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sábado, 18 de julho de 2015

Gogol e o Mundo Russo


Nikolai Gogol não é um escritor muito bem conhecido no Ocidente. A imagem dele se adquire em fontes em inglês - Wikipedia e introduções à traduções de sua ficção - é um escritor talentoso, mas não realizado. Um nacionalista cripto-ucraniano apesar de nunca escrever em Ucraniano, mesmo quando escrevia em casa para sua mãe. Um religioso fanático até o fim de sua vida e finalmente, ridiculamente, talvez um homossexual. Sua ficção é pouco apreciada, desesperadamente mal interpretada e superficialmente analisada, e seu pensamento fora disso é quase desconhecido.

Mas Gogol teve muito a dizer. Sobre Deus, sobre a Santa Igreja, Rússia, Europa, iluminismo, futuro. Estes temas o dominam e preocupam inclusive em sua ficção.

Sem tentar um estudo exaustivo de seu pensamento com constante referência ao seus escritos sobre todos os temas enumerados, eu gostaria de comentar sobre ele, desenvolver seu pensamento no contexto dos nossos dias que temos diante de nós, e fazer precisamente porque seus insights são tão vivamente relevantes agora.

Gogol viveu com seus olhos no futuro esperando pelo melhor. Não, como muitos frequentemente, com eles fixados sobre o que é comumente apenas uma caricatura auto-maquinada do passado e realçar o pior. Muito do que ele disse é assim. Muito do que ele antecipou aconteceu. E nós podemos investigar em que ele esperou de melhor.

O que eu escreverei parecerá ingênuo. Sejamos ingênuos. Se fôssemos um pouco mais seriamos todos muito mais felizes.

***

Русь! Русь!
. . .Что пророчит сей необъятный простор?
 Здесь ли, в тебе ли не родиться беспредельной мысли,
когда ты сама без конца?
[Russ! Russ!
... O que a vasta extensão prevê para ti?
Por acaso ela não nasce dos pensamentos infinitos,
já que tu mesma é infinita?]

Você fez seu voo nos bons tempos e a taça de champanha que brilhou no salão incandesce dentro de você enquanto você se acomoda. Lembra como soou quando foi derramada? Você pôs sua bolsa em cima, caminhou para seu assento na janela e se afundou na almofada. Desliga seu telefone. Por acaso a aeromoça não é bonita? É sim.

Quando chega em Moscou no Aeroporto Internacional de Sheremetievo há duas capelas para escolher na qual rezar. Depois que você fez o sinal da cruz pela última vez e beijou as portas na saída - você pode querer pegar o trem. E então quando você o pega você pode ligar o rádio e ouvir a vida dos santos e a história da Santa Russ.
Processão em São Petersburgo

Quando chega ao apartamento do seu amigo ou faz o check-in no hotel, você pode querer ligar a televisão por apenas uma hora, ou mais, antes de tomar banho. E você encontrará documentários que exploram frequente e excelentemente os assuntos ortodoxos. Uma novela em torno de um ícone. Um seriado de televisão sobre a Guarda Branca.

Mas não se acomode tanto. Você não pôde dispor que o hotel e seu amigo pudessem assistir 1612, um filme esplêndido sobre a derrota dos invasores poloneses vindos de fora da Moscou Ortodoxa.

A Rússia é hoje um país ortodoxo. A Federação Russa é o maior pode ortodoxo no mundo hoje.

Aproximadamente 7 a cada 10 russos são ortodoxos. De acordo tanto com o Centro Levada como com o Patriarcado de Moscou, o número aumenta.

Ícones retornaram, templos e mosteiros são restaurados, novas igrejas são construídas - em um ritmo de quase 1 por dia.

A educação religiosa está aumentando, e o comparecimento no Domingo está melhor a cada ano.

E isto é apenas o começo. Quais são as possibilidades?

Eu não pergunto o que podemos esperar, já que expectativas aqui estão fora de lugar. A convicção religiosa considera a livre consciência dos indivíduos. 50 anos antes da Revolução de Outubro ninguém poderia esperar o erguimento do comunismo soviético. E ninguém que viu a Revolução pôde esperar o milésimo Aniversário de Batismo da Russ. Possibilidades, na Rússia, são o que podemos pensar de melhor. A troika de Gogol, escancarando bocas em espanto na medida em que toma um caminho, apesar de tudo, pode prever. Mas as possibilidades, pelo menos, como eu disse, podem ser consideradas. Eu gostaria de focar em uma.

Suponha, conceda, imagine que a Santa Ortodoxia continue rapidamente satisfazendo as mentes, os corações e as almas de cada vez mais pessoas russas nas próximas décadas. Quais são as possíveis consequências e implicações geopolíticas disso? Eu tenho três que penso serem dignas de análise.

1. Unidade, cooperação e mente comum da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, pelo menos em nível público e não no político (no caso de Kiev: quase certo que não neste último caso). Ou seja, o mundo russo (Русский мир).

2. Monarquia ortodoxa como uma viva possibilidade, pelo menos na Federação Russa.

3. Monarquia ortodoxa como modelo de governo, e ainda mesmo se não ressurgir a monarquia ortodoxa, um competidor em alguns lugares: uma alternativa à democracia liberal do Ocidente. Nestas instâncias onde um tal modelo de governo pode ser alternativa viável, este será o mundo ortodoxo (Православный мир).

Estou perfeitamente consciente e igualmente confortável de que todas as três possibilidades acima não serão consideradas boas por muitos leitores. Muitos descartam a primeira como sendo uma corrente tão fraca que não será capaz de aguentar o fardo de quaisquer esperanças. A segunda até mesmo Vladimir Vladimirovich publicamente descartou como impraticável. A terceira é material de imaginação da Rússia contemporânea, da postura do Estado e do orgulho histórico.

Mas depois da reação reflexiva, que eu generosamente permiti a você, pensemos um pouco sobre se haverá ou não algo do tipo.

Eu não quis tratar as três sistematicamente ou ainda necessariamente em ordem. Apenas tudo que eu disse circulará em torno de um ou outro de todos os três pontos.

***

É sobre o primeiro ponto que Gogol tem algo a nos dizer.

Gogol viveu em um Império Russo em que a Grande Rússia, a Pequena Rússia e a Rússia Branca estiveram unidas pela fé, pela esperança e pelo amor. Depois do colapso da URSS surgiram os nacionalismos e países surgiram - Federação Russa, Ucrânia e Bielorrússia. Mas nenhum amontoado de votos pode alterar a história. Ainda há uma cultura e uma memória comum. O termo cunhado para isto é o Mundo Russo.
Maly Kitezh, por Ilya Glazunov

A Russ que se tornou Império Russo tem seu início na conversão do Grande Príncipe Vladimir cuja capital foi Kiev, mãe de todas as cidades russas cuja fé cristã ortodoxa foi herdada de Bizâncio.

Nossos ancestrais fora batizados na água viva de Dnieper - a Dnieper que flui através da Ucrânia, da Rússia e da Bielorrússia. É isto que une a maioria dos russos, ucranianos e bielorrussos, e que pode unir todos nós de um modo que nem mesmo o nacionalismo estatal pode (nota: o nacionalismo estatal é um nacionalismo baseado na fidelidade ao Estado muito antes do que à etnia).

Há uma Russ histórica que é a fonte compartilhada e história comum de todos os três países contemporâneos - e há uma Igreja Ortodoxa Russa da qual a maioria em todos os três países são filhos e filhas.

Quem não notou que as fronteiras e a pronúncia importa menos para os dois povos ortodoxos? Em minha experiência, como Gogol foi um descendente de ucranianos, encontrei pessoas da Rússia que não enxergam diferença alguma entre mim e eles, mesmo com meu sobrenome rústico derivado de algum grão. (nota: o próprio nome Gogol é estranho o suficiente).

Então encontrei pessoas que têm um respeito "legal demais" por Deus, o epítome de russos que têm certeza de que eu sei que minha família não vem da Federação Russa, e que gracejam a minhas custas sobre a suposição de que as bocas ucranianas estão cheias apenas de linguagem chula, vodka ou varenniki. Nós os vemos como se fossem um centímetro maior que um bonobo em nosso desenvolvimento mental.

A mais sincera e séria está na Fé Ortodoxa, quanto mais eles conhecerão sobre a história da Santa Russ. Mais familiar com a vida dos santos e histórias de monastérios, locais de catedrais e templos. Espalhadas por todos os três países, mais inclinados ficamos a visitá-los. Quanto mais contato, mais unidos e menos pessoas estrangeiras serão uns aos outros.

A Santa Ortodoxia é o único poder unificador deixado por um momento antes que fôssemos "outros" uns para os outros. Tomados em conjunto com o fato de que o ensinamento da Igreja é inteiramente amor, bondade, não julgamento, harmonia de espírito, pureza de alma e balanço da mente. Supondo que por isto é que russos, ucranianos e bielorrussos estarão trabalhando ao alcançar e tentar seu melhor na prática. Ou até mesmo com estas coisas incansavelmente mantidas diante deles na vida e na devoção à Igreja. Paz, estabilidade e cooperação seriam consequências bem-vindas.

A Santa Ortodoxia é supra-racional. Os políticos e oligarcas não podem se opor ao inevitável. Unidade. E se o governo nesses países é representativo, a política virá para refletir isto.

A unidade do Mundo Russo hoje se estende a uma Fé compartilhada, a um calendário, uma cultura e uma história em comum. É possível que haja um nível ainda superior de unidade, um caminho aberto pela Santa Ortodoxia com destino à esta unidade?

Via souloftheeast

sábado, 27 de julho de 2013

Bielorrússia: 1 por cento de desemprego graças ao controle estatal da economia

No contexto de uma crise econômica sem precedentes na Europa, com altos índices de desemprego, demissões em massa tanto no setor privado quanto público e a alarmante deterioração das condições da classe trabalhadora, surpreende encontrar um país com uma taxa de desemprego de apenas 1 por cento.



Se trata da República da Bielorrússia, formada por quase 10 milhões de habitantes e presidida atualmente por Alexander Lukashenko. Este país fez parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) até 1991.

Após a desintegração da União Soviética, Bielorrússia se declarou independente e manteve em maior parte o controle estatal da economia. Por exemplo, os bancos estrangeiros estão praticamente excluídos do país, os bens e serviços básicos são subsidiados pelo Estado, os preços de venda ao varejo estão regulados e o governo segue apostando nas empresas estatais. De fato, 51,2 por cento dos bielorrussos trabalham em estatais, 47,4 por cento são empregados de empresas privadas nacionais e 1,4 trabalham para empresas de capital estrangeiro estabelecidas no país.

O semanal britânico The Economist, fazendo referência a um relatório sobre Liberdade Econômica da Heritage Foundation diz em um de seus artigos que "Lukashenko segue um política de intervenção do Estado onipresente na economia" e que "o governo nega os direitos de propriedade privada sobre os bens comuns, conservando os recursos naturais, águas, florestas e terras sob controle público".

O Washington Post, por sua vez, informa que "a economia da Bielorrússia segue sendo controlada pelo Estado e os alimentos da nação são cultivados em granjas coletivas".

Ao que parece, este conjunto de políticas de redistribuição de renda seriam as responsáveis dos exitosos níveis de igualdade na sociedade bielorrussa.

Segundo informações do diário ucraniano Rabochaya Gazeta, o percentual da população bielorrussa que possui renda inferior à linha da pobreza diminuiu sete vezes no período de 2001 a 2008, passando de 41,9 para 6,1 por cento. Os rendimentos reais da população nesse período se multiplicaram por 3. A correlação entre os 10 por cento mais abastados e os 10 por cento mais desfavorecidos em 2009 foi de apenas 5,9 pontos. Também é um indicador ligeiramente inferior ao registrado em outros ex-membros da URSS.

Antorius Broek, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) declarou durante o Informativo sobre o Desenvolvimento Humano de 2011 que "na Bielorrússia há pouca pobreza". Broek declarou segundo o segundo o índice internacional de pobreza, Bielorrússia possui índice quase zero.

Estes dados contrastam com os altos índices de pobreza e desigualdade social que apresentam outras ex-repúblicas soviéticas como Polônia, Ucrânia, Hungria, Romênia ou Letônia, que realizaram uma "transição" para o capitalismo.

Um "mal exemplo" a seguir

Estes dados sócio-econômicos são censuradas nos meios de comunicação de massa, que são controlados pelas grandes corporações e evidentemente atendem aos interesses capitalistas.

Estados Unidos e Europa vêem a República da Bielorrússia como um mau exemplo para os seus vizinhos. É a batalha ideológica que ainda prevalece entre o capitalismo e o socialismo. Não é por acaso que a imprensa capitalista, muitas vezes taxa como "ditador" ou "autoritário" o presidente Lukashenko. Na verdade, o Departamento de Estado dos EUA, foi mais longe e em 2011 financiou cinco partidos políticos e 566 ativistas da oposição bielorrussa e apoiou a formação de mais de 70 organizações da sociedade civil, 71 jornalistas antigovernamentais e 21 meios de comunicações opositores.

Mas, além de manipulação da mídia e ao assédio de Washington é importante esclarecer que a Bielorrússia é uma democracia multipartidária com sufrágio universal. Desde 2007, 98 dos 110 membros da Câmara dos Representantes dos Belarus não são filiados a nenhum partido político e os outros doze membros, oito pertencem ao Partido Comunista da Bielorrússia, três ao Partido Agrário da Bielorrússia, e um ao Partido Liberal Democrático da Bielorrússia. A maioria dos não-partidários representam uma ampla gama de organizações sociais, como trabalhadores, associações públicas e organizações da sociedade civil.

Via LibreRed

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bielorrúsia participará de construção de base espacial na Venezuela

A Bielorrusia participará na construção de uma base espacial para o lançamento de satélites no estado venezuelano de Aragua, anunciou nessa quarta o embaixador da Venezuela em Minsk, Américo Díaz Núñez. A base servirá para o lançamento de satélites de exploração científica. 

 A base espacial é só um dos projetos que executarão de forma trilateral Venezuela, China e Bielorrúsia, explicou Díaz Núñez. 

Os satélites são fabricados na China, mas já foi alcançado um acordo para que sejam montados na Venezuela. Os três países também construirão uma central térmica no estado de Barinas, um projeto no valor de 900 milhões de dólares.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rússia propõe um equivalente ao Euro para a União Eurasiana

Primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev propôs que uma moeda comum para o projecto de integração económica e política da União Eurasiana.

"Deve-se pensar no futuro, a nível da União Eurasiana a ser estabelecida em 2015 e em assuntos que não se conformam com a agenda atual, mas a ter em conta dada a instabilidade dos mercados globais", disse Medvedev durante um fórum econômico. "Aquelas (as questões) pode incluir uma moeda comum", frisou.

A União Eurasiana é o projeto de integração econômica e política da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia, terá regime de comércio livre e poderia incluir outros países da antiga União Soviética.

Em novembro passado, o então presidente Medvedev, da Rússia, comparou a União Europeia em relação ao futura União Eurasiática, mas prometeu que sua administração não vai cair em erros da zona do euro.

  "Ninguém compra gato por lebre", disse Medvedev. 


Ele explicou que, para cada nação que aspira a aderir à União, haverá um processo de incorporação, a análise pode demorar cinco ou dez anos para evitar os problemas agora assolam a União Europeia.




Via RT