A premiê alemã, Angela Merkel, cogita boicotar a Eurocopa na
Ucrânia. Segundo o semanário "Der Spiegel", ela planeja orientar seu
gabinete a não comparecer ao torneio, o mais importante do futebol
europeu.
A chanceler federal alemã, Angela Merkel, cogita boicotar a Eurocopa na
Ucrânia, segundo reportagem publicada na mais recente edição do
semanário
Der Spiegel. Merkel planeja orientar seus ministros a não comparecerem ao torneio, a mais importante competição europeia de futebol.
De acordo com a publicação alemã, Merkel recomendará a seus ministros
que não participem do evento, caso a líder da oposição Yulia Timoshenko
não seja libertada até o início do campeonato, a ser realizado na
Polônia e na Ucrânia daqui a seis semanas. Na sexta-feira (27/04),
Merkel havia deixado em aberto, através de seu porta-voz, se viajará à
Ucrânia para participar da Eurocopa ou não.
A premiê afirmou, segundo o semanário, que só abriria exceção para seu
ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, também responsável pela
pasta de Esportes. Friedrich declarou na última semana que deseja
assistir à partida entre Alemanha e Holanda, e que aproveitaria a viagem
para fazer uma visita a Timoshenko.

Ministro alemão do Interior, Hans-Peter Friedrich
Outros chefes de Estado cancelam ida à Ucrânia
A revista
Der Spiegel afirmou, citando fontes governamentais
anônimas, que o presidente alemão, Joachim Gauck, não foi o único a
cancelar, como forma de protesto, sua presença em uma reunião de chefes
de Estado da Europa Central, a ser realizada em meados de maio na
Ucrânia. Também teriam rejeitado o convite do governo ucraniano os
presidentes da Áustria, Danilo Türk, e da Eslovênia, Heinz Fischer. Os
chefes de Estado da Estônia, Toomas Hendrik Ilves, e da Letônia, Andris
Berzins, ainda não decidiram se irão ao encontro.
Há dias que políticos alemães discutem sobre um possível boicote à
Eurocopa. O líder do Partido Social Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, já
pediu a todos os políticos que boicotem os jogos na Ucrânia. O
presidente do clube alemão Bayern de Munique, Uli Hoeness, pediu que o
presidente da UEFA, Michel Platini, proteste em Kiev. E apelou para que
os jogadores da seleção alemã se pronunciem criticamente sobre as
violações dos direitos humanos na Ucrânia.
Apelo dramático
Em um apelo dramático, Eugenia Timoshenko, a filha da oposicionista
ucraniana, de 32 anos, pediu que o governo alemão salve a vida de sua
mãe. "O destino da minha mãe e de meu país são agora um só. Se ela
morrer, morre também a democracia", disse ela ao jornal
Frankfurter Allgemeine Zeitung.
O ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, afirmou, em
entrevista ao mesmo diário, que o governo ucraniano está negando à
Timoshenko “um tratamento médico adequado, contrariando todas as
obrigações legais e morais”.

Timoschenko mostra hematomas: queixa de maus tratos no presídio
Do ponto de vista da União Europeia, o comportamento da Ucrânia
representa um obstáculo no caminho do país a uma possível adesão ao
bloco. O tratamento dispensado pelo governo local a Timoshenko é "uma
vergonha dolorosa para Kiev", na opinião do comissário europeu para a
ampliação da UE, Stefan Füle.
Preocupação com Timoshenko
Fotos recentes mostram Yulia Timoshenko com hematomas, que teriam sido
provocados pelos carcereiros da prisão onde ela se encontra. A família
da líder da oposição acusa prática de tortura. Timoshenko faz greve de
fome desde o dia 20 de abril, como protesto pelas condições na prisão.
Médicos alemães constataram que ela sofre de um grave problema na
coluna, mas o governo ucraniano insiste que Timoshenko "está fingindo". A
política de 51 anos sofre de uma hérnia de disco e está cumprindo
sentença de sete anos de cadeia, por suposto abuso de poder.
Via
Deutsche Welle