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domingo, 1 de dezembro de 2013

Do zorzal ao sabiá



Por Alberto Buela(*)

Com motivo da publicação de um livro nosso em português, Hispanoamérica Contra o Ocidente[1], tivemos ocasião de passar alguns dias em Curitiba, capital do Estado do Paraná.

Que surpresa foi a nossa quando às quatro e meia da manhã nos acorda, assim como acontece todos os dias em Buenos Aires, o belo porém interminável canto do zorzal, que lá o chamam de sabiá.

Mas esta não seria a única coincidência. Na conferência[2] que citamos se tomava mate, tiveram assistentes vestidos de gaúchos, todo o pessoal que encontramos se mostrou predisposto a falar em portunhol, viajando ao litoral marítimo observamos o costume de pintar as casas de azul e branco, o homem curitibano é muito parecido com o tipo argentino. Enfim, pareceu estarmos em um pedaço da nossa terra.

Quando chegamos ao aeroporto e, como os amigos que viriam nos receber se atrasaram, perguntamos a um policial que estava por aí o que poderíamos fazer e, ao observar nosso pouco domínio do português, nos pediu que falássemos em castelhano, porque ele era descendente de guaranis paraguaios.

No museu histórico paranaense pudemos observar uma sequência histórica temporal da região sobre um grande mural e ali, em homenagem à verdade, figura um primeiro período tupi-guarani, um segundo espanhol e um terceiro bandeirante e, depois, a chegada dos negros, assim até chegar aos dias de hoje.

Como no dia 20 de Novembro se celebra o dia da consciência negra no Brasil, surgiu uma polêmica sobre se o declarassem feriado ou não.

Da leitura dos jornais pudemos aprender que todo o pensamento progressista do Brasil, no qual se inclui o marxismo político e universitário, está em favor da festa e do feriado como uma reivindicação do sofrimento da escravidão negra.

Conversando com alguns amigos de Curitiba comentamos que nos parecia um grave erro, uma imbecilidade. Primeiro porque o monopólio da dor e da exploração não só possuem os negros no Brasil. E se tivesse que homenagear alguma etnia ou comunidade, esta seria a de São Paulo para baixo, a tupi-guarani, que foi massivamente exterminada pelos bandeirantes. Segundo porque outras coletividades, como os italianos, poloneses, alemães, japoneses, espanhóis e chinêses, também podem reclamar o mesmo. Terceiro porque Zumbi dos Palmares é uma lenda marxista para usar os negros como elemento para acelerar a contradição na sociedade brasileira. Além disso, Zumbi dos Palmares, o ídolo negro, tinha uma comitiva enorme que, enfim, vendia como escravos aos bandeirantes. Quarto porque a teoria do multiculturalismo, segundo a qual uma minoria tem razão só pelo fato de ser minoria e não pelas razões de conduzem a seu favor, é uma invenção da intelligensia norteamericana para quebrar as unidades nacionais.

O Brasil, como a Argentina, são grandes espaços territoriais que se conformaram através de uma cultura de síntese. Na verdade, não somos muitas culturas separadas como pretende o multiculturalismo “a la carte”, mas uma intercultura. Quer dizer que em cada um de nós, sul-americanos, que não somos nem tão europeus nem tão índios, vivem várias culturas ao mesmo tempo. Isto deu lugar a esta cultura de síntese, que foi expressa na ideia de mestiçagem, mistura ou simbiose que expressou com grande clareza e lucidez, entre outros, este grande pensador social brasileiro, Alberto Torres (1865-1917).

E esta cultura deu ao mundo um arquétipo de homem que foi e é o gaucho ou gaúcho, cujo território e vigência se extende desde o pampa e a mesopotâmia argentina, passando pelo Uruguai, até os estados do Rio Grande, Santa Catarina e Paraná.

Pensado em termos antropoculturais, esta grande região gaúcha já tem uma expressão unificada: o portunhol. Um arquétipo humano: o gaucho ou gaúcho. Uma história comum: a luta contra Espanha e Portugal e a contemporânea contra os interesses ingleses e norteamericanos. Politicamente, neste grande espaço convergem hoje quatro países: três estados do Brasil, três províncias argentinas, todo o Uruguai e a parte oriental do departamento de Canindeyú do Paraguai. Tudo isso dá para pensar em quantas coisas nos unem, os povos da América do Sul.

[1] Editora Austral (N.T.) 

(*) arkegueta, aprendiz constante, melhor que filósofo

Traduzido por Álvaro Hauschild

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Paraguai: Governo confirma interesse estrangeiro pelo petróleo

O governo confirmou que existem atualmente três empresas trabalhando na exploração do petróleo no Paraguai e outras várias dos Estados Unidos interessadas em aderir. "A riqueza do subsolo paraguaio é gigantesca", assegura a autoridade.



Richard Kent, ministro do Ministério do Planejamento, deu detalhes sobre os temas discutidos na reunião da Mesa de Energia em Mburuvicha Róga.

Comentou que se discutiu sobre as expectativas a respeito da exploração de petróleo no Paraguai.

"O Paraguai tem uma enorme quantidade de reservas, por isso é extremamente importante que o governo faça uma campanha realmente importante com pessoas qualificadas", disse ele.

Garantiu de que todos os documentos sobre prospecções, exploração e acordos com empresas será entregue às autoridades que assumirão em 15 de agosto.

Comentou que existem atualmente três empresas que trabalham na busca e exploração de jazidas no país.

Igualmente, há outras empresas interessadas em assinar acordos com o Estado em torno sobre as reservas.

"Após a exposição foi feita em Miami, há um sumo interesse em vir para o Paraguai para a prospecção e exploração desses depósitos", disse ele.


Via ABC

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Maioria ausente em reunião da OEA que pretendia honrar Franco


Vinte e um dos trinta e quatro Estados da OEA, entre os onze integrantes da União de Nações Sul-Americanas (UNASUR), se ausentaram hoje da reunião protocolária organizada pelo organismo em honra ao presidente Paraguai, Frederico Franco.

Os representantes do Canadá, Costa Rica, México, Estados Unidos, Barbados, Guatemala, Honduras, Bahamas, Trinidad y Tobago, Belice, Saint Kitts e Nevis, Panamá e Paraguai são os únicos sentados no Salão das Américas da Organização dos Estados Americanos (OEA) no início da recepção.

Franco, que era vice-presidente, assumiu o poder em Junho do ano passado em substituição ao presidente Fernando Lugo, que foi destituído em juizo político no Senado, o que motivou a suspensão do Paraguai na Unasur e no Mercosul.

Os representantes da Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador enviaram uma carta de protesto ao presidente de turno do Conselho Permanente da OEA, o representante panamenho Artur Vallarino, pela organização da reunião.

A carta, publicada em sua conta do Twitter pelo embaixador boliviano, Diego Pary, indica que o debate na OEA sobre a situação do Paraguai "não foi concluída, e a data presente, é um tema pendente nesta organização".

"Expressamos nosso profundo repúdio à realização da sessão protocolar, assim como às declarações do senhor Frederico Franco, e comunicamos que não participaremos em tal sessão e nossas cadeiras estarão vazias", salienta a missiva.

Franco quis "esclarecer" os comentários que fez durante sua estadia nesta semana em Madrid, "por ter sido mal-interpretado, ou por talvez o chanceler venezuelano não lhe tenha chegado a informação", disse.

Durante sua visita nesta semana a Madrid, Franco qualificou de "milagre" o falecimento do comandante da Venezuela Hugo Chávez.

Em um ato na Quinta-Feira em Washiington, Franco matizou seus comentários ao salientar que "não deseja a morte a ninguém", ainda que "evidentemente, o fato de que o presidente Chávez não esteja hoje como presidente faz com que a relação da América, pelo menos o Paraguai, com respeito a Venezuela seja diferente".

Via Cubadebate

quinta-feira, 7 de março de 2013

Um patrimônio estratégico na America do Sul, o Aquífero Guarani

Desde 4 bilhões de anos atrás não muda a quantidade de água que temos na Terra. O ciclo da água ilustra maravilhosamente a frase de Lavoisier: Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

O Aquífero Guarani, conhecido como a terceira maior reserva de água doce subterrânea do planeta, abarca quatro países sul-americanos (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina) e é capaz de abastecer todo o planeta por 200 anos de água potável.

O Aquífero Guarani, devido a suas potencialidades sócio-econômicas estratégicas, é considerada a "menina dos olhos" pelos países a ele sobrepostos, de muitas empresas internacionais que veem um grande negócio do qual podem tirar proveito e de alguns países desenvolvidos interessados nos usos dessas águas.

Pela inexistência de uma lei específica quanto a utilização das águas subterrâneas, ocorre a falta de controle e fiscalização fazendo com que este seja utilizado de forma irracional podendo ser degradado pelas atividades humanas que se encontram acima do aquífero ou para uso excessivo de poços clandestinos. Com isso aumentam os riscos de contaminação do aquífero.



Cabe lembrar que a água é um bem público, direito humano, patrimônio de todos os seres vivos. Tratar de controlar a água é tentar controlar a vida, pois nenhum ser vivo consegue viver sem esta.

Torna-se imprescindível estimular políticas educacionais que permitam uma maior participação da sociedade civil, das ONGs e das universidades para estimular a construção da consciência a fim de uma preservação mais efetiva desse imenso manancial de águas subterrâneas e na implementação de políticas públicas mais adequadas à proteção das águas subterrâneas, pois estas se encontram insuficientemente protegidas.

Se calcula que para os 6,25 bilhões de habitantes do planeta se necessitaria de 20% a mais de água. A água brota como maior conflito geopolítico do século XXI já que hoje é um bem escasso na Europa e EUA, e se espera que em 2025, a demanda por esse elemento seja 56% maior que o fornecido e os que possuam água possam se tornar alvos de saques forçados.

Nesse contexto, de todos os cenários possíveis, os especialistas elegem dois. Primeiro, a apropriação territorial através de compras de terras com recursos naturais. Segundo, no futuro e na pior das hipóteses não se descarta uma invasão militar.

Essa hipótese traça um paralelo com a última guerra no Iraque e a atual apropriação pelas grandes petroleiras americanas da riqueza iraquiana. O escritor norte-americano Norman Mailer acrescentou algo mais: "A administração de George W. Bush não foi ao Iraque apenas pelo seu petróleo, como também pelo Tigre e Eufrates, dois rios caudalosos em uma das zonas mais áridas do planeta".

A luta é entre os que acreditam que a água deve ser considerada um bem comercializável e aqueles que afirmam que é um bem social relacionado ao direito à vida.

Desde Novembro de 2001, o Banco Mundial, através do GEF (um de seus braços, especializado em questões de meio ambiente) financia o pertinente a investigação e a trabalhos que visam alcançar o "desenvolvimento sustentável" do aquífero. A partir desse momento os governos que compartilham o depósito puseram em mãos extra-nacionais o estudo do recurso, o que, para um olhar mais desconfiado, é como ter servido de bandeja o tesouro. Organismos alemães, holandeses e programas da ONU participaram do projeto.

A base jurídica

O direito internacional nos permite reconhecer que não há um vazio jurídico na matéria e que existem normas jurídicas aplicáveis à gestão dos recursos naturais compartilhados e o SAG é um desses recursos. É certo que não temos normas específicas criadas ad hoc para o Sistema Aquífero Guarani. A consequência disso, não é que não tenhamos norma jurídica alguma aplicável a este sistema de águas subterrâneas, mas ainda não temos regras aplicáveis a esse sistema em particular, são aplicáveis as normas gerais do direito internacional consuetudinário e as normas convencionais que sejam aplicáveis entre os Estados nos quais se encontra o aquífero.

O fato de que o recurso pertença aos quatro Estados não quer dizer que haja condomínio sobre o recurso. Este é um recurso nacional sujeito a um regime de aproveitamento e de gestão de caráter multilateral restrito aos titulares. Não se trata de um regime de co-titularidade, mas de co-gestão.

Em agosto de 2010 os quatro países assinaram em San Juan, Argentina, o "Acordo Sobre o Aquífero Guarani", levando em conta a resolução 1803 da Assembléia Geral das Nações Unidas referente à soberania permanente dos recursos naturais, resolução 63/124 do mesmo organismo sobre o "Direito dos Aquíferos Transfronteiriços" e outros mencionados no acordo.

Desenvolvimento e Conteúdo
Lic. Manoela Carvalho de Andrade

Via Equilibrium Global

Post scriptum: o número de 6,25 bilhões para a população se encontra desatualizado, conforme o último levantamento. Provavelmente já ultrapassou a marca dos 7 bi.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Paraguai prevê aumento da inflação de 7% em 2013


O sistema financeiro paraguaio se prepara para afrontar condições econômicas distintas às que caracterizaram 2012. O setor espera que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) chegue a 7% em 2013 e permanesça assim por cima dos 4% com que fechou o exercício anual passado, segundo publicações da Interfisa Financeira.

Esta projeção coincide coom o importante nível de crescimento econômico que se prevê para este ano, como consequência da recuperação do setor agropecuário depois dos embates gerados pela seca e pela febre aftosa. A cifra se encontra ainda levemente por debaixo da faixa de paragem meta de inflação estabelecido pelo Banco Central do Paraguai (BCP), de 7,5%.

Interfisa destaca a incrementação registrada nos últimos meses nos preços da carne, devido à reabertura dos mercados de exportação deste produto.

Depois da detecção do primeiro surto de febre aftosa, em Setembro de 2011, os cortes de carne foram barateados progressivamente no mercado devido à geração de maior estoque nos supermercados de; desde meados de 2012, quando começaram a reabrir os destinos de exportação, este fenômeno começou a se reverter e acumula um aumento de 10% entre Agosto e Janeiro, segundo BCP.

Dentro do cronograma traçado para 2013, se aguarda o retorno da carne paraguaia á União Europeia para meados do ano, depois da restituição do status sanitário de "país livre de aftosa com regime de vacinação" por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), esperado para este mês, acrescenta o material.

Darío Arce, vice-presidente da Interfisa, destacou que os atores do setor privado apresentam elevados níveis de otimismo e que se espera um crescimento econômico do país de 5% para os próximos cinco anos. "Estamos iniciando um período em que as forças produtivas do país recuperarão o terreno perdido em 2012, caracterizado por uma queda econômica de -1,2%. Paraguai está ingressando uma nova fase de auge, impulsionado por maiores investidores nos distintos setores econômicos", expressou.

As estimativas falam de que o Produto Interno Bruto (PIB) experimentará uma expansão de em torno de 10% até Dezembro deste ano; neste panorama econômico, a demanda de produtos e serviços tende a aumentar pelo maior poder aquisitivo que adquirem as pessoas e, por fim, os preços no mercado aumentam ao acelerar-se o ímpeto das compras.

Via Lanacion

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Paraguai: índios despejados e explorados pelos latifundiários



Indígenas paraguaios da comunidade Ayoreo denunciaram na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) o despejo de suas terras por parte do governo, para ser entregues a grandes pecuaristas do país.

A denúncia foi apresentada por uma representação dos ayoreos, povo que tradicionalmente viveu em terras situadas no Chaco paraguaio, próximo da fronteira com a bolívia, e foi apoiada pelos advogados do Comitê de Proteção de Povos em Isolamento (CIPIACI), revê Prensa Latina.

Jaime Corisepa, coordenador geral da Cipiaci, e Taguide Picanerai, ayoreo do Paraguai, entregaram à CIDH um documento em que demandam ao órgão medidas de precaução urgentes para que os protejam da ação oficial dos latifundiários.

Os indígenas denunciam que o governo de Frederico Franco outorga direitos a pecuaristas sobre os territórios do povo ayoreo em isolamento. Isto gerou desmatamentos intensivos e acelerados dos bosques de Chaco, e despejou comunidades originárias de seu território.

Coriespa apontou que a situação dos povos indígenas está se agravando e sua extinção física e cultural está próxima, a menos que se tomem medidas. Sublinhou que a atitude assumida por Franco, que busca beneficiar os pecuaristas não contribui para a proteção destes povos ou território, e promove a colonização ilegal ao local e exploração dos indígenas.

Ante isto, os ayoreos reclamam à CIDH que elabore um documento sobre a situação dos povos indígenas latinoamericanos, ameaçados pela destruição de seu hábitat e pela falta de respeito aos seus direitos e costumes.

Assim, reclamaram que se ponham em marcha programas e ações de monitoramento na região e uma posição de apoio a suas atribuições reconhecidas repetidamente pela ONU.

Via Patriagrande

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Monsanto produzirá algodão transgênico no Paraguai

O governo do Paraguai confirmou ontem que vai assinar um acordo na próxima semana com a multinacional americana Monsanto para a produção de sementes transgênicas, uma decisão que reavivou protestos sociais de todo o país.

 
Um informe do Ministério da Agricultura diz que no dia 17 deste mês se assinará o documento para, com o conselho e assistência da transnacional, iniciar o processo para a produção de sementes geneticamente modificadas.

O ministro, Enzo Cardozo explicou que se utilizarão os genes de uma variedade de sementes que disponha a Monsanto e outra empresa paraguaia para, em primeira instância, produzir algodão transgênico.

Isso não impede que, enquanto o compromisso não se concretize, se siga comprando grandes quantidades de semente modificada da Monsanto, comose faz atualmente, e para estender seu uso para outras culturas, com preferência para o milho.

Centenas de toneladas de sementes vendidas pela multinacional ao Paraguai já se encontran aqui por destino campanha algodão, acompanhada, é claro, de produtos agroquímicos que completam a operação, também comercializado pela mesma.

Na verdade, estes ultimos são fortemente rejeitados pelos agricultores e os povos indígenas pois especialistas dizem que seus efeitos sobre a saúde dos agricultores e danos à terra onde o plantio é feito são maléficos.

Via Infocampo

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Brasil quer ser Estados Unidos



Uma nota controversa que nos compartilhem, esperamos que nossos amigos brasileiros que nos seguem possam nos dar sua opinião*:

Os habitantes do bairro São Miguel da Ciudad del Este (Paraguai) não podiam acreditar por estarem recebendo fogo 'amigo' desde o lado do rio que pertence ao Brasil. Era Outubro de 2010 e durante 3 horas, os agentes do país vizinho se enfrentaram com um grupo de contrabandistas sem que uma só autoridade paraguaia se atrevesse a mostrar o nariz. Se neste fato - que relata o jornalista Andrés Colmán -, as forças de segurança brasileiras dispararam desde a beirada, parece que preferem cruzar a fronteira.

No início deste mês de Agosto de 2012, uns 100 agentes civis e militares brasileiros entraram no território peruano e destruíram, segundo a informação oficial, uns 100 hectares onde se cultivava coca para uso permitido. A operação, denominada Trapecia, se lançou desde Tabatinga, na triple fronteira amazônica de Brasil com Colômbia e Perú, e contou com a inestimável ajuda de agentes colombianos e estado-unidenses.

Esta violação da soberania territorial de Perú era consentida, já que o presidente Ollanta Humala firmou um acordo bilateral que permite Brasil perseguir o narcotráfico mais além de suas fronteiras. Vários policiais peruanos mostraram seu incômodo à Folha de São Paulo, diário que tornou públicos estes fatos, mas não se atreveram a criticar abertamente a operação. A Operação Trapecia não é um fato isolado.

Explica Folha que entre os agentes brasileiros a nova estratégia policial e militar é conhecido como "nosso Plano Colômbia", em referência à multimilionária intervenção militar dos Estados UNidos na Colômbia com a desculpa do narcotráfico e que, como publicamos esta mesma semana em Otramérica, esconde outras intenções mais além da perseguição do tráfico de narcóticos.

O poder do Brasil na região é já inquestionável. Ao controle político e econômico de instâncias regionais de integração como Unasul ou Mercosul, há que somar a pressão direta sobre os vizinhos. A Bolívia está enredada em um grave conflito interno pela construção de uma estrada através do parque TIPNIS para satisfazer os interesses do Brasil; Paraguai vê como seus territórios fronteiriços são espaço de colonização para a agroindústria brasileira e estados menores como Suriname ou Guiana buscam a bênção de Brasília para incorporar-se ao Mercosul e ao macroprojeto de Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana (IIRSA) que foi assumido como próprio Unasul.

Mais além das fronteiras

É público o Plano Estratégico de Fronteiras anunciado pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em Junho de 2011. Este plano é paerte da Estratégia Nacional de Defesa (END) aprovada em 2008 durante o governo de Lula da Silva e que está propondo um forte rearmamento do Brasil assim como uma modernização das Forças Armadas, que já contam com uns 320.000 efetivos e com um plano de intervenções que ronda os 30 bilhões de dólares. O pressuposto das Forças Armadas somente para 2012 é de 34.965 milhões de dólares (1.7% do PIB, frente o 0.9% de gasto militar da Venezuela ou Argentina, e os 3.7% da Colômbia ou od 3.2% do Chile).

"O Amazonas e a Amazônia Azul [a 'zona especial econômica' nas águas brasileiras] são áreas de vital importância estratégica por seus recursos naturais, e nos preocupa o que pode acontecer com elas no futuro, por isto estamos transferindo unidades para essas regiões, criando pelotões de fronteira, patrulhas fluviais e estabelecendo novas bases", explicava alguns meses atrás ao diário La Nación José Carlos De Nardi, chefe do Estado Mayor Conjunto.

Mas o desenvolvimento amazônico inclui as incursões em países terceiros. Brasil já tem firmados acordos que permitem este avanço com Perú, Paraguai, e Bolívia. Com este último país se dá p paradoxo de que enquanto La Paz expulsou a DEA (a questionada agência estado-unidense antidrogas) do país, está permitindo o monitoramento brasileiro dos cultivos de coca para uso clandestino, mas com tecnologia de Washington.

Segundo autoridades do subimpério brasileiro, estas incursões são especialmente importantes nestes três países já que 54% da cocaína que se consome no Brasil vem da Bolívia, 38% chega de Perú, e a maioria da maconha vem do Praguai.

Militarização

Além dos operativos transfronteiriços, as forças de segurança brasileiras mantem a Operação Permanente Centinela, de monitoramente, e as Operações Ágata (pontuais e fronteiriças, mas sem abandonar seu território). A última operação Ágata (5) começou em 7 de Agosto na fronteira sul (com Argentina, Bolívia, Paraguai, e Uruguai) e nela se colocaram 10.000 efetivos. A respeito, o jornal paraguaio La Nación titulava alguns dias atrás: "O desenvolvimento militar brasileiro oprime o comércio na fronteira". Em Maio tinha desenvolvido Ágata 4 que supõe-se 8.600 efetivos entre civis e militares, 11 botes, nove helicópteros e 27 aviões nas fronteiras com a Venezuela, Suriname, Guiana, e Guiana Francesa, em uma área superior a 5.000 km².

Há previstos mais medianos. Por exemplo, Brasil já comprou Israel 9 dos 14 veículos aéreos não tripulados (VANT) que pretende operar na fronteira Sul, segundo informe La Nación da Argentina. Também se espera que Dilma Rousseff decida de quem compra os 36 aviões de caça (a disputa comercial está entre a estado-unidense Boeing-F-18 Super Hornet -, e a sueca Saab - Gripen NG - ou a francesa Dessault - Rafale F3) destinados ao controle fronteiriço.

Para completar o panorama, a modernização das forças armadas inclui a criação do Centro de Defesa Cibernética, o Sistema Integrado de Monitoramente de Fronteiras (Sisfron), o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (Sisgaaz), e o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab).

A possibilidade de defender sua soberania de muitos dos vizinhos do Brasil (que tem 16.800 kilômetros de fronteiras com outros 9 Estados independentes) é limitada e as aspirações globais do gigante do Sul se concretam cada dia mais apoiando-se no seu poder econômico e militar.

*Esta notícia foi via Agencia Nacionalista de Noticias, criada pela Otramérica.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Marcha contra o golpismo com participantes do "Fórum Paraguai Resiste"


Carregando faixas e cartazes e cantando slogans contra o governo, centenas de participantes no Fórum Social Resiste Paraguai percorreu hoje as principais ruas da capital. 


A massa de manifestantes era composta por representantes de dezenas de organizações representativas dos trabalhadores sociais, estudantes, mulheres, indígenas, camponeses e os profissionais que participaram no primeiro debate das questões urgentes sobre a situação do país. 

Slogans principais foram, durante o curso de mais de 25 quadras, os que acusaram ​​de golpista Federico Franco, que atuou como Presidente da República após a expulsão do presidente constitucional, Fernando Lugo, em 22 de junho, através de um impeachment materializado pelo Congresso. 

Em sua primeira parada no meio do caminho, a marcha parou em frente ao Ministério da Agricultura para repudiar veementemente o titular Enzo Cardoso, que atuou no governo do presidente Lugo e concordou em permanecer no cargo após o golpe parlamentar. 

Uma das mais fortes críticas feitas alí foi a dos camponeses e povos indígenas que se opõem a proliferação de plantio de sementes transgênicas de milho, um dos pontos da primeira sessão de trabalho do Fórum. 

A indignação dos participantes teve aumento sonoro ao se deterem a frente o jornal ABC, de tendência conservador, que apoia fortemente o governo de Franco e foi descrito como um expoente do golpe de imprensa. 

A marcha terminou sua jornada nas instalações do Ministério da Comunicação e Informação, onde vozes se levantaram para condenar reivindicações feitas por dirigentes sindicais e jornalistas do setor sobre as demissões realizadas e a censura que as impede de se expressar livremente. 

Precisamente, durante as deliberações do evento, a ser realizada em tendas montadas na Plaza de Armas, os repórteres de televisão públicas e estações de rádio, denunciaram as demissões em massa e o plano de fechar os meios contrários ao governo.

Paralelamente ao passo dos delegados do Fórum, jovens paraguaios pintaram nas paredes de edifícios oficiais mensagens contra Franco e o golpismo.

  

domingo, 24 de junho de 2012

Venezuela retira embaixador e interrompe fornecimento de petróleo ao Paraguai

Seguindo os passos de Argentina e Brasil, a Venezuela retira seu embaixador do Paraguai. Além do mais, Chávez anunciou que seu país vai interromper o fornecimento de petróleo ao Paraguai.




"Ordenei a retirada de nosso embaixador de Assunção (...) e também interrompemos o envio de petróleo. Sentimos muito, mas não vamos apoiar esse Golpe de Estado de maneira nenhuma", disse o presidente Chávez em Caracas. "Para nós, o presidente do Paraguai continua sendo Fernando Lugo”, disse o presidente, que tachou o ocorrido no Paraguai de "golpe de estado ilegal e inconstitucional" já que "sempre que governam a burguesia e a direita estas coisas ocorrem".

 Nenhum país da América Latina reconhece o governo do agora presidente Federico Franco. Não em vão, uma grande maioria dos estados vizinhos qualificaram o ocorrido de "golpe de estado". 

sábado, 23 de junho de 2012

América Latina está com Lugo

Os presidentes de países latino-americanos apoiam o ex-presidente do Paraguai e são hostis ao novo governo do Paraguai, país ao qual propõem expulsar dos blocos regionais.  

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff disse que o Paraguai poderia ser expulso de grupos internacionais, como Mercosul e Unasul, e propôs que os países membros dos blocos para implementar esta medida. Fontes de Exteriores da Argentina ministério no país disseram que também apóiam a expulsão. 

A presidente Cristina Fernandez anunciou que seu país "não irá validar o golpe de Estado no Paraguai." A presidente da Argentina descreveu como "inaceitável" o que aconteceu em Assunção, e confirmou que seu país não vai reconhecer o novo governo do Paraguai, hoje chefiado pelo vice-presidente, Federico Franco. "Sem dúvida houve um golpe de Estado", disse Fernandez. 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que Caracas "não reconhece esse vazio e governo ilegal e ilegítimo que foi instalado em Assunção." Com estas palavras, Chávez se juntou a sua voz com o seu homólogo equatoriano, Rafael Correa, que atingiu a demissão de Lugo pelo parlamento de "greve ilegal" e disse que não reconheceria qualquer outro presidente do Paraguai.  

"Independentemente da sessão Fernando, independentemente da decisão da Unasul, a decisão do governo equatoriano não é reconhecer qualquer presidente paraguaio que o presidente legitimamente eleito, Fernando Lugo", garantiu Correa.  

O líder equatoriano da Unasul insistiu em "aplicar a cláusula democrática" do grupo regional, que afirma "não reconhecer governos e fechar as fronteiras" com países que não podem ser considerados democráticos.  

O presidente boliviano, Evo Morales, disse que não reconhece "um governo que não surge das urnas e o mandato do povo" e condenou o "golpe parlamentar" no Paraguai". Morales acrescentou que Lugo "estava destruindo as lojas, com proprietários de terras e grupos de poder", que, segundo ele, "sempre tem um custo."  

O bloco regional Unasul também emitiu um comunicado observando que a demissão de Lugo é "fora de qualquer constituição e fora de qualquer ordem estabelecida."  

Novo presidente do Paraguai, o ex-vice-presidente Federico Franco, pediu aos países vizinhos para "entender" a situação e disse que está empenhado em "fazer todos os esforços para normalizá-lo." O impeachment de Fernando Lugo começou após a morte de 17 pessoas durante a expulsão dos camponeses da terra, segundo as autoridades, tinha ocupado ilegalmente. Entre os mortos 17, 11 eram agricultores e 6 representantes das forças de segurança.  

A câmara baixa do parlamento votou a favor da destituição de Lugo com apenas um voto contrário. Um dia depois, o Senado aprovou a renúncia do presidente com o voto negativo de apenas 4 parlamentares.  

A demissão reuniu cerca de 5.000 pessoas na Praça de Armas de Assunção, capital paraguaia. Os mais ativos tentaram invadir o edifício do parlamento, mas foram dispersados ​​com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Um pouco mais tarde, Fernando Lugo chamou seus partidários a protestar de forma pacífica. Após os combates cessaram declaração.


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez (esq.) conversa com Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, a respeito da crise política no Paraguai, em Caracas, Venezuela. Nesta sexta-feira, o presidente paraguaio Fernando Lugo sofreu impeachment e teve de deixar o poder. Em seu lugar assumiu o vice-presidente,


Via RT

Presidente liberal assume após impeachment de Lugo

Menos de duas horas depois do julgamento político que destituiu o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, nesta sexta-feira (22), por “mau desempenho de suas funções”, o vice-presidente Federico Franco assumiu o cargo, que deverá exercer pelos próximos nove meses, até a próxima eleição presidencial.
 
 Franco tomou posse em uma sessão conjunta do Congresso, em meio a aplausos, pouco mais de 90 minutos depois do impeachment de Lugo, que foi encarado como um golpe pelo presidente afastado, por seus partidários e pela comunidade de países sulamericanos. 

Venezuela, Bolívia e Equador já anunciaram que não reconhecem Franco como presidente. Chile e Argentina. 

Após prestar juramento, Franco recebeu a faixa e o bastão presidenciais. Em seu discurso de posse, Franco fez referência à morte de policiais no confronto armado com sem-terra em Curaguaty, um dos motivos alegados pela oposição para afastar Lugo. "A melhor maneira de honrar nossos policiais mortos é iniciar verdadeiro desenvolvimento rural sustentável", disse.

“Este compromisso só será possível com a ajuda e colaboração de todos vocês. A única maneira de levar adiante é entendendo que o Paraguai deve ser comandado por liberais e colorados, católicos e não católicos, e integrantes de todos os movimentos sociais", disse.

Entenda o caso

Eleito presidente do Paraguai em 2008, interrompendo uma hegemonia de seis décadas do Partido Colorado no poder, Fernando Lugo foi derrubado nesta sexta-feira em um conturbado processo "relâmpago" de impeachment.
 
Conhecido como o "bispo dos pobres" por seu histórico de liderança de movimentos sociais quando era bispo da Igreja Católica, Lugo assumiu a Presidência com uma ampla aliança. Porém, acabou governando sem maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. 

Setores da oposição já tinham tentado, no passado, iniciar um processo político contra o presidente quando ele assumiu a paternidade de crianças geradas na época em que ainda era bispo, mas a iniciativa não prosperou devido à discordância de forças políticas da própria oposição. 

Desta vez, o apoio do partido de seu vice-presidente, Federico Franco, do PLRA (Partido Liberal Radical Autentico), foi decisivo para que o processo de impeachment fosse iniciado. Lugo e Franco haviam rompido sua aliança recentemente.

"Sem o apoio do PLRA Lugo ficou politicamente isolado", disse à BBC Brasil o analista político Francisco Capli, da consultoria First Análisis y Estudos. Para o analista político Alfredo Boccia, colunista de política dos jornais paraguaios e médico particular de Lugo, "há muito tempo a oposição buscava esse momento".

O que detonou a crise que levou à queda de Lugo?
Parlamentares da oposição acusam Lugo de ser responsável pelas mortes de 11 camponeses e sete policiais em um confronto, na última sexta-feira, na fazenda de Curuguaty, no Departamento (Estado) de Canindeyú, próximo à fronteira com o Paraná. A propriedade pertence ao empresário e político paraguaio Blas Riquelme. 
Conflito em Curuguaty deixou 18 mortos e vários feridos
Opositores sugeriram que o grupo armado EPP (Exército do Povo Paraguaio) estaria envolvido na reação contra os policiais e teria recebido apoio "disfarçado" de Lugo, segundo Boccia. Não existem, porém, comprovações sobre a participação do EPP. A ocupação das terras foi liderada pela Liga Nacional de Carperos (Liga Nacional de Acampados, em tradução livre). 

A disputa por terras se intensificou nos últimos meses com líderes dos sem-terra pedindo uma revisão dos títulos de propriedade dos fazendeiros - em muitos casos brasiguaios - sob argumento de que os latifúndios foram distribuídos de forma ilegal durante o regime militar liderado por Alfredo Stroessner (1954-1989). 

A Constituição do país estabelece que o presidente pode ser processado por "mau desempenho de suas funções, por delitos cometidos no exercício de seus cargos ou por delitos comuns", daí o processo de impeachment.