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sábado, 6 de julho de 2019

Benoist: '[ideologia de gênero] visa converter masculinidade em condição patológica'


Entrevista com Alain De Benoist, por Nicolas Gauthier (Elmanifiesto)

O feminismo de antes lutava para promover os direitos das mulheres. O atual neofeminismo passou a negar as próprias noções de masculinidade e feminidade. Como explicar esta transformação?

Produziu-se em dois tempos. Em um primeiro momento, as feministas de tendência universalista (as que concebem a igualdade como sinônimo de mesmidade) quiseram mostrar que as mulheres são "homens como os demais". Tratava-se, por exemplo, de provar que não há qualquer tarefa reservada por natureza a um ou outro sexo, que pode haver mulheres soldados, mulheres pilotos de avião etc. Por que não? Mas evidentemente, se deixa de haver "tarefas de homens", todas as tarefas se convertem em unissexuais. Ao mesmo tempo, se exigia paridade em todas as áreas, pressupondo que ambos os sexos têm não apenas as mesmas capacidades, mas também os mesmos desejos e aspirações. Este requisito se estendeu gradualmente até o absurdo, embora não abundem mulheres de caminhão de lixo e homens parteiros! Claro, a falta de paridade apenas se mostra chocante quando se exerce em benefício dos homens: que a magistratura esteja feminizada em 66% (mais de 86% entre os jovens de 30 a 34 anos), que o pessoal da Educação Nacional esteja em 68% (82% no ensino primário) não provoca o mínimo protesto. Quando hoje se assiste a um filme policial, é até difícil imaginar que também existam homens na polícia nacional!

As coisas pioraram com a ideologia de gênero, que, negando que o sexo biológico seja um fator determinante na vida sexual, faz dele uma "construção social" e o opõe à multiplicidade de "gêneros". A ideia geral aqui é que ao nascer, todo mundo é mais ou menos transexual. Tu já terás notado a importância do "trans" no discurso LGBTQI+: embora os verdadeiros transexuais são apenas uma minoria, o uso da visão do mundo queer torna possível afirmar que estão todos em todo lugar e vice-versa. Às crianças de quatro ou cinco anos se diz que podem eleger seu "gênero" como melhor lhes parece.

Assim, pois, se nega as noções de masculinidade e feminidade, mas ao mesmo tempo, sob a influência da correção política, se ressuscita constantemente o masculino para pô-lo no pelourinho. Por um lado, se afirma que o biológico não determina absolutamente nada, enquanto que, por outro lado, se afirma que o homem é por natureza um estuprador em potencial e que o patriarcado (a "cultura do estupro") está de alguma maneira inscrito em seus genes. Contesta-se a ideia do "eternamente feminino", mas se essencializa o macho com o argumento de que sempre fora agressivo e "dominante".

Então nos dirigimos para uma desvalorização geral da masculinidade?

Sim, inclusive cabe dizer que se declarou guerra contra o cromossomo Y. Não apenas deve-se perseguir o "sexismo" até suas manifestações mais inócuas, já que haveria continuidade de "assédio" e "feminicídio", mas que se deve fazer todo o possível para conseguir que os homens renunciem a sua hombridade -- ao que agora se chama de "masculinidade tóxica". Ontem as mulheres queriam ser "homens como os demais"; hoje são os homens os que devem aprender a se converter em "mulheres como as demais".

A masculinidade se converte em uma condição patológica. Nova significação orwelliana: o homem é uma mulher (Deus também, sem dúvida: lésbica, inclusive). Portanto, os homens devem se feminizar, deixar de se "comportar como homens", como uma vez se lhes recomendava no passado, dar rédea solta às suas emoções (recomenda-se que chorem e gemam), sufocar o gosto pelo risco e pela aventura, encantar-se pelos produtos de beleza (o que compraz muito o capitalismo e a sociedade dos propulsores de carrinhos de bebê), e sobretudo -- em especial -- nunca considerar as mulheres como um objeto de desejo. E esta é uma nova versão da guerra dos sexos, em que o inimigo é chamado a se redimir, desfazendo-se de sua identidade.

O que as sabichonas (marisabidillas) da escritura inclusiva e as amazonas do girl-power exigem agora são homens que se unam com a "interseccionalidade" das lutas "anticoloniais", que comunguem em uma virtuosa devoção com as "vencedoras" do futebol feminino, que militem pela "ampliação da visibilidade das sexualidades alternativas" e se mobilizem contra a "precariedade menstrual", esperando sem dúvida em converter-se em um generalizado conjunto andrógino em um mundo transformado em gineceu regido por Big Brother, o Estado terapêutico prescritor de condutas. Basta de "cisgêneros"! Um passo aos "não-binários", aos "gêneros fluidos" que conseguiram se extrair dos estereótipos do universo "heterocêntrico"!

Esta é a razão pela qual nossa época não gosta de heróis e prefere as vítimas. Veja como, durante as cerimônias do fim do centenário da Primeira Guerra Mundial, tentou-se "desmilitarizar" o evento, celebrando o "retorno à paz" para não ter que falar de vitória. Como se os poilous[1] quiseram apenas acabar com as guerras, sem se preocupar de quem terminaria vencendo a guerra! Do que não há dúvida é de que as classes trabalhadoras admiram espontaneamente o heroísmo de um coronel Beltrame ou o dos comandos mortos em Malí, Cédric de Pierrepont e Alain Bertoncello. O espírito da época, ao contrário, pede que nos reconhecemos no travesti Bilal Hassani, "representante da França" no Eurovision e titular do "prêmio LGBTI" do ano. Não se trata exatamente da mesma humanidade.

Tu falas da desvalorização do heroísmo. Mas então, como explicar a moda cinematográfica dos "super-heróis"? É uma forma de compensação?

Sem dúvida, mas não é o essencial. Deve-se ter em conta que, na verdade, o super-herói não é nenhum herói exponencial, mas que nele se inclui todo o oposto do herói. O herói é uma figura trágica. É um homem que elegeu ter uma vida gloriosa, mas breve, ao invés de uma vida cômoda e medíocre. O herói é um homem que sabe que um dia ou outro terá que dar sua vida. Não há nada disso em Iron Man, Superman, Spiderman e outras tristes produções de DC ou Marvel. Não são heróis porque são invencíveis, não sente o mínimo medo, não há nada de trágico neles. São super-homens, mas de um ponto de vista da testosterona. Não são, estritamente falando, nada além de "homens incrementados", tal como se imaginam os defensores do "sobre-humanismo". Estamos a mil léguas de Aquiles ou de Siegfried.

[1] Literalmente, "os peludos", como se denomina na França os soldados franceses da Guerra Mundial.

Tradução: Álvaro Hauschild

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Bitcoin, a nova ferramenta de opressão econômica

Recentemente ganhou destaque entre os meios virtuais e revistas sobre assuntos econômicos uma moeda digital conhecida por bitcoin, que dispensa a gerência de instituição financeira por usar um banco de dados distribuídos e permite transferências anônimas. Esse tipo de virtualização monetária vem ganhando adesão em especial nos meios libertarianistas, uma vez que não há intervenção governamental na emissão e nas políticas monetárias. Mas na prática existem muitas implicações econômicas, sociais e políticas muito mais sérias do que meras "liberdades" de transações.



De natureza instável quanto ao câmbio, era cotada em março de 2013 a US$ 37,00, sendo cotada em novembro de 2013 a US$267,00, e a mais de US$ 1.000,00 do início de dezembro (Atualização: com queda de US$ 300,00 no dia 07/12). Porém sua oferta tende a 21 milhões com o passar do tempo, conforme o pré-definido pelo protocolo bitcoin. Mas assim como sua cotação dispara, também ocorrem quedas bruscas de valor.

Para o Economista E. J. Fagan, transações na moeda eletrônica facilitam operações de lavagem de dinheiro, num mercado de bilhões de dólares. Fragan ainda alerta que não apenas delinquentes, como também traficantes de drogas, de armas ou donos de cassinos podem recorrer a tal moeda para realizar suas operações ilegais.

A moeda tem fama no meio virtual como meio preferido de pagamento para fins como trafico de armas, drogas, contrato de assassinos de aluguel e outras atividades criminosas, como o mercado negro online Silk Road.

Uma pesquisa liderada por um ex-funcionário do FMI demonstra que as operações financeiras nesse tipo de moeda virtual agravariam significativamente a desigualdade e a concentração de riquezas. Ainda mais se levado em conta que grande parte da oferta da moeda se encontra sob poder de interesses especulativos, que apostam na hipervalorização com esperança de que no futuro seja aceita como as moedas atuais (Euro, Dólar, Real, etc).

O meio libertario argumenta a favor da bitcoin pelo simples fato de que não precisa da gerência de uma instituição central para regulamentar e emitir a mesma, porém é constatável que se trata de mais uma estratégia de desnacionalização das economias, incentivo a atividade especulativa, concentração de poder aquisitivo (uma vez que tal moeda é gerada a partir da "garimpo" feito por computadores, o que demanda enorme poder de processamento, e que se torna mais difícil com o passar do tempo).

De certo nem todos os interessados no uso de tal moeda tenham por objetivo atividades questionáveis. Provavelmente  tal moeda vem se mostrando como alternativa deus ex machina, principalmente frente a turbulências econômicas no plano internacional, e em detrimento de outras alternativas, como moeda lastreada (o que Gadaffi tentou implantar antes de seu país ser invadido por terroristas com o apoio da OTAN) ou moedas locais.


Ver mais em RT, RT en Español, Business Insider, Business Insider link 2

segunda-feira, 25 de março de 2013

Estudo revela extrema desigualdade econômica nos Estados Unidos

Estudio revela extrema desigualdad económica en EE.UU. 
Os super-ricos nos Estados Unidos representam 0,019% da população e estão concentrados em meia dexena de cidades americanas, revelou um relatório do Martin Prosperity Institute.

Em setembro de 2011 o movimento de manifestação popular Occupy Wall Street ganhou notoriedade ao denunciar a extrema desigualdade causada por 1% dos habitantes: as grandes corporaç~oes e bancos com maiores ativos.

No entanto, os números atualizados indicam que a cifra é ainda menor. Os indivíduos com valores financeiros ou fortunas igual ou maiores que 30 milhões de dólares são 60657 pessoas, entre uma população de 315 milhões.

Quanto a repartição metropolitana, estes grandes capitais está em Nova York, São Francisco, Los Angeles, Chicago, Houston, Washigton DC e Dallas.

Uma cifra recorde de 42,2 milhões de estadunidenses caiu no último novembro para o programa federal de auxpilio aos pobres, que reparte selos com direito a comida subsidiada, segundo utro estudo do fórum Sunlight Foundation.

A mesma organização calculou que uma pessoa integrada ao programa chamado Food Stamps pode dispor de um orçamento adicional de 2 dólares (o custo de uma xícara de café) para comprar sua janta.

O uso de bonos para alimentos disparou nos Estados Unidos desde o colapso do sistema financeiro há cinco anos. Segundo o Departamento de Agricultura, esta opção aumentou 70% desde 2007 e não diminuirá até que caiam os número aumentó en 70 por ciento desde 2007 y no disminuirá hasta que caigan los números del desempleo.

Segundo a Sunlight Foundation, o plano chamado oficialmente de Programa para Assistência Nutricional Suplementária significa um gasto anual de 72 bilhões de dólares, que se somam ao já enorme déficit nacional.

Apesar de ajustes positivos desde dezembro no panorama industrial, a macroeconomia nacional segue lidando com um exército de quase 15 milhões de desempregados e subemgrados e mais de 40 milhões de famílias com baixa renda.