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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Marine Le Pen: União Europeia não tem direito sobre Ucrânia

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional francesa, denunciou a aproximação da União Europeia à crise ucraniana como intervenção em assuntos internos de uma nação, que ela disse ser desnecessária a integração em primeiro lugar. Ela também descreveu como "estranho dizer que a menos" que a União exija que o governo legalmente eleito renuncie só porque algumas dezenas de milhares querem. A chefe do terceiro maior partido francês comparou a situação da Ucrânia com a da França quando mais de 1.5 milhões de protestantes tomaram as ruas para agir contra a decisão de Paris de permitir casamentos gays, e criticou Bruxelas de nunca duvidar da legitimidade de François Hollande.

Segue abaixo a entrevista feita pela Voz da Rússia:

Voz da Rússia: Durante a visita à Sevastopol no último verão, você falou sobre a integração da Ucrânia à União Europeia, cujo país você tem como amigo, mas acrescentou "amigos não são bem-vindos a um pesadelo". Mudou sua opinião?

Marine Le Pen: Não, claro que não. Primeiro, penso que não há argumento para a Ucrânia entrar para a União Europeia. Segundo, penso que não há motivo para a UE continuar sua expansão no momento em que está a beira da ruína e do colapso.

V.d.R.: Você segue os desenvolvimentos da Ucrânia?

M.L.P: Sim - mas só através da imprensa francesa que dificilmente é imparcial.

V.d.R: Qual sua avaliação do presidente Viktor Yanikovich?

M.L.P.: Não estou falando no papel de um administrador de assuntos internos de países soberanos. Mas o que me surpreende é que a União Europeia declarou o presidente ucraniano como ilegítimo, contando com a opinião de apenas alguns milhares de manifestantes. Acho ainda mais surpreendente que, se estou lembrada, um milhão e meio de franceses tomaram as ruas contra François Hollande um ano atrás, mas a União Europeia falhou em acusá-lo de ilegitimidade. Se há diferença entre parte da população ucraniana e o presidente, isso pode ser resolvido com eleições. Mas exigir a renúncia do presidente por causa das manifestações eu acho muito estranho. Houve manifestações em massa na França no último ano, mas nenhuma exigência foi feita [ao presidente Hollande].

V.d.R.: Você diz que considera não ter direito de julgar outros Estados em questões internas. No entanto, alguns líderes da Europa e dos EUA agora vêm a Kiev e publicamente advogam por independência. Você pensa que é interferência em assuntos internos de um Estado soberano?

M.L.P: Claro, e fiquei chocada quando Sr. Fabius, ministro das relações internacionais da França, tentou se encontrar com a oposição ucraniana. Vejo, no entanto, que cancelou seu encontro, mas ainda acho isso chocante. Não se deveria fazer uma coisa dessas. Ou isto significa que a lei internacional não existe mais?

V.d.R: O que você pensa sobre as últimas exigências de Kiev, que anunciaram que o acordo será assinado com a UE no caso da Ucrânia receber assistência financeira da Europa na soma de 20 bilhões de euros?

M.L.P: Eu não sei o nível de sinceridade desta proposta.

V.d.R: Mas não é a UE quem oferece à Ucrânia, é Yanukovich que está exigindo...

M.L.P.: Eu sei. Alguns analistas acreditam que o presidente Yanukovich formou suas exisgências para assegurar que a UE rejeitaria, com fim de demonstrar ao povo ucraniano que a assistência financeira esperada pela União Europeia é, na verdade, uma mentira. Então eu não sei qual foi a natureza desta exigência, se foi sincera ou uma jogada tática... eu não sei, não tenho informação o bastante sobre isso.

V.d.R: Na sua opinião, a União Europeia realmente aceita a Ucrânia? Apesar do fato do primeiro ministro britânico, David Cameron, alertar que ele não deixará irem ao Reino Unido para trabalhar bulgários e romenos que recentemente entraram para a UE, mesmo se isto viola os princípios da UE?

M.L.P.: A União Europeia hoje não está pronta para aceitar qualquer país. A União Europeia está quase arruinada e está experimentando os problemas mais severos com a entrada dos últimos países, Bulgária e Romênia. Qualquer nova "janela" para novos países apenas contribuirá para a aceleração do enfraquecimento da UE.

V.d.R.: Mas, por exemplo, a Polônia se uniu à UE 10 anos atrás, e 10 anos atrás o nível de desenvolvimento da Ucrânia e da Polônia eram o mesmo, ademais, o povo polonês veio à Ucrânia por dinheiro. Hoje, o nível de desenvolvimento da Polônia é incompatível com o da Ucrânia.

M.L.P.: O problema é que os "novos países" que tiveram o nível de desenvolvimento econômico diferente dos países "antigos" da UE receberam centenas de bilhões de euros de ajuda. Uma tal assistência dura por alguns anos. Mas então o pão branco é substituído pelo pão preto. Hoje a União Europeia não tem mais dinheiro. Não tem mais nível de prosperidade como dez anos atrás. Do que se segue que a esperança ucraniana em se juntar à UE e receber a ajuda que a Polônia recebeu é um erro.

V.d.R.: Qual, na sua opinião, é a melhor forma para a Ucrânia tratar esta situação?

M.L.P.: O melhor jeito de sair de qualquer crise política é as eleições. Pelo menos resolve o problema. Na minha opinião, se o processo de diplomacia entre a oposição e a maioria parlamentária não levar à saída da crise, é necessário reconhecer um referendo.

V.d.R.: É exatamente o que a oposição exige de Yanukovich - eleições.

M.L.P.: Isso é muito bom! Uma coisa é quando acontece dentro do quadro de acordos entre o governo atual e a oposição que decidiu organizar eleições, uma outra coisa é a UE exigir a eleição. A UE não tem nenhum direito de exigir nada.

V.d.R.: 'Forbes' reconheceu o presidente Vladimir Putin como "o homem mais poderoso do mundo" em 2013. O que você pensa de Vladimir Putin?

M.L.P.: Indubitavelmente, Vladimir Putin trouxe a Rússia de volta ao grupo de países que tem forte influência no mundo. E isso é novo. Penso que no momento da crise síria a Rússia de novo tomou um muito importante lugar no mundo da diplomacia, um lugar que a Rússia, talvez, perdeu no passado. Claro, em 2013 Vladimir Putin falou da arena política como uma personalidade bastante influente.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Frente Nacional sobe no ranking e lidera o país nas pesquisas


Pela primeira vez o Frente Nacional supera significativamente os partidos da esquerda e da direita. Uma pesquisa publicada pelo jornal Le Nouvel Observateur mostra que o partido nacionalista lidera a intenção de voto para as eleições ao Parlamento Europeu, que acontecerão em Maio de 2014.
Se os comícios europeus fossem hoje, O Frente Nacional receberia um quarto dos votos: em 24%, dois pontos mais que a União por um Movimento Popular (UMP, direitas), e cinco mais que o Partido Socialista (PS, socialdemocracia), que fica em 19%.

O jornal francês que publicou a pesquisa tratou de acalmar a opinião pública sobre os resultados ao salientar que o estudo não é uma previsão, mas não pôde evitar de admitir que o lugar do Frente Nacional "já não está a margem, mas no centro do jogo político".

Resultados da pesquisa de Le Nouvel Observateur

Esta pesquisa vem um dia depois que o Frente Nacional conseguiu um surpreendente 40.4% dos votos nas eleições parciais em Brignoles, eliminando a esquerda na primeira etapa, para logo enfrentar a UMP na segunda etapa nesta semana.

Pelos resultados, o Partido Socialista entrou em pânico e chamou seus eleitores a votar pelo candidato da direita da UMP para deter o Frente Nacional.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O Frente Nacional é cada vez mais aceitável entre os franceses

Um ano após Marine Le Pen surpreender o mundo ao obter 17,9 por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais maio passado, a influência do Frente Nacional (FN) na cena nacional se mantém forte.



Segundo o indicador anual de TNS Sofre, encarregado pelos jornais Le Monde, France Info e Canal Plus, 32 por cento dos franceses dizem que estão "absolutamente" (6%) ou "bastante" (26%) de acordo com as idéias do partido.

Essa cifra representa um aumento de 14 pontos percentuais desde 2010. A última vez que a enquete mostrou tais níveis de apoio ao partido foi em outubro de 1991.

"Acredita que o Frente Nacional representa um perigo para a democracia?" 47 % responderam que não.

"O que surpreende é que não houve uma queda após as eleições, como o visto após as eleições presidenciais de 1995 e 2002", assinala Emmanuel Riviere, chefe de opinião do TNS-Sofre à AFP.

As propostas defendidas pelo Frente Nacional as quais mais compartilham os cidadãos são, em primeiro lugar, que "não se defende suficientemente os valores nacionais franceses" (72%), que "a justiça não é severa o bastante com pequenos delinquentes" (65%), que "há muitos imigrantes na França" (54%), que "se deve dar mais poder à polícia" (54%), e que "se dá direitos demais ao Islã ou aos muçulmanos" (54%).

A pesquisa também revelou que 35 por cento dos franceses acreditam que o FN, que ganhou dois assentos nas eleições parlamentares no ano passado, "tem a capacidade para participar do governo". Em outro registro, 47% dos entrevistados acreditam que o partido não representa um perigo para a democracia, um mínimo histórico na pesquisa.


"O que pensa sobre Marine Le Pen hoje?" 44% acredita que ela representa uma direita patriótica unida aos valores tradicionais.

A pesquisa do TNS-Sofre foi feita duas semanas após uma outra pesquisa de opinião que revelou que a maioria dos franceses acreditam que "há estrangeiros demais na França" e 74 % deles acreditam que o fundamentalismo islâmico "não é compatível com os valores franceses".

A líder do partido nacionalista, Marine Le Pen considerou hoje em algumas declarações à emissora France Info que esses resultados demonstram "que temos razão, sozinhos contra todos, em defender uma série de propostas que eram demonizadas pelo conjunto da classe política".

"Cada vez mais os franceses se dão conta que o FN se ocupa de suas preocupações cotidianas", em particular o emprego e as dificuldades das famílias ao chegar o fim do mês, comentou Le Pen em algumas declarações à emissora.

"Essas são as verdadeiras preocupações dos franceses, para as quais nem Governo socialista nem a UMP (o principal partido da oposição de direita) apontam alguma resposta pois levam meses se enfrentando sobre um projeto de matrimônio homossexual e continuarão três meses mais com essa piada."

Via El Ministerio

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Limite à imigração se justifica em época de crise, diz Hollande

PARIS, 27 Abr (Reuters) - O candidato que lidera as pesquisas para a eleição presidencial francesa, o socialista François Hollande, declarou nesta sexta-feira que a imposição de um limite no número de estrangeiros que entram no país se justifica durante uma crise econômica.
"Num período de crise, como estamos vivenciando, limitar a imigração por motivos econômicos é necessário e essencial", disse o socialista, em uma tentativa de concessão aos eleitores da extrema direita que serão cruciais no segundo turno da eleição presidencial, em 6 de maio.
O partido de extrema direita Frente Nacional, de Martine Le Pen, obteve quase um quinto dos votos no primeiro curto e o apoio de seus eleitores está sendo buscado tanto por Hollande como por seu rival, o presidente Nicolas Sarkozy.
Hollande declarou à rádio RTL nesta sexta-feira que, se eleito, pedirá ao Parlamento que fixe uma quota anual para a entrada na França de estrangeiros não integrantes da União Europeia que buscam trabalho.
Uma pesquisa de intenção de votos do instituto BVA divulgada nesta sexta-feira mostrou que Hollande avançou mais 1,5 ponto porcentual, passando a 54,5 por cento enquanto Sarkozy estava com 45,5 por cento. Outra sondagem, da CSA, aponta Hollande com 54 por cento - 2 pontos a menos do que na semana passada - e Sarkozy com 46 por cento.

Via Reuters

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Marine Le Pen consegue apoio sem precedentes nas eleições francesas


A líder nacionalista Marine Le Pen, que ficou em 3° lugar nas eleições presidenciais francesas, se afirma no tabuleiro político depois de reforçar seu partido, o Front National, causando polêmica com seus temas como a imigração, a ineficácia da União Europeia e a crise econômica.

Pouco mais de um ano depois de ser eleita presidente do Front National, Le Pen obteve 18% dos votos, nível jamais alcançado pelo seu partido, e fica no terceiro lugar depois do socialista François Hollande e do presidente liberal Nicolas Sarkozy, que disputarão o segundo turno.

Marine Le Pen conseguiu se impor em temas-chave da campanha nos últimos meses, em particular a imigração, o islamismo e a crise econômica.

Foi ela quem lançou a polêmica sobre a carne halal (animais mortos segundo regras muçulmanas e judaicas) que envenenou a campanha semanas atrás e provocou indignação de organizações representativas dos muçulmanos e judeus na França.

Ela não passou ao segundo turno, mas seu resultado é superior ao do pai, que em 2002 passou ao segundo turno com 16,8% dos votos.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Marine Le Pen, a favorita dos jovens

GENEBRA — A grande surpresa das eleições presidenciais da França, no próximo domingo, poderá vir dos jovens. Uma sondagem do instituto CSA para o jornal “Le Monde” revelou que 42% dos entrevistados entre 18 e 24 anos estão pendendo para os extremos. Da direita e da esquerda. Num país em que 22,4% dos jovens nesse limite de idade não tinham emprego em novembro último — mais que o dobro da média nacional — não fica difícil entender por que soluções que se afastam bastante do centro têm um poder de sedução maior sobre essa fatia do eleitorado. Sedução que, medida em números, duplicou o poder de fogo da extrema-direita e triplicou o da extrema-esquerda menos radical nos últimos meses entre os jovens.

Desiludidos com os grandes partidos, 26% dos entrevistados anunciaram seu voto na louríssima Marine Le Pen, da extrema-direita, deixando ligeiramente para trás, com 25%, o homem mais cotado para se tornar presidente da França, o socialista François Hollande. Progride também, segundo a mesma pesquisa, a simpatia por outro extremo: o candidato da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon — uma versão “light” da extrema-esquerda. Entre o fim de 2011 e março de 2012, Mélenchon passou de 5% para 16% na preferência dos jovens. Já Marine Le Pen saltou de 13% para 26%.

— Para os jovens, a Frente Nacional é o voto da contestação — afirmou Anne Muxel, do Centro de Estudos da Vida Política Francesa (Cevipof), à rádio RMC.

Voto de protesto contra o sistema

A opinião é compartilhada por Mikael Garnier-Lavalley, da Associação Nacional de Conselhos de Crianças e Jovens (Anacej), que promove a participação de jovens nas decisões públicas. Mas, Garnier contesta a sondagem da CSA, feita com menos de 200 pessoas, e cita a pesquisa feita por sua organização junto a 800 jovens de 18 a 22 anos. Nela, o socialista François Hollande dispara na frente, com 31%. Marine Le Pen chega em segundo, com 23%, e 21% de preferência para o atual presidente Nicolas Sarkozy, do conservador UMP. De qualquer forma, a extrema-direita chega em segundo.

— Marine encarna uma mulher independente. É um voto de protesto de direita que vem de jovens de categoria social mais baixa, menos diplomados e desempregados — diz.

É o caso de Aurélie Mougeot, de 25 anos, e o marido Sébastien Bru, de 31, moradores de Montpellier, no Sul da França — ambos desempregados. Eleitores do Partido Socialista nas presidenciais de 2007, vão votar pela primeira vez na extrema-direita de Marine Le Pen. Sem formação universitária, Sébastien admite que tentou dar um passo maior do que as pernas quando montou uma empresa de marcenaria, sem ter experiência. Chegou a ter três empregados, carro do ano, até se afundar em dívidas. A queda foi dura: expulso do apartamento, foi parar, literalmente, na rua. Hoje, culpa os imigrantes.

— Nós deveríamos ser prioridade (para o Estado), mas os estrangeiros estão passando na nossa frente. E se aproveitam — queixa-se.

Aurélie, filha de uma agente de limpeza, também sem formação superior, está grávida de 5 meses e tem uma filha de 5 anos. Sobrevive com ajuda do Estado e de associações de caridade:

—Voto em Marine para que a França volte a ser dos franceses. Fomos deixados de lado. Não nos sentimos bem no nosso próprio país.

Na França em crise, os imigrantes passaram a disputar com os jovens franceses de baixa renda empregos que exigem menor qualificação Mas, a realidade desses jovens é bem mais complexa. Os filhos da elite não temem os estrangeiros, nem o futuro. São eleitores de Hollande.

— Não estou certo de que teremos a mesma qualidade de vida — admite Clément Leroy, de 20 anos, aluno do conceituado Sciences-Po, o Instituto de Ciências Políticas de Paris, acrescentando ter sentido o “declínio francês e da Europa” ao fazer um intercâmbio na Austrália, no ano passado.

Sua colega Alice Laila, de 21 anos, concorda que essa geração terá que fazer sacrifícios. Mas contemporiza:

— Temos sorte em relação a outros europeus. No Reino Unido, não há seguridade social e, na Espanha, os jovens universitários sonham em ir para o exterior, porque não há perspectiva de emprego.

Fonte

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ataques e cerco policial podem beneficiar candidatura de Sarkozy

Os ataques contra uma escola judaica e contra militares em Toulouse poderão criar uma reviravolta na campanha às eleições presidenciais francesas, em abril, e favorecer o presidente, Nicolas Sarkozy, e também a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.

Uma pesquisa do instituto CSA para o jornal 20 Minutos e BFM TV, realizada na segunda e terça-feira, logo após o drama na escola judaica, e divulgada nesta quinta-feira, revela que Sarkozy passou a liderar as intenções de voto para o primeiro turno com 30%, com dois pontos à frente do rival socialista François Hollande.

Essa é a primeira vez que Sarkozy lidera no primeiro turno nas pesquisas do instituto CSA. No segundo turno, no entanto, não houve mudanças, e Hollande continua totalizando 54% e Sarkozy, 46%.

"Hoje, os franceses não acreditam mais em Sarkozy quando ele faz propostas. Mas no caso de uma forte crise ocorrer durante a campanha, em relação a questões de segurança ou econômicas, o candidato Sarkozy pode ser beneficiado pelo seu status de presidente", afirma Gaël Sliman, diretor do instituto de pesquisas BVA.

"Essas eventuais crises, sobretudo terroristas, podem mudar a natureza da disputa", diz ele. "O candidato UMP (partido de Sarkozy) vai recolher o sucesso do presidente", escreve o jornal Le Monde.

Função presidencial

Desde a segunda-feira, quando quatro pessoas, sendo três delas crianças, foram mortas a tiros em uma escola judaica, Sarkozy deixou de aparecer na mídia como simples candidato.

Seus discursos e encontros realizados nos últimos dias, amplamente cobertos pela imprensa, voltaram a ter maior visibilidade e assumiram o caráter solene da função presidencial neste momento de choque no país.

A situação atual é bem diferente de uma participação recente de Sarkozy, como candidato, em um programa de entrevistas na televisão, cuja audiência teve milhões de telespectadores a menos do que a série americana House, transmitida por outro canal no mesmo horário.

Como chefe de Estado, foi Sarkozy quem recebeu as famílias das vítimas na sede da Presidência, se reuniu com líderes judaicos e muçulmanos para pedir união nacional após os ataques, participou da homenagem aos mortos na escola e fez os discursos da homenagem militar, na quarta-feira, aos soldados assassinados na semana passada.

Cinco outros candidatos às eleições presidenciais também participaram das homenagens aos militares, mas não puderam, por razões protocolares, por exemplo, falar com as famílias dos soldados mortos.

"A atualidade favorece Sarkozy, que tenta melhorar sua imagem. Ele pode tentar se mostrar sensível diante da emoção da população", disse à BBC Brasil o cientista político Stéphane Monclaire, da Universidade Sorbonne.

Credibilidade

A localização do suspeito, Mohammed Merah, um jovem que teria dito pertencer à rede Al-Qaeda e que planejaria novos ataques, pode ter algum impacto positivo para Sarkozy na opinião pública.

O tema da segurança é um dos poucos assuntos em que Sarkozy possui, segundo pesquisas, mais credibilidade do que seu rival socialista, François Hollande, embora essa questão não esteja entre as principais preocupações dos franceses nestas eleições.

Mesmo tendo subido nas últimas semanas nas pesquisas de opinião e se aproximado de Hollande no primeiro turno, chegando até a superá-lo em algumas projeções, Sarkozy é tido como derrotado no segundo turno em todas as pesquisas por pelo menos dez pontos percentuais de diferença.

Analistas dizem, no entanto, que não é possível saber se esse eventual impacto positivo na candidatura de Sarkozy decorrente do drama nacional poderia durar até o primeiro turno, em 22 de abril.

Especialistas também afirmam que o fato de o suspeito, um francês de origem argelina, estar ligado a movimentos radicais islâmicos poderá favorecer a candidatura de Marine Le Pen, do partido de extrema-direita Frente Nacional.

Ela é a terceira colocada nas pesquisas de opinião, com 13% a 15%, segundo diferentes pesquisas, mas sua candidatura vem perdendo ritmo, com constantes quedas nas intenções de votos.

Antes da descoberta do suspeito, estimava-se que os crimes poderiam ter sido cometidos por neonazistas por motivos racistas, o que afundaria a campanha de Le Pen.

Agora, diante das revelações de que Merah, segundo autoridades, disse estar ligado à rede Al-Qaeda, a candidata se sente reforçada em seus temas prediletos: a luta contra o islamismo e a imigração e problemas de segurança.

Logo após o início do cerco ao suspeito, Le Pen declarou "guerra ao fundamentalismo", acrescentando que o governo não é eficaz em relação às questões de segurança.

"Quanto mais o suspeito aparecer como um fundamentalista islâmico, mais a Frente Nacional vai tentar tirar proveito da situação", diz Montclaire.

Segundo ele, Sarkozy irá sofrer a concorrência de Le Pen nesse caso, mas tentará evitar que a candidata "recupere os benefícios dessa exploração ideológica" do assunto.


Fonte

quarta-feira, 21 de março de 2012

Marine Le Pen responde: "Tentaram adicionar ao horror da tragédia seu ódio político"

As acusações contra o partido de Marine Le Pen pelo atentado em uma escola judaica em Toulouse esta tarde foram respondidas pela candidata do Front National. "Jornalistas e políticos franceses têm procurado explorar a tragédia de Toulouse miseravelmente contra o Front National e sua candidata Marine Le Pen", disse a a candidata.

Le Pen enfatizou as contradições e padrões duplos de alguns jornais filiados ao poder público. "Ontem, dedicaram suas primeiras páginas para criminalizar o Front National, mas quando foi descoberto que o assassino era um terrorista islâmico, esses hipócritas não se importam mais com os mortoes e tiraram a notícia da página principal principal. Mais uma vez, desacreditaram-se ".

Além disso, Marine Le Pen enviou uma carta a Marie-George Buffet, secretária nacional do Partido Comunista francês, Jean-Luc Mélenchon, co-presidente do Partido de Esquerda e candidato presidencial em 2012, François Bayrou, ex-ministro da Educação Nacional, presidente do Movimento Democrático e candidato presidencial e Dominique Sopo, presidente da SOS Racismo. Eles se aproveitaram do trágico evento de Toulouse para reavivar a campanha contra o FN a partir de suas respectivas organizações.

O texto da carta, dirigida com um enfático "Esses canalhas", diz ela, "Acreditaram poder instrumentalizar miseravelmente a tragédia de Toulouse contra o Front National e sua candidata Marine Le Pen. Mostraram sua face mais uma vez. A sua intenção de arrastar na lama a 20% dos franceses falhou. Vocês tentaram adicionar ao horror do drama seu ódio político. Devem apresentar desculpas oficiais ao Front National, seus componentes e Marine Le Pen. De qualquer forma, dverão ficar quietos por um longo tempo".

Via AlertaDigital

quinta-feira, 15 de março de 2012

Marine Le Pen consegue assinaturas necessárias para candidatura

A candidata nacionalista da França Marine Le Pen poderá disputar a eleição presidencial depois de obter a assinatura de respaldo de pelo menos 500 vereadores, anunciou uma fonte do partido Frente Nacional (FN).

Le Pen havia afirmado em várias oportunidades que não tinha certeza se alcançaria a meta legal de 500 assinaturas e havia acusado os "grandes partidos" de pressionar seus representantes para evitar sua presença na disputa de abril.

Na França, para disputar a eleição presidencial cada candidato deve receber o "patrocínio" de 500 pessoas que ocupam um cargo eletivo (prefeitos, vereadores, conselheiros regionais, etc). Os candidatos têm como prazo máximo para apresentar as assinaturas o dia 16 de março.

Pesquisa

Uma de intenção de voto publicada nesta terça-feira mostra o presidente francês, Nicolas Sarkozy, à frente de seu principal rival na disputa eleitoral, o socialista François Hollande, no primeiro turno das eleições de 22 de abril. Ainda assim, o candidato socialista permanece segue como vencedor no segundo turno.

A pesquisa do instituto Ifop para três meios de comunicação - Europe 1, Public Sénat e Paris Match -, feita após um grande comício de Sarkozy no domingo passado, dá conta de 28,5% das intenções de voto ao atual presidente, ou seja, alta de 1,5% sobre a anterior enquete. Já Hollande teria 27%, queda de 1,5 ponto percentual.

Segundo a análise da pesquisa, Sarkozy arrancou votos sobretudo do partido ultradireitista Frente Nacional , cuja candidata, Marine Le Pen, caiu um ponto percentual, a 16%. Já Hollande se vê prejudicado pela alta do ultraesquerdista Jean-Luc Mélenchon (que possui 10% depois da alta de 1,5 ponto). O candidato de centro François Bayrou ascende meio ponto e chega a 13%.

O segundo turno, que será realizado em 6 de maio, teria Holland com 54,2% dos votos, dois pontos a menos que na pesquisa anterior, e Sarkozy com 45,5%, após alta de dois pontos.

A ascensão do atual presidente francês acontece dois dias depois de seu discurso em um comício em Villepinte, nos arredores de Paris, no qual ratificou a intenção de reformar o tratado europeu de Schengen sobre a livre circulação de pessoas.

Os eleitores franceses vão às urnas no dia 22 de abril. O segundo turno está previsto para 6 de maio.

Fonte

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Marine Le Pen se aproxima de Sarkozy nas pesquisas

A candidata do Front National para as eleições presidenciais francesas de 2012, Marine Le Pen, diminuiu a distância ao atual presidente Nicolas Sarkozy e ameaça chegar ao segundo turno, de acordo com a última pesquisa publicada pela Ifor para 'Paris Match'.

Segundo os resultados da pesquisa, o socialista François Hollande estaria com 27% dos votos, enquanto Sarkozy estaria com 23% e Le Pen com 21%. Assim, o atual presidente cai 2 pontos percentuais, enquanto que Le Pen sobre 3,5 pontos em relação as últimas pesquisas.

Desta maneira, poderia repetir-se a situação das eleições de 2002, quando o então líder do Front National e pai da atual candidata, Jean Marie Le Pen derrotou o candidato socialista Lionel Jospin, conseguindo entrar no segundo turno, no qual Jacques Chirac conseguiu 80% dos votos, com o apoio da esquerda, unidos para evitar a presidência de Le Pen.

A pesquisa de Ifor mostra que, no caso de que Hollande e Sarkozy cheguem ao segundo turno, o socialista teria 57% dos votos, contra 43% do atual presidente.

Le Pen defende algumas posturas controvertidas, como a defesa de que a França abandone a OTAN e o Euro e se aproxime mais da Rússia, ou a instauração da pena de morte para crimes graves, como assasinato de menores de idade.

Via Minuto Digital