Mostrando postagens com marcador Crimeia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crimeia. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de março de 2015

Tártaros da Crimeia estão prontos para levar Turquia e Rússia à Eurásia

Desde o início da crise na Ucrânia e do acontecido referendo do retorno da Crimeia à Federação Russa muitos da mídia ocidental especularam sobre que tipo de efeito teria a crise sobre a minoria tártara que existe na Crimeia. Muitos deles se surpreenderam ao ver que entre a população islâmica na Crimeia há muitos ativistas pró-Rússia que não têm uma opinião positiva sobre o governo da Junta de Kiev. Em entrevista para a revista acadêmica sérvia, Vasvi Ambduraimov, líder da organização dos tártaros da Crimeia "Mili Firka" fala sobre a história do seu povo e da situação na Crimeia.

1. Você poderia nos contar algo sobre você e sua organização e sua história, raízes e influências?
- Milly Firqa (traduzindo do Tártaro da Crimeia: o partido do Povo), a organização pública, foi criada na Crimeia em 2006 em resposta à política agressiva nacionalista da Ucrânia contra os "lutadores indígenas", quando a questão étnica dos tártaros da Crimeia chegou a um impasse. E a política da acelerada assimilação dos Tártaros da Crimeia pela dissolução da nação em todo o território da Ucrânia foi executada pelas autoridades da Ucrânia através da estrutura Kurultay Mejlis, criada por eles. A base da ideologia de Milly Firqa é a doutrina do grande educador do Leste Ismail Gasprinski sobre a unidade eslavo-turca nos espaços abertos da Eurásia como condição necessária da preservação e desenvolvimento dos mundos russo e turco e seu povo dentro de um sistema sociocultural. Agora a Organização Pública Republicana de Desenvolvimento Sociocultural da Crimeia de Milly Firqa (o nome completo da organização) está registrada no Ministério da Justiça da Federação Russa com o estatus de entidade legal. Eu tenho honra em liderar o Conselho de Milly Firqa e de representar a organização em todos os níveis.

2. Em muito da mídia ocidental podemos ouvir afirmações de Mustafa Dzemilev e sua organização "Mejlis" sobre repressão corrente contra os tártaros da Crimeia. Mustafa Dzemilev representa a verdadeira voz dos tártaros da Crimeia? Quanto da população tártara da Crimeia apoia ele?
- E não há surpresa. Sobre quem deveria escrever a grande mídia ocidental, quanto sobre os satélites e condutores de um euroatlantismo no ambiente da Crimeia Tártara quem é a estrutura da Kurultay Mejlis e suas cabeças Mustafa e Refat Chubarov?! Nenhum mortal pode ser a única voz para este ou estes povos. Sempre foi, é e continuará sendo Um-Acima de Tudo. Quanto ao apoio de Dzhemilev à Crimeia Tártara, penso que logo será estreitado aos seus pais diretos e aqueles que ele apoia com dinheiro que generosamente recebe do mesmo governo ocidental e das instituições ocidentais. Na Crimeia ucraniana, Dzhemilev foi requerido, na Crimeia Russa não.

3. O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto para reabilitar os Tártaros da Crimeia e outras minorias que sofreram sob Stalin. Qual é sua opinião sobre este decreto, é um bom passo em direção ao desenvolvimento dos direitos minoritários na Federação Russa e à tentativa de corrigir injustiças históricas feitas contra os tártaros da Crimeia, ou é apenas propaganda, como alguns dizem?
- O decreto do presidente Vladimir Putin pôs um fim à questão de reabilitação dos tártaros da Crimeia e dos representantes das minorias étnicas que sofreram sob Stalin. Agora a base necessária e suficiente está criada na Federação Russa pela solução de todas os problemas dos povos oprimidos, inclusive os Tártaros da Crimeia. O que diz o decreto. O caso é pela realização prática que é muito digna. Estou convicto que a solução da questão geral e nacional da Crimeia, como componente, é em interesse do fortalecimento da Federação Russa e de seu sucesso nos projetos geopolíticos iniciados por Moscou como alternativa às aspirações euroatlânticas de submissão do mundo a um centro único.

4. Há o problema do islamismo entre alguns membros da comunidade dos Tártaros da Crimeia. Quem tem interesse em trabalhar contra o Islã tradicional na Crimeia e espalha heresias tais como o wahabismo? Teve algum corpo oficial e organização por trás disto?
- O problema do extremismo internacional e do terrorismo é ua ameaça para toda humanidade. Normalmente esses fenômenos se mascaram em formas religiosas de uma ou outra religião. Mas é um puro satanismo e não tem nada em comum com as religiões do monoteísmo. No ambiente islâmico, ideias misantrópicas são cultivadas através de uma e outra seitas. A Crimeia não foi exceção. E entre os Tártaros da Crimeia houve aqueles que infestaram um vírus perigoso. Praticamente na Crimeia eles não permanecem, todos eles fugiram para a Ucrânia onde são usados na guerra contra a Rússia, contra a Crimeia, contra os Tártaros da Crimeia.

5. Como Tártaro da Crimeia, você tem boa opinião sobre a Turquia. Qual é sua opinião quanto à ideia da comunidade tártara da Crimeia servir como uma ponte entre Rússia e Turquia?
- A Turquia é uma ligação especial do mundo turco, sendo próxima da civilização ocidental, do mundo árabe oriental e do mundo russo. Que tipo de vetor de desenvolvimento será escolhido por Erdogan e seu time em muitos aspectos depende do destino do mundo. A Turquia é mais oriental do que ocidental. Uma integração mais próxima da Turquia moderna com o Oriente e com a Rússia, a meu ver, é mais natural do que se recusasse os valores tradicionals e a espiritualidade em favor de um "buraco negro" das "luzes" ocidentais. E neste sentido nós, os Tártaros da Crimeia, estamos prontos a nos tornarmos a "tocha" para a Turquia, tendo aberto um caminho para que o grande mundo turco entre em uma comunidade com a Rússia...

via CSS

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dugin: Horizontes da nossa Revolução de Crimeia a Lisboa

Por Alexandr Dugin

1. Nós não vamos nos limitar em anexar a Crimeia. Isso é uma certeza. Ontem a reunião com a Crimeia foi uma vitória para nós. Hoje isso é uma coisa infinitamente pequena. As proporções aumentam. Os povos da Sul e Leste da Ucrânia estão acordando gradualmente. É exatamente aquela “demorado em arrear” e “suave em cavalgar” (velho provérbio russo).

2. Todo o importante ainda está por vir. Nós não esperamos uma vitória rápida. Tudo será acertado. Agora nós somos testemunhas de uma nova realidade política, é por isso que tudo adiquire um significado especial. Este não é um empreendimento técnico, não é uma barganha. Isto é a história em si mesma. A luta pela Ucrânia – é uma luta para a reunificação dos povos eslavos. Hoje está claro que esta reunião deve ser geograficamente diferente. A Galicia e outras áreas pró-ocidentais, assim como uma grande parte de Kiev, não almejam a União. Nós entendemos isso. Nós não arrastaremos ninguém pela força. Mas nós não deixaremos e nem trairemos os nossos. No entanto, para tudo você tem que lutar e se esforçar para criar uma nova realidade política e histórica.




3. Importante: O poder em Novorossiya (novo estado pró-russo que está em processo de ser criado no momento no Sul e Leste da ex-Ucrânia, também chamado de Ucrânia da Margem-Esquerda) deve ser limpo. Livre de qualquer traço de oligarquia – incluindo russa ou pró-Rússia. Kiev começou a Revolução, mas lá tudo acabou com snipers dos EUA, russofobia suja e exigências de aceitar a Ucrânia na OTAN. Mas tudo poderia ter sido diferente. Oligarcas, magnatas, burocratas corruptos deixaram todos fartos. Se Kiev e Maidan tivessem se rebelado contra eles, sem a OTAN, sem a porca suja Nuland, sem os manipuladores da CIA e a nojenta russofobia, ainda não seria certo em qual lado nós estaríamos hoje. Maidan foi inicialmente por algo bom. Provavelmente. Mas manipulação e a ignorância geral do povo de Kiev (como explicar tudo isso, talvez por um nível baixo de cultura...) transformou tudo em em farsa suja e sangrenta. Mas quando na Praça de Independência apareceu o assassino louco e maníaco russofóbico Sanya Billy com armas automáticas era um sinal irrevogável, uma espécie de última sentença. Ainda havia tempo para escapar daquilo, mas isso não ocorreu. Os Kievanos falharam a revolução. Os gritos de “Rússia” agora na Ucrânia significam o mesmo que “morte aos oligarcas”, “liberdade”, “justiça”. Todas as regiões da Ucrânia não devem agora ser dirigidas por protegidos pró-Rússia, senão as mais honestas, decentes e heroicas pessoas que tiverem o apoio direto do povo. Esta é a democracia direta, sem farça, mediação ou manipulação. Governadores do povo propostos espontaneamente em algumas cidades do Leste da Ucrânia são uma ideia brilhante! Esta é a verdadeira Democracia. E o que a Rada Kievana iria opor a isso? – governadores-oligarcas (Taruta, Poroshenko, o Líder da Congresso Judaico Europeu, Igor Kolomoyskiy...)! O Espírito revolucionário da Maidan vence na verdade no Leste da Ucrânia. Nem mesmo na Crimeia, mas no Leste! Gubarev contra Taruta. Rogov contra o bastardo Kolomoyskiy. Esta é a Revolução – nacional, social e tudo imediatamente! Em Kiev a Revolução falhou, na Novorossiya ela está começando. Em Kiev ela foi pró-EUA, no Sul e no Leste da Ucrânia anti-EUA. Isso explica a cobertura dos fatos no Ocidente.

4. É hora de pensar o que nós faremos em Kiev. É necessário preparar uma nova força. Não necessariamente pró-Rússia. Uma força eslava. Anti-OTAN, anti-oligárquica, uma força realmente popular. Agora nós devemos entender se todos os nacionalistas estão inteiramente engajados pela CIA, oligaquia e russofobia não natural, ou se há alguns dentre eles que podem avaliar a realidade criticamente e objetivamente. Em todo caso, é óbvio que nesta composição, o suposto governo (junta) será demolido antes das eleições. Em tais circunstâncias é impossível conduzir qualquer eleição, já que metade da população ucraniana [está] deixando o antigo país e criando uma nova entidade polítca (Malorossia). Pretensões de preservar as antigas fronteiras da Ucrânia são irrealistas. Nós precisamos de novas pessoas que entendam o que aconteceu e que o aconteceu, aconteceu irreversivelmente e que estejam prontas a se adaptarem rapdamente a novas condições. É na verdade nessas circunstâncias que a Maidan pode se tornar nossa aliada. Se você retirá-la [da vertente] pró-Americana, e de provocadores neo-nazistas que estão movendo rapidamente para o governo (que o povo Ucraniano certamente logo derrubará), a Maidan se torna um centro político interessante. Mas que vai arrumá-la. A Maidan pode, por exemplo, retirar os vampiros como Taruta e Kolomoyskiy do governo e escutar publicamente os argumentos de Paul Gubarev, dos governadores populares de Donetsk, que foram ilegalmente detidos por mercenários. Devem perguntar aos líderes da junta sobre o incidente com os sniper. Podem convidar políticos russos e figuras públicas para aclararem suas posições e suas visões sobre o futuro da Ucrânia. Nenhuma autoridade russaou líder sério vai conversar com a junta ou com cretinos neo-nazistas, mas com o povo de kiev e com a Maidan, por que não... Sendo assim, Kiev não está livre das contas. Não pode ser equiparada com a junta. Existe a junta e existe Kiev. Ela também não é a oradora responsável pela totalidade da Ucrânia da Margem-Oeste, principalmente pela parte de Kiev que está na margem-leste (!). Mas esta (Maidan) ´´e uma entidade política em uma situação emergencial. Agora que está claro que as pessoas foram assassinadas por agentes da CIA e do Mossad, e não por Yanukovich, a história toda parece diferente. Foram líderes da junta que por parte de seus mestres americanos mataram as ”centenas”, mandando-a para o outro mundo (para o céu ou não é uma pergunta aberta).

5. Para o Ucrânia da Margem-Direita também é necessário preparar um projeto político. Chervonaya (Vermelha) Rus. República Ucraniana Ocidental. Muito atraente. Muito carinhoso. Ela também pode não estar com pressa de dar as boas vindas à OTAN, já que isso causará problemas territóriais com os Sub-Cárpatos habitados por certos grupos antigos e particularmente radicais pró-Rússia da etnia Russiny. Mas de qualquer modo, este poderia ser um estado compacto puramente ucraniano, com sua própria língua, sem minorias étnicas ou linguisticas. Um projeto sólido. Seria ainda melhor se este país se tornasse parte do bloco eslavo comum. Mas isso é decisão do povo da Galicia. Ao mesmo tempo, isso iria satisfazer os maiores sonhos dos atuais ultra-nacionalistas. O povo russófono e as pessoas mentalmente normais iriam logo deixar esse lugar. E então seria possível a todos os ucranianos de raça pura se comunicar livremente na sua própria língua e mesmo colocar por todos os lados monumentos a Shukhevych, Bandera, Petlyura ou mesmo Hitler. Da perspectiva da pós-modernidade, tal Estado tem todo o direito de existir. Então lá Yarosh, o líder do Setor Direita, poderia se tornar Presidente, Dmitro Karchinski, chefe do movimento anarco-nacionalista poderia se tornar Ministro da Cultura e o idiota maníaco Sanya “Billy” Musychko o Promotor Geral ou o chefe do Ministério do Interior . Eu sendo completamente sério, a propósito. É uma boa ideia. No próximo estágio historico este enclaveOcidental-Russo de peculiar insanidade pós-moderna pode muito bem vir a existir.

6. No entanto, nossa revolução não irá parar na Ucrania Ocidental. Ela deve ir mais fundo na Europa. Este é o aspecto mais interessante: com o Maidan em Kiev, os EUA abiraram a Caixa de Pandora na Europa. E ela não pode mais ser fechada. Kissinger corretamente disse que o putsch na Praça da Independência de Maidan mostra a Putin o que o está aguardando (Bolotnaya, Eco de Moscou e outros suínos atlantistas domésticos na própria Rússia, a quinta coluna). Mas... é uma ameaça não apenas a Moscou. É uma ameaça e também para a Europa – incluindo a Alemanha, a França, a Itália e todo o resto. Uma vez que os EUA aprenderam a manipular acumplices neo-nazistas, eles podem facilmente repetir o acontecido em qualquer outro país europeu. E eles VÃO REPETIR. Amanhã ou mais tarde. Então já que agora a situação deles está extremamente ruim, é mais provável que seja amanhã.

7. A Europa enfrenta uma Revolução em ambos os casos: se nós, russos, ganharmos e se nós pararmos em algum lugar por pressão da OTAN. Se nós ganharmos, nós começaramos a expansão da ideologia libertadora (contra os americanos) na Europa. É o objetivo do Eurasianismo completo – Europa, de Lisboa a Vladivostok. O Grande Império Eurasiano Continental. E nós o construiremos. Isso significa que a Revolução europeia sera uma Revolução Eurasiana. Este é o nosso último horizonte. E cada passo vitorioso (desde manter a integridade da Rússia no confronto com os separatistas chechenos nos anos 2000 até a libertação da Ossétia do Sul e a Abcásia em agosto de 2008 e até agora na Crimeia em março de 2014) – é um passo em direção à Revolução Europeia. Que será realizada pelo Homem do Destino.

8. Agora o Segundo caso, se nós (Deus nos livre) pararmos. Então a pressão na Ucrânia e o conflito político e civil em seu território e sua repercussão irão se alastrar pela própria Europa. Também será uma Revolução, mas mais próxima àquela que aconteceu no Maidan. Ou seja, ela será salpicada de neo-nazismo à la Breivik e terá a conivência de certos grupos e movimentos identitários. Nos anos recentes na Europa, o Sistema (a oligarquia financeira global e os EUA) mostraram que queriam claramente usar este elemento para uma desestabilização radical da Europa. Se na Ucrânia a energia do Maidan era a russofobia dos neo-nazistas ucranianos, sem a qual a Maidan não iria adquirir uma forma tão radical de encenar um golpe, na Europa o mesmo combustível de ódio se tornará o ódio dos nacionalistas pelos imigrantes, pelo Islã e pelo LGBT. E, da mesma forma, o ódio dos imigrantes, muçulmanos e LGBT’s contra a população nativa representada pelos neo-nazistas em caricatura. Agora o apoio de alguns identitários europeus (muitos, mas não todos) ao Setor Direita está claro – eles possuem os mesmos objetivos estruturais e o mesmo mestre. Deste modo, neste caso também, a Revolução está esperando pela Europa.

Via OpenRevolt