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sábado, 29 de junho de 2019

Fusaro: 'Tontos de esquerda combatem fascismo inexistente e apoiam o mercado'


Diego Fusaro é um dos intelectuais mais polêmicos da Itália, uma vez que ocupa uma posição ideológica que aglutina posições conservadoras e de esquerda. É marxista e suas referências são Gramsci, Pasolini e Costanzo Preve, ao mesmo tempo que é antiglobalista e soberanista, e isso o levou a sustentar posições com as quais muitos salvinistas não estão em desacordo. Vários livros seus foram editados na Espanha, tanto por editoras ligadas à esquerda, como 'Antonio Gramsci, la pasión de estar en el mundo' (Ed. Siglo XXI) ou 'Todavía Marx' (Ed. El Viejo Topo), ou à direita, como o recém publicado 'El contragolpe' (Ed. Fides). O pensamento de Fusaro é um tanto heterodoxo, que está destinado a receber críticas de um lado e de outro, e em não poucas ocasiões foi tachado de vermelho e de fascista, como também se fez com quem o entrevistou, que acusam de branqueamento. Mas aqui assumimos com gosto este risco, porque as ideias do filósofo na moda na política italiana também merecem ser conhecidas.

PERGUNTA. Acaba de publicar 'La notte del mondo'. Explica-me, por favor, por que estamos em uma noite escura, em que ponto se cruzam Marx e Heidegger.

RESPOSTA. Meu livro 'La notte del mondo. Marx, Heidegger e il tecnocapitalismo' (UTET, 2019) é uma tentativa de raciocinar segundo as categorias de Marx e Heidegger sobre o que o próprio Heidegger, com os versos de Hölderlin, define "A noite do mundo". A noite do mundo é uma época na qual a escuridão está tão presente que já não vemos mais sequer a escuridão em si e, portanto, não somos conscientes desta escuridão. Heidegger o expressa dizendo que "é a noite da fuga dos deuses", na qual já nem sequer somos conscientes da pobreza e da miséria nas quais nos encontramos. Esta é uma situação de máxima emergência. Por sua vez, Marx nos 'Grundrisse' dizia que "o mundo moderno deixa insatisfeito, ou, se satisfaz em algo, é de modo trivial". É outra maneira de dizer que estamos efetivamente na noite do mundo, onde sequer vemos o enorme problema em que nos encontramos. No livro eu emprego as categorias de dois autores muito diferentes, como Marx e Heidegger, para tratar de expressar quais são as contradições de nosso presente em que todo o mundo calcula e ninguém pensa. No qual a razão econômica e técnica, técnico-científica, se impôs como a única razão válida e pretende substituir todas as demais.

P. Insiste que o eixo político não deve ser esquerda e direita, mas os de cima e os de baixo. E que ideologicamente devemos ser conservadores nos valores (enraizamento, lealdade, família, eticidade, pátria) e de esquerda [na economia] (emancipação, socialismo democrático, dignidade do trabalho). Essa é a forma de ser marxista hoje?

R. Sim, creio que a geografia da política atual mudou profundamente. Hoje há uma espécie de totalitarismo liberal que nos permite ser liberais de direita, liberais de esquerda, liberais de centro, sempre e quando formos liberais, sempre, portanto, esquerda e direita se convertem em duas formas diferentes de ser liberais ou, precisamente, em liberalismo político e econômico, em prática libertária nos costumes e, claro, em atlantista na esfera geopolítica. Creio que hoje devemos repensar uma recategorização da realidade política de acordo com a dicotomia alto/baixo ou a categoria elite/povo, que às vezes se utiliza como sinônimo. Isso implica que se a elite, o senhor globalista, é precisamente cosmopolita, a favor da abertura ilimitada da livre circulação, o servo, pelo contrário, deve lutar pela soberania nacional-popular como base da democracia dos direitos sociais. Hoje é necessário restabelecer o vínculo entre o Estado nacional e a revolução socialista. Este é o ponto fundamental.

P. Qual vai ser o futuro da UE? Romper-se-á? Quais opções se abririam? Acredita ser possível uma aliança dos países do norte, como Alemanha, Países Baixos, Suécia e outros e outra [aliança] dos países do sul? Como recompor-se-á a ordem internacional se a UE se tornar ainda mais fraca ou se vier a se romper?

R. Devemos ser muito claros ao dar uma definição da União Europeia. A União Europeia é a união das classes dominantes europeias contra as classes trabalhadoras e os povos da Europa. É a vitória pós-1989 de um capitalismo que se realiza completamente, dissolvendo os últimos bastiões de resistência: os Estados soberanos nacionais com o primado do político e da democracia sobre o automatismo total do tecnocapitalismo. Esta é a União Europeia. Um processo de globalização, de despolitização da economia e da imposição do interesse do capital cosmopolita contra os interesses das comunidades nacionais. Por isso, a luta contra o capitalismo em nosso continente hoje não pode deixar de ser uma luta contra a União Europeia. A tragédia é que a esquerda abandonou esta luta, na medida em que passou do internacionalismo proletário ao cosmopolitismo liberal e, portanto, deixa a luta contra a União Europeia, contra a globalização capitalista, para as forças que, muito frequentemente, não querem a emancipação humana nem a solidariedade dos trabalhadores, tratam simplesmente de reagir, olhando para um passado que já não existe.

P. Como deveriam atuar os países da Europa diante dos EUA e da China?

R. Creio que a Europa pode se salvar apenas se recuperar, por um lado, suas próprias identidades culturais e sua pluralidade estrutural e, por outro lado, se se libertar da ditadura chamada União Europeia, que é a ditadura do capital, dos mercados contra os trabalhadores e os povos, e se se libertar do jugo mortal do atlantismo de Washington. Temos que apontar para um eixo eurasiático que vá desde a Rússia de Putin até a China em função antiatlantista. Devemos nos libertar disso e mudar nosso ponto de vista.

P. Insiste que deve-se combater o globalismo, mas tampouco deve-se apoiar o nacionalismo. Qual é a opção?

R. Creio que hoje devemos ir mais além do globalismo e do nacionalismo. Afinal de contas, o globalismo não é mais que o nacionalismo estadunidense que se tornou mundo e, portanto, é uma forma de nacionalismo levado a seu máximo desenvolvimento. Creio que é necessário fazer valer, contra estes dois opostos, um modelo de internacionalismo entre Estados soberanos solidários, baseados na democracia, no socialismo e nos direitos das classes mais frágeis e, em consequências, em uma espécie de soberania internacionalista, democrática e socialista, distanciada tanto do cosmopolitismo que destrói as nações, quanto do nacionalismo que é um egoísmo pensado a nível da própria nação individual.

P. O Estado é o primado do político sobre o econômico. Por isso o mundo global quer acabar com os Estados?

R. Os Estados nacionais soberanos, na modernidade, não apenas foram os lugares do imperialismo, do nacionalismo e das guerras, como repete a ordem do discurso dominante, que quer destruir os Estados para impor o primado do capital globalista, onde os Estados se converteriam unicamente nos mordomos do capital. Esta é a visão liberal do Estado. Na verdade, os Estados nacionais soberanos também foram lugares das democracias e das conquistas salariais das classes fracas. E por essa razão que hoje o capital quer destruí-los, certamente não para evitar as guerras ou o imperialismo que, de fato, prosperam mais que nunca no marco pós-nacional. Hoje o Estado pode representar o único vetor de uma revolução opositora contra o capital mundialista, tal como demonstram perfeitamente os acontecimentos dos países bolivarianos, como Bolívia, Venezuela ou Equador que, apesar de seus limites estruturais, estão criando formas de populismo soberanista, socialista, patriótico, anti-globalista e identitário [identitário: de identidade étnica].

P. Por ideias como estas você foi chamado de fascista. Suas posturas políticas assustam mais a esquerda que a direita. Por quê? Nessa demonização, que papel desempenham os meios de comunicação e a Academia?

R. Claro, hoje em dia a categoria de 'fascismo' é usada de maneira completamente a-histórica e descontextualizada, para demonizar simplesmente ao interlocutor. Hoje quem reafirma a necessidade de controlar politicamente a economia e, portanto, reintroduzir a soberania contra a abertura cosmopolita, é vilipendiado e tachado imediatamente de 'fascista', 'vermelho-pardo' e 'estalinista'. A categoria de fascismo está, pois, completamente a-historizada, apenas serve para ocultar o verdadeiro rosto do que Pasolini já havia identificado como o verdadeiro fascismo de hoje: o da sociedade de mercado, o totalitarismo dos mercados e das bolsas de valores especulativas. Este é o verdadeiro rosto do poder hoje em dia, e muitos tontos que se intitulam de 'esquerda' lutam contra o fascismo, que já não existe, para aceitar completamente o totalitarismo do mercado. Estes últimos são os que lutam na França contra Le Pen para aceitar de bom grado Macron. Lutam contra um fascismo que já não existe para poder aceitar a nova porrada invisível da economia de mercado. E, claro, a classe intelectual, o circo midiático e o clero intelectual desempenham um papel fundamental neste processo; a tarefa da classe intelectual, acadêmica e periodística é garantir que os dominados aceitem o domínio da classe dominante ao invés de se rebelar. De modo que, como na caverna de Platão, amem suas próprias correntes e lutem contra qualquer libertador.

P. Insistiu que com uma mão nos dão direitos civis e com a outra nos cortam direitos sociais. Nisto consistem as chamadas políticas da diversidade?

R. Os chamados 'direitos civis' [LGBT, feminismo e afins] são hoje em dia, na verdade, nem mais nem menos que os direitos do 'burguês', que Marx havia descrito em 'A questão judaica'. Em outras palavras, são os direitos do consumidor, como diríamos hoje, os direitos do indivíduo que quer todos os direitos individuais que pode comprar concretamente. Estou pensando nos ventres de aluguel, por exemplo, na custódia das crianças segundo a lógica de custo do consumidor. Pois bem, hoje estamos assistindo a um processo mediante o qual o capital nos corta os direitos sociais, que são direitos vinculados ao trabalho, à vida comunitária da pólis; anula estes direitos e, em troca, aumenta os direitos do consumidor, sempre vinculados a um consumo que se leva a cabo de maneira individual, sem questionar nunca a ordem da produção e o fato de que, realmente, terminam fortalecendo o sistema capitalista ao invés de debilitá-lo.

Além disso, criam uma espécie de microconflitualidade generalizada que atua como uma arma de distração massiva e, também poderíamos dizer, como uma arma de divisão massiva permanente. Por um lado, distrai da contradição capitalista que já nem sequer se menciona, e, por outro lado, por assim dizer, divide as massas em homossexuais e heterossexuais, muçulmanos e cristãos, veganos e carnívoros, fascistas e antifascistas, etc. E enquanto isso ocorre de maneira natural, o capital deixa que as pessoas saiam às ruas pelo orgulho gay, pelos animais e por tudo, mas que não se atrevam a fechar as ruas para lutar contra a escravidão dos salários, contra a precariedade ou contra a economia capitalista? De ser assim, aí está a repressão, como aconteceu na França com os Coletes Amarelos.

P. Salienta que os laços estáveis, representados no matrimônio, se converteram hoje em revolucionários. Por quê? Como mudaram as coisas para que algo radicalmente frequente na História se converta hoje em revolucionário? Em que consiste o consumismo erótico?

R. O capitalismo atual é flexível e precarizador. Desagrega toda a comunidade humana e quer ver em todas as partes o indivíduo sem identidade e sem vínculos, o consumir que trava relações descartáveis baseadas no consumo. Por isso, o capitalismo hoje declarou a guerra ao que eu, em meu livro 'Storia e coscienza del precariato. Servi e signori della globalizzazione' (Bompiani, 2018) chamo de raízes éticas em sentido hegeliano; quer dizer, aquelas formas comunitárias de solidariedade que vão desde a família até os organismos públicos como os sindicatos, a escola, a universidade, até se completar no Estado. Tem como objetivo rompê-las para reduzir o mundo a um mercado único, como disse Alain de Benoist: a sociedade se converte em um único mercado global. Esta é a razão pela qual hoje em dia a reetização da sociedade, quer dizer, a revalorização das raízes éticas em sentido hegeliano é um gesto revolucionário.

P. Afirma que deve-se recuperar Gramsci e distanciá-lo das esquerdas liberal-libertárias que hoje dominam e que são quem mais o utilizaram ultimamente e que encarnam exatamente o que Gramsci combateu. Definiria também, por ir ao caso espanhol, a Pablo Iglesias, ou Íñigo Errejón, e a Podemos em geral, como um fenômeno cultural de glorificação do capitalismo globalizado?

R. Sim, no essencial, Gramsci é todo o oposto do que está fazendo a esquerda na Itália e em grande parte da Europa, as esquerdas já não são vermelhas, mas fúcsias, já não são a foice e o martelo, mas o arco-íris. Lutam pelo capital e não pelo trabalho, lutam pelo cosmopolitismo liberal e não pelo internacionalismo das classes trabalhadoras. O caso específico de Podemos em Espanha me parece bastante interessante, porque começou como força soberanista e socialista, mais além da direita e da esquerda, mas me parece que ultimamente está entrando cada vez mais no fronte único do partido único do capital, e é realmente uma lástima porque o partido Podemos originalmente parecia ser um partido de ruptura.

P. Que papel deve desempenhar o intelectual neste cenário?

R. Na minha opinião, o intelectual de hoje deve restabelecer o que Gramsci chamada de 'conexão sentimental com o povo-nação', quer dizer, deve voltar a conectar o povo à política, à intelectualidade mesma, para que o povo saia da passividade e se transforme em subjetividade ativa, como já está acontecendo, na medida em que o povo está se rebelando contra a elite cosmopolita. Isso ele faz votando por Brexit, votando por Trump, votando na Itália contra o referendo constitucional, na Grécia pelo referendo contra a austeridade da União Europeia. Mas o povo, disse Gramsci, deve ser 'interpretado', necessita de uma filologia viva, o povo é um texto que deve ser interpretado e não dirigido de maneira unívoca. Deve-se escutar suas necessidades, suas exigências, o que a esquerda hoje não está fazendo; a esquerda é demofóbica, quer dizer, odeia o povo, odeia o povo porque o povo lhe escapa das mãos, já não se sente representado por uma esquerda amiga do capital e dos senhores, ao invés dos trabalhadores e do povo.

P. Propõe recuperar a utilização do italiano frente ao inglês, e além disso de um italiano bem falado ou escrito. Entende isso como uma batalha cultural imprescindível. Por quê?

R. Sim, eu proponho, contra a neolíngua dos mercados que fala o inglês do 'spread',  do 'spending review', da 'austerity' e da 'governance', uma veterolíngua baseada na recuperação do italiano com toda sua riqueza, o italiano de Dante e de Maquiavel. É uma batalha cultural de resistência á globalização e a este 'genocídio cultural', como chamada Pasolini, que a globalização está levando a cabo ao destruir as culturas em nome do único modelo permitido: o consumidor de mercadorias, apátrida, pós-identitário, que fala o inglês anônimo dos mercados financeiros apátridas.

via Elconfidencial

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Capitalismo, não o Socialismo, que Levou aos Direitos Gays

Por David Boaz


Alguns historiadores gostam de declarar que ideias socialistas ajudaram a trazer os direitos gays na era moderna. Mas eles estão erroneamente tomando a teoria acadêmica pela realidade.


Jim Downs é um historiador no Connecticut College e em Harvard. Um especialista na história da raça e da escravidão, ele publicou recentemente um novo livro, Stand by Me: The Forgotten History of Gay Liberation, no qual ele tenta remover a história gay recente de um foco excessivo no sexo e na AIDS.

Há várias coisas erradas nisto. Primeiro, é superestimado. Eu estive por perto, em torno dos anos da década de 1970, e eu diria que o socialismo era uma parte bem marginal da comunidade gay ou mesmo do movimento dos direitos gays. Ativistas gays definitivamente se inclinavam para a esquerda, mas eles eram focados no avanço dos direitos gays através do Democratic Party. Downs também tem um novo artigo na revista digital Aeon, no qual ele escreve que "ao longo dos anos 1970, as pessoas LGBT teorizavam sobre os benefício do socialismo em livros e panfletos e criticavam o capitalismo nos jornais e na cultura impressa". Ele segue adiante para discutir os "grupos LGBT" e os jornais que "fizeram do socialismo um assunto principal do interesse político no movimento". Mais significativamente, ele argumenta que "se você quiser dar crédito para a liberação gay e para a igualdade do casamento, crédito deve também ser dado ao socialismo".

Segundo, houveram escritores libertários gays na época, também, na academia, na imprensa popular, e se juntavam em torno do Libertarian Party, salientando os benefícios dos livre-mercados e os problemas do socialismo.

Terceiro, o uso do LGBT é anacrônico. O termo foi dificilmente, se é que foi, usado nos anos 1970. (Ele não usa muito no livro.)

Mas a declaração é mais que superestimada. É errada. E o artigo do próprio Downs oferece a evidência. Em meio ao seu artigo sobre como o socialismo infundiu o movimento dos direitos gays e levou à liberação gay, ele nota o trabalho do historiador John D'Emilio sobre como "o capitalismo tornou possível que o LGBT se movesse para as cidades e se tornasse independente da família como uma fonte de renda. Uma vez que o capitalismo criou a oportunidade para que pessoas vivessem autonomamente, ele involuntariamente permitiu que as pessoas LGBT privilegiassem o desejo homossexual como força diretriz em suas vidas".

Apesar das inclinações à esquerda, D'Emilio viu o mundo de modo mais claro que Downs. Todos os avanços nos direitos humanos que nós vimos na história americana -- abolicionismo, feminismo, direitos civis, direitos gays -- partem de nossa fundação de ideias pela vida, pela liberdade, e pela busca de felicidade. A ênfase na mente individual no Iluminismo, a natuyreza individualista do capitalismo de mercado, e a demanda pelos direitos individuais que inspiraram a Revolução Americana naturalmente levaram as pessoas a pensar mais cuidadosamente sobre a natureza do individual e a gradualmente reconhecer que a dignidade dos direitos individuais deveria ser estendida para todas as pessoas.

Aquelas tendências intelectuais rapidamente levaram aos sentimentos feministas e abolicionistas. Levou mais tempo para que as pessoas tomassem a sério a ideia da atividade homossexual como uma questão de liberdade pessoal e para reconhecer os homossexuais como um grupo de pessoas com direitos. Mas os libertários e seus ancestrais liberais-clássicos chegaram lá primeiro. De Adam Smith e Jeremy Bentham ao Libertarian Party e ao Cato Institute (onde eu trabalho), os libertários estiveram à frente da curva intelectual ao aplicar as ideias da liberdade individual às pessoas gays.

É claro que o capitalismo é mais que uma ideia. É um conjunto de instituições sociais, que Downs corretamente nota que veio sob ataque contundente dos socialistas gays. Mas, como D'Emilio reconheceu, foi o capitalismo que, na verdade, permitiu que os indivíduos vivessem autonomamente e florescessem. O capitalismo libertou as pessoas do feudalismo e da fazenda da família. Ele permitiu a eles que construíssem suas próprias vidas em uma sociedade de mercado com espaço para vidas pessoais e profissionais separadas. Ele deu a elas liberdade e afluência para viver por sua própria conta. O capitalismo levou à industrialização, que levou à urbanização, que ofereceu a anonimidade da cidade para qualquer um que atritava sob as constrições da família e da vila, bem como a chance de encontrar pessoas que compartilhassem seus próprias interesses.

O escritor Eric Marcus produziu um livro de entrevistas com ativistas gays chamado Making History. O que seus assuntos ilustraram -- mesmo quando eles não se davam conta -- foi que era a liberdade de sair de casa e a afluência que permitiu às pessoas que fizessem assim que tornou possível que elas se movessem e escolhessem estilos de vida que quisessem.

Em 1982 o intelectual australiano Dennis Altman escreveu:

"A mudança real na década passada foi um movimento de massa político e cultural através do qual mulheres e homens gays se definiram como uma nova minoria. Este desenvolvimento foi possível apenas sob o capitalismo moderno consumista, que, por todas as duas injustiças, criou as condições para uma maior liberdade e diversidade que são presentes em qualquer outra sociedade conhecida até então. Para aqueles de nós que são socialistas, isso apresenta um importante dilema político, a saber como guardar aquelas qualidades do capitalismo que permitem a diversidade individual enquanto abandona suas iniquidades, exploração, desperdício e feiura."

É claro, qualquer um que encontrar "iniquidades, exploração, desperdício e feiura" nos países capitalistas provavelmente não viveu em países socialistas. Mas como D'Emilio, Altman entendeu as fundações institucionais reais para a vida gay moderna e a identidade gay.

Estes efeitos do capitalismo não aconteceram apenas na Europa e nos Estados Unidos. Em China's Long March to Freedom, o acadêmico chinês-americano Kate Zhou escreve que quando a habitação pertencia e era alocada pelo Estado, era apenas alocado geralmente para casais casados. Uma vez que a habitação foi privatizada, pessoas solteiras e casais gays poderiam providenciar ou alugar acomodações. Mercados de propriedade mais livres também levaram à criação de bares gays, algo que as autoridades estatais de habitação provavelmente não aceitariam. Olhe ao redor do mundo, e está claro que os países com maior liberdade para pessoas gays são aqueles com um grau maior de liberdade econômica. Países que são realmente socialistas estão no nível mais baixo de qualquer medida de liberdade política, liberdades civis, liberdade pessoal, e os direitos LGBT.

Claro, alguns países que são chamados de "socialistas", tais como Dinamarca, Suécia e Canadá, não são realmente socialistas. Eles têm sistemas políticos e econômicos baseados na propriedade privada, no livre-mercado, nos valores liberais, e altos níveis de taxas e transferência de pagamentos -- não tão libertário, mas definitivamente economias de mercado.

Não é o que socialistas gays dos anos 1970 buscavam. Eles queriam o socialismo real, o fim das relações de mercado. Os países que implementaram um tal sistema, desde a União Soviética à Tanzânia e à Venezuela, tiveram menos sucesso em sustentar tanto a prosperidade quanto a liberdade individual do que os países capitalistas.

Aqueles gays intelectuais disseram muito sobre socialismo, mas eles viveram no capitalismo. E se tratava da realidade capitalista, não dos sonhos socialistas, que liberaram o povo gay.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Papa impulsiona a uma rebelião contra o capitalismo

O Papa Francisco está fomentando a desobediência social, levando a uma rebelião das massas contra os superricos capitalistas, assegura o jornalista Paul Farrel.

Em seu artigo MarketWatch o colunista analisa o discurso do Sumo Pontífice na Bolívia em 9 de julho passado.

"A recente viagem de Francisco a América do Sul revelou uma óbvia mensagem socialista e anticapitalista que insta a uma mudança estrutural da economia global que atenta contra o projeto de Jesus", escreve Farrel. Tal conclusão do jornalista se baseia nos argumentos do papa apresentados em continuação.

Terra, teto e trabalho são direitos sagrados

 Todas as pessoas têm direito outorgado por Deus a um trabalho, à posse de terra e a uma renda, segundo a provavelmente mais audaz declaração do papa Francisco.

Não são promessas nem objetivos dos sistemas econômicos atuais dos EUA e outras partes do mundo.

Tampouco estão dentro do ensinamento tradicional da Igreja Católica, que ainda advoga por um trabalho digno, não o declara um direito outorgado por Deus, salienta o jornalista.

O povo, e não a vantagem, deve ser o foco da economia global

Marcando o capitalismo não controlado de "ditadura sutil" e "esterco do Diabo" (como salientou Giovani Papini), Francisco sustenta que quando governa "a ambição desenfreada do dinheiro" o "serviço para o bem comum fica de fora". "Digamos NÃO! a uma economia de exclusão e desigualdade onde o dinheiro reina ao invés de servir. Essa economia mata. Essa economia exclui. Essa economia destroi a Mãe Terra!", insta o papa Francisco.

Bilhões já não podem mais esperar as mudanças

Referindo-se à injustiças econômicas o papa disse que "o tempo parece que está chegando ao fim". O papa mobiliza o povo: "dizemos sem medo: queremos mudança, mudança real, mudança de estrutura!"

A Mudança começa por baixo

O papa salienta que as mudanças estruturais não chegam "porque estão presas a tal e tal opção política". As mudanças de baixo funcionam, disse, porque viver "cada dia encharcado no nó da tormenta humana" comove e move.

Obrigação moral, um mandamento

"A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, a carga é ainda maior: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e aos povos o que lhes pertence", recorda Francisco.

Povo e tradição

No entanto, já em visita à Bolívia, no início do mês de julho passado, o papa já discursava em favor do poder do povo, e afirmou que "a lógica do consumismo busca transformar tudo em objeto de troca, em objetos de consumo, tudo negociável. Uma lógica que pretende deixar espaço para poucos, descartando todos aqueles que não produzem, que não se considera aptos ou dignos porque, aparentemente, não geram resultados".

Também  falou sobre a tradição religiosa e reiterou que a riqueza de uma sociedade se mede através dos idosos que transmitem sabedoria e memória de seu povo aos mais jovens e não deixou de falar do papel das mães na sociedade.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Benoist: "Há que ser de uma ingenuidade vergonhosa para considerar o sistema capitalista conservador"

por Nicolas Gauthier – Recordemos A declaração de François Hollande quando estava em campanha eleitoral: "meu inimigo é a finança!". Hoje, aparentemente ela se tornou sua amiga, como testemunha a chegada ao comando do banqueiro Emmanuel Macron. Quanto à lei que leva o nome deste último, enquanto o MEDEF [a Patronal francesa] sonhava com ela, o Partido Socialista (PS) o fez. Isto lhe surpreende?

Alain de Benoist: Em absoluto. Desde que se uniu oficialmente, se não à sociedade de mercado, pelo menos ao princípio do mercado, em 1983, o PS não fez mais do que caminhar cada vez mais longe até o liberalismo social... cada vez menos social. Isso confirma e ilustra o planejamento de Jean-Claude Michéa, segundo o qual o liberalismo econômico e o liberalismo "societal" ou cultural estão chamados a se unir já que ambos procedem de uma mesma matriz ideológica, começando por uma concepção da sociedade percebida como uma simples soma de indivíduos que só estariam ligados entre si pelo contato jurídico ou pelo intercâmbio mercantil, quer dizer, pelo mero jogo de seus desejos e interesses.

"O liberalismo econômico integral (oficialmente defendido pela direita) leva em si a revolução permanente dos costumes (oficialmente defendidos pela esquerda), do mesmo modo que esta última exige, por sua vez, a liberação total do mercado", escreve ainda Michéa. Ao contrário, a transgressão sistemática de todas as normas sociais, morais ou culturais se converte em sinônimo de "emancipação". Lemas de maio do 68 como "gozar sem travas" ou "proibido proibir" eram lemas tipicamente liberais, que proíbem pensar a vida segundo seu bem ou segundo seu fim. A esquerda, hoje, entrega-se com mais razão ao liberalismo societal na medida em que se converteu inteiramente ao liberalismo econômico globalizado.

NG: O neo-capitalismo financializado e globalizado, que alguns se empenham em considerar como "patriarcal e conservador", não seria finalmente mais revolucionário que nosso "socialismo" francês, manifestamente já quase sem fôlego?

Alain de Benoist: Há que ser de uma ingenuidade vergonhosa para ver no sistema capitalista um sistema "patriarcal" ou "conservador". O capitalismo liberal repousa sobre um modelo antropológico, que é o do Homo economicus, um ser produtor e consumidor, egoísta e calculador, que se supõe que sempre trata de maximizar racionalmente sua utilidade, ou seja, o do "cada vez mais" (cada vez mais intercâmbios, cada vez mais mercado, cada vez mais benefícios, etc.). Esta propensão intrínseca à desmedida conduz a considerar tudo o que pode impedir a extensão indefinida do mercado, a livre circulação dos homens ou a mercantilização dos bens como outros tantos obstáculos que há que suprimir, já que se trata da decisão política, da fronteira territorial, do juízo moral que incita à medida, ou da tradição que nos faz céticos a respeito da novidade.

NG: Não é aí onde o sistema capitalista de une à ideologia do progresso?

Alain de Benoist: Marx já havia constatado que o advento do capitalismo tinha posto fim à sociedade feudal tradicional, cujos valores de solidariedade comunitária tinham sido em sua totalidade afogados "nas águas gélidas do cálculo egoísta". Observando que a ascensão dos valores burgueses tinha sido feito em detrimento dos valores populares, assim como dos valores aristocráticos ("tudo o que tinha solidez e permanência se desvanece no ar, tudo o que era sagrado é profanado"), escrevia que "a burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, portanto, as condições de profissão, portanto, o conjunto das relações sociais". Nesse sentido, falava  da "função eminentemente revolucionária" desempenhada ao longo da História pelo capitalismo, começando pela expulsão dos camponeses das sociedades rurais através de um processo de despossessão de massas que tinha visto a destruição do vínculo imediato entre o trabalho e a propriedade, com o fim de criar um vasto mercado no qual, transformados em assalariados, comprariam desde então os produtos de seu próprio trabalho.

Mais próximo de nós, Pier Paolo Pasolini dizia que, desde o ponto de vista antropológico, "a revolução capitalista exige homens desprovidos de vínculos com o passado [...] exige que estes homens vivam, desde o ponto de vista da qualidade de vida, do comportamento e dos valores, em um estado, por assim dizer, de imponderabilidade - o que lhes permite eleger como o único ato existencial possível o consumo e a satisfação de suas exigências hedonistas". De fato, o capitalismo liberal exige homens sem solo, homens intercambiáveis, flexíveis e mobilizáveis ao infinito, cuja liberdade (começando pela liberdade de adquirir, de intercambiar e de consumir) exige que estejam desligados de suas heranças, de suas pertenças e de tudo o que poderia, por cima deles mesmos, impedi-los de exercer sua "livre eleição". Desde esta perspectiva, romper com as tradições herdadas do passado, romper com a humanidade anterior equivale necessariamente a um bem. Daí a inconsequência trágica desses conservadores ou "nacional-liberais" que querem por sua vez defender o sistema de mercado e uns "valores tradicionais" que este sistema não deixa de laminar.

sábado, 27 de julho de 2013

Bielorrússia: 1 por cento de desemprego graças ao controle estatal da economia

No contexto de uma crise econômica sem precedentes na Europa, com altos índices de desemprego, demissões em massa tanto no setor privado quanto público e a alarmante deterioração das condições da classe trabalhadora, surpreende encontrar um país com uma taxa de desemprego de apenas 1 por cento.



Se trata da República da Bielorrússia, formada por quase 10 milhões de habitantes e presidida atualmente por Alexander Lukashenko. Este país fez parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) até 1991.

Após a desintegração da União Soviética, Bielorrússia se declarou independente e manteve em maior parte o controle estatal da economia. Por exemplo, os bancos estrangeiros estão praticamente excluídos do país, os bens e serviços básicos são subsidiados pelo Estado, os preços de venda ao varejo estão regulados e o governo segue apostando nas empresas estatais. De fato, 51,2 por cento dos bielorrussos trabalham em estatais, 47,4 por cento são empregados de empresas privadas nacionais e 1,4 trabalham para empresas de capital estrangeiro estabelecidas no país.

O semanal britânico The Economist, fazendo referência a um relatório sobre Liberdade Econômica da Heritage Foundation diz em um de seus artigos que "Lukashenko segue um política de intervenção do Estado onipresente na economia" e que "o governo nega os direitos de propriedade privada sobre os bens comuns, conservando os recursos naturais, águas, florestas e terras sob controle público".

O Washington Post, por sua vez, informa que "a economia da Bielorrússia segue sendo controlada pelo Estado e os alimentos da nação são cultivados em granjas coletivas".

Ao que parece, este conjunto de políticas de redistribuição de renda seriam as responsáveis dos exitosos níveis de igualdade na sociedade bielorrussa.

Segundo informações do diário ucraniano Rabochaya Gazeta, o percentual da população bielorrussa que possui renda inferior à linha da pobreza diminuiu sete vezes no período de 2001 a 2008, passando de 41,9 para 6,1 por cento. Os rendimentos reais da população nesse período se multiplicaram por 3. A correlação entre os 10 por cento mais abastados e os 10 por cento mais desfavorecidos em 2009 foi de apenas 5,9 pontos. Também é um indicador ligeiramente inferior ao registrado em outros ex-membros da URSS.

Antorius Broek, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) declarou durante o Informativo sobre o Desenvolvimento Humano de 2011 que "na Bielorrússia há pouca pobreza". Broek declarou segundo o segundo o índice internacional de pobreza, Bielorrússia possui índice quase zero.

Estes dados contrastam com os altos índices de pobreza e desigualdade social que apresentam outras ex-repúblicas soviéticas como Polônia, Ucrânia, Hungria, Romênia ou Letônia, que realizaram uma "transição" para o capitalismo.

Um "mal exemplo" a seguir

Estes dados sócio-econômicos são censuradas nos meios de comunicação de massa, que são controlados pelas grandes corporações e evidentemente atendem aos interesses capitalistas.

Estados Unidos e Europa vêem a República da Bielorrússia como um mau exemplo para os seus vizinhos. É a batalha ideológica que ainda prevalece entre o capitalismo e o socialismo. Não é por acaso que a imprensa capitalista, muitas vezes taxa como "ditador" ou "autoritário" o presidente Lukashenko. Na verdade, o Departamento de Estado dos EUA, foi mais longe e em 2011 financiou cinco partidos políticos e 566 ativistas da oposição bielorrussa e apoiou a formação de mais de 70 organizações da sociedade civil, 71 jornalistas antigovernamentais e 21 meios de comunicações opositores.

Mas, além de manipulação da mídia e ao assédio de Washington é importante esclarecer que a Bielorrússia é uma democracia multipartidária com sufrágio universal. Desde 2007, 98 dos 110 membros da Câmara dos Representantes dos Belarus não são filiados a nenhum partido político e os outros doze membros, oito pertencem ao Partido Comunista da Bielorrússia, três ao Partido Agrário da Bielorrússia, e um ao Partido Liberal Democrático da Bielorrússia. A maioria dos não-partidários representam uma ampla gama de organizações sociais, como trabalhadores, associações públicas e organizações da sociedade civil.

Via LibreRed

sábado, 16 de março de 2013

Pátria Socialismo ou Morte: Casapound homenageia Chávez

O grupo CasaPound Italia homenageou, no dia 10 de Março, Chávez e toda a América Latina com cartazes colocados durante a madrugada em 50 cidades italianas.

"Com a morte de Chávez, que se produziu em circunstâncias muito suspeitas, foi-se um vivaz opositor destas mesmas elites que estão pondo a Itália de joelhos", salientou o movimento. "Talvez seja muito a hora para pôr uma análise final da revolução bolivariana, com suas contradições, mas em uma era em que a soberania e a liberdade de todos os povos se põe em juizo, não podemos deixar de celebrar um firme opositor à gobalização que logrou devolver a esperança ao seu povo e para toda América Latina".

Casapound disse que "quem discute a democracia de Chávez demonstra não ser capaz de renunciar a um sentimento de superioridade ocidental quando fala do que ocorre no resto do mundo. O presidente venezuelano sempre triunfou nas eleições, ultracontroladas por observadores internacionais. No momento em que a "civilizada" Europa teoriza o estado de exceção financeira, impõe governos eleitos por nada e mantém cada vez mais suspeitas para a soberania popular, nos parece ofensivo e fora de lugar pôr em dúvida o pedigri democrático de Chávez".

O movimento acrescenta que "não nos importa classificar a revolução bolivariana em algum rótulo político. A forma em que seu socialismo estava unido à nação e á espiritualidade, explicitamente superando o marxismo-leninismo, é o suficiente para honrá-lo. Sentimos como nossas as palavras que Chávez disse repetindo o juramento pronunciado há 200 anos por Bolívar, também aqui em Roma: 'juro pelo Deus dos meus pais. Juro por minha honra e pela de meu país que não descansarei o corpo e a alma até romper as correntes que nos oprimem'. Saudando Chávez, podemos recordar as mesmas palavras que Benito Mussolini reservou ao Libertador: "Com o espírito e o gênio de um líder conduziu seus homens através de cumes considerados insuperáveis, realçou a concepção de um Estado unificado baseado nas grandes forças da nação".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Cuba cria 4 vacinas anti-câncer, a mídia ignora


Que Cuba tenha desenvolvido quatro vacinas ou inoculações contra diferentes tipos de câncer é sem dúvida uma notícia importante para a humanidade. A OMS diz que aproximadamente 8 milhões de pessoas morrem de câncer por ano.

No entanto, a grande mídia internacional ignorou quase que totalmente essa notícia.

Ano passado, Cuba patenteou a primeira vacina terapeutica contra câncer de garganta avançado no mundo, chamada CIMAVAX-EGF. Em janeiro, a segunda, chamada Racotumomab, foi anunciada.

Testes clinícos em 86 países mostram que estas vacinas, ainda que não curem a doença, conseguiram reduzir os tumores e permitiram a estabilização da doença, aumentando a esperança e qualidade de vida.

O Centro Imunológico Molecular de Havana, uma institução estatal, é o criador de todas estas vacinas.

Em 1985 ele desenvolveu a vacina para meningite B, a única no mundo, e depois outras contra hepatite B e dengue. Por ano, o centro em conduzido pesquisas para desenvolver vacinas contra a AIDS.

Outro centro estatal cubano, Laboratórios LABOFAM, desenvolveu medicina homeopática para o cancêr com o VIDATOX, criado a partir do veneno do escorpião azul. Cuba exporta estes medicamentos para 26 países, e toma parte em companhias conjuntas com China, Canadá e Espanha.

Tudo isso vai contra o estereótipo, reforçado pelo silêncio midiático sobre todos os avanços alcançados por Cuba e outros países de terceiro mundo, que pesquisas médicas de ponta só acontecem nos países desenvolvidos.

Sem dúvida, o estado cubano obtém um benefício econômico da venda internacional desse medicamentos. No entanto, sua filosofia de investigação e comercialização é totalmente oposta às práticas empresariais da grande indústria farmaceutica.

O Nobel de Medicina Richard J Roberts recentemente denunciou a indústria farmacêutica por orientar sua pesquisa não para curar doenças, mas para desenvolver medicina para tratamentos crônicos, o que é muito mais lucrativo.

Roberts sugere que doenças típicas de países pobres, por sua baixa lucratividade, não são pesquisadas. É por iusso que 90% do orçamento de pesquisa é destinado a doenças sofridas por 10% da população mundial.

A indústri medicinal pública de Cuba, ainda que uma das principais fontes de moeda estrangeira para o país, é guiada por princípios completamente diferentes.

Em primeiro lugar, sua pesquisa é destinada, em grande parte, a desenvolver vacinas que previnem doenças e como consequência, reduzem o gasto da população com medicina.

Em um artículo da prestigiosa revista Science, pesquisadores da Universidade de Stanford, Paul Drain ee Michele Barry, dizem que Cuba tem melhores indicadores de saúde que os Estados Unidos, apesar de gastar 20 vezes menos no setor.

A razão disso é a inexistência, no modelo cubano, de pressões comerciais e de companhias farmacêuticas, e uma estratégia de sucesso em educar a população sobre saúde preventiva.