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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Gogol e a Monarquia Sacra


"O governo de muitos não é bom. Que seja um só governador,
Um rei."
- Ilíada, livro II, 203-204
Família do Tsar Nicolau II, assassinada durante a Revolução Russa
 É possível que há um nível além de unidade nacional, uma avenida para a qual é aberta pela Santa Ortodoxia. Conforme Konstantin Malofeev, fundador de Tsargrad TV e presidente da Fundação Beneficente São Basílio, notou em uma entrevista recente que "hoje, 5% da população vai à igreja aos domingos. Quando isto será 30% ou até mesmo 50%, então a questão da monarquia surgirá por si."

É natural supor, todas as coisas sendo iguais, que as pessoas não aprenderão menos e não deixarão de saber - podemos confidencialmente conceder que a presença aos Serviços Divinos se intensificará. O dia em que a pergunta será feita chegará.

A monarquia não é apenas um sistema político entre outros, de acordo com a Igreja. É a ordem natural e supernatural das coisas. Como disse São João de Kronstadt:

O inferno é uma democracia, o Céu é um Reino. (Демократия – в аду, а на Небе – Царство)

A monarquia é a única forma de governo elaborada nas Sagradas Escrituras. A Igreja até o século passado não conhecia outra forma. Começando com a conversão de São Constantino através do Império Bizantino; em pé até a conversão do Grão Príncipe Vladimir; e finalmente terminando no Império Russo da Dinastia Romanov.

No que ela consiste?

A monarquia ortodoxa é aquela forma de um só governador soberano, ungido de Deus pela Santa Igreja, que vota para servir seus súditos; providenciar seu bem; agir no interesse da nação; defendê-los e proteger a igreja; manter a pureza da Fé Ortodoxa; e assegurar a segurança e qualidade de vida de todo seu povo, independente da religião ou confissão.

Seus súditos se voltam com lealdade ao soberano.

Soberano e súdito são igualmente responsáveis perante a Lei de Deus, preservada e interpretada pelos Concílios Ecumênicos e santos padres.

Todos são responsáveis perante o código de lei do país.

***

Mesmo com sua imaginação infinita, Gogol não poderia ter imaginado uma Rússia sem um Tsar. No Diário de um Louco, são as novidades da vacância do trono espanhol que despedaçam a já rachada sanidade de Aksenty Ivanovich.

...Há coisas estranhas pelos lados da Espanha... eles escrevem que o trono está vazio e que a nobreza está com dificuldade em eleger uma herdeiro, que está levando ao tumulto. Isto me fere de um modo extremamente estranho. Como pode um trono estar vazio? Eles dizem que alguma dona pode subir ao trono. Nenhuma dona pode subir ao trono. É simplesmente impossível. Só pode haver um rei no trono. Assim, eles dizem que não há rei. Nenhum Estado pode existir sem um rei. Há um rei, mas ninguém sabe quem ele é...

Tal dificuldade leva a esta declaração:

43º dia de abril no ano de 2000
Hoje celebramos um ilustríssimo evento! A Espanha tem um rei. Ele foi encontrado. Eu sou este rei.

Não foi por conta da ausência de visão que Gogol não pôde ver uma Rússia sem um Tsar. Ele estava consciente da alternativa. Ele sabia bem das ideias do Iluminismo. Uma das cartas mais interessantes em sua correspondência publicada se refere inteiramente ao tema do Iluminismo. Ele viveu depois que a ideia foi apropriada e aplicada (com violência) na França e (pela guerra civil) nos Estados Unidos da América. Ele sabia o que eram a liberal democracia e o republicanismo democrático.

Gogol não via o Iluminismo como algo contra a Santa Ortodoxia, contra a monarquia ou em qualquer sentido negativo do tipo. Ele se refere brilhantemente às medidas gerais de Pedro o Grande e apontou a falha do Império Russo para atingir todo o povo - ele não se poupou.

Quem quer que vê esses espaços desabitados e vazios desamparados pelas vilas ou casas não se sente deprimido, quem quer que nos lúgubres sons das nossas músicas não ouve a repreensão dorida em si mesmo - de fato, em si mesmo - ou preencheu seu dever como deveria, ou não é um Russo na alma. Quase 150 anos decorreram desde que nosso soberano Pedro I clareou nossos olhos pelo purgatório do iluminismo europeu; ele pôs nas nossas mãos os meios e instrumentos da ação...

Gogol, no entanto, realmente encontra uma falta. Mas do melhor jeito. É o tipo mais feio de preguiça intelectual para criticar, morder, rasgar, desmantelar e oferecer alternativa nenhuma. Reciprocamente é o melhor tipo de compromisso o oferecer novas ideias e perspectivas, criar novas possibilidades - para construir, não quebrar, fazer pontes e não queimá-las.

Gogol cruzando o Dnepr, por Anton Ivanov
O pensamento de Gogol era de que a preocupação francesa com o cristianismo cismático e sectário ocidental não deveria ser levada para o Império Russo. Mesmo Pedro e Catarina (os Grandes) parecem ter instintivamente percebido isto, embora eles ainda, tristes, capturam o conteúdo contagioso para o monasticismo através do contato com os polemistas ocidentais.

Gogol pensava que a Igreja era o veículo do autêntico Iluminismo, não um impedimento (Pedro e Catarina) ou seu inimigo (Voltaire).

A inteira e total visão de vida permaneceu na Igreja Ortodoxa, manifestamente mantida em reserva para mais tarde e para uma educação mais completa do homem. Ela tem o espaço não apenas para a alma e coração do homem,, mas também para sua razão, em todos os poderes supremos; neça está o caminho e a estrada pela qual tudo no homem se tornará um hino harmonioso do Ser Supremo...
... Iluminar não significa ensinar ou edificar, ou educar, ou até mesmo iluminar, mas iluminar um homem através de todas suas faculdades e não apenas se sua inteligência, tomar toda sua natureza através de um fogo purificador. Essa palavra é emprestada da nossa Igreja, que pronunciou por quase mil anos, apesar de toda a escuridão e melancolia ignorante que rodeia por todo lado, e sabe o porquê pronuncia. Não é por nada que o bispo, em celebração do serviço, elevando com uma mão o candelabro de três braços, que significa a Santa Trindade, e com a outra o candelabro de dois braços, que significa a descida à terra do Verbo em sua dupla natureza, Divina e humana, através desses [gestos] clarifica tudo, pronunciando 'Que a Luz de Cristo ilumine tudo!' Não é por nada também que num outro momento do serviço soam trovoando, como se fossem dos Céus, as palavras: 'Senhor da iluminação!' e nada mais é acrescentado.

Os arquitetos originais do ideal e seus expoentes durante o Iluminismo francês, apesar de seu anticlericalismo, foram eles mesmos monarquistas - Voltair incluso. Estes pensadores foram mais bem-vindos em São Petersburgo do que em Paris. Muitos, de novo entre eles Voltair, mantiveram correspondência com Catarina a Grande, confidenciando grandes esperanças na Rússia.

Os verdadeiros ideais do Iiluminismo, no início, eram
1. Governo de reis
2. Tolerância religiosa (não laicismo oficial do Estado)
3. Gosto elegante na arte e na literatura

A monarquia ortodoxa fecha mais com o critério do governo de reis do que a liberal democracia.

Quanto à tolerância religiosa - um Estado laico não é tolerância de religião. É, antes disso, a forma mais alta de intolerância, desde que não dá lugar nem concede participação no governo da religião da maioria - enquanto este sistema de governo reclama ser representativo do povo.

Uma exclusão geral a priori é uma ruidosa intolerância a todas as religiões, quer seja o aspecto mais vital da vida e dos trabalhos de uma nação: o governo. Não há tolerância religiosa quando a única menção à religião garantida na Constituição ou código de lei é uma nota que não tem espaço nos assuntos estatais.

Em contraste com isso, a monarquia ortodoxa faz da religião do povo o fator determinante do Estado do mesmo modo que define a maioria dos cidadãos como indivíduos. E enquanto o Império, o Tsar e a Família Real devem ser ortodoxos, por definição, a liberdade de religião é garantida para as minorias heterodoxas e até mesmo encorajadas em frases que lembram o primeiro Edito de Milão de Tolerância de 313 do Imperador Ortodoxo.

Lemos no capítulo VII, 67, das Leis Fundamentais Imperiais Russas de 1906:

A liberdade de religião é concedida não apenas para cristãos de seitas estrangeiras, mas também judeus, islâmicos e pagãos; assim, todos os povos que vivem na Rússia podem glorificar o Deus Todo Poderoso em várias línguas de acordo com as leis e confissões de seus ancestrais, abençoando o reino dos Monarcas Russos e suplicando ao Criador do universo para aumentar o bem-estar da nação e fortalecer o poder do Império.

Sobre o gosto elegante na arte e na literatura. Parece-me, um confirmado classicista, que é óbvio que o gosto e a literatura desapareceram junto com a Realeza do mundo moderno, desde que a monarquia melhor preenche a condição de governo dos reis em comparação com a liberal democracia. A melhor prova - ninguém se importa.

Ninguém hoje sentiria qualquer desejo para ter gosto, deixar de lado o gosto elegante, na arte e na literatura.

A maioria na verdade preza sobretudo o mau gosto. Elegância e (bom) gosto são tão ultrapassados! A mente hesita, os olhos rolam, o peito arfa, o coração suspira. Triste, mas assim é.

Por outro lado, a Santa Ortodoxia é a Mãe do que chamamos elegância e (bom) gosto e arte e literatura. Nossos templos e as altaneiras catedrais, abóbadas douradas e brilhantes cruzes, nossos iluminados ícones, nossos grandes compositores e incomparáveis escritores juntos com seus temas, assuntos e inspiração. Tudo isso vem da Santa Ortodoxia. Tudo isso foi patrocinado e apoiado pelos nossos Tsares.

***

Para um leitor moderno, uma pequena nota sobre a viabilidade da monarquia está em ordem.

Sua reação reflexiva não é algo como "Monarquia! Sério?" Esse é o auspicioso dia do roubo de identidade e armamentos nucleares. Estamos um pouco além da Realeza hoje.

Vamos consultar a Enciclopédia: "Preconceito é opinião sem juízo".

Você aprende algo todo dia, eles dizem. Hoje você aprendeu que a reação irracional é um preconceito. Que preconceito particular é apoiada em muitas asserções não-verdadeiras amplamente em circulação sobre monarquia. Que monarquia é inflexível, invariavelmente produz tiranos e que foi universalmente eliminada por oposição populista desde que as sociedades se tornaram suficientemente auto-conscientes.

Tsar Nicolau II num hospital com seus homens durante a Grande Guerra, por Pavel Rizhenko
A monarquia é inflexível? Não. As monarquias modernas provaram serem realistas e adaptáveis no início do século. Quase todas as monarquias modernas trabalharam em códigos legislativos e com corpos representativos, instituições civis, comitês consultivos, etc. A autocracia popular, invertida, emergirá no século XX na forma das ditaduras democraticamente eleitas depois que as coroas caíram ao chão.

Quanto à tirania, regimes e ditaduras muito mais brutais e opressivas surgiram no mundo moderno sob os auspícios e em nome da democracia, muito mais brutais e opressivas do que qualquer outra monarquia feita na história.

Finalmente, a maioria das monarquias caíram principalmente como consequência das Guerras Mundiais e foram forçosamente prevenidas de serem restauradas por poderes estrangeiros - mais conspicuamente o ferozmente anti-monarquista Estados Unidos da América. A presença de Woodrow Wilson em Versalhes é o início de um longo hábito dos EUA de interferir muito além da sua esfera legítima de interesses nacionais.

O Kaiser e o Sultão desaparecem depois da Primeira Guerra Mundial; o primeiro foi completamente proibido de ser restaurado, enquanto o segundo não foi de interesse britânico ou francês.

Os monarcas europeus orientais todos caíram sob a sombra soviética no pós-guerra - seu destino decidido por dois poderes anti-monárquicos vitoriosos: a URSS e os EUA.

De todas as monarquias modernas que terminaram na memória recente, três foram a consequência da oposição populista e só uma delas envolveu um referendo democrático (Itália, em que 59% votou pela república).

***

A restauração da monarquia ortodoxa dificilmente precisa de minha defesa. Prejuízos e estroinices à fora, é óbvio que uma monarquia poderia governar um país com sucesso, defender seus interesses e facilitar os direitos legais de seus cidadãos tanto quanto uma liberal democracia ou república democrática.

E se é a vontade de que o povo do país, como será em tempos na Federação Russa, então o verdadeiramente representativo governo poderia ser uma monarquia.

Ver parte I (Gogol e o Mundo Russo)
via souloftheeast

sábado, 6 de junho de 2015

Tantra, Artes Marciais e a Metafísica da Dor

por Craig Williams

"A dor é uma das chaves para desbloquear o ser mais íntimo tão bem como o mundo", escreveu Ernst Junger. "Onde quer quer se alcance os pontos onde o homem prova a si mesmo ser igual ou superior à dor, ganha-se acesso às fontes deste poder e o segredo oculto por trás de seu domínio. Conte-me sua relação com a dor, e eu te direi quem és!"

A sensação da dor é talvez a experiência humana mais preocupante e fundamentalmente desconfortável. Uma grande força equalizadora, a dor espalha sua influência para além de todas as fronteiras de raça, gênero, idade e condição sócio-econômica. Como humanos e como uma sociedade nós tememos a sensação da dor e buscamos suprimir e limitar sua voz a todo custo, independentemente do resultado em longo prazo. Assim a voz da dor frequentemente transmite grandes ensinamentos e lições esotéricas se aprendermos a ouvir, sintonizando nossos ouvidos para longe da mente egóica e da direção do "coração" ou da Alma, um tipo de cárdio-sonografia que pode guiar nossas vidas de modos extremamente transformador e misterioso. O respeito pela dor é tido em grande consideração em práticas de artes marciais e tantra, duas sistêmicas visões-de-mundo que buscam explorar e refinar o corpo físico como um campo de transformação, manifestação e auto-realização (Self-Realization: realização do Si, em sentido espiritual, e não "auto-realização" no sentido mundano, fantasioso ou egóico. N. do B.).

A voz da dor funciona como um poderoso catalisador para o crescimento e para a transformação juntamente dos profundos sistemas de artes marciais/tantra, expressando-se no terreno físico e psicológico do corpóreo, "paisagem (landscape: panorama, vista. N. do B.) do corpo". Nesses sistemas a dor pode ser criativa ou destrutiva, um fogo alquímico que pode talhar e queimar as ilusões egóicas que agem como obstáculos para nossa maturação e crescimento como lutadores e como seres auto-realizados. Bruce Lee frequentemente discutiria essa importante ideia em suas complexas revelações na luta e em seu paradigma geral para o auto-desenvolvimento. Um simples e poderoso exemplo disso é a discussão de Bruce Lee sobre as armas de luta e a "posição de luta". Nas exposições de Lee em seu sistema de Jeet Kun Do ele menciona que as armas de luta servem a um propósito duplo:

Destruir o oponente na sua frente - aniquilação de coisas que permanecem no caminho da paz, da justiça e da humanidade... e destruir nossos próprios impulsos causados pelos instintos da auto-preservação. Destruir qualquer coisa que atormenta sua mente, não machucar qualquer um, mas superar sua própria cobiça, sua raiva e tolice... Socos e chutes são armas para matar o ego.

Esta descrição de "armas de luta" contém poderosas metáforas para uma luta muito maior que um básico encontro pugilístico; isso descreve o campo de batalha da mente e do corpo assim que buscamos perder a segurança do ego em nossa visão da Alma. Estes são os ideais exatos do tantrika dessintonizando-se da mente e do corpo ao buscar escapar ou transcender o corpóreo; o corpo em si se torna uma arma mágica para a auto-realização, uma arma contra a fortaleza do ego condicionado e suas fantasias futurísticas escapistas; um instrumento que é bem sintonizado por um cultivo sistemático de práticas esotéricas. Bruce Lee também discutiu a ideia da "posição" como fundamento de seu sistema de Jeet June Do e descreveu o "posicionamento fundamental" da posição como:

Uma simples, mas efetiva organização de si mentalmente e fisicamente... facilidade, conforto, e o corpo sente durante a manutenção da "posição do espírito"... simplicidade: movimento com nenhuma tensão; ser neutro, não tem comprometimento em direção ou esforço.
Bruce Lee (E) e Yukio Mishima (D)

Uma vez mais a descrição de Lee da "posição de luta" contém metáforas para uma visão ainda maior e ecoa muito dos ideais práticos da física tântrica. A posição que assumimos em nossas batalhas diárias determinarão o resultado antes da luta que ainda não começou. No tantra o corpo é cultivado a um estado de harmonia mental e física sem engajamento fanático em míopes paradigmas fundamentalistas: "movimento sem tensão". O físico tântrico está sempre em guarda e sempre pronto a assumir uma posição natural para administrar a batalha diária da mente condicionada e na guerra contra a pedra-de-toque fundamentalista. Como Lee afirmou, "Enquanto os socos estão vindo, mantenha seus olhos abertos cada minuto. Os socos não esperarão por você. Eles acertarão inesperadamente e, a menor que você seja bem treinado o bastante para acertá-los, eles serão difíceis de parar". Então tentamos impiedosamente estar prontos e em um estado relaxado confrontar os golpes diários da mente condicionada e da fortaleza das forças egóicas. Nosso corpo e nossa mente constantemente buscarão apoiar as ilusões do ego em uma tentativa de nos manter a salvos, em nossas zonas de conforto. No entanto, isso nos impede de crescer e realizar nosso verdadeiro Si (Self, N. do B.) e de manifestar nossa Visão da Alma. Isto foi apropriadamente descrito em Sun and Steel pelo gnóstico controverso Yukio Mishima:

Eu chamo atenção aqui para um fato: que tudo... procedeu da minha 'mente'. Eu acredito que assim como o treinamento físico transformará os músculos supostamente involuntários em voluntários, do mesmo modo uma transformação similar pode ser alcançada através de uma tendência inevitável que pode-se também chamar de lei natural, são inclinados ao descuido no automatismo, mas eu descobri com a experiência que um grande fluxo pode ser defletido ao cavar um pequeno canal.

Esse é outro exemplo da qualidade que nossos espíritos e corpos têm em comum: que a tendência compartilhada pelo corpo e pela mente instantaneamente criam seu próprio pequeno universo, sua própria 'falsa ordem', onde quer que, em um tempo particular, são tomados pelo controle de alguma ideia particular.... Essa função do corpo e da mente em criar por um momento sua própria miniatura de universo é, na verdade, nada mais que uma ilusão: então o senso fugaz de felicidade na vida humana pertence precisamente a esta 'falsa ordem'. É um tipo de função protetora da vida em face do caos em torno dela, e relembra o modo como um ouriço rola como uma bola. A possibilidade então apresentou-se a demolição de um tipo de 'falsa ordem' e cria outra no lugar, de retornar a si mesmo essa função obstinada e resetando-a em uma direção melhor acordada com seus próprios fins".

As revelações poéticas de Mishima ecoam muito dos profundos ideais do tantra. Mais que abandonar a mente e o corpo, o tântrico busca usar esses membros egóicos como armas para a transformação alquímica e uma verdadeira posição do elan vital: abraçando o mundo ao invés de buscar escapar dele, abraçando a batalha diária com o ego e suas ilusões condicionadas ao invés de buscar fugir, abraçar a batalha diária como uma oportunidade para a auto-realização! Isso não é mera postura retórica. Atualmente é uma descrição convincente do que é referido em Left Hand Tantra como o "caminho impiedoso". A aceitação diária dos desafios da carne e as miragens da mente é de fato uma batalha, que inevitavelmente termina em morte. Assim como o lutador busca ser capaz de manter sua posição num instante sempre pronto para os inesperados e imprevisíveis golpes da vida, o tântrico busca assumir uma posição na qual está sempre pronto para ver a luta interior como um raro e efêmero presente e se esforça em ser capaz de assumir essa posição no evento inesperado e imprevisível: a morte. Como disse Mishima:

Se a solenidade e a dignidade do corpo se elevam sozinhas do elemento da mortalidade que espreita dentro dele, então a estrada que leva à morte, eu conclui, deve ter algum caminho privado que conecta com a dor, com o sofrimento, e a contínua consciência que é prova da vida. E eu não poderia deixar de sentir que se houvessem alguns incidentes nos quais dores de morte violentas e músculos bem desenvolvidos fossem habilmente combinados, apenas ocorreria em resposta às demandas estéticas do destino. Claro que o destino não tem o costume de levar uma orelha em considerações estéticas.

Artes marciais e física tântricas veem a inevitável experiência da dor como portões sacros dentro da mente e do corpo que, se corajosamente e estrategicamente perpassados, podem levar o explorador em uma paisagem da Alma, a verdadeira visão da liberdade e da auto-realização. Não há escapatória para a dor. No entanto, podemos refinar nossas mentes e nossos corpos a ver o encontro com a dor como uma oportunidade para áreas expostas à revelação que precisam mudar, evoluir, amadurecer ou morrer. Não podemos ser preguiçosos ou adiar essa perseguição como se não tivéssemos garantia do tempo alocado a nós no campo de batalha. Não há troféus ou premiações nesse campo de batalha, apenas cicatrizes que servem como lembranças da nossa dedicação e comprometimento no caminho e nas lições transmitidas para nós por nossas respectivas linhagens e professores. É o último presente que é somente premiado aos poucos e verdadeiramente corajosos que caminharão o caminho impiedoso e aprenderão a ouvir a voz da dor. Qual é sua posição? Está pronto para ouvir?

via peopleofshambhala

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Chomsky desvenda o Apocalipse Zumbi

 
O acadêmico linguista, filósofo e ativista estadounidense Noam Chomsky deixou evidente uma verdade pouco conhecida da sociedade dos EUA ao responder sobre por que há uma preocupação cultural com o "apocalipse zumbi" nesse país.

"Acredito que é um reflexo do medo e do desespero. Os Estados Unidos é um país extraordinariamente amedrontado e, em tais circunstâncias, as pessoas inventam, como um escape ou alívio, relatos nos quais acontecem coisas terríveis".

"O medo nos Estados Unidos é em realidade um fenômeno bastante interessante", continuou. "Na verdade se relembra as colônias. Há um livro muito interessante de um crítico literário, Bruce Franklin, chamado 'As Estrelas da Guerra'. É um estudo da literatura popular desde os primeiros dias até a atualidade, e há um par de temas que se desenvolvem nele que são bastante surpreendentes".

Segundo Chomsky, um dos principais temas na literatura popular trata de que "estamos a ponto de enfrentar a destruição por parte de algum terrível inimigo e no último momento somos salvos por um superherói, ou uma superarma ou, nos últimos anos, por crianças da escola secundária que vão às colinas para afugentar os russos".

O linguista assegura que nesta maneira de ver as potenciais ameaças "há um subtema". "Resulta que este inimigo, este horrível inimigo que vai nos destruir, é alguém que estamos oprimindo. Se regressarmos aos primeiros anos, o terrível inimigo era os índios", explica Chomsky, citado por The Raw Story.

"Os colonos, por sua vez, eram os invasores. Sem importar o que você pensa sobre os índios, eles estavam defendendo seu próprio território". Depois de uma breve discussão sobre a Declaração da Independência, Chomsky salienta que uma das queixas que figuram nela é que o rei Jorge "empurrou contra os colonos os pobres índios selvagens, cuja forma de guerra era a tortura e a destruição, e assim sucessivamente".

"Bom, Thomas Jefferson, que foi quem escreveu tais coisas, sabia muito bem que os ingleses eram os selvagens e ímpios cuja conhecida forma de guerra era a destruição, a tortura e o terror, e que assumiram o controle do país expulsando e exterminando os nativos. Mas está distorcido na Declaração de Independência" disse Chomsky, indicando que este é mais um exemplo da tese de Franklin de que os povos oprimidos se convertem, na imaginação popular dos opressores, em "terrível, impressionante inimigo" empenhado na destruição dos EUA.

Chomsky logo salientou que o seguinte grupo satanizado foram os escravos. Começou-se a crer que "ia haver uma revolta de escravos e que a população escrava ia se levantar e matar todos os homens, violar todas as mulheres e destruir o país".

"E se extende até os tempos modernos, com os narcotraficantes hispânicos que vêm destruir esta sociedade", disse Chomsky ironicamente. "E estes são temores reais, isso é muito do que há por trás da extremamente incomum cultura das armas nos Estados Unidos", disse o filósofo.

"Temos que ter armas para nos proteger das Nações Unidas, do Governo federal, dos extrangeiros e dos zumbis, suponho", disse, continuando com uma linha sarcástica.

"Creio que quando explode [o medo] em grande parte é só o reconhecimento, em algum nível da psique, de que tu tens tua bota no cú de alguém e que há algo está mal, e que as pessoas a quem tu oprime poderiam se levantar e se defender".

Via RT

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"A arte contemporânea é uma fraude"



 A crítica mexicana Avelina Lésper denuncia a especulação e a bolha econômica, como foi a imobiliária, de obras que "carecem de valores estéticos".

Não foram poucos os que se identificaram, há um par de anos, com aquela mulher da limpeza de um museu alemão tão zelosa de seu trabalho que se empenhou a fundo para eliminar algumas terríveis manchas que haviam em alguma das obras expostas. Nem ocorreu suspeitar que formavam parte vital da peça Wenn es anfängt durch die Decke zu tropen (Quando começa a gotejar o teto) do artista Martin Kippenberger, avaliada em 800 mil euros. O Museu Ostwald de Dortmund (cujas primeiras entradas no Google são sobre o sucesso, superando sua rede oficial), chegou a afirmar que "estamos tentando esclarecer antes que tipo de capacitação tem o pessoal da limpeza".

A crítica de arte mexicana Avelina Lésper diria que essa pobre trabalhadora, ademais de um grande sentido do asseio, tinha também um grande sentido comum. Lésper, colaboradora de diferentes meios de comunicação latinoamericanos e diretora do programa de televisão El Milenio visto pela Arte, é uma das vozes que mais soam contrárias à arte contemporânea, questionando desde os ready-made (uso de objetos comuns como o vaso sanitário de Duchamp) às performances efêmeras.

-Como definiria a arte contemporânea em uma palavra?
-Fraude.

-Explique-se...
-Carece de valores estéticos e se sustenta em irrealidades. Por um lado, pretende através da palavra mudar a realidade de um objeto, o que é impossível, outorgando-lhes características que são invisíveis e valores que não são comprováveis. Além disso, supõe-se que temos que aceitá-los e assimilá-los como arte. É como um dogma religioso.

-E por outro lado?
-Também é uma fraude porque está sustentada por nada mais que o mercado, que é fluido e artificial na maioria dos casos. Outorgam-se às obras valores artificiais para que pense: "se custa 90 mil euros é porque deve ser arte". Estes preços são uma bolha, como existiu a da imobiliária.

-Estourará?
-Tem que estourar. Uma torre de papel sanitário de Martin Creed custa 90 mil euros. O objeto não é o importante, mas o que tu pode demonstrar economicamente através da tua compra.

-E não podem comprar Murillo ou Picasso?
-Não podes especular com pintura antiga porque há pouca. Por sua vez, este tipo de obra são realizadas em minutos, algumas são feitas em fábricas.

-Não poder-se-ia especular com obra atual com valores estéticos?
-A arte toma tempo. Não há jeito de Antonio López terminar um quadro... por sua vez, deve esperar que o pintor ou escultor faça suas obras. Por outro lado, a arte necessita de talento, que o artista tenha algo a mostrar através de sua obra. Com a arte contemporânea os artistas não precisam ter nada.

-Pode dar algum exemplo?
-Quando Duchamp fez seu ready-made proibiu a todos os artistas o processo intelectual. Qualquer objeto é arte, o que seja. Sob este ponto de vista, imagine a quantidade de obras de arte que tu tens. Tudo a tua volta é passível de se converter em arte. Não tem que esperar que esse artista forme, demonstre seu talento e que acabe mostrando algo, o que é terrivelmente difícil. Outro exemplo é Santiago Sierra com seus ready-made. Diz-te: "Isto é uma privada da Índia". Que impressionante!

-Como um mínimo pensam na definição...
-O crítico Arthur Danton disse: "deixem que os filósofos pensemos na obra, vocês tragam seus objetos". Se pões como tema a privada sanitária, já chegará o mestre a elaborar o discurso e te faz da miséria, das últimas castas que recolhem a merda... há toda uma justificação social e moral. Se manifesta que isso carece de valor estético, automaticamente te dizem que está contra a mensagem social. É uma arte chantagista também. Utiliza esse tipo de discurso para que o aceite como arte. Se não o aceitar, está contra ele e és um ignorante.

-A denúncia social foi sendo feita ao longo da história da arte...
-Foi sendo feita, mas não como valor da obra. Os Fuzilamentos de 3 de maio de Goya valem pela realização artística, porque sua pintura foi transcendental e profundamente moderna em seu momento. E segue sendo moderna hoje. Por isso vale uma pintura de Goya, não pelo seu discurso.

-Estão sendo confundidas a arte com a mensagem?
-Agira a arte só é mensagem. Não há arte, só há panfletos. Estas obras não podem existir sem os museus. As obras, paradoxalmente, estão melhores no catálogo que ao vivo. E já não digamos com os artistas de performance, que só têm o registro fotográfico do que fazem porque dizem que é efêmero, ainda que repitam 700 vezes. São obras que só existem nos catálogos e através dos discursos e da teoria que lhes colocam os comissários e especialistas em estética. São objetos de luxo, uma nova forma de consumo.

-A maioria das pessoas não gostam da arte contemporânea porque é difícil de entender...
-É que não há nada para entender. É uma arte que exige assimilar e não discutir, por isso também é dogmática. Te exige fé, que acredite nela, não que a compreenda, como as religiões. Quer submeter nosso intelecto. Todo tempo quem se equivoca é o espectador, o artista e a obra são infalíveis. Se tu dizes que carece de valores estéticos, de inteligência, que não te propõe nem demonstra nada, então te dizem que és um ignorante.

-Quem decide o que é arte?
-É uma decisão arbitrária que se toma entre as instituições, museus, universidades... é uma arte da academia. Isso de que é independente e livre é mentira.

-É financiado?
-Totalmente, não pode viver sem os financiamentos do Estado. É uma arte parasitária. A maioria dos artistas contemporâneos vivem do Estado.

-O público não pinta nada?
-Não. Por isso é demagogia pura que dizem que essa arte tem intenções sociais e que manifesta intenções morais. Rechaça as pessoas, que para eles são ignorantes. Esta arte não vive das pessoas, vive das instituições e da especulação.

-Poderíamos dizer que reflete a sociedade atual?
-Refletir é muito diferente de denunciar. Eles parasitam a sociedade em que vivem, reflete melhor Madoff. Ambos são parte de uma mesma mentira social que criou o capitalismo através da especulação econômica. A arte contemporânea é parte do fracasso capitalista.

-Somos órfãos da arte?
-Sim, porque não há espaço para os artistas que estão criando de verdade. O que mostra o Macba ainda que esteja vazio? Na Espanha há muitos centros de arte contemporânea que nasceram a par da bolha imobiliária, para que tenha uma ideia de como está a coisa. O que te pode mostrar Jeff Koons que imita objetos de feira o qualquer ready-made? Eles fizeram do material a obra: Agora para dizer guerra já não precisa pintar os fuzilamentos, agora escreve a palavra guerra em um letreiro. Isso é não ter pensamento abstrato. Jamais a arte tinha se despojado tanto das metáforas... o problema é que estão acabando com uma capacidade cognitiva.

-Nos querem burros?
-Exatamente. E sabes por quê? Isso tem por trás de si o mais pedestre que possas imaginar, o dinheiro. Por isso é também um fracasso do capitalismo. Tudo o que foi feito pelo dinheiro nestas duas últimas décadas fez um dano enorme à humanidade. Por dinheiro se destruiu a economia da Europa, dos Estados Unidos, temos o narcotráfico na América Latina... e por dinheiro estão destruindo a arte.

-Alguma boa notícia vinculada à arte?
-Claro, mas as galerias precisam que estejam amparadas pelas instituições. Quando a Rainha Sofia deixou de comprar em Arco, Arco quebrou.

-A Rainha Sofia deixou de comprar em Arco e começou a expor Picasso...
-... e Goya, para que as pessoas sigam...

-Isso seria o início da mudança?
-Exatamente. Chega um momento em que as instituições vão ter que escutar a população e deixar de trabalhar para interesses privados.

-O que pensa de artistas espanhóis contemporâneos como Tàpies ou Barceló?
-Barceló tem alguns desenhos e aquarelas sensacionais. Tàpies está supervalorizado. Surgiu porque a arte espanhola começou a se ver órfã de criadores e foi a oportunidade de elevar um tipo como Tápies, com uma linguagem e uma criação limitadíssima.

-Vê mal a arte espanhola?
-A arte espanhola é um fenômeno para análise. Foi a cúspide da arte mundial, teve criadores que contribuiram com nada e agora os artistas simplesmente não existem. E a crítica espanhola está entregue e submissa ao sistema. Quando a Espanha se dará conta de que perdeu seu lugar na arte?

-Não é a única coisa que perdeu...
-Mas é um fator muito delicado. A arte não nos tirará da crise, mas contribui à humanidade.

Via revistacultura

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ortega y Gasset: A desumanização da arte

Por Lucía Hernández Soria

José Ortega y Gasset, em "A Desumanização da Arte", nos adverte sobre a perda de interesse na arte de buscar a autonomia desta sobre as emoções e sentimentos para encontrar-se no estado puro da estética, onde o raciocínio é o único que há de reafirmar que se trata de uma verdadeira obra artística, em um condicionamento que faz o artista moderno sobre suas criações que passa a quem não lhes agrada, fazendo dos espectadores um componente descartável, que se classifica como ignorante sob o argumento de que não entenderam.

Nesta suposta compreensão convergem pessas cuja execução é sobressaliente, seja pela técnica ou por sua expressividade, mas por sua vez se encontram outras que são supervalorizadas pelo desejo de modernidade e vanguarda, além de que estas criações respondem à necessidade de originalidade ainda que careçam de significado e outras mais apenas são reconhecidas pela assinatura do artista, não existe um parâmetro de estilo, de forma ou de percepção que faça com que se identifique o espectador, não se trata da beleza, mas da figura do próprio humano que paulatinamente desaparece por trás da mediocridade da obra pretensiosa que não possui caráter, presença, e que tende ao consumismo.

Em outros movimentos artísticos, a presença das concepções humanas é uma constante, que vai desde a imagem que se tem sobre uma paisagem, até a ideias complexas que se plasmam na literatura, ainda nos artistas que pertencem ao rigoroso academicismo se pode encontrar a intencionalidade da pessoa com a qual fará que correspondam com alguma emoção, é a arte que provoca interesse.

Ortega y Gasset faz uma crítica à modernidade artística por se tratar de uma "arte burguesa" que menospreza com artifícios aqueles que não a entendem, mas não é por falta de gosto ou de capacidade para compreender, e sim por uma tendência a partir da qual as pessoas são tratadas como massa sem conhecimento que não deve desfrutar da arte, ainda que isso implique a desumanização da própria arte que seja acessível tão apenas para uns "privilegiados".

O homem primitivo em uma das primeiras formas de autodefinição o fez por meio da arte, na qual expressou os acontecimentos do seu cotidiano e de maneira rudimentária com as ferramentas que tinha feito possível a imagem do homem próprio como um dos sucessos de raciocínio, desde que neste movimento a arte significou o encontro com o próprio humano, desde o artista até as crenças, passando pela imaginação e pela superação das representações, não obstante isto terminou pelos princípios aburguesados nos quais a arte passa a ser um objeto manipulável pela ironia e pela intranscendência.
À esquerda, pintura rupestre de 7000 a.c., à direita, pintura expressionista de 1927
Por um lado temos uma pintura rupestre pertencente ao período dos caçadores e pastores do ano 7000 a.c. do parque arqueológico de Tassili-n-Aijer que se encontra na atual Argélia, onde se mostra claramente uma cena com figuras humanas, pelo outro uma pintura do movimento expressionista de 1927 executada com gravura sobre papel Auverge com uma marialuisa do Japão imperial chamada "Les cing arbres" pelo artística gráfico Jean Fautrier.

O artista primitivo expressa a realidade coletiva com certo domínio de entorno enquanto o artista moderno apenas consegue expressar a difusa percepção de sua realidade, arrebatado e alienado.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O feminismo contra a Vênus do espelho

Por Lúcia Hernández Soria

Uma das obras mais polêmicas e discutidas de Diego Rodriguez de Silva y Velázquez se trata de "Vênus ao espelho", que desde sua realização provocou o escândalo sobre o erotismo com o qual foi elaborada, fazendo sua recepção como de uma obra menor e um tanto vulgar por ser atrevida segundo a época. O tema já havia sido executado anteriormente por outros autores, mas o que fez Velázquez, o pintor favorito da corte espanhola, gerou posições contrárias.



A mudança de proprietários e conflitos armados fizeram com que essa obra se mantivesse perdida por alguns anos, o que provocou a perda de seu registro, no entanto, dada a técnica que Velázquez usou em sua maturidade acredita-se que a pintou em 1649, período de suas obras finais; a interpretação simbólica que os críticos fizeram, vão desde a desafiante cor escurecida do cabelo de Vênus que confronta todas as escolas de pintura e que mostra o interesse por fazer uma deusa mais ao gosto espanhol.

Também é conhecida com o nome "O amor conquistado pela beleza", pois o cupido se encontra parado contemplando sua mãe segundo a mitologia, e é aqui que está o ponto chave desta obra: o rosto que aparece borrado no espelho não obstante que no barroco se dava maior importância à expressividade, ainda mais tratando-se do autor de um dos maiores retratistas. Enigmaticamente é aqui onde Vênus foca sua maior atração, o que faz dessa pintura uma obra única pela suavidade em que se perde o traço em contraste da matéria que a rodeia, dando impressão que se trata de algo etéreo.

Esta pintura também provocou reações contra si como o atentado de 10 de março de 1914, quando uma ativista feminista chamada Mary Richardson com um pequeno machado fez cortes sobre a tela, se bem que na época manteve a versão de que o ato foi em protesto pela detenção de uma sufragista britânica, disse em uma entrevista em 1952 que "não gostava da maneira com que os visitantes masculinos a olhavam (a pintura) boquiabertos o dia inteiro".

A tela foi restaurada, causando a manifestação de grupos feministas as quais consideravam como um símbolo de opressão masculina, ao se tratar de uma encomenda de Carpio Gaspar de Haro y Guzmán, que se diz que "amava tanto a pintura quanto amava as mulheres" e foi o maior colecionador de nu artístico de sua época além de libertino.

O feminismo radical ainda mantém a ideia de que as obras de arte onde se mostra a mulher nua a representam como um objeto, e que para a devida aceitação da mulher estas pinturas e esculturas deverão ser destruídas sem importar o legado cultural ou histórico tal como é a "Vênus de Milo", esse efeito é conhecido como "A repressão de Vênus" e indica que as primeiras obras que devem desaparecer são as que sejam delicadas como essa deusa.

Tradução Conan Hades

quinta-feira, 7 de março de 2013

Suécia ameaça proibir música de Richard Wagner

Richard Wagner, o genial compositor alemão do século XIX, tem sido questionado por investigadores da Suécia. Para os examinadores, Wagner é uma ameaça através da música porque tem uma suposta "mensagem nazista" e uma "herança racista". O musicólogo Gunno Klingfors foi uma das pessoas a apoiar essa censura que se pretende implantar na Suécia, querendo evitar que a música wagneriana se difunda livremente pelo seu país.

Todo esse debate surgiu após a música de Wagner ser reproduzida em praças e parques públicos suecos. Se espera concentração de milhares de pessoas ao redor dos lugares onde se reproduza a obra "Parsifal", a qual possui tanto glamour e requinte segundo a opinião de grandes músicos. Klingfors afirma que Wagner é um dos responsáveis por "abir o caminho para os nazistas e Adolf Hitler", - coisa bastante ilógica - Wagner morreu em 1883, aproximadamente meio século antes do NSDAP sair vitorioso nas eleições alemãs. Para o especialista que se queixa da música wagneriana, suas peças são uma 'maravilha" como pensaria qualquer outro profissional, porém opina que é utilizada como símbolo de que a "raça branca é a única boa".

Gunno Klingfors também suspeita que sob a música de Wagner se cria um ambiente místico que ameaça os judeus, afirmando que Wagner fazia isso de propósito por considerar que os judeus eram inimigos da raça ariana.

Via El Occidental e Lobo Noble

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Holandesa mutila, tortura e mata animais em nome da arte


Mas isso é arte? A holandesa Katinka Simonse (cujo apelido é Tinkebell) tem matado animais para as suas exibições artísticas. Esta forma controversa e cruelde arte, conhecida como performática, envolve uma apresentação ao vivo pelo artista.
Simonse, de 31 anos, causou indignação entre defensores de direitos animais no mundo. Ela colocou 100 hamsters em pequenas bolas de plástico transparentes e os fez correr ao redor de uma galeria; ela ameaçou colocar pintinhos em uma máquina trituradora; ela pinta números sobre caramujos que mantém em seu jardim; ela trucida e esquarteja cães; e ela mata pintos e os coloca presos em ganchos, a fim de pendurá-los. Um vídeo perturbador a respeito deste caso pode ser visto aqui (aviso: imagens fortes). Se for digitado o seu nome ou seu apelido em qualquer site de buscas como o Google, irão aparecer uma infinidade de atrocidades que ela tem cometido contra o reino animal em nome de sua forma de “arte”. Alguns podem ser encontrados aqui (cortesia de piaberrend.org). As imagens são fortes.
Digno de atenção (e repulsa) foi o fato de Simonse, não querendo pagar para que fosse eutanasiado humanamente por um veterinário o gato doente que ela tutelava, decidiu fazê-lo com suas próprias mãos e ela mesma matou o gato, quebrando-lhe o pescoço. Retirou a pele do gato e fez uma bolsa. Em entrevista ao programa de TV holandês De Wereld Draait Door (The Turning World), Simonse mostra claramente que não tem nenhum remorso pelas suas ações com relação ao gato e demonstra abertamente ao entrevistador de que forma quebrou o seu pescoço. Ela ri muito durante a entrevista. O vídeo pode ser visto aqui. Está em Holandês. Simonse argumenta que o gato estava deprimido e que matá-lo foi simplesmente uma forma de lhe proporcionar uma “morte misericordiosa”. O nome do gato era Pinkeltjie e tinha apenas três anos de idade.
O Partido político holandês que defende os direitos animais, chamado Partij Voor de Dieren (Partido pelos Animais), declarou que Simonse é perturbada, obsessiva e tem usado essa forma pervertida de arte como meio de chamar a atenção de modo sensacionalista. Também foi dito pelo Partido que isso é um claro exemplo de que as leis de proteção animal na Holanda são de curto alcance, de modo que solicitaram ao Parlamento que aprove leis mais rígidas e penas mais pesadas para serem aplicadas àqueles que infringirem as leis.

Na foto, uma das obras cruéis de Katinka Simonse (Foto: Reprodução/Piaberrend.org)

Mensagens de ódio enviadas para Simonse foram publicadas em um livro chamado “Querida Tinkebell”. O livro é um projeto em parceria com a artista Coralie Vogelaar, que coletou todos os dados. Publicado em 2009, o trabalho em si é controverso. Vogelaar, que pesquisou as origens das correspondências e e-mails, incluiu as mensagens que Simonse recebeu como também informações pessoais (fotos, blogs, endereços) daqueles que enviaram as mensagens. Toda esta informação foi extraída da Internet. A maioria das mensagens (aproximadamente 80%) veio da América; outros países incluem Holanda, Bélgica, França, Espanha, Rússia, Reino Unido e Brasil.
Duas petições estão em andamento para tentar trazer Simonse à Justiça e ambas são dirigidas ao governo holandês. Talvez Simonse seja levada sob custódia e receba o tratamento de que necessita claramente.

Assine as petições:
Clique aqui para assinar a petição criada pela ONG Charge.org pedindo justiça contra a pseudo artista.
Clique aqui para assinar a petição pedindo pena de prisão para a pseudo artista por crime de abuso aos animais.
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Via ANDA