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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Sem acordo com Irã. Culpa do Ocidente"


Presstv entrevistou Hamidreza Emadi, diretor de redação da Presstv em Teerã, a fim de discutir a negociação entre Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.

O que segue é uma transcrição aproximada da entrevista.

Presstv: Sua opinião sobre o que o Sr. Kaplan (o outro convidado) disse e que basicamente trouxe plutônio nisto, basicamente dizendo que é Paris que atualmente por alguma razão não quer que este acordo siga em frente.

Emadi: Deixe-me citar algo da revista Arab Magazine, “O ministro de defesa francês recentemente acata uma visita à região pela conclusão do acordo de U$ 1.5 bilhões com Arábia Saudita para todos os navios arábicos”.

Isto mostra que os franceses recentemente estão tendo acordos financeiros com países regionais como Arábia Saudita que, todo mundo sabe, é muito contra o acordo com Teerã.

Ao mesmo tempo sabemos que a França providenciou armas nucleares a Israel e que ambos têm acordos militares muito fortes. Assim, a França está ajudando Israel a obter armas nucleares. A França está ajudando Arábia Saudita a reforçar seu setor militar. Assim é como a França trata com estas duas entidades e estes dois mais ferrenhos críticos do tratado com Irã.

É possível que os Israelitas pediram para que a França sabotasse a conversação para o acordo. Sabemos que nada pode acontecer sem a permissão dos EUA. Talvez os EUA também se envolveram nisto. Mas o que sabemos por enquanto é que a França foi a única que tentou seu melhor para contrariar o acordo com Irã no encontro em Genebra.

Presstv: O que você pensa sobre a sub-secretária de Estado estadounidense, Wendy Sherman, ao viajar para Tel um dia depois que as intensas conversas terminaram?

Parece que ela vai à Tel Aviv basicamente para reportar ou receber ordens de Israel. Sua opinião acerca disso; por que ela deveria ir diretamente de Genebra para Tel Aviv sem retornar a Washington?

Emadi: É muito constrangedor para os estadounidenses, para o povo estadounidense, e até para os europeus, que seus governos recebem ordens de Tel Aviv.

Israel é uma entidade que existe há seis décadas e agora dá ordens a países como EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha e até mesmo Rússia e China, sobre o que fazer e como pensar.

Então, o primeiro ministro israelita disse hoje mais cedo que chamou aqueles líderes e que pediu a eles que esperassem e não fizessem acordo com Irã.

O que isto significa? O que o G5+1 está fazendo agora é apenas gastar o tempo dos iranianos. Apenas gastando o tempo dos europeus. Apenas gastando o tempo dos EUA, se ouvir o que Israel está lhe dizendo.

[Em resposta a Lee Kaplan]: Não se trata de judeus, Sr. Kaplan, não estamos falando de judeus. É Israel. É um regime falso. Não tem que ver com os judeus. Tem tudo que ver com os sionistas. Não se trata de atacar os judeus; não tem nada que ver com ataque aos judeus.

Quem tem armas nucleares? Israel tem armas nucleares, Israel não assinou o Tratado da Não-Proliferação (NPT), Israel está tecnicamente em guerra com todos os países regionais. É assim que é, esta é a realidade.

Presstv: S.r Kaplan disse o que o Sr. Netanyahu disse – que “um acordo ruim é um acordo ruim” – agora que estamos falando sobre uma entidade sobre a qual supõe-se ter muitas armas nucleares e que conseguiram – se for oportuno dizer – criticar Irã, que continuamente disse que é um projeto nuclear pacífico e que não estão buscando armas nucleares nem as possuem.

Então, o que isto significa? Assim como na comunidade internacional e na legislação internacional, onde Israel tenta anular e evitar um acordo entre Irã, que não tem armas nucleares, e os G5+, tem de continuar a tratar com sanções e todas as outras pressões de partes da comunidade internacional?

Emadi: Israel não quer que a crise termine. Israel quer que essa crise fique onde está, porque Israel é um tipo parasita de criatura que vive das crises. Ele quer crise na região. Quer crise no mundo, porque pode contar ao povo que temos um inimigo, que temos de gastar dinheiro em projetos militares, que temos de atacar outros países porque temos inimigos.

Então estes projetos belicistas e de difusão do medo têm de continuar para que Israel sobreviva. De outro modo Israel não poderia sobreviver, porque Israel é um regime falso.

Voltando à conversação do G5+1 com Irã, o fato do problema é o time de negociação iraniano, um monte de pessoas diriam que não era um grupo sério, mas nesse momento em torno do Sr. Zarif, Ministro de Relações Exteriores, e seu time são um grupo sério e ninguém no Irã duvida da sua seriedade.

Se o ministro de relações exteriores não pode chegar a um acordo com o outro partido significa para os iranianos que não é culpa do time de negociação iraniano, que foi a culpa do outro grupo. Assim fica bem claro para os iranianos que o outro partido, o partido ocidental em particular, está perdendo tempo, não está negociando de boa fé, de forma séria. Isso precisa mudar.

Esta dinâmica precisa mudar e o partido ocidental em conversações deve parar de ouvir Israel se desejam pôr um fim a esta crise de uma vez por todas.

[Em resposta a Kaplan]: Nós temos direitos nucleares sob a lei internacional. Não se trata de judeus. Trata-se de Israelitas. Trata-se de sionistas…e o mundo todo sabe o que os sionistas são agora, o que eles estão fazendo ao mundo todo. Os sionistas estão destruindo o mundo inteiro.

Presstv: O sr. Kaplan disse antes de tudo que Israel não tem usado armas nucleares. Eles podem ter, mas claro que nós sabemos que Israel usou armas químicas contra palestinos e outras muitas vezes sem ser condenado na comunidade internacional, como sustenta agora a situação na base. Quão provável que Teerã e o G5+1 será capaz de chegar ou não a um acordo?

Emadi: Irã é muito sério sobre a conversação. Irã diz que estamos prontos a aliviar toda a preocupação dos EUA e outros sobre seu programa nuclear. Irã diz que estamos sendo mais transparentes. Irã diz que estamos prontos a qualquer coisa para mostrar ao mundo inteiro que o nosso programa nuclear é pacífico.


Mas enquanto Israel influenciar a conversação, enquanto o primeiro ministro israelense chamar esses líderes ocidentais e dar ordens a eles para não entrar em acordo com Irã, não sei o que estas conversas repercutem, não sei qualquer ponto na negociação com países que não têm autoridade para negociar. Assim é como é a situação. Eles devem parar de dar ouvidos a Israel se desejam chegar a um acordo.

Via Presstv

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Uma bandeira Argentina flamulando nas Ilhas Malvinas

"As Malvinas são parte de nosso território e estão em poder de uma potência extrangeira, por isso temos um vínculo afetivo de permanência com o lugar e uma reivindicação histórica", assegurou à Infobae o Prefeito do Partido (Município) de La Consta, Juan Pablo de Jesús, quem recentemente expôs uma bandeira com as cores do país com 15 metros de largura no arquipélago.



O prefeito do município encontrou esta forma particular de expressar a reivindicação da soberania junto a um grupo de ex-combatentes desse distrito que viajaram ao arquipélago para homenagear o combatentes caídos.

Durante sua visita, o prefeito de La Costa percorreu os vários campos de batalha da ilha e hasteou o símbolo nacional sobre o Cemitério Darwin, onde jazem 239 soldados argentinos que perderam a vida durante o conflito bélico.

Entre os soldados ainda não identificados, jazem os corpos de dois dos três soldados costeiros, José Luis Rodriquez e Omar Ferreira, cujas mães vivem em La Costa. Em honra destes, De Jesús deixou uma placa de homenagem em Monte London, lugar onde ambos jovens perderam a vida e ocorreu uma das batalhas mais sangrentas da guerra protagonizada entre Grã-Bretanha e Argentina. O terceiro caído é Heitor Doufrechou, cujo corpo se encontra no cemitério local.

 Na assembléia da ONU, a presidente Cristina Kirchner voltou esta semana a acusar o Reino Unido de "militarização do Atlântico Sul e enviar submarinos nucleares" para a área, e reiterou "o pedido de que país respeite a resolução da ONU em 'sentar e conversar' "sobre a disputa pela soberania das Malvinas.

via Infobae

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Espanha disposta a fazer frente conjunta com Argentina para reivindicar Malvinas e Gibraltar

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, confirmou que estão abertos a apoiar as reivindicações argentinas contra a Grã-Bretanha, se receberem o mesmo.



"Nós sempre estivemos de acordo com a Argentina em três coisas que são as três em que Gibraltar e Malvinas são idênticas", afirmou José Manuel García-Margallo.

Esses pontos coincidentes são que em ambos os casos "se aplica o princípio de integridade territorial e não o princípio da autodeterminação e os dois devem ser resolvidos da negociação das partes", assinalou o ministro espanhol.

"Caso se ponha nesses termos votaremos as resoluções em favor da Argentina como os argentinos votarão a favor da Espanha", assegurou García-Margallo, antes de acrescentar que "outra coisa são medidas que cada país - Argentina ou Espanha - adotem para resolver o litígio, no que podemos estar de acordo ou não".

García-Margallo insistiu que em Madri "se analisa todas as opções para resolver o conflito" criado sobre Gibraltar, incluindo o recurso à Corte Internacional de Justiça de Haya.

"É música para nossos ouvidos escutar ao ministro que Espanha considera levar esse caso a tribunais internacionais", afirmou o ministro principal de Gibraltar, Fabián Picardo, em uma entrevista publicada domingo no El País.

Extraído de infobae

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Quando não importa a autodeterminação - a moral dúbia do Reino Unido dos Grandes Piratas

Por Emilio Cárdenas

Island of Shame ("Ilha da vergonha"), livro de David Vine, é relevante para todos os argentinos com sua conexão direta com a conduta da Grã-Bretanha, a potencia colonial uma vez ocupante da ilha denominada Diego Garcia. Se trata da primeira investigação acadêmica - completa e bem documentada - sobre o que efetivamente ocorreu, há quatro décadas, na ilha localizada no Oceano Índico, entre a África e Indonésia.

Diego Garcia, com sua forma de arco, é na verdade a maior de um conjunto de sessenta e quatro pequenas ilhas que compõem um grande atol de coral.

O interesse no trabalho de Vine aumenta em especial quando acabamos de testemunhar um referendo ilegal de autodeterminação nas Ilhas Malvinas, em função da qual seus habitantes ratificaram que não têm outra identidade senão britânica. Isso significa ter-se auto-excluído como parte que reclama uma individualidade própria, distinta da potência colonial ocupante, nas futuras negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas. O que naturalmente não quer dizer que os habitantes das Malvinas não devam ser levados em conta ao se discutir o futuro das ilhas. O que chegará em algum momento. mas não serão uma terceira "perna", presumivelmente autônoma, nas negociações sobre a soberania das ilhas. Porque se proclamaram o que sempre foram e todos nós sabíamos o que eram: britânicos. (nota do tradutor: colonos postos para o império garantir sua pretensa legitimidade territorial, vide "O Príncipe" de Maquiavel, capítulo V).

A obra de Vine desmascara claramente o cinismo e a incrível "moral dúbia" da Grã-Bretanha que, apesar de ser consciente de que a população de Diego Garcia teria certamente direito à autodeterminação, optou por expulsá-la sem a menor cerimônia da terra em que viviam, para poder construir ali uma gigantesca base militar estadunidense, de importância estratégica e geopolítica. Desde lá, lembremos, foram organizadas recentemente algumas das mais cruciais operações militares estadunidenses, como as que ocorreram no Iraque e Afeganistão.

Grã Bretanha - segundo prova Vine ao longo de sua investigação muito bem documentada, extensa e minuciosa - expulsou com a maior crueldade todos os habitantes de Diego Garcia. Ou seja, aos chamados "ilois", que no idioma crioulo local significa "ilhéu", "insulano" (habitante da ilha). O fez sem hesitar um único instante frente ao enorme custo humano que os "ilois" tiveram que pagar. Manejando, segundo demonstra Vine, o tema de modo sigiloso, ao fazer os britânicos o "trabalho sujo" por exigência dos EUA, para que os feitos não chegassem ao conhecimento do Comitê de Descolonização das Nações Unidas senão logo após que foram consumados.

Os ilois (também chamados de "chagosianos", expressão que vem da palavra "chaga") chegaram em Diego Garcia em 1783. Ali estiveram por um período de tempo de dois séculos, até que os britânicos (sem consultar-los em nada) decidiram sua expulsão massiva. Para o que inventaram o chamado "Território britânico do Oceano Indico" em 1965, estabelecido por "decreto imperial", de modo a não advertir o que acontecia nem mesmo a seu próprio Parlamento.

Quando os ilois começaram a ser deportados, aproximadamente dois mil deles moravam no atol. Trabalhavam em plantações de cocos e levavam uma existência pacífica, tranquila, quase idílica, certamente sem sonhar qual seria, de repente, seu final trágico.

O processo que conduziu à sua deportação massiva por parte da Grã-Bretanha foi realmente duro. Tremendo, aliás. Até seus cachorros foram - relata Vine - assassinados com gás na frente deles. Para que não deixassem rastro algum de sua presença em Diego Garcia e poder assim entregá-la aos EUA "desabitadas", como haviam se comprometido com o presidente John F. Kennedy.


Base militar da OTAN imposta em Diego Garcia


A obra de Vine descreve - precisa e detalhadamente - as várias atrocidades cometidas pelos britânicos para "limpar" de gente Diego Garcia. Primeiro, não deixaram regressar à ilha aqueles que tinham saído - absolutamente desprevenidos - dela para curar no exterior seus problemas de saúde, na vizinha Maurícia ou nas Seychelles, ou para fazer turismo ou visitar amigos e familiares. Jamais puderam regressar.

Logo foram, passo a passo, desabastecendo a ilha de alimentos, medicamentos, e de serviços mais básicos e elementares, de maneira a tornar impossível seguir habitando-as. Por fim, fecharam os hospitais, escolas e clínicas.

Os últimos ilois que, apesar de tudo, permaneceram em Diego Garcia, foram finalmente forçados a embarcar em um navio (o último) com excesso de passageiros, a empurrões e com falsas promessas de compensação. para não retornarem mais à sua terra.

O livro relata uma história de horror, que denuncia a hipocrisia daqueles que, de repente, se declaram diante do mundo como pretensos campeões do princípio de "autodeterminação" quando o invocam a favor dos próprios britânicos, mas o ignoram - e até pisam em cima - quando esse recurso corresponde a terceiros.

Desde a sua expulsão pelos britânicos, os ilois caíram em miséria. São apenas alguns milhares de refugiados, abandonados por todos. Sem qualquer peso geopolítico.

De nada serviu os brevíssimos debates que puderam provocar no Congresso dos Estados Unidos em 1975. Nem as denuncias das ONGs. Nem as ações judiciais até agora arquivadas.

Todas as portas se fecharam para eles. Uma atrás da outra. No entanto, para os ilois, a luta não acabou. Por isso falam de "la lit chagossien" ("a luta chagossiana"), que alimenta suas esperanças de algum dia à sua própria terra.

Ninguém renuncia à sua própria identidade. A deixar de ser o que é. Mesmo que uma potência afirme, falsamente, que os ilois nunca existiram.

Via La Nacion

Tradução por Conan Hades

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Atlântico Sul: Referendo nas Malvinas é uma perigosa farsa jurídica

Os argentinos enfrentarão nas próximas semanas momentos cruciais nos quais estará em jogo a soberania sobre o arquipélago no Atlântico Sul, que por razões históricas e geográficas pertencem à argentina mas foram usurpadas pela Grã-Bretanha.



O referendo convocado pelo governo britânico permitirá aos habitantes das Ilhas Malvinas decidir se querem ser cidadãos britânicos. Se desconhece qual será a formulação exata da pergunta, como também não é descabido supor que Londres tenha conceba a possibilidade de criar alí uma república associada com o nome de Falklands. Se isso ocorrer, as Nações Unidas reconhecerão esse novo país e os direitos da Argentina serão negligenciados por séculos, isso pra não dizer para sempre.

Nestes dias, as negociações estão centradas nos desejos dos habitantes da ilha. Nosso país, defensor tradicional de auto-determinação, não reconhece a atribuição aos chamados "kelpers" por sólidas razões jurídicas: os habitantes das ilhas não são uma população indígena, mas transplantadas da Grã-Bretanha.

Em 1982, depois da guerra, o governo britânico documentou formalmente o status de cidadãos britânicos de habitantes da ilha. Tem razão o governo Argentino quando não aceita a participação de representante dos kelpers nas negociações.

Os ingleses sabem que seu poder sobre a ilha é factual, baseado em seu poderio militar e econômico.

Em 1833, a Inglaterra era a "rainha dos mares", com sua capacidade bélica inigualável até então. O que hoje é a República Argentina tinha então duas décadas de governo próprio e estava muito longe de ser uma nação juridicamente organizada. De todo modo, as ilhas eram nossas e a coro britânica bem o sabia, como também sabe agora.

Postos a buscar argumentos históricos, os ingleses negam que o descobridor das ilhas seja algum dos quatro navegantes espanhóis que chegaram nos primeiros cinquenta anos após a descoberta da América. Asseguram que o descobridos foi John Davis, um marinheiro cujo navio foi desviado para lá por uma tempestade, em 1592. De tal evento não há documentos nem restou vestígio algum. Nem ao menos se sabe se se travada das Malvinas.

Também citam ao corsário inglês Richard Hawkins, quem em 1594 se dirigia ao Oceano Pacífico para saquear populações disse ter visto uma terra que não constava em nenhum mapa. Recém em 1764, com o estabelecimento dos franceses em Port Louis, começa a colonização das ilhas às quais chamavam Malouines.

Não só seus próprios documentos e a história desacreditam as pretensões inglesas. Essas ilhas, despovoadas e que foram utilizadas ocasionalmente por barcos para se prover de carne de foca e pingüim, se encontram na plataforma continental sul-americana, uma região que Londres nunca pôs os pés antes da invasão de 1833.

Em 1494 as ilhas estavam do lado espanhol do Tratado de Tordesilhas. As províncias Unidas do Sul emancipadas em 1810 correspondiam aos mesmos limites do extinto Vice-reinado do Rio do Prata. Desse modo, a Argentina herdou o arquipélago.

Ninguém discute sobre quem era o dono das ilhas antes de 1833. Até o célebre Duque de Wellington, o vencedor de Napoleão, expressou: "revisei todos os papeis relativos às Falklands. De maneira alguma encontrei que alguma vez fomos titulares da soberania de tais ilhas".

Em 1910, o Ministério das Relações Exteriores admitiu que "... a atitude governo do argentino não é totalmente injustificada e nossa ação tem sido um pouco despótica ". Também documentou: "Nós (Londres), não podemos facilmente fazer uma bia reclamação e astutamente temos feito tudo o que podemos para evitar discutir o tema na Argentina."

A resolução 2065 da ONU, de 1965, ao pedir que se descolonizem as ilhas respeitando os direitos dos habitantes, refletiu com clareza que todo o mundo reconhecia a soberania argentina, menos Grã-Bretanha.

Argentina deverá esgotar os seus recursos para esse referendo de março, sem valor legal, se converta em uma manobra que sepulte ,definitivamente, o exercício de nossos direitos soberanos.

Editorial - El Tribuno Fevereiro 2013


Tradução por Conan Hades

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

"A Argentina tem um direito histórico superior" nas Malvinas


Há dois domingos, abordamos a legitimidade da titularidade britânica das Malvinas através do livro “One Man’s Falklands” do escocês Tam Dalyell e os estudos do historiador inglês Peter Beck, ambos baseados na volumosa e transcendental obra do investigador estadounidense Jules Goeble, “The Struggle for the Falkland Islands”. Nesta oportunidade, traremos a opinão do decano da Universidade de Villanova (EUA), Lowell Gustafson, entrevistado por este autor, tendo como base o seu livro “A disputa da soberanía sobre as Falkland (Malvinas) Islands”. Entre citações de Perón e Scalabrini Ortiz,  Gustafson dedica vários capítulos ao estudo detalhado da titularidade inicial da Argentina e Grã-Bretanha sobre o arquipélago. As bicentenárias aspirações piratas no território das Provincias Unidas são explicadas com referências a autores como Rodolfo e Julio Irazusta, experts na “questão da exploração econômica britânica da Argentina”. Na página 57 de seu livro citado, nos lembra: “Juan Perón listaria as Ilhas Malvinas como ‘as primeiras entre as muiats formas de agressão que a América Latina sofreu. O ataque de 1833 às Malvinas por forças britânicas e sua violenta ocupação foram apoiadas pelos EUA pró-britânico, a mais poderosa nação americana’.”

– Quais são os direitos históricos e os títulos legais da Argentina sobre as Ilhas Malvinas?

- A resposta a esta pergunta é complexa. No meu livro as resumo entre as páginas 34 e 36. O título que a Argentina herdou, seja através da herança espanhola ou por própria criação, não pôde perder-se de maneira repentina pela agressão britânica. Tampouco pôde ter-se perdido gradualmente pelo assentamento britânico, em razão de que a Argentina nunca aceitou a usurpação britânica. Em 16 e 22 de janeiro de 1833, a Argentina protestou pelo uso de força britânico. Logo veio o protesto do ministro plenipotenciario argentino, don Manuel Moreno, em Londres, em 24 de abril de 1833, e mais um segundo em 29 de dezembro de 1834. [Os protestos] continuaram, protagonizados por outros funcionários, os protestos de 1841, 1849, 1888, 1908, 1927, 1933 e 1946. Daí em diante e mais praticamente de forma anual, a Argentina continuou suas queixas a nível de Nações Unidas.

– Os britânicos alegam que o período 1849 – 1884 sem protestos formais por parte da Argentina tiram força (total ou parcial) de suas reivindicações.

– A Argentina esteve 35 anos sem objeções, de fato, mas sua última queixa, a de 1849, assinalou especificamente que a ausência de futuros protestos não significa que o país abandone suas reivindicações. A maioria dos principais autores em Direito Internacional, incluindo Hugo Grotius e L. Oppenheim, argumentam que um período de interrupção de 50 a 100 anos é codnição fundamental para a prescrição de um titulo de legaliadde. Neste sentido, o silêncio argentino de 35 anos nãoo é importante, sobretudo desde que a Argentina não subscreveu nenhum tratadoque implique um reconhecimento da reivindicação britânica. De fato, a ausência britânica entre 1774 e 1833 totalizou uns 50 anos e isto não implicou, segundo sua conformidade, na perda da titularidade durante aquele período.

– Pode nos relatar brevemente como começou e por quem a colonização das Malvinas?

– A ocupação britânica data de meados do século XVIII; a espanhola começou nos fins desse século. Houve uma tentativa francesa de restaurar seu impérioo. Antoine Louis de Bougainville funda  Porto St. Louis em Les Malouines (As Malvinas) em 31 de janeiro de 1764. França paga a Bougainville pelo assentamento e Porto St. Louis é cedido à Espanha em 1767. Por sua parte, John Byron funda Porto Egmont em 4 de janeiro de 1765, depois da fundação do assentamento francês. A Espanha desaloja os britânicos a força em 1769. Alguns britânicos, como Lord Chatam, propiciam o uso da força para restaurar o controle britânico em Porto Egmont, caso fosse necessário. O desalojamento britânico finalmente sucede em 1774; deixaram uma placa afirmando a reivindicação da Grã-Bretanha sobre as ilhas.

–O que aconteceu a partir de 1810?

– Em 1810 se estabelece no Cabildo a Primeira Junta, que diz reconhecer Fernando VII. A Grã-Bretanha segue interessada em penetrar no Império Espanhol, ainda que mudada a estratégia: do antiquado enfoque militar de Lord Beresford a respeito do colonialismo, à incitação à independência política da América Latina (neoconialismo econômico). Enquanto isso, a Espanha, preocupada com os movimentos independentistas no continete, abandonou as Ilhas Malvinas em 1811. Surge então o princípio de uti possidetis (aceitação das fronteiras coloniais) frente à fragmentação política causa pela independência: que territórios do antigo Vice-reinado formaram parte das nações recém-independentes? Caçadores e pescadores de diversas nacionalidades utilizam formalmente as Malvinas. A Argentina tenta estabelecer o controle de jure e de facto sobre elas. Na década de 20 acontecem importantes fatos. Em 1825, se assina o tratado de amizade, comércio e navegação entre a Argentina e a Grã-Bretanha. Em 10 de junho de 1829, os britânicos protestam pela concessão e renovam suas reivindicações sobre as Ilhas Malvinas. Vernet se apodera de dois navios dos EUA que foram achadas violando sua concessão exclusiva. Os Estados Unidos envia o U.S.S. Lexington, cujo capitão declarou as ilhas res nullius (propriedade de ninguém). É então que a Argentina nomeia um novo governador. A Grã-Bretanha responde enviando dois navios de guerra, o Clio e o Tyne, que tomam Porto Louis em 2 de janeiro de 1833. A ocupação britânica prossegue desde então e até o presente.

–Você afirmas na página 12 de seu livro: “A Argentina tem um direito histórico superior... sobre a Grã-Bretanha”. Por quê?

– A Argentina tem um direito histórico superior devido a que herdou a soberania da Espanha sobre as ilhas, sob o princípio de uti possidetis, pelo qual as nações recém-independentes da América Latina reivindicavam a substituição das fronteiras administrativas espanholas pelas nacionais, ou seja, estabelecer seu próprio título sobre as ilhas que haviam sido declaradas res nullius, ou propriedade de ninguém. Espanha tinha um título legal sobre as ilhas porque comprou a primeira colônia, que havia sido fundada pelos franceses, e a manteve até 1811. A Grã-Bretanha fundou uma colônia nas ilhas depois dos franceses, mas a abandonou em 1774. Os britânicos deixaram uma placa afirmando sua intenção de manter o título legal, mas não fizeram objeções durante quase 60 anos, enquanto a Espanha e a Argentina reivindicavam publicamente a soberania sobre o conjunto de ilhas. Quando a Argentina declarou formalmente sua independência em 1816, a colônia espanhola havia sido evacuado durante alguns anos. Dado que nenhuma outra nação havia reclamado habitar as ilhas em sua totalidade, a Argentina tomou posse das mesmas, seja em virtude do Vice-reinado ou em virtude de tratar-se de ilhas que não haviam sido reivindicadas por ninguém. Enquanto os Estados Unidos declararam as ilhas res nullius em 1831, a Argentina impugnou esta afirmação e atuou como se houvesse mantido a soberania sobre elas. Deste modo, quando a grã-Bretanha invadiu a pequena colônica argentina em 1833, o fez sem tener nenhuma reivindicação suficientemente fundamentada sobre as ilhas.

– Na página 56 o senhor afirma que “o princípio de auto-determinação não respaldaria os títulos da Grã-Bretanha sobre as ilhas se os os moradores não tivessem se atribuido este direito, dado que eles foram importados por uma potência colonial”. Deste modo, o princípio da auto-determinação é aplicável às Malvinas?

– A ONU tem pensado detalhadamente sobre a auto-determinação de povos nativos, mas não dos povos coloniais. Os colonos europeus haviam vivida na África durante séculos, mas raramento se pensou que pudessem reclamar território sob o princípio da auto-determinação.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Londres reiterou que não haverá negociação sobre as Malvinas

Londres reiterou que não haverá negociação sobre as Malvinas. Isto foi relatado por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra. "Eles são livres de escolher o seu próprio futuro", disse ele sobre os moradores da ilha.



Um dia após enviar a carta a presidente Cristina Kirchner pediu a Grã-Bretanha para "devolver o Malvinas", o governo britânico disse que não haverá negociação entre os dois países sobre a soberania das ilhas.

A presidente exigiu "um fim ao colonialismo", em uma carta, que também é reproduzida nos meios de comunicação britânicos como The Guardian. Uma porta-voz do Ministério de Relações Exteriores britânico disse hoje que não haverá negociação sobre as Malvinas como os seus habitantes não querem, publicou o jornal La Nación.

"Eles são livres de escolher o seu próprio futuro, tanto política como economicamente, e têm direito à auto-determinação, tal como consagrado na Carta das Nações Unidas", disse a fonte do Ministério das Relações Exteriores sobre a escolha dos habitantes.

"Este é um direito fundamental de todos os povos", enquanto indicando que "há três partes neste debate, não duas, como reivindicado pela Argentina. O moradores não podem ser apagados da história."

Na carta enviada pela chefe de Estado da Argentina, explicou que as ilhas "foram sido tiradas à força" da Argentina "exatamente 180 anos atrás, em 3 de janeiro de 1833", e que as Malvinas estão a 8.700 milhas (14.000 km) de Londres.

Via Perfil 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Parte da Antártida argentina com nome britânico

 As terras ao sul da Antártida Argentina foram nomeadas ontem pela Grã Bretanha como "Terra da rainha Elizabeth". Tais terras na Argentina não têm nome. Quê disse o tratado antártico a respeito...O Departamento de Assuntos Exteriores (Foreign Office) do governo da Grã Bretanha oficializou nesta Terça-Feira a resolução pela qual chamará "Terra da rainha Elizabeth" uma porção do território na Antártida.

O anúncio realizou o chanceler britânico William Hague, no marco da visita que a monarca realizou ao ministério de Relações Exteriores, como parte das celebrações do chamado Jubileu de Diamantes, a comemoração pelo 60º aniversário de sua ascenção ao trono.

A área de 437.000 quilômetros quadrados está localizada na parte sul do território antártico que Londres autoproclamou como soberano em 1908, quatro anos depois do início das investigações científicas argentinas no continente branco.

"O Território Antártico Britânico é um membro único e importante da rede dos quatorze Territórios de Ultramar do Reino Unido. Reconhecer o compromisso do Reino Unido com a Antártida, com uma associação permanente a Sua Majestade, é uma grande honra", comentou Hague na reunião de ministros. Em seu comunicado de imprensa, o Foreign Office evitou assinalar que o território é reclamado pela Argentina e Chile.

Segundo se anunciou, o nome da Terra da Rainha Elizabeth ficará oficializado para os mapas britânicos, enquanto que "o resto dos países decidirão se reconhecem ou não este nome", explicou a Chancelaria do Reino Unido. Londres assegurou que a nomeação se realizou "sobre a base que a área atualmente não têm nome e se requere um para fins científicos ou logísticos". O Reino Unido exigiu seu território no continente em 1908, mas não foi até 1962 quando passou a formar parte de sua rede de territórios em ultramar.

Nomenclatura argentina
A Argentina não batizou tal região nem tampouco tomou nomenclatura estrangeira como se adotaram outros países como por exemplo Chile, que as denomina Terra Edith Ronne (primeira mulher norte-americana expedicionário ao polo). Em tais terras se encontra o Macizo Armada Argentina, batizado assim pelo país.

Uma aposta forte em resposta à ação britânica seria que a Argentina também batizasse a região, com algum nome de herói ou expedicionário antártico da Argentina.

O que diz o Tratado
 Artigo IV, inciso 2. Nenhum ato ou atividade que se leve a cabo enquanto o presente Tratado se faz em vigência constituirá fundamento para se fazer valer, apoiar ou negar uma reclamação de soberania territorial da Antártida, nem para criar direitos de soberania nesta região. Não se farão novas reclamações de soberania territorial na Antártida, nem se ampliarão as reclamações anteriormente feitas valer, enquanto o presente Tratado se encontre em vigência.

Que Grã Bretanha tenha nomeado uma região, não a fará mais ou menos dona de tal território. Em seu caso, Argentina poderia fazer o mesmo. Na geografia antártica existem diversos nomes para mencionar uma mesma região ou bloco de gelos, segundo a história própria de cada Estado com direitos no continente branco. A diferença radicará em quantos Estados agreguem ou não o nome colocado, pois com o tempo, prevalecerá um só para evitar confusões e ele dependerá das relações que cada um dos países tenha entre si.


Via Elmalvinense

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ilhas Malvinas farão referendo sobre domínio britânico em 2013

O governo das Malvinas informou nesta terça-feira que vai realizar um referendo no próximo ano para "eliminar qualquer dúvida possível" sobre os desejos dos moradores da ilha de continuar sob domínio britânico diante das reivindicações de soberania da Argentina.


Grã-Bretanha e Argentina travaram uma guerra em 1982 sobre as ilhas do Sul do Atlântico, e 30 anos mais tarde, as tensões têm aumentado entre as duas nações.

"Eu não tenho dúvida de que o povo das Malvinas deseja que as ilhas permaneçam um território autônomo ultramarino da Grã-Bretanha", disse Gavin Short, presidente da Assembleia Legislativa das Malvinas.

"Então nós decidimos, com o total apoio do governo britânico, realizar um referendo sobre as Ilhas Malvinas para eliminar qualquer dúvida possível sobre os nossos desejos", acrescentou em um comunicado.

A votação está prevista para acontecer no primeiro semestre de 2013.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, lançou uma ampla ofensiva diplomática para apresentar as reivindicações de seu país em relação às ilhas. Ela acusa a Grã-Bretanha de manter "enclaves coloniais" e apelou a Londres para abrir negociações de soberania.

O governo britânico se recusa a discutir a soberania enquanto os 3.000 habitantes da ilha quiserem permanecer britânicos.



Via Reuters