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terça-feira, 2 de julho de 2019

Putin, Lavrov e Xi Jinping convocam fim à DMA



por Matthew Ehret

O espectro da guerra nuclear há muito paira sobre o mundo como uma espada tenebrosa de Dâmocles, oferecendo à humanidade muita causa para desespero diante da natureza ambivalente da ciência enquanto uma fonte de poder criativo que enleva e enobrece por um lado, e atua como o arauto da morte e do caos por outro.

Todavia, seria errado culpar a ciência pela crise cuja humanidade desencadeou com o átomo, quando a realidade é que nós nunca nos libertamos da peste dos sistemas oligárquicos de governo. Retrocedendo aos registros dos impérios Romano, Persa e Babilônico tais sistemas tem sempre almejado manipular as massas na direção de padrões de comportamento de auto-policiamento e conflito constante.

Quer estejamos falando sobre as Cruzadas, as guerras religiosas Européias, as guerras Napoleônicas, a guerra da Criméia, Guerras do Ópio, ou as primeira e segunda guerras mundiais tem sido sempre a mesma receita: Pôr as vítimas para definir seus interesses ao redor de constrangimentos materiais, recursos em diminuição, ou vieses religioso/étnico/linguísticos que previnem cada pessoa de reconhecer seus interesses comuns com seu vizinho e então pô-los a lutar. Clássico dividir e conquistar.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, aquela antiga receita para administrar o caos não funcionava mais quando um novo ingrediente foi introduzido no “grande jogo” geopolítico. Esse ingrediente atômico era tão poderoso que aqueles “mestres do jogo” gerenciando de cima os problemas da terra como deuses Olímpicos separados entenderam que poderiam ser aniquilados tão rápido quanto suas vítimas e que um novo conjunto de regras devia ser criado às pressas.

A Aposta Nuclear do Senhor Russell

Um principal representativo da mente genocida do império Britânico foi o Senhor Bertrand Russell, um membro de sétima geração da elite hereditária conhecida hoje pelo seu celebrado pacifismo e profundo alcance filosófico. É um fato desconfortável que esse modelo exemplar da “lógica” e da paz tenha sido um dos primeiros pensadores registrados clamando pela aniquilação nuclear da União Soviética na esteira da rendição da Alemanha Nazista. Caso a União Soviética não se submetesse a um Governo Mundial Único, argumentou o Senhor Russel no Boletimpara os Cientistas Atômicos de 1946, então deveria simplesmente encarar uma punição nuclear.

É claro que aquela ameaça foi de vida curta, quando o anúncio surpresa da Rússia de haver “decifrado o código atômico” quebrou o monopólio sobre cujo qual os Anglo-Americanos salivavam e 1945 quando observavam o Japão (cuja rendição indireta já havia sido negociada) queimar sob a sombra de um renovado Leviatã Anglo-Americano emergente.

O Senhor Russel, entãodiretor da CIA/MI6 Congresso pela Liberdade Cultural (cujo objetivo era criar uma nova anti-cultura de hedonismo e irracionalismo nas artes durante a Guerra Fria) foi forçado a mudar o tom e a liberar, ao invés, uma nova doutrina que veio a ser conhecida como “Destruição Mútua Assegurada” (DMA). A obsessão de Russel em tentar escravizar toda a física a um estrito determinismo matemático tal qual fora disposto em seu Principia Mathematica (1910) e seu papel principal na promoção da arte abstrata/música atonal pela CIA sob a bandeira da CCF é um insight útil sobre como sociedades são gerenciadas por oligarcas.

Numa entrevista à BBC anos após Russell mudar suas visões sobre um primeiro ataque à Rússia, o aristocrata britânico, agora-convertido em advogado anti-nuclear descreveu sua mudança de opinião assim:
“Q: É verdadeiro ou falso que em anos recentes você defendeu que uma guerra preventiva pudesse ser feita contra o comunismo, contra a Rússia Soviética?”
RUSSELL: É completamente verdadeiro, e eu não me arrependo disso agora. Não era inconsistente com o que eu penso agora... Houve um tempo, logo após a última guerra, quando os americanos tinham um monopólio das armas nucleares e ofereceram para internacionalizar armas nucleares pelo plano Baruch, e eu pensei ser uma proposta extremamente generosa da parte deles, uma que seria muito desejável que o mundo aceitasse; não que eu defendesse uma guerra nuclear, mas eu pensava que uma grande pressão devesse ser posta sobre a Rússia para que aceitassem o plano Baruch, e eu de fato pensei que se eles continuassem a recusá-lo talvez fosse necessário de fato ir à guerra. Naquele tempo as armas nucleares existiam apenas em um lado e, portanto, as chances é que os Russos desistiriam. Eu pensei que eles iriam... .
Q: Suponhamos que eles não desistissem.
RUSSELL: Eu pensei e tinha esperanças que os Russos iriam desistir, mas é claro que você não pode ameaçar a não ser que esteja preparado para ter seu blefe confrontado.”

Um fim para o Mundo do DMA

O novo jogo tornou-se “balanço geopolítico do terror” sob o DMA, e em muitos aspectos o poder que ele oferecia a uma oligarquia era maior que qualquer coisa que uma sociedade pré-atômica tinha para oferecer. Ao mesmo tempo que grandes guerras não eram mais desejáveis (embora fossem sempre um risco nesse jogo psicótico de altas apostas de poker), guerra assimétrica e uma mudança de regime tornaram-se as novas “coisas grandes” pelos próximos setenta anos. Uma população em terror constante de aniquilação tornou-se um solo maduro para a disseminação de uma nova inquisição sob a orientação de um travestido megalomaníaco dirigindo o FBI. Essa inquisição purgou o Ocidente de líderes qualificados que fossem comprometidos para com a paz entre Oriente e Ocidente e incluiu grandes cientistas, artistas, professores e políticos que viram suas carreiras serem destruídos conforme o Estado Profundo tornou-se cada vez mais poderoso e bombas atômicas mais abundantes.

Enquanto muitos celebraram de maneira tola o sucesso do DMA com o colapso da União Soviética e a ascensão de um mundo uni-polar que iria supostamente conduzir a um pacífico “fim da história”, outros reconheceram o grande truque na medida em que a OTAN continuou se expandindo a despeito de sua razão de ser ter desaparecido. Yevgeni Primakov e um círculo de patriotas russos (cujo qual incluía um Vladimir Putin em ascensão) estavam entre aqueles que viram através da fraude. Essa rede trabalhou diligentemente com suas contrapartidas asiáticas para criar uma fundação para sobrevivência que manifestou-se na forma do G20 m 1999 e na Organização para Cooperação de Xangai em 2001.

No início de 2007, as guerras desencadeadas no Oriente Médio após o 9-11 não tinham um fim previsto, e uma intenção muito mais obscura do que muitos poderiam imaginar estava emergindo entre o caos. A construção de um escudo anti-mísseis balísticos liderada pela OTAN se iniciou ao redor do perímetro sul da Rússia por iniciativa de Dick Cheney e foi logo incrementada posteriormente pela circunscrição de um “Pivô-Asiático” da China, sob o mandato de Obama em 2011. Somente os tolos mais ingênuos acreditaram então que o Irã ou a Coréia do Norte eram as verdadeiras razões por trás dessa jogada Hobbesiana preemptiva de poder em favor de um monopólio. O fantasma do Senhor Russell podia ser sentido ao redor do mundo, ameaçando uma guerra nuclear se a soberania nacional não fosse abandonada em favor de um governo mundial gerenciado por uma “ditadura científica”.

A Convocação da Rússia e da China para controlar a Serpente de Fogo

O Presidente Putin junto a Sergei Lavrov e o Presidente Xi Jinping assinalaram um fim a era do DMA com uma importante convocação por uma nova doutrina internacional de segurança baseada sobre um “novo sistema operante”.

Saindo da Cúpula Econômica de São Petersburgo em 6 de Junho, Putin disse “se nós não mantermos essa serpente de fogo sob controle – se permitirmos que ela saia da garrafa, Deus proíba, isso pode levar a um catástrofe global. Todos estão fingindo ser surdos, cegos ou disléxicos. Precisamos reagir a isso de alguma maneira, não é? Claramente é isso.”

As palavras de Putin foram amplificadas por Sergei Lavrov em 11 de Junho ao falar na conferência do Primakov Readings de 2019 em Moscou, que reuniu diplomatas, especialistas e políticos de 30 países no tema do “Retornando à Confrontação: Existem Alternativas?” Lavrov disse:

“É de uma importância capital que a Rússia e os Estados Unidos tranquilizem o resto do mundo e transmitam uma declaração conjunta de alto escalão de que não pode haver vitória numa guerra nuclear e que, portanto, ela é inaceitável e inadmissível. Nós não entendemos porque eles não podem reassegurar essa posição agora. Nossa proposta está sendo considerada pelo lado dos Estados Unidos.”

Desde que se puseram entre o pelotão de fuzilamento Anglo-Americano e as nações da Síria e da Venezuela, em conjunto com uma surpreendente divulgação de um conjunto de novas tecnologias militares em Março de 2018, Putin transformou as “regras do jogo” geopolítico no sentido de que a proposta de Lavrov é agora uma possibilidade real. As novas tecnologias divulgadas pela Rússia em 2018 incluem mísseis supersônicos, drones subaquáticos e outros foguetes nucleares que garantem a capacidade de um ataque retaliatório caso alguém seja estúpido o suficiente em atacar a Rússia primeiro.

O ICR (BRI, da sigla em inglês) e o Novo Sistema Operante

A cúpula econômica de São Petersburgo de 5-6 de Junho testemunhou não apenas 19000 participantes de 145 países assinado $47.8 bilhões em acordos, mas caracterizou-se como um encontro importante entre o chinês Xi Jinping e Putin, que descreveram seu relacionamento como o de melhores amigos e travaram suas nações mais profundamente que nunca no novo panorama operacional da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR, ou BRI da sigla em inglês), que rapidamente está se estendendo no Ártico.

Esse encontro foi levado ainda a um outro patamar em Bishkek Kyrgyzstan, com a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai em 13-14 de Junho,  que integrou ainda mais as nações Eurasianas no ICR. Putin e Xi não apenas se encontraram novamente nessa cúpula, mas agora foram acompanhados pelo indiano recentemente eleito Narendra Modi, cuja participação é vital para a reorganização do sistema mundial. Após a cúpula da OCX, o mundo aguardaria pelo encontro potencial de 28-29 de Junho, na cúpula do G20 em Osaka, Japão, onde o presidente norte-americano Donald Trump indicou seu desejo de encontrar com os três líderes para negociações bilaterais. Muitos espectadores criticaram a ideia de que Trump de fato pudesse desejar um encontro honesto, mas Lavrov demonstrou seu entendimento superior da complexidade estratégica na América argumentando numa entrevista em 6 de Junho, quando ele disse que os fracassos do Presidente Trump em estabelecer relações construtivas com a Rússia devem-se à sabotagem de forças enraizadas dentro do governo: “Certos políticos estado-unidenses, incluindo aqueles que ataram as mãos do Presidente Trump não permitindo que ele cumprisse com suas promessas de campanha de normalizar e melhorar as relações com a Rússia, ainda são incapazes de aceitar esse fato.”

A propósito numa conferência em 12 de Junho junto ao presidente da Polônia, Trump foi pressionado por um repórter a tomar a linha dura contra a Rússia, que aparentemente está “ameaçando a Polônia”. Enquanto fingia concordar com a narrativa Rússia=bully, Trump concluiu sua resposta dizendo “Espero que a Polônia venha a ter um excelente relacionamento com a Rússia. Espero que nós venhamos a ter um excelente relacionamento com a Rússia e, inclusive, com a China e muitos outros países.” Trump tinha anteriormente convocado a Rússia, a China e a América para converterem suas centenas de milhões de dólares gastos em forças armadas em projetos que sejam do interesse comum de todos. Durante sua declaração chave ao Fórum Econômico, Putin desvelou o “elefante na sala” trazendo o tema da quebra do sistema financeiro global: “a degeneração do modelo de universalista de globalização e sua transformação numa paródia, numa caricatura de si próprio, onde as regras internacionais comuns são substituídas pelas leis... de um país.” Putin prosseguiu alertando para uma “fragmentação do espaço econômico global e por uma quebra forçada devido a uma política de egoísmo econômico completamente ilimitada. Mas esse é o caminho para um conflito sem fim, guerras comerciais e talvez não apenas comerciais. Figurativamente esse é o caminho para a terminal luta de todos contra todos.”

O ponto ressaltado foi que em última instância sem um novo sistema econômico, o perigo de injustiça e de aniquilação global pairará sempre sobre a humanidade. Ecoando a filosofia da cooperação ganha-ganha de Xi Jinping, Putin disse que o que é necessário em última instância é “um modelo mais justo e estável de desenvolvimento. Esses acordos deveriam não só ser escritos claramente, mas deveriam ser observados por todos os participantes. Entretanto, eu estou convencido que falar sobre uma ordem econômica como essa continuará sendo um pensamento caprichoso, a não ser que retornemos ao centro da discussão, isto é, noções como as de soberania, como o direito incondicional de cada país na sua estrada desenvolvimentista e, deixe-me acrescentar, responsabilidade pelo desenvolvimento sustentável universal, e não apenas pelos próprios desenvolvimentos.”


BIO: Matthew J.L. Ehret é um jornalista, palestrante e fundador da revista Canadian Patriot Review (O Patriota Canadense). Ele é um autor junto ao The Duran, à Fundação de Cultura Estratégica, Fort Russ e o Orient Review. Seus trabalhos têm sido destacados em Zero Hedge, Executive Intelligence Review, Global Times, Asia Times, L.A. Review of Books, and Sott.net. Matthew também publicou o livro “Chegou o Tempo do Canadá Ingressar na Nova Rota da Seda” e três volumes da História Não-contada do Canadá (disponíveis em untoldhistory.canadianpatriot.org). Ele pode ser contatado em matt.ehret@tutamail.com

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Seu banco pertence aos Rothschild? Eis a lista


O comando dos Rothschild sobre os bancos em torno do planeta não é mais um segredo, está ficando cada vez mais claro ao público comum que esta família é uma das entidades mais poderosas na Terra, com uma riqueza estimada em $500 trilhões. Quer saber quais bancos eles de fato possuem? Eis a lista completa, retirada de Neonnettle:

Afeganistão: Banco do Afeganistão
África do Sul: Banco Reserva Sul-Africano
Albânia: Banco da Albânia
Alemanha: Deutsche Bundesbank
Algéria: Banco da Algéria
Antilhas: Banco das Antilhas Holandesas
Arábia Saudita: Agência Monetária da Arábia Saudita
Argentina: Banco Central da Argentina
Armênia: Banco Central da Armênia
Aruba: Banco Central de Aruba
Austrália: Banco Reserva da Austrália
Áustria: Banco Nacional Austríaco
Azerbaijão: Banco Central do Azerbaijão
República das Bahamas: Banco Central das Bahamas
Bahrein: Banco Central de Bahrein
Bangladesh: Banco de Bangladesh
Barbados: Banco Central de Barbados
Bélgica: Banco Nacional da Bélgica
Belize: Banco Central de Beliz
Benin: Banco Central dos Estados do Oeste Africano (BCEAO)
Bermudas: Autoridade Monetária das Bermudas
Bielorrússia: Banco Nacional da República da Bielorrússia
Bolívia: Banco Central da Bolívia
Bósnia: Banco Central da Bósnia e Herzegovina
Botswana: Banco de Botswana
Brasil: Banco Central do Brasil
Bulgária: Banco Nacional Búlgaro
Burkina Faso: Banco Central dos Estados do Oeste Africano (BCEAO)
Burundi: Banco da República de Burundi
Butão: Autoridade Monetária Real do Butão
Camboja: Banco Nacional do Camboja
Camarões: Banco dos Estados da África Central
Canadá: Banco do Canadá -- Banque du Canada
Cazaquistão: Banco Nacional do Cazaquistão
Chade: Banco dos Estados da África Central
Chile: Banco Central do Chile
China: Banco Popular da China
Chipre: Banco Central do Chipre
Cingapura: Autoridade Monetária de Cingapura
Colômbia: Banco da República
Comores: Banco Central de Comores
Congo: Banco dos Estados da África Central
Coreia: Banco da Coreia
Costa Rica: Banco Central da Costa Rica
Côte d'Ivoire: Banco Central dos Estados do Oeste Africano (BCEAO)
Croácia: Banco Nacional Croata
Cuba: Banco Central de Cuba
Dinamarca: Banco Nacional da Dinamarca
Egito: Banco Central do Egito
El Salvador: Banco Reserva Central de El Salvador
Emirados Árabes Unidos: Banco Central dos Emirados Árabes Unidos
Equador: Banco Central do Equador
Eslováquia: Banco Nacional da Eslováquia
Eslovênia: Banco da Eslovênia
Espanha: Banco da Espanha
Estados Unidos: Reserva Federal, Banco Reserva Federal de Nova York
Estônia: Banco da Estônia
Etiópia: Banco Nacional da Etiópia
Fiji: Banco Reserva de Fiji
Filipinas: Bangko Sentral ng Pilipinas
Finlândia: Banco da Finlândia
França: Banco da França
Gabão: Banco dos  Estados da África Central
Gâmbia Banco Central da Gâmbia
Gana: Banco de Gana
Geórgia: Banco Nacional da Geórgia
Grécia: Banco da Grécia
Guatemala: Banco da Guatemala
Guiana: Banco da Guiana
Guiné Bissau: Banco Central dos Estados Africanos do Oeste (BCEAO)
Guiné Equatorial: Banco dos Estados da África Central
Haiti: Banco Central do Haiti
Holanda: Banco da Holanda
Honduras: Banco Central de Honduras
Hong Kong: Autoridade Monetária de Hong Kong
Hungria: Banco Magyar Nemzeti
Iêmen: Banco Central do Iêmen
Ilhas Caymã: Autoridade Monetária das Ilhas Caymã
Ilhas Salomão: Banco Central das Ilhas Salomão
Índia: Banco Reserva da Índia
Indonésia: Bancoda Indonésia
Irã: Banco Central da República Islâmica do Irã
Iraque: Banco Central do Iraque
Irlanda: Banco Central e Autoridade de Serviços Financeiros da Irlanda
Islândia: Banco Central da Islândia
Israel: Banco de Israel
Itália: Banco da Itália
Jamaica: Banco da Jamaica
Japão: Banco do Japão
Jordânia: Banco Central da Jordânia
Kwait: Banco Central do Kwait
Latvia: Banco da Latvia
Líbano: Banco Central do Líbano
Lesotho: Banco Central do Lesotho
Líbia: Banco Central da Líbia (sua última e mais recente conquista, que precede a guerra na Síria)
Lituânia: Banco da Lituânia
Luxemburgo: Banco Central de Luxemburgo
Macau: Autoridade Monetária de Macau
Macedônia: Banco Nacional da República da Macedônia
Madagascar: Banco central de Madagascar
Malawi: Banco Reserva de Malawi
Malásia: Banco Central da Malásia
Mali: Banco Central dos Estados Africanos do Oeste (BCEAO)
Malta: Banco Central de Malta
Marrocos: Banco do Marrocos
Maurício: Banco de Maurício
México: Banco do México
Moldávia: Banco Nacional da Moldávia
Mongólia: Banco da Mongólia
Montenegro: Banco Central de Montenegro
Moçambique: Banco de Moçambique
Namíbia: Banco da Namíbia
Nepal: Banco Central do Nepal
Nova Zelândia: Banco Reserva da Nova Zelândia
Nicarágua: Banco Central da Nicarágua
Níger: Banco Central dos Estados Africanos do Oeste (BCEAO)
Nigéria: Banco Central da Nigéria
Noruega: Banco Central da Noruega
Oman: Banco Central de Oman
Paquistão: Banco Estatal do Paquistão
Papua Nova Guiné: Banco de Papua Nova Guiné
Paraguai: Banco Central do Paraguai
Peru: Banco Central Reserva do Peru
Polônia: Banco Nacional da Polônia
Portugal: Banco de Portugal
Qatar: Banco Central do Qatar
Quênia: Banco Central do Quênia
Quirquistão: Banco Nacional da República Quirquis
Reino Unido: Banco da Inglaterra
República Centro-Africana: Banco dos Estados da África Central
República Dominicana: Banco Central da República Dominicana
República Tcheca: Banco Nacional Tcheco
Romênia: Banco Nacional da Romênia
Ruanda San Marino: Banco Central da República de San Marino
Rússia: Banco Central da Rússia
Samoa: Banco Central de Samoa
Senegal: Banco Central dos Estados Africanos do Oeste (BCEAO)
Seichelles: Banco Central de Seichelles
Sérvia: Banco Nacional da Sérvia
Sierra Leone: Banco de Siera Leone
(Esperava encontrar aqui a Síria? Graças aos governantes russos e iranianos, a Síria ainda não foi tomada)
Sri Lanka: Banco Central do Sri Lanka
Suazilândia: Banco Central da Suazilândia
Sudão: Banco do Sudão
Suécia: Sveriges Riksbank
Suíça: Banco Nacional da Suíça
Suriname: Banco Central do Suriname
Tailândia: Banco da Tailândia
Tajiquistão: Banco Nacional do Tajiquistão
Tanzânia: Banco da Tanzânia
Togo: Banco Central dos Estados Africanos do Oeste (BCEAO)
Tonga: Banco Reserva Nacional do Tonga
Trinidad e Tobago: Banco Central de Trinidad e Tobago
Tunísia: Banco Central da Tunísia
Turquia: Banco Central da República da Turquia
Ucrânia: Banco Nacional da Ucrânia
Uganda: Banco da Uganda
União Europeia: Banco Central Europeu
Uruguai: Banco Central do Uruguai
Vanuatu: Banco Reserva de Vanuatu
Venezuela: Banco Central da Venezuela
Vietnã: Banco Estatal do Vietnã
Zâmbia: Banco de Zâmbia
Zimbábue: Banco Reserva do Zimbábue
Zona Leste do Caribe: Banco Central do Caribe Oriental

De acordo com humanarefree: é virtualmente desconhecido do público o fato de que a Reserva Federal dos EUA é uma companhia privada, situada em uma terra privada, imune às leis dos EUA.

Esta companhia privada (controlada pelos Rothschilds, Rockefellers e Morgans) imprime dinheiro para o governo dos EUA, que os paga pelo "favor". Isto significa que se nós resetássemos o débito nacional hoje e começássemos a reimprimir dinheiro, estaríamos em débito com o FED através do mesmo dollar emprestado ao governo.

Da mesma forma, a maioria das pessoas que vivem nos EUA não imagina que o Serviço da Receita Interna (IRS) é uma agência estrangeira. Para ser mais exato, o IRS é uma corporação privada estrangeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) e é o "exército" privado da Reserva Federal (Fed).

Seu objetivo principal é assegurar que o povo americano pagará seus impostos e se comportará como pequenos escravos. Em 1835, o presidente Andrew Jackson declarou seu desdém pelos banqueiros internacionais: "vocês são um antro de víboras. Pretendo chutá-los fora daqui, e pelo Deus Eterno o farei. Se o povo apenas compreendesse o nível da injustiça do nosso sistema bancário e monetário, haveria uma revolução antes da manhã seguinte".

Houve uma mal sucedida tentativa de assassinato contra a vida do presidente Jackson. Jackson contou a seu vice-presidente, Martin Van Buren: "o banco, Sr. van Buren, está tentando me matar". Este foi o início de um padrão de intrigas que amaldiçoaria a Casa Branca nas próximas décadas. Tanto Lincoln quanto JFK foram assassinados ao tentar tirar o país das mãos dos banqueiros.

Os Megabancos do Mundo

Há dois Megabancos que oferecem empréstimos para todos os países do mundo, o Banco Mundial, e o IMF. O primeiro pertence às mais poderosas famílias banqueiras, com os Rothschilds no topo, enquanto o segundo pertence exclusivamente aos Rothschild. Estes dois megabancos oferecem empréstimos aos "países em desenvolvimento" e usam seus interesses quase impossivelmente impagáveis para pôr suas mãos sobre a riqueza real: a terra e os metais preciosos. Mas isto não é tudo: uma parte importante de seu plano é também explorar os recursos naturais de um país (como petróleo ou gás) através de suas companhias camufladas, refiná-los e vendê-los de volta ao mesmo país, gerando um lucro imenso.

Mas, com o fim de que essas companhias funcionem otimamente, eles precisam de uma infraestrutura sólida, que não costuma acontecer nos países assim chamados de "países em desenvolvimento". Assim, antes dos banqueiros mesmo oferecer os empréstimos quase impossíveis de serem pagos, eles se asseguram de que a maioria do dinheiro será investido -- você entendeu -- na infraestrutura. Essas "negociações" são levadas a cabo pelos assim chamados "Economic Hitmen [assassinos econômicos]", que atuam por gentilmente recompensar (i.e. subornar) ou ameaçar de morte aqueles que estão na posição capaz de vender seu país.

Para mais informação sobre o assunto, sugerimos a leitura de Confessions of an Economic Hitman. O único banco que governa a todos, o "Banco para Assentamento Internacional", é -- obviamente -- controlado pelos Rothschilds e é apelidado de "Torre da Basileia".

O verdadeiro poder dos Rothschilds vai muito além do Império Bancário

Se você não está satisfeito com o poder dos Rothschilds (eu sei que você está), por favor, saiba que eles também estão por trás de todas as guerras desde Napoleão. Foi quando eles descobriram o quão útil era financiar ambos os lados de uma guerra que eles passaram a fazer isto desde então. Em 1849, Guttle Schnapper, a esposa de Mayer Amschel afirmou: "Se meus filhos não quisessem guerras, não haveria uma só". Assim, o mundo ainda está em guerra porque é muito, muito útil para os Rothschilds e seus interesses bancários sanguinários.

E enquanto continuaremos a usar o dinheiro não haverá paz no mundo, jamais. É chocante para muitos descobrir que os Estados Unidos da América é um corporação governada por estrangeiros. Seu nome original foi Virginia Company e pertencia à coroa britânica (que não deve ser confundida com a rainha, cujas funções amplamente têm apenas capacidade cerimonial). A coroa britânica doou a companhia ao Vaticano, que deu os direitos de exploração de volta para a coroa. Os presidentes dos EUA são CEOs (chefes executivos) nomeados e seu negócio é produzir dinheiro para a coroa britânica e o Vaticano, que toma sua parte dos lucros todo ano. A coroa britânica, secretamente, governa o mundo a partir do Estado soberano independente de 677 acres conhecido como Cidade de Londres.

Essa outra coroa abrange um comitê de 12 bancos chefiados pelo Banco da Inglaterra. Quem controla o banco da Inglaterra? Sim, os Rothschilds! Em 1815, Nathan Mayer afirmou o seguinte: "não me preocupo com o boneco colocado no trono da Inglaterra para reinar o Império no qual o sol nunca se põe. O homem que controla a produção de dinheiro controla o Império Britânico, e eu controlo a produção de dinheiro".

 A Casa dos Rothschild está realmente no topo da pirâmide do poder. Eles estão por trás da Nova Ordem Mundial e da agenda da completa dominação do mundo. Eles estão por trás da União Europeia e do Euro, assim como estão por trás da ideia de uma União Norte-Americana e da Amero. Eles controlam todos os serviços secretos e seu exército privado é a OTAN. Muito, muito interessante! Agora, o que você diria se eu lhe contasse que podemos erodir seu império ao pó durante a noite, sem qualquer violência?

Ou pelo menos sem aceitar a chacina proposta por eles diretamente. Percebe agora a estratégia dos governantes russos e da guarda revolucionária iraniana, assim como do Hezbollah e da Coreia do Norte? Através da geopolítica, estão se formando blocos para combater esta aranha que ameaça engolir o mundo com sua teia. Os bancos russo e iraniano continuam governados pelos banqueiros... não por muito tempo. Este previsão é o motivo, aliás, pelo qual Israel e OTAN investem suas tropas para combater este "eixo do mal" na Ucrânia, na Síria, no Líbano, posicionando suas tropas na Pentalásia, no Leste Europeu (gerando trocas de farpas entre russos e lituanos, russos e finlandeses, sobretudo russos e ucranianos na atual guerra civil ucraniana) e no Pacífico, a fim de cercar as resistências russas e iranianas; motivo pelo qual também na Rússia surgem tentativas de golpes, assassinatos executados contra agentes russos e insurgência interna na Coreia do Norte. Tal como acontece também contra o governo venezuelano e cubano.

Para compreender esta estratégia econômica, vale também a leitura do artigo de Eduardo Velasco sobre o Colar de Pérolas. O "terrorismo" do ISIS? A falta (ou a suposta falta) de papeis higiênicos na Venezuela? O aniquilamento de índios na Amazônia? Tráfico de pessoas, órgãos? Turismo de massas? Ideologia de gênero? Exploração sexual? A dominação da mídia oficial? O poderio das multinacionais? Multiculturalismo forçado? Direitos Humanos? "Democracia para todos"? Protestos do Greenpeace em postos estatais importantes da Rússia e do Irã? Divisão do povo brasileiro, golpe do governo brasileiro e entrega do pré-sal? Pacifismo entre as classes e guerra entre os povos?

Tenha agora a absoluta certeza: Rothschild, que tem como testa de ferro homens como George Soros e Olavo de Carvalho, está por trás de tudo isso, e muito mais.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sunitas e xiitas: o mito dos ódios remotos e novo mapa do Oriente Próximo

Por Martí Nadal

elordenmundial.com-14/11/2016

O oriente próximo encontra-se afundado em uma guerra total entre as duas correntes do Islã? Investigar os conflitos da região é necessário para desfazer os relatos que desconectam a violência atual de eventos contemporâneos e em seu lugar associam a ódios étnicos ancestrais.

Sunitas e xiitas seguem lutando desde o cisma que dividiu os muçulmanos depois da morte de Maomé no ano de 632? Dando uma olhada no mapa dos conflitos da região, temos a impressão de que nos países onde convivem Sunitas e Xiitas, acabam se enfrentando sem remédio. Na Síria, o regime de Bashar al Assad, dominado pela maioria alauíta, um ramo distante do xiismo, enfrenta uma oposição formada majoritariamente por grupos islamitas sunitas. No Iraque, a caída do sunita Saddam Hussein elevou ao poder a maioria Xiita, que agora deve fazer frente a uma insurgência liderada pelo grupo terrorista Estado Islâmico nas regiões sunitas do país. E, no esquecido Yemen, os huties uma milícia pertencente ao ramo do xiismo, tem tomado a capital do país e desde janeiro de 2015 sofrem os bombardeios de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. A tudo isso deve-se somar a guerra fria que protagonizam a República Islâmica xiita doIrã com a Arábia Saudita, bastião do fundamentalismo sunita, cujas disputas espalham-se por todos os campos de batalha do oriente próximo.

As divisões étnico religiosas do oriente próximo:fonte https://thesinosaudiblog.files.wordpress.com/2011/05/mid-east-religion.jpg

O sectarismo entendido aqui como um enfrentamento entre as distintas correntes do Islã é sem dúvida um componente vigoroso nos conflitos atuais, O auto denominado Estado Islâmico e suas pretensões genocidas tem convertido em habituais os ataques suicidas em bairros xiitas de Damasco, Bagdá ou Sanar, que tem deixado milhares de civis mortos. A isto se deve somar a proliferação de milícias xiitas que frequentemente molestam e aterrorizam aspopulações sunitas, antes controladas por grupos jihadistas. A retórica sectária também se assenta no atual alvoroço regional, promovido por clérigos e autoridades fundamentalistas e difundida através de cadeias por satélite e redes sociais. O teólogo e figura televisiva Yusuf al Qaradawi, que apresenta o programa mais popular da Al Jazeera, a cadeia mais vista do mundo árabe, tem acusado os alauitas de serem “mais infiéis que os judeus e cristãos”; por sua parte, outro célebre locutor da mesma emissora tem pedido em mais de uma ocasião a limpeza étnica de xiitas e alauítas sírios.

Respaldados por esta linguagem sectária, os meios ocidentais assumem que os conflitos na Síria, Iraque e Iêmen formam parte de uma guerra histórica de aniquilação étnica de onde os estados e as milícias se alinham em um grupo e outro dependendo de sua afiliação religiosa. Esta leitura etno-religiosa da violência que hoje sacode o oriente próximo é denominada ”relato dos ódios remotos” ( ancient hatreds, em inglês), porém, tal e como veremos, essa história é na realidade um mito.

O relato dos ódios remotos: da Iugoslávia ao Oriente Próximo

A origem desta teoria sobre conflitos étnicos perenes se encontra no final da Guerra Fria e não se tem aplicado só a sunitas e xiitas. O primeiro caso que se popularizou ocorreu depois da desintegração da Iugoslávia comunista. Autores como Samuel Huntington ou Robert Kaplan ajudaram a definir a guerra na Bósnia como um conflito plenamente étnico religioso entre croatas católicos, bósnios muçulmanos e sérvios ortodoxos. Também se construiu um relato sugerindo que o comunismo foi só um remendo transitório que unia alguns grupos étnicos que realmente seguem se odiando desde séculos atrás.

O colapso do forte governo central precipitou a violência, que só havia sido contida, porém nunca erradicada.

Hoje em dia, muitos artigos que pretendem explicar a violência atual entre sunitas e xiitas no oriente próximo seguem pautas similares.O relato geralmente se repete assim:depois de morrer o profeta Maomé, alguns muçulmanos consideraram que Abu Bakr amigo do profeta, devia ser o novo líder, enquanto que outros fiéis eram partidários de seu primo Ali.Os seguidores de Abu Bakr venceram e acabaram convertendo-se nos sunitas; os partidários da linha familiar de Ali, os xiitas, seriam derrotados, convertendo-se numa minoria freqüentemente perseguida dentro do islã.Nascia assim um ódio eterno e inalterável, agora desatado pela ausência de uma autoridade superior que os mantivessem unidos.

Em sua pretensão de responder a pergunta ‘’Porque matam-se sunitas e xiitas?, os meios ocidentais freqüentemente consideram as guerras na Síria e Iraque como de aniquilação étnica, com origem nas disputas sucessórias à morte de Maomé, na veneração de santos, nas interpretações distintas do Corão e demais diferenças doutrinais.O impacto dos eventos históricos e políticos contemporâneos são erroneamente descartados.

Em nenhum dos conflitos no oriente médio há só dois grupos definidos pela confissão religiosa.O intento de explicar de forma simples a violência por parte de alguns meios de informação a levado freqüentemente a reducionismos absurdos.Fonte: Chappatte (International New York Times).

As guerras que ocorrem no oriente próximo desde a 1.400 anos não são fruto de antipatias
sectárias, irracionais e intermináveis.Tais ódios não constituem o motor dos conflitos, mas sua consequência.O relato dos ódios remotos está baseado em conceitos errôneos, amplia inimizades sectárias e ignora os elementos geopolíticos e sociais e os interesses dos Estados do Oriente Próximo.

Esta teoria é herdeira do orientalismo clássico, que pressupõe que o oriental, o muçulmano, guia-se por sua identidade mais primária, a religião, em todos os aspectos de sua vida.Deste modo, os meios ocidentais tendem a buscar explicações étnicos e religiosos em conflitos que explodem por problemas socioeconômicos e políticos e que se espalham devido aos cálculos políticos interessados de potências exteriores.Os sírios não se levantaram contra Al Assad porque é alauíta nem o Irã saiu a seu resgate porque compartilham certas crenças.

A principal consequência dos relato dos ódios remotos é a construção em nosso imaginário de dois grandes blocos monolíticos e antagônicos constituídos por sunitas e xiitas.Não existem raízes nacionais, ideológicas, linguísticas ou socioeconômicas dentro destes dois grupos e pressupõe-se uma inimizade e um fervor religioso a indivíduos, à milícias e inclusive a países que na realidade carecem deles.

Rivalidade dentro da seita e alianças intersectárias

Em realidade, os países e milícias que os meios atribuem dentro do sunismo ou no xiismo não são nem comportam-se como blocos homogêneos e por utilizarem as duas seitas como as duas principais unidades de análises nas relações internacionais da região conduzirá a mais equívocos que a acertos.

Sunitas

Por um lado, o grupo sunita na realidade está repartido em três frentes visíveis.De entrada,a Wahabita Arabia Saudita exerce a liderança de um grupo de países que pretendem preservar o status quo regional.Junto a Riad caminham o governo secularista egípcio de Abdel Fatah al Sisi e as monarquias da Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.Entre suas prioridades figura dizimar o expansionismo iraniano onde ele surge.Por isso que derrubar Al Assad, um fiel aliado de Teerã, é um de seus principais objetivos.Ademais, esses países viram as revoluções árabes de 2011 como um grave desafio à sua hegemonia.

Não obstante, os partidários do statu quo devem lidar com rivais dentro de sua própria seita.O pequeno reino do Qatar a anos vem exercendo uma política exterior potente, porém flexível, que a levado a se unir com os islamitas da Irmandade Muçulmana e Turquia.Esse grupo, que em teoria é ideologicamente próximo ao islamismo da Arábia Saudita, envolve uma de suas maiores dores de cabeça.A diferença de seus vizinhos, o Qatar percebeu as malogradas Primaveras Árabes como uma oportunidade para estender sua influência.É por isso que celebraram a caída do regime de Mubarak no Egito e a ascensão ao poder do islamita Morsi.Seu contínuo apoio a agora deposta Irmandade Muçulmana egípcia trouxe em 2014 a pior crise entre as monarquias do golfo:Arábia Saudita, os Emirados e Bahrein retiraram seusembaixadores da capital do Qatar.

Líbia é um caso que evidencia as fissuras dentro do denominado bloco sunita.O país é esmagadoramente sunita, todavia encontra-se profundamente dividido e afundado em uma guerra civil desde as revoltas populares e a operação da Otan que derrubaram Kadafi em 2011.Atualmente, Líbia está dividida entre dois governos.Por umlado, os Emirados e Egito dão apoio a um executivo secular a leste,enquanto Turquia e Qatar apoiam a um governo de tribunal islâmico emTrípoli.Líbia é a prova de que o aumento da violência tem menos que ver com brigas sectárias do que com cálculos geopolíticos de países vizinhos.

Estas dissonâncias também se evidenciaram durante o golpe de estado contra Erdogan no verão deste ano.Arábia Saudita demorou 15 horas para condenar a ação do exército e alguns meios têm acusado aos Emirados de financiar os responsáveis do fracassado golpe.Enquanto o Irã, que há anos luta indiretamente com a Turquia na Síria, foi o primeiro país a condená-lo.

Finalmente, existe um terceiro grupo dentro do sunismo que em realidade está composto por centenas de organizações que minam a suposta unidade sunita.Trata-se das numerosas milícias jihadistas que, apesar de receberem apoio logístico ou financeiro por parte dos Estados sunitas, seguem considerando esses regimes ilegítimos.A relação entre os governos e os grupos jihadistas deve entender-se mais como de benefício mútuo e não baseada numa concepção similar de religião.O Estado Islâmico, por exemplo, dedica mais tempo e recursos a derrotar outros grupos rebeldes sunitas que a lutarem contra Al Assad.

Apesar dos evidentes sentimentos sectários que possuem, esses grupos são capazes de ações pragmáticas para perseguir seus interesses.Em2016, o ex-chefe dos serviços secretos israelenses admitiu que seupaís ajudou aos jihadistas da Frente AL Nusra, filial da Al Qaeda emSíria, e nas colinas de Golan.Esta assombrosa aliança obviamente não é baseada em um sentimento de afinidade, porém em interesses comuns, neste caso, arrebatar posições chaves à milícia libanesa Hezbollah, que combate junto ao governo sírio e envolve um dos maiores riscos para a segurança de Israel.

Xiitas

O denominado grupo xiita tampouco está isento de dissonâncias.Recentemente popularizou-se a expressão ‘’meia lua xiita’’ para se referir a aliança entre Hezbollah, Síria, Iraque e Irã.Embora certamente esses atores são estreitos aliados, os motivos dessa união não devem se buscar em simpatias dogmáticas.A coalizão original entre o regime laico, baathista e pan árabe da Síria com a teocracia persa do Irã nunca se á baseado no credo, mas que é herdeira da suposta ameaça comum do regime laico, baathista e pan árabe de Saddam Hussein.

A rivalidade entre Arábia Saudita e Irã que se espalha por todo oriente próximo não baseia-se em diferenças religiosas surgidas depois da morte de Maomé, mas nos interesses regionais opostos.Fonte: Kal (The Economist).

É comum também reduzir os alauítas ou os zaides a um ramo do xiismo, porém seus credos ortodoxos são bastante distintos do xiismo majoritário.Em realidade, as crenças dos alauítas tem permanecido ocultas durante séculos aos principais clérigos do xiismo.Não foi até 1948, quando os primeiros estudantes alauítas assistiram pela primeira vez a seminários religiosos na cidade iraquiana de Nayaf, centro da teologia xiita.Os alunos foram insultados e humilhados por suas crenças e, ao fim de pouco, a maioria deles voltaram à Síria.Recentemente um grupo de líderes religiosos alauíta emitiuum comunicado onde negavam sua condição de ‘’ramo do xiismo’’ com o objetivo de se distanciar do regime de Al Assad e do Irã.

Tampouco é estranho encontrar alianças entre grupos sunitas e xiitas que não se encaixam no molde do relato dos ódios remotos.Irã há décadas vem sendo o principal provedor do grupo islamico Hamas, e Al Qaeda e os Talibãs também colaboram com Teerã quando a sido necessário.Em Síria, grupos palestinos sunitas lutam junto com Al Assad e seu exército segue formado majoritariamente por sunitas; no Iraque várias tribos sunitas do oeste colaboram com Bagda para frear os terroristas do Estado Islamico.
Se bem é verdade que afinidades religiosas ou ideológicas podem ajudar na hora de costurar alianças e, sobretudo, justificá-las discursivamente, a geopolítica do oriente próximo segue regendo-se majoritariamente pelos interesses particulares dos estados.

Implicações políticas:um país para cada grupo étnico

Poderia parecer que o mito dos ódios remotos é simplesmente uma ocorrência devido a periodistas ou pretensos especialistas sem um conhecimento profundo da região, porém sua propagação não é inócua e tem consequências políticas.Bill Clinton, influenciado enormemente porum livro de Robert Kaplan, planejou a política estadunidense naguerra da Bósnia baseando-se na crença de que muçulmanos,católicos e ortodoxos massacram-se há séculos.Barack Obama também atua influenciado pelo relato dos ódios remotos entre sunitas e xiitas.Durante o último discurso sobre o estado da união, assegurouque parte da atual agitação no oriente próximo está ‘’originadaem conflitos de a milhares de anos’’ e em mais de uma ocasião manifestou sua preocupação pelos ódios entre países sectários.

A percepção de que os distintos grupos étnico religiosos não podem coexistir devido a ódios eternos é em primeiro lugar errônea e em segundo lugar perigosa.Por um lado, pretende negar qualquer suspeita de culpabilidade europeia e estadunidense sobre o estado atual da região.Dado que seguem lutando desde há milhares de anos, o apoio ocidental à ditaduras opressoras, a grupos rebeldes partidários de limpezas étnicas ou a calamitosa guerra do Iraque que oxigenou o sectarismo, não são responsáveis do estouro sectário atual.

Também, a consolidada imagem dos orientais como seres movidos por paixões étnicas e religiosas propensos a se matarem implica outra grave consideração: a corrente -crescente- opinião que pede que o mapa do oriente próximo seja redesenhado baseando-se nas fronteiras de seita.Desde a invasão do Iraque, mas especialmente depois das revoluções de 2011, tem-se popularizado vários mapas que pretendem redesenhar as fronteiras da região para assim salvá-los desses ódios étnicos.Numerosos políticos e especialistas defendem o desmembramento do Iraque* e Síria*, apesar de que tais pretensões secessionistas não figuram nas agendas dos grupos sunitas, xiitas e alauítas.Esses cartógrafos amadores culpam o acordo Sykes-Picot, que partiu as províncias otomanas depois da Primeira Guerra Mundial, por todos os males na região.Em suas opiniões, o grande erro das potências coloniais foi criar Estados ‘’artificiais’’ onde as seitas e outros grupos étnicos mesclavam-se, impossibilitandoassim a concepção de um estado homogêneo para a Europa*.O que muitos desses artigos esquecem de mencionar é que a criação do Estado-Nação europeu se baseia em séculos de limpezas étnicas e genocídios culturais para atingir tal nível de uniformidade.

Em 2016, um tenente coronel do exército estadunidense , Ralph Peters, publicou versão do que deveria ser a região argumentando que, ‘’sem esta revisão considerável das fronteiras não conseguiremos um oriente próximo em paz’’.No entanto recentemente, o New YorkTimes publicou um mapa onde cortava 5 países em 14 pedaços.


Proposta de Ralph Peters https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/7c/Ralph_Peters_solution_to_Mideast.jpg


É ilusório pensar que a única via para a paz na região é colocar cada grupo étnico em sua própria caixa, fechada e separada das demais.A história do Oriente Próximo está atormentada de violência dentro das mesmas seitas; você só precisa ver países como Argélia, Líbia e Egito, que, apesar de não terem minorias xiitas relevantes, possuem um passado recente com abundante violência.Este artigo não pretende argumentar que qualquer tipo de modificação de fronteiras na região é prejudicial nem nega a existência da violência sectária.Sua intenção é evidenciar o perigo de que as políticas ocidentais na região estão baseadas nos mesmos princípios orientalistas de cem anos atrás, que reduzem a identidade e os interesses dos atores da região ao sectarismo levando a um ponto absurdo.Paradoxalmente, o uso do prisma sectário conduz a políticas sectárias.Estabelecer cotas de poder confessionais, como no Iraque, ou fazer um país para cada etnia só implica a criação de novas minorias ao qual negaram-lhes a plena consideração de cidadãos por não pertencerem à nação.

Tradução: Elvis Braz Fernandes

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A Parceria Transpacífico (TTP): Economia e Guerra



A Parceria Transpacífico (TPP - Trans-Pacific Partnership) possui como objetivo minar a influência dos países do BRICS. Além disso, o tratado ameaça transformar-se no maior instrumento de influência das corporações multinacionais, não apenas na região, mas a nível mundial.


Nos Estados Unidos, chegou-se a um consenso para o estabelecimento da Parceria Transpacífico. É o maior acordo de livre comércio incluindo a América, Austrália e o sudoeste asiático.


Estas são as doze nações:

Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Estados Unidos, Vietnam.

É esperado que sua abrangência alcance um território habitado por 400 milhões de pessoas, representando 40% da economia mundial. O acordo é acompanhado por fortes críticas dos especialistas devido à atmosfera de mistério que o cerca. De fato, o texto do documento ainda não foi publicado.

O estabelecimento da Parceria Transpacífico foi feito em segredo. Ele inclui doze países dos dois lados do Pacífico. O centro, é claro, é ocupado pelos Estados Unidos da América, que busca fortalecer sua influência na região. Não é segredo que no mundo moderno a economia é um dos instrumentos utilizados para alcançar dominação geopolítica. Em primeira instância, o acordo da Parceria Transpacífico é um golpe desferido contra a China.

A Parceria Transpacífico está estabelecida como uma união econômica. No entanto, esse tipo de associação sempre traz implicações geopolíticas. Vamos entender porque foi necessário estabelecer associações naquela região. Doze estados, que entraram na parceria para formar um anel de abrangência transcontinental que se estende do polo Norte ao polo Sul. Incluindo 40% do comércio mundial. Oficialmente, os membros da parceria buscam a derrubada das barreiras comerciais. Porém, vamos observar quais são as consequências dessa união na esfera militar. Um passo importante na eliminação de barreiras – um espaço comum para a aviação civil. Para a comodidade dos voos livres é necessária a criação de uma zona identificada para a defesa aérea comum. Se isso ocorre, os americanos poderão mover-se secretamente pelo extenso espaço aéreo e atacar zonas internas da China, sem aproximar-se da costa do país.

Isso implica cortar os meios de expansão da China em direção ao Sul. Um envolvimento da Malásia na área onde os EUA dominam permite controlar o estreito de Malaca, que serve como rota comercial para a Europa e por onde passa o fornecimento de petróleo para o Japão. Portanto, a China é privada da oportunidade de tornar-se mais forte no pacífico. Finalmente, a Parceria Transpacífico é o próximo passo executado pelos Estados Unidos para ditar sua vontade à Eurásia, e é a chave para conseguir a hegemonia mundial. O controle direto não pode ser obtido nas circunstâncias atuais. O que resta é confiar na artimanha do isolamento. A mais de meio século atrás os americanos construíram uma zona de influência no atlântico e no mediterrâneo. Agora é hora de tentar limitar a Rússia na área do pacífico. Nesse sentido, um cordão é a figura ideal para tentar empurrar e encurralar alguém.

Barack Obama: “Nós precisamos fazer todos os esforços para que os Estados Unidos estabeleça os princípios da economia mundial. Afinal de contas, se não formularmos as regras do comércio internacional, quem o fará? Evidentemente, a China.”

A atmosfera de mistério pode ser explicada. De acordo com especialistas, o acordo irá inevitavelmente destruir o negócio americano, levará ao aumento do desemprego e fará com que os países participantes tornem-se reféns das corporações multinacionais. A história nos relata alguns precedentes. A visita de Nixon à China foi em 1972. Antes que os Estados Unidos tivessem a tarefa de transferir a disputa –que na época era frente à União Soviética-  em direção à China, seu antigo aliado geopolítico. Os americanos investiram energicamente na economia chinesa. O número de americanos empregados na indústria caiu de 25% do total de empregados para 17%. Vinte anos depois a situação ficou ainda pior. Os indicadores caíram para 10%. Isto resultou no encerramento do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio no começo dos anos 90. Muitas das industrias dos EUA transferiram-se para o Canadá e México. O mesmo está acontecendo agora. Porém, na zona de comércio não há apenas um país ou dois, mas doze países. Os EUA sacrificando os interesses de seus próprios cidadãos para satisfazer as ambições geopolíticas de companhias multinacionais.

“O governo dos EUA é uma marionete, que está a favor e serve àqueles que possuem o dinheiro. Os principais acionistas do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos. Esse acordo, que legaliza a posição privilegiada e os direitos das corporações multinacionais, que, se acordo iniciar-se, irão ditar seus termos aos países.”

A aliança econômica tem como objetivo minar a influência dos países do BRICS, especialmente China, Rússia e Índia. O histórico pacto entre os países do Círculo do Pacífico demonstra o quanto a Índia –apesar de seus esforços para modernizar e abrir sua economia, a terceira maior da Ásia- acabou ficando para trás de seus vizinhos no que diz respeito à derrubada de barreiras comerciais.

A Índia ficou de lado enquanto ocorriam as longas negociações das doze nações que compõem a Parceria Transpacífico, ao mesmo tempo em que as autoridades do país focaram-se em promover outras parcerias comerciais. E ainda, um tratado de investimento entre os EUA e a Índia avançou timidamente enquanto os dois países discutiam à respeito dos direitos de propriedade intelectual e acessibilidade de mercado. Um acordo de livre comércio ficou estagnado por anos, com ambas as partes relutantes em abrir seus mercados agricultores.

À medida que seus maiores parceiros comerciais juntaram-se em blocos com tarifas reduzidas, a Índia arriscou-se a ficar isolada dos principais mercados em um momento em que o Primeiro Ministro Narenda Modi tenta acelerar o crescimento econômico e integrar o seu país nas redes de fornecimento globais.

Além disso, o acordo comercial ameaça tornar-se o maior instrumento de influência de corporações multinacionais, não apenas na região, mas também à nível mundial.

A razão pela qual o povo desses países ditos “democráticos” não saberá dos termos, até que quatro anos tenham se passado nesse acordo secreto, que seus governos assinaram, é que eles terão assinado para autorizar as corporações multinacionais a processar os seus respectivos governos (os pagadores de impostos), potencialmente por cifras assustadoras. Não em uma corte jurídica democrática na qual o público tenha elegido os juízes ou elegido as pessoas que apontariam os juízes. Ao invés disso, serão eleitos três árbitros, selecionados de acordo com algo chamado de “convenção CIADI”, e “a convenção CIADI estabelece que a maioria dos árbitros não deve compartilhar a nacionalidade das partes que discutem a causa” – em outras palavras: a maioria dos árbitros será de origem estrangeira; todos os árbitros, com exceção de um, serão escolhidos por corporações multinacionais, e o árbitro que não for escolhido por estes, não será necessariamente escolhido pelo país em a empresa está estabelecida. De qualquer maneira, apenas um dos árbitros poderá possivelmente ser escolhido pelo país em que a empresa está estabelecida.

Se o árbitro não corporativo acaba sendo selecionado por um país estrangeiro, então o país que disputa a causa não será representado em todos esses processos, que podem estabelecer multas que irão impactar profundamente a nação processada e enriquecer a corporação à frente do processo. Isso não significa necessariamente que a multa, se houver, será maior do que ela deve ser, mas simplesmente que não há contabilidade democrática no processo de determinar qual multa será imposta ao país processado.

Ademais, as decisões tomadas nesse cenário, diferente das decisões dos tribunais -nas quais é possível recorrer à sentença- não serão passíveis de recurso.

Além disso, nessa Parceria do Transpacífico nenhuma nação irá possuir o direito de processar qualquer corporação multinacional, enquanto estas podem, no proceder do acordo, processar unicamente a um governo nacional.

Finalmente, através da criação da Parceria Transpacífico o governo dos EUA está matando dois coelhos numa cajadada só. Por um lado, ele permite que as multinacionais estejam unidas por tempo indeterminado à elite americana. Por outro lado, tenta manter seu lugar como hegemonia global. Liberalismo americano requer sacrifício. E as vítimas são pessoas comuns, como as que saíram para protestar em todos os estados dos EUA, do Oregon à Carolina do Norte. 

Traduzido por Maurício Oltramari, via Katehon

domingo, 6 de setembro de 2015

Jihadistas chechenos deixam Síria e juntam-se a Kiev


 Não é de se surpreender: jihadistas do Estado Islâmico, grupo terrorista financiado pelos Estados Unidos e que saiu do controle de seus tentáculos (aqui, aqui e aqui), e que se opõem à Rússia nos confrontos chechenos, estão saindo da Síria e rumando para a Ucrânia (cujo governo também é financiado pelos Estados Unidos), onde se supõe com isto uma reunião de forças por parte da OTAN em uma possível Terceira Guerra Mundial. Com o exército de Assad tomando controle do território sírio, os terroristas são realocados para outro ponto de atuação: governo de Kiev, ou o Praviy Sektor, batalhão neonazista também financiado pela OTAN, e que também está saindo de controle do governo de Kiev. A reportagem abaixo se trata de uma entrevista a um terrorista jihadista que fala um pouco sobre o deslocamento de forças islâmicas para lutar pelo Ocidente, por aqueles que supostamente desejam destruir.
"Morte separatista", escrito na faca
 [Anna Nemtsova para o Daily Beast]Um batalhão de combatentes do Cáucaso é entregue a Kiev na Guerra da Ucrânia. Contudo, a sua presença pode causar mais estrago do que auxiliar.

MARIUPOL, Ucrânia – Apenas a uma hora de distância dessa cidade sitiada, em um antigo resort localizado no mar de Azov*, que hoje é uma base militar, militantes da Chechênia – veteranos jihadistas em suas próprias terras e, mais recentemente, na Síria – agora servem no que é chamado de Batalhão Xeique Mansur. Alguns deles afirmam terem sido treinados, pelo menos, no Oriente Médio junto a combatentes do conhecido Estado Islâmico, ou EI.

Em meio às forças desiguais que se alistaram na luta contra os separatistas da região oeste da Ucrânia, Donbass, apoiado pela Rússia, poucos são mais controversos e mais nocivos para a reputação da causa que eles dizem querer servir. O Presidente russo Vladimir Putin adoraria apresentar os combatentes que ele apoia como cruzados enfrentando perigosos jihadistas, ao invés do governo Ucraniano que pretende integrar intimamente o país com a Europa Oriental.

Ainda assim, muitos ucranianos patriotas, desesperados para conquistar terreno na luta contra as forças apoiadas pela Rússia, estão dispostos a aceitar os militantes chechenos para seu lado.

Ao longo do último ano, dezenas de combatentes chechenos cruzaram a fronteira da Ucrânia, alguns de maneira legal, outros de maneira ilegal, e em Donbass encontraram-se com o Pravyi Sektor, uma milícia de extrema-direita. Os dois grupos, com dois batalhões, possuem muito pouco em comum, mas eles compartilham um inimigo e compartilham essa base.

O Daily Beast conversou com os militantes chechenos sobre o seu possível apoio ao Estado Islâmico e os seus afiliados no Norte do Cáucaso, que agora é chamado de Estado Islâmico e Emirado do Cáucaso e é considerado uma organização terrorista tanto pela Rússia quanto pelos Estados Unidos.

Os combatentes chechenos declararam-se motivados com a chance de lutar contra os russos na Ucrânia, a quem eles chamam de “invasores do nosso país, Ichkeria”, outro termo para designar a Chechênia.

De fato, eles estavam aborrecidos com as autoridades ucranianas por não terem permitido a entrada de mais militantes chechenos vindos do Oriente Médio e das montanhas do Cáucaso. O batalhão Xeique Mansur, fundado em outubro de 2014, “precisa de reforços”, eles afirmam.

O homem que os chechenos deferem como o seu “emir”, ou líder, é chamado “Muslim”, um nome de batismo comum no Cáucaso. Ele relatou como cruzou a fronteira ucraniana no ano passado: “Levei dois dias para atravessar a fronteira ucraniana, e as autoridades que controlam a fronteira atiraram em mim,” ele disse. Ele vive tranquilamente nessa base militar, mas está indignado porque um número maior de seus recrutas não pode chegar até ali. “Três dos nossos chegaram vindos da Síria, e quinze ainda estão esperando na Turquia” ele disse ao Daily Beast. “Eles querem abraçar o meu caminho, querem juntar-se ao nosso batalhão agora mesmo, mas as autoridades que patrulham a fronteira ucraniana não estão deixando que eles entrem”.

Muslim mostrou um pedaço de papel com o nome de outro checheno que está vindo juntar-se ao batalhão. O bilhete escrito à mão relata que Amayev Khayadhzi foi preso na Grécia no dia 4 de setembro de 2014, e agora poderia ser deportado para a Rússia. (na Grécia, o advogado de Khayadhzi contou ao Daily Beast via telefone que há uma chance de seu cliente ser transferido para a França, onde está sua família).

“Outros dois amigos nossos estão presos e ameaçados de deportação para a Rússia, onde eles ficariam presos por toda a vida ou seriam mortos por Kadyrov”, Muslim contou ao Daily Beast, referindo-se ao aliado de Putin e presidente da Chechênia, Ramzam Kadyrov.

O comandante apontou a um jovem militante próximo a ele: “Mansur veio para cá da Síria”, disse Muslim. “Ele utilizou o EI como base de treinamento para aprimorar as suas habilidades em combate”. Mansur esticou a sua mão direita, que estava desfigurada, segundo ele, por um ferimento de artilharia. E outros dois projéteis continuam cravados em suas costas, ele relatou.

“Sem fotografias”, Mansur sacudiu negativamente a sua cabeça quando um jornalista tentou tirar uma foto sua. Nem de sua mão, e nem de costas: “Minha religião não permite isso”.

De fato, para demonstrar que são perigosos, armados, e que seu número estava crescendo, esses chechenos postaram uma fotografia na rede social russa Vkontakt, que em realidade é controlada pelo governo russo. Porém, muitos deles tiveram seus rostos censurados, provavelmente para evitar processos, seja na Rússia ou no Ocidente.

“Kadyrovtsy [Kadyrov] conhece meu rosto e minha mão muito bem”, Mansur explicou ao Daily Beast.

Mansur disse que não teve de correr ao longo da fronteira sendo alvejado por balas como Muslim. “Nós conseguimos chegar a um acordo com os Ucranianos”, ele relatou.

A chegada de combatentes chechenos pró-Ucrânia do estrangeiro ajudou a aliviar os problemas de imigração dos chechenos já residentes na Ucrânia, os militantes explicaram.

Kadyrov enviou alguns de seus chechenos para lutar no conflito ao lado dos russos no ano passado, disse Muslim, e como resultado “havia um risco temporário de algumas famílias chechenas serem deportadas da Ucrânia... mas desde quando nós começamos a chegar aqui em Agosto do ano passado, nenhum checheno vivendo na Ucrânia teria razões para reclamar”.

Os ex-combatentes da Síria estavam indo para a Ucrânia porque estavam desapontados (ou horrorizados) pela ideologia do EI?

“Nós estamos lutando contra a Rússia há mais 400 anos; hoje eles [os russos] explodem e queimam vivos os nossos irmãos, juntamente com suas crianças, então aqui na Ucrânia nós continuamos lutando nossa guerra,” disse o comandante. Muitos chechenos hoje na Ucrânia relembraram a guerra da Chechênia nos anos 90 como uma guerra pela independência, que foi reconhecida por um breve período, e depois revogada.

Desde então a guerra no Cáucaso transformou-se em terrorismo, vitimando aproximadamente mil civis, muitos deles crianças, em uma série de ataques terroristas. E independentemente do inimigo em comum, isso se apresenta como um sério problema para Kiev, se ela aceitar receber esses combatentes.

“O governo ucraniano devia estar ciente de que os islâmicos radicais lutam contra a democracia,” diz Varvara Pakhomenko, uma especialista do International Crisis Group. “Hoje eles aliam-se com os nacionalistas ucranianos contra a Rússia, amanhã eles estarão lutando contra os liberais.”

Pakhomenko disse que algo similar aconteceu na Geórgia em 2012 quando o governo de lá foi acusado de cooperação com radicais islâmicos da Europa, Chechênia, e do Pankisi Gorge, uma região habitada por chechenos na Geórgia.

Para os observadores internacionais cobrindo o terrorismo na Rússia e no Cáucaso nos últimos quinze anos, a presença de radicais islâmicos na Ucrânia soa de maneira “desastrosa”, disseram ao Daily Beast os membros do International Crisis Group.

Não obstante, muitos ucranianos e oficiais em Mariupol apoiam a ideia de contratar mais milicianos chechenos. “Eles são guerreiros corajosos, prontos para morrer por nós, eles são amados, e da mesma maneira serão todos aqueles que nos protegerem da morte,” relatou Galina Odnorog, um voluntário que abastece os batalhões com equipamento, água, comida e outros itens. Na noite anterior as forças ucranianas contabilizaram seis soldados mortos e mais de uma dúzia de feridos.

“EI, terroristas – qualquer um é melhor do que nossos líderes preguiçosos,” disse Alexander Yaroshenko, deputado do conselho legislativo local. “Eu me sinto mais confortável ao redor de Muslim e seus rapazes do que com o nosso prefeito ou governador.”

O batalhão do Pravyi Sektor, que coopera com os militantes chechenos, é uma lei em si mesmo, no que diz respeito às suas ações, e frequentemente está fora de controle, tendendo a incorporar qualquer um em suas fileiras, de acordo com a própria vontade. Em julho, duas pessoas foram mortas e oito ficaram feridas em uma batalha entre a polícia e o Pravyi Sektor, houve troca de tiros e granadas. Na segunda-feira, militantes do Pravyi Sektor provocaram batalhas nas ruas do centro de Kiev, deixando três policiais mortos e mais de 130 feridos.

Ainda assim, o governo de Kiev está considerando a transferência do Pravyi Sektor para uma unidade especial do SBU, o serviço de segurança ucraniano, o que fez com que muitas pessoas questionassem se a milícia chechena irá juntar-se às unidades do governo também. Até agora, nem o batalhão do Pravy Sektor nem o batalhão de milicianos chechenos estão registrados com as forças oficiais.

Na Ucrânia, que continua perdendo dezenas de soldados e civis toda semana, muitas coisas podem sair fora do controle, mas “seria inimaginável permitir que os atuais e os ex-combatentes do EI viessem a participar de qualquer unidade controlada ou apoiada pelo governo” diz Paul Quinn-Judge, principal conselheiro do International Crisis Group na Rússia e na Ucrânia. “Seria politicamente desastroso para a administração de Poroshenko: nenhum governo Ocidental em sã consciência aceitaria isso, e seria um enorme presente para a propaganda do Kremlin. O governo ucraniano estaria melhor servido promovendo as suas decisões para encaminhar o EI de volta para a fronteira”.

*N.T. – A autora refere-se ao tempo do trajeto percorrido de carro entre os dois lugares.

Traduzido por Maurício Oltramari e revisado por Portal Legionário