terça-feira, 24 de março de 2015

13 mulheres que mentiram sobre estupro e por que

O que levaria uma mulher a mentir que foi estuprada? Eis abaixo alguns exemplos de mulheres que cometeram o crime de denúncia caluniosa ou denúncia falsa – e por que elas o fizeram.

Duas histórias sensacionais sobre estupro nos meios de comunicação trouxeram luz sobre a questão das acusações caluniosas de estupro, possibilitou que muitos se perguntassem por que, exatamente, uma mulher mentiria sobre ter sido estuprada. Em suas memórias, Lena Dunham alega que ela foi estuprada por Barry, um brilhante, bem conhecido direitista conservador na Universidade, mas sua versão não diante de averiguação. Jackie, a mulher no centro da matéria da revista Rolling Stone sobre a cultura das fraternidades “gregas” na Universidade de Virgínia, alega ter sido estuprada por um gruo de estudantes, mas discrepâncias em seu relato resultaram na revista voltar atrás em relação à história publicada e questionar a credibilidade de Jackie. Nós não sabemos se qualquer dessas mulheres fez ou não uma acusação caluniosa, mas acusações caluniosas de estupro podem ocorrer, e realmente acontecem. A seguir estão 13 das razões por que mulheres podem mentir sobre estupro.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro para acobertar a infidelidade.
Certa noite, Nicola Osborne ficou um pouco bêbada e acabou na cama com um homem, que juntamente com ela desfrutou de “extensivas atividades sexuais”. O episódio inteiro foi consensual e dois ambos trocaram números de telefone ao final da experiência. No caminho para casa, ocorreu a Osborne que seu marido poderia não achar uma coisa tão ótima suas “atividades” e se sentiu frustrada e seu mal-estar foi visível. Quando pessoas passando por ela vieram ajuda-la, ela lhes disse que tinha sido raptada à força e estuprada por um estranho, o que deflagrou uma resposta maciça da polícia para encontrar o estuprador. Um subsequente teste de DNA levou a polícia ao homem com quem ela tinha passado a noite e ele foi preso e mantido pela polícia por 12 horas. Uma vez que a verdade veio à tona de que o encontro foi consensual, Osborne foi acusada de queixa caluniosa e condenada a 18 meses de prisão. Mulheres podem mentir sobre estupro para acobertar sua infidelidade.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro para justificar por que elas apreciam pornografia.
Quando a mãe de Elizabeth Coast a encontrou vendo pornô na internet, Elizabeth explicou que suas ações foram resultado de violência que ela tinha sofrido nas mãos de um vizinho. Ela testemunhou que quando seu vizinho tinha 14 anos e ela 10, ele a havia molestado sexualmente. Seu testemunho foi convincente o suficiente para conseguir a condenação daquele homem. Ele foi sentenciado a sete anos, dos quais cumpriu quatro, até que Elizabeth se sentiu culpada demais e admitiu que tinha mentido sobre um homem inocente. Ela foi então condenada a dois meses de prisão pela mentira e a pagar U$ 90.000,00 em reparação. Mulheres podem mentir sobre estupro para explicar por que elas veem pornografia.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro porque têm uma doença mental.
Rosanne England arranhou o próprio rosto, rasgou suas roupas e inventou uma história sobre um homem ter pedido para usar seu telefone e então a estuprado violentamente. Ela deu à polícia uma descrição detalhada do que aconteceu para combinar com um homem de 59 anos, pai de duas filhas adolescentes, que não tinha nenhum álibi, já que ele passeava com seu cão por uma floresta quando ela alegou ter ocorrido o estupro. O homem foi preso por 28 horas, até que testes de DNA finalmente o inocentaram. Ele continua a enfrentar suspeitas de seus vizinhos sobre ser um estuprador. Rosanne não deu nenhuma justificativa para a acusação, além de sofrer de “doença mental”. Mulheres podem mentir sobre estupro por terem uma doença mental.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro porque elas estão se sentindo culpadas.
Kelly Harwood bebeu alguns drinques e decidiu que dormir com o filho de uma amiga seria uma boa ideia. Após refletir melhor, ela decidiu que tinha traído a confiança de sua amiga ao fazer isso e denunciou o filho da amiga por estupro. Ela disse à polícia que tinha sido estuprada enquanto dormia e o filho da amiga foi submetido a um “exame médico intrusivo e interrogado cuidadosamente”. Dois dias depois, Kelly teve pena e admitiu que ela tinha mentido sobre o estupro. Ela sofre de depressão, exacerbada pela quantidade de álcool que ela tinha consumido. Mulheres podem mentir sobre estupro por se sentirem culpadas.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro se o sexo for ruim.
Lynette Lee arranjou um encontro com um homem que ela tinha conhecido através de um site de paquera. Tiveram um encontro, que terminou em sexo consensual num quarto de motel. Lee então denunciou o homem por estupro. Ele foi interrogado pela polícia, que depois voltou a falar com Lee. Ela então confessou ter mentido sobre o estupro porque “ela não gostou do sexo”, “foi ruim”. Mulheres podem mentir sobre estupro se elas acham o sexo ruim.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro quando são reprovadas em exames.
Rhiannon Brooker viu que seu estilo de vida de baladas estava prejudicando sua vida quando ela, estudante de Direito, foi reprovada no equivalente ao exame da OAB em seu país. Ela disse à banca de examinadores que seu desempenho foi afetado por “circunstâncias extenuantes” e acusou o próprio namorado de múltiplos crimes de estupro e agressão, inclusive de dar-lhe um soco tão forte no estômago que ela teria abortado uma gravidez. Ela feriu a si mesma para consubstanciar as acusações. O acusado passou 36 dias na prisão, até a polícia confirmar que ele estava trabalhando e tinha álibis para cada uma das acusações caluniosas de estupro. Rhiannon foi condenada a três anos e meio por acusações caluniosas. Mulheres podem mentir sobre estupro [e violência, e morte violenta de nascituro, N. do T] por serem reprovadas em prova.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro por causa de complicações causadas por medicações psiquiátricas.
Katherine Bennett teve sexo consensual com um membro da guarda nacional, mas depois relatou à polícia que ele a tinha sequestrado em um estacionamento, levado a à sua casa, drogado e estuprado sob ponta de faca, antes de ela ter conseguido escapar. A polícia conseguiu estabelecer que a história tinha sido inventada, mas não antes de o guarda nacional perder seu emprego e ter sua reputação seriamente danificada. O advogado de Bennett disse que ela sofre de depressão e obsessão compulsiva e “embora sua condição e complicações devidas à medicação não fossem excusas para a denúncia caluniosa, foram fatores contribuintes”. Mulheres podem mentir sobre estupro por causa de complicações com medicações psiquiátricas.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro quando elas querem atenção.
Gemma Gregory, desesperada por atenção de policiais, prestou oito acusações caluniosas de estupro, acusando sete homens diferentes em um período de seis anos. Ex-namorados foram submetidos a exames de DNA, interrogados e um enorme tempo de trabalho policial foi desperdiçado para Gemma ter a atenção que ela tanto precisava. Após gravar centenas de ligações feitas por ela, a polícia a prendeu e acusou de crime de denúncia falsa. Mulheres podem mentir sobre estupro quando querem ter atenção.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro para obter simpatia.
Linsey Attridge estava com alguns problemas de relacionamento com seu namorado e precisava ganhar um pouco de simpatia dele. Ela navegou pelo Facebook e encontrou uma foto de um homem de 26 anos, com um irmão de 14, que ela nunca tinha conhecido, e os denunciou a ambos por estupro violento. Para fazer sua história ficar ainda mais crível, ela socou a si própria no rosto, rasgou as próprias roupas e disse à polícia que os dois homens tinham invadido sua casa quando o namorado estava longe e a submeteram a um ataque brutal. Ambos foram presos e tiveram suas vidas viradas transformadas, quando o caso ficou conhecido por toda a comunidade local. Linsey eventualmente admitiu ter inventado tudo e foi sentenciada s 200 horas de serviço comunitário. Ela nunca pediu desculpas. Seu namorado terminou o relacionamento. Mulheres podem mentir para obter simpatia.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro para deixar seus namorados com ciúmes.
Hannah Bryon estava com raiva do namorado por ele ter terminado a relação com ela. Querendo um pouco de atenção e para deixa-lo com ciúmes, ela lhe disse que um homem com quem ela tinha flertado a atacou em uma ponte, estuprou-a e então jogou dinheiro nela para que pegasse um taxi. O homem que ela identificou como seu estuprador foi preso e passou por uma difícil investigação e interrogatórios, mas foi capaz de provar à polícia com evidências que ele não tinha atacado Hannah. Hannah foi condenada a 150 horas de serviço comunitário, com sentença suspensa. Mulheres podem mentir sobre estupro para deixar os namorados com ciúmes.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro por vingança.
Quando o namorado de Cori Lynn Osiecki terminou com ela e começou a “espalhar rumores” sobre ela, ela decidiu impor-lhe uma vingança prestando uma queixa estupro contra ele. Ela foi levada de ambulância para o hospital, onde um “kit de estupro” foi usado para colher evidências e iniciou-se uma investigação. Eventualmente, Cori Lynn admitiu que tinha mentido sobre a agressão porque “queria se vingar dele”. Mulheres podem mentir sobre estupro por vingança.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro porque elas estão “de mau humor”.
Isabella Himmel estava em um bar e seu amigo não estava prestando atenção nela, o que a deixou “de mau humor”. Então, ela disse a outro amigo que ela tinha sido estuprada por um grupo de estudantes (homens) na Universidade de Connecticut. Esse amigo acreditou na história dela e contatou a polícia, deflagrando um alerta para mais de 30.000 estudantes uma grande perturbação na vida do campus. Um vídeo de vigilância, porém, não mostrou nenhum ataque. Isabella então concordou que ela talvez não tivesse sido agarrada pelos cabelos e submetida a um estupro por cinco homens, mas poderia ter sido chutada ou poderia ter apenas caído. Isabella deve completar um programa que poderia levar ao abandono da acusação de denúncia falsa que pesa contra ela. Mulheres podem mentir sobre estupro por estarem “de mau humor”.
  1. Mulheres podem mentir sobre estupro quando suas amigas ficam bravos com elas.
Biurny Peguero estava extremamente bêbada, num bar com amigas, e impulsivamente aceitou uma carona numa van com três homens. Quando ela percebeu onde ela estava, ficou amedrontada e histérica. Os homens a levaram de volta ao bar e foi quando o problema começou. As amigas que ela tinha deixado para trás estavam irritadas com ela e uma briga começou entre as mulheres, que trocaram alguns socos. Quando uma amiga exigiu saber se os homens tinham estuprado Biurny, ela disse que sim. Algumas escoriações resultantes da briga com suas amigas foram aceitas como evidência de estupro e um homem passou quatro anos na prisão por causa da acusação. Mulheres podem mentir sobre estupro quando suas amigas ficam com raiva delas.

É assustador ver que isso nem mesmo é uma lista completa de razões por que mulheres mentem sobre estupro, mas se podemos considerar algo claro é que mulheres mentem, sim, sobre estupro.

Este artigo foi postado originalmente no Thought Catalog e foi republicado no A Voice For Men, com permissão da autora. Tradução: Aldir Gracindo.

Retirado de Avoiceformen

sábado, 21 de março de 2015

Tártaros da Crimeia estão prontos para levar Turquia e Rússia à Eurásia

Desde o início da crise na Ucrânia e do acontecido referendo do retorno da Crimeia à Federação Russa muitos da mídia ocidental especularam sobre que tipo de efeito teria a crise sobre a minoria tártara que existe na Crimeia. Muitos deles se surpreenderam ao ver que entre a população islâmica na Crimeia há muitos ativistas pró-Rússia que não têm uma opinião positiva sobre o governo da Junta de Kiev. Em entrevista para a revista acadêmica sérvia, Vasvi Ambduraimov, líder da organização dos tártaros da Crimeia "Mili Firka" fala sobre a história do seu povo e da situação na Crimeia.

1. Você poderia nos contar algo sobre você e sua organização e sua história, raízes e influências?
- Milly Firqa (traduzindo do Tártaro da Crimeia: o partido do Povo), a organização pública, foi criada na Crimeia em 2006 em resposta à política agressiva nacionalista da Ucrânia contra os "lutadores indígenas", quando a questão étnica dos tártaros da Crimeia chegou a um impasse. E a política da acelerada assimilação dos Tártaros da Crimeia pela dissolução da nação em todo o território da Ucrânia foi executada pelas autoridades da Ucrânia através da estrutura Kurultay Mejlis, criada por eles. A base da ideologia de Milly Firqa é a doutrina do grande educador do Leste Ismail Gasprinski sobre a unidade eslavo-turca nos espaços abertos da Eurásia como condição necessária da preservação e desenvolvimento dos mundos russo e turco e seu povo dentro de um sistema sociocultural. Agora a Organização Pública Republicana de Desenvolvimento Sociocultural da Crimeia de Milly Firqa (o nome completo da organização) está registrada no Ministério da Justiça da Federação Russa com o estatus de entidade legal. Eu tenho honra em liderar o Conselho de Milly Firqa e de representar a organização em todos os níveis.

2. Em muito da mídia ocidental podemos ouvir afirmações de Mustafa Dzemilev e sua organização "Mejlis" sobre repressão corrente contra os tártaros da Crimeia. Mustafa Dzemilev representa a verdadeira voz dos tártaros da Crimeia? Quanto da população tártara da Crimeia apoia ele?
- E não há surpresa. Sobre quem deveria escrever a grande mídia ocidental, quanto sobre os satélites e condutores de um euroatlantismo no ambiente da Crimeia Tártara quem é a estrutura da Kurultay Mejlis e suas cabeças Mustafa e Refat Chubarov?! Nenhum mortal pode ser a única voz para este ou estes povos. Sempre foi, é e continuará sendo Um-Acima de Tudo. Quanto ao apoio de Dzhemilev à Crimeia Tártara, penso que logo será estreitado aos seus pais diretos e aqueles que ele apoia com dinheiro que generosamente recebe do mesmo governo ocidental e das instituições ocidentais. Na Crimeia ucraniana, Dzhemilev foi requerido, na Crimeia Russa não.

3. O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto para reabilitar os Tártaros da Crimeia e outras minorias que sofreram sob Stalin. Qual é sua opinião sobre este decreto, é um bom passo em direção ao desenvolvimento dos direitos minoritários na Federação Russa e à tentativa de corrigir injustiças históricas feitas contra os tártaros da Crimeia, ou é apenas propaganda, como alguns dizem?
- O decreto do presidente Vladimir Putin pôs um fim à questão de reabilitação dos tártaros da Crimeia e dos representantes das minorias étnicas que sofreram sob Stalin. Agora a base necessária e suficiente está criada na Federação Russa pela solução de todas os problemas dos povos oprimidos, inclusive os Tártaros da Crimeia. O que diz o decreto. O caso é pela realização prática que é muito digna. Estou convicto que a solução da questão geral e nacional da Crimeia, como componente, é em interesse do fortalecimento da Federação Russa e de seu sucesso nos projetos geopolíticos iniciados por Moscou como alternativa às aspirações euroatlânticas de submissão do mundo a um centro único.

4. Há o problema do islamismo entre alguns membros da comunidade dos Tártaros da Crimeia. Quem tem interesse em trabalhar contra o Islã tradicional na Crimeia e espalha heresias tais como o wahabismo? Teve algum corpo oficial e organização por trás disto?
- O problema do extremismo internacional e do terrorismo é ua ameaça para toda humanidade. Normalmente esses fenômenos se mascaram em formas religiosas de uma ou outra religião. Mas é um puro satanismo e não tem nada em comum com as religiões do monoteísmo. No ambiente islâmico, ideias misantrópicas são cultivadas através de uma e outra seitas. A Crimeia não foi exceção. E entre os Tártaros da Crimeia houve aqueles que infestaram um vírus perigoso. Praticamente na Crimeia eles não permanecem, todos eles fugiram para a Ucrânia onde são usados na guerra contra a Rússia, contra a Crimeia, contra os Tártaros da Crimeia.

5. Como Tártaro da Crimeia, você tem boa opinião sobre a Turquia. Qual é sua opinião quanto à ideia da comunidade tártara da Crimeia servir como uma ponte entre Rússia e Turquia?
- A Turquia é uma ligação especial do mundo turco, sendo próxima da civilização ocidental, do mundo árabe oriental e do mundo russo. Que tipo de vetor de desenvolvimento será escolhido por Erdogan e seu time em muitos aspectos depende do destino do mundo. A Turquia é mais oriental do que ocidental. Uma integração mais próxima da Turquia moderna com o Oriente e com a Rússia, a meu ver, é mais natural do que se recusasse os valores tradicionals e a espiritualidade em favor de um "buraco negro" das "luzes" ocidentais. E neste sentido nós, os Tártaros da Crimeia, estamos prontos a nos tornarmos a "tocha" para a Turquia, tendo aberto um caminho para que o grande mundo turco entre em uma comunidade com a Rússia...

via CSS

quarta-feira, 11 de março de 2015

O Álcool e a Alma

Por Alexandr Dugin


 Estudar nadando, estudar nadando,
Aprender a beber vodka da garrafa,
E cedo cedo de Maupassant
Ler só uma história de "The Horla"
[Evgeny Golovin]

Os Segredos do Espírito

O vinho é uma substância tabu em muitas civilizações sacras. Ao seu uso tradicionalmente se associam muitos rituais e cerimônias. Indicativo de que a palavra "espírito" vem do latim "spiritus" - espírito. Os cabalistas também associaram o vinho com aspectos interiores e esotéricos. Em Hebreu, a palavra "vinho" e "mistério", "segredo", têm o mesmo valor numérico, e portanto, são sinônimos no sentido místico. Este assunto é mais amplamente desenvolvido na tradição islâmica. A Sharia, lei exotérica, das regras da religião externa estritamente proíbe aos islâmicos beber álcool, sendo considerado um pecado terrível. Em total contraste a esta forte posição está a tradição Sufi, dentro do islamismo, na qual, pelo contrário, beber vinho é fortemente louvável, e de vários modos, as virtudes do álcool são glorificadas. Pelo álcool - a propósito, a palavra em si tem origem arábica - os sufistas, islâmicos esotéricos, chamam sua "doutrina secreta", "doutrina interna iniciatória". Desde que o álcool é proibido para externos e permitido para internos,o povo da Sharia lida com a aparência de verdade, enquanto o povo tarikata - com ela própria.

Mas, claro, uma simples intoxicação não garante o alcance da verdade obrigatória. Este é apenas o meio para ela. E como todo caminho, pode ser um sucesso, mas pode acabar em nada. Não exatamente em nada, vamos nos corrigir. Se um homem passar ao caminho, ele nunca será o mesmo ainda que venha a se perder. Um passo adiante é uma nota irrevogável. É um processo irreversível. Portanto, os ensinamentos iniciatórios são cuidadosamente camuflados por véus impenetráveis de alegorias e fórmulas obscuras.

O Islã providencia uma importante imagem da realidade. A circunferência - a sharia, o exterior. O centro do círculo - a verdade, hakikat. O raio da circunferência para o centro - a tariqa, que significa em árabe "o caminho". E é este raio que é chamado na língua da tradição iniciatória "vinho". E é idêntico à iniciação secreta. A propósito, na base da mesma lógica os hindus chamam as doutrinas iniciatórias do Tantrismo de "o caminho do vinho".

O mesmo paradigma é a base do ritual das práticas de bebidas dos famosos taoístas na tradição chinesa e dos mistérios de Baco na Grécia Antiga.

Um Sonho Espiado

O vinho não é apenas um símbolo, uma alegoria. Na tradição tudo está interligado. Se algo é relacionado a algo, então estas coisas estão praticamente relacionadas também. Em outras palavras, se o álcool é sinônimo de iniciação, significa que a ação produtiva disto no homem em geral deveria reproduzir um cenário de iniciação. Embriar-se - é um caminho, um caminho para dentro.

E de fato, o álcool produz um tal efeito nas pessoas que elas sentem como que entrando no seu próprio ser. Assim, embriagar-se é como sonhar. Nisto todas as coisas são o mesmo como num sonho ganham significado especial, previsível e vago ao mesmo tempo, palavras e sons são ouvidos de um novo modo, a fluidez das associações e meias-visões capturam os bêbados. Itens e sentimentos mudam suas proporções. Uma razão insignificante causa uma reação dissipada, ameaças ou perigos são ignorados. Um bêbado escala o telhado, caminha em muros, sobe em uma árvore, num tubo. Corre na autoestrada. Ataca o mais forte. Em geral, comporta-se de um modo especial quando o mundo externo está bem menos pesado e denso, menos fixo e concreto com relação ao estado consciente. É um sonho, mas um sonho com testemunho. A presença da testemunha deste "sonho" está na base de um remorso da ressaca. O homem, mesmo enquanto lembra do que aconteceu durante a bebida, sente remorso, como se tivesse feito algo inconsciente. Este é o resultado do efeito do "segundo estado", que escapa da razão crítica antiga.

Dormir e embriagar-se são tipologicamente próximos. Um homem entra neles como em áreas da sua alma.

Mestres do Álcool

Eleva-se um sério enigma. Se beber é tão positivo de um ponto de vista espiritual, por que os bêbados produzem impressões repulsivas, causam nojo e desconforto, ao invés de deleite? Falta de vergonha, olhos virados, boca sebosa e contrações musculares idiotas, palavras inarticuladas, fungadas, raiva, porca sexualidade, travessuras repulsivas e desajeitadas a não ser para si mesmo...

O ponto é que o álcool em si só abri os portões de dentro, mas não providencia segurança no caminho e não garante a chegada no destino. Nas civilizações tradicionais os ritos alcoólicos foram mantidos de acordo com um cenário estritamente definido.

Eles eram precedidos por treinamento iniciatório, durante o qual foi mantido um padrão e leis de viagem alcoólica, providenciadas dicas importantes, referências e objetivos, e listados riscos. Além do cenário, durante a intoxicação ritual, necessariamente tinha que estar presente um "condutor" ou um "professor" que liderava o bêbado (ou os bêbados) através do labirinto do mundo interior, mantinha-os de um certo modo, dava conselhos e locais apropriados.

O álcool dissolve a ilusão material da corporalidade irresistível, que determina o modo de existência na consciência cotidiana. Mas ao mesmo tempo em que se opunha ao dormir normal uma pessoa mantinha um certo controle sobre a realidade física, que deveria teoricamente passar por vários estágios dissolutíveis sob a supervisão de uma mente não-dormida. Nisso está o sentido da mágica influência do álcool.

Mas para passar por todos os estágios deste caminho, deste "flutuar", deve-se ter atenção muito concentrada e consciência desenvolvida. Caso contrário a carne dissolvida só fará mirar espaços intermédios entre o corpo e a alma.

É isto o que aparece na mente de ordinários e familiares bêbados, vislumbres. Esta área intermédia é muito interessante. Depois de tudo, é dentro dela que o evento mais importante de intoxicação acontece. Aqui o álcool faz devanear, claro, cai em um vórtice espiralado.

O Átrio (Atrium)

A tradição monástica ortodoxa - em particular, Abba Dorotheus, e depois todos os hesicastas - dão uma descrição detalhada da natureza delicada do homem.

Esta tradição, em contraste com o judaísmo e com o Yoga indiano, põe o "embrião da alma", "o osso da imortalidade" no coração, e não na base da espinha.

Isto é devido ao fato de que a iniciação cristã analisa o segundo estado de dedicação (iniciação) quando uma força vivamente misteriosa se ergue do cóccix para o coração.

Assim a fina fisiologia corresponde ao caso normal da constituição de todos os cristãos ortodoxos batizados (católicos e protestantes têm isto diferente, mas isso é outra história), e a fase da ascensão deste poder pertence ao estágio anterior de "catecúmeno".

Nós podemos identificar uma pintura do círculo islâmico - sharia, tariqa, hakikat ou círculo, raio, centro - com o corpo humano. A pele - "casacos de pele", casca, "manto epidérmico" - um círculo. O tato - a principal parte "terrestre" da percepção desperta. O coração - o centro, o pólo. E entre eles estão os planos físicos e os órgãos internos. A propósito, Abba Dorotheus providencia um símbolo do círculo, a circunferência do rario e, em relação a ordem da realidade. A mesma figura - com alguns itens historica e misticamente importantes - abre com o manuscrito do protopadre Avvakum.

O papel mais importante na fina fisiologia está com o átrio. É simbolizado pela "serpente enrolada ao redor do coração", pelo "dragão antigo que guarda o tesouro". O coração - a alma. O átrio - um espaço que guarda a entrada.

Na base disto os padres de Smart Doing alertaram contra "o desenvolvimento do átrio líquido". Por causa disso vêm dois excessos - agressividade e gozo. Agressividade- masculino, o começo inflamado. O gozo - feminino, úmido. No mais profundo interior da alma se esconde a luz atrás do véu do átrio da serpente. E se a operação dentro da entrada não é executada cuidadosamente, forças falsas surgem da personalidade do praticante. A experiência falha.

Em todo caso, o significado é estritamente idêntico. O átrio é a casca da alma, e a expansão da energia da alma para fora, na área do átrio, gera explosões masculinas de agressão e erotismo feminino.

O caminhante do caminho do álcool se move na direção oposta. Ele se aproxima do centro a partir de fora, mas tocando a fonte da sua vida, o coração, a alma, ele produz um efeito similar - derramando a substância do coração na "região da serpente". O dragão adormecido desperta, ataca o avistado estranho e o engole. Aqui nós temos uma criatura inarticulada sem sentido (e algumas vezes vômito) com lampejos de desejo e agressão. O fraco apenas geme e baba. Mas a impiedosa serpente faz dos fracos seus escravos. E então nenhuma dica será de ajuda.

Modelos Nacionais do Alcoolismo

Claro que verdadeiros rituais iniciatórios alcoólicos não existem hoje. Apenas ocasionalmente em um impulso revolucionário desesperado individual homens grandes tentam restaurar o mistério de sua dimensão mágica. Assim é Evgeny Golovin, "Admiral" [Almirante], o capitão permanente da iniciação "Bateau Ivre" no centro da Eurásia. Para o selante Rabelais construiu sua "metafísica" da bebedeira o maravilhoso Guy Debord. O alquimista francês Claude d'Izh segue o caminho úmido no mesmo "mar filosófico". Mas estes "desconhecidos superiores" são exceções altamente valiosas. A maioria bebe no modo desesperado profano. Mas aqui também se pode construir uma hierarquia.

Os povos mais próximos do alcoolismo sacro são os autóctones da Sibéria, os índios americanos, os Chukchi, os Esquimós, etc. Aqui estão preservados fragmentos de experiências místicas iniciatórias de intoxicação. Todo mundo entende que "fogo água" é uma viagem barata ao outro lado, um tipo de "transe shamânico". Sobre todos estão, claro, os shamãs propriamente. Mas a "água de fogo" comprou um certo elemento da "democracia" e, portanto, todo mundo é capaz de seguir o shamã. Isso não acrescenta a pureza da experiência, mas o próprio fato das predileções dos arcaicos ao álcool devem ser compreendidas como somente um fator positivo. A nostalgia por uma realidade multidimensional nesse campo de mercado murcho, emasculado, mecânico e cartesiano testemunha saúde espiritual, e não degeneração genética.

A segunda categoria - os russos. Eles são por sua vez mais profanos do que os arcaicos, a cultura cética fez seu trabalho. Mas ainda retêm muitos elementos do sagrado. Primeiramente, os russos quase nunca bebem sozinhos. Entre as pessoas, é considerado um "último grau da decadência". O famoso "em três". Isso demonstra a natureza do mistério da empresa. As pessoas vão nadar, ajudar umas às outras, deixando os limites da separatividade diária do corpo, transbordar em um novo organismo coletivo, plástico e inesperado. As potências da alma se unem. Todos assistem um sonho interativo. Por segundo, conversações bêbadas tanto agora como no passado se movem em temas abstratos - "política", "respeito mútuo (ou desrespeito)", "mulheres", etc. Assim a concentração da consciência é intuitivamente mantida, a consciência balança na beira de cair em uma passividade vegetativa de um corpo caído.

E finalmente, a bebedeira mais inferior é praticada no Ocidente - entre os anglo-saxões, os franceses ou escandinavos dormidos. Aqui está uma versão totalmente feminina. Solidão, a pintura do delírio alcóolico é inteiramente focado no aspecto corporal e sexual. Em uma fina fisiologia do homem ocidental, miseravelmente e um pouco ridículo é não só o coração, mas também o átrio. O dragão ocidental em outros locais do mundo está para confundir facilmente como sanguessuga. Dois três cenários, lampejos de sadomasoquismo, barulho de motor no vazio, colapso no nada, em um típico dormir capitalista sem sonhos. O álcool ajuda a ruborizar o untermensch para limpar a água. Para eles, o tipo não-acoólico é melhor.

Há outro, mais inferior. Mas não no sentido nacional, e sim no sexual: o caminho do vinho para as mulheres. Isso é um rito estritamente masculino. Os russos entendem perfeitamente este momento sacro. Mannerbund ("união masculina"), "fraternidade de bêbados", deve ser ocultada das esposas e das moças, em oposição a elas. A mulher distrai da concentração interior (repele), e ao mesmo tempo previne a experiência de viajar e vagar espontaneamente (limita). Elas são interferências de contemplações imóveis que jogam para um pulo dinâmico.

O alcoolismo feminino é o mais dessacralizado, o tipo ocidental. Especialistas em drogas sabem que beber aí é muitas vezes algo solitário, não conectado propriamente com uma função de "nova comunidade". A fina estrutura da mulher é significantemente diferente da estrutura masculina. Não acidentalmente, acredita-se que os homens têm o olho direito que representa o sol, enquanto o esquerdo representa a lua - e para as mulheres é todo o contrário. Isto é um reflexo de contraposição simétrica. "O caminho dela - como dizia Nietzsche - é a aquisição do abismo de sua própria superficialidade". Em outras palavras, o caminho iniciatório é considerado para mulheres exclusivamente com "sobriedade".

A trajetória inteira é oposta. Os homens precisam cair no sono sem se tornar inconscientes, enquanto as mulheres precisam despertar sem acordar.

"Escute, afogado, escute"

A verdadeira experiência, a experiência com sucesso, experiência iniciatória, assume um-tempo e um caráter irreversível. Isto se aplica inteiramente ao nadar alcóolico. Apesar das tempestades de vento e das tempestades, calmarias e turbilhões, o objetivo é alcançar a margem oposta. Pois é a margem da alma. Ali começa a "nova vida", nasce um "novo homem". Não, não é o fim, é apenas o começo, mas o presente, no outro lado da tolice das quimeras do submundo, que nós - absoluta, equivocada e fundamentalmente - consideramos ser a vida, ser.

Haverão muitas tentativas assim como haverão maus começos, acidentes, barcos quebrados. Infortúnio aos perdedores condenados à repetição. Mas nós não podemos não render a justiça ao tragicamente morto, afogado pelo "grande sonho", vítima do átrio tóxico. Aí está uma vida horrível - nos abismos oceânicos do mercúrio úmido, mas não mais terrível do que no único em que todos nós estamos chafurdando.

Didática é irrelevante aqui. É apenas importante saber de fato o preço das coisas, dispersar a estupidez das algas e conversas tendenciosas de manipuladores culturais.

O álcool pode libertar, pode escravizar, e pode deixar de uma forma desgraçada na qual você agora está.

Você jamais pode contar com certeza. Se for sortudo, então, como disse Golovin:

Na sua frente, como uma fantasia maligna
Deve explodir um cogumelo podre do conhecimento
Aprender a nadar, aprender a pular
Na mãe das pérolas, dos peixes voadores

Para o jornal "Limonka", 1997
"Coisa Russa," Arctogaia, 2001

sábado, 7 de março de 2015

Sobrevivente de atentado, comandante Novorrusso discursa


Uma tentativa de assassinato de Alexey Mozgovoy, comandante de Prizrak ("Fantasma"), uma brigada de artilharia, aconteceu em uma rodovia nos arredores de Alchevsk, República Popular de Lugansk neste 07 de março de 2015, às 19h do local. Três IEDs atiraram contra seu carro e o comandante escapou da morte com apenas uma ferida leve na cabeça. Imediatamente depois de receber tratamento médico, Mozgovoy gravou um vídeo. Ele disse que perdoou aqueles que organizaram o atentado, salientando que ele não participará de uma "briga de aranhas em um pote", porque "há tarefas mais importantes a cumprir, como construir um novo sistema nacional legal" que deve dar poder ao povo comum em uma verdadeira República Popular. Ele também sustentou que o objetivo da sua luta não é por apenas uma República de Lugansk ou República de Donetsk, mas por uma Nova Rússia unida. Concluindo, ele parabenizou as mulheres da Nova Rússia, da Ucrânia e da Rússia pelo Dia Internacional da Mulher.

via Southfront

Comunicado da Unidade Internacionalista Ernesto Che Guevara

Muitos já conhecem Rafael Lusvarghi, importante voluntário brasileiro na Nova Rússia, que antes do cessar fogo batalhou em Donetsk, Lugansk e participou da vitória na batalha de Debaltsevo contra as tropas fascistas da Junta Ucraniana.
bandeira da Unidade Ernesto Che Guevara

Unidos a ele estão outros camaradas brasileiros na Unidade Internacionalista Ernesto Che Guevara, formação de Pervomaiska com fim de sabotagem e infiltração na linha de frente. Além do mais, esta unidade acolhe voluntários de outros países.

A seguir, comunicação da Unidade na página do facebook:

Orientações para voluntários:
- Se apresentar 
- Passaporte, não é necessário visto, o brasileiro tem a permissão de permanecer três meses na Rússia
- Passagem para a Rússia
- Na Rússia, em Moscou tomar ônibus para Pervomaisk, ou Stkhanov ou Lugansk (mais informações caso necessário)
- O ônibus costuma sair nos dias pares, por isso se prepare para permanecer algum tempo em Moscou, segundo sua conveniência e necessidade.
- O ônibus custa por volta de 1600 rublos, somente a ida. A volta custa praticamente a mesma coisa.
- Cem dólares, então, são o mínimo necessário para se ter além da passagem de avião.
- A passagem pela fronteira é normal e convencional (mais informações caso necessário).
- Aprender russo será uma necessidade. Não importa se você não sabe agora (recomendamos que já comece a estudar), mas durante sua estadia se prepare para aprender o idioma. O inglês não é totalmente imprescindível, mas é muito útil e até certo ponto necessário. Na nossa unidade já existe um macedônio falante de inglês e outros anglofónos estão por vir, pois é uma unidade internacional. Além disso, o inglês facilitária sua viagem até certo ponto.
- Com sua vinda confirmada, serão fornecidos contatos para te apoiar.
- É necessário experiência militar? Não, mas é desejável. Disciplina e clareza nas ideias, o minimo de saber escrever de uma maneira calma e correta, são necessários.
- É preciso aderir a certos princípios humanos básicos de respeito ao povo local, respeito aos camaradas, RESPEITO AO INIMIGO, respeito aos costumes locais entre outros princípios relativos a cortesia e a solidariedade.
- Nós não somos mercenários, nem conquistadores e nem terroristas, quem vir deve estar pronto para servir o povo.
- É preciso concordar com a necessidade de se derrubar a Junta fascista de Kiev e, no mínimo, a libertação de todas as províncias que compõem a Novorrússia. Suportar toda a iniciativa de estatização, controle operário, nacionalização dos bancos e renúncia das dívidas.
- Não é aceitável a condenação do projeto imperialista contra a Rússia e conivência com o mesmo no Brasil. Quanto a política interna, recomenda-se um certo nível de reserva.
- Atualmente, tenham claro que esta é uma unidade de infantaria voltada para a infiltração, reconhecimento, sabotagem e diversionismo, situada no FRONT de Pervomaiska. Não, isso não quer dizer que todos serão jogados contra o inimigo como buchas de canhão, mas qualquer interesse em atuar outra unidade, especialmente de artilharia, deve ser discutido com antecedência. Tomar parte em assaltos de ofensivas é, até então, opcional. O treinamento existe, mas é básico e prático, de acordo com as possibilidades. Não se iluda com treinamentos, esqueça os filmes - a familiarização com a arma é o suficiente para se ter um soldado, caso esteja realmente despreaprado, não será levado para ação. Sim, existem funções mais simples, mas estas estão sujeitas a discussão e ao momento. ESTEJA PRONTO E CIENTE, NINGUÉM VAI TE ARREMESSAR PARA A MORTE, MAS NÃO SE ILUDA, ESSE É UM EXÉRCITO POPULAR EM SITUAÇÃO DE GUERRA. A maioria dos guerreiros locais não tinha formação militar antes da guerra.
- Nós e o Grande Exército do Don mantemos uma disciplina um tanto horizontal e respeitosa, a noção de voluntariado é mais sagrada do que em outros grupos, o respeito é lei. Os oficiais só cumprem funções, a rigor não existe oficialato e a relação entre todos é a relação entre GUERREIROS, não entre soldados e aristocratas a milhas de distância chamados de "oficias". Esse espírito democrático se manifesta ainda mais em nossa unidade, mas LEMBRE-SE de respeitar o conhecimento daqueles que o têm e LEMBRE-SE DE AQUI É GUERRA. Aqui não existe o fanatismo castrense, todos são voluntários, mas guerra é guerra.

Obrigado,
VENCEREMOS

sexta-feira, 6 de março de 2015

Sobre o Fascismo

 Por Alain de Benoist


Foram propostas inumeráveis definições do fascismo. A mais simples é, no entanto, a melhor: o fascismo é uma forma política revolucionária, caracterizada pela fusão de três elementos principais: um nacionalismo de tipo jacobino, um socialismo não democrático e o chamado autoritário à mobilização das massas.

Apesar de ideologia, o fascismo nasce de uma reorientação do socialismo em um sentido hostil ao materialismo e ao internacionalismo. Dirigindo-se a um eleitorado majoritariamente de direita, ele teve por promotores homens da esquerda. Nem o racismo nem o antisemitismo lhe são consubstanciais (Zeev Sternhell). Em suas encarnações concretas, foi modelado pelos acontecimentos históricos do início do século XX (Primeira Guerra Mundial, revolução soviética), pelo quadro geral da época (modernização da sociedade global) e pela natureza de seu eleitorado (essencialmente as classes médias, as vezes com compomente proletário).

A experiência das trincheiras junto ao desencanto pela técnica, descreveu muito bem Jünger, marcou um corte fundamental. Durante a Primeira Guerra Mundial a sociedade pareceu dividir-se em dois grupos: os combatentes e os outros. Retornados do frente, os primeiros tiveram o sentimento de ter conquistado direitos sobre aqueles outros que não tinham lutado.

Os combatentes acreditaram em uma sociedade onde as virtudes da guerra (coragem, espírito de camaradagem, disponibilidade permanente) reinariam também em tempos de paz. A retórica patriótica, quando ela se desenvolvia sobre o fundo da luta de classes, não poderia ser senão uma ilusão trabalhosa. Depois da Grande Guerra se viu, pela primeira vez, coincidir a exaltação nacionalista e o desaparecimento (relativo) das diferenças sociais. Enfim, é também com a Primeira Guerra Mundial que o espírito antidemocrático "deixa de buscar seus principais apoios no passado" (Georges Valois). Mescla explosiva. A revolução bolchevique, ao mesmo tempo, mostra que um movimento revolucionário pode chegar ao poder mobilizando as massas.

Ela introduz a ideia do homem novo e impõe um modelo de compromisso político de tipo sacerdotal. Um apostolado político. As formas tomadas pelo fascismo para conjurar a ameaça do comunismo serão formas miméticas: elas imitaram mais as do adversário do que puderam eficazmente combatê-lo (Ernst Nolte).

Por detrás de um discurso as vezes tradicionalista, entendido como arcaizante, o fascismo foi fundamentalmente modernista: ele alentou e sustentou todos os desenvolvimentos da ciência e da indústria, favoreceu a tecnocracia nascente, contribuiu para a racionalização da economia e a institucionalização do Estado-Providência. Na medida em que ele vislumbrava a abolição das classes sociais do século XIX, e que, por outro lado, ele tinha portado uma vontade de poder que não podia desdenhar nenhum dos úteis postos a sua disposição pela tecnocracia, ele não poderia atuar de outra maneira. Como Adormo e Horkheimer tinham já observado nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, o fascismo, o comunismo e o New Deal representaram diferentes versões de um projeto de reconstrução social do Estado que estava chamado a desempenhar uma função principal na racionalização da economia e na reconfiguração das relações sociais. O fascismo se apoia no fundo sobre a trilogia moderna: Estado-Povo-Nação. Todo seu esforço está dirigido a tornar sinônimos estes três termos, que se separam hoje em dia.

Nascido sobre o signo do Fascio, o fascismo antes de tudo desejou aparecer. Assim quis reunir as classes sociais e as famílias políticas em outra época opostas para consolidar a unidade da nação. Esta foi por sua vez sua força e sua debilidade. Obsessivo pela unidade, foi centralizador.

Pretendendo conjugar o espectro da guerra civil, ele engendrou ódios absolutos, deixando como herança sequelas incuráveis. Seu jacobinismo, seu nacionalismo subjetivo, é fonte de todos seus fracassos: quem tende à unidade exclui necessariamente aquele que não se deixa conduzir à unidade.

É o espírito de comunidade, que marcou profundamente o fascismo, que não permite caracterizá-lo como próprio. Ele não deu senão uma versão particular. No fascismo, a ideia de comunidade está viciada pela convicção de que aquela deve ser animada e dirigida a partir do alto, em uma perspectiva estatista, enquanto que um verdadeiro espírito comunitário é incompatível com o estatismo.

O século XX foi sem dúvida o século dos fascismos e dos comunismos. O fascismo nasceu da guerra e morreu na guerra. O comunismo nasceu de uma explosão política e social e morreu de uma implosão política e social. Não pôde ter fascismo senão em um estado em processo de modernização e de industrialização, estado que pertence hoje ao passado, pelo menos nos países da Europa Ocidental. O tempo do fascismo e do comunismo está acabado. Na Europa do Oeste todo "fascismo" não pode ser hoje senão uma paródia. E o mesmo ocorre com o "antifascismo" residual, que responde a este fantasma com palavras ainda mais anacrônicas. É porque o tempo dos fascismos já passou que hoje é possível falar dele sem indignação moral nem complacência nostálgica, como uma das páginas centrais da história do século que acaba de terminar.

Fonte

domingo, 1 de março de 2015

O Terceiro Totalitarismo (crítica desde a Quarta Teoria Política)

Por Alexandr Dugin

Na ciência política, o conceito de totalitarismo está implícito nas ideologias comunistas e fascistas que proclamam abertamente a superioridade da totalidade (a classe e a sociedade no comunismo e o socialismo; o estado, no fascismo; a raça no nacional-socialismo) sobre o particular (indivíduo).

Se opõem à ideologia liberal que situa, do outro lado, o particular (indivíduo) sobre o todo (como se essa totalidade não pudesse ser compreendida enquanto tal no poderia ser plenamente entendida como tal). O liberalismo combate portanto o totalitarismo em geral, incluindo o do comunismo e o do fascismo. Mas, ao fazê-lo, o próprio termo "totalitarismo" revela muito sua conexão com a ideologia liberal - e nem os comunistas nem os fascistas estariam de acordo com o termo. Portanto, todos os que usam a palavra "totalitarismo" são liberais, independentemente de sua consciência a respeito.

À primeira vista, a imagem é perfeitamente clara e não dá lugar à ambiguidade - o comunismo é o primeiro totalitarismo, o fascismo é o segundo. E o liberalismo é sua antítese enquanto tal, negando a totalidade e situando o privado por cima dela. Se nos determos aqui, reconheceremos que a era moderna desenvolveu só duas ideologias totalitárias - o comunismo e o fascismo, com suas variações e matizes. Mas o liberalismo, como teoria política que aparece antes das outras e as supera, não poderia ser chamado de totalitarismo. portanto, a expressão "terceiro totalitarismo", que sugere uma ampliação da nomenclatura das ideologias totalitárias, para incluir o liberalismo, não têm sentido.

Mas o assunto do "terceiro totalitarismo" bem pode surgir no contexto da sociologia clássica francesa (escola de Durkheim) e da filosofia pós-moderna. A sociologia de Durkheim sustenta que os conteúdos da consciência individual se formam em sua totalidade sobre as bases da consciência coletiva. Em outras palavras, a natureza totalitária de qualquer sociedade, incluindo uma sociedade individualista e liberal, não se pode excluir. Portanto, o próprio fato de declarar o indivíduo como o valor mais alto e a medida de todas as coisas (liberalismo) é em si mesmo uma projeção da sociedade, quer dizer, uma forma de influência totalitárias e de indução ideológica. O indivíduo é um conceito social - sem a sociedade, o ser humano mesmo não sabe se é ou não é um indivíduo, e se o individualismo é ou não o valor mais alto. O indivíduo aprende que ele é um indivíduo, uma pessoa particular, só em uma sociedade na qual domina a ideologia liberal, que realiza a função de meio ambiente na operação. Assim, aquele que nega a realidade social e afirma a individual também possui em si mesmo uma natureza social. Em consequência, o liberalismo é uma ideologia totalitária que insiste, por métodos clássicos de propaganda totalitária, que o indivíduo é a instância suprema.

Este é o começo de uma crítica sociológica da sociedade burguesa, não de uma crítica social, mas desde uma perspectiva sociológica, ainda que normalmente na França e no Ocidente o socialismo e a sociologia foram se aproximando até o ponto de uma total identificação (por exemplo, ao modo de Pierre Bordeau). Nesse sentido, o caráter totalitário do liberalismo foi demonstrado cientificamente, e o termo "terceiro totalitarismo" adquire lógica e coerência, em vez de ser um paradoxo surpreendente. Desde então, aparece uma série de conceitos sociológicos, tais como "a multidão solitária" (la foule solitaire, David Riesman) e outros.

A sociedade liberal, opondo-se às sociedades de massas do socialismo e do fascismo, se converteu em uma sociedade massificada, padronizada e estereotipada. Quanto mais aspira o ser humano a ser extraordinário no contexto do paradigma liberal, tão mais se assemelha a todos os demais. O que o liberalismo traz consigo é precisamente a estereotipação e a a uniformização do mundo, destruindo a diversidade e a diferenciação.

Por outro lado está a filosofia pós-moderna. No espírito da busca da imanência radical - característica da modernidade - os pós-modernistas implantam a questão da figura do indivíduo. De acordo com seu ponto de vista, o indivíduo é um sinônimo do totalitarismo, mas transposto a nível micro. O indivíduo é um micrototalitarismo que projeta um aparato de supressão sobre o qual o totalitarismo normal é construído nos níveis individualista e subindividualista. Em seu espírito freudiano, os pós-modernistas, explicando a razão como ferramenta de repressão, substituição e também de projeção, a identificam com o Estado totalitário, que reprime a liberdade dos cidadãos impondo sobre eles sua própria perspectiva. O indivíduo é, pois, um conceito, uma projeção de obliteração e violência de uma sociedade totalitária em seus níveis mais baixos.

Os desejos e o poder criativo do indivíduo são constante obliterados. Por cima de tudo, os pós-modernos fazem a comparação com o totalitarismo social - o fascismo e o comunismo - como consequências da estrita estrutura hierárquica do indivíduo racional. Portanto, o conceito de totalitarismo liberal como um "terceiro totalitarismo" adquire pleno sentido e se situa sobre uma base legítima.

Assim, o liberalismo é uma ideologia totalitária e violenta, um meio para a repressão política direta e indireta, para a pressão educativa e a propaganda feroz, que se autoproclama como não-totalitária, ocultando sua própria natureza. Este é um fato científico. O terceiro totalitarismo é totalmente coerente com todas as perspectivas de sua concepção política.

A Quarta Teoria Política aceita completamente esta ideia, uma vez que a mesma permite compreender a imagem completa que unifica as três teorias politicas clássicas da modernidade - a) o liberalismo; b)o comunismo; c) o nacionalismo (e o fascismo). Todas elas são totalitárias, ainda que de maneira diferente. Precisamente, em outro contexto, a Quarta Teoria Política revela o caráter racista das três teorias: o racismo biológico dos nazistas, o racismo de classe de Marx (o progressismo e o evolucionismo universais), e o racismo colonial e cultural-civilizacional dos liberais (que era explícito até meados do século XX e depois se tornou subliminar - ver "A concepção eurocêntrica da política mundial" de John Hobson). A Quarta Teoria Política rechaça todo tipo de totalitarismo - comunista, fascista e liberais. O terceiro totalitarismo hoje é mais perigoso, já que é o dominante. Lutar contra ele é uma tarefa fundamental.

A Quarta Teoria Política propõe uma nova compreensão tanto do todo como de suas partes, para além das três ideologias políticas da modernidade. Esta compreensão pode ser chamado de Mit-sein (Ser-com) existencial. Mas esta compreensão existencial da presença (Dasein), não há nenhum átomo (partes, indivíduo), nem soma de indivíduos (totalitarismo). Na Quarta Teoria Política, "ser-com" significa existir, constituir uma presença - uma presença viva que enfrenta a morte. Estamos juntos só quando enfrentamos nossa própria morte. A morte é sempre profundamente pessoal e, simultaneamente, é algo comum, algo que afeta a cada um de nós. Portanto, é necessário falar não sobre o totalitarismo (uma concepção mecânica conectando as partes e o todo), mas sobre um holismo existencial orgânico. E seu nome é Narod (Povo). Dasein existiert völkisch [O Dasein existe através do povo]. Em clara oposição a um "terceiro totalitarismo". Por um Ser-para-a-morte. Mit-sein. Nós somos o povo.

via 4tpes

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O Confronto: Dugin, Fukuyama e Krastev

Por Flavia Virginia

Steve Paikin da TVO - âncora da mídia educacional canadense de Ontário, o mesmo entrevistador de Michael Millerman em Dezembro passado - convida o filósofo russo Alexandr Dugin, o político-cientista norte-americano Francis Fukuyama e o búlgaro presidente do Centro de Estratégias Liberais (Sofia), Ivan Krastev, para discutir suas perspectivas sobre um punhado de temas no campo político.

Os caráteres

Steve Paikin é o âncora da TVO - não muito inteligente, mas esperto o bastante para fazer duas coisas importantes: jogar a bola para Fukuyama sempre que necessário; convidar uma pessoa para fazer o papel que ele não poderia fazer como um convidado, mas precisa de um empregado liberal: Krastev, o descrente.

Fukuyama aparece como um liberal de moda antiga: operando através de mentiras físicas e metafísicas, levando seus credos e maneiras liberais, para o indissimulado contentamento de Paikin. Ele é certamente um habitué no show e se sente confortável, e também fatigado. O que ele faz ali? Vende seu livro, agradece seus empregados, troça as pessoas com algumas técnicas refinadas - o que é comum.

Krastev, por outro lado, é um liberal pós-moderno contemporâneo, que procede via verdades virtuais, ou seja, verdades que não convêm humanamente. Ele é, assim, mais preparado aos aspectos dividualistas da próxima época (pós-modernidade), e oferece suas bênçãos em uma conversa que terminará como que "por que confiar em instituições que falharam conosco? Atualmente, se é livre para criar/recriar a gama de relações, o modo como se trabalha, o sexo; portanto, é puramente natural que também se escolha sua política, uma política que fecha precisamente com você! Espere apenas dez minutos, estou preparando um app que ajudará você a fazer isto!"

O app não vem, não porque os mestres não podem fazê-lo, mas porque seu dever é gerar um topos de descrença, um vácuo epistêmico, uma desesperança epistêmica. E ele é bom nisso.

Alexandr Dugin pacientemente e etnosociologicamente faz o papel do Outro, de que o liberalismo não pode permanecer de qualquer modo. Ele explica que outros povos podem querer, e querem, destinos feitos por eles mesmos e que o direito de não-interferência é uma dignidade pela qual se deve lutar. Ele também cria uma ponte vanguardista, mas difícil de sustentar, entre passado e futuro, entre tradição e uma Pós-Modernidade feita por cada povo sem a intrusão do Ocidente. Ele explica como o sofrimento, por exemplo, é visto como parte natural da vida russa. Ele está querendo problemas.

Os Dogmas Principais

Os de Fukuyama:
1- Nunca ir ao núcleo das coisas - "Nós [EUA] não somos bons em democratizar países". Mas então de novo, quem no mundo perguntou a você para fazer isto "por nós"? Esta questão tem de ser respondida honestamente - o fato de Paikin não fazer esta questão prova que o show é vendido.
2- Substituir a verdade por correção política - "Democracias liberais não lutam entre si". A ideia é misciva no mínimo por três razões:
2.1 - o problema com esta afirmação está não só na exatidão em si (houveram guerras entre democracias), mas também no fato de que seu credo é precisamente o que leva à guerra entre outros tipos de regime, que são considerados intrinsecamente um crime punível pela guerra; portanto, a afirmação reconhece sua visão prejudicial do Outro como um fenômeno e legitimiza a necessidade de sua morte;
2.2 - a guerra, então, assume uma variedade de funções que, acima de tudo, enfraquecem o valor da vida, que o liberalismo pretende defender, precisamente, a todo custo; a guerra é um sistema fechado de negócios com a participação de alguns terceiros partidos, que fecham com os interesses dos próprios grupos específicos e, por aquelas razões extremamente importantes, não tem de seguir qualquer papel internacional, incluindo o "acordo de gentlemen" estabelecido acima;
2.3 - até mesmo antes da guerra, no entanto, precisamos tomar em consideração outras formas de opressão, como a economia, violência, corrupção, patrocínios de ditaduras, mercado negro, psicologia farmacêutica, substituição de cultura por subculturas, etc., todas elas muito mais "corretas" no quadro discursivo.
3 - tão logo que os princípios soam politicamente corretos ou têm chegado ao nível de cega conformidade, os meios para se chegar a eles e as consequências não contam, deixando de existir no discurso epistêmico liberal - "Há uma obrigação moral para apoiar povos que querem ser auto-determinados". Sim, como no Iraque, levando democracia através do sangramento do povo se supõe salvá-los através da democracia.

Os de Krastev
1 - concordando e discordando na mesma sentença para dissimular suas visões reais e assim manter-se trabalhando por seu mestre, executando suas ordens: descreditar, confundir e, acima de tudo, não deixar espaço para uma conclusão pessoal de parte do telespectador. Krastev vai como "Não quero, não vejo, não creio". Ele soa como um homem no meio do caminho, mas ele é realmente bem assentado na presidência do seu Centro de Estratégias Liberais.

2 - não há confiança possível. O que estava certo é o que ultimamente estava errado. Coisas fora de si. Ou, nas entrelinhas, criar um NGO e obter algum dinheiro para pesquisas de liberais, que é o que melhor pode fazer;

3- Claro que apoia a União Europeia acima de tudo (não está dito lá, mas quase em tudo o mais em sua obra).

Os de Dugin

1 - ele representa o Outro total: tudo que foi antes virtua, tudo que deve existir depois. Dugin deve seguir adiante - nós somos a verdadeira maioria, mas temos muito poucos profetas para lutar nas velozes arenas. Ademais, para lutar com virtualidade. Verdade para manter, apenas não-liberais podem compreender sua mensagem. Entretanto, somos muitos e o que mais precisamos agora é representação.

A moral: vamos traduzir mais dos seus trabalhos, treinar mais pessoas para estar no fronte e vamos nos unir por liberdade.

O Sentido Final

Tanto Fukuyama como Krastev sempre se submeteram a um quadro institucional, nunca chegando ao papel da espiritualidade, da coletividade, da família como entidades outras além das institucionais. Por sua vez, a Igreja existe para atender "momentos" religiosos; como votar ou participação política substitui a coletividade e a família está realmente sob ataque. A pessoa não é vista como um todo, e esta não-antropologia ou pós-antropologia é tão importante para suas ideologias ocultas como a nossa antropologia holística é central para a Quarta Teoria Política.

Isto fica bem claro quando Fukuyama diz "eu não penso que a cultura guia as características humanas que transcendem a cultura - ou seja instituições políticas contam para a cultura", ou com Krastev repetindo "a cultura muda". O resultado desse pensamento é que as identidades podem ser substituídas por qualquer construto ideológico. Isso é precisamente a razão dos liberais compreenderem a cultura como uma configuração de instituições apesar da dinâmica expressão da própria identidade.

Mas, como dito antes, Fukuyama (ou o fukuyanismo) não mais representa um perigo para o cerne das instâncias tais como a Quarta Teoria Política, Eurasianismo e Multipolaridade. Essa retórica carece de pós-modernidade, ainda está cheia de cegas crenças nas maravilhas do mundo liberal ainda mesmo se Fukuyama entitula seu livro "Political Order and Political Decay". Há ainda um gosto de esperança humana aí, e isso deve ficar no passado. Essa é outra era quando povos estão sendo preparados para um profundo mergulho no niilismo. Eles precisam de um discurso nessa direção. Eles precisam estar desconectados do que está dentro, rompido e fragmentado. Uma existência virtual trabalhará como um refúgio para as mentiras que a política, uma pseudo-espiritualidade e um fácil entretenimento cria para eles. Krastev é sua meta perfeita.

Assim, ultimamente, nós temos o seguinte quadro:

-Fukuyama: permanece com o liberalismo (democracia liberal, liberdade individual, individualismo, relatividade, livre-mercado, unipolaridade, imperialismo, politicamente correto);
-Krastev: permanece com o pós-liberalismo (pós-humanidade, dividuum e dividualismo, hegemonia norte-americana/OTAN como globalização, vacuum de valores, virtualidade);
-Dugin: permanece com a Quarta Teoria Política (Tradição, Eternidade, Pós-Modernidade da Luz, Multipolaridade, Eurasianismo, Família, o Sagrado).

Nossas tarefas futuras

Precisamos reconfigurar o modo de transmitir informação e nossas ideias centrais através da mídia. Não podemos emular o modo liberal, não funciona para nós - modo demasiado oco, e somos criaturas do profundo, da amplitude e das alturas. O todo é o nome de nossa identidade, com muitos comos. Nossa principal tarefa é a desconstrução do liberalismo.

via 4pt 

Abaixo, o debate em inglês
 

À Laocracia!

Por Alexander Dugin


Sob o capitalismo, os capitalistas governam. Sob o socialismo - representantes das classes operárias, o proletariado. Sob o nazismo e o fascismo - a elite racial ou nacional, "a nova aristocracia". Sob a Quarta Teoria Política deveria reinar o Narod (Povo, semelhante à palavra Volk para os alemães, e não no sentido de "população").

A Rússia Moderna - tem capitalismo. Logo, é necessário levantar uma revolução anti-capitalista (anti-oligárquica). Magnatas financeiros deveriam ser excluídos do poder político. E isto é o principal. Todos deveriam escolher - poder OU riqueza. Escolha riqueza, esqueça o poder. Escolha o poder - esqueça a riqueza.

A revolução deve acontecer em três estágios:

1 - Ultimato a todos os oligarcas (cem pessoas da lista da Forbes e mais outras cem que se escondem, mas que nós sabemos de quem se trata) juramenta fidelidade ao pensar russo (todos os pensares estrangeiros e estratégicos nacionais devem ser controlados por forças especiais).

2 - Nacionalização da maioria das propriedades privadas de importância estratégica.

3 - Transferência de representativos patriotas de grande capital na categoria de oficiais com a transferência voluntária da sua propriedade ao Estado. Derrota nos direitos civis (inclusive a privação do direito ao voto, participação em campanhas eleitorais, etc.) àqueles que preferem preservar capital em escala não-estratégica, mas significante.

O Estado deve se tornar um instrumento do Narod. Este sistema deveria ser chamado de "Laocracia", literalmente, "poder dos povos" (Laos - do grego, Povo).

Em uma batalha sangrenta pela Ucrânia, nós vemos a verdadeira face do capital - grandes negociantes ucranianos (oligarcas como Poroshenko, Kolomoysky, Ahemetov, etc.) comandam o genocídio contra o Narod; oligarcas russos traem o Narod encabeçando um acordo criminoso com as partes ucranianas. E tudo isso no interesse da oligarquia global - o sistema capitalista global, centrado nos Estados Unidos.

Agora expõe toda incompatibilidade da Rússia com o capitalismo. Ou Capitalismo, ou Rússia.

Isto não é claramente compreendido pelos líderes da Nova Rússia (Novorossiya). Eles, na frente de todo o Narod russo, de fato começaram esta Revolução do Narod Russo. Este é o motivo de furiosamente atacarem os devotos mercenários da junta, porcos-fascistas ucranianos, tão bem como os elementos liberal-capitalistas da quinta e sexta colunas da Rússia. E o mais importante é que se tornaram inimigos existenciais dos EUA e do Governo Mundial. Strelkov, Gubarev, Purgin, Pushilin, Mozgovoy - desafiaram o capital global. E eles fizeram em nome do Narod. Nesse caso, em nome do Povo Russo. Mas se os apoiadores do povo ucraniano fossem consistentes, seriam aliados da Revolução, e não escravos miseráveis do capital global - como o são.

Voltando-se para a Nova Rússia, os ucranianos não se voltam exatamente para a Rússia, e nem mesmo no lado russo, mas no lado do Narod, o Povo com uma carta capital, com lutas em batalha mortal com o mundo do Capital, no lado da Laocracia.

Portanto, a vindoura campanha contra Kiev não é meramente em vingança e não apenas pela liberação das antigas terras russas, mas é uma campanha contra o Capital em favor da Laocracia, o poder do Narod, pelo Estado do Narod.

Não penso que a oligarquia russa apoiará esta campanha, não pode deixar de compreender que seus dias estão contados. É por isso que ela tão histericamente grita "não enviem tropas", desde que a vitória da Nova Rússia significará inevitavelmente um renascimento da Rússia em si mesma, o despertar do Narod. Esta é a razão das tentativas desesperadas em trair a Nova Rússia. Esta agonia da oligarquia russa e de seus mercenários públicos. Sua tarefa - destruir os heróis da Revolução da Nova Rússia - não somente Popular, mas também social, e destruir na raiz.

via Openrevolt

quinta-feira, 13 de março de 2014

Dispara a popularidade de Putin aos 71%



O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem o apoio de 71% dos russos, segundo uma pesquisa divulgada hoje pelo Centro Russo de Estudos da Opinião Pública (VTsIOM, em siglas russas), dependente do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais.

De acordo com os sociólogos do VTSIOM, desde meados de fevereiro, quando estourou a crise na Ucrânia, o apoio à política do chefe do Kremlin subiu 9,7 pontos porcentuais e alcançou seu ponto mais alto desde maio de 2012 (68,8%), quando Putin iniciou seu terceiro mandato como presidente da Rússia.

Para os 64% dos participantes na pesquisa o acontecimento mais importante da semana passada foi a crise na Ucrânia e a situação da Crimeia, enquanto que 32% tendeu à inauguração dos Jogos Paraolímpicos de Inverno em Sochi, Rússia.

A pesquisa, com margem de erro estimada em menos de 3,4%, foi realizada nos últimos dias 8 e 9 em 130 cidades de 42 das 83 entidades da Federação Russa.

Diferente dos presidentes ocidentais, o presidente russo costuma obter índices de aprovação altos. Ainda que as pesquisas mostravam que desde há 5 anos havia uma tendência à baixa desde o máximo obtido em 2008 (70%).

Segundo os resultados do instituto independente Levada Center em dezembro, 61% dos entrevistados aprovava a atividade de Putin, enquanto que 35% não aprovava, o que se supunha 29% em diferencial a favor do presidente russo. Em qualquer caso se tratava de um dos índices mais baixos em seus anos de governo.

Alguns analistas salientaram que a inflação e a desaceleração econômica fez baixar a aprovação pública do presidente. "Diante de um cenário com preços em constante aumento, várias pessoas veem poucas perspectivas de mudança positiva na situação (econômica)", disse o vice-diretor da Levada Alexei Grazhdankin, se referindo ao que em sua visão seria o principal fator negativo sobre a qualificação de Putin.

Por sua vez, é muito provável que a tensão em torno da Ucrânia e na Crimeia tenha consequências econômicas. Por ora a UE e os EUA ameaçaram com sanções, talvez haja uma provável desvalorização do rublo e se produza uma queda das bolsas. Por sua vez, a Rússia anunciou que também responderá.
 

via RBTH