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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Os grandes vencedores na Síria: BRICS e o Grupo de Xangai

Por Alfredo Jalife Rahme


Como antecipado  (28/08/13, 1, 4, 8 e 11/09/13), o presidente Barack Obama aceita que o acordo sobre a Síria "pode influenciar as negociações nucleares com o Irã", e chegou a confessar que tinha correspondência com seu colega iraniano Hassan Rouhani sobre a situação na Síria (VOA News, 19/09/13).



Obama acabou por mitigar perigo de desencadear uma "corrida armamentista" no Oriente Médio.

Erich Follath (Der Spiegel, 16/09/13) relata que o presidente iraniano, Rouhani está pronto para fechar sua usina nuclear de Fordo - local de seu maior avanço em enriquecimento de urânio de 20 por cento: longe do mínimo de 90 por cento necessários construir uma bomba atômica - se  o ocidente parar com as sanções.

Juan Cole, professor de história na Universidade de Michigan e renomado orientalista, diz em seu site Informed Comment (15/09/13) como é o mundo após o acordo Kerry-Lavrov sobre a Síria.

Ele acredita que "o seqüestro de armas químicas na Síria provavelmente não encurtará a guerra civil ou salvará muitas vidas", mas há "vencedores e perdedores na região no mundo."

Os "perdedores" são os falcões, como a cubano-americana Ileana Ros-Lehtinen (Republicana-Florida),sem falar nos superbélicos senadores John McCain e Lindsey Graham, que esperavam que o ataque de mísseis pelos EUA mudasse a balança a favor dos rebeldes e em detrimento do Partido Baath sírio.

Comanta que o acordo "desiludiu (sic) profundamente a Turquia, Qatar e Arábia Saudita", que queriam que o bombardeio dos Estados Unidos.

Na Europa, o grande perdedor foi o "socialismo" francês em sua associação bélica com Obama: "A França pensava se posicionar em sua anterior colônia Síria e se reinserir no centro dos assuntos globais."

De acordo com Juan Cole, os grandes vencedores foram os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Grupo de Xangai (China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão), com o que concorda "Bajpo la Lupa" (15/09/13).


Chama grandemente a atenção o status de "observadores" do grupo de Xangai - Índia, Mongólia, Afeganistão, Irã (sic) e Paquistão, que se sobrepõe com três membros do BRICS através do denominador comum do triângulo geoestratégico nuclear Rússia/China/India.

Cita que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov "agradeceu explicitamente os BRICS e o Grupo de Xangai" seu "apoio a abordagem baseada em princípios para resolver o problema de armas químicas na Síria exclusivamente por meios pacíficos."

De acordo com Lavrov, a resolução do problema das armas químicas na Síria "será um grande passo para a criação uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio", que, na minha opinião, é uma quádrupla pressão vigorosa para que Israel ratifique a Convenção sobre a Proibição de armas Químicas, exume sua posse ilegal de armas químicas e biológicas, aceite a inspeção de seu máximo de 400 bombas atômicas por parte da AIEA e assine o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

Depois da repreensão do Ministério da Defesa ao agregado militar israelense por lançar em conjunto com os Estados Unidos um teste de míssil em direção a Moscou (Haaretz, 09/09/13), o venenoso primeiro-ministro Netanyahu tem de compreender perfeitamente que as novas dinâmicas do "grande Oriente Médio" não está a seu favor - minuciosamente detalhado por Haaretz (20/09/13) - assim pode-se pensar que ele irá procurar por todos os meios inviabilizar um acordo nuclear entre os EUA e o Irã, ao que antecipou o ex-ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman, hoje líder do partido fundamentalista Yisrael Beytenu, que ameaçou que "Israel deve contar consigo mesmo" para subjugar o Irã (The Times of Israel, 10/09/13).

De fato, o chanceler Lavrov mencionou que a China enviou um navio de guerra para o Mar Mediterrâneo, perto da Síria, durante o auge da crise.

Juan Cole argumenta que o ataque unilateral de Obama a Damasco "foi simbolicamente sublinhado que a Rússia não é uma grande potência e carece de invioláveis ​​esferas de influência". O inverso é mais do que verdadeiro: "A Rússia tem sido tratado como um igual pelos diplomatas norte-americanos" e "sua estatura cresceu", o que é confirmado pela revista Foreign Policy, que qualifica o presidente russo como "Vlad da Arábia" (13/09/13), referindo-se a "Lawrence da Arábia", o lendário espião britânico encarregado de implementar no campo militar o acordo da Grã-Bretanha e da França para dividir o Império Otomano pelo mapeamento Sykes-Picot.

O diretor da Rede Voltaire, Thierry Meyssan - que foi um dos poucos no mundo que previram o acordo entre Putin e Obama -, informa que os EUA e a Rússia redesenharam o novo mapa do Oriente Médio, em semelhança com o Sykes-Picot de 1916, que, como é entendido, deve passar inevitavelmente pela desnuclearização da área.

Juan Cole argumenta que "o governo Putin apoia a Síria, em parte, porque protege os cristãos ortodoxos sírios", além de Aleppo, a principal cidade do país, "está apenas 24 horas de estrada, através da Turquia , da cidade de Grozny, onde a Rússia tem enfrentado turbulência substancial nas últimas duas décadas". O Fantasma do Cáucaso e da sua silhueta na Chechênia, território russo, sempre planejou por trás da crise síria.
Cole resume que "a Rússia venceu, a nova junta militar do Egito venceu, Irã e Índia e Indonésia ganharam". "Bajo la Lupa" assinalou a grande importância da rejeição da Indonésia (a maior população muçulmana sunita do planeta) para a aventura unilateral de Obama durante a Cúpula do G20, em São Petersburgo.

Ele também afirma que não há muita diferença entre março de 2003 - quando Bush junior supôs que os EUA "eram a superpotência unipolar e a primeira potência hegemônica no Oriente Médio" - com o anúncio do acordo de Putin-Obama, 10 anos depois, quando a Rússia surge para fazer frente aos EUA em um domínio bipolar.

Juan Cole conclui que o acordo Kerry-Lavrov "retorna ao mundo do século XIX, quando havia vários centros de poder, cada um com suas respectivas esferas de influência".

Na minha opinião, o mundo não muda em São Petersburgo - já havia mudado há cinco anos no Cáucaso em 2008, mas avança e aprofunda o seu caminho à inevitável o nova organização policêntrica multipolar, um verdadeiro G-3 que não se ousa dizer seu nome: EUA-Rússia-China.

Quase 100 anos mais tarde (exatamente 97 anos), o acordo russo-americano Kerry/Lavrov substitui a ultrapassado divisão colonial franco-britânica de Sykes-Picot no Oriente Médio.

Dois novos jogadores, a Rússia e os Estados Unidos - com a China na retaguarda - durante a Cúpula do G20, em St. Petersburg impôs um novo mapa, mas com o mesmo petróleo, a maior reserva do mundo, que permanece lá.

Sigue a desnuclearização. Poderão Putin e Obama persuadir o messianismo nuclear israelense? (N.d.B.: Provavelmente isso nem passe pela cabeça de Obama...)

Via Bajo la Lupa

sexta-feira, 29 de março de 2013

Eurásia acima de tudo

Por Alexandr Dugin

Em nossa sociedade russa - especialmente na esfera social e política - no início do novo milênio a deficiência de ideias é sentida dolorosamente. A maioria das pessoas - incluindo governadores, políticos, cientistas, trabalhadores - são orientados na vida, nas escolhas políticas por um conjunto de fatores momentâneos, preocupações casuais, apelos transitórios e efêmeros. Estamos perdendo rapidamente qualquer representação geral sobre o sentido da vida, sobre a lógica da história, sobre os problemas do homem, sobre o destino do mundo.

Escolhas existenciais e sociais foram substituídas pela publicidade agressiva. No lugar de uma ideologia política significativa e responsável destaca-se alguns eficazes ( ou ineficazes) PR. O resultado da luta de idéias é definido pelo volume de investimentos em entretenimento. Confrontos dramáticos de povos, culturas e religiões se transformam em shows inspirados por companhias transnacionais e petroleiras. Sangue humano, vida humana e espírito humano viram abstração estatística, custos para o consumidor, na melhor das hipóteses - figura demagógica de um discurso nas suaves e ambíguas lamentações humanitárias, ocultando uma dupla medida.

No lugar de uma uniformidade totalitária, chega uma totalitária indiferença. A maioria dos partidos políticos e movimentos sociais formalizados perseguem propósitos táticos. Praticamente em lugar nenhum pode ser encontrado uma ideologia explícita e consequente capaz de captar o homem do estado de sono indiferente, para fazer valer a pena viver.



Americanismo e a necessidade de uma alternativa

O mais rigoroso - e ao mesmo tempo mais nocivo - projeto de cosmovisão foi formulado pelos liberais. Essas forças geopoliticamente orientadas através dos Estados Unidos e o Ocidente, tomando por exemplo copiar a política, a economia, tipo de sociedade, cultura e ideal de civilização americanos. Esse campo tem sua dignidade - seu projeto é lógico e consistente, sua teoria e prática estão conectadas. Mas também é lógico o mal, morte, dissolução e perda da integridade orgânica. Os liberais dizem um decisivo "sim" para esse "mundo uniforme", confuso, vão, individualista, oligarca, vazio de qualquer orientação moral, espiritual e tradicional, que os Estados Unidos - superpotência mundial - se esforça para criar em escala planetária, entendendo sua superioridade tecnológica e econômica como um mandato para uma hegemonia de gerência privada em escala mundial. Essa americanização da Rússia, de todo o mundo, essa submissão servil ao guardião do novo mundo - guardião dos shows - obviamente não é muito agradável para muitas pessoas. Mas essa oposição geralmente aparece apenas emocionalmente, fragmentada, de forma inconsistente. Pessoas e movimentos sócio-políticos inteiros estão inercialmente satisfeitos com as antigas correntes, com resíduos de épocas diferentes, mais harmoniosas e mais nobres, com algo ao menos de alguma forma diferente da tsunami atlantista que arrasta os restos de nossa própria civilização russa. A hostilidade ao estilo de vida americano, à famosa "nova ordem mundial" é uma qualidade totalmente positiva, que deve ser bem recebida em qualquer lugar que a encontremos. Mas isso não é o suficiente. Uma contraproposta ativa, uma alternativa realista, concreta e capaz é indispensável para nós. As condições ao início do milênio são consideravelmente novas. E aqueles que querem um futuro diferente, ao invés desse caos controlado e desintegração de luzes de neon imposta a nós pela América, são compelidos a dizer um "não", mas também formular, propor, demonstrar de defender, um diferente, próprio, plano de civilização.

A visão de mundo mais massiva, mais geral, que oferece tal alternativa à hegemonia Americana, ao mundo unipolar, os triunfo do Ocidente, é o Eurasianismo.

Os pais fundadores do Eurasianismo

Historicamente, o Eurasianismo existiu por 20 anos como tentativa de interpretar o desenvolvimento sócio-político, cultural e geopolítico da Rússia como um processo uniforme e basicamente contínuo desde o Principado de Kiev até a URSS. Os eurasianistas detectaram por trás da dialética do destino nacional do povo russo e do Estado russo uma missão histórica unitária, expressa diferentemente em vários níveis. Uma tese principal dos primeiros eurasianistas (conde N.S. Trubestkoy, P. Savitsky) soava assim: "O Ocidente contra a humanidade", ou seja, as nações do mundo florescendo complexidade de culturas e civilizações contra o padrão ocidental unitário e totalitário, contra a dominação política, econômica e cultural do Ocidente. Rússia (tanto arcaica, monarca-ortodoxa, quanto a Soviética) viu os eurasianistas como um reduto e uma vanguarda de seu processo mundial, uma fortaleza de liberdade contra a hegemonia unidimensional sobre a humanidade de um tumor irreligioso, secularizado, pragmático e egoísta - a civilização ocidental, proclamando supremacia e dominação jurídica, material e espiritual. Com base nisso os eurasianistas aceitaram a União Soviética como uma nova - paradoxal - forma do caminho original da Rússia. Desaprovando ateísmo e materialismo na esfera cultural, eles reconheceram trás a face exterior do comunismo as características nacionais arcaicas, por trás da Rússia Soviética a legítima herança geopolítica da missão russa.

Sendo lógicos e convencidos patriotas russos, os eurasianistas chegaram a conclusão sobre a inadequação das formas tradicionais, nas quais a Ideia Nacional na Rússia foi investida durante os últimos séculos. O lema Romanov - "Ortodoxia, Autocracia, Nacionalidade" - era apenas uma fachada conservadora escondendo por trás de si conteúdos bastante modernos, basicamente copiados da Europa. O patriotismo soviético expressava a ideia nacional em termos de classe, que não capta a essência do problema civilizacional, nem reconhece o significado da missão histórica da Rússia. O nacionalismo secular dos Romanov era apenas uma imitação formal dos regimes europeus. O patriotismo soviético ignorou o elemento nacional, quebrou a conexão com as tradições, deixou de lado a Crença dos pais.

Uma nova abordagem sintética era indispensável. Tal abordagem se desenvolveu também no âmbito da filosofia eurasianista, dentro dos movimentos sociais e políticos dos eurasianistas. os pais-fundadores do Eurasianismo deram pela primeira vez a maior estima à natureza (imperial) multi-nacional do Estado russo. Eles atentaram especialmente ao fator turco. O papel da herança de Gengis Khan, administrador da soberania Tártara assimilada por Moscou no século XVI, foi visto como uma virada decisiva da Rússia para o Oriente, para suas origens, para o seus próprios valores.Na saga ortodoxa é exatamente essa época está ligada com a "Sagrada Rússia", na transformação de Moscou na Terceira Roma (Após a queda de Czargrad e o fim do Império Bizantino). A missão da Sagrada Rússia foi expressa na auto-afirmação de sua própria cultura eurasiana, de um sistema social original, distinta em suas principais características do caminho seguido pelos países do Ocidente Católico Romano e Protestante.

A Rússia foi concebida pelos eurasianistas como uma vanguarda do Oriente contra o Ocidente, como uma linha de defesa avançada da sociedade tradicional contra a sociedade moderna, secular, ordinária e racionalizada. Mas na luta centenária pela preservação de um "ego" cultural, Rússia, diferentemente de outras sociedades orientais, adquiriu ativamente experiência do Ocidente, adotando as técnicas aplicadas, emprestando alguns métodos - mas o tempo todo com o propósito de enfrentar o Ocidente com suas próprias armas. Na linguagem moderna, isso seria "modernização sem ocidentalização". Então a Rússia conseguiu mais que outras sociedades para combater efetivamente a pressão do Ocidente.

A partir disso os eurasianistas chegaram a uma conclusão importante: Rússia necessita não apenas voltar às suas raízes, mas combinar um conservador e revolucionário recomeço. Rússia deve modernizar ativamente, desenvolver, abrir parcialmente para o mundo circundante, mas salvar rigorosamente e cristalizar sua própria identidade. Então alguns chamam os eurasianistas de "Bolcheviques ortodoxos".

Infelizmente, historicamente, este notável movimento não foi apreciado na devida medida. Os sucessos impressionantes da ideologia marxista fez a refinada perspectiva conservadora-revolucionária do eurasianista ineficaz, supérflua. Até ao final dos anos 30, o impulso inicial do movimento eurasianista, tanto na Rússia e entre a emigração russa, havia definitivamente morrido.

A corrida de revezamento da ideia eurasiana foi executado doravante não tanto por políticos e ideólogos, quanto por cientistas (em primeiro lugar o grande historiador russo Lev Gumilyov).

Neo-eurasianismo

Os acontecimentos dramáticos das últimas décadas na Rússia, em todo o mundo, fizeram novamente as idéias Eurasianistas urgentes, essenciais. O Ocidente deteve o seu maior adversário civilizacional - a URSS. A ideologia Marxista subitamente perdeu o seu apelo. Mas uma nova alternativa geral ocidentalismo e o liberalismo (que hoje estão incorporadas em seu pleno desenvolvimento, a civilização dos EUA e América - de que mesmo os europeus, os avós do monstro mundo, começam a sentir nervosos) não apareceu ainda.

E não poderia aparecer de qualquer maneira.

As peças separadas - nacionalismo pré-revolucionário, clericalismo, o sovietismo totalmente inercial ou a imaginação extravagante de ecologismo e esquerdismo - não poderiam se transformar em uma frente unida. Não havia base de visão de mundo comum, sem denominador comum. A aproximação ocasional de posições dos adversários para a globalização e americanização não resultou em uma verdadeira síntese de visões de mundo.

Neste momento em que as mentes mais atentas, os corações mais puros e as almas mais flamejantes se converteram também à herança Eurasiana. Nele eles viram uma força salvadora, o germe dessa doutrina, essa ideologia, que cumpre idealmente as exigências do presente momento histórico.

Neo-eurasianismo começa a ser construído como corrente social, filosófica, científica, geopolítica e cultural desde o fim dos anos 80. Se distanciando do legado dos eurasianistas russos dos anos 20 e 30, incorporando a experiência espiritual da tradição da Ortodoxia russa, se enriquecendo pela crítica social dos populistas e socialistas russos, interpretando de uma nova maneira as conquistas da etapa Soviética na história nacional, ao mesmo tempo dominando a filosofia do tradicionalismo e da revolução conservadora, metodologia geopolítica e doutrinas revolucionárias originais como a "nova esquerda" (ou seja, aquelas correntes intelectuais que foram elaboradas no Ocidente, mas direcionadas contra a lógica dominante em seu desenvolvimento) - os neo-eurasianistas se tornaram a mais séria plataforma de visão de mundo na sociedade russa moderna, adquirindo a forma de escola científica completa, um sistema de iniciativas sociais e culturais.

Os neo-eurasianistas lançaram a base da geopolítica russa moderna, ganhando um forte potencial pessoal de simpatizantes em estruturas e ministérios de gabinetes ligados ao setor militar, baseando-se em projetos eurasianistas operacionais internacionais, militares e econômicos muito sérios.

O neo-eurasianismo influenciou a moderna politologia, sociologia e filosofia internas.

O eurasianismo se tornou gradualmente um relevante instrumento conceitual do monopólio estatal russo exigindo um padrão estratégico para o desenvolvimento de uma estratégia de atividade macroeconômica de longo prazo, dependendo não de processos políticos momentâneos, mas de uma constante histórica, geográfica e civilizacional.

Estabeleceu as bases de todo um conjunto de correntes de vanguarda na cultura jovem, dando um vívido impulso para o desenvolvimento criativo, apaixonado em toda direção na arte.

O neo-eurasianismo teve um forte impacto sobre os partidos políticos e movimentos na Rússia moderna - encontramos grandes empréstimos do arsenal ideológico neo-eurasianista nos documentos programáticos da "Unidade", KPFR (Partido Comunista), OVR (Otetchetsvo-Vsyo Rossiya), LDPR (Partido Liberal Democrata), o movimento "Rússia" uma série de movimentos e partidos menores. Entretanto esses empréstimos permanecem fragmentados, combinados com alguns outros elementos heterogêneos ou até mesmo contraditórios (tudo isso fazem os grandes partidos russos no lugar da tática, formações não-ideologistas criadas para soluções de curto prazo, problemas políticos locais).

O novo tema político e social

Chegou a hora de dar o próximo passo, dar ao eurasianismo dimensão social e política concreta. A ideologia neo-eurasianista ultrapassa gradualmente o nível da pura elaboração teórica. O novo governo da Rússia está seriamente engajado na solução de problemas estratégicos que enfrenta o país, e sua obviamente insatisfação com as fórmulas primitivas e destrutivas impostas pelo Ocidente e os influentes da Rússia: ele precisa de uma visão de mundo e apoio político e social. As autoridades atuais, sua especificidade, sua imagem social, diferem consideravelmente do período pós-Soviético e dos tempos da passividade acrítica do liberalismo irresponsável. Uma nova visão de mundo estatal, um novo padrão de politicamente-correto amadureceu. Isto é comprovado pela essa busca perseverante de uma ideia nacional em que as autoridades estão hoje envolvidas.

Se o sistema político e partidário habitual é adequado para a decisão de problemas momentâneos (embora consideramos como inadequado mesmo em sentido estrito pragmático), em uma perspectiva de médio prazo (e muito menos uma visão estratégica de longo prazo) ele não tem chance, e requer uma reforma radical. O sistema vigente evoluiu durante o processo de demolição do modelo soviético e sua substituição por uma formação liberal-democrata pró-ocidental. Mas hoje nem o primeiro nem o último é aceitável para a Rússia. E além disso, é inadequado frente a difícil situação que o país enfrenta - consequência das políticas ridículas seguidas anteriormente. O que precisamos é de partidos e movimentos com base em uma visão de mundo, refletindo os interesses dos estratos concretos da população, que se fundem com o povo, educando, treinando e defendendo-o, em vez de explorar a confiança (e ingenuidade) das massas para o benefício particular ou de grupo.

Todas as condições que floresceram para o surgimento de um rigoroso movimento eurasianista na nova Rússia. E aqueles que estavam nas origens do Neo-eurasianismo que formaram as premissas teóricas e bases da geopolítica russa, filosofia eurasiana, ciência política conservadora-revolucionária e a sociologia, que passou anos lutando pelos ideais da Eurásia, para o renascimento do povo russo e nosso grande poder - aqueles feitos para decisão de formar o novo movimento social e político "EURASIA".

Quem serão os participantes do movimento "Eurásia"?

Para quem estamos dirigindo o chamado para entrar e fazer o nosso movimento? Para cada russo, educado e não, influente e o último dos humildes, para o trabalhador e para o gerente, para o necessitado e a pessoa bem de vida, para o russo e o tártaro, para os ortodoxos e os judeus, para o conservador e modernista, para o aluno e para o defensor da lei, para o soldado e o tecelão, para o governador e o roqueiro. Mas só para quem ama a Rússia, que não pode pensar em si mesmo sem ela, que percebeu a necessidade de um grande esforço, o que é exigido de todos nós para que nosso país e nosso povo continue no mapa do novo milênio (a partir do qual eles persistentemente tentam nos apagar), para quem quer, apaixonadamente quer, que todos nós, finalmente levantemos em um grande poder, lançaria para fora de nosso organismo comum a sua excrescência parasitária, seria rasgar o véu de neblina mental, , afirmaria acima o país, o continente, o mundo nossos ideais solares russos - os ideais de liberdade, igualdade, a fidelidade às origens.

Centro radical

O movimento "Eurásia" baseia-se nos princípios de centro radical. Nós não somos nem de esquerda nem de direita, não somos nem cegamente aderentes com as autoridades, nem oposicionistas a qualquer custo, latindo sem motivo algum. Estamos cientes de que a autoridade de hoje na Rússia, o presidente Vladimir Vladimirovich Putin requer ajuda, apoio, solidariedade, coesão. Mas, ao mesmo tempo, a submissão cega aos líderes, a conivência acrítica a autoridade só porque é autoridade, não é hoje menos (se não mais) perniciosa do que a rebelião direta. Somos centristas, na medida em que o Presidente e o ato de autoridade para o bem do governo, para o bem do povo. E não de uma forma populista e transitória, mas numa perspectiva de médio e longo prazo. Aqui, novamente, seremos para o presidente fervorosos, radicalmente, até o fim, não prestando atenção aos pequenos erros, aceitando todos os sofrimentos e dificuldades, que irão surgir desde que a Rússia vai se defina pelo serio propósito de resgatar em si e todo o resto o mundo da terrível ameaça insidiosa do Ocidente. Nada mais centrista do que o nosso apoio incondicional e total ao  poder construtivo patriótico da autoridade (mesmo em suas ações mais impopulares) simplesmente não podia ser. Assim, nossos precursores, os eurasianos, apoiaram os odiados regimes fundamentalistas ortodoxos e marxistas porque enfrentaram o Ocidente - o pior dos males. Mas o nosso centrismo radical não é passivo. Nós percebemos claramente que a autoridade presente na Rússia de acordo com a lógica das coisas não tem representação (e não pode ter) clara dos objetivos estratégicos fundamentais, do dramático problema filosófico e espiritual que nasce do novo milênio - terrível, arriscado, ameaçador, problemático, incompreendido durante séculos de batalhas sangrentas e cruéis sofrimentos... Neste sentido, a autoridade hoje está perdida e precisa de ajuda, para orientar pontos, marcos, especificando que é a tarefa das pessoas, seu mais ativo, obstinado, inteligente, lado idealista e patriota (isso também deve se reunir em nosso movimento, para tornar-se seu núcleo).

Aqui os papéis mudam, e agora é a vez da autoridade ouvir a voz da Eurásia. Essa voz não é o servil "sim, senhor?" de partidos condescendentes e artificiais, bom para cadeiras e telas de TV. Deve ser o apelo radical da terra, o voto de gerações, o grito das profundezas do nosso espírito e nosso sangue.

Prioridade do movimento Eurasiano

Nosso movimento espalha os princípios eurasianistas a todos os níveis da vida.

Na esfera religiosa significa diálogo sólido e construtivo entre os credos tradicionais para a Rússia, - Ortodoxia, Islamismo, Judaísmo, Budismo. Os ramos da Eurásia das religiões mundiais têm muitas diferenças dessas formas que tiveram raízes em outras regiões do mundo. Existe um estilo comum de vista espiritual eurasiana, o qual, contudo, não elimina a todas as diferenças e originalidade de princípios. Esta é uma base séria e positiva para a aproximação, o respeito mútuo, a compreensão mútua. Devido à abordagem eurasianista de questões religiosas muitos atritos inter-confessionais podem ser ignorados ou organizados.

Na esfera da política externa, Eurasianismo implica um amplo processo de integração estratégica. Reconstrução na base da CEI [Comunidade dos Estados Independentes] de um sólido União eurasiana (analógico à URSS em uma nova base ideológica, econômica e administrativa).

A integração estratégica dos espaços internos da CEI deve se espalhar gradualmente também para áreas mais amplas - para os países do eixo Moscou-Teerã-Deli-Pequim. Uma política eurasianista é invocada para abrir para a Rússia uma saída para os mares quentes, e não através de guerra e sofrimento, mas através da paz e aberta cooperação amistosa.

Políticas eurasianistas para o Ocidente implicam em relações prioritárias com os países europeus. A Europa moderna - como contra a época em que os pais-fundadores Eurasianismo agiram - não representa mais a origem do "mal mundo". Os eventos rápidos políticos do século XX contribuíram para transferir este registro duvidoso ainda mais para a ala Ocidental - para a América do Norte, para os EUA. Portanto, em um estágio atual Rússia pode encontrar na Europa parceiros estratégicos interessados ​​no renascimento do seu antigo poder político. A Rússia Eurasianista deve desempenhar o papel de distribuidor da Europa, mas desta vez a partir da ocupação americana política, econômica e cultural.

A política eurasianista da Rússia é dirigida a cooperação ativa com os países da região do Pacífico, em primeiro lugar com o Japão. Os gigantes econômicos dessa área devem ver nas políticas eurasianistas da Rússia o ponto de orientação para um sistema político auto-sustentável, e também para um potencial estratégico de recursos e de novos mercados.

Em um nível planetário Eurasianismo significa oposição ativa e universal à globalização, é igual ao "movimento anti-mundialista". Eurasianismo defende o florescimento da complexidade de povos, religiões e nações. Todas as tendências anti-globalistas são intrinsecamente "eurasianas".

Somos partidários consequentes de "federalismo eurasianista". Isso significa uma combinação de unidade estratégica e etno-cultural autônomas (em casos definitivos econômicos). Diferentes modos de vida a nível local em combinação com o centralismo rigoroso nos momentos básicos, ligados aos interesses do Estado.

Devemos reviver as tradições do povo russo, contribuir para a recuperação do crescimento demográfico russo. E o mais importante, despertar nas pessoas a sua espiritualidade intrínseca e orgânica, a moral, ideais elevados, vida e patriotismo fervoroso. Sem o renascimento prioritário da nação russa, o projeto eurasianista não tem chance de se tornar uma realidade. Compreender esse fato é a base de nossa visão de mundo.

Eurasianismo na esfera social significa a prioridade do princípios públicos acima do individual, da subordinação aos padrões econômicos estratégicos, para os problemas sociais. Toda a história econômica da Eurásia prova que o desenvolvimento de mecanismos econômicos aqui acontece de acordo como uma alternativa lógica aos liberal-capitalistas, padrões individualistas de benefício pessoal, que evoluíram no Ocidente sobre a base da ética protestante. A lógica liberal de gestão é alheia a Eurásia, e apesar de enormes esforços, não há maneira de quebrar essa característica profundamente enraizada de nosso povo. O princípio comunitário coletivo de governar a economia, a contribuição do critério de "equidade" no processo de distribuição - tudo isso representa uma característica de nossa história econômica. O eurasianismo insiste em um relato positivo e avaliação de tal circunstância, e sobre esta base dá preferência a padrões econômicos socialmente orientados.

Eurasianismo implica uma reavaliação positiva do arcaico, do antigo. Ele se refere ao passado fervorosamente, para o mundo da Tradição. O desenvolvimento do processo cultural é visto pelo Eurasianismo em uma nova referência para o arcaico, para a inserção de motivos culturais originais na estrutura das formas modernas. A prioridade nesta área é devolvida aos motivos nacionais, para as fontes de criatividade nacional, para a continuação e revitalização de tradições.

Sendo um nova visão de mundo, só agora tendo tomado uma forma definida, Eurasianismo lida principalmente com a juventude, para as pessoas cuja consciência não foi ainda estragada por saltos aleatórios de um padrão inadequado ideológico para outro, ainda menos adequado. O ideal eurasiana é o homem forte, apaixonado saudável e belo (em vez de o bastardo viciado em cocaína de discotecas, o gangster meia-boca ou a puta para venda). Estamos em condições de oferecer diferentes valores positivos, em vez do culto ao feio e ao patológico, ao invés do cinismo e servilismo diante das marionetes de shows mundiais. Nós não devemos permitir que nossos filhos sejam mortos, violados, degradados, pervertidos, vendidos ou acorrentado a uma agulha. Nosso ideal é uma celebração da saúde física e espiritual, força e fé, dignidade e honra.

O movimento "Eurásia" pode se tornar uma realidade apenas se muitas pessoas se reunirem em torno dele. Muito pode ser feito até mesmo por um único homem, mas, como disse Lautréamont, todos devem cuidar de poesia!

Em um âmbito ainda maior - todos devem cuidar da Eurásia!

Agora tudo depende dos nossos esforços. Ninguém está prometendo apenas vitórias, levantar de ações do setor de bem-estar ou de entretenimento. Adiante está um dispendioso trabalho diário, muitas vezes, invisível por fora.

Avante está a dificuldade e a batalha, perdas e labutas, mas avante está também o gozo e o Grande Propósito!

Via The Fourth Political Theory

Tradução por Conan Hades.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Objetivo final, a Antártida

Na ultima semana de 2012 conhecemos a difusão publicada de mais de 3500 documentos relativos à Guerra das Malvinas que foram "desclassificados" por Londres: Tatcher, afundamento do Belgrano, o apoio dos EUA, a pressão à França pelos Exocets, em fim, muitos temas.

Só se conheceu o que permitiram

Antes destas informações de 2012, há uma bagagem de documentos que explicam o porque da guerra de 1982, e explica a firme determinação britânica da defesa ao extremo de seu posicionamento no topo do mundo.






História e geografia - Referências à Antártida existiram sempre.

É o mais velho dos continentes com 14.000.000 km² (quatro vezes os EUA), o mais elevado do planeta, abriga de mais de 80% da água doce, tem a menor umidade média do planeta.

Desde Platão no Timeu, até as comprovações deste século XXI, encontramos um continente rodeado de mistérios e de informação zelosamente guardada.

Constatamos que há mais de 12 vulcões com seus rios de lava que perfuram túneis ou galerias levando água quente às profundidades do oceano, ou o Erebus (descoberto em 1841) que conta com um dos cinco lagos de lava do mundo. Existem mais de 140 lagos subglaciais interconectados, entre os quais se destaca o Vostok (descoberto em 1996 por uma expedição russo-americana), com 250 km de largura totalizando 15.590 km², com temperatura de 18ºC (acima de zero) e uma abóboda ar quente.

É extremamente enigmático que no Google Maps e referências, que nos mostra características microscópicas dos planetas mais distantes, não nos mostrem nada do pólo sul. Apenas um ponto branco grande, o que torna impossível acessar qualquer representação do continente.

É também curioso que o escudo da ONU não figure a Antártida, apesar de incluir todos os continentes e o polo norte.



Expedições e conflitos

Houveram muitas expedições que viajaram e se estabeleceram no Sexto Continente. Merecem especial referência as alemãs que remontam ao ano de 1873, em que Eduard Dallmann a bordo do Gronland descobriu regiões e passagens ao longo das ilhas Bicoue, marcando o início das incursões dos outros países. Enquanto na Europa começava a guerra mundial, alemães e ingleses protagonizaram grandes batalhas navais na altura do paralelo 60. O Professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Córdoba, don Antonio Riesco, relata um pormenorizado detalhe das batalhas da baía Coronel e Malvinas, que começaram em 1 de novembro de 1914. Na primeira o Almirante Maximilian Reichgraf von Spee derrota o Almirante Christofer Cradock, mas desacertadamente permitiu um rearme inglês que em um segundo enfrentamento ocasionou a morte de von Spee, seus dois filhos e deixou a frota destroçada.

Podemos dizer que em 1914 começa o intento inglês do definitivo controle estratégico da posição sul, que só foi alterado em ocasiões esporádicas e reafirmado com eficiência e crueldade, como será demonstrado nos próximos artigos dessa coluna sem perder de vista o conceito de "processos", ao nos referir aos feitos e fatos históricos.

A divulgada dramatização de disputas verbais entre o governo inglês e o argentino sobre "sentar em uma mesa de negociações" pelas Malvinas, omite ostensivamente o tema da soberania do Estado Argentino sobre o território insular, e o setor do continente Antártico de nossa legal propriedade.

Se a soberania não é tema a ser tratado, o que a Argentina pretende negociar?

O resultado do plebiscito insular do próximo 11 de março indubitavelmente será usado pelo Império Britânico como salvo-conduto de sua permanência para sempre na America do Sul.

Como outra face desse inócua e barulhenta tagarelice, invariavelmente um misterioso manto de silêncio encobre o continente Antártico de toda informação inconveniente.



Fendas informativas

Silêncio, não obstante guardado com zelo, teve fendas de informação em diferentes tempos que rapidamente foram neutralizadas de diferentes maneiras: ridicularizando, desacreditando com suspeitas conspiranóicas, acusando seus geradores de deficiência mental, ou diretamente suprimindo fisicamente seus protagonistas.

Conhecê-las vai nos ajudar a entender um pouco mais, as razões que o Império Britânico nunca devolverem os territórios que invadem.

Para garantir a segurança, refiro-me aos acessíveis publicamente e que ocorreram nos últimos 100 anos.

Nesta oportunidade vou discutir o acontecimento mais notável e que ainda hoje não há respostas para o que aconteceu, nem foi verificado se o seu objetivo era científico ou militar, ou de ambos.

A Operação High Jump (Salto Grande)

Assim que terminou a II GM, os EUA convocaram o almirante Richard Byrd, Grande Chanceler da Ordem Lafayette e da Cruz de Mérito, secretário perpétuo da Academia Federal da Marinha Americana e das Ciências, perito absoluto em temas antárticos, expedicionário em várias campanhas em ambos os polos, colocando-o ao comando da Task Force 68 composta por mais de 4000 homens, a fim de invadir a zona antártida no maior destacamento militar que houve logo após terminada a II Guerra Mundial.

O equipamento consistia em mais de 13 navios, incluindo navios quebra-gelo, destróiers, porta-aviões, cargueiros, petroleiros de abastecimento, embarcação de comunicações e submarinos.

O destacamento começou no Mar de Ross dividido em três grupos convergentes, a fim de realizar um completo e exaustivo rastreio do continente branco.

Instalaram uma pista continental em que se deslocavam aviões DC3 para vôos de longo alcance aerofotográfico. Em apenas duas semanas cobriram mais de 500.000 km² e tiraram mais de 70 mil fotografias.


Final antecipado

A Operação High Jump, prevista para um período de oito meses, terminou abruptamente em 2 semanas em um desastre total. Em 5 de março de 1947, o Almirante Byrd afirmou no jornal Mercurio do Chile: "A maior ameaça aos EUA e seus aliados, o Pólo Sul é agora, porque encontramos aeronaves de alta tecnologia estranha e velocidades muito altas."

Declarações foram questionados por seus detratores, mas, de qualquer maneira:

O que ou quem enfrentou o almirante?

O nome britânico de Queen Elizabeth Land (Terra da Rainha Isabel) que o Reino Unido decidiu impor aos territórios compreendidos no setor antártico, não obedece a nenhuma casualidade geográfica ou temporal, senão que tal setor constitui um prolongamento da plataforma das Malvinas em poder efetivo do Império.

O que a Inglaterra fez foi "batizar pelo nome e sobrenome o que o Tratado de Lisboa, de 13/12/2007  chama de Setor Antártico Britânico" (Edward M. Lualdi). Portanto, mantem a si mesmo e à aliança militar da Otan passagem de controle entre Atlântico Sul - Pacífico Sul, o controle da rota transpolar, o domínio de todos os recursos naturais que abundam na vastidão dos 5.000.000 km² usurpados e o melhor: a projeção Antártida.

O Reino Unido nunca restituirá os territórios que nos roubaram.

Eles instalaram a força necessário para enfrentar qualquer tentativa de qualquer possível interessado em uma aventura militar. A tal ponto  as forças armadas são um dos principais pilares do Império Britânico, que na primeira mensagem feita pela rainha Elizabeth II com a mais recente tecnologia 3D na ocasião do natal passado, prestou homenagem solene às Forças Armadas "cujo dever separa de famílias e amigos ", expressando sua emocionada gratidão.


A extensão armada

O atual Estados Unidos constitui o "músculo que aciona o cérebro britânico".

A força pretoriana da Aliança se encontra a serviço de Sua Majestade, a qual tem muito em conta caso seja necessária sua utilização no hemisfério sul.

Os base instalada Cocón (Chile) o demonstra.

No mundo de hoje da globalização, em que se encontram cada vez mais difusos os estados nacionais, territórios dependem absolutamente da capacidade militar daqueles que possuem (efetivamente ou alianças dependentes).


Portanto:

Pela primeira vez na história, um presidente dos EUA dirigiu a ambas as casas do Parlamento britânico.

Obama em 25 de maio de 2011, em Londres Westanimster Hall disse: "Eu vim aqui para reafirmar uma das mais antigas, uma das mais fortes alianças que o mundo já conheceu". "Desde a muito tempo, EUA e reino Unido compartilham uma relação especial e dado que compartilhamos uma imprensa crítica, essa relação é freqüentemente analisada e reanalisada com um pouco de nervosismo ou tensão". "É claro que todos os relacionamentos têm seus altos e baixos, você tem que admitir que o nosso começou com o pé esquerdo, com um pequeno problema sobre o chá e impostos (risos)". "Houve alguns sentimentos feridos quando queimaram a Casa Branca durante a Guerra de 1812 (risos)".

"Mas, felizmente, tudo evoluiu desde então".

A tal ponto foi o progresso que, protegidos pelo guarda-chuva territorial inglês sobre os paralelos circundantes, EUA instalou suas bases no topo do mundo: a central McMurdo, a mais próxima do polo geográfico Scott-Amundsen, Palmer, Eights, Acampamento Byrd, a Siple.

Não os preocupa as encenações do Chanceler Argentino.

Os a China com cinco bases, e a Rússia com a base Vostok no centro magnético.




Dr. Javier Cornejo, Advogado, especialista em Direito Internacional.

El Tribuno - Fevereiro de 2013

Via Soberania Argentina

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Trans-humanidade e pós-Europa: agenda satânica da inteligência americana

"Sim, isto é uma ciência?"

"Sim, há uma tal ciência... mas.. confesso que não posso te explicar que tipo de ciência é"

Irmãos Karamazov

Por Nicolas Bonnal

Quando eu li pela primeira vez as tendências globais redigidas pela NIA, pensei que estivesse lendo um mal roteiro de um filme de ficção científica de baixo orçamento.

Nós não somos mais cidadãos livres nas nações modernas; pois não há nações e cidadãos livres. Somos apenas peões cinzentos e febris, formigas e ciber-baratas voláteis e nervosas - chame como quiser - alojadas em um grande campo de concentração tecnológico chamado Matrix Americana. Um indivíduo não significa ser a si mesmo, pela velha abordagem cristã ele está morto. Para as nossas elites dominantes, que sempre lamenta a resistência russa e ameaça estrangular o Irã, não há nações, raças, nem espiritualidade nem alma: há apenas uma ciber-personalidade em busca de uma perfeição ergonômica e uma rede global de prisões eletrônicas e vigilância ecológica. Como Jó previu, o homem atual é lançado na rede por seus próprios pés, e ele caminha sobre uma armadilha.

O aquecimento global significa de fato aviso global e mais regras e multas e sentenças no campo ocidental, o chamado mundo livre. O progresso da ciência - ou o assim rotulado - significa que devemos melhorar a nós mesmos, a fim de nos adequar à fria máquina do sistema global ocidental. A tecnologia moderna serviu principalmente para incorporar o pesadelo de um panóptico de Bentham. Uma humanidade regulamentada e submetida, que perdeu qualquer identidade ou até mesmo prioridade de sua própria, é tal preparado para ser gerido e mesmo reduzido em quantidade (muitos idosos, os consumidores muitas, etc) e, claro, aniquilada em qualidade. A sombria sigla NIA significa "negado" em francês.

Dostoyevsky novamente:

"Há um número deles lá, centenas deles no subterrâneo, com martelos em suas mãos. Ah, sim, estaremos em cadeias e não haverá mais liberdade..."

As tendências globais que a National Intelligence Agency sugere aquilo que o filósofo francês Deleuze chama de péssimo roteiro moderno. Para o ocidente a vida é somente um sonho ruim. Não possui raízes e não propaga nenhum objetivo, uma vez que afundou o Cristianismo e a civilização Islâmica com artefatos do progresso e da mais vulgar ganância. Parece que o riquíssimo mundo Indiano foi facilmente neutralizado também; graças à preparação do Império Britânico e do papel do elenco da casta Vaishya o Ocidente está convertendo seis mil anos de civilização em dinheiro.

Deixemo-os falar em sua própria língua. Nossos sonhadores globais e pós-humanos imaginam uma classe média global facilmente controlada pela rude elite:

Uma elite transnacional educada nas mesmas instituições acadêmicas emergentes que lideram os principais atores não-estatais (grandes corporações multinacionais, universidades e ONGs). A opinião pública mundial encontra consenso entre muitas elites e cidadãos de classe média sobre combate à pobreza, meio ambiente, combate à corrupção, Estado de Direito, e a forma pacífica de seu suporte de poder. Países não desaparecem, mas governos enxergam seu papel cada vez mais em organizar e orquestrar coalizões "híbridas" de atores estatais e não-estatais que mudam dependendo do desafio.

Híbrido: o quanto eles gostam dessa palavra! Sua futura esposa, seus filhos no futuro serão um híbrido de planta, máquina e réptil! Nós podemos fazer isso por você e vendê-lo a você!



Mesmo que os dados mostrem o contrário, eles querem minar como o infame Sutherland proferiu o que resta de nossas identidades nacionais:

Cada vez mais, as elites nos países desenvolvidos são propensas a considerar a política de migração como parte de uma estratégia de crescimento econômico, especialmente a concorrência crescendo por funcionários altamente qualificados.

O Banco Mundial estima que um aumento de 3 pontos percentuais no estoque de imigrantes em 2025 levaria a um aumento de 0,6 por cento na renda mundial, um ganho de 368 bilhões, com os países em desenvolvimento e os migrantes de países que beneficiam mais do que os nativos de países de alta renda. Isso é mais do que os ganhos de remoção de todos os obstáculos remanescentes ao comércio livre.

A sociedade nômade e cibernética é liderada por uma agenda puramente quantitativa: como eu já disse antes da publicação destes incríveis documento, Guénon e o Oriente tradicional falharam onde o Ocidente tinha triunfado. Mas Guenon estava certo, enquanto a previsão de um reinado da quantidade. Leia de novo:

Anos a partir de agora eu acho que os historiadores vão ver imigração e mobilidade como base para a crescente cooperação política e tecnológica. Para o bem ou para o mal, uma elite cosmopolita com laços com vários países se formou: essas elites trabalham confortavelmente e vivem em vários lugares. Mesmo o menos qualificado é o mais móvel, preenchendo os vazios em muitas sociedades envelhecidas.

Aqui, pelo menos, sonhadores globais nos dizem a verdade: destruindo as sociedades pelas elites (o peixe morto apodrece pela cabeça, como nós sempre saubemos) e as legiões de estrangeiros não seriam tão ilegais. Eles atravessam e esmagar então povos e classes de idade. Estudantes estrangeiros com lavagem cerebral das universidades americanas confirmam esta verdade se for permitido entre duas partes da moeda...

Mas isso não é tudo. Exterminar a Ásia ou "velha Europa" não é o suficiente. A agenda Illuminati de Inteligência americana quer mais: ele não quer apenas mais iranianos, russos, ingleses ou franceses: ela só não quer deixar nenhum na superfície da terra (estamos muito ativos ecologicamente e ameaçando qualquer vírus ou espécie de mosquito?).

Haverá assim um ciber-monstro ou um Superman Hollywoodiano que pode atrair o novo fantasma de Hitler, mas não o herdeiro de Jesus. Cito em completo a passagem lunática:

Com o avanço da tecnologia de substituição de membros, as pessoas podem optar por melhorar seus corpos físicos como eles fazem com a cirurgia plástica hoje. Futuros implantes oculares da retina poderão permitir a visão noturna, e melhorias neurais poderiam fornecer recuperação da memória superior ou velocidade de pensamento. Neuro-farmacêuticos irão permitir que as pessoas permaneçam concentradas por longos períodos de tempo ou aprimorar suas habilidades de aprendizagem. Sistemas de realidade expandida podem proporcionar experiências aprimoradas de situações do mundo real. Combinado com os avanços da robótica, os avatares podem fornecer feedback na forma de sensores que fornecem o tato e o olfato, bem como informações auditivas e visuais para o operador.

Mas a civilização neuro-algo terá um preço. O que nós sabemos em nossos arruinados velhos países ocidentais é que a tecnociência moderna com todos os seus gadgets e itens sempre teve um preço enorme, mesmo se ele não tem os resultados esperados:

Devido ao alto custo do acréscimo humano, ele provavelmente estará disponível em 15-20 anos apenas para aqueles que são capazes de pagar por isso ... Desafios morais e éticos para acréscimo humano são inevitáveis.

Trazer o Golem - este monstro lendário do gueto de Praga - sempre foi o sonho da ciência moderna. No entanto, será mais fácil de transformar o ser humano em uma máquina do que para tranformar a máquina em um ser humano. Pergunte governador Schwarzenegger e Jean-Claude van Damme!

Interfaces cérebro-máquina em forma de implantes cerebrais estão demonstrando que fazer a ponte entre cérebro e máquina de forma direta é possível. Organizações militares estão experimentando com uma vasta gama de tecnologias de potencialização, incluindo exoesqueletos que permitem que o pessoal transporte cargas crescentes e psico-estimulantes que permitem que o pessoal opere por longos períodos.

Potencialização humana poderia permitir que pessoas civis e militares trabalhem de forma mais eficaz, e em ambientes que antes eram inacessíveis. Os idosos podem se beneficiar de exoesqueletos que ajudam usuários com atividades simples como ficar de pé e levantar, melhorar a saúde e a qualidade de vida das populações em envelhecimento. Próteses de sucesso provavelmente serão integradas diretamente com o corpo do usuário. Interfaces cérebro-máquina poderiam fornecer "sobre-humanos" habilidades, força e velocidade, aumentando, bem como proporcionar funções não disponíveis anteriormente.

A loucura deste script de drama mal feito nos mostra pelo menos uma coisa: América - ou seja lá o que significa que a palavra agora - não vai parar por aqui. Tornou-se uma máquina de impressão de dólares e barbaridades. Deus sabe se podemos ser preservados de tal agenda de techno-prisioneiros conformados ao seu destino com seus cérebros distorcidos. Pergunte Dostoievski, novamente, para o gênio russo que sabe muito sobre Deus e os Illuminati:

O que eu deveria ser subterrâneo lá sem Deus? Rakitin ri! Se eles dirigem Deus da terra, vamos acolhê-Lo no subsolo. Um não pode existir na prisão, sem Deus, é ainda mais impossível do que sair da prisão.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O Mito do Excepcionalismo Americano

Nota do blogueiro: Esse artigo, ainda que esclarecedor sobre a visão estadunidense acerca de seu papel no globo, ainda se apresenta um tanto brando em relação às ações dos EUA ao redor do globo, conforme mostramos em outros artigos e notícias nesse blog. Ainda que haja resquícios de pensamento liberal no texto, não deixa de ser um artigo elucidativo tanto quanto ao papel exercido pelos EUA no globo quanto à sua construção artificial a vários níveis.

A idéia de que os Estados Unidos mantém uma presença unicamente virtuosa no mundo pode consolar muitos americanos, mas Stephen Walt conhece melhor. Ele nos lembra que essa visão de auto congratulação da liderança global dos EUA é em grande parte um mito.

Por Stephen Walt para Política Externa (FP)

Ao longo dos últimos dois séculos, proeminentes americanos descreveram os Estados Unidos como um "Império da Liberdade", uma "brilhante cidade na colina", a "última melhor esperança da Terra", o "líder do mundo livre", e uma nação "indispensável". Essas persistentes alegorias explicam por que todos os presidenciáveis são compelidos a entoar cânticos ritualísticos à grandeza Americana e por que o presidente Barack Obama acabou em maus lençóis - mais recentemente, com Mitt Romney - por dizer que, enquanto acreditava no "excepcionalismo americano", este não diferia no "excepcionalismo britânico", "excepcionalismo grego", ou qualquer marca nacional de um patriota que bate no peito.

A maioria das declarações do "excepcionalismo americano" presumem que os valores americanos, sistema político e sua história são únicos e dignos de admiração universal. Elas também sugerem que os Estados Unidos são tanto destinado quanto sancionado a desempenhar um papel distinto e positivo no cenário mundial.

A única coisa errada com este auto-retrato de congratulações do papel global da América é que ele é sobretudo um mito. Embora os Estados Unidos possuam certas qualidades únicas - de altos níveis de religiosidade para uma cultura política que privilegia a liberdade individual - a realização de política externa dos EUA tem sido determinada principalmente pelo seu poder relativo e pela natureza inerentemente competitiva na política internacional. Ao concentrar-se em suas qualidades supostamente excepcionais, os americanos se cegam para elementos em que eles não são diferentes de todos os outros.

Esta fé incontestável no excepcionalismo americano torna mais difícil para os americanos a compreender por que os outros são menos entusiasmados com o domínio dos EUA, muitas vezes alarmado com as políticas dos EUA e, freqüentemente, irritados com o que eles vêem como a hipocrisia dos EUA, se o assunto é a posse de armas nucleares, de conformidade com direito internacional, ou a tendência da América em condenar a conduta dos outros, ignorando seus próprios fracassos. Ironicamente, política externa dos EUA provavelmente seria mais eficaz se os americanos fossem menos convencidos de suas próprias virtudes únicas e menos ansiosos ao proclamar-las.

O que precisamos, em suma, é uma avaliação mais realista e crítica do verdadeiro caráter da América e suas contribuições. Nesse espírito, ofereço aqui o Top 5 Mitos sobre o excepcionalismo americano.



Mito 1: Há algo de excepcional sobre o excepcionalismo americano.

Sempre que os líderes americanos se referem às "únicas" responsabilidades dos Estados Unidos, eles dizem que é diferente de outros poderes e que essas diferenças os obrigam a assumir fardos especiais.

No entanto, não há nada de incomum sobre tais declarações grandiosas, na verdade, aqueles que as fazem estão trilhando um caminho de bem-vestida. A maioria das grandes potências se consideravam superiores aos seus rivais e acreditavam que eles estavam avançando um bem maior quando impuseram as suas preferências sobre os outros. Os britânicos achavam que estavam tendo o "fardo do homem branco", enquanto colonialistas franceses invocavam "a missão civilizadora" para justificar seu império. Portugal, cujas atividades imperiais foram mal distinguidas, acreditava que estava promovendo um certo Missão civilizadora. Mesmo muitos dos funcionários da antiga União Soviética genuinamente acreditavam que estavam levando o mundo em direção a uma utopia socialista, apesar das muitas crueldades infligidas pelo regime comunista. É claro, os Estados Unidos têm, de longe, o melhor argumento para a virtude do que Stalin ou seus sucessores, mas Obama estava certo para nos lembrar que todos os países prêmio suas próprias qualidades particulares. (*)

Então, quando os americanos proclamam que são excepcionais e indispensáveis​​, são simplesmente o mais recente país a cantar uma canção velha e familiar. Entre grandes potências, pensar que você é especial é a regra, não a exceção.

Mito 2: Os Estados Unidos se comportam melhor do que outros países.

Declarações do excepcionalismo americano recaem na crença de que os Estados Unidos são uma nação única virtuosa, que ama a paz, alimenta a liberdade, respeita os direitos humanos, e abraça o Estado de Direito. Os americanos gostam de pensar que seu país se comporta muito melhor do que outros Estados fazem, e certamente melhor do que outras grandes potências.

Antes fosse verdade. Os Estados Unidos "podem" não ter sido tão brutal quanto os piores estados na história do mundo, mas um olhar desapaixonado sobre o registro histórico desmente a maioria das afirmações sobre a superioridade moral da América.

Para começar, os Estados Unidos tem sido uma das potências mais expansionistas na história moderna. Começou como 13 pequenas colônias agregadas ao litoral leste, mas eventualmente expandiu pela América do Norte, anexando Texas, Arizona, Novo México e Califórnia do México em 1846. Ao longo do caminho, ela eliminou a maior parte da população nativa e confinou os sobreviventes em reservas empobrecidas. Em meados do século 19, ele tinha empurrado a Grã-Bretanha do Noroeste do Pacífico e consolidou sua hegemonia sobre o Hemisfério Ocidental.

Os Estados Unidos já lutou várias guerras desde então - começando várias delas - e sua conduta durante a guerra dificilmente tem sido um modelo de contenção. A conquista 1899-1902 das Filipinas matou cerca de 200.000 a 400.000 filipinos, a maioria deles civis, e os Estados Unidos e seus aliados não hesitaram em despachar 305.000 alemães e 330.000 japoneses (civis) através de bombardeio aéreo durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente através de campanhas contra cidades inimigas. Não é de admirar o general Curtis LeMay, que dirigiu a campanha de bombardeios contra o Japão, disse a um assessor, "Se os EUA perdessem a guerra, seriam processados ​​como criminosos de guerra". Os Estados Unidos lançaram mais de 6 milhões de toneladas de bombas durante a guerra da Indochina, incluindo toneladas de napalm e desfolhantes letais como o agente laranja, e é diretamente responsável pela morte da maioria dos cerca de 1 milhão de civis que morreram naquela guerra.

Mais recentemente, a contra-guerra  apoiada pelos EUA na Nicarágua matou cerca de 30 mil nicaraguenses, um percentual de sua população equivalente a 2 milhões de americanos mortos. A ação militar dos EUA levou direta ou indiretamente a morte de 250.000 muçulmanos ao longo das últimas três décadas (e isso é uma estimativa conservadora, sem contar as mortes resultantes das sanções contra o Iraque na década de 1990), incluindo os mais de 100.000 pessoas que morreram após a invasão e ocupação do Iraque em 2003. Drones estadunidenses e Forças Especiais estão indo atrás de suspeitos de terrorismo em pelo menos cinco países no presente e mataram um número desconhecido de civis inocentes no processo. Algumas dessas ações pode ter sido necessárias para fazer os americanos mais prósperos e seguro. Mas enquanto os americanos sem dúvida considerariam tais atos como indefensável, se algum país estrangeiro estavam fazendo a nós, quase todos os políticos norte-americanos questionam essas políticas. Em vez disso, os americanos ainda se perguntam: "Por que nos odeiam?"

Os Estados Unidos fala um bom jogo em matéria de direitos humanos e do direito internacional, mas recusou-se a assinar tratados de direitos humanos, não é integrante do Tribunal Penal Internacional, e tem sido muito disposto a agradar a ditadores - lembre-se o nosso amigo Hosni Mubarak? - Com péssimos registros de direitos humanos. Se isso não fosse suficiente, os abusos em Abu Ghraib e confiança da administração George W. Bush sobre a simulação de afogamento, entregas extraordinárias, e prisão preventiva deve abalar a crença americana de que sempre age de forma moralmente superior. A decisão de Obama de manter muitas dessas políticas sugere que elas não eram uma aberração temporária.

Os Estados Unidos nunca conquistaram um vasto império ultramarino ou causaram milhões de motes por erros tirânicos como o Grande Salto da China ou coletivização forçada de Stalin. E, dado o vasto poder à sua disposição durante boa parte do século passado, Washington certamente poderia ter feito muito pior. Mas o histórico é claro: os líderes dos EUA ter feito o que eles achavam que tinham que fazer quando confrontados com perigos externos, e pouca atenção aos princípios morais ao longo do caminho. A idéia de que os Estados Unidos é o único virtuoso pode ser reconfortante para os americanos; pena que não é verdade.

Mito 3: Sucesso da América é devido ao seu talento especial.

Os Estados Unidos tem tido um sucesso notável, e os americanos tendem a retratar a sua ascensão ao poder mundial como um resultado direto da visão política dos Pais Fundadores, as virtudes da Constituição dos EUA, a prioridade dada à liberdade do indivíduo e da criatividade e duro trabalho do povo americano. Nesta narrativa, os Estados Unidos gozam de uma posição excepcional global de hoje, porque é, também, excepcional.

Há mais do que um grão de verdade nesta versão da história americana. Não é um acidente que os imigrantes vieram para a América em massa em busca de oportunidade econômica, e do mito "caldeirão" facilitou a assimilação de cada onda de novos americanos. Avanços científicos e tecnológicos da América (**) são totalmente merecedores de elogios e devo alguma coisa para a abertura e vitalidade da ordem política americana.

Mas o sucesso do passado da América é devido tanto à boa sorte como a quaisquer virtudes exclusivamente americanos. A nova nação teve sorte que o continente foi ricamente dotado de recursos naturais e atravessado por rios navegáveis. Foi uma sorte ter sido fundada longe das outras grandes potências e ainda mais sorte que a população nativa era menos avançada e altamente suscetíveis a doenças européias. Os americanos tiveram a sorte que as grandes potências européias estavam em guerra há muito tempo da história no início da república, o que facilitou muito a sua expansão por todo o continente, e sua primazia global foi assegurada após as outras grandes potências travaram duas guerras mundiais devastadoras. Esta conta da ascensão dos Estados Unidos não nega que os Estados Unidos fizeram muitas coisas direito, mas também reconhece que a posição atual da América deve tanto a sorte como a qualquer gênio especial ou "destino manifesto".

Mito 4: Os Estados Unidos são responsáveis ​​pelo maior do Bem no Mundo.

Os americanos gostam de se dar crédito para desenvolvimentos internacionais. O presidente Bill Clinton acredita que os Estados Unidos foram "indispensável para a formação de estáveis ​​relações políticas", e o falecido cientista político da Universidade de Harvard Samuel P. Huntington pensava que a primazia dos EUA foi central "para o futuro de liberdade, democracia, economias abertas, e a ordem internacional em todo o mundo. "O jornalista Michael Hirsh foi ainda mais longe, escrevendo em seu livro "A Guerra com nós mesmos" que esse papel global dos EUA é "o maior presente que o mundo recebeu em muitos, muitos séculos, possivelmente, toda a história registrada." Trabalhos acadêmicos, como a "Missão América" de Tony Smith e G. John Ikenberry do "Leviatã Liberal" enfatizam a contribuição da América para a disseminação da democracia e de sua promoção de uma ordem mundial supostamente liberal. Dados todos cinco elogios que líderes americanos se entregaram, não é de surpreender que a maioria dos americanos vêem o seu país como uma força extremamente positiva nas questões mundiais.

Mais uma vez, há algo a esta linha de argumentação, apenas não o suficiente para torná-lo totalmente preciso. Os Estados Unidos fizeram inegáveis ​​contribuições à paz e estabilidade no mundo ao longo do século passado, incluindo o Plano Marshall, a criação e gestão do sistema de Bretton Woods, o seu apoio retórico para os princípios fundamentais da democracia e dos direitos humanos, e sua maioria estabilização presença militar na Europa e no Extremo Oriente. Mas a crença de que todas as coisas fluem bem da sabedoria de Washington exagera a contribuição dos EUA por uma larga margem.

Para começar, embora os americanos assistindo Resgate do Soldado Ryan ou Patton pode concluir que os Estados Unidos desempenharam um papel central em derrotar a Alemanha nazista, a maior parte do combate foi na Europa Oriental e o ônus principal de derrotar máquina de guerra de Hitler foi levado pela União Soviética. Da mesma forma, embora o Plano Marshall e a OTAN desempenharam papéis importantes no sucesso da Europa pós-Segunda Guerra Mundial, os europeus merecem pelo menos o crédito tanto para a reconstrução de suas economias, a construção de uma união romance econômica e política, e ir além de quatro séculos de rivalidade, por vezes, amargas. Os americanos também tendem a pensar que ganharam a Guerra Fria por si mesmos, uma visão que ignora as contribuições de outros adversários anti-soviéticos e os dissidentes corajosos cuja resistência ao regime comunista produziu as "revoluções de veludo" de 1989.

Além disso, como Godfrey Hodgson recentemente observou em seu livro simpático, mas de olhos claros, "O mito do excepcionalismo americano", a difusão dos ideais liberais é um fenômeno global, com raízes no Iluminismo, e filósofos europeus e líderes políticos fizeram muito para promover o ideal democrático . Da mesma forma, a abolição da escravatura e do longo esforço para melhorar a condição da mulher deve mais à Grã-Bretanha e outras democracias do que para os Estados Unidos, onde o progresso em ambas as áreas arrastou muitos outros países. Nem os Estados Unidos podem reivindicar um papel de liderança global de hoje sobre os direitos gays, justiça criminal, ou a igualdade econômica - na Europa tem essas áreas cobertas.

Finalmente, qualquer contabilidade honesta da metade do século passado deve reconhecer o lado negativo da primazia norte-americana. Os Estados Unidos tem sido o maior produtor de gases de efeito estufa durante maior parte dos últimos cem anos e, portanto, a principal causa das mudanças adversas que estão alterando o ambiente global. Os Estados Unidos ficaram do lado errado de uma longa luta contra o apartheid na África do Sul e apoiaram ditaduras desagradáveis ​​- incluindo Saddam Hussein. Os americanos podem se orgulhar de seu papel na criação e defesa de Israel e na luta contra o anti-semitismo global, mas suas políticas unilaterais também prolongaram a falta de um Estado Palestino e mantido brutal ocupação israelense.

Resumindo: americanos tomam muito crédito para o progresso global e aceitar muito pouca culpa para as áreas onde a política dos EUA tem sido de fato contraproducente. Os americanos são cegos para os seus pontos fracos, e de maneiras que têm reais consequências. Lembre-se quando os planejadores do Pentágono pensavam que os soldados americanos seriam recebidos em Bagdá com flores e desfiles?

Mito 5: Deus está ao nosso lado

Um componente crucial do excepcionalismo americano é a crença de que os Estados Unidos tem uma missão ordenada divinamente de conduzir o resto do mundo. Ronald Reagan disse ao público que "há algum plano divino" que tinha colocado América aqui, e uma vez citou o Papa Pio XII disse: "Nas mãos de Deus América colocou os destinos de uma humanidade aflita". Bush ofereceu uma visão semelhante em 2004, dizendo: "Temos um chamado de além das estrelas para defender a liberdade". A mesma ideia foi expressa, embora menos nobre, em piada creditada a Otto von Bismarck, de que "Deus tem uma providência especial para os tolos, bêbados, e os Estados Unidos."

A confiança é um bem valioso para qualquer país. Mas quando uma nação começa a pensar de que goza o mandato do céu e se convence de que ela não pode falhar ou ser desviada por canalhas ou incompetentes, então a realidade é susceptível a produzir uma repreensão rápida. Atenas antiga, a França napoleônica, Japão imperial, e inúmeros outros países sucumbiram a esse tipo de arrogância, e quase sempre com resultados catastróficos.

Apesar de muitos sucessos americanos, o país é quase imune a reveses, desatinos e desacertos estúpidos. Se você tem alguma dúvida sobre isso, apenas reflita sobre como uma década de imprudentes cortes fiscais, duas guerras dispendiosas e mal sucedidas, e um colapso financeiro impulsionado principalmente pela ganância e corrupção conseguiram desperdiçar a posição privilegiada dos Estados Unidos apreciada no final do século 20. Em vez de assumir que Deus está do seu lado, talvez os americanos devem prestar atenção advertência de Abraham Lincoln que a nossa maior preocupação deve ser "se estamos ao lado de Deus."

Dados os muitos desafios que americanos agora enfrentam, desde desemprego persistente ao ônus da de duas guerras mortíferas, é surpreendente que eles acham a idéia de sua própria excepcionalidade reconfortante - e que seus aspirantes a líderes políticos vêm proclamando-a com fervor crescente. Tal patriotismo tem seus benefícios, mas não quando se leva a um mal-entendido fundamental do papel da América no mundo. Este é exatamente o quão mal decisões são tomadas.

América tem suas próprias qualidades especiais, como todos os países fazem, mas ainda é um estado incorporado em um sistema competitivo global. É muito mais forte e mais rico do que a maioria, e sua posição geopolítica é extremamente favorável. Essas vantagens dão aos Estados Unidos uma gama maior de escolha na sua condução dos assuntos estrangeiros, mas elas não garantem que as suas escolhas serão boas. Longe de ser um único estado cujo comportamento é radicalmente diferente do de outras grandes potências, os Estados Unidos se comportam como todo o resto, prossegue o seu próprio interesse em primeiro lugar, buscando melhorar sua posição relativa ao longo do tempo, e dedicar relativamente pouco de sangue ou do tesouro para atividades puramente idealistas. No entanto, assim como passado grandes potências, se convenceu de que ele é diferente, e melhor, do que todos os outros.

A política internacional é um esporte de contato, e até mesmo Estados poderosos devem comprometer os seus princípios políticos em prol da segurança e prosperidade. Nacionalismo é também uma poderosa força, e inevitavelmente destaca virtudes do país e adocica seus aspectos mais salgados. Mas se os americanos querem ser verdadeiramente excepcionais, podem começar por ver toda a idéia de "excepcionalismo americano" com um olhar muito mais cético.

Via ISN

(*) Em redes sociais e discussões e fóruns que proliferam pela internet, tem-se o costume masoquista de "contabilizar" o números de mortes que este ou aquele regime teria cometido, porém o número de assassinatos de civil ao redor do mundo cometidos pelos EUA ainda não foram nem minimamente contabilizados, caso o grande pseudo-argumento liberal "consciência pesada" a favor do imperialismo estadunidense for "ainda sim exterminaram menos".

(**) algum desses vindos de "saques" de tecnologia européia, ou mesmo "fakes", como objetos catapultados serem considerados aviões.