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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Sionismo Cristão

Por Alberto Buela

Em um muito bom artigo publicado por Eladio Fernández sob o título de Evangélicos cristãos, seita financiada por Israel e Washington, onde aparece uma foto de Netanyahu falando em um congresso evangélico, afirma que: "Os evangelistas cristãos acumulam uma história de grupo político mais que religioso. Seu vínculo com a AIPAC (lobby hebreu) e o potente lobby gay é indiscutível, como ferramenta político-social, mais que religiosa. O investimento na Espanha é notável, e se multiplicam por dois em tão somente dez anos. As igrejas evangélicas são um sistema similar ao utilizado pela CIA para infiltrar suas ONGs como sistema de penetração ideológica unilateral, que maneja coincidências veladas".

O que não disse o artigo é que o evangelismo cristão norteamericano para atuar assim encontra seu apoio e seu embasamento no denominado "sionismo cristão". Sim, ainda que a primeira vista pareça uma contradição flagrante, instalou-se desde anos um grande movimento sionista cristão no seio das igrejas evangélicas. A nós isso soa raro porque por estes pagos nem se fala do assunto. Por isso vamos tentar explicá-lo.

Como consequência da Reforma protestante se impôs o método literal de interpretação das escrituras que veio para substituir os métodos alegóricos, analógicos e hermenêuticos praticados pelo catolicismo. Assim, quando o texto bíblico realiza promessas a Israel estas são interpretadas como realizadas ao Estado de Israel atual, e não à Igreja como povo de Israel ou Israel espiritual.

O autor conclui com a afirmação de que os judeus têm direito divino de ocupar territórios no Levante ou Oriente Médio. Que Jerusalém seja sua capital exclusiva. Que os muçulmanos são seus inimigos. E além de tudo, que o [Estado] de Israel atual não tem nenhuma responsabilidade com os crimes que pratica sobre os palestinos. Este último apoiado na teoria da dispensa das responsabilidades dos judeus de seus atos atuais e passados.

Segundo esta teoria teológica a história humana passou por uma série de mordomias ou períodos administrativos de tratamento com Deus que culminarão com a segunda vinda de Cristo. Assim, em um primeiro momento foram os judeus, a descendência de Abraão, Isaac e Jacó, logo a Igreja católica, logo as igrejas protestantes, mas como as igrejas cristãs (católicas e protestantes) fracassaram em seu trato com Deus, sobretudo depois da segunda guerra mundial, há que devolver a representação de Deus aos judeus instalados no Estado de Israel, para que eles preparem a Segunda Vinda do Senhor.

Encontramos na voz do sionismo cristão na Internet a seguinte caracterização de seu poder na atualidade: "hoje, Jerry Falwell, que chama o Cinturão Bíblico estadunidense de Cinturão de Segurança de Israel, calcula que existem 70 milhões de sionistas cristãos e 80.000 pastores sionistas cujas ideias são disseminadas por 1.000 emissoras cristãs de rádio e 100 redes cristãs de televisão. Constituem de forma clara uma facção dominante do Partido Republicano e representam um quarto dos votantes".

De uma perspectiva católica o caso mais emblemático de sionismo cristão encontramos no filósofo francês Pierre Boutang (1916-1998), sucessor de Emmanuel Levinas na cátedra de metafísica de Sorbona-Paris IV.

O sionismo de Boutang não é político, mas teológico, e seu raciocínio é o seguinte: o fracasso da cristandade na Europa depois da barafunda da segunda guerra mundial desqualificou o cristianismo e, então, restituiu a Israel seu cargo original.

A única vitória que trouxe a segunda guerra mundial para o cristianismo foi a criação do Estado de Israel. É que a Igreja que é o verdadeiro Israel, não podendo conservar esse privilégio e como consequência do Vaticano II restituiu Israel que foi o primeiro depositário. "nous Chrétiens, en un sens, avec nos nations cruellement renégates, avons pris le rang des Juifs de la diaspora" (nós cristãos, em certo sentido, com nossas nações que cruelmente renegaram o cristianismo, tomamos o lugar dos judeus da diáspora).

E em suas conversações com George Steiner observa que os efeitos do caso Dreyfus foram o fracasso de uma França católica e monárquica estigmatizada pela vitória da democracia parlamentária que tem em seu seio o messianismo judeu laicizado. Isso é, quando se carnalizou o desjudaizado de seu sentido originário.

Boutang, como nosso Nímio de Anquim, vem denunciar a descristalização do poder político e a "carnalização" do mesmo através do judaísmo.

Só os enraizadamente católicos como Boutang são os únicos que estão em condições de entender o que quer dizer. O resto dos mortais, como nós neste assunto, temos que guardar silêncio para não pecar.

Que tire cada um suas conclusões, segundo seu real saber e entender. Nós só nos limitamos a apresentar o tema.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Conheça as meninas por trás das fotos de Nabi Saleh


"As fotos se tornaram virais. Isso é importante", disse Ahed Tamimi, 14 anos, "assim o mundo pode ver o que acontece". Ahed é a garota loura à esquerda na foto amplamente publicada de um violento confronto entre mulheres e crianças palestinas contra um soldado israelense na vila Nabi Saleh, Cisjordânia. No quadro Ahed está mordendo no soldado depois que ele a espancou no rosto. Desde que agora imagens não famosas foram primeiramente publicadas, Tamimis, e Ahed em particular, foram visitadas por multidões de jornalistas querendo saber como a família palestina se sentiu ao ver o pequeno Mohammed Tamimi, de 12 anos, também conhecido como Abu Yazan, despencou no chão.

Nas fotografias as garotas e as mulheres palestinas olham em pânico, e a expressão do soldado israelita é frenética. Abaixo dele está Abu Yazan, que olha como se gemesse de dor, amassado e empurrado pelo solado, seu braço amassado como se estivesse pressionado contra uma pedra. As quatro mulheres Tamimis - Nariman e Nawal, mães de meia-idade, e as garotas, Ahed e Nour, adolescentes - enfrentaram o soldado que tentava deter Abu Yazan por ter jogado pedra durante um protesto semanal contra os confiscos de terras.

"Quando você vê alguém da sua família em perigo, você não tem tempo para pensar", disse Nour Tamimi, 16 anos, quando sentamos no pátio da casa de Ahed. Ela é prima de Ahed e aparece na extrema direita, vestindo um top preto nas imagens virais.

"Ele estava me batendo e eu vi sua mão no meu rosto, então eu o mordi", disse Ahed com sua voz suave.

Ahed e Nour pareceram dolorosamente envergonhadas quando conversamos, Ahed mais que Nour. Ambas vestidas em seus jeans e camisetas, Ahed com uma estampa de Lola Bunny, interesse amoroso de Bugs Bunny. Ahed gosta de jogar futebol e dançar. Ela estuda inglês na escola, mas se envergonha de falar. Quando crescer, ela quer ser juíza. As duas foram a sofás ao ar livre, então se mudaram para uma cozinha para fazer um lanche da tarde, sanduíches com lebane, um iogurte típico do Oriente Médio, e shata, um tempero vermelho apimentado. Quando preparavam o lanche, elas fofocaram como meninas fazem. A noite estava fresca e agradável , um agradável mudança com relação à onda de calor que recentemente cobriu a região. O risto das duas, e a chegada de dúzias de visitantes das cidades ao redor da Cisjordânia deram um tom festivo à noite. Estava bem diferente do tumulto que passaram quatro dias atrás.

Ainda assim, os militares de Israel empoleiraram-se num checkpoint aéreo, procurando carros que entravam e saíam de Nabi Saleh. Alguns residentes foram proibidos de deixar a vila, inclusive os parentes de Ahed na terça-feira pela manhã. As duas foram detidas por uma hora e meia, antes que as forças israelitas as mandassem de volta para dentro da sua cidade.

Quando as fotos explodiram nas redes, a mídia internacional legendou o uso da força contra uma criança com um braço quebrado como o conto de "Davi e Golias", enquanto a mídia israelita ficou consternada que um grupo de mulheres botou um soldado pra correr. As mulheres morderam, arranharam, estapearam e socaram o soldado. Então elas tiraram a balaclava do rosto dele. Embora não tenha sido fotografado, e não incluso em um vídeo que também capturou a cena do fim de semana, foi Bassem Tamimi (marido de Nariman e pai de Mohammed e Ahed) e seu filho mais novo de nove anos, Salam Tamimi, quem também foram golpeados pelos soldados.

Em seguida o ministro da cultura e de esportes de Israel, Miri Regev, clamou por regulamentações perdidas no uso de fogo vivo por soldados, caluniando a "humilhação" que as fotos trouxeram ao exército israelita.

Agora para a família de Tamimi o incidente que se tornou um espetáculo na internet foi tão somente em uma outra sexta-feira vivendo na ocupação, nem mais nem menos. Começou com uma demonstração e terminou com cinco membros da sua família no hospital. Nariman tem asma e usa muletas, depois ela foi baleada por soldados israelitas meses atrás na rótula do joelho. Ela precisou de tratamento. Bassem, Ahed e Abu Yazan também sofreram estilhaços nos seus corpos. Como foi com Salam, ele foi baleado com uma bala de borracha, deixando seu dedo quebrado.

Uniformemente toda a família Tamimi ficou surpresa que tanta gente da mídia estrangeira tenha chegado para seguir as fotos icônicas. Além disso, que o protesto chamou atenção do governo israelita.

"Eles fizeram um grande estardalhaço com a 'humilhação' do soldado, mas estão matando o povo palestino", disse Nour, fazendo referência ao que disse Regev. Às adolescentes de Nabi Saleh, o exército israelita já é visto como belicoso. Em 2013, quando o jornalista e autor Ben Ehrenreich escreveu uma característica sobre Nabi Saleh para o The New York Times Magazine, Nariman estimou que umas 100 pessoas da vila tinham sido presas, e em torno de 500 violadas durante as demonstrações. Recentemente, dois dos membros da cidade - também parte do clã Tamimi - foram mortos por soldados israelitas. Mustafa Tamimi, 27, foi espancado na cabeça com uma bomba de gás lacrimogênio em 2011 e Rudshi Tamimi, 31, foi morto com tiro à queima-roupa no ano seguinte.

Para jovens em Nabi Salah, a morte de Mustafa e Rudshi causaram uma última impressão e as dificuldades a pioraram. "Depois de seis anos começaram a saber como lidar", disse Nour, indicando o tempo que os residentes de Nabi Saleh protestaram, que começaram em 2009 depois do fechamento do acesso ao povo à paisagem natural.

"Três anos e meio atrás meu amigo foi morto por soldados israelitas, então eu me tornei mais forte. Assim eu disse pra mim mesma 'por que não ser uma jornalista' que manda mensagem de todas as crianças, para todas as pessoas no mundo?" disse Janna Jihad, 9 anos, prima e amiga de Ahed. "Mustafa", Jihad continuou, "ele foi um amigo para todas as crianças em Nabi Saleh".

Jihad, uma irada e confidente garota que cresceu entre Nabi Saleh e West Palm Beach, na Flórida, então disse "sou a menor jornalista do mundo!" Ela tem uma página no facebook com em torno de 20.000 seguidores que leem suas postagens e veem suas fotos dos protestos de Nabi Saleh. Sua linha do tempo é cheia de imagens de seus parentes e colegas correndo do gás lacrimogênio tipicamente lançados em protestos durante as marchas semanais. Quando ela crescer, Jihad disse que quer reportar à CNN ou Fox, para ter uma plataforma a fim de alcançar pessoas divulgando sobre os modos com que as crianças sofrem com a ocupação. A morte de Mustafa, o baleamento de Nariman, o de Salam, o de outro parente três semanas antes que foi fuzilado com cinco balas no peito, deixou Jihad com a impressão de que sua vila está no caos "todo dia, todo dia, todo dia. Não é vida". Como falamos Ahed se uniu ao grupo de crianças que se reuniram em uma colina para ver Halamish, construída sobre as terras de Nabi Saleh. A construção foi feita por linhas-duras de Gush Emunim nos anos 1970 e desdeentão se tornou um subúrbio equipado com piscinas, caminhadas e guardas armados nos portões. Em Nabi Saleh, a maioria das ruas não são pavilhadas. A disparidade na riqueza é radicalmente aparente.

Voltando a Bassem, o pai de Ahed quando jovem costumava brincar nas encostas que agora estão cobertas por casinhas Halamish. O baixo vale era coberto por campos e jardins floridos.

"Há uma relação entre nós e esta terra", ele disse, entre conversas com vizinhos sobre um futuro Estado único ou dois Estados em Israel e no território palestino e sobre quão se ampliaram os conflitos não-violentos das demonstrações semanais. Bassem apoia o Estado único, o que ele vê como um fim lógico à ocupação que começou quando era criança. Sua esperança é que as demonstrações como Nabi Saleh se espalhem furiosamente e inaugurem condições, urgentemente, para o fim de uma ocupação sobre a qual comentadores estão dizendo que mudou de temporária para permanente. Até então ele continuará protestando toda sexta-feira - venha o que vier.

via mondoweiss

sábado, 16 de maio de 2015

Alberto Buela: Quem controla o mundo?

Por Alberto Buela*

Pela primeira vez desde a finalização da segunda guerra mundial (1945) os Estados Unidos tomam uma decisão política internacional à qual se opõe o Estado de Israel e os judeus em geral, como é o acordo nuclear com o Irã com o apoio da Alemanha, Grã Bretanha, Rússia, China e França.

Este acordo que tem que ser feito em forma definitiva em 30 de junho para fechar os detalhes técnicos e jurídicos é explicitamente boicotado pelo Estado de Israel e o lobby judeu estabelecido nos governos dos Estados Unidos, Alemanha, Grã Bretanha, França e, inclusive, Irã. Sobre este último recordemos que nos funerais do Papa João Paulo II, teve só dois chefes de Estado que falavam farsi, o aiatolá Jatami e o então presidente israelita Moshe Katsav, e entre eles se entenderam. A comunidade judia no Irã é a mais forte dentre todos os países árabes.

O Irã é considerado um perigo para a existência do Estado israelita. Os atentados de Buenos Aires há 23 anos se explicam como atentados de falsa bandeira produzidos por serviços secretos de Israel e dos EUA para buscar um motivo pelo qual declarar guerra ao Irã.

Este objetivo depois se deixou de lado e nós, os argentinos, terminamos pagando os pratos vermelhos e medidos em um conflito que não têm nada que ver conosco, mas que pagamos generosamente com o dinheiro de nosso minguado Estado.

Os lobbies judeus estão trabalhando contra o tempo para fazer abortar o pacto final do acordo que acaba de ser feito nesta primeira semana de abril de 2015, e nesse sentido já o chefe supremo iraniano Ali Khamenei acaba de pôr em dúvida que se possa firmar o acordo definitivo em 30 de junho.

Os dirigentes máximos do mundo, em sua maioria, veem com bons olhos o acordo de um pacto nuclear, pois isso traria algo de tranquilidade ao infortúnio internacional que estamos vivendo hoje. Até o Papa Francisco, de quem ninguém pode duvidar que é, por convicção própria, o maior defensor dos interesses judeus, apoiou o pacto.

De modo tal que não fica nenhuma autoridade de peso sobre a terra que se oponha ao acordo de há uma semana atrás, mas, não obstante, há indícios de que o pacto não seja fechado de forma definitiva. E então surge a questão "mas quem manda no mundo? Quem tem o mais poder que a vontade explícita dos cinco poderosos da terra, para anular sua decisão?"

Retorna mais uma vez à nossa memória o velho ensinamento do velho ministro inglês Disraeli quando afirmou: Ignora o mundo quem maneja o poder detrás dos bastidores. Será o imperialismo internacional do dinheiro manejado pelos dois bancos mais poderosos: Rockefeller e Rotschild?

A nós, como convidados de pedra destas grandes medidas geopolíticas e estratégicas, só cabe distinguir que estas são manobras dos homens, mas que outras podem ser as medidas de Deus. Mal de muitos consolos de pobres.

*Filósofo e escritor

via elespiadigital

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Geopolítica por trás da guerra do Yemen - um front anti-iraniano

Por Mahdi Darius Nazemroaya

EUA e Reino da Arábia Saudita se incomodaram consideravelmente quando o movimento yemeni ou yemenita dos huties ou Ansar Allah (Os Partidários de Deus, em árabe) conseguiu o controle da capital de Yemen, Sanaa/Saná em setembro de 2014. O presidente yemenita Abd-Rabbuh Man S our Al-Hadi, apoiado pelos EUA, foi humilhantemente obrigado a compartilhar o poder com os huties e com a coalizão de tribos do norte de Yemen, que os tinha ajudado a penetrar em Sanaa. ALl-Hadi declarou que havia negociações para um movimento yemenita da unidade nacional e seus aliados, EUA e Arábia Saudita, trataram de usar um novo diálogo nacional e negociações mediadas para cooptar e pacificar os huties.

A verdade sobre a guerra no Yemen foi posta de pernas para baixo. A guerra e a derrota do presidente Abd-Rabbuh Man S our Al-Hadi no Yemen não são resultado de um 'golpe huti' no Yemen. É bem pelo contrário, Al Hadi foi derrotado porque, com apoio saudita e estadunidense tratou de esquecer-se dos acordos para compartilhar o poder que tinha feito e de devolver ao Yemen um regime autoritário. A derrota do presidente Al-Hadi executada pelos huties e seus aliados políticos foi uma reação inesperada diante do apoderamento do poder que Al-Hadi estava planejando com Washington e com a Casa de Saud.

Os huties e seus aliados representam um corte transversal diverso da sociedade yemenita e a maioria dos yemenitas. A aliança interior do movimento huti contra Al-Hadi inclui muçulmanos shiitas e sunitas. EUA e a Casa de Saud nunca pensaram que os huties se imporiam e derrubariam Al-Hadi do poder, mas essa reação se desenvolveu durante uma década. Com a Casa de Saud, Al-Hadi tinha se envolvido na perseguição dos huties e na manipulação de políticas tribais no Yemen, inclusive antes de ser presidente. Quando chegou a ser presidente do Yemen, ampliou os negócios e trabalhou contra a implementação dos acordos que tinha fechado mediante consenso e negociações no Diálogo Nacional do Yemen, que foi convocado depois que Ali Abdullah Saleh foi obrigado a ceder o poder em 2011.

Golpe ou contragolpe: o que passou no Yemen?

Em primeiro lugar, quando tomaram Sanaa no final de 2014, os huties rechaçaram as propostas de Al-Hadi e suas novas ofertas para um acordo formal de compartilhamento do poder, qualificando-o de personagem moralmente corrupto que em realidade tinha renegado suas promessas anteriores de compartilhar o poder político. Nesse momento, as tentativas do presidente Al-Hadi de obedecer Washington e a Casa de Saud o tinham convertido em profundamente impopular na maioria da população de Yemen. Dois meses depois, em 8 de novembro, o próprio partido do presidente Al-Hadi, o Congresso Geral Popular Yemenita, também despojou Al-Hadi de seu cargo.

Os huties finalmente deteram em 20 de janeiro o presidente Al-Hadi e ocuparam o palácio presidencial e outros edifícios do governo yemenita. Com apoio popular, um pouco mais de duas semanas depois, os huties formaram formalmente um governo de transição yemenita em 6 de fevereiro. Al-Hadi foi obrigado a renunciar. Os huties declararam em 26 de fevereiro que Al-Hadi, EUA e Arábia Saudita estavam planejando a devastação do Yemen.

A renúncia de Al-Hadi foi um revés para a política externa dos EUA. Levou a uma retirada militar e operacional da CIA e do Pentágono, que foram obrigados a retirar pessoal militar e agentes de inteligência do Yemen. Los Angeles Times informou em 25 de março, citando funcionários estadunidenses, que os huties tinham capturado numerosos documentos secretos quando ocuparam o Secretário de Segurança Nacional yemenita, que trabalhava em estreita colaboração com a CIA, o que afetou as operações de Washington no Yemen.

Al-Hadi fugiu da capital yemenita Sanna para Adén em 21 de fevereiro e declarou em 7 de março que essa cidade-porto era a capital temporal do Yemen. EUA, França, Turquia e seus aliados europeus ocidentais fecharam suas embaixadas. Pouco depois, no que foi provavelmente uma ação coordenada com EUA, Arábia Saudita, Kuwait, Bahréin, Qatar e Emirados Árabes Unidos transferiram suas embaixadas de Sanna para Adén. Al-Hadi anulou sua carta de renúncia como presidente e declarou que estava formando um governo no exílio.

Os huties e seus aliados políticos se negaram a aceitar as demandas dos EUA e da Arábia Saudita, articuladas através de Al-Hadi em Adén e por Riad, cada vez mais histérica. Como resultado, o ministro de assuntos internacionais de Al-Hadi, Riyadh Yaseen, pediu em 23 de março que Arábia Saudita e os petro-emirados árabes interviessem com suas forças armadas para impedir que os huties obtivessem o controle do espaço aéreo do Yemen. Yaseen disse ao porta-voz saudita Al-Sharq Al-Awsa que necessitava de uma campanha de bombardeio e que tinha-se que impor uma região de não-voo sobre Yemen.

Os huties deram conta que ia começar uma luta militar. Por isso os huties e seus aliados nas forças armadas yemenitas se apressaram em controlar o mais rapidamente possível a maior parte dos aeroportos e bases aéreas yemenitas, como Al-Anad. Se apressaram em neutralizar Al-Hadi e penetraram em Adén em 25 de março.

Quando os huties e seus aliados entraram em Adén Al-Hadi tinha fugido da cidade-porto yemenita. Al-Hadi reapareceu na Arábia Saudita quando a Casa de Saud começou a atacar Yemen em 26 de março. Desde Arábia Saudita, Abd-Rabbuh Man S our Al-Hadi voou então para o Egito a uma reunião da Liga Árabe para legitimar a guerra contra Yemen.

Yemen e a mutante equação estratégica no Oriente Médio

A ocupação huti de Sanaa aconteceu no mesmo período como uma série de êxitos ou vitórias regionais para o Irã, Hezbollah, Síria e o Bloco da Resistência que estes e outros protagonistas locais formam coletivamente. Na Síria, o governo conseguiu reafirmar sua posição enquanto no Iraque o movimento EI/ISIL/Daesh era obrigado a retroceder pelo Iraque com a evidente ajuda do Irã e de milícias iraquianas aliadas com Teerã.

A equação estratégica no Oriente Médio começou a mudar na medida em que ficava claro que Irã começava a ocupar uma posição central para a arquitetura e estabilidade de sua segurança. A Casa de Saud e o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu começaram a choramingar e a queixar-se de que o Irã controlava quatro capitais regionais - Beirut, Damasco, Bagdad e Sanaa - e que tinha-se que fazer algo para deter a expansão iraniana. Como resultado da nova equação estratégica, os israelitas e a Casa de Saud se alinharam perfeitamente com o objetivo estratégico de neutralizar o Irã e seus aliados regionais. "Quando israelitas e árabes se encontram na mesma página, a gente devia prestar atenção", disse em 5 de março o embaixador israelita Ron Dermer a Fox News sobre o alinhamento de Israel com Arábia Saudita.

A campanha de medo israelita e saudita não teve resultado. Segundo a pesquisa Gallup, só 9% dos cidadãos dos EUA viam o Irã como o maior inimigo dos EUA, quando Netanyahu chegou a Washington para falar contra um acordo entre EUA e Irã.

Os objetivos geoestratégicos dos EUA e dos sauditas depois da guerra no Yemen

Enquanto a Casa de Saud considerou há tempo Yemen uma espécie de província subordinada e parte da esfera de influência de Riad, EUA quis assegurar-se de poder controlar o Bab Am-Mandeb, o Golfo de Adén e as ilhas Socotra. O Bab Al-Mandeb é um importante ponto crítico para o comércio marítimo internacional e os embarques de energia que conecta o Golfo Pérsico através do Oceano Índico com o Mar Mediterrâneo através do Mar Vermelho. É tão importante como o Canal de Suez para as vias de transporte marítimo e para o comércio entre África, Ásia e Europa.

Israel também estava preocupado porque o controle do Yemen poderia cortar o acesso de Israel ao Oceano Índico através do Mar Vermelho e impedir que seus submarinos chegassem facilmente ao Golfo Pérsico para ameaçar o Irã. Por isso o controle do Yemen foi em realidade um dos temas de discussão de Netanyahu quando falou diante do Congresso dos EUA em 3 de março, quando precisamente New York Times apresentou em 4 de março como "o pouco convincente discurso de Netanyahu diante do Congresso".

Arábia Saudita temia visivelmente que Yemen poderia chegar a se alinhar formalmente com Irã e que os eventos poderia conduzir a novas rebeliões contra a Casa de Saud na Península Arábica. EUA também estavam preocupados, mas também pensavam em termos de rivalidades globais. Impedir que o Irã, Rússia, ou China tivessem um ponto de apoio estratégico no Yemen, como meio de impedir que outras potências controlassem o Golfo de Adén e se posicionassem em Bab Al-Mandev, era uma preocupação importante para os EUA.

Acrescenta-se à importância geopolítica do Yemen na supervisão de corredores marítimos estratégicos seu arsenal de mísseis militares. Os mísseis do Yemen poderia alcançar quaisquer barcos no Golfo de Adén ou Bab Al-Mandeb. Nesse sentido, o ataque saudita contra os depósitos de mísseis estratégicos do Yemen serve tanto aos interesses dos EUA como os de Israel. O objetivo não é apenas impedir que sejam utilizados para tomar represálias contra o uso de força militar saudita, mas também impedir que estejam em disposição de um governo yemenita alinhado com Irã, Rússia ou China.

Em uma posição pública que contradiz totalmente a política síria de Riad, os sauditas ameaçaram empreender uma ação militar se os huties e seus aliados políticos não negociassem com Al-Hadi. Como resultado das ameaças sauditas, protestos estalaram em todo Yemen em 25 de março contra a Casa de Saud. Portanto, a situação se preparou para outra guerra no Oriente Médio, quando EUA, Arábia Saudita, Bahréin, os EAU, Qatar e Kwait começaram a se preparar para reinstalar Al-Hadi.

A marcha saudita rumo à guerra no Yemen e um novo front contra Irã

Apesar de tudo o que se diz sobre Arábia Saudita como potência mundial, é muito débil para enfrentar sozinha o Irã. A estratégia da Casa de Saud foi erigir ou reforçar um sistema de aliança regional para um prolongado enfrentamento contra Irã e o Bloco da Resistência. Por isso, Arábia Saudita precisa do Egito, da Turquia e do Paquistão - uma mal chamada aliança ou eixo "sunita" - para que ajudem a enfrentar o Irã e seus aliados regionais.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, o príncipe herdeiro do Emirado de Abu Dabi e vicecomandante supremo das forças armadas dos EAU, devia visitar Marrocos em 17 de março para falar de uma resposta militar coletiva ao Yemen por parte dos petro-emirados árabes, Marrocos, Jordânia e Egito. Em 21 de janeiro, Mohammed bin Zayed se reuniu com o rei da Arábia Saudita Salman bin Abdulaziz Al-Saud para discutir uma resposta militar ao Yemen. Isso ocorreu enquanto Al-Hadi chamada Arábia Saudita e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para que ajudassem mediante uma intervenção militar no Yemen. As reuniões foram seguidas por negociações sobre um novo pacto regional de segurança dos petro-emirados árabes.

Dos cinco membros do CCG, só o Sultanato de Oman se manteve distante. Oman se negou a unir-se à guerra contra o Yemen. Muscat tem relações amistosas com Teerã. Além disso os omanitas estão cansados do projeto saudita e do CCG de utilizar o sectarismo para provocar um enfrentamento contra Irã e seus aliados. A maioria dos omanitas não são muçulmanos sunitas nem shiitas; são muçulmanos ibaditas, e temem o avivamento da sedição sectária feita pela Casa de Saud e os outros petro-emirados árabes.

Os propagandistas sauditas se mobilizaram afirmando falsamente que a guerra era uma resposta à intrusão iraniana nas fronteiras da Arábia Saudita. Turquia também anunciaria seu apoio à guerra contra Yemen. No dia em que se lançou a guerra, Erdogan da Turquia afirmou que Irã estava tratando de dominar a região e que a Turquia, Arábia Saudita e o CCG se sentiam irritados.

Durante estes acontecimentos, Sisi, no Egito, declarou que a segurança de Cairo e a segurança da Arábia Saudita e dos petro-emirados árabes eram idênticas. De fato, Egito disse em 25 de março que não participaria em uma guerra no Yemen, mas no dia seguinte Cairo se somou à Arábia Saudita no ataque de Riad contra Yemen ao enviar seus jets e barcos a este país.

Do mesmo modo, o primeiro ministro paquistanês Nawaz Sharif publicou em 26 de março uma declaração dizendo que qualquer ameaça contra Arábia Saudita "provocará uma forte reação" do Paquistão. A mensagem se dirigia tacitamente contra o Irã.

O papel dos EUA e de Israel na guerra contra Yemen

Em 27 de março anunciou-se no Yemen que Israel estava ajudando Arábia Saudita no ataque contra o país árabe. "É a primeira vez que os sionistas [israelitas] realizam uma operação conjunta em colaboração com árabes", escreveu na Internet o chefe do Partido Al-Haq do Yemen, para destacar a convergência de interesses entre Arábia Saudita e Israel. A aliança israelita-saudita sobre o Yemen, não obstante, não é nova. Os israelitas ajudaram a Casa de Saud durante a Guerra Civil do Norte do Yemen que começou em 1962 financiando armas para Arábia Saudita para ajudar os realistas contra os republicanos no Norte do Yemen.

EUA também estão metidos e comandam desde longe. Enquanto trabalham para chegar a um acordo com Irã, também querem manter uma aliança contra Teerã utilizando os sauditas. O Pentágono financia o que chama de "inteligência e apoio logístico" à Casa de Saud.

Não há que equivocar-se: a guerra contra o Yemen é também a guerra de Washington. O CCG foi desencadeado contra o Yemen pelos EUA.

Desde há muito tempo se fala da formação de uma força militar pan-árabe, mas propostas para sua criação foram renovadas em 9 de março pela dócil Liga Árabe. As propostas para forças armadas árabes unidas servem os interesses estadunidenses, israelitas e sauditas. As propostas em favor de forças armadas pan-árabes foram motivadas por seus preparaticos para o retorno de A-Hadi e para enfrentar regionalmente o Irã, Síria, Hezbollah e o Bloco de Resistência.

A instabilidade no Yemen é causada não por Irã ou pelos huties, mas pela interferência estadunidense e saudita no país - desde a invasão por Arábia Saudita em 2009 aos ataques com drones dos EUA - e as décadas de apoio que Arábia Saudita financiou ao regime autoritário e impopular do Yemen.

"Linhas de batalha estão sendo determinadas no Yemen, o país mais pobre do mundo árabe e o último candidato no Oriente Médio para o fracasso do Estado. Sim, como parece cada vez mais provável, a guerra aberta estala em breve, só será piorada pela competência pela supremacia regional entre Arábia Saudita e Irã. Ambas potências mostraram seu desejo de armar grupos que consideram que podem controlar, apesar do legado que esta destrutiva rivalidade já tem causado em Síria e Iraque" afirmou a revista Foreign Policy em 6 de março.

A aliança huti com Irã: pragmatismo ou sectarismo?

Os huties não são de nenhum modo capachos do Irã. O movimento huti é um protagonista político independente que emergiu como resultado da repressão. Qualificar os huties de capachos iranianos não é empírico e ignora a história e a política do Yemen. "Se estourar uma guerra seguindo linhas sectárias, não será porque ali se estabeleceram divisões históricas no Yemen, será porque os financiadores estrangeiros da guerra inflamam divisões que antes careciam de importância", inclusive admite Foreign Policy.

Reconhece-se que dirigentes hutis rechaçaram afirmações de que aceitam ordens de Teerã. Isso não impediu que funcionários e mídias sauditas e khalijis (do Golfo) utilizassem e manipulassem as declarações de funcionários iranianos, como a comparação dos huties com os basijs do Irã; que apresentam os huties como agentes ou clientes iranianos.

Precisamente como os huties não são capachos iranianos, não existe nenhuma aliança shiita entre Teerã e eles no Yemen. Histórias que se concentram nessa narrativa sectária simplista ocultam a natureza política e as motivações do conflito no Yemen e deforma de maneira insultante a luta dos huties contra a repressão. Desde os anos 70 a Casa de Saud apoiou realmente as facções realistas no Yemen, que eram predominantemente muçulmanos shiitas.

Ademais, os muçulmanos shiitas no Yemen ou são imamitas ou duodecimanos como a maioria dos muçulmanos shiitas no Irã, na República de Azerbaijão, Líbano, Iraque, Afeganistão, Paquistão e a região do Golfo Pérsico. Além de focos de shiitas ismaelitas - que também podem ser chamados septimanos - nas governações de Saada, Haja, Amran, Am-Mahwit, Sana, Ibb e Al-Jawf a maioria dos muçulmanos shiitas no Yemen são zaiditas. Os ismaelitas no Yemen são em sua maioria membros de seitas davidianas e salomônicas do islailismo mustalita que se distanciou do grupo maior dos ismaelitas nizaritas.

A hostilidade estadunidense e saudita contra o movimento huti é o que fez com que inadvertidamente os huties se envolvessem pragmaticamente com Irã em busca de ajuda como contrapeso. Em palavras de Wall Street Journal, "militantes huties que controlam a capital yemenita estão tratando de forjar laços com Irã, Rússia e China para contrabalancear o apoio ocidental e saudita em prol do presidente deposto do país". "O governo interino dos huties enviou delegações ao Irã em busca de financiamento de combustível e à Rússia em busca de investimento em projetos energéticos, segundo os altos funcionários huties. Outra delegação planeja visitar China nas próximas semanas, disseram", informou também o Wall Street Journal em 6 de março.

Como resultado do esforço do movimento huti, Irã e Yemen anunciaram que farão voos diários entre Teerã e Sanna desde 2 de março. É uma importante linha aérea de apoio para o movimento huti.

A narrativa sectária e a carta sectária

A instabilidade no Yemen não é causada por Irã ou pelos huties, mas pela interferência estaunidense e saudita nesse país - a invasão em 2009 pela Arábia Saudita e os ataques de drones dos EUA - e as décadas de apoio que Arábia Saudita financiou ao regime autoritário e impopular no Yemen.

Yemen não é um país completamente envolvido. Além do apoio à Al-Qaeda pela Arábia Saudita e pelos EUA, não existe nenhum divisão ou tensões shiitas-sunitas. Para impedir que Yemen se torne independente, os sauditas e EUA apoiaram o sectarismo na esperança de criar uma divisão shiita-sunita no Yemen.

A diferença da falsa narrativa, as alianças do Irã no Oriente Médio não são realmente sectárias. Todos os aliados palestinos de Teerã são predominantemente muçulmanos sunitas enquanto no Iraque e na Síria, além dos governos, Irã apoia uma variedade transversal de grupos étnicos e religiosos que incluem não-árabes e cristãos. Isso inclui os predominantemente muçulmanos sunitas curdos sírios e iraquianos e a ala assíria Sutoro do Partido da União Siríaca (SUP) na Síria. No Líbano, além do Hezbollah, os iranianos também são aliados de partidos muçulmanos sunitas, drusos, e cristãos, inclusive o Movimento Patriótico Livre de Michel Aoun - que é o maior partido cristão no Líbano.

Se alguém está metido no sectarismo como política, é EUA e seus aliados nos petro-emirados. Tanto EUA como Arábia Saudita tinham metido os huties antes contra a Irmandade Muçulmana no Yemen. Além disso, durante a Guerra Fria, tanto Washington como a Casa de Saud trataram de usar os shiitas yemenitas contra os republicanos no norte do Yemen e a República Democrática Popular do Yemen no sul . EUA e Arábia Saudita iniciaram sua hostilidade contra ele quando o movimento huti demonstrou que não ia ser um cliente de Washington ou Riad.

Preparando a invasão do Yemen

Em 20 de março, atacantes suicidas atacaram as mesquitas Al-Badr e Al-Hashoosh durante asr salat (orações da tarde). Morreram mais de trezentas pessoas. Abdul Malik Al-Huti acusou EUA e Israel de apoiar os ataques terroristas e EI/ISIL/Daesh e Al-Qaeda no Yemen. Também culpou-se Arábia Saudita.

Enquanto teve silêncio em Marrocos, Jordânia, e os petro-emirados árabes, a porta-voz do Ministério de Relações Internacionais iraniana Marziyeh Afkham condenou os ataques terroristas no Yemen. De uma ou outra maneira, Síria, Iraque, Rússia, China também condenaram todos os ataques terroristas no Yemen. Para mostrar o apoio de Teerã a Yemen, dois aviões de carga iranianos com carga humanitária enviados ao Yemen e a Sociedade da Meia Lua Vermelha iraniana levou mais de cinquenta vítimas yemenitas dos ataques terroristas a hospitais dentro do Irã para tratamento médico.

O fracasso da Casa de Saud no Yemen

O movimento dos huties é o resultado das políticas da Arábia Saudita no Yemen e de seu apoio para o regime autoritário. A respeito disso, os huties são uma reação à brutalidade saudita e ao apoio da Casa de Saud ao autoritatismo yemenita. Emergiram como parte de uma rebelião que foi dirigida por Hussein Badreddin Al-Huti em 2004 contra o governo yemenita.

Os regimes yemenitas e sauditas afirmaram falsamente que os huties queriam estabelecer um imanato na Arábia como meio para satanizar o movimento. Isso, não obstante, não conseguiu repelir que este se fortalecesse. Os militares yemenitas não puderam dominá-los em 2009, o que conduziu a uma intervenção saudita, chamada Operação Terra Calcinada, lançada em 11 de agosto de 2009.

Arábia Saudita não conseguiu derrotar os huties quando enviou seus militares ao Yemen para combatê-los em 2009 e 2010. Não conseuiu obrigar o Yemen e o movimento huti a se pôr de joelhos em sinal de obediência. Quando exigiu que os huties e o governo de transição yemenita seguissem a linha saudita e forssem a Riad para negociar, foi diretamente rechaçada pelos huties e pelos Comitês Revolucionários do Yemen, porque as negociações e qualquer sistema de compartilhamento do poder apoiado pelos sauditas realmente marginariam aos huties e outrs forças políticas no Yemen. Por isso a União de Forças Populares, o próprio Congresso Geral do Povo de Al-Hadi, e o Partido Baaz de Yemen apoiaram todos a posição huti contra Arábia Saudita.

Dividindo Yemen?

Yemen viveu numerosas insurreições, intervenção militar pelos EUA e Arábia Saudita, e o fortalecimento de um movimento separatista em suas governações do sul. Os militares do Yemen se fragmentaram e existem tensões tribais. Se fala cada vez mais sobre sua transformação em um Estado árabe falido.

Em 2013, New York Times propôs que Líbia, Síria, Iraque e Yemen fossem divididos. No caso do Yemen a proposta era que voltasse a ser dividido em dois. O New York Times disse que isso poderia acontecer ou aconteceria depois de um possível referendo nas governações do sul. O New York Times também propôs que "tudo ou parte do Yemen poderia então converter-se em parte da Arábia Saudita. Quase todo o comércio saudita é por via marítima, e o acesso ao Mar Arábico diminuiria a independência do Golfo Pérsico - e os temores da capacidade do Irã de fechar o Estreito de Omuz".

Arábia Saudita e Al-Hadi agora apoiam os separatistas do sul no Yemen, que contam com o apoio de mais ou menos 10% da população. A próxima opção para EUA e Arábia Saudita seria dividir Yemen como meio para mitigar a mudança estratégica causada por uma vitória huti. Isso asseguraria que Arábia Saudita e o CCG teriam um ponto de trânsito meridional ao Oceano Índico e que EUA conservaria um ponto de apoio no Golfo de Adén.

via paginatransversal: parte 1 e 2

segunda-feira, 3 de março de 2014

Amanhecer Dourado: Pravy Sektor luta pelos sionistas



[via ANN]O movimento nacionalista grego emitiu outro comunicado em relação à crise ucraniana, no qual condena energicamente a luta armada de Pravy Sektor por servir aos interesses estadunidenses e sionistas para isolar a Rússia, e assim denuncia a dupla moral das organizações judias internacionais por guardar silêncio e evitar citar o encontro que tiveram os supostos nacionalistas ucranianos com o embaixador israelita em Kiev.


Que não haja maus entendidos, o governo estadunidense, controlado por sionistas, não se importa nem um pouco com os "direitos humanos". As Instituições, se fossem coerentes, condenariam em primeiro lugar a violação sistemática dos direitos humanos fundamentais dos palestinos e outros povos que foram brutalmente atropelados pelo governo sionista mundial. Tampouco o governo dos EUA têm algum reparo em manter massivos campos de concentração, como "Guantánamo", onde os dissidentes estão presos sem cargos nem justiça. A religião globalista dos "Direitos Humanos" é pouco mais que uma cortina de fumaça politizada para justificar os interesses imperialistas em terras estrangeiras e nada mais.

Durante 2 anos, temos visto um ataque sem fim dos judeus do mundo e do governo grego para reprimir os dissidentes nacionalistas e violar o direito dos patriotas gregos em reunir-se legalmente em público. Várias visitas de lobbies judeus e tanques de pensamentos, como o American Jewish Committee, forçaram a mão de Samaras para impor ações descaradas contra os direitos civis do povo grego e depois felicitaram a marionete da usura global. Múltiplas fotografias como as seguintes demonstram proeminentes judeus internacionais como Ronald Lauder e David Harris dando palmadinhas em Samara por cumprir suas ordens:

De volta a Ucrânia. Ontem o jornal Pravda publicou segmentos de uma reunião entre o embaixador de Israel na Ucrânia, Reiven El Din, e o líder do grupo "neonazi" conhecido como "Pravy Sektor" (Sector Direita). Vale a pena recordar que os meios de comunicação gregos saíram em apoio ao "Sector Direita" recentemente, qualificando-os de "símbolos nacionalistas da revolução", até que forçaram a queda de Yanukovich, onde os meios de comunicação depois voltaram a chamá-los de "neonazis"!

A reunião entre Pravy Sektor e o representante israelita incluiu a denúncia de "anti-semitismo" e "xenofobia". No encontro, Dmytro Yarosh do Pravy Sektor disse:

"Os fenômenos negativos, especialmente o antissemitismo, não só serão rechaçados por Pravy Sektor, mas serão reprimidos por todos os meios legais. O objetivo do movimento é a construção de uma Ucrânia democrática, um governo transparente, combater a corrupção,, a igualdade de oportunidades para todas as nações e povos, pela unidade do país e um Estado que se rija pela democracia". As duas partes concordaram em estabelecer uma linha direta [entre Israel e a administração de Pravy Sektor] para evitar provocações e cooperar quando surjam problemas.

Apesar de utilizar alguns símbolos e gestos nacionalistas, incluindo alguns que os meios de comunicação utilizam para desprestigiar Amanhecer Dourado, por que os sionistas têm uma atitude tão diferente em dois casos? Obviamente não é uma questão de "direitos humanos". As verdadeiras razões desta diferenciação é servir aos interesses geopolíticos da UNião Europeia, Estados Unidos e Israel para isolar a Rússia. Amanhecer Dourado revelou o papel implícito que os colaboradores do governo grego desempenharam no expansionismo dos Estados Unidos (controlados pelos sionistas), e demonstrou com abundante bibliografia científica e acadêmica os danos que sofreram os interesses gregos graças a esta submissão. "Pravy Sektor", por outro lado, iniciou uma luta armada em favor dos interesses dos Estados Unidos e sionistas. Se isto foi de forma consciente ou não, não importa.

O que têm que dizer Harris, Lauder e Cantor sobre a reunião do Governo israelita com os chamados "neonazis"? Condenam esta ação em algum tipo de comunicado de imprensa à embaixada israelita em Kiev? Claro que não.

Se bem a crise ucraniana é uma situação em curso, o novo gabinete se comprometeu em levar a Ucrânia à União Europeia. Independentemente das pequenas concessões que estes "nacionalistas" ucranianos possam obter, o resultado final levará a que sua situação seja servida em bandeja de prata à usura internacional e seja utilizada como uma peça na guerra geopolítica liderada pelo bloco sionista. O fato de que os meios de comunicação quase não ataque este grupo é suspeito para qualquer pessoa com um mínimo de pensamento crítico. O fato de que se sentem em uma mesa com a secretaria de Estado sionista Victoria Nuland, com Bruxelas e com o governo israelita para forjar o futuro de seu país é francamente indignante. Para eles o mundo só se divide em dois: os escravos que servem a seus interesses e os que não servem.

Para aqueles que todavia estão convencidos de que Pravy Sektor é um movimento nacionalista legítimo, aqui está o anúncio oficial da embaixada israelita em Kiev com respeito à colaboração:

http://embassies.gov.il/kiev/NewsAndEvents/Pages/DinElYaroshMeeting27Feb2014.aspx

domingo, 19 de janeiro de 2014

A verdade sobre o programa nuclear secreto de Israel

Israel andou roubando segredos nucleares e dissimuladamente fabricando bombas desde 1950. E os governos ocidentais, incluindo o Reino Unido e os EUA, fecham os olhos. Mas como podemos esperar que o Irã freie suas ambições nucleares se os israelitas não jogam limpo?

Dimona
Muito abaixo das areias desérticas, um Estado do Oriente Médio preparado para o combate constrói bombas nucleares às escondidas, usando tecnologia e materiais providenciados por poderes aliados ou roubados por redes clandestinas de agentes. É o tipo de coisa e de relatos usados para caracterizar os piores medos com relação ao programa nuclear iraniano. Na verdade, nem os EUA nem a inteligência britânica acreditam que Teerã tenha decidido construir uma bomba, e os projetos atômicas iranianos estão sob constante monitoramento internacional.

No entanto, o conto exótico da bomba escondida no deserto é verdadeiro. É apenas algo que se aplica a um outro país. Em uma façanha de subterfúgio, Israel conseguiu montar um arsenal nuclear subterrâneo - agora estimado em 80 ogivas, em par com Índia e Paquistão - e ainda testaram uma bomba a quase meio século atrás, com um mínimo de alarido internacional ou sequer consciência pública do que estava acontecendo.

Apesar do fato de que o programa nuclear israelense tem sido um segredo aberto desde um técnico descontente, Mordechai Vanunu, difundiu em 1986, a posição oficial israelense até hoje nunca confirmou ou negou sua existência.

Quando o ex-portavoz de Knesset, Avraham Burg, quebrou o tabu mês passado, declarando a posse de Israel tanto de armas nucleares como de armas químicas e descrevendo a política oficial não-divulgada como "antiquada e infantil" um grupo de direita formalmente o chamou para uma investigação policial por traição.

Enquanto isso, os governos ocidentais ajudaram com a política de "opacidade" evitando toda menção do fato. Em 2009, quando uma repórter de Washington veterana, Helen Thomas, perguntou ao Barack Obama no primeiro mês de sua presidência se ele sabia de algum país no Oriente Médio que tenha bombas nucleares, ele desviou do assunto dizendo apenas que não gostaria de "especular".

Os governos do Reino Unido seguiram esse comportamento. Perguntado na House of Lords em Novembro sobre as armas nucleares israelenses, Baroness Warsi respondeu tangenciando. "Israel não declarou um programa de armas nucleares. Nós temos discussões regulares com o governo de Israel no domínio de questões nucleares", disse a ministra. "O governo de Israel está sem dúvida nas nossas visões. Nós encorajamos Israel a participar no Tratado de Não Proliferação [NPT em inglês]".

Mas através das rachaduras na parede, mais e mais detalhes continuam a emergir de como Israel construiu suas armas nucleares contrabandeando partes e roubando tecnologia.

O conto serve como um contraponto histórico na atual luta prolongada sobre as ambições nucleares iranianas. Os paralelos não são exatos - Israrael, diferentemente do Irã, nunca assinou o Tratado de Não Proliferação de 1968, então não poderia violá-lo. Mas quase certamente quebrou um tratado banindo testes nucleares, bem como incontáveis leis nacionais e internacionais restringindo o tráfico de materiais nucleares e tecnologia.

A lista de nações que secretamente venderam a Israel material e tecnologia para a fabricação de ogivas, ou quem fechou os olhos ao seu roubo, inclui hoje os partidários mais ferrenhos contra a proliferação: EUA, França, Alemanha, Reino Unido e até mesmo a Noruega.
Mordechai Vanunu

Enquanto isso, os agentes israelenses comandam a compra de material e a tecnologia encontrada, em alguns dos mais sensíveis estabelecimentos industriais do mundo. Este ousado e incrivelmente bem sucedido anel de espionagem, conhecido por Lakam, o acrônimo hebreu para o som-inócuo de Science Laision Bureau, incluiu figuras coloridas como Arnon Milchan, um bilhonário, produtor de Hollywood e de filmes tais como Pretty Woman, LA Confidential e 12 Years a Slave, que finalmente admitiu seu papel mês passado.

"Vocês sabe o que é ser uma criança de vinte e poucos anos e seu país deixá-lo ser James Bond? Uau! A ação! Foi incrível", disse ele no documentário israelita.

A história de vida de Milchan é colorida, e diferente o bastante para ser sujeito de um sucesso que ele banca. No documentário, Robert de Niro relembra a discussão do papel de Milchan na aquisição ilícita de ogivas nucleares. "Em algum ponto eu perguntei sobre aquilo, sendo amigos, mas não de uma forma acusatória. Eu apenas gostaria de saber", disse De Niro. "E ele disse: sim, eu fiz. Israel é meu país".

Milchan não estava envergonhado sobre usar as conexões de Hollywood para ajudar sua segunda e sombria carreira. Em certo ponto, ele admitiu no documentário, ele usou a isca de uma visita ao ator Richard Dreyfuss para conseguir um cientista top dos EUA, Arthur Biehl, para se juntar ao trabalho de uma de suas companhias.

De acordo com a biografia de Milchan, feita pelos jornalistas Meir Doron e Joseph Gelman, ele foi recrutado em 1965 pelo presidente israelita, Shimon Peres, com quem ele encontrou em Tel Aviv em um bar noturno (chamado Mandy's, nomeado depois que sua própria esposa, Mandy Rice-Davis, se envolveu num escândalo de sexo). Milchan, que então comandou a companhia, nunca olhou para trás, ocupando um cargo central no programa de aquisição clandestina israelita.

Ele foi responsável por garantir tecnologia de enriquecimento de Urânio, conseguir projetos centrífugos que um executivo alemão foi subornado a extraviar em sua cozinha. Os mesmos diagramas, pertencendo ao consórcio europeu de enriquecimento de Urânio, Urenco, foram roubados em uma segunda vez por um empregado paquistanês, Abdul Qadeer Khan, que usou para encontrar seu programa de enriquecimento e para estabelecer um contrabando nuclear global, vendendo o design para Líbia, Coreia do Norte e Irã.

Por esta razão, as centrífugas israelitas são muito parecidas com as iranianas, uma convergência que permitiu aos israelitas desenvolver um vírus de computador, de codenome Stuxnet, nas suas próprias centrífugas antes de deixá-la para o Irã em 2010.

Indiscutivelmente, as façanhas de Lakam foram ainda mais ousadas que as de Khan. Em 1968, organizou o desaparecimento de um cargueiro cheio de Urânio em minério no meio do Mediterrâneo. No que ficou conhecido como o caso Plumbat, os israelitas usaram uma rede de companhias para comprar uma consignação de óxido de Urânio, conhecido como Yellowcake, em Antwerp. O Yellowcake foi concedido em tambores etiquetados por 'Plumbat', um derivado de Chumbo, e carregado em um cargueiro arrendado por uma companhia de telefone liberiana. A venda foi camuflada como transação entre companhias da Alemanha e Itália com ajuda de oficiais alemães, em troca de uma oferta israelita para ajudar os alemães com tecnologia centrífuga.

Quando o barco, o Scheersberg A, ancorou em Rotterdam, todo pessoal foi demitido sob pretexto de que o navio foi vendido e um pessoal israelita tomou seu lugar. O barco embarcou em direção ao Mediterrâneo onde, sob a guarda naval israelita, a carga foi transferida para outro barco.

Documentos britânicos e estadunidenses desclassificados ano passado também revelaram um prévio desconhecimento da aquisição israelita de mais de 100 toneladas de yellowcake da Argentina em 1963 ou 1964, sem as salvaguardas tipicamente usadas em transações nucleares para prevenir o material usado em armas.

Israel teve algumas vertigens sobre a proliferação de armas nucleares bem conhecidas e materiais, dando ao regime de apartheid sul-africano ajuda no desenvolvimento de sua própria bomba nos anos 70 por 600 toneladas de yellowcake.
Dimona, planta camuflada

O reator nuclear israelita também exigiu óxido de Deutério, também conhecido como água pesada, para moderar a reação de fissão. Para isso, Israel foi atrás da Noruega e do Reino Unido. Em 1959, Israel conseguiu comprar 20 toneladas de água pesada que a Noruega vendeu ao Reino Unido, mas foi escessivo para o programa nuclear britânico. Ambos governos suspeitaram de que o material seria usado para fabricar armamento, mas decidiram olhar de outra forma. Em documentos vistos pela BBC em 2005, oficiais britânicos argumentaram que seria "zeloso demais" impôr salvaguardas. Por sua vez, Noruega se encarregou de apenas uma visita de inspeção em 1961.

O projeto de armas nucleares israelita nunca poderia ter ficado oculto, embora, sem uma enorme contribuição da França. O país que tomou a mais ferrenha linha na contra-proliferação quando se tratou do Irã, dirigido por um senso de culpa sobre permitir a queda de Israel em 1956 no conflito de Suez, simpatia dos cientistas franco-judaicos, compartilhamento de inteligência sobre Algéria e um direcionamento para a venda de especialistas franceses e estrangeiros.

"Houve uma tendência para tentar exportar e houve um sentimento geral de apoio a Israel", contou Andre Finkelstein, ex-vice deputado n no Comissariado Francês de Energia Atômica e deputado diretor geral na Agência Internacional de Energia Atômica, a Avner Cohen, um estadunidense-israelita historiador nuclear. O primeiro reator francês foi crítico como em 1948, mas a decisão de construir armas nucleares parece ter sido tomada em 1954, depois que Pierre Mendès France fez sua primeira viagem para Washington como presidente do conselho de ministros da caótica Quarta República. Na volta ele contou a um assessor: "É exatamente como um encontro de uma quadrilha. Todo mundo põe sua arma na mesa, e se você não tiver arma você não é ninguém. Então temos que ter um programa nuclear."

Mendès France deu ordem para começar a construir bombas em dezembro de 1954. E conforme construíra seu arsenal, Paris vendeu material de assistência para outros Estados aspirantes, não apenas Israel.

"Assim foi muitos, muitos anos até que tenhamos feito exportações estúpidas, incluindo Iraque e a planta no Paquistão, o que foi uma loucura", lembrou Finkelstein em uma entrevista que pode agora ser lida em uma coleção dos papeis de Cohen em um thintank Wilson Centre em Washington. "Nós tivemos sido o país mais irresponsável na não-proliferação".

Em Dimona, engenheiros franceses resolveram ajudar Israel a construir um reator nuclear e uma planta de reprocessamento secreto ainda mais secreta capaz de separar Plutônio do combustível gasto no reator. Essa foi a real doação que o programa nuclear israelita visava na produção de armas.

No fim dos anos 50, haviam 2500 cidadãos franceses em Dimona, transformando-a de uma vila para uma cidade cosmopolita, completa com liceus franceses e estradas cheias de Renaults, e já todo empenho foi conduzido sob um grosso véu de segredo. O jornalista investigador estadunidense Symour Hersh escreveu em seu livro The Samson Option: "Trabalhadores franceses em Dimona foram proibidos de escrever diretamente a parentes e amigos na França ou em qualquer lugar, mas enviam correio a uma caixa-postal na América Latina".

Os britânicos foram mantidos fora desse laço, sendo informados em diferentes momentos que a enorme construção estava em institutos de pesquisa em pradarias desérticas e em uma planta de processo de Manganês. Os estadunidenses, também mantidos no escuro tanto por Israel como pela França, mandaram aviões espiões U2 sobre Dimona em uma tentativa de encontrar o que estavam buscando. Os israelitas admitiram possuir um reator, mas insistiram que tinha propósitos totalmente pacíficos. O combustível gasto foi enviado para a França para reprocessamento, eles diziam, ainda providenciando filmagens do que supostamente estava sendo carregado em cargueiros franceses. Durante toda a década de 60 foi negada a existência de uma planta de reprocessamento subterrânea em Dimona que produzia Plutônio para bombas.
Produtor Arnon Milchan com Bred Pitt e Angeolina Jolie

Israel recusou visitas de compostura feitas pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), assim no início dos anos 60 o presidente Kennedy exigiu que aceitassem inspetores estadunidenses. Físicos estadunidenses foram despachados para Dimona, mas foram atrasados desde o início. As visitas nunca foram duas vezes ao ano como combinado com Kennedy e foram sujeitas a repetidos adiamentos. Os físicos norteamericanos enviados para Dimona não foram permitidos trazer seu próprio equipamento ou coletar dados. O inspetor líder estadunidense, Floyd Culler, um especialista em extração de Plutônio, notou em suas anotações que foram novamente engessadas e pintadas paredes em uma das construções. Concluiu-se que antes de cada visita estadunidense, os israelitas construíam falsas paredes em torno dos elevadores que desciam seis andares para a planta de reprocessamento subterrânea.

Conforme mais e mais evidência de um programa de armas isralita emerge, o papel estadunidense progrediu de um joguete involuntário para cúmplice. Em 1968 o diretor da CIA, Richard Helms, contou ao presidente Johnson que Israel de fato construiu armas nucleares e que sua força aérea levou tipos a largarem eles.

A cronometragem não poderia ter sido pior. O NPT, tentado a prevenir muitos gênios nucleares de escapar das suas garrafas, compôs-se e se notícias surgissem que um dos Estados supostamente sem armas nucleares secretamente tivesse construído sua própria bomba, teria que se tornar letra morta que muitos países, especialmente árabes, recusariam a assinar.

A Casa Branca de Johnson decidiu não dizer nada, e a decisão foi formalizada em 1969 no encontro entre Richard Nixon e Golda Meir, no qual o presidente estadunidense concordou em não pressionar Israel a assinar o NPT, enquanto que o primeiro ministro israelita concordou que seu país não seria o primeiro a "introduzir" armas nucleares no Oriente Médio e não fazer nada para tornar pública sua existência.

De fato, o envolvimento dos EUA se tornou mais profundo que mero silêncio. No encontro em 1976 que teve só recentemente se tornado público conhecimento, o diretor deputado da CIA, Carl Duckett, informou uma dúzia de oficiais da Comissão de Regulamento Nuclear dos EUA que a agência suspeitou que algumas das bombas de fissão israelitas foram de urânio, roubadas diante do nariz estadunidense de uma planta de processamento na Pensilvânia.

Não apenas foi uma quantidade alarmante de material de fissão sendo perdida na companhia, Corporação de Materiais e Equipamento Nucleares (Numec), mas foi visitada por um verdadeiro agente de inteligência israelita, incluindo Rafael Eitan, descrito pela firma como ministro de defesa "química" israelita, mas, na verdade, um alto agente do Mossad da chefia de Lakam.

"Foi um choque. Todo mundo ficou de boca aberta", lembra Victor Gilinsky, que foi um dos oficiais norteamericanos informados por Duckett. "Foi um dos casos mais flagrantes de material nuclear desviado, mas as consequências pareceram tão surpreendentes para as pessoas envolvidas e para os EUA que ninguém realmente quis saber o que estava acontecendo".

A investigação foi adiada e nenhuma cobrança foi feita.

Poucos anos mais tarde, em 22 de setembro de 1979, um satélite dos EUA, Vela 6911, detectou o duplo-flash típico de um teste de arma nuclear na costa da África do Sul. Leonard Weiss, um matemático e especialista em proliferação nuclear, estava trabalhando como assessor no momento e depois tendo sido informado sobre os incidentes pelas agências de inteligência dos EUA e dos laboratórios de armas nucleares do país, ele se tornou convicto de um teste nuclear, em contravenção sobre o Tratado Limitado de Teste (Limited Test Ban Treaty).

Foi apenas depois de ambas administrações, de Carter e depois de Reagan, tentarem silenciá-lo sobre o incidente e tentarem caiar com um não-convincente painel de inquérito, que raiou sobre Weiss que foram os israelitas, e não os sul-africanos, que detonaram a bomba.

"Foi dito que isto criaria um problema de política externa muito sério para os EUA, se fosse dito que foi um teste. Alguém deixou claro que os EUA quisessem que ninguém ficasse sabendo", disse Weiss.

Fontes israelitas contaram a Hersh que o flash pego pelo satélite Vela foi o terceiro de uma série de testes dos testes nucleares da Índia Oceânica que Israel conduziu em cooperação com a África do Sul.

"Foi fodido", uma fonte lhe contou. "Houve uma tempestade e nós pensamos que bloquearia Vela, mas houve uma brecha no tempo - uma janela - e Vela se cegou pelo flash".

A política estadunidense de silêncio continua ainda hoje, ainda apesar de Israel parecer continuar a agir no mercado negro nuclear, embora em volumes reduzidos. Em um documento no mercado ilegal de material e tecnologia nuclear publicado em Outubro, o Instituto de Ciência e Segurança Internacional baseado em Washington (ISIS) notou: "Sob a pressão dos EUA nos anos 1980 e 90, Israel... decidiu amplamente parar sua procura ilícita pelo programa de armas nucleares. Hoje, há evidência que Israel pode ainda fazer procurações ocasionais ilícitas - operações ferroadas dos EUA e casos legais mostram isto".

Avner Cohen, autor de dois livros sobre bombas israelitas, disse que a política de opacidade tanto de Israel como de Washington é mantida agora por inércia. "Em nível político, ninguém quer tratar disso com medo de abrir a caixa de Pandora. Isto se tornou de muitas formas um fardo para os EUA, mas pessoas em Washington, todo caminho até Obama não irá tocar nisto, por causa do medo de se comprometer com muitas bases do entendimento Israel-EUA".

No mundo árabe e além, cresce a impaciência com o enviesado status quo nuclear. O Egito em particular ameaçou rumar ao NPT a menos que haja progresso com relação a criar uma zona livre de força nuclear no Oriente Médio. Os poderes ocidentais prometeram manter uma conferência na proposta em 2012, mas foi jogada fora, largamente no comando estadunidense, para reduzir a pressão sobre Israel a atender e declarar seu arsenal nuclear.

"De alguma maneira o kabuki vai em frente", disse Weiss. "Se é admitido que Israel tem armas nucleares ao menos você pode ter uma discussão honesta. Parece a mim ser muito difícil manter uma resolução sobre o Irã sem ser honesto sobre o assunto".

Via Theguardian

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Israelitas atacam palestinos que homenageavam mandela


As forças do regime israelita agrediram nesta segunda-feira os cidadãos palestinos que participavam nas cerimônias para render homenagem ao falecido líder sul-africano, Nelson Mandela, na ocupada Cisjordânia.

Os oficiais israelitas atacaram e feriram dezenas de palestinos congregados em diferentes pontos da Cisjordânia, que homenageavam Mandela, herói da luta contra o apartheid no continente africano.

Durante o evento os palestinos, também, cantaram lemas condenando as agressões impiedosas do regime de Tel Aviv contra a nação palestina, especialmente na assediada Faixa de Gaza.

O primeiro presidente negro da África do Sul, que dedicou sua vida à luta em defesa da igualdade de direitos de raça, se considera um dos partidários mais importantes da causa do povo palestino.

"O direito palestino nunca esquecerá seu histórico discurso no qual afirmou que a revolução na África do Sul nunca alcançaria seus objetivos até que os palestinos fossem libertados", disse na sexta passada o presidente do Estado palestino, Mahmud Abas, ao elogiar o compromisso do falecido Mandela com a causa palestina.

É de mencionar que o primeiro ministro do regime de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu não participar nos funerais de Mandela alegando o alto custo que implicaria sua viagem à África.

Sem embargo, os especialistas políticos asseveram que Netanyahu não viajou ao país africano porque os pensamentos do líder africano não caíam bem ao premier do regime israelita.

O funeral de Estado e enterro do Mandela vão se realizar no domingo, 15 de dezembro, em Qunu, seu povo natal e onde passou o melhor período de sua vida.

Via Hispantv

OCDE: Pobreza acima do limite em Israel


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) adverte que o nível de pobreza em Israel é o mais alto entre os 35 membros deste organismo.

Em Israel, o nível de vida se mantém muito abaixo dos outros membros da OCDE e registra a taxa de pobreza relativa mais alta, segundo o último informe da organização econômica, elaborado pelo ministro de finanças do regime israelita, Yair Lapid, e pelo secretário geral da instituição internacional, Ángel Gurria.

De acordo com a reportagem, os ingressos de uma a cada cinco famílias se encontram abaixo da linha relativa de pobreza e o desemprego entre os homens ultra ortodoxos é um ponto muito preocupante.

O regime israelita, aliás, mantém as conexões sociais, moradia, educação e habilidades, equilíbrio entre trabalho e vida, segurança pessoal, qualidade ambiental e participação cidadã abaixo do padrão da OCDE, destaca o estudo.

A OCDE solicita às autoridades do regime de Tel Aviv uma rápida atuação para lançar um programa geral destinado a melhorar o bem-estar social mediante a aplicação de várias reformas em diversos âmbitos.

Sem embargo, a má situação econômica e desigualdade social nos territórios ocupados palestinos ocasionaram o aumento da insatisfação social entre os israelitas, o que causou o crescente número de pessoas que tentam se suicidar ou imolar.

N.doB.: Enquanto Israel fecha os olhos para os assuntos internos de pobreza, gasta todo dinheiro em guerras externas, levando seus próprios problemas para os povos estrangeiros que possuem excelente estabilidade, como no caso do Irã, da Síria antes da intervenção e da Líbia antes da intervenção. Hoje, com a intervenção israelita, os palestinos, os sírios e os líbios enfrentam um caos incalculável, e já clamam pela volta de um Gaddafi, presidente líbio morto, e pela resistência de Assad, presidente sírio.

Via Hispantv

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Em breve: Terceira Intifada. Vem o Plano Andinia?


A extensão da violência e dos crimes do regime de Tel Aviv contra os palestinos mostram a proximidade de uma Terceira Intifada contra os israelitas.

Assim indicou na noite desta quinta Husam Badran, um alto membro do Movimento de Resistência Islâmica Palestina (HAMAS), que assegurou que se pode produzir um levantamento massivo contra o regime de Israel na Cisjordânia.

Segundo o dirigente palestino exilado no Qatar, os esforços do regime usurpador de Tel Aviv para reprimir os palestinos, através das conversações de paz, não poderão deter a nação palestina em sua luta, resistência e caminho para a liberdade.

Assim, Badran criticou a cooperação do Estado Palestino com o regime de Tel Aviv no âmbito de segurança.

Há meses, uma delegação israelita composta por líderes do partido direitista Likud, alguns membros dos assentamentos judeus e vários rabinos e assessores políticos se reuniram com as autoridades do Estado da Palestina na cidade cisjordana de Ramalá.

Por sua vez, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, advertiu na semana passada o regime israelita de uma terceira intifada, além da extensão da violência na região, se fracassarem os chamados diálogos de paz palestino-israelitas.

A primeira intifada contra a ocupação israelita ocorreu entre 1987 e 1993 e a segunda no ano de 2000. Durante ambas as mobilizações morreram pelo menos 6200 palestinos.

N.doB.: Sabe-se que faz parte do plano do judaísmo internacional (que acreditam que o Estado de Israel é anti-judaico, visto que para sua religião YHWH fez o mundo para que dominassem por completo, e não restringir-se a apenas uma parte) uma terceira intifada e uma terceira guerra mundial. Este é o motivo que terão para um novo êxodo judeu e para a tomada de mais um posto avançado que, sendo já desenvolvido, supõem-se que seja na região onde hoje se encontra a Patagônia, região de grandes investimentos do capital internacional e área de controle estrangeiro (EUA, Reino Unido e Israel). Na dianteira da guerra das Malvinas está o Plano Andinia, que é como se nomeia a tomada da América do Sul para um novo Estado judaico.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Exército sírio confisca armas israelitas usadas pelos terroristas


As forças do Exército sírio confiscaram nesta Terça uma grande quantidade de armas e munições israelitas de tipo LAW dos terroristas em torno da cidade de Damasco, capital síria.

As tropas sírias confiscaram estas armas em um esconderijo dos terroristas, onde assim encontraram artefatos explosivos improvisados, IED (por sua sigla em inglês), foguetes (RPG, por sigla em inglês), bombas e mapas, entre outras coisas.

Por outro lado, as forças sírias aniquilaram 46 homens armados, de nacionalidade jordana, líbia, egípcia, iraquiana e chechena, durante as operações de limpeza em diversas partes do país árabe.

Os soldados do Exército sírio, além disto, eliminaram um grande número de terroristas e desmantelaram armazéns de armas e munições de terroristas nas cidades de Homs (Oeste) e Idiib (Noroeste).

Há mais de dois anos, a Síria é cenário de uma onda de violência perpetrada por terroristas, financiados e dirigidos por alguns países ocidentais e vários regionais, como Arábia Saudita, Qatar e Turquia, que têm como fim acabar com o governo do presidente sírio, Bashar al Assad.

Os grupos armados que lutam contra o governo sírio confessaram em várias ocasiões que receberam armamentos de países estrangeiros.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Exército israelita engrossa com mercenários europeus

Milhares de mercenários europeus estão nas filas do exército do regime israelita, de acordo com as revelações da organização de direitos humanos, Euromid (Organização para a Cooperação dos Países Mediterrâneos). A entidade salientou que estes mercenários procedem de diferentes países do mundo, entre eles Alemanha, Noruega, Dinamarca e Holanda.
Vídeo de Hispantv

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Israel constrói mais colônias em território palestino


O regime israelita, indiferente às preocupações e condenações internacionais, aprova a construção de mais assentamentos ilegais nos territórios ocupados dos palestinos.

A notícia foi dada nesta Segunda pela organização israelita não governamental La Paz Ahora, contrária à colonização deste regime.

"Uma comissão da administração militar israelita encarregada da Cisjordânia aprovou recentemente a construção de 829 assentamentos", informa Lior Amihai, responsável pela ONG.

O jornal israelita 'Haaretz' confirma a informação e precisa que os novos assentamentos serão construídos nas colônias de Givat Zeev, ao norte de Al-Quds (Jerusalém Leste), Nofei Prat, Givat Salit e Nokdim.

Não obstante, a construção de novos assentamentos por parte do regime de Tel Aviv tinha parado por um tempo por medo de irritar ainda mais a comunidade internacional, que as considera ilegais porque estão situadas nos territórios ocupados.

Neste contexto, muitos acreditam que esta decisão é uma espécie de represália do primeiro ministro israelita, Benyamin Netanyahu, pelo acordo que foi feito na madrugada de Domingo entre Irã e o Grupo 5+1 sobre o programa de energia nuclear do país persa.

Quando o mundo saudava este importante acordo, Netanyahu não pôde conter sua ira e disse que "o que se conseguiu em Genebra não é um acordo histórico, mas um erro histórico".

O regime israelita utiliza a construção de novos assentamentos ilegais em territórios ocupados palestinos como uma ferramenta para ameaçar o mundo quando algo não lhe convém. Se bem que não necessita desculpas para continuar suas políticas expansionistas e violar sistematicamente a normativa internacional.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Israel busca outro aliado para substituir EUA


O regime de Israel já não considera benéfica a relação que tem com os EUA.

O ministro israelense de relações internacionais, Avigdor Lieberman, salientou na Quarta que o regime de Tel Aviv necessita de outro aliado que substitua os EUA.

“O vínculo entre Israel e seu principal aliado estratégico, EUA, se debilitou”, disse Lieberman, enquanto afirmou que este regime não deve confiar no país estadounidense como confiou até agora.

O titular do regime israelense admitiu, por sua vez, que os estadounidenses “têm muitos problemas e desafios em todo o mundo”, além dos obstáculos que têm dentro de suas fronteiras, como “problemas econômicos” e de imigração.

“A política externa de Israel durante muitos anos esteve orientada à Washington, mas a política externa implementada por mim tem muitas direções mais”, manifestou Liberman.

De acordo com o jornal ‘Jerusalem Post’, o funcionário israelense declarou inclusive que Washington depende do dinheiro de alguns países árabes, mas afirmou que ele mesmo está tratando de criar conexões com os países interessados em um vínculo com o regime israelense, que não dependam do mundo árabe, sem especificar exatamente quais são.

As declarações do ministro do regime israelense tiveram lugar em momentos em que as relações israelitas-estadounidenses foram afetadas sobre a decisão de Washington de seguir adiante com as conversações com Irã até chegar a um acordo sobre o programa de energia nuclear do país persa, muito em confronto com a postura do regime de Israel, que insiste em continuar a imposição das sanções anti-iranianas.


Durante o último round de conversações entre Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China + Alemanha), celebrada na cidade suíça de Genebra entre 7 e 10 de novembro, as partes estavam a ponto de chegar a um acordo, mas devido a posição tomada pelo chanceler francês Laurent Fabius em favor de Tel Aviv e a falta de compromisso do secretário de Estado estadounidense, John Kerry, os diálogos não alcançaram um acordo.