram chamados a um plebiscito que não chegou ao quórum necessário. Dois anos mais tarde, a ONU culpou a uma das mais imponentes bases militares dos EUA, instalada em 1976, de ser "o maior obstáculo" para que a população possa eleger livremente seu destino.

Em outros casos, as promessas de autodeterminação nunca se cumprem, como na República Árabe Saharaui Democrática, que espera a celebração de seu referendo independentista desde 1991 depois do estabelecimento dos primeiros acordos de paz com Marrocos e Espanha.

O direito internacional tentou estabelecer regras para a descolonização dos territórios não autônomos em várias ocasiões sem obter resultados confiantes. Basta recordar que a resolução da ONU 2708 de 1970 e concordantes -35/119; 36/38; 37/35; 39/91-, estabelecem a proibição de instalar bases militares nestes territórios. Mas a militarização dos mesmos cresce ou decresce em função das necessidades geopolíticas das potências administradoras e não das resoluções internacionais.

A isto se acrescenta que a maioria das ações multilaterais que se levam adiante passam por um Conselho de Segurança da ONU anacrônico, dominado pelas três potências coloniais que se opõem a qualquer discussão sobre a situação atual.

O caso Malvinas resulta então de profunda relevância internacional. É o único - excetuando algum muito débil protesto espanhol pelo Penhão de Gibraltar - onde um Estado decidiu avançar diplomaticamente na resolução do conflito por vias pacíficas. Qualquer avanço que se alcance nesse sentido poderia sentar precedente para as demais populações sob o domínio colonial.

Via paginatransversal

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Correa sobre Chevron: Novas formas de neocolonialismo tratam de esconder a verdade

O presidente do Equador, Rafael Correa, reiteirou esta terça desde Havana, Cuba, que a Chevron busca através de novas formas de neocolonialismo esconder a verdade do impacto ecológico que causou à Amazônia do país sul-americano.



Em uma entrevista exclusiva para teleSUR com a jornalista Arleen Rodríguez, desde a II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), o presidente afirmou que "o julgamento moral ganhamos, porém falta o julgamento neocolonialista pois esta ordem mundial obedece ao mais forte".

O chefe de estado equatoriano comentou que os tribunais aos quais recorreu a transnacional se deixam levar por potências. "Todos já sebemos a quem esses tribunais obedecem".

"A única forma de mudar essa ordem mundial tão injusta é com a integração, já que o sonho da integração de nossos libertadores se converteu em uma necessidade de sobrevivência", disse o presidente, que além disso comentou que durante seu governo foi vítima de ataque impiedoso de organizações como a CIA que buscam difamá-lo.

"Temos que enfrentar campanhas implacáveis através dos meios de comunicação e das organizações não-governamentais que estão no país e que se for para fortalecer a democracia, que fortaleçam a democracia de seus países".

Em relação da retirada do Equador em 21 de janeiro do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) comentou que "a nossa América deve se livrar de todas as instituições colonialistas" que a seu ver não colaboram para o desenvolvimento do país senão dar poder às grandes potências e colocou como exemplo o caso das Ilhas Malvinas, território argentino sob do mínio da Inglaterra.

Via teleSUR

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Israel constrói mais colônias em território palestino


O regime israelita, indiferente às preocupações e condenações internacionais, aprova a construção de mais assentamentos ilegais nos territórios ocupados dos palestinos.

A notícia foi dada nesta Segunda pela organização israelita não governamental La Paz Ahora, contrária à colonização deste regime.

"Uma comissão da administração militar israelita encarregada da Cisjordânia aprovou recentemente a construção de 829 assentamentos", informa Lior Amihai, responsável pela ONG.

O jornal israelita 'Haaretz' confirma a informação e precisa que os novos assentamentos serão construídos nas colônias de Givat Zeev, ao norte de Al-Quds (Jerusalém Leste), Nofei Prat, Givat Salit e Nokdim.

Não obstante, a construção de novos assentamentos por parte do regime de Tel Aviv tinha parado por um tempo por medo de irritar ainda mais a comunidade internacional, que as considera ilegais porque estão situadas nos territórios ocupados.

Neste contexto, muitos acreditam que esta decisão é uma espécie de represália do primeiro ministro israelita, Benyamin Netanyahu, pelo acordo que foi feito na madrugada de Domingo entre Irã e o Grupo 5+1 sobre o programa de energia nuclear do país persa.

Quando o mundo saudava este importante acordo, Netanyahu não pôde conter sua ira e disse que "o que se conseguiu em Genebra não é um acordo histórico, mas um erro histórico".

O regime israelita utiliza a construção de novos assentamentos ilegais em territórios ocupados palestinos como uma ferramenta para ameaçar o mundo quando algo não lhe convém. Se bem que não necessita desculpas para continuar suas políticas expansionistas e violar sistematicamente a normativa internacional.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A guerra no Mali e a agenda da AFRICOM


Mali, a primeira vista parece um lugar pouco provável para que as potências da OTAN, lideradas por um governo neo-colonialista francês do presidente socialista François Hollande (e silenciosamente apoiado pela administração de Obama), ponham em marcha o que se denomina por alguns de uma nova Guerra dos Trinta Anos contra o Terrorismo.

Mali, com uma população de uns 12 milhões, é um país sem litoral e em grande parte ocupado pelo deserto do Saara, no centro da África ocidental, limita com Argélia ao norte, Mauritânia ao oeste, Senegal, Guiné, Costal do Marfim, Burkina Faso e Niger em sua parte sul. O povo que passou tempo ali antes dos recentes esforços liderados pelos Estados de desestabilização chamou como um dos lugares mais tranquilos e belos da terra. Seus habitantes são em uns 90% muçulmanos de múltiplas opiniões. Conta com uma agricultura de subsistência rural e o analfabetismo adulto é quase 50%. Sem embargo, este país logo é centro de uma nova "guerra global contra o terror".

Em 20 de Janeiro o primeiro ministro britânico David Cameron anunciou a curiosa determinação de seu país em dedicar-se a fazer frente à "ameaça terrorista" em Mali e no norte da África. Cameron declarou "se requerirá uma resposta que se tratará de anos, inclusive décadas, em lugar de meses, e requere uma resposta forte de resolver..." Grã Bretanha em seu apogeu colonial nunca teve uma participação no Mali. Até que conquistou independência em 1960, Mali era uma colônia francesa.

Em 11 de Janeiro, depois de mais de um ano da pressão oculta na vizinha Algéria para enganchá-la em uma invasão da vizinha Mali, Hollande decidiu fazer uma intervenção militar francesa direta com o apoio dos EUA. Seu governo lançou ataques aéreos no levante rebelde norte do Mali contra um grupo fanático salafista de degoladores jihadistas que chamam-se de Al Qaeda no Magreb islâmico (AQIM). O pretexto por uma rápida ação francesa foi uma movimentação militar por um grupinho de jihadistas islâmicos do povo Tuareg, Asnar Dine, afiliado com a maior AQIM. Em 10 de Janeiro Asnar Dine - encobertada por outros grupos islâmicos - atacou a cidade sulista de Konna. Isto marcou a primeira vez da rebelião de Tuareg no início de 2012 que os rebeldes jihadistas saíram do território  tradicional Tuareg no deserto nortenho para espalhar a lei islâmica ao sul do Mali.

De acordo com Thierry Meyssan, forças francesas foram bem preparadas: "O presidente transitório, Dioncounda Traore, declarou um estado de emergência e chamou a França para ajudar. Paris interviu dentro de horas para prevenir a queda da capital, Bamako. Clarividente, o Elysée prontamente preposicionou em Mali tropas da primeira Regimento de Paraquedistas da Infantaria Marinha ("os colonialistas") e o décimo terceiro Regimento de Paraquedas Dragoon, helicópteros da COS (Comando de Operações Especiais), três Mirage 2000D, dois Mirage F-1, três C135, um C130 Hércules e um C160 Transall"[2] Que coincidência conveniente.

Por 21 de Janeiro a aviões de transporte da Força Aérea dos EUA começaram a transportar centenas de soldados de elite franceses e equipamento militar para Mali, ostensivamente para reverter o que foi dito como avanço terrorista descontrolado no sul em direção à capital do Mali.[3]. o Ministro de Defesa francês Jean-Yves Le Drian contou à mídia que o número de 'botas no chão' em Mali chegou a 2.000, acrescentando que "em torno de 4.000 tropas estarão mobilizados para esta operação", em Mali fora das bases[4].

Mas há fortes indicações de que a agenda francesa no Mali é tudo, menos humanitária. Em uma entrevista para France 5 TV, Le Drian cuidadosamente admitiu "o objetivo é a total reconquista do Mali. Não deixaremos nada". E o presidente François Hollande disse que as tropas francesas permaneceriam na região tempo o bastante para "derrotar o terrorismo". Os EUA, Canadá, Reino Unido, Bélgica, Alemanha e Dinamarca todos disseram que apoiariam a operação francesa contra Mali[5].

Mali, como muitos da África é rico em matéria-prima. Tem amplas reservas de ouro, urânio e mais recentemente, embora as companhias ocidentais de petróleo tentam esconder, petróleo, muito petróleo. Os franceses preferiram ignorar os recursos do Mali, mantendo como um país pobre de agricultura de subsistência. Sob o prediente Amadou Toumani Toure, deposto e democraticamente eleito, pela primeira vez o governo iniciou um mapeamento sistemático da vasta riqueza sob seu solo. De acordo com Mamadou Igor Diarra, o anterior ministro de minas, o solo de Mali contém cobre, urânio, fósforo, bauxita, pedras preciosas e, principalmente, alta porcentagem de ouro, óleo e gás. Assim, Mali é um dos países no mundo com a maior parte de matéria-prima. Com suas minas de ouro, o país é já um dos líderes exploradores, logo atrás da África do Sul e Gana[6]. Dois terços da eletricidade francesa é de poder nuclear e recursos de urânio são essenciais. Atualmente, a França extrai significante quantidade de urânio de Niger.

Agora a figura fica um pouco complexa.

De acordo com especialistas confiáveis geralmente ex-militares dos EUA com familiaridade direta na região, que falaram em anonimato, os EUA e as forças especiais da OTAN de fato treinaram os mesmos grupos "terroristas" para justificar uma invasão neo-colonialista francesa apoiada por EUA. A pergunta mais importante é "por que Washington e Paris treinam terroristas que agora estão atuando para destruir em uma "guerra contra o terror"?" Estavam muito surpreeendidos pela falta de lealdade da OTAN de seus alunos? E o que há por trás do respaldo dos EUA da AFRICOM na tomada do Mali pela França?

Leia o artigo completo em Globalresearch