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sábado, 2 de julho de 2016

Contos de fadas são mais antigos que mitos gregos e a Bíblia

Cinderela, indiscutivelmente um dos mais famosos contos de todos os tempos, crê-se que tenha sido originado apenas no fim do século XVII. Da mesma forma outras histórias e narrativas reconhecidas tradicionalmente fizeram sua estreia na consciência popular apenas depois dos séculos XVIII e XIX. Entretanto, uma pesquisa (publicada no Royal Society Open Science) parece mudar a situação. De acordo com as investigações, muitos dos contos (senão todos) não apenas datam de tempos anteriores às línguas europeias, mas são também mais antigos que a maioria das grandes religiões do mundo. De fato, a pesquisa alude a como a confecção de tais narrativas possivelmente influenciou o quadro dos famosos caracteres mitológicos gregos e romanos. E, interessantemente, os pesquisadores conectaram às tradições folclóricas anteriores aos falantes indoeuropeus muitos desses mitos.

De modo simples, de acordo com os pesquisadores, muitos desses contos de fadas têm em torno de 4000 e 6000 mil anos de idade. Os dois autores do estudo - Jamshid Tehrani da Universidade de Durham e Sara Graça da Silva da Nova Universidade de Lisboa, começaram seu projeto identificando em torno de 275 contos de fadas com origens aparentemente indoeuropeias. Este arranjo de contos foi utilizado para analisar como o folclore era possivelmente familiar a populações proximamente familiares umas às outras - tanto em termos de suas respectivas línguas como de suas habitações geográficas. Em outras palavras, a avaliação permitiu aos especialistas distinguir entre contos que eram intrinsecamente parte de uma proto-cultura e histórias que eram mais 'globais' em natureza - espalhadas por viajantes e mercadores.

Depois de algumas avaliações rigorosas, os pesquisadores foram capazes de diminuir sua lista para 76 contos que provavelmente compartilharam um legado comum. Estes espécimes folclóricos comuns foram então conectados a alguns ramos das línguas indoeuropeias - muito parecido com o processo usado ao estudar uma árvore familiar genealógica. E ao traçar os pontos, os pesquisadores concluíram que o conto mais antigo dentre os escolhidos era "O Ferreiro e o Diabo". A história esposa o tropo familiar de uma pessoa vendendo sua alma ao diabo em troca de algum poder extraordinário. E os pesquisadores hipotetizaram que esse conto de fada foi esquematizado pelos ancestrais da Idade de Bronze dos falantes indoeuropeus. Similarmente, estes especialistas também acreditam que as famosas fábulas como 'A Bela e a Fera', 'O Anão Salteador' e 'João e o Pé de Feijão' todas tiveram suas origens antes do surgimento das línguas europeias modernas.

Interessantemente, no caso de O Ferreiro e o Diabo, a história pertence a uma realização tecnológica na história humana, melhor conhecida como metalurgia. Isso talvez ajuda a resolver a questão história com relação a como as línguas indoeuropeias foram desenvolvidas no contexto da linha histórica do desenvolvimento tecnológico. Os pesquisadores acreditam aqui que as línguas evoluíram só depois de avanços feitos no trabalho com metais. Mas claro que além de apenas metais e magias, alguns dos contos populares perscrutam a moralidade e o comportamento ético, como na história de Os Animais Encantados, onde o herói resgata um grupo de animais a fim de conquistar o afeto de uma princesa. Estas narrativas por sua vez aludem à dicotomia que tem sido prevalente desde então, com contos que cercam a relação (e o conflito) entre o bem e o mal, homens e mulheres, moral e imoral, e a justificação subjetiva do correto e do errado.

Jack Zipes, um professor emérito da Universidade de Minnesota, e um bem conhecido especialista no campo de fábulas e contos de fadas disse (para Discovery News) que

Tehrani e Graça da Silva demonstraram claramente e cientificamente que as origens dos contos populares e de fadas podem de fato ser traçadas até as sociedades antigas ao usar métodos filogenéticos. Seu trabalho pode servir como fundamento para estudos que investigam por que certos tipos de contos foram originados, como eles se disseminaram e se espalharam ao redor do mundo, e por que continuamos a contar os mesmos contos, embora em diferentes modalidades, no presente. 

via Realmofhistory

domingo, 17 de maio de 2015

Conheça Älvdalen, local onde se usava runas até o século XX



Älvdalen na Suécia é tão isolado que as pessoas apenas recentemente deixaram de usar as runas, e ainda falam sua língua influenciada pelo Nórdico Antigo.

Na Escandinávia, segundo informações retiradas de Thornews, o uso das runas terminou durante o século XIII. Na isolada Älvdalen na Suécia, no entanto, os habitantes não apenas continuaram a usar runas, mas também desenvolveram sua própria língua com muitos elementos nórdicos.

O povo em Älvdalen (Vale do Rio, em português) usou runas até o século XX, as tão chamadas runas Dalecarlianas. Profundas florestas e altas montanhas isolam o vale localizado em Dalarna, no centro da Suécia. A área também também sua própria língua, o Elfdaliano, ainda falado pelos locais.

Nos países nórdicos, as runas foram o modo de escrita dominante antes da introdução do cristianismo e do alfabeto latino nos anos 800-900.

Segundo o linguista Henrik Rosenkvist para Forskning, este é provavelmente o último uso de runas na Escandinávia.

É sabido que alguns lugares em Gotland e na Islândia se usou runas até o século XVII.
Runas Dalecarlianas de 1635

As runas em Älvdalen são encontradas em casas, no mobiliário e em coisas semelhantes. São também cravadas em tábuas de madeira enviadas como mensagens entre os fazendeiros.

Herança Viking

Na Era Viking, haviam apenas 16 runas diferentes. Em Älvdalen foram introduzidas novas runas - ou letras emprestadas do alfabeto latino.

(Veja também sobre o alfabeto Futhark)

Os vikings escreviam a letra "i" com uma barra vertical, mas o povo de Älvdalen começou colocando um ponto em cima dele, que mostra uma clara influência das letras latinas.

As runas em Älvdalen são um desenvolvimento das runas usadas na Era Viking em combinação com o alfabeto latino.

Elfdaliano

A língua Elfdaliana é também de grande interesse para os linguístas porque fornece um conhecimento de como os antepassados indo-europeus falavam.

Os pesquisadores salientam que o Elfdaliano foi desenvolvido desde a Era Viking e tem algumas novas e interessantes características.

A Suécia não reconheceu a língua como oficial, mas pesquisadores da língua acreditam que é mais do que apenas um dialeto que soa como uma mistura entre o Faroês e o Islandês.

Hoje, em torno de 2.500 pessoas falam o Elfdaliano, que tem sido fortemente pressionado pelo Sueco. As pessoas no vale isolado são orgulhosas de sua língua única e os habitantes estão tentando mantê-la viva através de cursos de língua e livros, semelhante ao que linguístas germânicos do sul do Brasil estão tentando fazer com o Hunsrükish (uma das línguas faladas entre os descendentes de alemães no Brasil, ao lado do Plattdeutsch [sapato de pau], do Pomerano e outros), que desde as migrações se desenvolveu diferente do original na Alemanha.

Do Alfabeto Futhark













 
A palavra Runa vem do Nórdico rún que significa "mistério". Ninguém sabe exatamente quando, onde e quem inventou as runas. A única coisa que os arqueólogos podem confirmar é que as inscrições rúnicas mais antigas que conhecemos são de 1700 anos atrás, encontradas na Dinamarca e na Noruega.

O alfabeto rúnico foi usado nas línguas germânicas - mas primeiramente nos países nórdicos. Foi um sistema de escrita onde cada caráter marcava um som específico. O alfabeto é chamado Futhark depois das primeiras seis runas. (O leitor observador pode contar sete letras no nome: o motivo é que th é um ditongo - o mesmo som nas palavras em inglês como thing). O nome original é pronunciado como fuþark .

As runas podem ser escritas nas direções direita para a esquerda ou vice-versa. Elas podem também ser invertidas ou postas de cabeça para baixo.

O Futhark antigo foi usado até 600 AD e consistiu de 24 caracteres.

Cientistas encontraram exemplos na Noruega de várias mudanças no Futhark durante o século XVII. No início dos anos 700 AD, um alfabeto rúnico mais curto consistindo de 16 caracteres era predominante. Estas mudanças foram conectadas com o que foi chamado de Anos de Sincopação (500-700 AD), quando a linguagem nórdica teve mudanças maiores. As palavras foram encurtadas (sincopatizadas), e algumas runas ganharam novos sons. A palavra jára (ano) foi encurtada para ár . A letra á eventualmente transformou-se na letra å do alfabeto nórdico atual.

(Veja também sobre as letras Æ, Ø e Å.)

É difícil dizer o que eram as runas para pessoas de classes ou castas mais baixas. No entanto, arqueólogos viram algumas mudanças dentro das inscrições depois do ano 1000 AD. Segundo o site Thornews os achados deste período indicam que não eram apenas profissionais escreviam: pranchas de exercícios mostram duas linhas de texto - uma escrita por um profissional com letras bem delineadas e outra com letras tortas, geralmente por algum estudante. Isso, segundo o site, mostra que a escrita era comum às classes e castas. Mas esta afirmação é descabida: o homem de casta superior também deve aprender a escrita, e até que tenha uma mão firme há muita escrita que errar; logo, não se pode dizer que os sinais tortos significam que foram feitos por pessoas de origem inferior - se isto fosse verdade, esse problema seria visto em documentos oficiais de um povo, e não em tabelas de estudo, o que até hoje não se tem visto.

De qualquer modo, tábuas de runas também eram usadas para mandar mensagens cotidianas e notas. Até mesmo mensagens impróprias eram escritas em madeira. Muitos achados de Bergen e Oslo confirmam que o sexo era um tema popular: Ek kann gilja (eu posso seduzir/dormir com garotas) e Smiðr sarð Vigdísi (o ferreiro dormiu com Vigdis).

No século XI, o cristianismo e o alfabeto latino chegaram à Noruega, mas levaria algumas centenas de anos antes até que as pessoas começassem a usar o novo alfabeto. O principal motivo foram as ferramentas de escrita: a vantagem do alfabeto rúnico é que exigia material barato e disponível facilmente. Com uma faca e um pedaço de madeira ou osso, pode-se escrever. O alfabeto latino, entretanto, já tinha uma forma mais difícil para cravar em materiais duros, de modo que era pintada em pergaminhos. Isso era tão caro quanto desconfortável para fazendeiros noruegueses. Depois da Idade Média, as runas lentamente foram saindo de uso e o alfabeto latino se tornou dominante.


Inscrições rúnicas datadas da Idade Média em Bergen.

Acima: -u mik man ek þik .[tradução: "... ... ...você eu, eu te amo"]

Abaixo: -b þþþ

Da origem das letras nórdicas Æ, Ø e Å

A letra Æ é a primeira das letras 'nórdicas' no alfabeto norueguês, originalmente uma ligação representando o ditongo latino dos fonemas de A e E.

Ela foi promovida ao status completo de uma letra em todos os alfabetos nórdicos. Como uma letra do alfabeto latino do Inglês Antigo, foi chamada de æsc ('freixo') depois da runa Futharc anglo-saxã. Ænão é apenas uma letra típica nórdica. Os romanos escreviam Cæsar ao invés de Caesar . No Latim Antigo, a pronúncia de Cæsar era Kaiser , que significa 'Imperador'. No Norueguês (e também no Alemão), a palavra 'Imperador' é diretamente adaptada do nome Cæsar . Em alguns dialetos, Æ tem um sentido significativo: o pronome da primeira pessoa do singular, Eu, e é assim normalmente falado. Normalmente, esse pronome é escrito com Æ quando estes dialetos são processados na escrita.

Segundo Thornews, a letra Ø vem do caráter Œ , uma ligação romana de O e E. Relembra a vogal U na palavra inglesa hurt. Œ é um paralelo exato ao ditongo AE. Há dúvidas de como a forma moderna Ø ocorreu, mas foi encontrada em textos da Alta Idade Média. Provavelmente, o caráter origina de O e E, onde E é simplesmente imprimido ao lado de O. O caráter Œ é frequentemente usado nos textos de Nórdico Antigo (Old Norse) como um sinal de um longo E, e é também usado nas línguas modernas, inclusive o Francês. A palavra dinamarquesa para 'ilha' é Ø e em norueguês, Øy . Hoje, a letra Ø é usada no alfabeto Norueguês, Faroês (das Ilhas Faroé) e no Dinamarquês.

A letra Å é uma invenção alemã datada do final da Idade Média. Para os falantes de inglês, a letra lembra o O em go e em song. Essa letra veio do sueco com o advento da imprensa nos anos 1500. Em Norueguês, Å foi escrito como Aa até 1917. Foi proposto a ser incluída em todas as línguas escandinavas em 1869. Os dinamarqueses esperaram até 1948 para incluí-la no seu alfabeto.

Um meio comum de demarcar uma longa vogal nas línguas antigas era simplesmente escrever duas vezes, como os finlandeses fazem hoje. Eventualmente, o som da A-longa em Norueguês, Dinamarquês e Sueco se tornou Å e foi necessário por ser uma letra distinguida por seu som especial. A letra Å é composta de dois As, um maior e outro menor. Quando eles designam este novo sinal, eles simplesmente põem o menor no topo do menor - portanto o anel sobre o A.

A despeito das muitas dúvidas quanto à correspondência, vale lembrar que no Alemão moderno se usa o caráter Ö para a junção de sons O e E, e para a junção de A e E se usa também o trema, tornando-se Ä.