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sábado, 26 de janeiro de 2013

Desabafo sobre a conspiração midiática feita contra a cultura pampeana

 Frequentemente se tem produzido matérias um tanto exóticas sobre o povo tradicionalista, valorizando uma falsa imagem (que são o churrasco, as festividades, etc.) em detrimento do verdadeiro valor ético do povo, promovendo o comércio e a horizontalidade dos mitos dos povos do interior, tanto do Sertão, como do Pampa, etc. Abaixo segue um texto enviado ao Portal Legionário, de autor desconhecido, que decidimos divulgar. É um interessante desabafo de um verdadeiro gaúcho:

Caros Irmãos Gaúchos,

Há muito venho pensando no que se faz da nossa cultura... Temos tradição, temos história, temos costumes próprios e os valorizamos. Entretanto, parece que a todo momento tentam nos aculturar... Qual o espaço que os nossos modos de ser ocupa na mídia hoje em dia?

Será que é certo aturarmos a Regina Casé (e seus sambabacas) no domingo de meio-dia, enquanto o nosso Galpão Crioulo foi literalmente “chutado” para um horário que ninguém praticamente assiste, já que domingo é dia de descanso e a maioria aproveita pra dormir um pouco mais.

Não precisa ser um gênio pra perceber que recentemente no programa da Regina Casé levaram um grupinho sofrível de dança gaúcha pra dançar pro Brasil inteiro o quê? O pezinho, uma dança folclórica com significado pra nós, mas que pro resto do Brasil não tem sentido algum a não ser “queimar o filme dos gaúchos”. Se querem mostrar nossa dança porquê não convidam os vencedores do último ENARTE? Ou será que o objetivo era ridicularizar o gaúcho, “será”?

Não sou contra o samba, mas sou contra nos fazerem de palhaços. Pra completar a referida apresentadora entabulou um assunto com nossos representantes que em nada acrescenta às famílias brasileiras, principalmente no horário de almoço de domingo, quando nossas crianças estão assistindo TV – Tem sex-shop no sul? Você já foi em Sex shop? Tinha calcinha de chocolate? – e o que nos resta é aturar algumas das prendas e peões respondendo, timidamente a esse rol de asneiras.

Cadê nossos festivais? Quando aparecem são no RBS local, não em nível estadual. Como é que nossos jovens conhecerão nossa música, nossa cultura, se nossa principal emissora de TV não dá espaço pros nossos novos músicos e vencedores de festivais atuais?

Excetuando-se as honrosas exceções de Luiz Marenco e César Oliveira e Rogério Melo, que de tão bons conseguem vencer remando contra a maré) , vivemos do passado... de Tropa de Osso, Esquilador, Veterano e etc., os novos nomes da música gaúcha ninguém conhece. E porquê? Por que pra isso não tem espaço... Será que tudo isso não se trata de uma estratégia para “aculturar nosso povo”... “será”? Quando as gerações mais antigas se forem e nossas músicas ficarem esquecidas eles terão conseguido finalmente sepultar nossa cultura.

Por que será que pra promover o Planeta Atlântida com seus freqüentadores maconheiros, bêbados e viciados de todo tipo tem espaço? Seria essa uma tentativa de emburrecer e viciar nossos jovens....”será”? Pra isso a RBS tem espaço. Pra gaúchos "heróicos" que que participaram do Big Brother (o supra- sumo do lixo cultural), tem espaço. Ah... ASSIM NÃO DÁ!!!

Cadê o Luiz Carlos Borges? Cadê o João de Almeida Neto? Cadê o Renato Borghetti , o Elton Saldanha, o Marcelo Caminha, o Miguel Marques? Ninguém sabe. Mas a Alcione, a Claúdia Leite, o “Belo”, o Bruno e Marrone, o “sertanejo universitário” ... esses tão todo o dia enchendo o nosso saco.

Esse é o lixo cultural que nós temos recebido como ração, mas que por sermos o estado mais politizado e educado da união, nos recusamos a engolir.

Mesmo o pessoal dos CTGs, nosso último reduto cultural, hoje em dia só ouve atualmente música gaúcha de baile e que... convenhamos, é péssima (com honrosas exceções, como os Serranos e outros).

Me enoja aquelas materiazinhas da RBS na Semana Farroupilha (daí eles lembram e fazem um circo!!!), mandam aqueles apresentadoras bunda mole para fazerem reportagens no Acampamento Farroupilha como se aquilo fosse algo do exterior... parece um programa do National Geographic com os aborígenes de tão estranho. Não conhecem nada, não entendem porra nenhuma e não ficam nem envergonhados de se dizerem gaúchos.

Me perdoem queridos conterrâneos esse desabafo
Que essa mensagem ecoe nos confins do Rio Grande, e desperte o povo gaúcho da letargia antes que seja tarde. Nossos antepassados delimitaram nossas fronterias à ponta de lança e à pata de cavalo... hoje pisam no nosso pala e... tudo bem? Me recuso a acreditar nisso.

Um Gaúcho cuja paciência acabou faz tempo

sábado, 3 de março de 2012

Grécia: Regressar às origens para combater a crise

Angeliki Mihou decidiu agarrar o futuro com as suas próprias mãos. No ano passado, esta grega, mãe de dois filhos, regressou à aldeia dos pais para começar uma nova aventura, a cultura do caracol.

Incapaz de encontrar trabalho em Atenas, ou na cidade onde o marido trabalha, Angeliki vive agora numa pequena localidade a cerca de 100 quilómetros da capital.

Ela espera conseguir proporcionar uma vida melhor à sua família com a venda de três mil quilos de caracóis por ano, aproximadamente. Um plano que tem os seus riscos. Ela investiu as suas poupanças, cerca de 17 mil euro, neste novo negócio e faz o possível para vencer:

“Não pedi dinheiro emprestado e mesmo que eu quisesse os bancos não me teriam dado. O dinheiro é todo meu. Todas minhas poupanças. Por isso espero que isto funcione e estou a fazer tudo o que posso para que dê certo.”

Angeliki é uma das 60 mil pessoas que regressaram ao campo nos últimos dois anos. Ela faz parte de uma nova geração de gregos, jovens, que em vez de partir para o estrangeiro regressa às origens.

“Eu precisava de terra e nunca poderia seguir em frente sem este terreno que pertence ao meu pai. Também precisei de ajuda com as crianças e apoio financeiro. E é o meu pai que nos está a ajudar, eu não poderia ter feito isto sem a sua ajuda”, explica Angeliki.

Quase metade da população da Grécia, 11 milhões de pessoas, vive em Atenas. Estima-se que um em cada dois gregos tenha vindo das zonas rurais depois da Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, quando a Grécia integrou a antiga Comunidade Económica Europa, em 1981.

Como parte da Zona Euro, Atenas desencadeou um processo de despesismo, um boom nos gastos e empréstimos que transformou a cidade.

Hoje, Atenas já não é o símbolo de uma vida melhor mas o espelho da crise na Zona Euro. A cidade afunda-se com os cortes salariais, aumento de impostos, desemprego crescente e consequente pobreza. O número de sem-abrigo aumentou 25 por cento nos últimos dois anos.

A insatisfação dos gregos é clara e pode ver-se nas inúmeras manifestações. Protestos contra o governo anterior e o atual. Os gregos responsabilizam o poder pela crise e, em particular, pela dívida do país: 300 mil milhões de euro. Uma crise que os forçou à austeridade e a um plano de resgate do FMI e União Europeia no valor de 130 mil milhões euro.

Mas apesar das manifestações há quem acredite, dentro e fora da Grécia, que a austeridade era a única solução para evitar uma crise maior.

Dimitri Sotiropoulos é professor e conselheiro do atual Primeiro-ministro. Ele concorda que a solução encontrada é dura e espera que o governo vá atrás daqueles que fugiram aos impostos no passado. Mas ficar na Zona Euro é, para ele, uma prioridade:

“Penso que só há solução se as pessoas se convencerem que, a curto prazo, há um fardo que podemos partilhar e estou a falar das diferentes classes sociais. A alternativa é a bancarrota, o que provocaria situações nunca vividas de pobreza e miséria como as que as nações vizinhas testemunharam no início dos anos noventa quando transitaram do socialismo para o mercado livre.”

Mas, para um número cada vez maior de gregos, a pobreza é já uma realidade. Ainda que, para alguns a situação não seja ainda dramática.

Alexandra Lekke é professora em Atenas. No ano passado, o salário dela e do marido foram cortados em por cento. Ela ganha agora 1100 euros por mês e considera-se afortunada por não ter que pagar casa. Quanto ao futuro acha que a bancarrota é inevitável.

“Acredito que a coisa mais triste nos cortes, o que traz raiva e tristeza, é o sentimento de que estes cortes não vão levar a lado nenhum. São sacrifícios feitos em vão porque apesar dos cortes atrás de cortes os preços continuam a subir no supermercado e em todos os lugares. Nós perdemos cerca de três mil euro no último ano, eu e meu marido, e não vejo qualquer luz no fundo do túnel”, afirma Alexandra Lekke.

Há questão sobre se já ponderou emigrar responde:
“Tenho a minha mãe aqui… isso passa-me pela cabeça, até porque tenho família no Canadá que tem uma vida fácil e tranquila, mas não sei… tenho 45 anos e, às vezes, sinto-me cansada.”

Levidi tem 800 habitantes e fica a cerca de duas horas de carro de Atenas. A maioria da população tinha migrado para Atenas, ou emigrado, para estudar ou trabalhar. Hoje alguns regressaram e a localidade está mais movimentada.

Konstantina Papanastasiou cresceu em Atenas mas regressou antes da crise para transformar a casa do avô num espécie de pousada. Teve a ajuda dos pais e 40 por cento de apoio da União Europeia.

Embora as pequenas empresas sejam vistas como a coluna vertebral da economia grega, Konstantina adverte para o facto de que as medidas de austeridade estão a atingir as pessoas erradas. Ela paga 800 euros por mês em empréstimos bancários e seguros. Valor ao qual é preciso somar os impostos que subiram de 9 para 23 por cento desde 2010.

“Na situação em que estamos penso que seria catastrófico deixarmos a Zona Euro. Haveria uma disparidade enorme, a dracma causaria inflação e nós não poderíamos comprar nada. Neste momento, penso que é melhor ficar com o euro para evitar uma situação pior e entretanto tentar resolver as nossas dívidas”, explica Konstantina.

No centro da vila, o marido de Konstantina, gere um café e restaurante. Ele também transformou terrenos de família num hotel, perto da estância de esqui local. Apesar do negócio ter decrescido quarenta por cento no último ano, Kostas e a mulher, concordam que trazer vida às áreas rurais da Grécia é a chave para um futuro melhor:

“Eu acredito que as coisas vão ficar piores. Num ano, um ano e meio, o desemprego vai passar de 20 para 40 por cento. E o que eu penso é que a única solução é migrar. As pessoas que estão em Atenas ou noutras cidades grandes, onde não têm trabalho, deveriam voltar às suas aldeias e recomeçar, criar alguma coisa, não só por si mas também para ajudarem o seu país.”

Contarem consigo próprios é um sentimento crescente entre os gregos, especialmente na geração mais jovem que sente que quem dirigir o país os dececionou. Angeliki desabafa: “eu não sei o que vai acontecer. Ou chegamos a um ponto de ebulição, onde tudo explode e sabe-se lá o que acontece a seguir, ou melhoramos as coisas nós próprios, pouco a pouco. E isso é a melhor coisa que pode acontecer: perceber como chegámos a este ponto e, a partir daí, mudar tudo.”

Enquanto os políticos, na UE, fazem dos planos de austeridade bandeiras para pôr fim à crise do euro, Angeliki encontrou potenciais compradores para os seus caracóis. Um sinal, embora pequeno, de os gregos voltam a ter, mesmo que a passo de caracol, as rédeas do seu futuro.

Via EuroNews