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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Judiaria corrupta ataca Ciro Gomes


Recentemente, Ciro Gomes (PDT), depois de ter sido sabotado nas eleições pela esquerda, pela mídia, pelo centrão, e atacado pela direita do Bolsonaro (que desde o início da campanha sabia que seu maior adversário era Ciro Gomes), começa a ser atacado pela comunidade judaica brasileira (CONIB), que o processará por ter denunciado os atos de corrupção da judiaria brasileira.

Em entrevista ao Huffpost Brasil, Ciro disse que "agora Bolsonaro diz aos grupos de interesse o que eles querem ouvir. Por exemplo, para os amigos dele aí, esses corruptos da comunidade judaica, que acham que, porque são da comunidade judaica, têm direito de ser corrupto...”.

Anteriormente, Ciro havia dito, em várias oportunidades em palestras, que Bolsonaro havia recebido dinheiro do sionismo internacional "radical" para a campanha. Bolsonaro teve gastos bilionários com contratação de pessoal e maquinaria cibernética para impulsionar fakenews, em cima das quais ele obteve a vitória nas urnas. Até hoje, essas informações permanecem inexplicadas.

Temos que lembrar também que igualmente permanece inexplicada a "facada" em Bolsonaro às vésperas das eleições, cujo caso simplesmente sumiu do debate jurídico e das mídias após as eleições, não tendo sido encontrado um culpado e um punido sequer.

Temos que lembrar ainda que permanece inexplicada a dupla relação do Bolsonaro com as milícias envolvidas no assassinato de Marielle (que não é um problema identitário: ela foi morta porque investigava as milícias, não por ser negra nem por ser mulher!) e com as instituições americanas e israelenses, que forneciam armas e verbas milionárias. Bolsonaro muito provavelmente pode ser apontado como mediador entre as organizações criminosas internacionais da judiaria e as milícias locais[1], que faziam o trabalho de eliminar opositores aos projetos internacionais que visavam a destruição da soberania brasileira e a entrega das riquezas pátrias.


Não é só no Brasil

A comunidade judaica não age localmente. Seu projeto é internacional, seu projeto não é de defesa; é um projeto de ataque, de destruição das instituições tradicionais e de domínio global.

Na França do judeu sionista banqueiro Macron, onde o povo dos Gillets Jeunes sai às ruas há meio ano pedindo sua saída do governo, recentemente houve a queimada da Notre-Dame e a prisão do intelectual Alain Soral. Alain Soral foi preso porque negou o holocausto, tendo então sido acusado de "antissemitismo" (como Ciro Gomes!).

Notre-Dame não é só uma igreja. Ela é símbolo da cristandade europeia, seja por sua arquitetura gótica, por sua longevidade, por sua influência cristã e estritamente europeia, seja por seus traços tradicionais e portanto não modernos (como quer a judiaria iconoclasta) e por sua herança renascentista. Depois da queimada, que até hoje não encontrou os culpados, Macron imediatamente recebeu doações milionárias do mundo todo para a reconstrução da igreja, mas com traços modernos e globalistas -- fechando os olhos para a tragédia humana, a mídia replicando este comportamento. Só a motivos de comparação, vale citar o fato de que as Torres Gêmeas, depois de terem sido destruídas (pelo governo americano, é óbvio), imediatamente obteve fundos milionários para a reconstrução da área destruída, fechando os olhos para a tragédia humana que havia acontecido e que até hoje fica sem explicações concretas, sem culpados concretos, sem punições concretas (o pobre do Bin Laden no Oriente Médio, o povo do Afeganistão, Saddan Hussein e o povo do Iraque tiveram que pagar).

A América Latina está sob assalto sionista. O governo Macri da Argentina permitiu que Israel patrulhasse as fronteiras e mapeasse o relevo geográfico. Isso significa que a inteligência israelense está obtendo informações valiosíssimas sobre prováveis cenários de batalhas onde sairao com vantagens, bem como sobre as riquezas naturais que a América Latina tem e que, por um simples deslize, poderão passar para as mãos da judiaria criminosa e assassina, como estão fazendo com o pré-sal, a Amazônia brasileiras, e inúmeras outras riquezas como o subsolo dos aquíferos, os minérios terrestres e, recentemente, a serra gaúcha. Ademais, para quem não sabe, a Venezuela possui a maior reserva de petróleo do planeta -- toda semelhança não é mera coincidência!

A judiaria internacional apátrida e assassina está assaltando e fatiando nossas riquezas. Uma das grandes armas deles é o vitimismo do "antissemitismo", que nunca existiu em lugar algum. Pelo contrário, são esses canalhas que invadem países, destroem povos, genocidam países inteiros, maquiando tudo através das mídias e mentindo descaradamente, usando o "antissemitismo" como aquele argumento contra o qual não deve haver respostas.

Para terminar, vale lembrar que, de fato, até hoje essa judiaria assassina não apresentou quaisquer indícios sobre o Holocausto. É ônus de quem acusa apresentar provas. Enquanto elas não chegam, o Holocausto, ou Holoconto, permanece uma mentira. Vale escutar as palavras de Ahmadinejad sobre o assunto. E de Siegfried Castan também[2].

Ciro Gomes, como Adolf Hitler, Getúlio Vargas, Leonel Brizola, é só mais um homem nacionalista, patriota, acusado por essas organizações judaicas assassinas, que vivem de calúnia e de mentiras, sendo cruéis e covardes.

O povo brasileiro deve expulsar essa podridão, esses parasitas, do seu país. Antes disso, não haverá paz.

Sobre as ligações de Bolsonaro com o interesse internacional: https://www.correiodobrasil.com.br/bolsonaro-visita-cia-polemica-armamento-milicias/

sábado, 12 de janeiro de 2019

Do Ciro Gomes e do Brasil de Bolsonaro

Poster de grupos trabalhistas em Porto Alegre


por Álvaro Hauschild

Em 22 de abril de 2018 saiu um artigo meu no blog Portal Legionário[1] a respeito das eleições brasileiras, no qual eu faço um breve e panorâmico balanço das necessidades da nossa pátria e concluo com um caloroso apoio ao candidato Ciro Gomes, que em outubro ficou em terceiro lugar e, assim, ficou de fora do segundo turno.

Em 2018, aconteceu o que é de tradição no Brasil: o PT tira o trabalhismo (ou alguma outra opção mais interessante) do segundo turno e condena toda uma pátria aos ditames do choque liberal, seja sem o PT, seja com o PT. Aconteceu em 1989 com Brizola (PDT), em 1994 com Enéas (PRONA), em 1998 com Ciro Gomes (PPS) e agora de novo, em 2018, com o Ciro Gomes (PDT). Além disso, o PT monopolizou os debates desde os anos 90 até o ano passado 2018, determinando uma ideologia de cunho liberal para um bloco “de esquerda” que acabou por sufocar o verdadeiro populismo trabalhista, por exemplo em 2002, de novo com Ciro Gomes, que sequer chegou em terceiro lugar no ranking final.

No meu artigo, eu enalteço a necessidade que o Brasil tem de um braço forte, viril, masculino, para conter o grau de liberalização pátrio que acabou por erodir nossas bases civilizacionais, o que inclui economia, mas também história, moralidade, religiosidade, educação etc. Infelizmente, Ciro Gomes, que vinha fazendo uma campanha muito interessante, depois de anunciado o isolamento que o PT projeta contra ele através de bloco de partidos e alianças em geral, se entregou à mais absurda estratégia que foi a de apoiar os movimentos de esquerda como “Ele Não” e o das “Mulheres contra Bolsonaro”, na esperança de tomar do PT o eleitorado da juventude esquerdóide e burguesa. O resultado foi o mais óbvio: Ciro não apenas não ganhou o eleitorado da esquerda como até mesmo maculou gravemente sua imagem a toda uma pátria que não queria mais saber do PT no governo.

Além disso, ao invés de levantar o braço forte e usar da simbologia nacionalista para defender sua candidatura, Ciro escolheu baixar o tom e fazer a figura de “menino comportado” para agradar os mais sensíveis esquerdistas e, ao mesmo tempo, não dar margem para a falação na mídia sobre sua suposta “truculência”. Errou feio! Ciro Gomes, no alto de sua torre de marfim acadêmica, “ilustrada”, não foi capaz de perceber os elementos emocionais que estão em jogo na política e que constituem a natureza humana. Preferiu fazer cálculos quando era hora da espada e acabou sendo esgrimado.

Assim, Ciro Gomes comete dois erros terríveis no xadrez das eleições, um de diplomacia e outro de simbolismo. Ambos os erros estão enraizados na crença moderna de que política se faz com a razão abstrata, quando, ao menos na política, ela é apenas coadjuvante de um torvelinho de emoções e necessidades básicas concretas imediatas. Mais do que isso, a política tem seu caráter religioso, e envolve símbolos que inspiram e interconectam as mentes humanas, a respeito dos hábitos, dos costumes culturais, dos papeis e das funções públicas, e isso tudo requer uma abordagem do político para que ele se torne o símbolo da pátria que nele vota. Em nenhum desses aspectos Ciro Gomes demonstrou maestria no manejo, muito embora ele seja um grande conhecedor do Brasil como um todo.

Ao invés de um pai para o povo, capaz de guiar e de formar, sua imagem foi a de um simples amigo com bons conselhos. Ao invés de um braço forte que demonstrasse força para conter a loucura generalizada no país, fez de si mesmo um homem carinhoso e passivo à linguagem branda que lhe impõem através das mídias. Ao invés de se tornar um símbolo da pátria, vestiu o caráter de um teórico cosmopolita capacitado para consertar o maquinário público.

Ciro é um grande homem, um grande político, um grande exemplo de pessoa e de administrador público. Mas faltou-lhe esgrima e muito possivelmente alguma inspiração, algum ideal, alguma intuição que faça perceber a religião e a política como uma coisa só, um só fenômeno. A cisão entre religião e política, moderna e iluminista, é um erro do qual só os ilustrados não se aperceberam ainda.

A pátria não é só um conjunto de elementos e fatores isolados que se juntam para formar uma sociedade. A pátria é um fenômeno holístico e deve ser visto, experimentado enquanto tal. As funções do chefe de Estado não diferem daquelas de um líder religioso ou de um pai; o elemento sacro e o elemento paterno, masculino, são essenciais – e foi assim que surgiram as civilizações: homens, inspirados por um ideal e envoltos em misticismo, arrastaram massas para um propósito transcendente, para o sacrifício voluntário do ego.

Desse modo, embora um sujeito como Bolsonaro seja completamente inepto, rodeado por pessoas ineptas, ele, com sua simploriedade de levantar a bandeira do Brasil e arrumar barraco com a Rede Globo, foi capaz de passar na frente e vencer muito folgado as eleições. E nisso foi assessorado por Olavo de Carvalho, que segue a mesma estratégia enganosa de se vender ao brasileiro como patriota, mestre e gênio da moral, quando na verdade não passa de um sádico encrenqueiro sem conhecimento algum a respeito do que fala. O apoio do brasileiro a essas figuras demonstra duas coisas: 1) que, até um certo nível, o brasileiro “fascista” tem boas e saudáveis inclinações, uma vez que prefere, naturalmente, figuras que demonstrem representar a pátria de alguma forma, que falem sobre os problemas morais e religiosos causados pela esquerda e não fechem os olhos para os perigos da mídia e da classe “ilustrada” das academias. Mas, por outro lado, 2) isso também mostra que o brasileiro padece de uma doença espiritual bastante avançada e profunda, uma vez que a imagem de Bolsonaro e do Olavo, embora envoltas em belos símbolos, são extremamente levianas e grosseiras na sua expressão mais nítida e descarada; não perceber o vazio no discurso superficial contra a “corrupção” e contra o “comunismo” de ambos é sinal notório de cegueira extrema, de um ansiedade absurda para votar tão prontamente nas impressões mais imediatas e superficiais de um político, sem capacidade para perceber o mínimo de malícia e inépcia que seus olhares exprimem com clareza.

O resultado de um amontoado de ações, dentre eles a astúcia e o dinheiro dos liberais e os erros estratégicos do seu oponente Ciro Gomes (talvez estes erros não sejam apenas estratégicos, mas teóricos também, uma vez que ele acredita ainda no tal do Iluminismo e nos falsos ritos da democracia moderna, que seus oponentes facilmente deturpam e ultrapassam), causou mais uma vitória do liberalismo e a chegada de um novo choque liberal capaz de botar o Brasil, de fato e finalmente, no caos, na selvageria social, na desordem, na injustiça generalizada.

Aliando a força policial, jurídica e militar do país, Bolsonaro constrói sua muralha para que, atrás delas, lhe esteja permitido a aprovação de projetos absurdamente antipopulares como as privatizações em massa, a manutenção dos juros em alta, o corte de financiamento às instituições públicas e à assistência social, o perdão das dívidas milionárias ou bilionárias aos capitalistas, o sucateamento e a ideologização da educação (que já vinham acontecendo nos governos do PT, porém), a garantia da migração do direito brasileiro romano e positivo para o direito anglo-saxão consuetudinário, a garantia do monopólio da religião e da cultura para uma máfia evangélica e neopentecostal (é a versão cristã do ISIS e do wahabismo em geral) – e tudo isso sob o mando de George Soros através de seus dois principais agentes: Olavo de Carvalho, agitador de massas que mora nos EUA e teme vir ao Brasil e serem descobertas suas artimanhas (similares à empregada por Soros no golpe da Ucrânia durante e após o maydan, com agentes da CIA e empréstimos do FED americano para apoiar os grupos neonazistas, que serviram como bucha de canhão no campo de batalha defendendo o governo golpista), e Paulo Guedes, banqueiro e economista formado pelos “Chicago Boys”, promotores de ditaduras nas Américas como meio para impor medidas de choque liberais que país nenhum no mundo (muito menos os EUA e o UK!) engoliria de outro modo.

Enquanto a esquerda ainda chora pelo “machismo” do 38º presidente brasileiro, ele trata de apressar o pacote de medidas econômicas e jurídicas, cada vez mais absurdas, que visam desmontar o Estado brasileiro e fazer dele uma “Terra Média” onde os bancos e os latifúndios constroem seus mais novos impérios, com direito a usar das armas para defende-los contra os “invasores” famintos e sem teto. E assim os 65,5 milhões de brasileiros que nem trabalham nem procuram trabalho porque já desistiram [2] continua aumentando e tende a aumentar, com a falta de oportunidades, que cada vez mais carecem no setor público, por conta dos cortes do governo às instituições públicas, e também no privado, por causa do fechamento e da falência de incontáveis indústrias [3] e comércios [4] brasileiros que continuam a dar lugar à rapina das empresas escravagistas multinacionais que lucrarão com a demanda brasileira agora com o mínimo ou sem qualquer tipo de imposto e fiscalização.

Ciro Gomes tentou fazer o papel de bom moço, se comportou muito bem nas eleições e depois delas, e o que conseguiu em troca disso? Levou de presente os distúrbios e os massacres que as facções dos presídios, enraizadas em SP, disseminaram no Ceará e nos estados vizinhos. Assim, o Ceará teve que pedir ajuda do governo federal, simbólica e concretamente dobrar-se à força e autoridade do novo governo. Isso foi uma mensagem que a politicagem de SP e RJ preparou para aqueles que representam uma ameaça para o tratamento de choque do capitalismo feroz. Os liberais capitalistas falam de direitos individuais e de discurso pacífico, mas por trás do belo discurso eles usam de nada menos do que forças concretas, políticas, morais e físicas, para levar seus projetos adiante, custe o que custar, e sem poupar outros indivíduos que não eles próprios; porque os direitos, como o de propriedade e de auto-preservação, são só para eles, e não para os indivíduos do povo [5].

Diante desses “dois pesos e duas medidas” e da relativização do discurso da paz, esvaziada de seu sentido, que atitude se espera de um político trabalhista, populista, que preza pelas vidas do seu povo e pela sua própria? Convencimento, argumentos? Diante dessa atitude de vida e morte, em que não há para onde fugir, em um beco sem saída, o que cabe à caça fazer diante do caçador que se prepara, engatilhando a arma? E o caçador é um conjunto de seitas e mafiosos enraizados no poder econômico internacional, a saber os bancos e os “investidores”; e no caso do Brasil, seus principais agentes são Paulo Guedes e Olavo de Carvalho, que são os verdadeiros 38ºs presidentes do Brasil.

NOTAS

[1] “Eleições 2018 e a Questão Brasil” https://portal-legionario.blogspot.com/2018/04/eleicoes-2018-e-questao-brasil.html (12/01/2019)

[2] https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/09/28/desemprego-fica-em-121-em-agosto-e-atinge-127-milhoes-de-pessoas-diz-ibge.ghtml (12/01/2019)

[3] Em três anos, mais de 13 mil indústrias fecham: https://g1.globo.com/economia/noticia/em-tres-anos-138-mil-industrias-foram-fechadas-no-brasil-aponta-ibge.ghtml (12/01/2019)

[4] A pesquisa é de 2014-5, mas o problema persiste: http://cnc.org.br/imprensa/releases/economia/crise-provoca-fechamento-recorde-nas-lojas-do-varejo (12/01/2019)

[5] O leitor deve lembrar também que Bolsonaro se opõe claramente aos Direitos Humanos. O que pode parecer, à primeira vista, uma recusa consciente do internacionalismo e do globalismo ocidentais (como é o caso da crítica de Alain de Benoist a respeito dos Direitos Humanos) pode ser, na verdade, um rompimento com todo compromisso de respeito para com as vidas humanas do seu próprio país e daquelas de outros países que sofrem com suas intervenções, como é o caso da Venezuela. Desse modo, Bolsonaro avança em um discurso intervencionista e antipopolar muito mais radical e desumano que os Estados Unidos, que ainda se esforça por fazer com que suas intervenções na Líbia, na Síria, no Iraque, no Líbano etc., sejam apenas por questões humanitárias.

sexta-feira, 23 de março de 2018

O que representa a candidatura de Ciro Gomes

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Ciro Gomes e Leonel Brizola
Por Leonardo Benitz

Diante da grave crise que assola o país, que deixou de ser somente econômica, tornando-se política, institucional e social, onde os grandes poderes da mídia, baronato e bancos digladiam-se oferecendo cada um a sua própria narrativa. Narrativa que oculta um jogo de interesses muitas vezes difícil de ser compreendido até por um estudioso do assunto quanto mais para a grande maioria da população que, fatalmente, torna-se refém das simplificações grosseiras e das reações emocionais a uma situação justamente percebida como insuportável. Uma situação caótica é sempre propícia ao surgimento não somente de arrivistas políticos, mas de ideários estrangeiros propagados por parcela da elite ligada aos interesses internacionais que procura mistificar sua dominação sobre o restante do povo. 

Uma das simplificações mais comuns, com maior adesão por parte de grande parcela da população que está irritada, talvez a mais perigosa dela, é aquela que liga o protagonismo, ainda que atualmente deprimido, que o Estado tem na economia com escândalos de corrupção, ineficiência, burocracia excessiva, e que, portanto, o Estado deveria ser mínimo, isto é, apenas louvar pela aplicação sadia das regras do mercado, e, no máximo, realizar um papel de assistência social, apequenar-se. Acreditar que um país de proporções continentais como o Brasil, com uma das desigualdades mais brutais do mundo, onde 6 pessoas concentram a mesma renda que 100 milhões de pessoas como mostram os dados de pesquisa recentemente realizada pela ONG britânica Oxfam, deve relegar seus problemas a espontaneidade do mercado é inocência ou má-fé. Dentre as duas opções, acredito que a primeira ocorre na grande parte do povo que propaga esse ideário por ignorância e por despercebidamente introjetar valores contrários aos seus próprios interesses através da intoxicação midiática, enquanto a segunda, que tem representantes de peso nos grandes órgãos midiáticos e instituições empresariais e bancos, que age de forma organizada para fazer com que seus interesses tenham aparência de ciência neutra e objetiva, merece ser analisada com mais cuidado. 

Para compreender esse movimento, devemos notar que, no caso específico brasileiro, a ideia já datada do neoliberalismo volta com força, após um breve período de experimentação com os governos de esquerda da América Latina que, na maior parte dos casos, entraram em descrédito. Essa ideia é datada porque os próprios órgãos de governança global que fizeram parte da propagação do ideário do Consenso de Washington, como o FMI, Banco Mundial e Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, já a criticaram em relatórios recentes. O relatório "Neoliberalism:Oversold?" lançado por três economistas do FMI em junho de 2016, estabelece que as políticas de austeridade defendidas ; com base na ideia de rigidez orçamentária dos gastos do governo prejudicou a demanda e aprofundou o desemprego, a remoção das restrições do fluxo de capital -- abertura financeira -- contribuiu para o aumento da desigualdade e do número de crises financeiras, e, para fechar o caixão dessa ideologia, concluíram que o aumento da desigualdade tem efeitos negativos sobre o crescimento de longo-prazo, observação substanciada por novo artigo escrito em fevereiro de 2017, onde há um gráfico que evidencia uma correlação negativa entre desigualdade e crescimento de longo-prazo. Deve-se atentar para a gravidade dessa observação, ou seja, instituições criadas para (fato brilhantemente demonstrado por John Perkins em seu livro "Confissões de um Assassino Econômico", onde o autor narra a estratégia realizada pelo Banco Mundial que, a serviço dos Estados Unidos, realiza empréstimos para países em desenvolvimento procurando escravizá-los por dívidas, lançando-os, de forma subalterna, na esfera do poderio norte-americano) e por países ricos (em reunião realizada pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial, que ficou conhecida como Conferência de Bretton Woods em 1944) estão nos alertando sobre os efeitos perniciosos da desigualdade e da liberalização econômica. A indagação que fica é: se os ouvimos no passado (através da doutrina neoliberal do governo de Fernando Henrique Cardoso) por que não os ouvimos agora? 

A ideia de que o Estado não deve ter protagonismo no combate à desigualdade e desenvolvimento econômico e a economia nacional deve ser aberta ao mundo, não é uma ideia antiga. Como habilmente demonstrado pelo economista Ha-Joon Chang, os Estados Unidos, hoje o campeão mundial do liberalismo, já foram submetidos a pressões estrangeiras para liberalizar-se, no seu caso, por ninguém menos do que o ilustre pai da economia moderna Adam Smith. Vejamos suas observações contidas no livro A Riqueza das Nações: 

` "Se os americanos, seja mediante boicote, seja por meio de qualquer outro tipo de violência, suspenderem a importação das manufaturas europeias aos seus compatriotas capazes da fabricar os mesmos bens, desviando uma parcela considerável de capital para esse fim, estarão retardando o futuro crescimento do valor do seu produto anual, em vez de acelerá-lo, e estarão obstruindo o progresso do país rumo à riqueza e à grandeza verdadeiras, em vez de promovê-lo" 

Em outros escritos considera o futuro do país norte-americano como de uma economia agrária como a Polônia, proposta muito similar àquela recomendada atualmente por economistas liberais como Marcos Lisboa à nação brasileira. É preciso ressaltar que os Estados Unidos não apenas sonoramente rejeitaram esse conselho, e seguiram o conselho do Secretário do Tesouro americano Alexander Hamilton, tornando-se os campeões mundiais do protecionismo até meados do século XX, desenvolvendo o ensino público, investindo em infraestrutura através da concessão de terras e subsídios às empresas ferroviárias, como através de golpes de estado e intervenções em países como Havaí, Cuba, Porto Rico, Filipinas, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Irã, Vietnã, Chile e mais recentemente Iraque e Líbia, também expandindo seu poderio no Leste Europeu através da OTAN, consolidaram seu lugar como a potência hegemônica ocidental desbancando seu antecessor, a Inglaterra, tudo isso com a presença de um mastodôntico aparato militar que consumiu 611 bilhões de dólares em 2016, valor superior aos 595 bilhões de dólares dos oito países com os maiores gastos em defesa juntos no mesmo ano de acordo com dados da Peter G. Peterson Foundation. Deixa-se sem passar que indústrias nas quais os EUA se mantêm na vanguarda internacional como de computadores, internet e aeroespacial não seriam possíveis sem a P&D militar financiada pelo governo americano, como muito bem apontado pela economista Mariana Mazzucato em seu livro "O Estado Empreendedor": "a maioria das inovações radicais revolucionárias, que alimentaram a dinâmica do capitalismo -- das ferrovias à internet, até a nanotecnologia e farmacêutica modernas -- aponta para o Estado na origem dos investimentos empreendedores mais corajosos, incipientes e de capital intensivo", até mesmo o Iphone que é propalado como fruto da genialidade empreendedora do Steve Jobs não teria sido possível sem a utilização de tecnologias financiadas pelo governo como o GPS, tela sensível ao toque, mecanismo de reconhecimento de voz. O que não falta na sede do pensamento liberal é, ironicamente, Estado. 

Poder-se-ia analisar com tranquilidade a experiência histórica de qualquer outro país desenvolvido, seja a Coréia do Sul com sua reforma agrária radical, a criação da usina siderúrgica POSCO construída à contragosto do Banco Mundial, os planos quinquenais estabelecidos pelo General Park, seja no Japão com a Restauração Meiji de 1868 e seu programa de modernização, até a Alemanha de Bismarck que teve um papel pioneiro na introdução do seguro de acidente industrial (1871), seguro saúde (1883), e as pensões estatais (1889), ou até mesmo a Inglaterra, com as barreiras protecionistas impostas para proteger as manufaturas têxteis de algodão e as reformas protecionistas introduzidas pelo primeiro primeiro-ministro britânico Robert Walpole em 1721, que ao defendê-la em discurso do trono ao Parlamento observou que "é evidente que nada contribui mais para promover o bem-estar público do que a exportação de bens manufaturados e a importação de matéria-prima estrangeira". Os exemplos da experiência histórica comparada são infindáveis, e unanimemente eles atestam para a centralidade do papel do Estado no desenvolvimento econômico, portanto, agora aproximando-se mais da realidade e do futuro brasileiros, acredito ser imperativo que se escolha um candidato ciente desses temas na eleição de 2018, e proposto a restaurar o papel do Estado na economia brasileira. 

Necessita-se contextualizar o momento pré-eleição de 2018; o Brasil enfrenta a maior crise da sua história com diversos estados quebrados, os partidos políticos tradicionais desacreditados pela corrupção, tudo isso deflagrado pela crise econômica que ocorreu com a redução do crescimento da China que provocou uma queda nos preços das nossas principais exportações, as commodities, como minério de ferro, trigo, soja, junto com a queda do preço do barril de petróleo. Em 2016, após um processo de impeachment ilegítimo, o vice-presidente Michel Temer assume a presidência e anuncia reformas de desmonte do Estado brasileiro e de entrega do patrimônio nacional, atendendo aos interesses do empresariado apátrida e dos bancos brasileiros e estrangeiros, aprovando a reforma trabalhista que alterou 100 itens da CLT (a mando de lobistas de bancos, indústrias e transportes), enfraquecendo a Justiça do Trabalho, fazendo com que o negociado prevaleça sobre o legislado, como se o empregado estivesse em posição de igualdade efetiva com o empregador, covardemente vendendo os campos de exploração do pré-sal para multinacionais como a Shell, num momento em que os preços do barril de petróleo estão prestes a subir, anunciando um programa de privatizações de 57 empresas estatais incluindo a Casa da Moeda e a Eletrobrás, e, sua obra magna, a Emenda Constitucional 95 que estabelece o teto dos gastos de acordo com a inflação por um período de 20 anos, contendo apenas as despesas primárias (isto é, as que não incluem os juros), privilegiando os rentistas brasileiros à custa de gastos que atendem, ainda que precariamente, a maioria da população como saúde e educação, tudo isso num cenário de desemprego alto remediado por uma crescente informalidade, que garante um sustento com salários e condições baixas de trabalho a uma parcela crescente da população... 

Diante desse péssimo cenário, nós, eleitores, temos que fazer uma escolha que será fatídica no dia da eleição, definindo, rompimentos antidemocráticos à parte, a forma como país sairá ou tentará sair dessa crise. Com o provável impedimento da participação de Lula, vítima de uma perseguição jurídica que, deixando de lado ódios e paixões, curiosamente não encontra paralelos com qualquer político tucano, representando o candidato mais popular da esquerda, líder nas pesquisas, provavelmente teremos uma predominância de candidatos de centro-direita a direita, com nomes como Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro despontando, todos adotando uma percepção neoliberal dos problemas do Brasil; Bolsonaro, com uma retórica nacionalista, no entanto, uma prática não condizente com o discurso, exemplificado perfeitamente pelo episódio simbólico da continência batida à bandeira americana em sua viagem aos Estados Unidos, e também por sua provável escolha para ministro da fazenda, Paulo Guedes, um dos fundadores do Instituto Millenium que recebe financiamento do Bank of America e do grupo RBS. E temos, pela centro-esquerda, a candidatura de Ciro Gomes pelo PDT. Ciro Gomes é conhecido publicamente pela sua inteligência e habilidade retórica, mas sua valentia e coerência também são qualidades que devem ser ressaltadas. Já em livro escrito em 1996, em parceria com o professor Roberto Mangabeira Unger, chamado "O Próximo Passo", apresentava uma proposta alternativa ao neoliberalismo, denunciando a utilização peremptória de juros escorchantes e câmbio sobrevalorizado como expediente de combate a um processo inflacionário que já havia sido superado e que havia se tornado um entrave para o desenvolvimento econômico do país. As propostas do Ciro para essas questões seriam, como relevadas recentemente pelo seu assessor econômico Nelson Marconi, trazer a taxa de câmbio para um patamar condizente com a competitividade das exportações brasileiras entre R$3,80 e R$4, e uma taxa de juros mais baixa, espelhando-se nas experiências dos Estados Unidos e Europa em que a taxa de juros real chega a ser negativa. 

Pode-se concluir que muita coisa mudou para não mudar nada, o problema dos juros continua sendo central na economia brasileira, tendo consumido 1.130.149.667.981,00 (1,13... trilhão) de reais que representa 43,94% do Orçamento Geral da União em 2016 de acordo com dados do Tesouro Nacional. Para ter-se uma medida de comparação, gastou-se 3,90% em Saúde e 3,70% em Educação. O povo brasileiro deve tomar conhecimento de quem manda no país. De acordo com dados publicados pelo IBGE, em 2017 a participação da indústria no PIB caiu para 11,8% retrocedendo aos níveis de 1950; parte desse problema foi ocasionado pelo alto custo do capital provocado por altas taxas de juros, e a outra faceta desse problema é o câmbio sobrevalorizado, abordado anteriormente, que torna nossas exportações menos competitivas e aumenta o custo das importações, provocando um déficit na balança comercial, desnacionalizando nossa indústria. 

Em termos mais categóricos, Ciro define-se como um Nacional-Desenvolvimentista, isto é, defende um projeto no qual um Estado fortalecido promove o desenvolvimento econômico de uma sociedade, algo que não seria atingido caso fosse deixado por conta do mercado. Acredita-se que o artigo deixou bem claro que essa é a experiência vivida por grande parte dos países avançados até mesmo aqueles que propagam a retórica neoliberal. Em termos geopolíticos, Ciro Gomes já se manifestou favorável à construção de um mundo multipolar, repudiando as intervenções unilaterais americanas recentes no Iraque, Afeganistão e Líbia, comemorando o surgimento e protagonismo de Vladimir Putin na Síria como uma forma de equilíbrio e alívio para o mundo que assistiu horrorizado à criação de um cenário caótico no Oriente Médio e o renascimento dos movimentos terroristas islâmicos amplamente financiados por governos ocidentais. Ciro Gomes apresenta uma respeitável compreensão de que, a despeito de todo tipo de retórica sobre paz e liberdade, a ordem mundial é assentada na força e na violência, portanto, um mundo multipolar, com a crescente importância da Rússia e a ascensão econômica da China, poderia conter as arbitrariedades cometidas pelos americanos, e beneficiar até mesmo o Brasil, livrando-nos de intervenções e pressões unilaterais de um país que historicamente considerou a América Latina como seu quintal, e o mundo inteiro como seu. 

Portanto, está na ordem do dia uma redução do oneroso encargo da dívida pública através de uma auditoria e da diminuição do nível de taxa de juros a um patamar condizente com a perspectiva de desenvolvimento industrial nacional, uma reforma tributária estabelecendo uma taxação progressiva, recuperando a sanidade fiscal do Estado que, empoderado, possa assumir seus deveres e retomar seu papel de protagonismo no desenvolvimento econômico e combate à desigualdade através de um projeto nacional-desenvolvimentista. O repúdio a qualquer ideologia estrangeira propagada pelo império e seus representantes, isso é o neoliberalismo, que propõe aos estados subdesenvolvidos uma liberalização econômica que ele mesmo não realizou, ou seja, como bem descrito pelo economista alemão Friedrich List, chuta a escada pela qual subiu, deixando os subdesenvolvidos permanentemente no andar de baixo. 

Uma integração da iniciativa privada, universidades e Estado, no desenvolvimento de tecnologias, tornaria o país menos dependente de insumos externos normalmente dolarizados. A luta deve ser pelo estabelecimento de uma ordem geopolítica multipolar, em que o Brasil possui um papel relevante, deixando de ser um celeiro para os países ricos e um reprodutor de manuais propagados pela metrópole e seus órgãos globais, e lute para a formação de polos de poder que distribuam melhor a capacidade de decisão em assuntos internacionais. 

No presente momento o candidato que possui um histórico e um discurso alinhado com esse ideário é o Ciro Gomes, portanto, como se tentou demonstrar no presente artigo, aqueles brasileiros que não se deixam dobrar pelo discurso dominante devem apoiá-lo nas eleições de 2018.