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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Gogol e a Monarquia Sacra


"O governo de muitos não é bom. Que seja um só governador,
Um rei."
- Ilíada, livro II, 203-204
Família do Tsar Nicolau II, assassinada durante a Revolução Russa
 É possível que há um nível além de unidade nacional, uma avenida para a qual é aberta pela Santa Ortodoxia. Conforme Konstantin Malofeev, fundador de Tsargrad TV e presidente da Fundação Beneficente São Basílio, notou em uma entrevista recente que "hoje, 5% da população vai à igreja aos domingos. Quando isto será 30% ou até mesmo 50%, então a questão da monarquia surgirá por si."

É natural supor, todas as coisas sendo iguais, que as pessoas não aprenderão menos e não deixarão de saber - podemos confidencialmente conceder que a presença aos Serviços Divinos se intensificará. O dia em que a pergunta será feita chegará.

A monarquia não é apenas um sistema político entre outros, de acordo com a Igreja. É a ordem natural e supernatural das coisas. Como disse São João de Kronstadt:

O inferno é uma democracia, o Céu é um Reino. (Демократия – в аду, а на Небе – Царство)

A monarquia é a única forma de governo elaborada nas Sagradas Escrituras. A Igreja até o século passado não conhecia outra forma. Começando com a conversão de São Constantino através do Império Bizantino; em pé até a conversão do Grão Príncipe Vladimir; e finalmente terminando no Império Russo da Dinastia Romanov.

No que ela consiste?

A monarquia ortodoxa é aquela forma de um só governador soberano, ungido de Deus pela Santa Igreja, que vota para servir seus súditos; providenciar seu bem; agir no interesse da nação; defendê-los e proteger a igreja; manter a pureza da Fé Ortodoxa; e assegurar a segurança e qualidade de vida de todo seu povo, independente da religião ou confissão.

Seus súditos se voltam com lealdade ao soberano.

Soberano e súdito são igualmente responsáveis perante a Lei de Deus, preservada e interpretada pelos Concílios Ecumênicos e santos padres.

Todos são responsáveis perante o código de lei do país.

***

Mesmo com sua imaginação infinita, Gogol não poderia ter imaginado uma Rússia sem um Tsar. No Diário de um Louco, são as novidades da vacância do trono espanhol que despedaçam a já rachada sanidade de Aksenty Ivanovich.

...Há coisas estranhas pelos lados da Espanha... eles escrevem que o trono está vazio e que a nobreza está com dificuldade em eleger uma herdeiro, que está levando ao tumulto. Isto me fere de um modo extremamente estranho. Como pode um trono estar vazio? Eles dizem que alguma dona pode subir ao trono. Nenhuma dona pode subir ao trono. É simplesmente impossível. Só pode haver um rei no trono. Assim, eles dizem que não há rei. Nenhum Estado pode existir sem um rei. Há um rei, mas ninguém sabe quem ele é...

Tal dificuldade leva a esta declaração:

43º dia de abril no ano de 2000
Hoje celebramos um ilustríssimo evento! A Espanha tem um rei. Ele foi encontrado. Eu sou este rei.

Não foi por conta da ausência de visão que Gogol não pôde ver uma Rússia sem um Tsar. Ele estava consciente da alternativa. Ele sabia bem das ideias do Iluminismo. Uma das cartas mais interessantes em sua correspondência publicada se refere inteiramente ao tema do Iluminismo. Ele viveu depois que a ideia foi apropriada e aplicada (com violência) na França e (pela guerra civil) nos Estados Unidos da América. Ele sabia o que eram a liberal democracia e o republicanismo democrático.

Gogol não via o Iluminismo como algo contra a Santa Ortodoxia, contra a monarquia ou em qualquer sentido negativo do tipo. Ele se refere brilhantemente às medidas gerais de Pedro o Grande e apontou a falha do Império Russo para atingir todo o povo - ele não se poupou.

Quem quer que vê esses espaços desabitados e vazios desamparados pelas vilas ou casas não se sente deprimido, quem quer que nos lúgubres sons das nossas músicas não ouve a repreensão dorida em si mesmo - de fato, em si mesmo - ou preencheu seu dever como deveria, ou não é um Russo na alma. Quase 150 anos decorreram desde que nosso soberano Pedro I clareou nossos olhos pelo purgatório do iluminismo europeu; ele pôs nas nossas mãos os meios e instrumentos da ação...

Gogol, no entanto, realmente encontra uma falta. Mas do melhor jeito. É o tipo mais feio de preguiça intelectual para criticar, morder, rasgar, desmantelar e oferecer alternativa nenhuma. Reciprocamente é o melhor tipo de compromisso o oferecer novas ideias e perspectivas, criar novas possibilidades - para construir, não quebrar, fazer pontes e não queimá-las.

Gogol cruzando o Dnepr, por Anton Ivanov
O pensamento de Gogol era de que a preocupação francesa com o cristianismo cismático e sectário ocidental não deveria ser levada para o Império Russo. Mesmo Pedro e Catarina (os Grandes) parecem ter instintivamente percebido isto, embora eles ainda, tristes, capturam o conteúdo contagioso para o monasticismo através do contato com os polemistas ocidentais.

Gogol pensava que a Igreja era o veículo do autêntico Iluminismo, não um impedimento (Pedro e Catarina) ou seu inimigo (Voltaire).

A inteira e total visão de vida permaneceu na Igreja Ortodoxa, manifestamente mantida em reserva para mais tarde e para uma educação mais completa do homem. Ela tem o espaço não apenas para a alma e coração do homem,, mas também para sua razão, em todos os poderes supremos; neça está o caminho e a estrada pela qual tudo no homem se tornará um hino harmonioso do Ser Supremo...
... Iluminar não significa ensinar ou edificar, ou educar, ou até mesmo iluminar, mas iluminar um homem através de todas suas faculdades e não apenas se sua inteligência, tomar toda sua natureza através de um fogo purificador. Essa palavra é emprestada da nossa Igreja, que pronunciou por quase mil anos, apesar de toda a escuridão e melancolia ignorante que rodeia por todo lado, e sabe o porquê pronuncia. Não é por nada que o bispo, em celebração do serviço, elevando com uma mão o candelabro de três braços, que significa a Santa Trindade, e com a outra o candelabro de dois braços, que significa a descida à terra do Verbo em sua dupla natureza, Divina e humana, através desses [gestos] clarifica tudo, pronunciando 'Que a Luz de Cristo ilumine tudo!' Não é por nada também que num outro momento do serviço soam trovoando, como se fossem dos Céus, as palavras: 'Senhor da iluminação!' e nada mais é acrescentado.

Os arquitetos originais do ideal e seus expoentes durante o Iluminismo francês, apesar de seu anticlericalismo, foram eles mesmos monarquistas - Voltair incluso. Estes pensadores foram mais bem-vindos em São Petersburgo do que em Paris. Muitos, de novo entre eles Voltair, mantiveram correspondência com Catarina a Grande, confidenciando grandes esperanças na Rússia.

Os verdadeiros ideais do Iiluminismo, no início, eram
1. Governo de reis
2. Tolerância religiosa (não laicismo oficial do Estado)
3. Gosto elegante na arte e na literatura

A monarquia ortodoxa fecha mais com o critério do governo de reis do que a liberal democracia.

Quanto à tolerância religiosa - um Estado laico não é tolerância de religião. É, antes disso, a forma mais alta de intolerância, desde que não dá lugar nem concede participação no governo da religião da maioria - enquanto este sistema de governo reclama ser representativo do povo.

Uma exclusão geral a priori é uma ruidosa intolerância a todas as religiões, quer seja o aspecto mais vital da vida e dos trabalhos de uma nação: o governo. Não há tolerância religiosa quando a única menção à religião garantida na Constituição ou código de lei é uma nota que não tem espaço nos assuntos estatais.

Em contraste com isso, a monarquia ortodoxa faz da religião do povo o fator determinante do Estado do mesmo modo que define a maioria dos cidadãos como indivíduos. E enquanto o Império, o Tsar e a Família Real devem ser ortodoxos, por definição, a liberdade de religião é garantida para as minorias heterodoxas e até mesmo encorajadas em frases que lembram o primeiro Edito de Milão de Tolerância de 313 do Imperador Ortodoxo.

Lemos no capítulo VII, 67, das Leis Fundamentais Imperiais Russas de 1906:

A liberdade de religião é concedida não apenas para cristãos de seitas estrangeiras, mas também judeus, islâmicos e pagãos; assim, todos os povos que vivem na Rússia podem glorificar o Deus Todo Poderoso em várias línguas de acordo com as leis e confissões de seus ancestrais, abençoando o reino dos Monarcas Russos e suplicando ao Criador do universo para aumentar o bem-estar da nação e fortalecer o poder do Império.

Sobre o gosto elegante na arte e na literatura. Parece-me, um confirmado classicista, que é óbvio que o gosto e a literatura desapareceram junto com a Realeza do mundo moderno, desde que a monarquia melhor preenche a condição de governo dos reis em comparação com a liberal democracia. A melhor prova - ninguém se importa.

Ninguém hoje sentiria qualquer desejo para ter gosto, deixar de lado o gosto elegante, na arte e na literatura.

A maioria na verdade preza sobretudo o mau gosto. Elegância e (bom) gosto são tão ultrapassados! A mente hesita, os olhos rolam, o peito arfa, o coração suspira. Triste, mas assim é.

Por outro lado, a Santa Ortodoxia é a Mãe do que chamamos elegância e (bom) gosto e arte e literatura. Nossos templos e as altaneiras catedrais, abóbadas douradas e brilhantes cruzes, nossos iluminados ícones, nossos grandes compositores e incomparáveis escritores juntos com seus temas, assuntos e inspiração. Tudo isso vem da Santa Ortodoxia. Tudo isso foi patrocinado e apoiado pelos nossos Tsares.

***

Para um leitor moderno, uma pequena nota sobre a viabilidade da monarquia está em ordem.

Sua reação reflexiva não é algo como "Monarquia! Sério?" Esse é o auspicioso dia do roubo de identidade e armamentos nucleares. Estamos um pouco além da Realeza hoje.

Vamos consultar a Enciclopédia: "Preconceito é opinião sem juízo".

Você aprende algo todo dia, eles dizem. Hoje você aprendeu que a reação irracional é um preconceito. Que preconceito particular é apoiada em muitas asserções não-verdadeiras amplamente em circulação sobre monarquia. Que monarquia é inflexível, invariavelmente produz tiranos e que foi universalmente eliminada por oposição populista desde que as sociedades se tornaram suficientemente auto-conscientes.

Tsar Nicolau II num hospital com seus homens durante a Grande Guerra, por Pavel Rizhenko
A monarquia é inflexível? Não. As monarquias modernas provaram serem realistas e adaptáveis no início do século. Quase todas as monarquias modernas trabalharam em códigos legislativos e com corpos representativos, instituições civis, comitês consultivos, etc. A autocracia popular, invertida, emergirá no século XX na forma das ditaduras democraticamente eleitas depois que as coroas caíram ao chão.

Quanto à tirania, regimes e ditaduras muito mais brutais e opressivas surgiram no mundo moderno sob os auspícios e em nome da democracia, muito mais brutais e opressivas do que qualquer outra monarquia feita na história.

Finalmente, a maioria das monarquias caíram principalmente como consequência das Guerras Mundiais e foram forçosamente prevenidas de serem restauradas por poderes estrangeiros - mais conspicuamente o ferozmente anti-monarquista Estados Unidos da América. A presença de Woodrow Wilson em Versalhes é o início de um longo hábito dos EUA de interferir muito além da sua esfera legítima de interesses nacionais.

O Kaiser e o Sultão desaparecem depois da Primeira Guerra Mundial; o primeiro foi completamente proibido de ser restaurado, enquanto o segundo não foi de interesse britânico ou francês.

Os monarcas europeus orientais todos caíram sob a sombra soviética no pós-guerra - seu destino decidido por dois poderes anti-monárquicos vitoriosos: a URSS e os EUA.

De todas as monarquias modernas que terminaram na memória recente, três foram a consequência da oposição populista e só uma delas envolveu um referendo democrático (Itália, em que 59% votou pela república).

***

A restauração da monarquia ortodoxa dificilmente precisa de minha defesa. Prejuízos e estroinices à fora, é óbvio que uma monarquia poderia governar um país com sucesso, defender seus interesses e facilitar os direitos legais de seus cidadãos tanto quanto uma liberal democracia ou república democrática.

E se é a vontade de que o povo do país, como será em tempos na Federação Russa, então o verdadeiramente representativo governo poderia ser uma monarquia.

Ver parte I (Gogol e o Mundo Russo)
via souloftheeast

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Louis Ferdinand Céline: uma febre obsidional

por Manuel Fernández Espinosa, 27 de maio de 2015

Louis Ferdinand Auguste Destouches, mais conhecido como Louis Ferdinand Céline, nasceu em um dia como hoje, em 27 de maio de 1894, em Courbevoie. O sangue bretão que corria em suas veias teve que lhe dar esse toque melancólico, tão céltico, que às vezes se soma em sua obra. Em seu "Carnet do couraceiro Destouches" que, até certo ponto, constitui um caderno introspectivo, chega a se perguntar: "sou poético? Não. Não creio; só um fundo de tristeza há no fundo de mim mesmo, e se não tenho o valor de afugentá-lo com uma ocupação qualquer adquire em seguida grandes proporções".

Toda sua obra é um testemunho vital de alguém que nunca viu a si mesmo como um herói, mas como um sobrevivente. O "Viagem ao Fim da Noite" (sua novela mais famosa) nos pinta suas peripécias através das de seu alter ego, o protagonista do "Viagem...", Ferdinand Bardamu. Novela de aprendizagem, com um forte caráter picaresco, Céline lançou com ela ao mundo seu grito de rebelião. Uma rebelião com causa, a do indivíduo inteligente que não pode ajudar a salvar a entrada na dinâmica da sociedade hipócrita que o absorve, mas que resiste e que descobre que os valores estanhados, por muito que brilhem, não correspondem a nada autêntico. Céline sempre teve a ideia, alguns diriam que paranóica, de que foi o "Viagem..." o que nunca o perdoaram: "Se me procuram é pelo 'Viagem...' Uivo sob machado! É uma conta pendente entre eu e 'ELES'! no mais profundo... que não se pode contar... Estamos em perigo de Mística! Que coisa!" - escrevia em um prólogo retrospectivo para esta novela.

Os panfletos antissemitas de Céline lhe trariam nojentas consequências depois da Segunda Guerra Mundial. Pouco valeu alegar que seus livros foram proibidos na Alemanha hitlerista. A sorte estava lançada para ele: considerado como um colaborador, conforme os aliados iam lhe comendo o terreno dos alemães, Céline empreendeu uma fuga pela Europa central (poderíamos dizer que foi um prolongamento da viagem ao fim da noite, da noite que se alongava na Europa, da noite que persiste ainda hoje); com sua fuga escapava dos linchamentos que perpetravam na França os carrascos da mitificada "resistência", brutais represálias que ninguém condenou, que foram perpetradas contra aqueles que eram tachados de colaboradores. Certamente, a situação de Céline foi se agravando progressivamente conforme o Reich sucumbia e, por fim, pôde se refugiar na Dinamarca, onde foi preso para julgamento e, se os dinamarqueses tivessem-no entregado, Céline teria sido executado como tantos outros franceses; mas, isso sim, sem saber de fato nem a metade que outros que, para mais escárnio, esnobavam-se de terem combatido os nazis.

É o caso de Jean Paul Sartre ou Simone de Beavoir. Sartre, o guru do existencialismo e da "divina gauche", viveu pacificamente, até mesmo com êxito, enquanto os alemães acampavam em suas costas em Paris: as autoridades alemãs de ocupação permitiram a publicação de algumas obras de teatro do estrábico: o livro de Gilber Joseph, "Uma ocupação tão doce: Simone de Beavoir e Jean Paul Sartre, 1940-1944" revelou que Sartre jamais entrou em conflito com os nazis, por muito que depois - depois da vitória aliada - adotaria a pose de irredutível resistente intelectual. E sua companheira, a Beavoir, diva do feminismo, não teve nenhuma indigestão em colaborar com as emissoras do governo colaborador de Vichy. Não obstante, ninguém os torturou. Mas o Céline, ele sim: não fez tanto como estes dois que gozam de um prestígio imerecido, mas todos se opuseram a ele.

No "Viagem..." já havia indícios de uma suposta paranoia celiniana, mas a hostilidade que deverá sofrer depois da vitória aliada incrementa essa sensação de isolamento até mostrar uma febre obsidional como encontraremos em poucos casos da literatura. Seu estilo sincopado, seus pontos suspensivos, seus pitacos, suas crudelíssimas afirmações sobre homens e a vida imprimem em sua obra uma inconfundível nota de identidade. Céline soube transportar a vivência da linguagem oral para a escrita, podemos ler por aí; mas não é o único que pretendeu (talvez) Céline: nesses lapsos se entrevia o silêncio, o silêncio que sempre será uma constante tentação para um espírito orgulhoso que não se curva para qualquer coisa. Um orgulho de resistente que se reserva a totalidade do juízo , que lhe merecem as pantomimas e as grandiloquentes palavras dos valetes bem vestidos, bem reafirmados e pensantes; o orgulho, enfim, de quem não aceita ser presa de seus inimigos (a humanidade toda, descontando os mais próximos), que ri às gargalhadas de todas as mentiras do seu tempo (que também são as do nosso), de quem não pactua com as ficções que a maioria compartilha. Pontos suspensos... Não há palavras para expressar a repugnância que provocam tantas coisas como nos circundam: podemos ser barulhentos e loquazes, mas sempre (...) poderíamos ter dito muito mais (...)

Céline soube cultivar sua imagem iconoclasta e irredutível, mas o traço de toda sua nobreza residiu em que não o fez por cálculo ganancioso, mas por seu inexpugnável orgulho, o de que se sabe inocente e não dá gana de ser imolado nem se prestar a que o machuquem, com a convicção de ser um homem só, acompanhado de sua mulher, de seus mascotes e de poucos amigos, que não militou nunca em partido algum, que só queria se dedicar a escrever e que encontrou em suas adversidades a matéria para criar uma obra colossal que o mesmo faria chorar que rir e que, até seu mesmo adversário, Sartre, mimado pelo aparato cultural, teve que reconhecê-la como monumento imperecível da língua francesa.

Querer ser si mesmo se paga muito caro. Bem o soube Céline. Por isso, lê-lo é sempre um exercício de rebelião muito proveitoso que ajuda a ser si mesmo e purga muitas falsidades que nos querem impor.

domingo, 19 de janeiro de 2014

A verdade sobre o programa nuclear secreto de Israel

Israel andou roubando segredos nucleares e dissimuladamente fabricando bombas desde 1950. E os governos ocidentais, incluindo o Reino Unido e os EUA, fecham os olhos. Mas como podemos esperar que o Irã freie suas ambições nucleares se os israelitas não jogam limpo?

Dimona
Muito abaixo das areias desérticas, um Estado do Oriente Médio preparado para o combate constrói bombas nucleares às escondidas, usando tecnologia e materiais providenciados por poderes aliados ou roubados por redes clandestinas de agentes. É o tipo de coisa e de relatos usados para caracterizar os piores medos com relação ao programa nuclear iraniano. Na verdade, nem os EUA nem a inteligência britânica acreditam que Teerã tenha decidido construir uma bomba, e os projetos atômicas iranianos estão sob constante monitoramento internacional.

No entanto, o conto exótico da bomba escondida no deserto é verdadeiro. É apenas algo que se aplica a um outro país. Em uma façanha de subterfúgio, Israel conseguiu montar um arsenal nuclear subterrâneo - agora estimado em 80 ogivas, em par com Índia e Paquistão - e ainda testaram uma bomba a quase meio século atrás, com um mínimo de alarido internacional ou sequer consciência pública do que estava acontecendo.

Apesar do fato de que o programa nuclear israelense tem sido um segredo aberto desde um técnico descontente, Mordechai Vanunu, difundiu em 1986, a posição oficial israelense até hoje nunca confirmou ou negou sua existência.

Quando o ex-portavoz de Knesset, Avraham Burg, quebrou o tabu mês passado, declarando a posse de Israel tanto de armas nucleares como de armas químicas e descrevendo a política oficial não-divulgada como "antiquada e infantil" um grupo de direita formalmente o chamou para uma investigação policial por traição.

Enquanto isso, os governos ocidentais ajudaram com a política de "opacidade" evitando toda menção do fato. Em 2009, quando uma repórter de Washington veterana, Helen Thomas, perguntou ao Barack Obama no primeiro mês de sua presidência se ele sabia de algum país no Oriente Médio que tenha bombas nucleares, ele desviou do assunto dizendo apenas que não gostaria de "especular".

Os governos do Reino Unido seguiram esse comportamento. Perguntado na House of Lords em Novembro sobre as armas nucleares israelenses, Baroness Warsi respondeu tangenciando. "Israel não declarou um programa de armas nucleares. Nós temos discussões regulares com o governo de Israel no domínio de questões nucleares", disse a ministra. "O governo de Israel está sem dúvida nas nossas visões. Nós encorajamos Israel a participar no Tratado de Não Proliferação [NPT em inglês]".

Mas através das rachaduras na parede, mais e mais detalhes continuam a emergir de como Israel construiu suas armas nucleares contrabandeando partes e roubando tecnologia.

O conto serve como um contraponto histórico na atual luta prolongada sobre as ambições nucleares iranianas. Os paralelos não são exatos - Israrael, diferentemente do Irã, nunca assinou o Tratado de Não Proliferação de 1968, então não poderia violá-lo. Mas quase certamente quebrou um tratado banindo testes nucleares, bem como incontáveis leis nacionais e internacionais restringindo o tráfico de materiais nucleares e tecnologia.

A lista de nações que secretamente venderam a Israel material e tecnologia para a fabricação de ogivas, ou quem fechou os olhos ao seu roubo, inclui hoje os partidários mais ferrenhos contra a proliferação: EUA, França, Alemanha, Reino Unido e até mesmo a Noruega.
Mordechai Vanunu

Enquanto isso, os agentes israelenses comandam a compra de material e a tecnologia encontrada, em alguns dos mais sensíveis estabelecimentos industriais do mundo. Este ousado e incrivelmente bem sucedido anel de espionagem, conhecido por Lakam, o acrônimo hebreu para o som-inócuo de Science Laision Bureau, incluiu figuras coloridas como Arnon Milchan, um bilhonário, produtor de Hollywood e de filmes tais como Pretty Woman, LA Confidential e 12 Years a Slave, que finalmente admitiu seu papel mês passado.

"Vocês sabe o que é ser uma criança de vinte e poucos anos e seu país deixá-lo ser James Bond? Uau! A ação! Foi incrível", disse ele no documentário israelita.

A história de vida de Milchan é colorida, e diferente o bastante para ser sujeito de um sucesso que ele banca. No documentário, Robert de Niro relembra a discussão do papel de Milchan na aquisição ilícita de ogivas nucleares. "Em algum ponto eu perguntei sobre aquilo, sendo amigos, mas não de uma forma acusatória. Eu apenas gostaria de saber", disse De Niro. "E ele disse: sim, eu fiz. Israel é meu país".

Milchan não estava envergonhado sobre usar as conexões de Hollywood para ajudar sua segunda e sombria carreira. Em certo ponto, ele admitiu no documentário, ele usou a isca de uma visita ao ator Richard Dreyfuss para conseguir um cientista top dos EUA, Arthur Biehl, para se juntar ao trabalho de uma de suas companhias.

De acordo com a biografia de Milchan, feita pelos jornalistas Meir Doron e Joseph Gelman, ele foi recrutado em 1965 pelo presidente israelita, Shimon Peres, com quem ele encontrou em Tel Aviv em um bar noturno (chamado Mandy's, nomeado depois que sua própria esposa, Mandy Rice-Davis, se envolveu num escândalo de sexo). Milchan, que então comandou a companhia, nunca olhou para trás, ocupando um cargo central no programa de aquisição clandestina israelita.

Ele foi responsável por garantir tecnologia de enriquecimento de Urânio, conseguir projetos centrífugos que um executivo alemão foi subornado a extraviar em sua cozinha. Os mesmos diagramas, pertencendo ao consórcio europeu de enriquecimento de Urânio, Urenco, foram roubados em uma segunda vez por um empregado paquistanês, Abdul Qadeer Khan, que usou para encontrar seu programa de enriquecimento e para estabelecer um contrabando nuclear global, vendendo o design para Líbia, Coreia do Norte e Irã.

Por esta razão, as centrífugas israelitas são muito parecidas com as iranianas, uma convergência que permitiu aos israelitas desenvolver um vírus de computador, de codenome Stuxnet, nas suas próprias centrífugas antes de deixá-la para o Irã em 2010.

Indiscutivelmente, as façanhas de Lakam foram ainda mais ousadas que as de Khan. Em 1968, organizou o desaparecimento de um cargueiro cheio de Urânio em minério no meio do Mediterrâneo. No que ficou conhecido como o caso Plumbat, os israelitas usaram uma rede de companhias para comprar uma consignação de óxido de Urânio, conhecido como Yellowcake, em Antwerp. O Yellowcake foi concedido em tambores etiquetados por 'Plumbat', um derivado de Chumbo, e carregado em um cargueiro arrendado por uma companhia de telefone liberiana. A venda foi camuflada como transação entre companhias da Alemanha e Itália com ajuda de oficiais alemães, em troca de uma oferta israelita para ajudar os alemães com tecnologia centrífuga.

Quando o barco, o Scheersberg A, ancorou em Rotterdam, todo pessoal foi demitido sob pretexto de que o navio foi vendido e um pessoal israelita tomou seu lugar. O barco embarcou em direção ao Mediterrâneo onde, sob a guarda naval israelita, a carga foi transferida para outro barco.

Documentos britânicos e estadunidenses desclassificados ano passado também revelaram um prévio desconhecimento da aquisição israelita de mais de 100 toneladas de yellowcake da Argentina em 1963 ou 1964, sem as salvaguardas tipicamente usadas em transações nucleares para prevenir o material usado em armas.

Israel teve algumas vertigens sobre a proliferação de armas nucleares bem conhecidas e materiais, dando ao regime de apartheid sul-africano ajuda no desenvolvimento de sua própria bomba nos anos 70 por 600 toneladas de yellowcake.
Dimona, planta camuflada

O reator nuclear israelita também exigiu óxido de Deutério, também conhecido como água pesada, para moderar a reação de fissão. Para isso, Israel foi atrás da Noruega e do Reino Unido. Em 1959, Israel conseguiu comprar 20 toneladas de água pesada que a Noruega vendeu ao Reino Unido, mas foi escessivo para o programa nuclear britânico. Ambos governos suspeitaram de que o material seria usado para fabricar armamento, mas decidiram olhar de outra forma. Em documentos vistos pela BBC em 2005, oficiais britânicos argumentaram que seria "zeloso demais" impôr salvaguardas. Por sua vez, Noruega se encarregou de apenas uma visita de inspeção em 1961.

O projeto de armas nucleares israelita nunca poderia ter ficado oculto, embora, sem uma enorme contribuição da França. O país que tomou a mais ferrenha linha na contra-proliferação quando se tratou do Irã, dirigido por um senso de culpa sobre permitir a queda de Israel em 1956 no conflito de Suez, simpatia dos cientistas franco-judaicos, compartilhamento de inteligência sobre Algéria e um direcionamento para a venda de especialistas franceses e estrangeiros.

"Houve uma tendência para tentar exportar e houve um sentimento geral de apoio a Israel", contou Andre Finkelstein, ex-vice deputado n no Comissariado Francês de Energia Atômica e deputado diretor geral na Agência Internacional de Energia Atômica, a Avner Cohen, um estadunidense-israelita historiador nuclear. O primeiro reator francês foi crítico como em 1948, mas a decisão de construir armas nucleares parece ter sido tomada em 1954, depois que Pierre Mendès France fez sua primeira viagem para Washington como presidente do conselho de ministros da caótica Quarta República. Na volta ele contou a um assessor: "É exatamente como um encontro de uma quadrilha. Todo mundo põe sua arma na mesa, e se você não tiver arma você não é ninguém. Então temos que ter um programa nuclear."

Mendès France deu ordem para começar a construir bombas em dezembro de 1954. E conforme construíra seu arsenal, Paris vendeu material de assistência para outros Estados aspirantes, não apenas Israel.

"Assim foi muitos, muitos anos até que tenhamos feito exportações estúpidas, incluindo Iraque e a planta no Paquistão, o que foi uma loucura", lembrou Finkelstein em uma entrevista que pode agora ser lida em uma coleção dos papeis de Cohen em um thintank Wilson Centre em Washington. "Nós tivemos sido o país mais irresponsável na não-proliferação".

Em Dimona, engenheiros franceses resolveram ajudar Israel a construir um reator nuclear e uma planta de reprocessamento secreto ainda mais secreta capaz de separar Plutônio do combustível gasto no reator. Essa foi a real doação que o programa nuclear israelita visava na produção de armas.

No fim dos anos 50, haviam 2500 cidadãos franceses em Dimona, transformando-a de uma vila para uma cidade cosmopolita, completa com liceus franceses e estradas cheias de Renaults, e já todo empenho foi conduzido sob um grosso véu de segredo. O jornalista investigador estadunidense Symour Hersh escreveu em seu livro The Samson Option: "Trabalhadores franceses em Dimona foram proibidos de escrever diretamente a parentes e amigos na França ou em qualquer lugar, mas enviam correio a uma caixa-postal na América Latina".

Os britânicos foram mantidos fora desse laço, sendo informados em diferentes momentos que a enorme construção estava em institutos de pesquisa em pradarias desérticas e em uma planta de processo de Manganês. Os estadunidenses, também mantidos no escuro tanto por Israel como pela França, mandaram aviões espiões U2 sobre Dimona em uma tentativa de encontrar o que estavam buscando. Os israelitas admitiram possuir um reator, mas insistiram que tinha propósitos totalmente pacíficos. O combustível gasto foi enviado para a França para reprocessamento, eles diziam, ainda providenciando filmagens do que supostamente estava sendo carregado em cargueiros franceses. Durante toda a década de 60 foi negada a existência de uma planta de reprocessamento subterrânea em Dimona que produzia Plutônio para bombas.
Produtor Arnon Milchan com Bred Pitt e Angeolina Jolie

Israel recusou visitas de compostura feitas pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), assim no início dos anos 60 o presidente Kennedy exigiu que aceitassem inspetores estadunidenses. Físicos estadunidenses foram despachados para Dimona, mas foram atrasados desde o início. As visitas nunca foram duas vezes ao ano como combinado com Kennedy e foram sujeitas a repetidos adiamentos. Os físicos norteamericanos enviados para Dimona não foram permitidos trazer seu próprio equipamento ou coletar dados. O inspetor líder estadunidense, Floyd Culler, um especialista em extração de Plutônio, notou em suas anotações que foram novamente engessadas e pintadas paredes em uma das construções. Concluiu-se que antes de cada visita estadunidense, os israelitas construíam falsas paredes em torno dos elevadores que desciam seis andares para a planta de reprocessamento subterrânea.

Conforme mais e mais evidência de um programa de armas isralita emerge, o papel estadunidense progrediu de um joguete involuntário para cúmplice. Em 1968 o diretor da CIA, Richard Helms, contou ao presidente Johnson que Israel de fato construiu armas nucleares e que sua força aérea levou tipos a largarem eles.

A cronometragem não poderia ter sido pior. O NPT, tentado a prevenir muitos gênios nucleares de escapar das suas garrafas, compôs-se e se notícias surgissem que um dos Estados supostamente sem armas nucleares secretamente tivesse construído sua própria bomba, teria que se tornar letra morta que muitos países, especialmente árabes, recusariam a assinar.

A Casa Branca de Johnson decidiu não dizer nada, e a decisão foi formalizada em 1969 no encontro entre Richard Nixon e Golda Meir, no qual o presidente estadunidense concordou em não pressionar Israel a assinar o NPT, enquanto que o primeiro ministro israelita concordou que seu país não seria o primeiro a "introduzir" armas nucleares no Oriente Médio e não fazer nada para tornar pública sua existência.

De fato, o envolvimento dos EUA se tornou mais profundo que mero silêncio. No encontro em 1976 que teve só recentemente se tornado público conhecimento, o diretor deputado da CIA, Carl Duckett, informou uma dúzia de oficiais da Comissão de Regulamento Nuclear dos EUA que a agência suspeitou que algumas das bombas de fissão israelitas foram de urânio, roubadas diante do nariz estadunidense de uma planta de processamento na Pensilvânia.

Não apenas foi uma quantidade alarmante de material de fissão sendo perdida na companhia, Corporação de Materiais e Equipamento Nucleares (Numec), mas foi visitada por um verdadeiro agente de inteligência israelita, incluindo Rafael Eitan, descrito pela firma como ministro de defesa "química" israelita, mas, na verdade, um alto agente do Mossad da chefia de Lakam.

"Foi um choque. Todo mundo ficou de boca aberta", lembra Victor Gilinsky, que foi um dos oficiais norteamericanos informados por Duckett. "Foi um dos casos mais flagrantes de material nuclear desviado, mas as consequências pareceram tão surpreendentes para as pessoas envolvidas e para os EUA que ninguém realmente quis saber o que estava acontecendo".

A investigação foi adiada e nenhuma cobrança foi feita.

Poucos anos mais tarde, em 22 de setembro de 1979, um satélite dos EUA, Vela 6911, detectou o duplo-flash típico de um teste de arma nuclear na costa da África do Sul. Leonard Weiss, um matemático e especialista em proliferação nuclear, estava trabalhando como assessor no momento e depois tendo sido informado sobre os incidentes pelas agências de inteligência dos EUA e dos laboratórios de armas nucleares do país, ele se tornou convicto de um teste nuclear, em contravenção sobre o Tratado Limitado de Teste (Limited Test Ban Treaty).

Foi apenas depois de ambas administrações, de Carter e depois de Reagan, tentarem silenciá-lo sobre o incidente e tentarem caiar com um não-convincente painel de inquérito, que raiou sobre Weiss que foram os israelitas, e não os sul-africanos, que detonaram a bomba.

"Foi dito que isto criaria um problema de política externa muito sério para os EUA, se fosse dito que foi um teste. Alguém deixou claro que os EUA quisessem que ninguém ficasse sabendo", disse Weiss.

Fontes israelitas contaram a Hersh que o flash pego pelo satélite Vela foi o terceiro de uma série de testes dos testes nucleares da Índia Oceânica que Israel conduziu em cooperação com a África do Sul.

"Foi fodido", uma fonte lhe contou. "Houve uma tempestade e nós pensamos que bloquearia Vela, mas houve uma brecha no tempo - uma janela - e Vela se cegou pelo flash".

A política estadunidense de silêncio continua ainda hoje, ainda apesar de Israel parecer continuar a agir no mercado negro nuclear, embora em volumes reduzidos. Em um documento no mercado ilegal de material e tecnologia nuclear publicado em Outubro, o Instituto de Ciência e Segurança Internacional baseado em Washington (ISIS) notou: "Sob a pressão dos EUA nos anos 1980 e 90, Israel... decidiu amplamente parar sua procura ilícita pelo programa de armas nucleares. Hoje, há evidência que Israel pode ainda fazer procurações ocasionais ilícitas - operações ferroadas dos EUA e casos legais mostram isto".

Avner Cohen, autor de dois livros sobre bombas israelitas, disse que a política de opacidade tanto de Israel como de Washington é mantida agora por inércia. "Em nível político, ninguém quer tratar disso com medo de abrir a caixa de Pandora. Isto se tornou de muitas formas um fardo para os EUA, mas pessoas em Washington, todo caminho até Obama não irá tocar nisto, por causa do medo de se comprometer com muitas bases do entendimento Israel-EUA".

No mundo árabe e além, cresce a impaciência com o enviesado status quo nuclear. O Egito em particular ameaçou rumar ao NPT a menos que haja progresso com relação a criar uma zona livre de força nuclear no Oriente Médio. Os poderes ocidentais prometeram manter uma conferência na proposta em 2012, mas foi jogada fora, largamente no comando estadunidense, para reduzir a pressão sobre Israel a atender e declarar seu arsenal nuclear.

"De alguma maneira o kabuki vai em frente", disse Weiss. "Se é admitido que Israel tem armas nucleares ao menos você pode ter uma discussão honesta. Parece a mim ser muito difícil manter uma resolução sobre o Irã sem ser honesto sobre o assunto".

Via Theguardian

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Marine Le Pen: União Europeia não tem direito sobre Ucrânia

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional francesa, denunciou a aproximação da União Europeia à crise ucraniana como intervenção em assuntos internos de uma nação, que ela disse ser desnecessária a integração em primeiro lugar. Ela também descreveu como "estranho dizer que a menos" que a União exija que o governo legalmente eleito renuncie só porque algumas dezenas de milhares querem. A chefe do terceiro maior partido francês comparou a situação da Ucrânia com a da França quando mais de 1.5 milhões de protestantes tomaram as ruas para agir contra a decisão de Paris de permitir casamentos gays, e criticou Bruxelas de nunca duvidar da legitimidade de François Hollande.

Segue abaixo a entrevista feita pela Voz da Rússia:

Voz da Rússia: Durante a visita à Sevastopol no último verão, você falou sobre a integração da Ucrânia à União Europeia, cujo país você tem como amigo, mas acrescentou "amigos não são bem-vindos a um pesadelo". Mudou sua opinião?

Marine Le Pen: Não, claro que não. Primeiro, penso que não há argumento para a Ucrânia entrar para a União Europeia. Segundo, penso que não há motivo para a UE continuar sua expansão no momento em que está a beira da ruína e do colapso.

V.d.R.: Você segue os desenvolvimentos da Ucrânia?

M.L.P: Sim - mas só através da imprensa francesa que dificilmente é imparcial.

V.d.R: Qual sua avaliação do presidente Viktor Yanikovich?

M.L.P.: Não estou falando no papel de um administrador de assuntos internos de países soberanos. Mas o que me surpreende é que a União Europeia declarou o presidente ucraniano como ilegítimo, contando com a opinião de apenas alguns milhares de manifestantes. Acho ainda mais surpreendente que, se estou lembrada, um milhão e meio de franceses tomaram as ruas contra François Hollande um ano atrás, mas a União Europeia falhou em acusá-lo de ilegitimidade. Se há diferença entre parte da população ucraniana e o presidente, isso pode ser resolvido com eleições. Mas exigir a renúncia do presidente por causa das manifestações eu acho muito estranho. Houve manifestações em massa na França no último ano, mas nenhuma exigência foi feita [ao presidente Hollande].

V.d.R.: Você diz que considera não ter direito de julgar outros Estados em questões internas. No entanto, alguns líderes da Europa e dos EUA agora vêm a Kiev e publicamente advogam por independência. Você pensa que é interferência em assuntos internos de um Estado soberano?

M.L.P: Claro, e fiquei chocada quando Sr. Fabius, ministro das relações internacionais da França, tentou se encontrar com a oposição ucraniana. Vejo, no entanto, que cancelou seu encontro, mas ainda acho isso chocante. Não se deveria fazer uma coisa dessas. Ou isto significa que a lei internacional não existe mais?

V.d.R: O que você pensa sobre as últimas exigências de Kiev, que anunciaram que o acordo será assinado com a UE no caso da Ucrânia receber assistência financeira da Europa na soma de 20 bilhões de euros?

M.L.P: Eu não sei o nível de sinceridade desta proposta.

V.d.R: Mas não é a UE quem oferece à Ucrânia, é Yanukovich que está exigindo...

M.L.P.: Eu sei. Alguns analistas acreditam que o presidente Yanukovich formou suas exisgências para assegurar que a UE rejeitaria, com fim de demonstrar ao povo ucraniano que a assistência financeira esperada pela União Europeia é, na verdade, uma mentira. Então eu não sei qual foi a natureza desta exigência, se foi sincera ou uma jogada tática... eu não sei, não tenho informação o bastante sobre isso.

V.d.R: Na sua opinião, a União Europeia realmente aceita a Ucrânia? Apesar do fato do primeiro ministro britânico, David Cameron, alertar que ele não deixará irem ao Reino Unido para trabalhar bulgários e romenos que recentemente entraram para a UE, mesmo se isto viola os princípios da UE?

M.L.P.: A União Europeia hoje não está pronta para aceitar qualquer país. A União Europeia está quase arruinada e está experimentando os problemas mais severos com a entrada dos últimos países, Bulgária e Romênia. Qualquer nova "janela" para novos países apenas contribuirá para a aceleração do enfraquecimento da UE.

V.d.R.: Mas, por exemplo, a Polônia se uniu à UE 10 anos atrás, e 10 anos atrás o nível de desenvolvimento da Ucrânia e da Polônia eram o mesmo, ademais, o povo polonês veio à Ucrânia por dinheiro. Hoje, o nível de desenvolvimento da Polônia é incompatível com o da Ucrânia.

M.L.P.: O problema é que os "novos países" que tiveram o nível de desenvolvimento econômico diferente dos países "antigos" da UE receberam centenas de bilhões de euros de ajuda. Uma tal assistência dura por alguns anos. Mas então o pão branco é substituído pelo pão preto. Hoje a União Europeia não tem mais dinheiro. Não tem mais nível de prosperidade como dez anos atrás. Do que se segue que a esperança ucraniana em se juntar à UE e receber a ajuda que a Polônia recebeu é um erro.

V.d.R.: Qual, na sua opinião, é a melhor forma para a Ucrânia tratar esta situação?

M.L.P.: O melhor jeito de sair de qualquer crise política é as eleições. Pelo menos resolve o problema. Na minha opinião, se o processo de diplomacia entre a oposição e a maioria parlamentária não levar à saída da crise, é necessário reconhecer um referendo.

V.d.R.: É exatamente o que a oposição exige de Yanukovich - eleições.

M.L.P.: Isso é muito bom! Uma coisa é quando acontece dentro do quadro de acordos entre o governo atual e a oposição que decidiu organizar eleições, uma outra coisa é a UE exigir a eleição. A UE não tem nenhum direito de exigir nada.

V.d.R.: 'Forbes' reconheceu o presidente Vladimir Putin como "o homem mais poderoso do mundo" em 2013. O que você pensa de Vladimir Putin?

M.L.P.: Indubitavelmente, Vladimir Putin trouxe a Rússia de volta ao grupo de países que tem forte influência no mundo. E isso é novo. Penso que no momento da crise síria a Rússia de novo tomou um muito importante lugar no mundo da diplomacia, um lugar que a Rússia, talvez, perdeu no passado. Claro, em 2013 Vladimir Putin falou da arena política como uma personalidade bastante influente.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Sem acordo com Irã. Culpa do Ocidente"


Presstv entrevistou Hamidreza Emadi, diretor de redação da Presstv em Teerã, a fim de discutir a negociação entre Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.

O que segue é uma transcrição aproximada da entrevista.

Presstv: Sua opinião sobre o que o Sr. Kaplan (o outro convidado) disse e que basicamente trouxe plutônio nisto, basicamente dizendo que é Paris que atualmente por alguma razão não quer que este acordo siga em frente.

Emadi: Deixe-me citar algo da revista Arab Magazine, “O ministro de defesa francês recentemente acata uma visita à região pela conclusão do acordo de U$ 1.5 bilhões com Arábia Saudita para todos os navios arábicos”.

Isto mostra que os franceses recentemente estão tendo acordos financeiros com países regionais como Arábia Saudita que, todo mundo sabe, é muito contra o acordo com Teerã.

Ao mesmo tempo sabemos que a França providenciou armas nucleares a Israel e que ambos têm acordos militares muito fortes. Assim, a França está ajudando Israel a obter armas nucleares. A França está ajudando Arábia Saudita a reforçar seu setor militar. Assim é como a França trata com estas duas entidades e estes dois mais ferrenhos críticos do tratado com Irã.

É possível que os Israelitas pediram para que a França sabotasse a conversação para o acordo. Sabemos que nada pode acontecer sem a permissão dos EUA. Talvez os EUA também se envolveram nisto. Mas o que sabemos por enquanto é que a França foi a única que tentou seu melhor para contrariar o acordo com Irã no encontro em Genebra.

Presstv: O que você pensa sobre a sub-secretária de Estado estadounidense, Wendy Sherman, ao viajar para Tel um dia depois que as intensas conversas terminaram?

Parece que ela vai à Tel Aviv basicamente para reportar ou receber ordens de Israel. Sua opinião acerca disso; por que ela deveria ir diretamente de Genebra para Tel Aviv sem retornar a Washington?

Emadi: É muito constrangedor para os estadounidenses, para o povo estadounidense, e até para os europeus, que seus governos recebem ordens de Tel Aviv.

Israel é uma entidade que existe há seis décadas e agora dá ordens a países como EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha e até mesmo Rússia e China, sobre o que fazer e como pensar.

Então, o primeiro ministro israelita disse hoje mais cedo que chamou aqueles líderes e que pediu a eles que esperassem e não fizessem acordo com Irã.

O que isto significa? O que o G5+1 está fazendo agora é apenas gastar o tempo dos iranianos. Apenas gastando o tempo dos europeus. Apenas gastando o tempo dos EUA, se ouvir o que Israel está lhe dizendo.

[Em resposta a Lee Kaplan]: Não se trata de judeus, Sr. Kaplan, não estamos falando de judeus. É Israel. É um regime falso. Não tem que ver com os judeus. Tem tudo que ver com os sionistas. Não se trata de atacar os judeus; não tem nada que ver com ataque aos judeus.

Quem tem armas nucleares? Israel tem armas nucleares, Israel não assinou o Tratado da Não-Proliferação (NPT), Israel está tecnicamente em guerra com todos os países regionais. É assim que é, esta é a realidade.

Presstv: S.r Kaplan disse o que o Sr. Netanyahu disse – que “um acordo ruim é um acordo ruim” – agora que estamos falando sobre uma entidade sobre a qual supõe-se ter muitas armas nucleares e que conseguiram – se for oportuno dizer – criticar Irã, que continuamente disse que é um projeto nuclear pacífico e que não estão buscando armas nucleares nem as possuem.

Então, o que isto significa? Assim como na comunidade internacional e na legislação internacional, onde Israel tenta anular e evitar um acordo entre Irã, que não tem armas nucleares, e os G5+, tem de continuar a tratar com sanções e todas as outras pressões de partes da comunidade internacional?

Emadi: Israel não quer que a crise termine. Israel quer que essa crise fique onde está, porque Israel é um tipo parasita de criatura que vive das crises. Ele quer crise na região. Quer crise no mundo, porque pode contar ao povo que temos um inimigo, que temos de gastar dinheiro em projetos militares, que temos de atacar outros países porque temos inimigos.

Então estes projetos belicistas e de difusão do medo têm de continuar para que Israel sobreviva. De outro modo Israel não poderia sobreviver, porque Israel é um regime falso.

Voltando à conversação do G5+1 com Irã, o fato do problema é o time de negociação iraniano, um monte de pessoas diriam que não era um grupo sério, mas nesse momento em torno do Sr. Zarif, Ministro de Relações Exteriores, e seu time são um grupo sério e ninguém no Irã duvida da sua seriedade.

Se o ministro de relações exteriores não pode chegar a um acordo com o outro partido significa para os iranianos que não é culpa do time de negociação iraniano, que foi a culpa do outro grupo. Assim fica bem claro para os iranianos que o outro partido, o partido ocidental em particular, está perdendo tempo, não está negociando de boa fé, de forma séria. Isso precisa mudar.

Esta dinâmica precisa mudar e o partido ocidental em conversações deve parar de ouvir Israel se desejam pôr um fim a esta crise de uma vez por todas.

[Em resposta a Kaplan]: Nós temos direitos nucleares sob a lei internacional. Não se trata de judeus. Trata-se de Israelitas. Trata-se de sionistas…e o mundo todo sabe o que os sionistas são agora, o que eles estão fazendo ao mundo todo. Os sionistas estão destruindo o mundo inteiro.

Presstv: O sr. Kaplan disse antes de tudo que Israel não tem usado armas nucleares. Eles podem ter, mas claro que nós sabemos que Israel usou armas químicas contra palestinos e outras muitas vezes sem ser condenado na comunidade internacional, como sustenta agora a situação na base. Quão provável que Teerã e o G5+1 será capaz de chegar ou não a um acordo?

Emadi: Irã é muito sério sobre a conversação. Irã diz que estamos prontos a aliviar toda a preocupação dos EUA e outros sobre seu programa nuclear. Irã diz que estamos sendo mais transparentes. Irã diz que estamos prontos a qualquer coisa para mostrar ao mundo inteiro que o nosso programa nuclear é pacífico.


Mas enquanto Israel influenciar a conversação, enquanto o primeiro ministro israelense chamar esses líderes ocidentais e dar ordens a eles para não entrar em acordo com Irã, não sei o que estas conversas repercutem, não sei qualquer ponto na negociação com países que não têm autoridade para negociar. Assim é como é a situação. Eles devem parar de dar ouvidos a Israel se desejam chegar a um acordo.

Via Presstv

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

91% dos franceses quer mudança na política


Uma pesquisa de opinião mostra que 91% do povo francês quer que o presidente François Hollande mude sua política e sua performance antes das próximas eleições.

A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP na sigla em francês) e publicada pelo Journal du Dimanche no Domingo.

Dos que estiveram descontentes, 43% rejeita a direção que o governo de Hollande havia tomado, 30% gostaria de mudanças políticas e 18% demanda uma remodelação do Gabinete.

De acordo com a pesquisa, as mudanças deveriam ser feitas antes das eleições municipais de Março do próximo ano.

Além disso, a pesquisa mostrou uma profunda insatisfação entre os apoiadores do partido socialista de Holande, com 85% dos questionados exigindo mudanças.

“Há dúvidas reais sobre o método governamental e é compartilhada igualmente e de modo nunca visto antes entre apoiadores da esquerda, da direita e da extrema-direita”, disse Frederic Dabo, da IFOP.

A pesquisa veio dias depois que uma pesquisa mostrou que Hollande se tornou o recorde de presidente francês mais impopular, visto que o povo francês se enraivece diante das políticas econômicas do país e do recorde de desemprego.

O povo tomou as ruas da cidade francesa Quimper na região de Brittany em 2 de Novembro para protestar contra uma controversa taxa ambiental e exigir emprego.

O protesto terminou quando a polícia lançou bombas de gás lacrimogênio e canhão de água para dispersar mais de 10mil manifestantes, que disseram que o governo de Hollande estava abandonando Brittany, uma região abatida por muitos fechamentos de fábricas desde o ano passado.

Mais de mil fábricas fecharam as portas na França nos últimos três anos desde que as exportações caíram a uma baixa de 20 anos.

Isso vem enquanto o governo de Hollande impõe acréscimo de 30 bilhões de euro (US$ 40,46 bilhões) em impostos este ano em uma tentativa de reduzir seu déficit orçamental, que está em 3% abaixo da EU este ano.

Além disso, o governo falhou em refrear o crescente desemprego, fazendo aumentar os que buscam emprego na segunda maior economia da região euro em 3,29 milhões em Setembro.


Via presstv

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Frente Nacional sobe no ranking e lidera o país nas pesquisas


Pela primeira vez o Frente Nacional supera significativamente os partidos da esquerda e da direita. Uma pesquisa publicada pelo jornal Le Nouvel Observateur mostra que o partido nacionalista lidera a intenção de voto para as eleições ao Parlamento Europeu, que acontecerão em Maio de 2014.
Se os comícios europeus fossem hoje, O Frente Nacional receberia um quarto dos votos: em 24%, dois pontos mais que a União por um Movimento Popular (UMP, direitas), e cinco mais que o Partido Socialista (PS, socialdemocracia), que fica em 19%.

O jornal francês que publicou a pesquisa tratou de acalmar a opinião pública sobre os resultados ao salientar que o estudo não é uma previsão, mas não pôde evitar de admitir que o lugar do Frente Nacional "já não está a margem, mas no centro do jogo político".

Resultados da pesquisa de Le Nouvel Observateur

Esta pesquisa vem um dia depois que o Frente Nacional conseguiu um surpreendente 40.4% dos votos nas eleições parciais em Brignoles, eliminando a esquerda na primeira etapa, para logo enfrentar a UMP na segunda etapa nesta semana.

Pelos resultados, o Partido Socialista entrou em pânico e chamou seus eleitores a votar pelo candidato da direita da UMP para deter o Frente Nacional.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Hollande é vaiado pelo desemprego e cortes sociais

Centenas de habitantes da cidade de Cherbourg sairam esta segunda-feira às ruas para repudiar e visita do presidente, François Hollande, e exigir que o governo proteja o emprego e a saúde pública.



Mais de 560 pessoas, segundo a polícia, e entre 800 e 900 segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT) da França, saíram às ruas de Cherbourg, da província de Mancha, na Baixa Normandia, para mostrar a sua indignação pelas demissões em massa dos trabalhadores e a catastrófica situação da saúde pública da região.

Os manifestantes denunciaram o não-cumprimento das promessas eleitorais do presidente de resolver em um ano a crise de empredo no país gálico.

À ação de protesto vieram também os trabalhadores do grupo francês de fabricação naval DCNS, demitidos recentemente.

O presidente francês viajou esta segunda à cidade de Cherbourg, acompanhado pelo chefe de Estado de Moçambique, país que acaba de entregar um pedido de trinta embarcações para a França.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cenário de treinamento: e se a França atacasse a Suiça?

E se o "Hexágono"*, em plena desordem, for atrás da Suiça? O exército está preparando este cenário esse ano.



O Exército suiço simulou um ataque da França contra a Confederação no ano de 2013 com brigadas blindadas na romandia (região oeste do país), que decorreu entre 26 a 28 de agosto, revela o jornal Le Matin Dimanche.

Mais especificamente, o exército supões que a França, em completo colapso financeiro, se desintegrará em várias entidades regionais, como resultado da crise, e um deles, chamado de "Saônia", decide atacar a Suiça, forçando-a assim a se defender, de acordo com o cenário suposto.

Três pontos de passagem

O exercício, denominado Duplex-Barbara, se baseia em uma invasão de "Saônia" ou o território do Jura francês, a partir de três pontos de passagem perto de Neuchâtel, Lausanne e Genebra, de acordo com um mapa reproduzido pelo jornal, em que pode ver os detalhes da operação.



Uma organização paramilitar  pró-governo da Saônia, chamada de BLD (Brigada Livre de Dijon) quer "reaver o dinheiro que a Suíça usurpou de Saônia, segundo o exercício militar e a organização de ataques da Suíça.

Fluxo de refugiados em 2012

Em 2012, o exercício militar suíço, chamado "Stabilo Due", previu a queda do Euro, causando um caos social na Europa e um fluxo de refugiados para a Suíça.

De acordo com Daniel Berger, comandante da brigada blindada suíça, "o exercício não tem absolutamente nada a ver com a França que nós apreciamos, ele foi elaborado em 2012, ano em que as relações fiscais franco-suíças foram menos tensas".

Exército aprovado

No último domingo, os suíços votaram maciçamente para manter o seu sistema de milícia do exército baseado em serviço militar obrigatório.

Assim, 73,2% dos eleitores disseram não à proposta do Grupo para uma Suíça sem Exército (GSoA), que pedia o fim do serviço militar obrigatório e substituí0lo ou por voluntários ou por um pequeno exército profissional.

O exército de milícia composto por cidadãos-soldados é considerado um dos pilares fundadores da nação suíça. Seu efetivo totaliza hoje 155 mil. 

Na Europa, a maioria dos países abandonaram o serviço militar em favor de um erxército profissional.

Via 20 minutes

* Como a França é conhecida, devido ao seu formato territorial. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Egito fecha o Canal de Suez para barrar os destróieres de EUA e Inglaterra

O ministro de Defesa e chefe do Exército Egípcio, o general Abdel Fatah al-Sisi, assegurou essa quarta-feira que seu país ira fechar o Canal de Suez aos destróieres estadunidenses e ingleses que navegam rumo à Síria.



Al-Sisi enfatizou que seu país não repetirá os erros da guerra no Iraque, ressaltando o compromisso a cumprir com o acordo de defesa conjunta entre o Egito e a Síria, pelo que não permitirá que as embarcações de guerra atravessem o Canal de Suez para levar adiante uma intervenção militar no país árabe.

Além disso, o chefe da Diplomacia egípcia, Nabil Fahmi, expressou terça-feira sua oposição a uma ofensiva militar na Síria e pediu uma solução política ao conflito.

Fahmi afirmou que uma resposta ao suposto uso de armas químicas na Síria deve estar de acordo nos organismos internacionais, em especial o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Semana passada os terroristas, apoiados por países estrangeiros, acusaram o governo sírio de usar armas químicas em Damasco, alegações que foram rechaçadas veementemente pelas autoridades sírias.

Os países ocidentais, em especial EUA, Reino Unido e França, se valendo de falsas alegações, buscam efetuar uma ofensiva militar contra a Síria.

Por HispanTV

domingo, 3 de março de 2013

Revelado plano do presidente francês e primeiro ministro turco de assassinar Assad


Informou-se através da ANN alguns dados referentes a uma das tentativas de assassinato que sofreu o governo de Assad. Segue a notícia no seguinte:

A guerra secreta na Síria, documento do realizador Khadr Awarkh, revela em detalhe a tentativa de assassinato contra o presidente sírio Bashar Al Assad e seu ministro de Relações Exteriores, Walid Al Mouallem, preparado recentemente pelos serviços de inteligência da França e da Turquia. O documento contém declarações de dois espiõe presos em Damasco durante a operação que frustrou o complô.

Os serviços de inteligência da França e da Turquia tinha sido concentrados para se infiltrar, de conjunto, no palácio presidencial de Damasco e no ministério sírio de Relações Exteriores mediante o recrutamente ou manipulação de dois empregados curdos de várias empresas que realizam diversos serviços de mantimento nos edifícios oficiais sírios.

A operação de infiltração contou com o apoio dos serviços de inteligência de Israel e Estados Unidos.

Em 17 de Agosto de 2012, o ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, declarou: "estou consciente da força do que estou dizendo. O senhor Bashar al Assado não merece estar sobre a terra".

Três semanas antes, o presidente francês François Hollande tinha ordenado o assassinato de seu homólogo sírio.

As confissões dos dois espiões recrutados pela França e pela Turquia podem se ver no sítio web da agência Asia através dos seguintes vínculos:

http://www.asianewslb.com/vdcdk90s.yt0jz6242y.html
http://www.asianewslb.com/vdcaymne.49nao1kzk4.html

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A guerra no Mali e a agenda da AFRICOM


Mali, a primeira vista parece um lugar pouco provável para que as potências da OTAN, lideradas por um governo neo-colonialista francês do presidente socialista François Hollande (e silenciosamente apoiado pela administração de Obama), ponham em marcha o que se denomina por alguns de uma nova Guerra dos Trinta Anos contra o Terrorismo.

Mali, com uma população de uns 12 milhões, é um país sem litoral e em grande parte ocupado pelo deserto do Saara, no centro da África ocidental, limita com Argélia ao norte, Mauritânia ao oeste, Senegal, Guiné, Costal do Marfim, Burkina Faso e Niger em sua parte sul. O povo que passou tempo ali antes dos recentes esforços liderados pelos Estados de desestabilização chamou como um dos lugares mais tranquilos e belos da terra. Seus habitantes são em uns 90% muçulmanos de múltiplas opiniões. Conta com uma agricultura de subsistência rural e o analfabetismo adulto é quase 50%. Sem embargo, este país logo é centro de uma nova "guerra global contra o terror".

Em 20 de Janeiro o primeiro ministro britânico David Cameron anunciou a curiosa determinação de seu país em dedicar-se a fazer frente à "ameaça terrorista" em Mali e no norte da África. Cameron declarou "se requerirá uma resposta que se tratará de anos, inclusive décadas, em lugar de meses, e requere uma resposta forte de resolver..." Grã Bretanha em seu apogeu colonial nunca teve uma participação no Mali. Até que conquistou independência em 1960, Mali era uma colônia francesa.

Em 11 de Janeiro, depois de mais de um ano da pressão oculta na vizinha Algéria para enganchá-la em uma invasão da vizinha Mali, Hollande decidiu fazer uma intervenção militar francesa direta com o apoio dos EUA. Seu governo lançou ataques aéreos no levante rebelde norte do Mali contra um grupo fanático salafista de degoladores jihadistas que chamam-se de Al Qaeda no Magreb islâmico (AQIM). O pretexto por uma rápida ação francesa foi uma movimentação militar por um grupinho de jihadistas islâmicos do povo Tuareg, Asnar Dine, afiliado com a maior AQIM. Em 10 de Janeiro Asnar Dine - encobertada por outros grupos islâmicos - atacou a cidade sulista de Konna. Isto marcou a primeira vez da rebelião de Tuareg no início de 2012 que os rebeldes jihadistas saíram do território  tradicional Tuareg no deserto nortenho para espalhar a lei islâmica ao sul do Mali.

De acordo com Thierry Meyssan, forças francesas foram bem preparadas: "O presidente transitório, Dioncounda Traore, declarou um estado de emergência e chamou a França para ajudar. Paris interviu dentro de horas para prevenir a queda da capital, Bamako. Clarividente, o Elysée prontamente preposicionou em Mali tropas da primeira Regimento de Paraquedistas da Infantaria Marinha ("os colonialistas") e o décimo terceiro Regimento de Paraquedas Dragoon, helicópteros da COS (Comando de Operações Especiais), três Mirage 2000D, dois Mirage F-1, três C135, um C130 Hércules e um C160 Transall"[2] Que coincidência conveniente.

Por 21 de Janeiro a aviões de transporte da Força Aérea dos EUA começaram a transportar centenas de soldados de elite franceses e equipamento militar para Mali, ostensivamente para reverter o que foi dito como avanço terrorista descontrolado no sul em direção à capital do Mali.[3]. o Ministro de Defesa francês Jean-Yves Le Drian contou à mídia que o número de 'botas no chão' em Mali chegou a 2.000, acrescentando que "em torno de 4.000 tropas estarão mobilizados para esta operação", em Mali fora das bases[4].

Mas há fortes indicações de que a agenda francesa no Mali é tudo, menos humanitária. Em uma entrevista para France 5 TV, Le Drian cuidadosamente admitiu "o objetivo é a total reconquista do Mali. Não deixaremos nada". E o presidente François Hollande disse que as tropas francesas permaneceriam na região tempo o bastante para "derrotar o terrorismo". Os EUA, Canadá, Reino Unido, Bélgica, Alemanha e Dinamarca todos disseram que apoiariam a operação francesa contra Mali[5].

Mali, como muitos da África é rico em matéria-prima. Tem amplas reservas de ouro, urânio e mais recentemente, embora as companhias ocidentais de petróleo tentam esconder, petróleo, muito petróleo. Os franceses preferiram ignorar os recursos do Mali, mantendo como um país pobre de agricultura de subsistência. Sob o prediente Amadou Toumani Toure, deposto e democraticamente eleito, pela primeira vez o governo iniciou um mapeamento sistemático da vasta riqueza sob seu solo. De acordo com Mamadou Igor Diarra, o anterior ministro de minas, o solo de Mali contém cobre, urânio, fósforo, bauxita, pedras preciosas e, principalmente, alta porcentagem de ouro, óleo e gás. Assim, Mali é um dos países no mundo com a maior parte de matéria-prima. Com suas minas de ouro, o país é já um dos líderes exploradores, logo atrás da África do Sul e Gana[6]. Dois terços da eletricidade francesa é de poder nuclear e recursos de urânio são essenciais. Atualmente, a França extrai significante quantidade de urânio de Niger.

Agora a figura fica um pouco complexa.

De acordo com especialistas confiáveis geralmente ex-militares dos EUA com familiaridade direta na região, que falaram em anonimato, os EUA e as forças especiais da OTAN de fato treinaram os mesmos grupos "terroristas" para justificar uma invasão neo-colonialista francesa apoiada por EUA. A pergunta mais importante é "por que Washington e Paris treinam terroristas que agora estão atuando para destruir em uma "guerra contra o terror"?" Estavam muito surpreeendidos pela falta de lealdade da OTAN de seus alunos? E o que há por trás do respaldo dos EUA da AFRICOM na tomada do Mali pela França?

Leia o artigo completo em Globalresearch