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domingo, 1 de dezembro de 2013

Do zorzal ao sabiá



Por Alberto Buela(*)

Com motivo da publicação de um livro nosso em português, Hispanoamérica Contra o Ocidente[1], tivemos ocasião de passar alguns dias em Curitiba, capital do Estado do Paraná.

Que surpresa foi a nossa quando às quatro e meia da manhã nos acorda, assim como acontece todos os dias em Buenos Aires, o belo porém interminável canto do zorzal, que lá o chamam de sabiá.

Mas esta não seria a única coincidência. Na conferência[2] que citamos se tomava mate, tiveram assistentes vestidos de gaúchos, todo o pessoal que encontramos se mostrou predisposto a falar em portunhol, viajando ao litoral marítimo observamos o costume de pintar as casas de azul e branco, o homem curitibano é muito parecido com o tipo argentino. Enfim, pareceu estarmos em um pedaço da nossa terra.

Quando chegamos ao aeroporto e, como os amigos que viriam nos receber se atrasaram, perguntamos a um policial que estava por aí o que poderíamos fazer e, ao observar nosso pouco domínio do português, nos pediu que falássemos em castelhano, porque ele era descendente de guaranis paraguaios.

No museu histórico paranaense pudemos observar uma sequência histórica temporal da região sobre um grande mural e ali, em homenagem à verdade, figura um primeiro período tupi-guarani, um segundo espanhol e um terceiro bandeirante e, depois, a chegada dos negros, assim até chegar aos dias de hoje.

Como no dia 20 de Novembro se celebra o dia da consciência negra no Brasil, surgiu uma polêmica sobre se o declarassem feriado ou não.

Da leitura dos jornais pudemos aprender que todo o pensamento progressista do Brasil, no qual se inclui o marxismo político e universitário, está em favor da festa e do feriado como uma reivindicação do sofrimento da escravidão negra.

Conversando com alguns amigos de Curitiba comentamos que nos parecia um grave erro, uma imbecilidade. Primeiro porque o monopólio da dor e da exploração não só possuem os negros no Brasil. E se tivesse que homenagear alguma etnia ou comunidade, esta seria a de São Paulo para baixo, a tupi-guarani, que foi massivamente exterminada pelos bandeirantes. Segundo porque outras coletividades, como os italianos, poloneses, alemães, japoneses, espanhóis e chinêses, também podem reclamar o mesmo. Terceiro porque Zumbi dos Palmares é uma lenda marxista para usar os negros como elemento para acelerar a contradição na sociedade brasileira. Além disso, Zumbi dos Palmares, o ídolo negro, tinha uma comitiva enorme que, enfim, vendia como escravos aos bandeirantes. Quarto porque a teoria do multiculturalismo, segundo a qual uma minoria tem razão só pelo fato de ser minoria e não pelas razões de conduzem a seu favor, é uma invenção da intelligensia norteamericana para quebrar as unidades nacionais.

O Brasil, como a Argentina, são grandes espaços territoriais que se conformaram através de uma cultura de síntese. Na verdade, não somos muitas culturas separadas como pretende o multiculturalismo “a la carte”, mas uma intercultura. Quer dizer que em cada um de nós, sul-americanos, que não somos nem tão europeus nem tão índios, vivem várias culturas ao mesmo tempo. Isto deu lugar a esta cultura de síntese, que foi expressa na ideia de mestiçagem, mistura ou simbiose que expressou com grande clareza e lucidez, entre outros, este grande pensador social brasileiro, Alberto Torres (1865-1917).

E esta cultura deu ao mundo um arquétipo de homem que foi e é o gaucho ou gaúcho, cujo território e vigência se extende desde o pampa e a mesopotâmia argentina, passando pelo Uruguai, até os estados do Rio Grande, Santa Catarina e Paraná.

Pensado em termos antropoculturais, esta grande região gaúcha já tem uma expressão unificada: o portunhol. Um arquétipo humano: o gaucho ou gaúcho. Uma história comum: a luta contra Espanha e Portugal e a contemporânea contra os interesses ingleses e norteamericanos. Politicamente, neste grande espaço convergem hoje quatro países: três estados do Brasil, três províncias argentinas, todo o Uruguai e a parte oriental do departamento de Canindeyú do Paraguai. Tudo isso dá para pensar em quantas coisas nos unem, os povos da América do Sul.

[1] Editora Austral (N.T.) 

(*) arkegueta, aprendiz constante, melhor que filósofo

Traduzido por Álvaro Hauschild

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CURITIBA/PR: Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política



"Estamos frente aos portões de entrada da pós-modernidade. Seus primeiros sinais já se fazem visíveis. A queda do mundo ideológico que marcou toda luta política pelo intenso século XX configura um deserto espiritual em que nada brota no campo do pensamento. É o deserto subpolítico da pós-modernidade. 

Esquerda e direita desaparecem como topográfica política identificável, a primeira endireita-se em matéria de vínculo econômico, e a segunda esquerdiza-se em matéria de valores e cultura. O que resta da direita apodrece na busca de sistemas para otimizar o status quo, e o que resta da esquerda deliberadamente autoaliena-se em simulacros de revoluções. 


Ilusões débeis e apegos anímicos a ideias já carcomidas pelo poder do capital, bandeiras sujas de dólares e símbolos de uma era de seriedade e luta comercializados no mercado negro ideológico.


Pouca coisa é ideologicamente identificável na pós-modernidade, e o ideal do indivíduo emancipado e desobrigado é talvez a principal delas. Este, por sua vez, é a luz destes tempos, que cegou todas as outras chamas ideológicas. Isto marca não menos o liberalismo como o representante completo no campo das ideias deste ideal, e pensamento reinante em todas as esferas.


Marxismo, Fascismo e teorias políticas interligadas, os quais configuraram outrora alternativas ao mundo liberal, hoje já não se representam como forças políticas, senão como meros atores que cumprem determinados papeis inofensivos no jogo da política pós-moderna. Estas são ideologias completamente derrotadas. O fascismo foi pisado e decapitado de forma fulminante, o marxismo foi humilhado e hoje é mantido como escravo ideológico. E uma vez sem inimigos a altura, o liberalismo transmuta a si mesmo em pós-liberalismo e domina a personalidade do Ocidente. Como uma locomotiva globalista e capitalista, passando por cima de todos os povos e nações, o Ocidente americanista e europeu simplesmente expande seu domínio em direção a um mundo comprimido sob o signo do poder militar e cultural que derivam de uma divindade econômica.
         
Assim, diante das possibilidades e das tendências catastróficas que se fazem notar a medida que a era pós-moderna avança irreversivelmente, necessário se torna produzir uma rota de saída, e, a partir dela, um caminho para o enfrentamento.
          
Este é o espírito da Quarta Teoria Política. 

Já está mais do que na hora de uma verdadeira alternativa vir a tona a tudo isso. Corrupção, usura, exploração, opressão, relativismo, já estão em níveis críticos, pois esgotam-se seus meios de velamento.
          
Aquilo que pela insuficiência, impotência e incompetência, mesmo com todo potencial de enfrentamento, foi incapaz  de abater o grande inimigo americano, liberal e globalista, deve ser redefinido, revirado, reposicionado até o ponto de essencialmente não ser mais o que um dia foi. Deve ser, pois, superado.
          
Uma nova frente de batalha está para ser conquistada. Diante de um grande agente que porta o signo da antítese total, que conduz um signo do mal, todo ideal de oposição carrega uma marca de salvação, de destino, de dever, de libertação. E isto é incorporado na proposta de uma quarta posição política que rompe as barreiras ideológicas do fracasso, da manipulação e nos leva a uma vontade irresistível de lutar.
          
A 1ª Conferência Ibero-Americana Sobre a Quarta Teoria Política é um evento que marca em terras austrais uma nova posição político-ideológica, forjada na certeza inegociável de se superar em criatividade e beligerância todas as formas e estratégias um dia criadas para enfrentar a ideologia liberal dominante, e atingir uma posição geopolítica que proteja os povos da América Austral da dominação imperialista do grande capital.
          
No mundo das ideias esta proposta é das mais empolgantes. Desmontar marxismo, perfurar seu núcleo ideológico e observá-lo desde fora, dissecar o fascismo, retirar e examinar seu sujeito histórico, perceber o próprio liberalismo em sua forma expandida, com suas vertentes, globalização, sistema financeiro, leis econômicas e jurídicas, etc, é um ótimo exercício para um espírito disposto ao desafio de pensar e interpretar a realidade.
          
Esperamos com enorme satisfação a participação de todos, que possam superar as dificuldades de todos os tipos e se fazer presentes neste evento.
          
De toda equipe organizadora do evento e amigos ajudantes, um forte abraço a todos.

Nos vemos em Curitiba."
Evento:
A 1ª Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política ocorrerá em Curitiba/PR - Brasil, nos dias 15 e 16 de Novembro de 2013.


Inscrições:
A inscrição só passará a ter validade com o pagamento das taxas previamente estipuladas pela Organização do Evento, as quais devem ser pagas por meio de depósito bancário. Para efetuar o pagamento é necessário enviar um e-mail para 4tpbrasil@gmail.com, informando o interesse em participar do Evento. Entraremos em contato informando a conta corrente para o depósito bancário. Após o pagamento, que deve ser informado enviando o comprovante de depósito scanneado ou fotografia com dados legíveis, o inscrito receberá a resposta de confirmação dentro de 3 dias. 

Obs.: Não é necessário o envio de dados pessoais como RG e CPF por email, porém é obrigatória a apresentação do RG para entrar no local.

TAXA DE INSCRIÇÃO: R$ 50,00. 

Localização:
Centro de Convenções de Curitiba
Rua Barão do Rio Branco, 370 - Centro
Curitiba - PR, 80010-180 

Local privilegiado, próximo de vários pontos turísticos da cidade, de fácil acesso no trajeto aeroporto-local, rodoviária-local e com muitos outros hotéis com preços acessíveis ao redor, sendo alguns indicados para os interessados reservarem suas estadias.
Programação:
Em breve. 


Estadia e Alimentação: 
A hospedagem e alimentação para os dois dias do evento são de responsabilidade do inscrito. Serão oferecidos durante todo o evento lanches da tarde durante um pequeno intervalo entre as apresentações Sugerimos alguns hotéis, pousadas e albergues próximos ao local da Conferência, na região central de Curitiba.
  
Sugestões de Hospedagens


Segue abaixo uma relação de hotéis mais econômicos, próximos ao local em que será realizado o encontro:


Hotel Itamaraty

Av. Presidente Afonso Camargo, 279, em frente à Rodoviária http://www.hotelitamaratycwb.com.br

Palace Hotel Paraná

Rua Barão do Rio Branco, 62 http://www.palacehotelpr.com.br/

Aladdin Hotel - Paraná Suite

Rua Lourenço Pinto, 440 http://www.hotelaladdin.com.br/

Hotel Marabá

Rua André de Barros, 435 http://www.marabahoteis.com.br/

L'Avenue Apart Hotel

Rua XV de Novembro, 526 http://www.lavenueaparthotel.com.br

Apart Hotel Paraty

Rua Riachuelo, 30 http://www.hotelparati.com.br/

Hostel Roma

Rua Barão do Rio Branco, 805 http://www.hostelroma.com.br

EuroHotel

Rua João Negrão, 400 http://www.eurohotel.com.br


Alimentação


Na região central de Curitiba, principalmente próximo ao local do evento, há inúmeros bons restaurantes, para todos os gostos, de diferentes tipos de culinárias. 


Palestrantes:

LEONID SAVIN

Formação: Faculdade Sumy de construção de máquinas; faculdade de teologia; Associação Ucraniana de Educação a Distância; Escola Superior de Jornalismo; assim como inúmeros seminários e cursos de treinamentos sobre ONG’s e organização intra-governamentais como a ONU e o Conselho da Europa. 


ALBERTO BUELLA

Professor Licenciado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires; (DEA) Diplome d'Etudes Approfondies pela Universidade de París - Sorbonne; Doutor em Filosofia pela Universidade de París - Sorbonne.  Nascido em Buenos Aires em 1946, é um filósofo argentino que tem se destacado por seus trabalhos nas áreas de metapolítica, teoria do dissenso e teoria da virtude, tendo sido o fundador da primeira revista de metapolítica ibero-americana, ou hispano-americana, ainda nos anos 90.


Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política