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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Geopolítica por trás da guerra do Yemen - um front anti-iraniano

Por Mahdi Darius Nazemroaya

EUA e Reino da Arábia Saudita se incomodaram consideravelmente quando o movimento yemeni ou yemenita dos huties ou Ansar Allah (Os Partidários de Deus, em árabe) conseguiu o controle da capital de Yemen, Sanaa/Saná em setembro de 2014. O presidente yemenita Abd-Rabbuh Man S our Al-Hadi, apoiado pelos EUA, foi humilhantemente obrigado a compartilhar o poder com os huties e com a coalizão de tribos do norte de Yemen, que os tinha ajudado a penetrar em Sanaa. ALl-Hadi declarou que havia negociações para um movimento yemenita da unidade nacional e seus aliados, EUA e Arábia Saudita, trataram de usar um novo diálogo nacional e negociações mediadas para cooptar e pacificar os huties.

A verdade sobre a guerra no Yemen foi posta de pernas para baixo. A guerra e a derrota do presidente Abd-Rabbuh Man S our Al-Hadi no Yemen não são resultado de um 'golpe huti' no Yemen. É bem pelo contrário, Al Hadi foi derrotado porque, com apoio saudita e estadunidense tratou de esquecer-se dos acordos para compartilhar o poder que tinha feito e de devolver ao Yemen um regime autoritário. A derrota do presidente Al-Hadi executada pelos huties e seus aliados políticos foi uma reação inesperada diante do apoderamento do poder que Al-Hadi estava planejando com Washington e com a Casa de Saud.

Os huties e seus aliados representam um corte transversal diverso da sociedade yemenita e a maioria dos yemenitas. A aliança interior do movimento huti contra Al-Hadi inclui muçulmanos shiitas e sunitas. EUA e a Casa de Saud nunca pensaram que os huties se imporiam e derrubariam Al-Hadi do poder, mas essa reação se desenvolveu durante uma década. Com a Casa de Saud, Al-Hadi tinha se envolvido na perseguição dos huties e na manipulação de políticas tribais no Yemen, inclusive antes de ser presidente. Quando chegou a ser presidente do Yemen, ampliou os negócios e trabalhou contra a implementação dos acordos que tinha fechado mediante consenso e negociações no Diálogo Nacional do Yemen, que foi convocado depois que Ali Abdullah Saleh foi obrigado a ceder o poder em 2011.

Golpe ou contragolpe: o que passou no Yemen?

Em primeiro lugar, quando tomaram Sanaa no final de 2014, os huties rechaçaram as propostas de Al-Hadi e suas novas ofertas para um acordo formal de compartilhamento do poder, qualificando-o de personagem moralmente corrupto que em realidade tinha renegado suas promessas anteriores de compartilhar o poder político. Nesse momento, as tentativas do presidente Al-Hadi de obedecer Washington e a Casa de Saud o tinham convertido em profundamente impopular na maioria da população de Yemen. Dois meses depois, em 8 de novembro, o próprio partido do presidente Al-Hadi, o Congresso Geral Popular Yemenita, também despojou Al-Hadi de seu cargo.

Os huties finalmente deteram em 20 de janeiro o presidente Al-Hadi e ocuparam o palácio presidencial e outros edifícios do governo yemenita. Com apoio popular, um pouco mais de duas semanas depois, os huties formaram formalmente um governo de transição yemenita em 6 de fevereiro. Al-Hadi foi obrigado a renunciar. Os huties declararam em 26 de fevereiro que Al-Hadi, EUA e Arábia Saudita estavam planejando a devastação do Yemen.

A renúncia de Al-Hadi foi um revés para a política externa dos EUA. Levou a uma retirada militar e operacional da CIA e do Pentágono, que foram obrigados a retirar pessoal militar e agentes de inteligência do Yemen. Los Angeles Times informou em 25 de março, citando funcionários estadunidenses, que os huties tinham capturado numerosos documentos secretos quando ocuparam o Secretário de Segurança Nacional yemenita, que trabalhava em estreita colaboração com a CIA, o que afetou as operações de Washington no Yemen.

Al-Hadi fugiu da capital yemenita Sanna para Adén em 21 de fevereiro e declarou em 7 de março que essa cidade-porto era a capital temporal do Yemen. EUA, França, Turquia e seus aliados europeus ocidentais fecharam suas embaixadas. Pouco depois, no que foi provavelmente uma ação coordenada com EUA, Arábia Saudita, Kuwait, Bahréin, Qatar e Emirados Árabes Unidos transferiram suas embaixadas de Sanna para Adén. Al-Hadi anulou sua carta de renúncia como presidente e declarou que estava formando um governo no exílio.

Os huties e seus aliados políticos se negaram a aceitar as demandas dos EUA e da Arábia Saudita, articuladas através de Al-Hadi em Adén e por Riad, cada vez mais histérica. Como resultado, o ministro de assuntos internacionais de Al-Hadi, Riyadh Yaseen, pediu em 23 de março que Arábia Saudita e os petro-emirados árabes interviessem com suas forças armadas para impedir que os huties obtivessem o controle do espaço aéreo do Yemen. Yaseen disse ao porta-voz saudita Al-Sharq Al-Awsa que necessitava de uma campanha de bombardeio e que tinha-se que impor uma região de não-voo sobre Yemen.

Os huties deram conta que ia começar uma luta militar. Por isso os huties e seus aliados nas forças armadas yemenitas se apressaram em controlar o mais rapidamente possível a maior parte dos aeroportos e bases aéreas yemenitas, como Al-Anad. Se apressaram em neutralizar Al-Hadi e penetraram em Adén em 25 de março.

Quando os huties e seus aliados entraram em Adén Al-Hadi tinha fugido da cidade-porto yemenita. Al-Hadi reapareceu na Arábia Saudita quando a Casa de Saud começou a atacar Yemen em 26 de março. Desde Arábia Saudita, Abd-Rabbuh Man S our Al-Hadi voou então para o Egito a uma reunião da Liga Árabe para legitimar a guerra contra Yemen.

Yemen e a mutante equação estratégica no Oriente Médio

A ocupação huti de Sanaa aconteceu no mesmo período como uma série de êxitos ou vitórias regionais para o Irã, Hezbollah, Síria e o Bloco da Resistência que estes e outros protagonistas locais formam coletivamente. Na Síria, o governo conseguiu reafirmar sua posição enquanto no Iraque o movimento EI/ISIL/Daesh era obrigado a retroceder pelo Iraque com a evidente ajuda do Irã e de milícias iraquianas aliadas com Teerã.

A equação estratégica no Oriente Médio começou a mudar na medida em que ficava claro que Irã começava a ocupar uma posição central para a arquitetura e estabilidade de sua segurança. A Casa de Saud e o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu começaram a choramingar e a queixar-se de que o Irã controlava quatro capitais regionais - Beirut, Damasco, Bagdad e Sanaa - e que tinha-se que fazer algo para deter a expansão iraniana. Como resultado da nova equação estratégica, os israelitas e a Casa de Saud se alinharam perfeitamente com o objetivo estratégico de neutralizar o Irã e seus aliados regionais. "Quando israelitas e árabes se encontram na mesma página, a gente devia prestar atenção", disse em 5 de março o embaixador israelita Ron Dermer a Fox News sobre o alinhamento de Israel com Arábia Saudita.

A campanha de medo israelita e saudita não teve resultado. Segundo a pesquisa Gallup, só 9% dos cidadãos dos EUA viam o Irã como o maior inimigo dos EUA, quando Netanyahu chegou a Washington para falar contra um acordo entre EUA e Irã.

Os objetivos geoestratégicos dos EUA e dos sauditas depois da guerra no Yemen

Enquanto a Casa de Saud considerou há tempo Yemen uma espécie de província subordinada e parte da esfera de influência de Riad, EUA quis assegurar-se de poder controlar o Bab Am-Mandeb, o Golfo de Adén e as ilhas Socotra. O Bab Al-Mandeb é um importante ponto crítico para o comércio marítimo internacional e os embarques de energia que conecta o Golfo Pérsico através do Oceano Índico com o Mar Mediterrâneo através do Mar Vermelho. É tão importante como o Canal de Suez para as vias de transporte marítimo e para o comércio entre África, Ásia e Europa.

Israel também estava preocupado porque o controle do Yemen poderia cortar o acesso de Israel ao Oceano Índico através do Mar Vermelho e impedir que seus submarinos chegassem facilmente ao Golfo Pérsico para ameaçar o Irã. Por isso o controle do Yemen foi em realidade um dos temas de discussão de Netanyahu quando falou diante do Congresso dos EUA em 3 de março, quando precisamente New York Times apresentou em 4 de março como "o pouco convincente discurso de Netanyahu diante do Congresso".

Arábia Saudita temia visivelmente que Yemen poderia chegar a se alinhar formalmente com Irã e que os eventos poderia conduzir a novas rebeliões contra a Casa de Saud na Península Arábica. EUA também estavam preocupados, mas também pensavam em termos de rivalidades globais. Impedir que o Irã, Rússia, ou China tivessem um ponto de apoio estratégico no Yemen, como meio de impedir que outras potências controlassem o Golfo de Adén e se posicionassem em Bab Al-Mandev, era uma preocupação importante para os EUA.

Acrescenta-se à importância geopolítica do Yemen na supervisão de corredores marítimos estratégicos seu arsenal de mísseis militares. Os mísseis do Yemen poderia alcançar quaisquer barcos no Golfo de Adén ou Bab Al-Mandeb. Nesse sentido, o ataque saudita contra os depósitos de mísseis estratégicos do Yemen serve tanto aos interesses dos EUA como os de Israel. O objetivo não é apenas impedir que sejam utilizados para tomar represálias contra o uso de força militar saudita, mas também impedir que estejam em disposição de um governo yemenita alinhado com Irã, Rússia ou China.

Em uma posição pública que contradiz totalmente a política síria de Riad, os sauditas ameaçaram empreender uma ação militar se os huties e seus aliados políticos não negociassem com Al-Hadi. Como resultado das ameaças sauditas, protestos estalaram em todo Yemen em 25 de março contra a Casa de Saud. Portanto, a situação se preparou para outra guerra no Oriente Médio, quando EUA, Arábia Saudita, Bahréin, os EAU, Qatar e Kwait começaram a se preparar para reinstalar Al-Hadi.

A marcha saudita rumo à guerra no Yemen e um novo front contra Irã

Apesar de tudo o que se diz sobre Arábia Saudita como potência mundial, é muito débil para enfrentar sozinha o Irã. A estratégia da Casa de Saud foi erigir ou reforçar um sistema de aliança regional para um prolongado enfrentamento contra Irã e o Bloco da Resistência. Por isso, Arábia Saudita precisa do Egito, da Turquia e do Paquistão - uma mal chamada aliança ou eixo "sunita" - para que ajudem a enfrentar o Irã e seus aliados regionais.

O príncipe herdeiro Mohammed bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, o príncipe herdeiro do Emirado de Abu Dabi e vicecomandante supremo das forças armadas dos EAU, devia visitar Marrocos em 17 de março para falar de uma resposta militar coletiva ao Yemen por parte dos petro-emirados árabes, Marrocos, Jordânia e Egito. Em 21 de janeiro, Mohammed bin Zayed se reuniu com o rei da Arábia Saudita Salman bin Abdulaziz Al-Saud para discutir uma resposta militar ao Yemen. Isso ocorreu enquanto Al-Hadi chamada Arábia Saudita e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para que ajudassem mediante uma intervenção militar no Yemen. As reuniões foram seguidas por negociações sobre um novo pacto regional de segurança dos petro-emirados árabes.

Dos cinco membros do CCG, só o Sultanato de Oman se manteve distante. Oman se negou a unir-se à guerra contra o Yemen. Muscat tem relações amistosas com Teerã. Além disso os omanitas estão cansados do projeto saudita e do CCG de utilizar o sectarismo para provocar um enfrentamento contra Irã e seus aliados. A maioria dos omanitas não são muçulmanos sunitas nem shiitas; são muçulmanos ibaditas, e temem o avivamento da sedição sectária feita pela Casa de Saud e os outros petro-emirados árabes.

Os propagandistas sauditas se mobilizaram afirmando falsamente que a guerra era uma resposta à intrusão iraniana nas fronteiras da Arábia Saudita. Turquia também anunciaria seu apoio à guerra contra Yemen. No dia em que se lançou a guerra, Erdogan da Turquia afirmou que Irã estava tratando de dominar a região e que a Turquia, Arábia Saudita e o CCG se sentiam irritados.

Durante estes acontecimentos, Sisi, no Egito, declarou que a segurança de Cairo e a segurança da Arábia Saudita e dos petro-emirados árabes eram idênticas. De fato, Egito disse em 25 de março que não participaria em uma guerra no Yemen, mas no dia seguinte Cairo se somou à Arábia Saudita no ataque de Riad contra Yemen ao enviar seus jets e barcos a este país.

Do mesmo modo, o primeiro ministro paquistanês Nawaz Sharif publicou em 26 de março uma declaração dizendo que qualquer ameaça contra Arábia Saudita "provocará uma forte reação" do Paquistão. A mensagem se dirigia tacitamente contra o Irã.

O papel dos EUA e de Israel na guerra contra Yemen

Em 27 de março anunciou-se no Yemen que Israel estava ajudando Arábia Saudita no ataque contra o país árabe. "É a primeira vez que os sionistas [israelitas] realizam uma operação conjunta em colaboração com árabes", escreveu na Internet o chefe do Partido Al-Haq do Yemen, para destacar a convergência de interesses entre Arábia Saudita e Israel. A aliança israelita-saudita sobre o Yemen, não obstante, não é nova. Os israelitas ajudaram a Casa de Saud durante a Guerra Civil do Norte do Yemen que começou em 1962 financiando armas para Arábia Saudita para ajudar os realistas contra os republicanos no Norte do Yemen.

EUA também estão metidos e comandam desde longe. Enquanto trabalham para chegar a um acordo com Irã, também querem manter uma aliança contra Teerã utilizando os sauditas. O Pentágono financia o que chama de "inteligência e apoio logístico" à Casa de Saud.

Não há que equivocar-se: a guerra contra o Yemen é também a guerra de Washington. O CCG foi desencadeado contra o Yemen pelos EUA.

Desde há muito tempo se fala da formação de uma força militar pan-árabe, mas propostas para sua criação foram renovadas em 9 de março pela dócil Liga Árabe. As propostas para forças armadas árabes unidas servem os interesses estadunidenses, israelitas e sauditas. As propostas em favor de forças armadas pan-árabes foram motivadas por seus preparaticos para o retorno de A-Hadi e para enfrentar regionalmente o Irã, Síria, Hezbollah e o Bloco de Resistência.

A instabilidade no Yemen é causada não por Irã ou pelos huties, mas pela interferência estadunidense e saudita no país - desde a invasão por Arábia Saudita em 2009 aos ataques com drones dos EUA - e as décadas de apoio que Arábia Saudita financiou ao regime autoritário e impopular do Yemen.

"Linhas de batalha estão sendo determinadas no Yemen, o país mais pobre do mundo árabe e o último candidato no Oriente Médio para o fracasso do Estado. Sim, como parece cada vez mais provável, a guerra aberta estala em breve, só será piorada pela competência pela supremacia regional entre Arábia Saudita e Irã. Ambas potências mostraram seu desejo de armar grupos que consideram que podem controlar, apesar do legado que esta destrutiva rivalidade já tem causado em Síria e Iraque" afirmou a revista Foreign Policy em 6 de março.

A aliança huti com Irã: pragmatismo ou sectarismo?

Os huties não são de nenhum modo capachos do Irã. O movimento huti é um protagonista político independente que emergiu como resultado da repressão. Qualificar os huties de capachos iranianos não é empírico e ignora a história e a política do Yemen. "Se estourar uma guerra seguindo linhas sectárias, não será porque ali se estabeleceram divisões históricas no Yemen, será porque os financiadores estrangeiros da guerra inflamam divisões que antes careciam de importância", inclusive admite Foreign Policy.

Reconhece-se que dirigentes hutis rechaçaram afirmações de que aceitam ordens de Teerã. Isso não impediu que funcionários e mídias sauditas e khalijis (do Golfo) utilizassem e manipulassem as declarações de funcionários iranianos, como a comparação dos huties com os basijs do Irã; que apresentam os huties como agentes ou clientes iranianos.

Precisamente como os huties não são capachos iranianos, não existe nenhuma aliança shiita entre Teerã e eles no Yemen. Histórias que se concentram nessa narrativa sectária simplista ocultam a natureza política e as motivações do conflito no Yemen e deforma de maneira insultante a luta dos huties contra a repressão. Desde os anos 70 a Casa de Saud apoiou realmente as facções realistas no Yemen, que eram predominantemente muçulmanos shiitas.

Ademais, os muçulmanos shiitas no Yemen ou são imamitas ou duodecimanos como a maioria dos muçulmanos shiitas no Irã, na República de Azerbaijão, Líbano, Iraque, Afeganistão, Paquistão e a região do Golfo Pérsico. Além de focos de shiitas ismaelitas - que também podem ser chamados septimanos - nas governações de Saada, Haja, Amran, Am-Mahwit, Sana, Ibb e Al-Jawf a maioria dos muçulmanos shiitas no Yemen são zaiditas. Os ismaelitas no Yemen são em sua maioria membros de seitas davidianas e salomônicas do islailismo mustalita que se distanciou do grupo maior dos ismaelitas nizaritas.

A hostilidade estadunidense e saudita contra o movimento huti é o que fez com que inadvertidamente os huties se envolvessem pragmaticamente com Irã em busca de ajuda como contrapeso. Em palavras de Wall Street Journal, "militantes huties que controlam a capital yemenita estão tratando de forjar laços com Irã, Rússia e China para contrabalancear o apoio ocidental e saudita em prol do presidente deposto do país". "O governo interino dos huties enviou delegações ao Irã em busca de financiamento de combustível e à Rússia em busca de investimento em projetos energéticos, segundo os altos funcionários huties. Outra delegação planeja visitar China nas próximas semanas, disseram", informou também o Wall Street Journal em 6 de março.

Como resultado do esforço do movimento huti, Irã e Yemen anunciaram que farão voos diários entre Teerã e Sanna desde 2 de março. É uma importante linha aérea de apoio para o movimento huti.

A narrativa sectária e a carta sectária

A instabilidade no Yemen não é causada por Irã ou pelos huties, mas pela interferência estaunidense e saudita nesse país - a invasão em 2009 pela Arábia Saudita e os ataques de drones dos EUA - e as décadas de apoio que Arábia Saudita financiou ao regime autoritário e impopular no Yemen.

Yemen não é um país completamente envolvido. Além do apoio à Al-Qaeda pela Arábia Saudita e pelos EUA, não existe nenhum divisão ou tensões shiitas-sunitas. Para impedir que Yemen se torne independente, os sauditas e EUA apoiaram o sectarismo na esperança de criar uma divisão shiita-sunita no Yemen.

A diferença da falsa narrativa, as alianças do Irã no Oriente Médio não são realmente sectárias. Todos os aliados palestinos de Teerã são predominantemente muçulmanos sunitas enquanto no Iraque e na Síria, além dos governos, Irã apoia uma variedade transversal de grupos étnicos e religiosos que incluem não-árabes e cristãos. Isso inclui os predominantemente muçulmanos sunitas curdos sírios e iraquianos e a ala assíria Sutoro do Partido da União Siríaca (SUP) na Síria. No Líbano, além do Hezbollah, os iranianos também são aliados de partidos muçulmanos sunitas, drusos, e cristãos, inclusive o Movimento Patriótico Livre de Michel Aoun - que é o maior partido cristão no Líbano.

Se alguém está metido no sectarismo como política, é EUA e seus aliados nos petro-emirados. Tanto EUA como Arábia Saudita tinham metido os huties antes contra a Irmandade Muçulmana no Yemen. Além disso, durante a Guerra Fria, tanto Washington como a Casa de Saud trataram de usar os shiitas yemenitas contra os republicanos no norte do Yemen e a República Democrática Popular do Yemen no sul . EUA e Arábia Saudita iniciaram sua hostilidade contra ele quando o movimento huti demonstrou que não ia ser um cliente de Washington ou Riad.

Preparando a invasão do Yemen

Em 20 de março, atacantes suicidas atacaram as mesquitas Al-Badr e Al-Hashoosh durante asr salat (orações da tarde). Morreram mais de trezentas pessoas. Abdul Malik Al-Huti acusou EUA e Israel de apoiar os ataques terroristas e EI/ISIL/Daesh e Al-Qaeda no Yemen. Também culpou-se Arábia Saudita.

Enquanto teve silêncio em Marrocos, Jordânia, e os petro-emirados árabes, a porta-voz do Ministério de Relações Internacionais iraniana Marziyeh Afkham condenou os ataques terroristas no Yemen. De uma ou outra maneira, Síria, Iraque, Rússia, China também condenaram todos os ataques terroristas no Yemen. Para mostrar o apoio de Teerã a Yemen, dois aviões de carga iranianos com carga humanitária enviados ao Yemen e a Sociedade da Meia Lua Vermelha iraniana levou mais de cinquenta vítimas yemenitas dos ataques terroristas a hospitais dentro do Irã para tratamento médico.

O fracasso da Casa de Saud no Yemen

O movimento dos huties é o resultado das políticas da Arábia Saudita no Yemen e de seu apoio para o regime autoritário. A respeito disso, os huties são uma reação à brutalidade saudita e ao apoio da Casa de Saud ao autoritatismo yemenita. Emergiram como parte de uma rebelião que foi dirigida por Hussein Badreddin Al-Huti em 2004 contra o governo yemenita.

Os regimes yemenitas e sauditas afirmaram falsamente que os huties queriam estabelecer um imanato na Arábia como meio para satanizar o movimento. Isso, não obstante, não conseguiu repelir que este se fortalecesse. Os militares yemenitas não puderam dominá-los em 2009, o que conduziu a uma intervenção saudita, chamada Operação Terra Calcinada, lançada em 11 de agosto de 2009.

Arábia Saudita não conseguiu derrotar os huties quando enviou seus militares ao Yemen para combatê-los em 2009 e 2010. Não conseuiu obrigar o Yemen e o movimento huti a se pôr de joelhos em sinal de obediência. Quando exigiu que os huties e o governo de transição yemenita seguissem a linha saudita e forssem a Riad para negociar, foi diretamente rechaçada pelos huties e pelos Comitês Revolucionários do Yemen, porque as negociações e qualquer sistema de compartilhamento do poder apoiado pelos sauditas realmente marginariam aos huties e outrs forças políticas no Yemen. Por isso a União de Forças Populares, o próprio Congresso Geral do Povo de Al-Hadi, e o Partido Baaz de Yemen apoiaram todos a posição huti contra Arábia Saudita.

Dividindo Yemen?

Yemen viveu numerosas insurreições, intervenção militar pelos EUA e Arábia Saudita, e o fortalecimento de um movimento separatista em suas governações do sul. Os militares do Yemen se fragmentaram e existem tensões tribais. Se fala cada vez mais sobre sua transformação em um Estado árabe falido.

Em 2013, New York Times propôs que Líbia, Síria, Iraque e Yemen fossem divididos. No caso do Yemen a proposta era que voltasse a ser dividido em dois. O New York Times disse que isso poderia acontecer ou aconteceria depois de um possível referendo nas governações do sul. O New York Times também propôs que "tudo ou parte do Yemen poderia então converter-se em parte da Arábia Saudita. Quase todo o comércio saudita é por via marítima, e o acesso ao Mar Arábico diminuiria a independência do Golfo Pérsico - e os temores da capacidade do Irã de fechar o Estreito de Omuz".

Arábia Saudita e Al-Hadi agora apoiam os separatistas do sul no Yemen, que contam com o apoio de mais ou menos 10% da população. A próxima opção para EUA e Arábia Saudita seria dividir Yemen como meio para mitigar a mudança estratégica causada por uma vitória huti. Isso asseguraria que Arábia Saudita e o CCG teriam um ponto de trânsito meridional ao Oceano Índico e que EUA conservaria um ponto de apoio no Golfo de Adén.

via paginatransversal: parte 1 e 2

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sunitas versus Shiitas: quem está por trás do conflito?

 
Nos últimos anos pudemos observar um agravamento no conflito Sunita-Shiita no Oriente Médio, que tomou forma de guerra fratricida na Síria, em ataques terroristas no Iraque e no Líbano, e protestos, agitação pública e confrontos violentos envolvendo represálias contra ativistas no Bahrain e na Arábia Saudita. O que está por trás da próxima onda de violência na região e quem está provocando uma guerra entre os islâmicos? Uma breve excursão na história de relações entre as duas principais denominações do Islã mostra que hoje não existem razões óbvias ou precondições objetivas para a guerra entre eles.

As diferenças entre os Sunitas e os Shiitas tê suas raizes no passado distante. Depois da morte do Profeta Muhammad em 632 surgiu uma disputa entre seus seguidores sobre quem deveria herdar sua autoridade política e espiritual sobre as tribos árabes. A maioria apoiou o candidato da companhia do Profeta e pai de sua esposa - Abu Bakr, que subsequentemente formou a dominação dos Sunitas, que hoje são em torno de 85% dos islâmicos. Entretanto, outros apoiaram o candidato do primo e genro do Profeta - Ali, declarando que o Profeta apontou ele como sucessor. Este grupo depois se tornou conhecido como Shiita que, em arábico, literalmente significa "seguidores de Ali". Os Sunitas venceram a disputa, e permaneceram no poder no califado árabe (islâmico) por centenas de anos, enquanto que os Shiitas permaneceram às sombras. Na história posterior de relações entre Sunitas e Shiitas não houveram sérios conflitos.

Hoje os Shiitas, divididos em pequenos movimentos (Ahmadiyya, Alawitas, Islaelitas, etc.) são em torno de 15% do número total de islâmicos. Os seguidores deste ramo do Islã são grande maioria na população iraniana, dois terços do Bahrain, mais da metade no Iraque, uma porcentagem significativa no Líbano, Azerbaijão e no Yemen.

Além do Alcorão, os Sunitas vivem de acordo com a "Sunnah" - um conjunto de regras e práticas baseadas em exemplos de vida do Profeta Muhammad. Apesar disso, os Sunitas geralmente compreendem seus textos sagrados literalmente, não deixando espaço para alegorias. Em alguns ramos do islã Sunita isso chega ao extremo. Por exemplo, durante o reinado Talibã no Afeganistão muita atenção foi prestada para o tamanho da barba dos homens, cada detalhe de vida foi estritamente regulamentado de acordo com a Sunnah.

Por causa das contradições mencionadas os Sunitas costumam acusar os Shiitas de heresia, e o último por sua vez expõe o excessivo dogmatismo da doutrina Sunita, que dá origem a vários movimentos extremistas como o Wahabismo.

A mídia ocidental está tentando convencer-nos de que o esparramamento de sangue no Oriente Médio é resultado do conflito Sunita-Shiita baseado em suas diferenças religiosas. Esta versão remove a responsabilidade do Ocidente na interferência de relações internacionais de países na região, bem como a aplicação de padrões duplos e alianças dúbias com os regimes mais reacionários e grupos radicais, incluindo os extremistas. O conflito (fomentado pelo estrangeiro) entre os Sunitas e Shiitas ameaça engolir a região no caos e violência por muitos anos. O conflito Sunita-Shiita está sendo manipulado por jogadores externos, que de tal forma realizam seus próprios interesses nacionais e corporativos (controle de recursos, militarização da região, enriquecimento dos "senhores da guerra" etc.).

Não apenas os Sunitas se opõe aos Shiitas, mas as elites políticas conectadas com o Ocidente por dúzias de vínculos econômicos, políticos, militares, financeiros e outros. Ademais, mitos sobre o "fanatismo Shiita" foram fabricados por motivos de propaganda, bem como os mitos sobre "ditaduras sangrentas dos aiatolás", "povo anti-Bashar al Assad", uma base ideológica inteiramente nova foi criada para esta "caça às bruxas". Os objetivos de longo prazo do conflito Sunita-Shiita são muito transparentes: a destruição ou enfraquecimento dos aliados do Irã na região, como o governo do Assad na Síria, bem como o "Hezbollah" no Líbano; o aumento da pressão sobre o governo da maioria Shiita no Iraque; e o isolamento do Irã no Golfo Pérsico e em toda a região.

O fundador da República Islâmica do Irã, Imam Khomeini precisamente estabeleceu: "O conflito entre os Sunitas e Shiitas é uma conspiração do Ocidente. O desacordo entre nós é financiado somente pelos inimigos do Islã. Aquele que não compreender isto - não é um Sunita nem um Shiita."

Dever-se-ia notar que o "front Sunita" contra os Shiitas é encabeçado pela Arábia Saudita e pelo Qatar (aliados regionais dos EUA). O Bahrain, Kuwait, Emirados Árabes Unidos estão também envolvidos nisto, mas em um nível menos. Quais são as razões para a boa vontade de Riyadh e seus aliados no Golfo para seguir a política tradicional "dividir e governar"?

Primeiramente, Riyadh e seus aliados não estão satisfeitos com o aumento do prestígio e influência do Irã na região e no mundo islâmico (o regime Shiita no Iraque, Alawi na Síria, o papel e importância dos Shiitas no Líbano) em geral.

Segundo, as monarquias do Golfo se amedrontaram com os eventos da "Primavera Árabe" que chocou o mundo árabe no seu núcleo e causou uma onda de protestos nos países do Golfo. A maioria dos protestos de maior escala aconteceram na Província Oriental da Arábia Saudita, que é densamente povoada por Shiitas. Apoiados pelos poderosos Sunitas, os governantes do Golfo não quiseram compartilhar poder e renda com a população Shiita e se utilizaram de métodos violentos para oprimir as demonstrações.

Os monarcas destes países acreditam que o confronto abertamente armado entre os Sunitas e Shiitas não apenas ajuda a se manter no poder, mas também os ajuda a assumir a absoluta liderança do mundo islâmico. Além disso, os monarcas não dispensam gastos na guerra e não hesitam em recrutar soldados mundo a fora e cooperar com grupos terroristas como Al-Qaeda, Jahbhat al Nusra, etc.

O contínuo conflito Sunita-Shiita não pode ser interrompido por quaisquer encontros internacionais ou conferências que servem como véu para cobrir crimes internacionais na Síria. Milhões de vidas de civis poderiam ser salvos se o Conselho de Segurança da ONU adotasse uma resolução para banir qualquer intervenção estrangeira nestes conflitos, e se os países que apoiam terrorismo forem submetidos a sanções como as que estão sendo aplicadas contra o Irã.

Via Globaldiscussion

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Vende-se meninas sírias na Arábia Saudita


Uma onda de críticas foi levantada na Arábia Saudita depois que foi emitido um anúncio de venda de meninas sírias na capital do Estado árabe, Riad.

Segundo a rede de televisão de AL-Alam, no anúncio se menciona o preço de cada menina síria, que é 10 mil reais sauditas (quase 9 mil dólares).

Para vários ativistas sauditas, se trata de um negócio com a crise síria e se interpreta como um uso indevido das necessidades dos refugiados sírios.

Não são poucos os informes que emitiram as organizações e entidades pró-direitos humanos a respeito da má situação que vivem os quase 1,9 milhões de refugiados sírios nos campos instalados em países vizinhos.

Em 14 de julho, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediu ajuda urgente da comunidade internacional para os refugiados sírios, em especial para as mulheres e crianças que estão altamente expostos a diferentes tipos de abusos na Jordânia.

Desde meados de março de 2011, a Síria vive fortes distúrbios e massacres indiscriminados, planejados desde o exterior; uma situação crítica que é agravada com o passar do tempo, devido aos incessantes atos de violência protagonizados pelos terroristas, que buscam derrubar o governo sírio.

N.doB.: Os países que apoiam os terroristas são principalmente Israel, Turquia, EUA, França, Arábia Saudita e Reino Unido. A OTAN, em suma, está por trás da distribuição de armas e pessoas, que entram no território sírio através da Arábia Saudita e da Turquia.

O mesmo ocorre agora na Ucrânia, cujo governo legítimo está sofrendo um golpe da OTAN aliada à União Europeia, e há ameaça de uma nova guerra na Europa entre os atlantistas e as potências da terra, estas últimas representadas principalmente pela Rússia. Ademais, o objetivo último do terrorismo midiático e da ameaça de uma guerra civil na Ucrânia, orquestrados pelos atlantistas, é arrancar a Ucrânia da aliança com a Rússia com fim de dominá-la, como ocorre em todos os países em que os atlantistas enfiam suas tropas (p. ex. Iraque, Líbia, Afeganistão, Palestina, Kôsovo etc.).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Exército sírio confisca armas israelitas usadas pelos terroristas


As forças do Exército sírio confiscaram nesta Terça uma grande quantidade de armas e munições israelitas de tipo LAW dos terroristas em torno da cidade de Damasco, capital síria.

As tropas sírias confiscaram estas armas em um esconderijo dos terroristas, onde assim encontraram artefatos explosivos improvisados, IED (por sua sigla em inglês), foguetes (RPG, por sigla em inglês), bombas e mapas, entre outras coisas.

Por outro lado, as forças sírias aniquilaram 46 homens armados, de nacionalidade jordana, líbia, egípcia, iraquiana e chechena, durante as operações de limpeza em diversas partes do país árabe.

Os soldados do Exército sírio, além disto, eliminaram um grande número de terroristas e desmantelaram armazéns de armas e munições de terroristas nas cidades de Homs (Oeste) e Idiib (Noroeste).

Há mais de dois anos, a Síria é cenário de uma onda de violência perpetrada por terroristas, financiados e dirigidos por alguns países ocidentais e vários regionais, como Arábia Saudita, Qatar e Turquia, que têm como fim acabar com o governo do presidente sírio, Bashar al Assad.

Os grupos armados que lutam contra o governo sírio confessaram em várias ocasiões que receberam armamentos de países estrangeiros.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Sem acordo com Irã. Culpa do Ocidente"


Presstv entrevistou Hamidreza Emadi, diretor de redação da Presstv em Teerã, a fim de discutir a negociação entre Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.

O que segue é uma transcrição aproximada da entrevista.

Presstv: Sua opinião sobre o que o Sr. Kaplan (o outro convidado) disse e que basicamente trouxe plutônio nisto, basicamente dizendo que é Paris que atualmente por alguma razão não quer que este acordo siga em frente.

Emadi: Deixe-me citar algo da revista Arab Magazine, “O ministro de defesa francês recentemente acata uma visita à região pela conclusão do acordo de U$ 1.5 bilhões com Arábia Saudita para todos os navios arábicos”.

Isto mostra que os franceses recentemente estão tendo acordos financeiros com países regionais como Arábia Saudita que, todo mundo sabe, é muito contra o acordo com Teerã.

Ao mesmo tempo sabemos que a França providenciou armas nucleares a Israel e que ambos têm acordos militares muito fortes. Assim, a França está ajudando Israel a obter armas nucleares. A França está ajudando Arábia Saudita a reforçar seu setor militar. Assim é como a França trata com estas duas entidades e estes dois mais ferrenhos críticos do tratado com Irã.

É possível que os Israelitas pediram para que a França sabotasse a conversação para o acordo. Sabemos que nada pode acontecer sem a permissão dos EUA. Talvez os EUA também se envolveram nisto. Mas o que sabemos por enquanto é que a França foi a única que tentou seu melhor para contrariar o acordo com Irã no encontro em Genebra.

Presstv: O que você pensa sobre a sub-secretária de Estado estadounidense, Wendy Sherman, ao viajar para Tel um dia depois que as intensas conversas terminaram?

Parece que ela vai à Tel Aviv basicamente para reportar ou receber ordens de Israel. Sua opinião acerca disso; por que ela deveria ir diretamente de Genebra para Tel Aviv sem retornar a Washington?

Emadi: É muito constrangedor para os estadounidenses, para o povo estadounidense, e até para os europeus, que seus governos recebem ordens de Tel Aviv.

Israel é uma entidade que existe há seis décadas e agora dá ordens a países como EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha e até mesmo Rússia e China, sobre o que fazer e como pensar.

Então, o primeiro ministro israelita disse hoje mais cedo que chamou aqueles líderes e que pediu a eles que esperassem e não fizessem acordo com Irã.

O que isto significa? O que o G5+1 está fazendo agora é apenas gastar o tempo dos iranianos. Apenas gastando o tempo dos europeus. Apenas gastando o tempo dos EUA, se ouvir o que Israel está lhe dizendo.

[Em resposta a Lee Kaplan]: Não se trata de judeus, Sr. Kaplan, não estamos falando de judeus. É Israel. É um regime falso. Não tem que ver com os judeus. Tem tudo que ver com os sionistas. Não se trata de atacar os judeus; não tem nada que ver com ataque aos judeus.

Quem tem armas nucleares? Israel tem armas nucleares, Israel não assinou o Tratado da Não-Proliferação (NPT), Israel está tecnicamente em guerra com todos os países regionais. É assim que é, esta é a realidade.

Presstv: S.r Kaplan disse o que o Sr. Netanyahu disse – que “um acordo ruim é um acordo ruim” – agora que estamos falando sobre uma entidade sobre a qual supõe-se ter muitas armas nucleares e que conseguiram – se for oportuno dizer – criticar Irã, que continuamente disse que é um projeto nuclear pacífico e que não estão buscando armas nucleares nem as possuem.

Então, o que isto significa? Assim como na comunidade internacional e na legislação internacional, onde Israel tenta anular e evitar um acordo entre Irã, que não tem armas nucleares, e os G5+, tem de continuar a tratar com sanções e todas as outras pressões de partes da comunidade internacional?

Emadi: Israel não quer que a crise termine. Israel quer que essa crise fique onde está, porque Israel é um tipo parasita de criatura que vive das crises. Ele quer crise na região. Quer crise no mundo, porque pode contar ao povo que temos um inimigo, que temos de gastar dinheiro em projetos militares, que temos de atacar outros países porque temos inimigos.

Então estes projetos belicistas e de difusão do medo têm de continuar para que Israel sobreviva. De outro modo Israel não poderia sobreviver, porque Israel é um regime falso.

Voltando à conversação do G5+1 com Irã, o fato do problema é o time de negociação iraniano, um monte de pessoas diriam que não era um grupo sério, mas nesse momento em torno do Sr. Zarif, Ministro de Relações Exteriores, e seu time são um grupo sério e ninguém no Irã duvida da sua seriedade.

Se o ministro de relações exteriores não pode chegar a um acordo com o outro partido significa para os iranianos que não é culpa do time de negociação iraniano, que foi a culpa do outro grupo. Assim fica bem claro para os iranianos que o outro partido, o partido ocidental em particular, está perdendo tempo, não está negociando de boa fé, de forma séria. Isso precisa mudar.

Esta dinâmica precisa mudar e o partido ocidental em conversações deve parar de ouvir Israel se desejam pôr um fim a esta crise de uma vez por todas.

[Em resposta a Kaplan]: Nós temos direitos nucleares sob a lei internacional. Não se trata de judeus. Trata-se de Israelitas. Trata-se de sionistas…e o mundo todo sabe o que os sionistas são agora, o que eles estão fazendo ao mundo todo. Os sionistas estão destruindo o mundo inteiro.

Presstv: O sr. Kaplan disse antes de tudo que Israel não tem usado armas nucleares. Eles podem ter, mas claro que nós sabemos que Israel usou armas químicas contra palestinos e outras muitas vezes sem ser condenado na comunidade internacional, como sustenta agora a situação na base. Quão provável que Teerã e o G5+1 será capaz de chegar ou não a um acordo?

Emadi: Irã é muito sério sobre a conversação. Irã diz que estamos prontos a aliviar toda a preocupação dos EUA e outros sobre seu programa nuclear. Irã diz que estamos sendo mais transparentes. Irã diz que estamos prontos a qualquer coisa para mostrar ao mundo inteiro que o nosso programa nuclear é pacífico.


Mas enquanto Israel influenciar a conversação, enquanto o primeiro ministro israelense chamar esses líderes ocidentais e dar ordens a eles para não entrar em acordo com Irã, não sei o que estas conversas repercutem, não sei qualquer ponto na negociação com países que não têm autoridade para negociar. Assim é como é a situação. Eles devem parar de dar ouvidos a Israel se desejam chegar a um acordo.

Via Presstv

domingo, 3 de março de 2013

Assad pede fim do financiamento estrangeiro a grupos terroristas

Presidente Bashar al-Assad, disse em uma entrevista que o conflito interno no país árabe desde Março de 2011 se deve, em parte, ao financiamento do terrorismo por nações estrangeiras, como a Turquia, Arábia Saudita e Qatar.



"Se alguém quer sinceramente ajudar a Síria e contribuir para o fim da violência em nosso país, só pode fazer uma coisa: ir para a Turquia, Qatar e Arábia Saudita para dizer-lhes para parar de financiar o terrorismo na Síria", disse o presidente, que mais tarde disse que "a Al-Qaeda e sua ideologia são uma ameaça e um perigo não só para a Síria, mas para toda a região."

Assad destacou que está disposto a conversar com qualquer órgão político, a fim de acabar com o conflito que aflige a Síria e que deixou mais de 20.000 mortos, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Na Síria, fizemos duas decisões: lançar o diálogo e combater o terrorismo. Nós, como qualquer outro país soberano, não vamos negociar com terroristas ", aludindo à" guerra midiática contra a Síria para impedir que a verdade de alcance o mundo exterior. "

Presidente al-Assad manifestou a disposição do governo sírio para negociar com qualquer pessoa, inclusive os militantes que entregassem suas armas ", mas não lidar com terroristas determinados a continuar a portar armas, pessoas aterrorizando, matando civis e atacando locais públicos, instituições privadas e destruir o país ", disse ele.

Nesse sentido, Al Assad disse que pode resolver seus conflitos por meio do entendimento sem a participação internacional. "Nós somos um país com 23 milhões de pessoas, temos um exército nacional e as forças policiais, nós não precisamos de combatentes estrangeiros para defender o nosso país."

"O que deve ser questionado aqui são os papéis dos outros países como o Qatar, Turquia, Arábia Saudita, França, Inglaterra e Estados Unidos de apoiar o terrorismo, direta ou indiretamente na Síria", salientou o presidente sírio.

Al Assad agradeceu as posições de países como Irã e Rússia, que manifestaram em reiteradas ocasiões seu apoio ao povo sírio e sua rejeição de uma possível intervenção internacional.

"O papel da Rússia é muito construtivo, o Irã dá um extremo e o papel do Hezbollah é de defender do Líbano, e não a Síria", disse al-Assad.

Durante a entrevista, o presidente al-Assad ressaltou: "Eu tenho dito repetidamente que a Síria é uma linha de demarcação geográfica, política, social e ideológica, de forma a jogar com esta linha teria graves repercussões em todo o Oriente Médio".

Presidente iraniano apela para diálogo nacional na Síria

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse durante uma reunião com Síria Vice-Primeiro Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros e Expatriados, Walid al-Muallem, que seu país está no lado da Síria nessa guerra, e sublinhou que a única maneira de resolver a crise é para cessar a violência e iniciar um diálogo nacional.

Ahmadinejad descreveu como "positiva" programa político apresentado pelo presidente Bashar al-Assad, acrescentando que "a Síria terá sucesso graças à sabedoria da sua liderança e do povo sírio se apegam a paz".

O presidente iraniano disse que está acompanhando de perto os acontecimentos na Síria e disse que "o Irã é um país irmão da Síria e se encontra junto a ela em face da guerra cósmica que presencia".

Ele acrescentou que a força da Síria e se apegará a seu exército e as pessoas em torno de sua liderança, obrigaram todos a reconhecer o fato de que não há outra maneira de resolver a crise, em vez de a cessação da violência e através do diálogo e entendimento nacional, afirmando que "o programa político apresentado pelo presidente Assad é bom e positivo."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Novo tráfico de armas do ocidente sionista para os terroristas na Síria

Na foto, evidência de uso de armamento químico

Na Síria, grandes quantidades de armas foram contrabandeadas para terroristas respaldados por estrangeiros, por alguns países regionais aliados dos EUA, principalmente Arábia Saudita. Os meios ocidentais reportaram os envios de armas pesadas que entram nas fronteiras da Síria e chegam ao denominado "Exército Síria Livre".

Mais sangrentos enfrentamentos ocorrem na Síria com a chegada de armas mamis sofisticadas de países da região e do Ocidente a homens armados respaldados por estrangeiros que lutam contra o exército sírio. Esta é uma realidade e já não é secreto, inclusive nos meios de comunicação ocidentais. "The New York Times" falou recentemente sobre envio de armas da Croácia compradas pela Arábia Saudita a favor dos armados na Síria. Segundo o sítio web, são armas sem retrocesso, rifles de assalto, lança-granadas, metralhadoras, morteiros e foguetes desparados do ombro. Não obstante, o exército sírio disse que está ganhando mais terreno, sobretudo nos subúrbios de Damasco.

Os especialistas dizem que o envio de armas por alguns países aos terroristas respaldados por estrangeiros tem como meta bloquear qualquer iniciativa de paz para os distúrbios da Síria.

O governo sírio reiterou muitas vezes seu chamado ao diálogo nacional sem condições e com todas as partes, incluso com os homens armados sírios e com os que vivem fora do país e buscam voltar. Sem embargo, muitos grupos de oposição da Síria seguem pedindo a derrubada do presidente, Bashar al Assad, como base para travar o diálogo nacional.

Com o contrabando de mais armas sofisticadas aos insurgentes apoiados por estrangeiros, a esperança de estabelecer um acordo político diminui cada vez mais. Sem embargo, o exército sírio, ainda assim parece ter a capacidade para enfrentar os militantes para lograr importantes avanços.

Via ANN