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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sunitas e xiitas: o mito dos ódios remotos e novo mapa do Oriente Próximo

Por Martí Nadal

elordenmundial.com-14/11/2016

O oriente próximo encontra-se afundado em uma guerra total entre as duas correntes do Islã? Investigar os conflitos da região é necessário para desfazer os relatos que desconectam a violência atual de eventos contemporâneos e em seu lugar associam a ódios étnicos ancestrais.

Sunitas e xiitas seguem lutando desde o cisma que dividiu os muçulmanos depois da morte de Maomé no ano de 632? Dando uma olhada no mapa dos conflitos da região, temos a impressão de que nos países onde convivem Sunitas e Xiitas, acabam se enfrentando sem remédio. Na Síria, o regime de Bashar al Assad, dominado pela maioria alauíta, um ramo distante do xiismo, enfrenta uma oposição formada majoritariamente por grupos islamitas sunitas. No Iraque, a caída do sunita Saddam Hussein elevou ao poder a maioria Xiita, que agora deve fazer frente a uma insurgência liderada pelo grupo terrorista Estado Islâmico nas regiões sunitas do país. E, no esquecido Yemen, os huties uma milícia pertencente ao ramo do xiismo, tem tomado a capital do país e desde janeiro de 2015 sofrem os bombardeios de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. A tudo isso deve-se somar a guerra fria que protagonizam a República Islâmica xiita doIrã com a Arábia Saudita, bastião do fundamentalismo sunita, cujas disputas espalham-se por todos os campos de batalha do oriente próximo.

As divisões étnico religiosas do oriente próximo:fonte https://thesinosaudiblog.files.wordpress.com/2011/05/mid-east-religion.jpg

O sectarismo entendido aqui como um enfrentamento entre as distintas correntes do Islã é sem dúvida um componente vigoroso nos conflitos atuais, O auto denominado Estado Islâmico e suas pretensões genocidas tem convertido em habituais os ataques suicidas em bairros xiitas de Damasco, Bagdá ou Sanar, que tem deixado milhares de civis mortos. A isto se deve somar a proliferação de milícias xiitas que frequentemente molestam e aterrorizam aspopulações sunitas, antes controladas por grupos jihadistas. A retórica sectária também se assenta no atual alvoroço regional, promovido por clérigos e autoridades fundamentalistas e difundida através de cadeias por satélite e redes sociais. O teólogo e figura televisiva Yusuf al Qaradawi, que apresenta o programa mais popular da Al Jazeera, a cadeia mais vista do mundo árabe, tem acusado os alauitas de serem “mais infiéis que os judeus e cristãos”; por sua parte, outro célebre locutor da mesma emissora tem pedido em mais de uma ocasião a limpeza étnica de xiitas e alauítas sírios.

Respaldados por esta linguagem sectária, os meios ocidentais assumem que os conflitos na Síria, Iraque e Iêmen formam parte de uma guerra histórica de aniquilação étnica de onde os estados e as milícias se alinham em um grupo e outro dependendo de sua afiliação religiosa. Esta leitura etno-religiosa da violência que hoje sacode o oriente próximo é denominada ”relato dos ódios remotos” ( ancient hatreds, em inglês), porém, tal e como veremos, essa história é na realidade um mito.

O relato dos ódios remotos: da Iugoslávia ao Oriente Próximo

A origem desta teoria sobre conflitos étnicos perenes se encontra no final da Guerra Fria e não se tem aplicado só a sunitas e xiitas. O primeiro caso que se popularizou ocorreu depois da desintegração da Iugoslávia comunista. Autores como Samuel Huntington ou Robert Kaplan ajudaram a definir a guerra na Bósnia como um conflito plenamente étnico religioso entre croatas católicos, bósnios muçulmanos e sérvios ortodoxos. Também se construiu um relato sugerindo que o comunismo foi só um remendo transitório que unia alguns grupos étnicos que realmente seguem se odiando desde séculos atrás.

O colapso do forte governo central precipitou a violência, que só havia sido contida, porém nunca erradicada.

Hoje em dia, muitos artigos que pretendem explicar a violência atual entre sunitas e xiitas no oriente próximo seguem pautas similares.O relato geralmente se repete assim:depois de morrer o profeta Maomé, alguns muçulmanos consideraram que Abu Bakr amigo do profeta, devia ser o novo líder, enquanto que outros fiéis eram partidários de seu primo Ali.Os seguidores de Abu Bakr venceram e acabaram convertendo-se nos sunitas; os partidários da linha familiar de Ali, os xiitas, seriam derrotados, convertendo-se numa minoria freqüentemente perseguida dentro do islã.Nascia assim um ódio eterno e inalterável, agora desatado pela ausência de uma autoridade superior que os mantivessem unidos.

Em sua pretensão de responder a pergunta ‘’Porque matam-se sunitas e xiitas?, os meios ocidentais freqüentemente consideram as guerras na Síria e Iraque como de aniquilação étnica, com origem nas disputas sucessórias à morte de Maomé, na veneração de santos, nas interpretações distintas do Corão e demais diferenças doutrinais.O impacto dos eventos históricos e políticos contemporâneos são erroneamente descartados.

Em nenhum dos conflitos no oriente médio há só dois grupos definidos pela confissão religiosa.O intento de explicar de forma simples a violência por parte de alguns meios de informação a levado freqüentemente a reducionismos absurdos.Fonte: Chappatte (International New York Times).

As guerras que ocorrem no oriente próximo desde a 1.400 anos não são fruto de antipatias
sectárias, irracionais e intermináveis.Tais ódios não constituem o motor dos conflitos, mas sua consequência.O relato dos ódios remotos está baseado em conceitos errôneos, amplia inimizades sectárias e ignora os elementos geopolíticos e sociais e os interesses dos Estados do Oriente Próximo.

Esta teoria é herdeira do orientalismo clássico, que pressupõe que o oriental, o muçulmano, guia-se por sua identidade mais primária, a religião, em todos os aspectos de sua vida.Deste modo, os meios ocidentais tendem a buscar explicações étnicos e religiosos em conflitos que explodem por problemas socioeconômicos e políticos e que se espalham devido aos cálculos políticos interessados de potências exteriores.Os sírios não se levantaram contra Al Assad porque é alauíta nem o Irã saiu a seu resgate porque compartilham certas crenças.

A principal consequência dos relato dos ódios remotos é a construção em nosso imaginário de dois grandes blocos monolíticos e antagônicos constituídos por sunitas e xiitas.Não existem raízes nacionais, ideológicas, linguísticas ou socioeconômicas dentro destes dois grupos e pressupõe-se uma inimizade e um fervor religioso a indivíduos, à milícias e inclusive a países que na realidade carecem deles.

Rivalidade dentro da seita e alianças intersectárias

Em realidade, os países e milícias que os meios atribuem dentro do sunismo ou no xiismo não são nem comportam-se como blocos homogêneos e por utilizarem as duas seitas como as duas principais unidades de análises nas relações internacionais da região conduzirá a mais equívocos que a acertos.

Sunitas

Por um lado, o grupo sunita na realidade está repartido em três frentes visíveis.De entrada,a Wahabita Arabia Saudita exerce a liderança de um grupo de países que pretendem preservar o status quo regional.Junto a Riad caminham o governo secularista egípcio de Abdel Fatah al Sisi e as monarquias da Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.Entre suas prioridades figura dizimar o expansionismo iraniano onde ele surge.Por isso que derrubar Al Assad, um fiel aliado de Teerã, é um de seus principais objetivos.Ademais, esses países viram as revoluções árabes de 2011 como um grave desafio à sua hegemonia.

Não obstante, os partidários do statu quo devem lidar com rivais dentro de sua própria seita.O pequeno reino do Qatar a anos vem exercendo uma política exterior potente, porém flexível, que a levado a se unir com os islamitas da Irmandade Muçulmana e Turquia.Esse grupo, que em teoria é ideologicamente próximo ao islamismo da Arábia Saudita, envolve uma de suas maiores dores de cabeça.A diferença de seus vizinhos, o Qatar percebeu as malogradas Primaveras Árabes como uma oportunidade para estender sua influência.É por isso que celebraram a caída do regime de Mubarak no Egito e a ascensão ao poder do islamita Morsi.Seu contínuo apoio a agora deposta Irmandade Muçulmana egípcia trouxe em 2014 a pior crise entre as monarquias do golfo:Arábia Saudita, os Emirados e Bahrein retiraram seusembaixadores da capital do Qatar.

Líbia é um caso que evidencia as fissuras dentro do denominado bloco sunita.O país é esmagadoramente sunita, todavia encontra-se profundamente dividido e afundado em uma guerra civil desde as revoltas populares e a operação da Otan que derrubaram Kadafi em 2011.Atualmente, Líbia está dividida entre dois governos.Por umlado, os Emirados e Egito dão apoio a um executivo secular a leste,enquanto Turquia e Qatar apoiam a um governo de tribunal islâmico emTrípoli.Líbia é a prova de que o aumento da violência tem menos que ver com brigas sectárias do que com cálculos geopolíticos de países vizinhos.

Estas dissonâncias também se evidenciaram durante o golpe de estado contra Erdogan no verão deste ano.Arábia Saudita demorou 15 horas para condenar a ação do exército e alguns meios têm acusado aos Emirados de financiar os responsáveis do fracassado golpe.Enquanto o Irã, que há anos luta indiretamente com a Turquia na Síria, foi o primeiro país a condená-lo.

Finalmente, existe um terceiro grupo dentro do sunismo que em realidade está composto por centenas de organizações que minam a suposta unidade sunita.Trata-se das numerosas milícias jihadistas que, apesar de receberem apoio logístico ou financeiro por parte dos Estados sunitas, seguem considerando esses regimes ilegítimos.A relação entre os governos e os grupos jihadistas deve entender-se mais como de benefício mútuo e não baseada numa concepção similar de religião.O Estado Islâmico, por exemplo, dedica mais tempo e recursos a derrotar outros grupos rebeldes sunitas que a lutarem contra Al Assad.

Apesar dos evidentes sentimentos sectários que possuem, esses grupos são capazes de ações pragmáticas para perseguir seus interesses.Em2016, o ex-chefe dos serviços secretos israelenses admitiu que seupaís ajudou aos jihadistas da Frente AL Nusra, filial da Al Qaeda emSíria, e nas colinas de Golan.Esta assombrosa aliança obviamente não é baseada em um sentimento de afinidade, porém em interesses comuns, neste caso, arrebatar posições chaves à milícia libanesa Hezbollah, que combate junto ao governo sírio e envolve um dos maiores riscos para a segurança de Israel.

Xiitas

O denominado grupo xiita tampouco está isento de dissonâncias.Recentemente popularizou-se a expressão ‘’meia lua xiita’’ para se referir a aliança entre Hezbollah, Síria, Iraque e Irã.Embora certamente esses atores são estreitos aliados, os motivos dessa união não devem se buscar em simpatias dogmáticas.A coalizão original entre o regime laico, baathista e pan árabe da Síria com a teocracia persa do Irã nunca se á baseado no credo, mas que é herdeira da suposta ameaça comum do regime laico, baathista e pan árabe de Saddam Hussein.

A rivalidade entre Arábia Saudita e Irã que se espalha por todo oriente próximo não baseia-se em diferenças religiosas surgidas depois da morte de Maomé, mas nos interesses regionais opostos.Fonte: Kal (The Economist).

É comum também reduzir os alauítas ou os zaides a um ramo do xiismo, porém seus credos ortodoxos são bastante distintos do xiismo majoritário.Em realidade, as crenças dos alauítas tem permanecido ocultas durante séculos aos principais clérigos do xiismo.Não foi até 1948, quando os primeiros estudantes alauítas assistiram pela primeira vez a seminários religiosos na cidade iraquiana de Nayaf, centro da teologia xiita.Os alunos foram insultados e humilhados por suas crenças e, ao fim de pouco, a maioria deles voltaram à Síria.Recentemente um grupo de líderes religiosos alauíta emitiuum comunicado onde negavam sua condição de ‘’ramo do xiismo’’ com o objetivo de se distanciar do regime de Al Assad e do Irã.

Tampouco é estranho encontrar alianças entre grupos sunitas e xiitas que não se encaixam no molde do relato dos ódios remotos.Irã há décadas vem sendo o principal provedor do grupo islamico Hamas, e Al Qaeda e os Talibãs também colaboram com Teerã quando a sido necessário.Em Síria, grupos palestinos sunitas lutam junto com Al Assad e seu exército segue formado majoritariamente por sunitas; no Iraque várias tribos sunitas do oeste colaboram com Bagda para frear os terroristas do Estado Islamico.
Se bem é verdade que afinidades religiosas ou ideológicas podem ajudar na hora de costurar alianças e, sobretudo, justificá-las discursivamente, a geopolítica do oriente próximo segue regendo-se majoritariamente pelos interesses particulares dos estados.

Implicações políticas:um país para cada grupo étnico

Poderia parecer que o mito dos ódios remotos é simplesmente uma ocorrência devido a periodistas ou pretensos especialistas sem um conhecimento profundo da região, porém sua propagação não é inócua e tem consequências políticas.Bill Clinton, influenciado enormemente porum livro de Robert Kaplan, planejou a política estadunidense naguerra da Bósnia baseando-se na crença de que muçulmanos,católicos e ortodoxos massacram-se há séculos.Barack Obama também atua influenciado pelo relato dos ódios remotos entre sunitas e xiitas.Durante o último discurso sobre o estado da união, assegurouque parte da atual agitação no oriente próximo está ‘’originadaem conflitos de a milhares de anos’’ e em mais de uma ocasião manifestou sua preocupação pelos ódios entre países sectários.

A percepção de que os distintos grupos étnico religiosos não podem coexistir devido a ódios eternos é em primeiro lugar errônea e em segundo lugar perigosa.Por um lado, pretende negar qualquer suspeita de culpabilidade europeia e estadunidense sobre o estado atual da região.Dado que seguem lutando desde há milhares de anos, o apoio ocidental à ditaduras opressoras, a grupos rebeldes partidários de limpezas étnicas ou a calamitosa guerra do Iraque que oxigenou o sectarismo, não são responsáveis do estouro sectário atual.

Também, a consolidada imagem dos orientais como seres movidos por paixões étnicas e religiosas propensos a se matarem implica outra grave consideração: a corrente -crescente- opinião que pede que o mapa do oriente próximo seja redesenhado baseando-se nas fronteiras de seita.Desde a invasão do Iraque, mas especialmente depois das revoluções de 2011, tem-se popularizado vários mapas que pretendem redesenhar as fronteiras da região para assim salvá-los desses ódios étnicos.Numerosos políticos e especialistas defendem o desmembramento do Iraque* e Síria*, apesar de que tais pretensões secessionistas não figuram nas agendas dos grupos sunitas, xiitas e alauítas.Esses cartógrafos amadores culpam o acordo Sykes-Picot, que partiu as províncias otomanas depois da Primeira Guerra Mundial, por todos os males na região.Em suas opiniões, o grande erro das potências coloniais foi criar Estados ‘’artificiais’’ onde as seitas e outros grupos étnicos mesclavam-se, impossibilitandoassim a concepção de um estado homogêneo para a Europa*.O que muitos desses artigos esquecem de mencionar é que a criação do Estado-Nação europeu se baseia em séculos de limpezas étnicas e genocídios culturais para atingir tal nível de uniformidade.

Em 2016, um tenente coronel do exército estadunidense , Ralph Peters, publicou versão do que deveria ser a região argumentando que, ‘’sem esta revisão considerável das fronteiras não conseguiremos um oriente próximo em paz’’.No entanto recentemente, o New YorkTimes publicou um mapa onde cortava 5 países em 14 pedaços.


Proposta de Ralph Peters https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/7c/Ralph_Peters_solution_to_Mideast.jpg


É ilusório pensar que a única via para a paz na região é colocar cada grupo étnico em sua própria caixa, fechada e separada das demais.A história do Oriente Próximo está atormentada de violência dentro das mesmas seitas; você só precisa ver países como Argélia, Líbia e Egito, que, apesar de não terem minorias xiitas relevantes, possuem um passado recente com abundante violência.Este artigo não pretende argumentar que qualquer tipo de modificação de fronteiras na região é prejudicial nem nega a existência da violência sectária.Sua intenção é evidenciar o perigo de que as políticas ocidentais na região estão baseadas nos mesmos princípios orientalistas de cem anos atrás, que reduzem a identidade e os interesses dos atores da região ao sectarismo levando a um ponto absurdo.Paradoxalmente, o uso do prisma sectário conduz a políticas sectárias.Estabelecer cotas de poder confessionais, como no Iraque, ou fazer um país para cada etnia só implica a criação de novas minorias ao qual negaram-lhes a plena consideração de cidadãos por não pertencerem à nação.

Tradução: Elvis Braz Fernandes

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sunitas versus Shiitas: quem está por trás do conflito?

 
Nos últimos anos pudemos observar um agravamento no conflito Sunita-Shiita no Oriente Médio, que tomou forma de guerra fratricida na Síria, em ataques terroristas no Iraque e no Líbano, e protestos, agitação pública e confrontos violentos envolvendo represálias contra ativistas no Bahrain e na Arábia Saudita. O que está por trás da próxima onda de violência na região e quem está provocando uma guerra entre os islâmicos? Uma breve excursão na história de relações entre as duas principais denominações do Islã mostra que hoje não existem razões óbvias ou precondições objetivas para a guerra entre eles.

As diferenças entre os Sunitas e os Shiitas tê suas raizes no passado distante. Depois da morte do Profeta Muhammad em 632 surgiu uma disputa entre seus seguidores sobre quem deveria herdar sua autoridade política e espiritual sobre as tribos árabes. A maioria apoiou o candidato da companhia do Profeta e pai de sua esposa - Abu Bakr, que subsequentemente formou a dominação dos Sunitas, que hoje são em torno de 85% dos islâmicos. Entretanto, outros apoiaram o candidato do primo e genro do Profeta - Ali, declarando que o Profeta apontou ele como sucessor. Este grupo depois se tornou conhecido como Shiita que, em arábico, literalmente significa "seguidores de Ali". Os Sunitas venceram a disputa, e permaneceram no poder no califado árabe (islâmico) por centenas de anos, enquanto que os Shiitas permaneceram às sombras. Na história posterior de relações entre Sunitas e Shiitas não houveram sérios conflitos.

Hoje os Shiitas, divididos em pequenos movimentos (Ahmadiyya, Alawitas, Islaelitas, etc.) são em torno de 15% do número total de islâmicos. Os seguidores deste ramo do Islã são grande maioria na população iraniana, dois terços do Bahrain, mais da metade no Iraque, uma porcentagem significativa no Líbano, Azerbaijão e no Yemen.

Além do Alcorão, os Sunitas vivem de acordo com a "Sunnah" - um conjunto de regras e práticas baseadas em exemplos de vida do Profeta Muhammad. Apesar disso, os Sunitas geralmente compreendem seus textos sagrados literalmente, não deixando espaço para alegorias. Em alguns ramos do islã Sunita isso chega ao extremo. Por exemplo, durante o reinado Talibã no Afeganistão muita atenção foi prestada para o tamanho da barba dos homens, cada detalhe de vida foi estritamente regulamentado de acordo com a Sunnah.

Por causa das contradições mencionadas os Sunitas costumam acusar os Shiitas de heresia, e o último por sua vez expõe o excessivo dogmatismo da doutrina Sunita, que dá origem a vários movimentos extremistas como o Wahabismo.

A mídia ocidental está tentando convencer-nos de que o esparramamento de sangue no Oriente Médio é resultado do conflito Sunita-Shiita baseado em suas diferenças religiosas. Esta versão remove a responsabilidade do Ocidente na interferência de relações internacionais de países na região, bem como a aplicação de padrões duplos e alianças dúbias com os regimes mais reacionários e grupos radicais, incluindo os extremistas. O conflito (fomentado pelo estrangeiro) entre os Sunitas e Shiitas ameaça engolir a região no caos e violência por muitos anos. O conflito Sunita-Shiita está sendo manipulado por jogadores externos, que de tal forma realizam seus próprios interesses nacionais e corporativos (controle de recursos, militarização da região, enriquecimento dos "senhores da guerra" etc.).

Não apenas os Sunitas se opõe aos Shiitas, mas as elites políticas conectadas com o Ocidente por dúzias de vínculos econômicos, políticos, militares, financeiros e outros. Ademais, mitos sobre o "fanatismo Shiita" foram fabricados por motivos de propaganda, bem como os mitos sobre "ditaduras sangrentas dos aiatolás", "povo anti-Bashar al Assad", uma base ideológica inteiramente nova foi criada para esta "caça às bruxas". Os objetivos de longo prazo do conflito Sunita-Shiita são muito transparentes: a destruição ou enfraquecimento dos aliados do Irã na região, como o governo do Assad na Síria, bem como o "Hezbollah" no Líbano; o aumento da pressão sobre o governo da maioria Shiita no Iraque; e o isolamento do Irã no Golfo Pérsico e em toda a região.

O fundador da República Islâmica do Irã, Imam Khomeini precisamente estabeleceu: "O conflito entre os Sunitas e Shiitas é uma conspiração do Ocidente. O desacordo entre nós é financiado somente pelos inimigos do Islã. Aquele que não compreender isto - não é um Sunita nem um Shiita."

Dever-se-ia notar que o "front Sunita" contra os Shiitas é encabeçado pela Arábia Saudita e pelo Qatar (aliados regionais dos EUA). O Bahrain, Kuwait, Emirados Árabes Unidos estão também envolvidos nisto, mas em um nível menos. Quais são as razões para a boa vontade de Riyadh e seus aliados no Golfo para seguir a política tradicional "dividir e governar"?

Primeiramente, Riyadh e seus aliados não estão satisfeitos com o aumento do prestígio e influência do Irã na região e no mundo islâmico (o regime Shiita no Iraque, Alawi na Síria, o papel e importância dos Shiitas no Líbano) em geral.

Segundo, as monarquias do Golfo se amedrontaram com os eventos da "Primavera Árabe" que chocou o mundo árabe no seu núcleo e causou uma onda de protestos nos países do Golfo. A maioria dos protestos de maior escala aconteceram na Província Oriental da Arábia Saudita, que é densamente povoada por Shiitas. Apoiados pelos poderosos Sunitas, os governantes do Golfo não quiseram compartilhar poder e renda com a população Shiita e se utilizaram de métodos violentos para oprimir as demonstrações.

Os monarcas destes países acreditam que o confronto abertamente armado entre os Sunitas e Shiitas não apenas ajuda a se manter no poder, mas também os ajuda a assumir a absoluta liderança do mundo islâmico. Além disso, os monarcas não dispensam gastos na guerra e não hesitam em recrutar soldados mundo a fora e cooperar com grupos terroristas como Al-Qaeda, Jahbhat al Nusra, etc.

O contínuo conflito Sunita-Shiita não pode ser interrompido por quaisquer encontros internacionais ou conferências que servem como véu para cobrir crimes internacionais na Síria. Milhões de vidas de civis poderiam ser salvos se o Conselho de Segurança da ONU adotasse uma resolução para banir qualquer intervenção estrangeira nestes conflitos, e se os países que apoiam terrorismo forem submetidos a sanções como as que estão sendo aplicadas contra o Irã.

Via Globaldiscussion

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Caos Absoluto: 'Democracia' Líbia dois anos após a intervenção da OTAN



Protestos massivos ocorrem por toda Líbia quando o país atravessa o segundo aniversário do começo da guerra civil que derrubou Muammar Gaddafi. Dois anos após o regime de Gaddafi, nenhuma nova constituição foi aprovada.

As novas autoridades obviamente falharam em manter a lei e ordem. O crime se alastra e o descontentamento popular aumenta. O primeiro-ministro Ali Zeidan fechou a fronteira com o Egito e Tunísia de 14 a 18 de fevereiro como medida de segurança.

As principais celebrações da queda de Gaddafi acontecerão no dia 15. Segurança nos aeroportos está sendo intensificada. Enquanto isso, Lufthansa e Austrian Airlines suspenderam todos seus voos para a Líbia até dia 17, citando "tensões". Anteriormente, Alemanha, França, Canadá e outros países pediram para seus cidadãos deixarem Benghazi pela ameaça de ataques terroristas. A segurança foi intensificada na capital Tripoli e também em Benghazi, onde 4 diplomatas americanos foram mortos em um ataque brutal no passado setembro.

Com a anarquia e pilhagem florecendo em áreas de fronteira onde anteriormente a lei reinava sob o governo de Gaddafi, a maioria dos líbios, particularmente no leste, estão furiosos com a inação do governo. Além dos extremistas locais e 'aventureiros', terroristas de todo tipo, incluindo grupos de jihaddistas do Mali, estão entrando. A 'democracia' que o Ocidente impôs na Líbia parece mais com um poder medieval, diz o cientista político egipcio Rifaat Sayed Ahmad.

“Os ataques da OTAN jogaram um país próspero para os padrões africanos de volta para a Idade Média, e pior, o mergulharam em uma guerra civil. O Ocidente usou força militar para instalar um governo obediente mas impopular, incapaz de lidar com as disputas religiosas e tribais que dividem o país. O verdadeiro objetivo da intervenção foi o petróleo e gás líbios"

O infeliz resultado não é surpresa e foi previsto por analistas ainda antes da invasão, diz o cientista político russo Stanislav Tarasov.
libya_militias_terror_400“Não apenas analistas russos mas também ocidentais viram este cenário. A Líbia está fragmentada e pode, em perspectiva, se dividir em dois ou até três estados. Alguns territórios comandados por certos clãs tribais já estabeleceram suas próprias fronteiras. Nesta situação, tentativas do assim chamado governo central de adotar uma lei central, uma constituição aceita por todos, parece estar fadada ao fracasso. O Ocidente que iniciou a 'primavera árabe' na Líbia não pode oferecer nada exceto o uso de força.

Nenhuma melhora deve ser esperada. Boris Dolgov, pesquisador no Centro de Estudos Árabes de Moscou, nota que a Líbia está muito longe da estabilização, sendo atualmente o centro de instabilidade de toda a África do Norte.

“~Estamos testemunhando uma expansão do Islãmismo radical, como no caso do Mali e Argélia. Os eventos no Mali e na Líbia estão intimamente ligados. Gaddafi fez uma guerra contra o extremismo radical e manteve a situação sob controle. Mais de 600 islamistas estavam na cadeia. Depois da queda de Gaddafi, eles ficaram livres e se juntaram a grupos radicais, incluindo aqueles operando no Mali.

A Líbia de hoje é um território absolutamente sem lei, como alguns analistas árabes chamam, ou talvez um barril de pólvora ao qual uma tocha acessa já foi trazida.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A guerra no Mali e a agenda da AFRICOM


Mali, a primeira vista parece um lugar pouco provável para que as potências da OTAN, lideradas por um governo neo-colonialista francês do presidente socialista François Hollande (e silenciosamente apoiado pela administração de Obama), ponham em marcha o que se denomina por alguns de uma nova Guerra dos Trinta Anos contra o Terrorismo.

Mali, com uma população de uns 12 milhões, é um país sem litoral e em grande parte ocupado pelo deserto do Saara, no centro da África ocidental, limita com Argélia ao norte, Mauritânia ao oeste, Senegal, Guiné, Costal do Marfim, Burkina Faso e Niger em sua parte sul. O povo que passou tempo ali antes dos recentes esforços liderados pelos Estados de desestabilização chamou como um dos lugares mais tranquilos e belos da terra. Seus habitantes são em uns 90% muçulmanos de múltiplas opiniões. Conta com uma agricultura de subsistência rural e o analfabetismo adulto é quase 50%. Sem embargo, este país logo é centro de uma nova "guerra global contra o terror".

Em 20 de Janeiro o primeiro ministro britânico David Cameron anunciou a curiosa determinação de seu país em dedicar-se a fazer frente à "ameaça terrorista" em Mali e no norte da África. Cameron declarou "se requerirá uma resposta que se tratará de anos, inclusive décadas, em lugar de meses, e requere uma resposta forte de resolver..." Grã Bretanha em seu apogeu colonial nunca teve uma participação no Mali. Até que conquistou independência em 1960, Mali era uma colônia francesa.

Em 11 de Janeiro, depois de mais de um ano da pressão oculta na vizinha Algéria para enganchá-la em uma invasão da vizinha Mali, Hollande decidiu fazer uma intervenção militar francesa direta com o apoio dos EUA. Seu governo lançou ataques aéreos no levante rebelde norte do Mali contra um grupo fanático salafista de degoladores jihadistas que chamam-se de Al Qaeda no Magreb islâmico (AQIM). O pretexto por uma rápida ação francesa foi uma movimentação militar por um grupinho de jihadistas islâmicos do povo Tuareg, Asnar Dine, afiliado com a maior AQIM. Em 10 de Janeiro Asnar Dine - encobertada por outros grupos islâmicos - atacou a cidade sulista de Konna. Isto marcou a primeira vez da rebelião de Tuareg no início de 2012 que os rebeldes jihadistas saíram do território  tradicional Tuareg no deserto nortenho para espalhar a lei islâmica ao sul do Mali.

De acordo com Thierry Meyssan, forças francesas foram bem preparadas: "O presidente transitório, Dioncounda Traore, declarou um estado de emergência e chamou a França para ajudar. Paris interviu dentro de horas para prevenir a queda da capital, Bamako. Clarividente, o Elysée prontamente preposicionou em Mali tropas da primeira Regimento de Paraquedistas da Infantaria Marinha ("os colonialistas") e o décimo terceiro Regimento de Paraquedas Dragoon, helicópteros da COS (Comando de Operações Especiais), três Mirage 2000D, dois Mirage F-1, três C135, um C130 Hércules e um C160 Transall"[2] Que coincidência conveniente.

Por 21 de Janeiro a aviões de transporte da Força Aérea dos EUA começaram a transportar centenas de soldados de elite franceses e equipamento militar para Mali, ostensivamente para reverter o que foi dito como avanço terrorista descontrolado no sul em direção à capital do Mali.[3]. o Ministro de Defesa francês Jean-Yves Le Drian contou à mídia que o número de 'botas no chão' em Mali chegou a 2.000, acrescentando que "em torno de 4.000 tropas estarão mobilizados para esta operação", em Mali fora das bases[4].

Mas há fortes indicações de que a agenda francesa no Mali é tudo, menos humanitária. Em uma entrevista para France 5 TV, Le Drian cuidadosamente admitiu "o objetivo é a total reconquista do Mali. Não deixaremos nada". E o presidente François Hollande disse que as tropas francesas permaneceriam na região tempo o bastante para "derrotar o terrorismo". Os EUA, Canadá, Reino Unido, Bélgica, Alemanha e Dinamarca todos disseram que apoiariam a operação francesa contra Mali[5].

Mali, como muitos da África é rico em matéria-prima. Tem amplas reservas de ouro, urânio e mais recentemente, embora as companhias ocidentais de petróleo tentam esconder, petróleo, muito petróleo. Os franceses preferiram ignorar os recursos do Mali, mantendo como um país pobre de agricultura de subsistência. Sob o prediente Amadou Toumani Toure, deposto e democraticamente eleito, pela primeira vez o governo iniciou um mapeamento sistemático da vasta riqueza sob seu solo. De acordo com Mamadou Igor Diarra, o anterior ministro de minas, o solo de Mali contém cobre, urânio, fósforo, bauxita, pedras preciosas e, principalmente, alta porcentagem de ouro, óleo e gás. Assim, Mali é um dos países no mundo com a maior parte de matéria-prima. Com suas minas de ouro, o país é já um dos líderes exploradores, logo atrás da África do Sul e Gana[6]. Dois terços da eletricidade francesa é de poder nuclear e recursos de urânio são essenciais. Atualmente, a França extrai significante quantidade de urânio de Niger.

Agora a figura fica um pouco complexa.

De acordo com especialistas confiáveis geralmente ex-militares dos EUA com familiaridade direta na região, que falaram em anonimato, os EUA e as forças especiais da OTAN de fato treinaram os mesmos grupos "terroristas" para justificar uma invasão neo-colonialista francesa apoiada por EUA. A pergunta mais importante é "por que Washington e Paris treinam terroristas que agora estão atuando para destruir em uma "guerra contra o terror"?" Estavam muito surpreeendidos pela falta de lealdade da OTAN de seus alunos? E o que há por trás do respaldo dos EUA da AFRICOM na tomada do Mali pela França?

Leia o artigo completo em Globalresearch

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Islamismo vs. Islã, entrevista com Claudio Mutti


- Sr. Mutti, nós gostaríamos de discutir com você sobre o fenômeno do islã político e a atividade em torno disso. Pode esclarecer-nos a definição disto e como funciona?
- O termo "islã político" pode ter sido cunhado pelo francês orientalista Oliver Roy em seu livro L'Echec de L'islam politique (Le Seuil, Paris 1992). Olver Royr nomeia "islã político" o que outra francês orientalista, Gilles Kepel, chama de "islamismo" (Le Prophute et Pharaon. Aux Sources des mouvements islamistes, Le Seuil, Paris 1984, edição revisada 1993; Jihad: espansion et duclin de l'islamisme, Gallimard, Paris 2000, edição revisada 2003) e "islã radical" (The roots of radical islam, Saqi, Londres 2005). "Islã político", "islamismo", "islã radical", simplesmente como "fundamentalismo islã" e "integralismo islã", são termos correspondentes com as tendências modernistas originadas pelos "reformistas islâmicos" e condenados como desvios pelos representantes do islã tradicional. Não obstante a linguagem política ocidental muitas vezes faz um amplo e incorreto uso destes termos, misturando o islamismo com islã e criando conclusões conformes com o padrão de "colapso das civilizações".

- Como isto se manifestou nos EUA e no Oriente Próximo? Qual a diferença dentro deste movimento?

- O assim chamado "islã político" é resultado das teorias Wahhabistas e Salafistas. O wahhabismo ganha seu nome do Muhammad ibn Abd al-Wahhab, que viveu na Península Arábica no século XVIII e, de acordo com Henry Cobin, foi "o pai do movimento salafista através dos séculos". O ancestral ideológico do salafismo foi Jamal ad-din al-Afghani, que em 1883 fundou a sociedade Salafiyyah e que em 1878 entrou para uma loja franco-maçônica no Cairo; seu discípulo e sucessor, Muhammad Abduh, também um franco-maçom, tornou-se o egípcio Mufti em 1899 com a aprovação das autoridades britânicas. A principal dessas escolas de pensamento é o movimento dos Irmãos Muçulmanos, fundada no Egito por Hasan al-Banna em 1928. Atualmente os Irmãos Muçulmanos são um movimento polimórfico representando a variante pragmática, realista e política de toda galáxia originada pela ideologia wahhabista-salafista. Portanto, a apelação de "salafista" é geralmente dada aos movimentos maximalistas e aos grupos extremistas, menos dispostos aos compromissos táticos de praticar atividades paramilitares e terroristas.

- O islamismo como visão radical tratando com violência: como incorporou o islã, o Estado e os atores políticos contemporâneos?

- Lembremos que o agente inglês Joh Philby foi o chefe conselheiro do Rei Ibn Saud, o usurpador da custódia dos Lugares Sagrados, que fez da heresia wahhabista a ideologia oficial da Arábia Saudita. O reinado wahhabista, historicamente aliado dos imperialistas anglo-saxãos, generosamente financiou e apoiou os grupos islâmicos. Agora estes grupos fundaram outro caixa wahhabista, o Qatari Emir; alojando Aljazeera e o assento regional da sede dos EUA, Al-Thani está tentando adotar um papel de líder no mundo árabe e tem se tornado o principal competidor da Arábia Saudita na coalisão pró-americana. Deste modo, quem paga pelos músicos, decide a música, que é depois de tudo, a música americana.

- É possível que seja organizado uma aliança entre os grupos extremistas islâmicos e os Estados? Quero dizer, não somente da Arábia Saudita, mas também com o departamento de Estado dos EUA, em operações encobertas e modernização do islã.

- Samuel Huntington escreve que o verdadeiro problema para os Estados Unidos não é o fundamentalismo islâmico, mas o islã em si. Então, se o islã é o inimigo estratégico dos EUA, o fundamentalismo islâmico pode ser um aliado tático. Essa teoria tem sido aplicada no Afeganistão, nos Bálcãs, na Chechênia, na Líbia, Síria. Conforme o departamento de Estado dos EUA, pode-se ler no CV de Abd al Wahid Pallavicini (A Sufi Master's Message, Milão 2011, p. 11) que organiza cursos para líderes muçulmanos no Insituto de Políticas Migratórias, em Washington. O propósito destes cursos é desenvolver líderes muçulmanos made in USA.

- A inquietação social e os movimentos islâmicos no Oriente Próximo e no norte africano - qual sua análise para isto? Samir Amin pensa que é o antigo "Lunga Manus" do capitalismo que agora trabalha em novas condições de bazar-nets para combater ideias esquerdistas de justiça, etc.

- No mundo muçulmano as ideias de justiça não são esquerdistas, elas são relativas ao Alcorão. Já que o islã é anti-pático ao capitalismo, os liberais precisam de um islã "reformado", que alguém resolveu chamar de "versão árabe da ética calvinista". Os executores deste projeto são os movimentos wahhabistas e todos aqueles que querem "reformas democráticas" no mundo islâmico. Os patrocinadores desta manipulação do islã são os petromonarcas e os petroemirados do Golfo Arábico; eles estão criando um Banco de Desenvolvimento do Oriente Médio, que emprestará aos países árabes para apoiar sua transição à democracia e para fortalecer as correntes de seu débito. Enquanto isso, no Egito os Irmãos Islâmicos pedem ao Fundo Monterário Internacional um empréstimo de 3,2 bilhões de dólares.

- A propósito do islã tradicional - das ordens sufi para a comunidade shia, conectadas com o Irã, Iraque, Líbano, etc. É um antídoto para um islã pós-moderno ou também é grupo alvo de seitas financiadas e do Ocidente?

- Na Península Arábica e na Turquia, sob a ilusão que eles podem enraizar o sufismo, os wahhabistas e os kemalistas baniram as ordens sufi. Na Líbia, na Tunísia, no Mali, os salafistas e outras ordens islâmicas destruíram locais tradicionais e bibliotecas islâmicas, igual como aconteceu em Meca e em Medina sob a ocupação wahhabista. As comunidades Shia são perseguidas pelos regimes wahhabistas, como no Bahrein. Grupos heterodoxos e governos atacam o islã tradicional de todas as formas - Sunitas e shiitas indiferentemente - considerando-os como o maior obstáculo para sua ação subversiva.

- E sobre Israel? A Inteligência Nacional dos EUA prevê que Israel não existirá dentro de 30 anos. Há verdadeira ameaça vinda do islã ou os EUA rearranjarão uma relação com este estado como ponto crítico na região importante?

- A nova e ambígua estratégica americana, que Obama inaugurou com seu discurso no Cairo, quer estabelecer a hegemonia americana no mundo árabe e no Oriente Médio com o consentimento árabe. Para isto, é necessário misturar os poderes regionais em uma ampla afronta contra o Irã, considerado principal inimigo naquela região; portanto os Estados árabes precisam colaborar com o regime sionista. Os anteriores devem empenhar-se em apoiar o regime sionista, que, em troca, deve aceitar o nascimento de uma insignificante entidade palestina.

- Além disso nós também vemos bom exemplo de coexistência de Estado e religião - como a Indonésia com a ideia do movimento dos moderados...você pensa isto (ideias do fundamentalismo com violência como poder externo) depender de região/ethnos, interpretações do Corão ou prosperidade social?

- De acordo com a doutrina islâmica, a política é parte da religião; o Estado é fundamentado na religião e tem um propósito religioso, de modo que, como Imam Khomeiny disse, "governar significa implementar as leis do Corão". Como para as comunidades muçulmanas habitadas em Estados não-islâmicos, o dever dos estudiosos muçulmanos é encontrar aquelas soluções que, enquanto correspondem com as leis islâmicas, podem facilitar a coexistência com povos não-islâmicos. Na Europa, onde a presença de um alto número de povos islâmicos é um fato recente, este trabalho está apenas começando.

- Qual seu prognóstico para o futuro próximo - como o movimento do islã político tratará todos os lados e especialmente com os EUA?

- O fenômeno anti-islâmico chamado islamismo é dependente em grande parte dos regimes wahhabistas aliados aos EUA. Portanto podemos esperar que o "islã político" será usado de acordo com os desejos da estratégia dos EUA; por exemplo na Algéria, que muito provavelmente é o próximo alvo do sub-imperialismo francês que por sua vez depende dos EUA. Com relação à União Europeia, a experiência mostra que os EUA e a inteligência israelense estão esperando a manipulação dos grupos extremistas; portanto não é improvável que os grupos salafistas possam ser postos em ação com fim de extorquir os governos europeus.

Entrevista por Leonid Savin

Tradução por Álvaro Hauschild

Via Geopolitica

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Le Pen: eu sempre fui hostil ao comunismo

 Jean Marie Le Pen é o pai de Marine Le Pen, e o fundador do National Front, o partido francês que pretende resistir ao esforço da globalização e sua agenda autoritária. Ele é bem conhecido no mundo por suas posições controsersas contra a imigração, neoliberalismo e contrução europeia. Ele esteve em 2002 presente na segunda rodada das eleições presidenciais francesas. Um feroz anticomunista no passado, agora é favorável à reaproximação com a Rússia, como ele explica a Nicolas Bonnal. Esta entrevista para o Pravda.Ru foi preparada também com a ajuda do historiador francês Jean Centini.

Primeiro ponto, as questões sobre FN e você:

"Sr. Le Pen, quais foram seus ideais juvenis?"

"Meus ideais juvenis foram impregnados pelo patriotismo. Durante a guerra, fui um adolescente, e meu pai morreu na França, quando seu barco afundou depois da explosão de uma mina alemã. Então eu me tornei um defensor da nação. A fórmula pela qual a nação conduziu minha adoção grandemente me influenciou depois e desde minha juventude, eu fui constantemente acostumado a servir meu "pai adotivo" pelo envolvimento no exército, primeiro na Indochina e especialmente na Algéria. Uma vez que as guerras coloniais terminaram, eu constantemente usei da política para defender a França, denunciando os golpes que a ameaçaram e providenciaram medidas salva-vidas, contra todo estrangeiro."

"Quais foram suas razões para a hostilidade contra o comunismo?"

"Eu sempre fui hostil ao comunismo. Cresci sob a fé católica, e esta era sua antítese: a negação de uma liberdade e de uma espiritualidade. Representa o caminho para a alienação. Por trás de seu caráter utópico, manipulou o profundo desejo por mudanças dos trabalhadores e imperindo a sociedade inteira em prisões abertas. Acrescentando, o Partido Comunista Francês ecoou mais os interesses da URSS, "terra do socialismo itnernacional", que aqueles dos trabalhadores franceses e da França em geral."

"Quais ameaças substituíram para você o comunismo?"

"Hoje, a ameaça comunista, colapsada por 20 anos, foi substituída por outra utopia mortal: o globalismo, nova ideologia internacionalista e materialista que tem o objetivo de maximizar o lucro dos grandes capitalistas nos gastos das nações e seus povos.

"Há também o islamismo e seus mártires. Todas essas ideologias tem em comum o objetivo de minar as fundações da civilização helênica-cristã e substituir por outra, que não seja nossa."

"Depois da reeleição de Obama, o que você pensa da civilização americana e como você vê o futuro do Ocidente?"

"A reeleição de Obama não acrescenta nem retrai nada na "civilização" americana. Os EUA são um poder economicamente e estrategicamente decadente (apesar da exploração de gás). São apenas o centro de um império, e os proponentes desse "império" lutam em vão para atrasar o colapso. Economicamente, continua a emprestar e o FED é também atualmente o único a comprar os tesouros estadonunidendes criando mais dólares, que inevitavelmente levarão ao colapso do dólar. Militarmente, continua tentando minar a posição de outros poderes regionais, como a Rússia. Podemos ver hoje o choque sírio que a Rússia e a China defendem concepções de respeito pela autoridade, enquanto os americanos e ocidentalistas apoiam insurgências extremistas e perigosas. Essas revoltas trouxeram o islamismo ao poder na Tunísia, no Egito, e Iraque, resultando em anarquia e ruptura étnica. Se o Ocidente continuar a aceitar em seu meio milhões de imigrantes islâmicos e a apoiar islâmicos nos países árabes-islâmicos, o futuro do bloco inteiro parece ermo. Sua própria sobrevicência está em jogo."

Segundo ponto, a situação da FN na França:

"Você poderia explicar o isolamento da FN? O que explica que o eleitorado francês não apoia mais seu movimento?"

"O isolamento do Front National é essencialmente resultado de propaganda criado contra ele pela grande maioria da imprensa francesa possuída pelos grupos financeiros, políticos e pelo sistema.

"Contra todos os conjuntos financeiros-políticos-midiáticos, o Front National está fundamentado a lutar sozinho, e ainda, sua presidente, Marine Le Pen conseguiu quase 18% dos votos nas últimas eleições presidenciais. A descrição corajosa da situação no país, e as medidas de salva-vidas propostas pelo Front National, trarão rapidamente um bom número de franceses para unir-se conosco."

"Por que você não apoiou o presidente Sarkozy na segunda rodada?"

"Nicolas Sarkozy manteve vários discursos próximos aos do Front National, com algum sicesso em 2007. Mas a política que ele teve durante os cinco anos de sua presidência foi radicalmente diferente. Ele mostrou um desejo em limitar a imigração: ainda que nunca tenha sido de importância durante sua presidência, ele disse que queria romper com as ondas de crimes que têm crescido. Em todas as áreas ele seguiu uma política contrária aos interesses da França, criando impostos maiores, aumentando a integração europeia...nessas circunstâncias, por que deveríamos apoiar Nicolas Sarkozy?"

"Qual sua opinião nos repetidos arrependimentos do Sr. Holland? Para onde ele está rumando?"

"O arrependimento do Sr. Hollande, por exemplo com relação à guerra na Algéria, é somente para agradecer aqueles que elegeram ele: 90% dos islâmicos com nacionalidade francesa preferiram ele a Sarkozy que os serviu na prática, mas teve uma imagem conservadora. Esses arrependimentos são criminosos. Por um lado, eles não estão baseados na evidência histórica; por outro, eles somente levam aos imigrantes a odiar a França. Esses atos de arrependimentos minam a consciência e o orgulho nacional."

Terceiro, a Rússia e a Europa:

"Como você explica a agressividade da Europa contra a Rússia e vice-versa? A Rússia é democrática para você?

"As nações europeias continuam a declinar em todos os assuntos. Eles não veem com bons olhos o dinamismo estratégico russo; todos os especialistas pensaram que a Rússia tinha morrido há 15 anos atrás. A União Europeia é uma verdadeira oligarquia, onde a maioria dos tomadores de decisão não possuem legitimidade democrática. Para esse mostro institucional, é mais fácil dar aulas de democracia ao mundo inteiro do que aplicá-las. Por favor, note que na França o Front National tem somente dois membeors (dos 577 deputados!) no Parlamento, enquanto Marine Le Pen acumulou votos de mais ou menos 1 para 5. Se a Rússia não é uma perfeita democracia (há uma?), a Europa certamente não tem aulas para dá-la neste assunto!"

"S.r Le Pen, que futuro comum você vê entre Rússia e Europa?"

"Estou em campanha pela criação de um grupo harmonioso, animado pela visão de um destino comum da área norte inteira, de Brest a Vladivostok. A Rússia e a Europa Central e Ocidental têm muitas coisas e interesses em comum. Em frente a um mundo cada vez mais instável, e nosso inverno demográfico, quase suicida, é certo que nossa civilização europeua encontraria uma ferramenta de salvação nesta união. Mas não é o interesse do permanente poder mundial, os EUA, e as firmas internacionais, e está claro que as castas se oporão a isto com toda sua força..."

"Como tratar do atlantismo?"

"Eu tenho sido favorável à OTAN quando os tanques soviéticos estacionaram a 500km de nossos limites e representaram um sistema criminoso usando partidos comunistas como cavalos troianos.

"Mas hoje, essa ameaça se ezvaiu.

"O atlantismo portanto não tem razão de existir e apenas continua hoje uma organização dedicada a organizar o poder militar das forças dos EUA e seus auxiliares na Europa. Desde 20 anos, a OTAN interviu também somente contra a estabilidade do mundo: na Ioguslávia, onde a máfia e o islamismo comandam, vejamos a Bósnia e o Kosovo, no Iraque ou Líbia onde o Gaddafi (embora um ditador como Saddam Hussein) assegurou pelo menos a estabilidade deste país. Portanto, longe do atlantismo, porque isto se tornou o doce nome do imperialismo americano!

"Você me perguntou antes por que o Front National não apoiou Sarkozy na segunda rodada das eleições presidenciais; eu acrescentaria que é também porque ele decidiu a inteira reintegração da França na OTAN enquanto o General de Gaulle, nos finais dos anos 60 retirou nossa nação do comando integrado."

Quarto e último ponto: islamismo e multiculturalismo

"Há dois milhões de islâmicos em Moscou...O Estado russo necessita financiar a construção de mesquitas? O que fazer com relação a isto na França ou Rússia?"

"Não é para mim advogar o que o Estado russo tem que ver com os locais islâmicos, por eu ter um respeito de qualquer soberania nacional...em contraste, eu sou visceralmente oposto ao fundamento na França. O islã não é uma religião; é também uma civilização, um sistema legal muitas vezes contrário aos nossos costumes ancestrais e nossas leis seculares. Promover o desenvolvimento do Islã nas nossas nações cristãs é um perigo, porque como pensava o historiador francês Ernest Renan no século XIX, "O islã foi liberal quando era fraco e violento quando se tornou forte". E se hoje os islâmicos pode viver em paz com os cristãos ou descrentes em nosso país, o que acontecerá quando, dado o fator demográfico que emprega em favor deles, eles sendo a maioria, pelo menos fortes o bastante para se impor contra nós seus costumes? Em nenhum lugar na história do Islã, quando seus seguidores foram dominantes, minorias foram respeitadas ou reconhecidas de ter direitos iguais. É o Corão em si mesmo que não somente permite, mas ainda requere tal comportamento."

"A islamização é inevitável?"

"A islamização é simplesmente consequência da imigração em massa em nossos países, da Ásia Central à Rússia, do Magreb e da África islâmica à Europa Central. A Islamização não é inevitável se nós pararmos de deixar entrar em nossos países milhões de islâmicos imigrantes todo ano e mais, e se nós compelirmos aqueles presentes a obedecer nossos costumes. E se eles não aceitarem nossos costumes, estão livres para praticar seu modo de vida em outro lugar..."

"O povo Ocidental não foi ainda usado e resignado?"

"Na França, o povo está começando a temer os Islã porque está mais ráído, visível e massiva, afetando suas vidas cotidianas: mulheres de véu nas ruas, carência de respeito pela liberdade da mulher, proibição de poerco nas cantinas escolares, construção de mesquitas com minaretes...com esse processo de extremistas como de Toulouse na última primavera, que foi ssassinado em nome do Islã 7 pessoas, incluindo 3 crianças."

"O que você pensa da última política Ocidental na Líbia, especialmente agora na Síria? E como você considera a atitude russa?"

"A atitude Ocidental, como eu disse anteriormente, é criminosa porque tenta substituir regimes ditadores (mas certamente estes trazem estabilidade aos seus países e respeito pelas minorias religiosas, incluindo cristãos) pelo caótico crescimento de ditaduras islâmicas que levam aqueles que não são da mesma fé para a mala ou caixão...como um dos lemas dos rebeldes sírios mostra: "cristãos no Líbano e os Alawites no cemitério." Mas os partidários Ocidentais subversivos preferem então encher suas orelhas...

"A política russa neste assunto é mais sensível: respeita a soberania e integridade dos Estados; é sempre realista e prefere a estabilidade ao caos."

Entrevista por Nicolas Bonnal

Via Pravda

sábado, 20 de outubro de 2012

Nacionalistas franceses ocupam mesquita

Cem jovens entraram na Grande Mesquita de Poitiers e ocuparam seu telhado, demandando o fim à imigração islâmica na França.

O grupo se identifica como Geração Identitária (Genereration Identitaire). Seu site oficial se encontra no endereço http://www.generation-identitaire.com/. No mesmo endereço web, se encontram os vídeos de suas ações, bem como da ocupação da mesquita.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Jovem síria cristã morta por rebeldes sírios

Pascal Claude Zarz, jovem cristã de Aleppo, uma bela jovem morena de 18 anos, foi assassinada.

Pascal estava a caminho de casa, de volta para sua família e sua mãe, sua melhor amiga.

No caminho de volta, do nada, os combatentes do Exército Livre apareceram de trás dos arbustos e abriram fogo contra o ônibus, Pascal estava lá.

Pascal saiu do assento em uma tentativa de evitar o tiroteio, gritando, e vendo sua vida passar diante dos olhos.

Pascal não sabia o que fazer, ela pegou seu celular, e mandou uma mensagem para o seu pai "Papai, eu estou em fogo cruzado... fomos atacados... pai, eu te amo, amo a mamãe, meus irmãos e irmãs, amo todos vocês".

Pascal foi baleada... ela morreu.

Talvez não se esperasse que sua filhinha angelical fosse morrer, não, mas o que aconteceu com a sua Pascal é o que vem acontecendo diariamente na Síria.

A mãe, pálida de luto, escreveu uma nota fúnebre em memória de sua filha.

A nota diz: "Excelencias Arcebispo de Aleppo... veneráveis padres... irmãos e irmãs... estou diante de uma parte de mim mesma, o quanto eu queria estar na frente do meu caixão, como eu queria ter morrido no lugar dela, querida Pascal; não podemos fazer seu casamento na presença do Senhor Jesus... Sua família e seus amados".

"Nunca vou esquecer sua mensagem de texto para seu pai... nunca esquecerei."

A mãe acrescentou: "Como cristãos, ressaltamos que não importa o que nos acontece, pois não vamos deixar a nossa Síria ... não vamos abandonar a nossa terra sagrada, a terra de nossos antepassados. Ninguém protege os cristãos da Síria além dos muçulmanos da Síria, nossos irmãos em patriotismo, nossos irmãos na terra, nossos irmãos no amor ".

Me dirijo aos veneráveis ​​bispos, do fundo do meu coração: "não é suficiente dizer ao seu povo, que sofre, para não ter medo ... orar, abrir seus cofres, alimentar o povo, Jesus Cristo alimentou as pessoas antes de chamá-los à oração."

Pascal, minha amada Pascal, você está agora no céu, você chegou ao paraíso, você está com a Virgem Maria, você está com a mãe de todas as mães ... lembre-se de nós, não se esqueça de nós ... nunca vamos esquecer de você, todos nós ... nunca te esqueceremos, nós te amamos ... Nós todos amamos você ".

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Judeus profanam monastérios com insultos a Jesus em Jerusalém



Judeus extremistas profanaram um monastério nesta Terça-Feira no convento de São Francisco, localizado no Monte Sião, na Antiga Jerusalém, com grafiti em hebreu dizendo "Jesus, filho da p***", segundo fontes oficiais. O ataque foi duramente condenado pela Organização Pela Liberação da Palestina (OLP).

Os vândalos escreveram na entrada do monastério de São Francisco a frase 'Price Tag' em hebreu, expressão que geralmente assinam os hebreus nestes atos de vandalismo como protesto contra o deslocamento dos assentamentos de Cisjordânia.

Os objetos de protesto dos grupos foram mesquitas e, em menor medida, igrejas cristãs para evitar assim qualquer intrusão religiosa não judia em seu território. Este foi o segundo ataque a um edifício cristão em menos de um mês.

No último 4 de Setembro, os assaltantes do 'Price Tag' mandaram fogo às portas do monastério de Latrum, em Cisjordânia, como possível represália contra o desalojamento de famílias de um posto avançado não autorizado.

Um portavós da polícia informou que várias pessoas foram acusadas de terem relação com vários desses incidentes, mas não informou mais nada. Fontes oficiais palestinas e grupos israelitas de Direitos Humanos acusaram as autoridades de não investigar o suficiente tais ataques.

O chefe de negociações palestino da OLP, Saeb Erekat, condenou fortemente as agressões israelitas contra os cristãos palestinos e contra as terras sagradas muçulmanas ocupadas em Jerusalém.

"Depois de 45 anos de ocupação israelita, a cultura de ódio e de racismo foram transformadas em algo comum aos israelitas", salientou Erekat. "Os livros de texto e as declarações oficiais que defendem que Jerusalém deveria ser exclusivamente judia com o rechaço total dos palestinos cristãos e muçulmanos, prepararam o caminho para que grupos terroristas ataquem sítios sagrados cristãos e muçulmanos", acrescentou.

Dessa forma, Erekat instou a comunidade internacional para que "assuma suas obrigações e responsabilize Israel pela ocupação permanente assim como pelas violações do Direito Internacional" porque com "esta cultura de impunidade" se permitiu aos colonos [judeus] intensificar seus ataques racistas contra os palestinos sem mínima reponsabilidade legal".

No ano passado, colonos israelitas e forças da ocupação perpetraram mais de 60 ataques contra locais sagrados para os cristãos e muçulmanos em Território Ocupado Palestino, segundo a OLP.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"Preparem-se para a guerra e o fim do mundo" adverte o líder espiritual iraniano

As autoridades iranianas dinfundem entre os militares um folheto denominado "Os últimos seis meses"



Em uma mensagem aos iranianos, o líder religioso exortou aos fiéis que esperassem a chegada de Mahdi, o décimo segundo Imã, que anunciará o fim do mundo, observa o portal Interfax Religion.

Segindo a crença xiita, o Mahdi chegará no dia do Juizo Final para salvar o mundo e estabelecer a ordem islâmica na Terra.

O lider religioso destacou que agora o dever dos iranianos é "se preparar para a vinda do grande líder e estarem prontos para a guerra".

"Sob a direção de Deus e com seu apoio invisivel faremos que a civilização islãmica triunfe no ãmbito internacional. É nosso destino" afirmoi o Aiatolá.

Recentemente as autoridades iranianas começaram a difundir entre os militares do país um folheto chamado "Os últimos seis meses", que os incita a se preparar para a chegade de um Iman e enfrentar o Ocidente, que aumenta sua força nuclear, informam os meios locais.

Via RT

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sudão expulsa os cristãos de seu território

Cerca de 700.000 cristãos do Sudão têm três semanas para deixar o país "estritamente islâmico", que os privou da cidadania. Caso contrário, serão tratados estrangeiros, uma situação perigosa, "sob o regime atual, que é extremamente hostil para com os não-muçulmanos e não-árabes".

Segundo destaca o site da organização Barnabas Fund, existe uma grande preocupação de que os cristãos remanescentes depois de 8 de abril, eles enfrentem perseguição ou repatriação forçada. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que um êxodo em massa causaria uma catástrofe humanitária, como a situação tanto no Sudão e no recém-formado Sudão do Sul está muito complicada.

"Apesar do fato de que a longa guerra civil tenha terminado com a independência do Sudão do Sul, os cristãos ainda estão sofrendo em ambos os países", disse o diretor de Relações Internacionais do Barnabass Fund, Patrick Sookhdeo.

"No Sul do Sudão continua a aumentar a tensão, porque continua recebendo centenas de milhares de pessoas que fogem do Sudão, onde o regime de Omar al-Bashir, que procura islamizar e arabizar totalmente o país, continua a cometer atrocidades", disse ele.

Muitos dos cristãos foram deslocadas para o norte do Sudão durante a longa guerra civil que paralisou o país e levou à divisão do seu território e o estabelecimento da República do Sudão do Sul, proclamada em julho do ano passado.

Este jovem Estado sofre uma crise alimentar agravada por uma seca que destruiu todas as suas colheitas. Segundo a ONU, cerca de 6 milhões de pessoas poderiam ser afetadas pela escassez de alimentos no Sudão do Sul.

Via RT

segunda-feira, 5 de março de 2012

França: Mais muçulmanos praticantes que católicos praticantes

Atualmente estão em construção cerca de 150 mesquitas na França, país que tem a maior comunidade muçulmana da Europa. Os projetos se encontram em diversas etapas, explicou Mohamed Moussaoui, presidente do Conselho Muçulmano Francês, que proporcionou estes dados para a rádio RTL.


O número total de mesquitas em França já duplicou, ultrapassando dois mil nos últimos dez anos, de acordo com um estudo intitulado: Construindo mesquitas: O governo islâmico na França e na Holanda. O líder mais conhecido islâmico mais conhecido da França, Dalil Boubakeur, reitor da Grande Mesquita de Paris, recentemente levantava a hipótese de que, para atender à demanda crescente, o número total de mesquitas deve ser duplicada, até quatro mil.

Por outro lado, a Igreja Católica construíu na França apenas 20 novas igrejas nos últimos dez anos, e foram formalmente fechadas mais de 60, muitas dos quais poderiam tornar-se mesquitas, de acordo com uma investigação feita pelo jornal católico La Croix.

Sólo un 4,5% de católicos practicantes

Se bem 64% da população francesa (41,6 milhões de pessoas sobre 65 milhões de habitantes) se define como Católica Romana, apenas 4,5% (aproximadamente 1.900.000 pessoas) são católicos praticantes, de acordo com o Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP).

Sempre no campo de comparação, 75% (4,5 milhões) dos cerca de 6 milhões de muçulmanos na França se identificam como 'crentes, e 41% (aproximadamente 2,5 milhões) diz ser "praticante", de acordo com um relatório da IFOP de agosto do ano passado. A pesquisa diz que mais de 70% dos muçulmanos franceses cumpriram o ritual do Ramadã em 2011.

Muçulmanos querem usar igrejas católicas vazias

Trazendo esses elementos, esses dados fornecem evidência empírica para a tese de que o Islão está a caminho de ultrapassar o catolicismo romano como a religião dominante na França. A partir do momento em que os números estão crescendo, os muçulmanos na França estão se tornando mais assertivos do que antes. Um exemplo: grupos muçulmanos na França estão pedindo permissão para a Igreja Católica para usar suas igrejas vazias como uma ferramenta para resolver os problemas de trânsito causados ​​por milhares de muçulmanos que oram nas ruas.

Em uma declaração em 11 de Março do ano passado, dirigida à Igreja da França, a Federação Nacional da Grande Mesquita de Paris, o Conselho dde Muçulmanos Dmocráticos e um grupo islâmico chamado Banlieues Respect Collectif pediu que a Igreja Católica, num espírito de solidariedade inter-religioso, permitisse o uso das igrejas pelos muçulmanos para que eles "não rezem nas ruas" e "sejam refens dos políticos".

Toda sexta-feira, milhares de muçulmanos em Paris e outras cidades francesas bloqueam as ruas e calçadas (e, portanto, o comércio local, deixando moradores presos em suas casas e empresas) para colocar os fiéis que não conseguiram entrar na mesquita. Algumas mesquitas começaram a transmitir sermões e gritos de "Allahu Akbar" nas ruas. Estes inconvenientes causaram raiva e revolta, mas, apesar de muitas queixas formais, as autoridades não fizeram até agora, por medo de gerar incidentes.

Le Pen se opõe radicalmente

A questão da orações de rua orações chegou a ser prioridade da agenda política francesa, quando, em dezembro de 2010, Marine Le Pen, denunciou-a como "uma ocupação sem soldados nem tanques de guerra".

Durante uma reunião na cidade de Lyon, Le Pen comparou as orações islâmicas de rua com a ocupação nazista. Ela disse: "Para aqueles que amam falar sobre a Segunda Guerra Mundial, também podemos discutir este problema (as orações de rua),porque se trata de uma ocupação de território . É uma ocupação de partes do território, dos distritos em que a lei religiosa tem efeito. É uma ocupação. Naturalmente, não há tanques, ou tropas, mas não deixa de ser uma ocupação que pesa sobre os moradores. "

Muitos franceses concordam. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IFOP, 40% dos franceses concordam com Le Pen no fato de que orações de rua são uma ocupação. Outra pesquisa publicada pelo Le Parisien mostra que os eleitores veem Le Pen, que argumenta que a França foi invadida pelos muçulmanos e traída por suas elites, como a melhor candidata para resolver o problema da imigração muçulmana.

Via Minuto Digital