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terça-feira, 2 de julho de 2019

Putin, Lavrov e Xi Jinping convocam fim à DMA



por Matthew Ehret

O espectro da guerra nuclear há muito paira sobre o mundo como uma espada tenebrosa de Dâmocles, oferecendo à humanidade muita causa para desespero diante da natureza ambivalente da ciência enquanto uma fonte de poder criativo que enleva e enobrece por um lado, e atua como o arauto da morte e do caos por outro.

Todavia, seria errado culpar a ciência pela crise cuja humanidade desencadeou com o átomo, quando a realidade é que nós nunca nos libertamos da peste dos sistemas oligárquicos de governo. Retrocedendo aos registros dos impérios Romano, Persa e Babilônico tais sistemas tem sempre almejado manipular as massas na direção de padrões de comportamento de auto-policiamento e conflito constante.

Quer estejamos falando sobre as Cruzadas, as guerras religiosas Européias, as guerras Napoleônicas, a guerra da Criméia, Guerras do Ópio, ou as primeira e segunda guerras mundiais tem sido sempre a mesma receita: Pôr as vítimas para definir seus interesses ao redor de constrangimentos materiais, recursos em diminuição, ou vieses religioso/étnico/linguísticos que previnem cada pessoa de reconhecer seus interesses comuns com seu vizinho e então pô-los a lutar. Clássico dividir e conquistar.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, aquela antiga receita para administrar o caos não funcionava mais quando um novo ingrediente foi introduzido no “grande jogo” geopolítico. Esse ingrediente atômico era tão poderoso que aqueles “mestres do jogo” gerenciando de cima os problemas da terra como deuses Olímpicos separados entenderam que poderiam ser aniquilados tão rápido quanto suas vítimas e que um novo conjunto de regras devia ser criado às pressas.

A Aposta Nuclear do Senhor Russell

Um principal representativo da mente genocida do império Britânico foi o Senhor Bertrand Russell, um membro de sétima geração da elite hereditária conhecida hoje pelo seu celebrado pacifismo e profundo alcance filosófico. É um fato desconfortável que esse modelo exemplar da “lógica” e da paz tenha sido um dos primeiros pensadores registrados clamando pela aniquilação nuclear da União Soviética na esteira da rendição da Alemanha Nazista. Caso a União Soviética não se submetesse a um Governo Mundial Único, argumentou o Senhor Russel no Boletimpara os Cientistas Atômicos de 1946, então deveria simplesmente encarar uma punição nuclear.

É claro que aquela ameaça foi de vida curta, quando o anúncio surpresa da Rússia de haver “decifrado o código atômico” quebrou o monopólio sobre cujo qual os Anglo-Americanos salivavam e 1945 quando observavam o Japão (cuja rendição indireta já havia sido negociada) queimar sob a sombra de um renovado Leviatã Anglo-Americano emergente.

O Senhor Russel, entãodiretor da CIA/MI6 Congresso pela Liberdade Cultural (cujo objetivo era criar uma nova anti-cultura de hedonismo e irracionalismo nas artes durante a Guerra Fria) foi forçado a mudar o tom e a liberar, ao invés, uma nova doutrina que veio a ser conhecida como “Destruição Mútua Assegurada” (DMA). A obsessão de Russel em tentar escravizar toda a física a um estrito determinismo matemático tal qual fora disposto em seu Principia Mathematica (1910) e seu papel principal na promoção da arte abstrata/música atonal pela CIA sob a bandeira da CCF é um insight útil sobre como sociedades são gerenciadas por oligarcas.

Numa entrevista à BBC anos após Russell mudar suas visões sobre um primeiro ataque à Rússia, o aristocrata britânico, agora-convertido em advogado anti-nuclear descreveu sua mudança de opinião assim:
“Q: É verdadeiro ou falso que em anos recentes você defendeu que uma guerra preventiva pudesse ser feita contra o comunismo, contra a Rússia Soviética?”
RUSSELL: É completamente verdadeiro, e eu não me arrependo disso agora. Não era inconsistente com o que eu penso agora... Houve um tempo, logo após a última guerra, quando os americanos tinham um monopólio das armas nucleares e ofereceram para internacionalizar armas nucleares pelo plano Baruch, e eu pensei ser uma proposta extremamente generosa da parte deles, uma que seria muito desejável que o mundo aceitasse; não que eu defendesse uma guerra nuclear, mas eu pensava que uma grande pressão devesse ser posta sobre a Rússia para que aceitassem o plano Baruch, e eu de fato pensei que se eles continuassem a recusá-lo talvez fosse necessário de fato ir à guerra. Naquele tempo as armas nucleares existiam apenas em um lado e, portanto, as chances é que os Russos desistiriam. Eu pensei que eles iriam... .
Q: Suponhamos que eles não desistissem.
RUSSELL: Eu pensei e tinha esperanças que os Russos iriam desistir, mas é claro que você não pode ameaçar a não ser que esteja preparado para ter seu blefe confrontado.”

Um fim para o Mundo do DMA

O novo jogo tornou-se “balanço geopolítico do terror” sob o DMA, e em muitos aspectos o poder que ele oferecia a uma oligarquia era maior que qualquer coisa que uma sociedade pré-atômica tinha para oferecer. Ao mesmo tempo que grandes guerras não eram mais desejáveis (embora fossem sempre um risco nesse jogo psicótico de altas apostas de poker), guerra assimétrica e uma mudança de regime tornaram-se as novas “coisas grandes” pelos próximos setenta anos. Uma população em terror constante de aniquilação tornou-se um solo maduro para a disseminação de uma nova inquisição sob a orientação de um travestido megalomaníaco dirigindo o FBI. Essa inquisição purgou o Ocidente de líderes qualificados que fossem comprometidos para com a paz entre Oriente e Ocidente e incluiu grandes cientistas, artistas, professores e políticos que viram suas carreiras serem destruídos conforme o Estado Profundo tornou-se cada vez mais poderoso e bombas atômicas mais abundantes.

Enquanto muitos celebraram de maneira tola o sucesso do DMA com o colapso da União Soviética e a ascensão de um mundo uni-polar que iria supostamente conduzir a um pacífico “fim da história”, outros reconheceram o grande truque na medida em que a OTAN continuou se expandindo a despeito de sua razão de ser ter desaparecido. Yevgeni Primakov e um círculo de patriotas russos (cujo qual incluía um Vladimir Putin em ascensão) estavam entre aqueles que viram através da fraude. Essa rede trabalhou diligentemente com suas contrapartidas asiáticas para criar uma fundação para sobrevivência que manifestou-se na forma do G20 m 1999 e na Organização para Cooperação de Xangai em 2001.

No início de 2007, as guerras desencadeadas no Oriente Médio após o 9-11 não tinham um fim previsto, e uma intenção muito mais obscura do que muitos poderiam imaginar estava emergindo entre o caos. A construção de um escudo anti-mísseis balísticos liderada pela OTAN se iniciou ao redor do perímetro sul da Rússia por iniciativa de Dick Cheney e foi logo incrementada posteriormente pela circunscrição de um “Pivô-Asiático” da China, sob o mandato de Obama em 2011. Somente os tolos mais ingênuos acreditaram então que o Irã ou a Coréia do Norte eram as verdadeiras razões por trás dessa jogada Hobbesiana preemptiva de poder em favor de um monopólio. O fantasma do Senhor Russell podia ser sentido ao redor do mundo, ameaçando uma guerra nuclear se a soberania nacional não fosse abandonada em favor de um governo mundial gerenciado por uma “ditadura científica”.

A Convocação da Rússia e da China para controlar a Serpente de Fogo

O Presidente Putin junto a Sergei Lavrov e o Presidente Xi Jinping assinalaram um fim a era do DMA com uma importante convocação por uma nova doutrina internacional de segurança baseada sobre um “novo sistema operante”.

Saindo da Cúpula Econômica de São Petersburgo em 6 de Junho, Putin disse “se nós não mantermos essa serpente de fogo sob controle – se permitirmos que ela saia da garrafa, Deus proíba, isso pode levar a um catástrofe global. Todos estão fingindo ser surdos, cegos ou disléxicos. Precisamos reagir a isso de alguma maneira, não é? Claramente é isso.”

As palavras de Putin foram amplificadas por Sergei Lavrov em 11 de Junho ao falar na conferência do Primakov Readings de 2019 em Moscou, que reuniu diplomatas, especialistas e políticos de 30 países no tema do “Retornando à Confrontação: Existem Alternativas?” Lavrov disse:

“É de uma importância capital que a Rússia e os Estados Unidos tranquilizem o resto do mundo e transmitam uma declaração conjunta de alto escalão de que não pode haver vitória numa guerra nuclear e que, portanto, ela é inaceitável e inadmissível. Nós não entendemos porque eles não podem reassegurar essa posição agora. Nossa proposta está sendo considerada pelo lado dos Estados Unidos.”

Desde que se puseram entre o pelotão de fuzilamento Anglo-Americano e as nações da Síria e da Venezuela, em conjunto com uma surpreendente divulgação de um conjunto de novas tecnologias militares em Março de 2018, Putin transformou as “regras do jogo” geopolítico no sentido de que a proposta de Lavrov é agora uma possibilidade real. As novas tecnologias divulgadas pela Rússia em 2018 incluem mísseis supersônicos, drones subaquáticos e outros foguetes nucleares que garantem a capacidade de um ataque retaliatório caso alguém seja estúpido o suficiente em atacar a Rússia primeiro.

O ICR (BRI, da sigla em inglês) e o Novo Sistema Operante

A cúpula econômica de São Petersburgo de 5-6 de Junho testemunhou não apenas 19000 participantes de 145 países assinado $47.8 bilhões em acordos, mas caracterizou-se como um encontro importante entre o chinês Xi Jinping e Putin, que descreveram seu relacionamento como o de melhores amigos e travaram suas nações mais profundamente que nunca no novo panorama operacional da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR, ou BRI da sigla em inglês), que rapidamente está se estendendo no Ártico.

Esse encontro foi levado ainda a um outro patamar em Bishkek Kyrgyzstan, com a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai em 13-14 de Junho,  que integrou ainda mais as nações Eurasianas no ICR. Putin e Xi não apenas se encontraram novamente nessa cúpula, mas agora foram acompanhados pelo indiano recentemente eleito Narendra Modi, cuja participação é vital para a reorganização do sistema mundial. Após a cúpula da OCX, o mundo aguardaria pelo encontro potencial de 28-29 de Junho, na cúpula do G20 em Osaka, Japão, onde o presidente norte-americano Donald Trump indicou seu desejo de encontrar com os três líderes para negociações bilaterais. Muitos espectadores criticaram a ideia de que Trump de fato pudesse desejar um encontro honesto, mas Lavrov demonstrou seu entendimento superior da complexidade estratégica na América argumentando numa entrevista em 6 de Junho, quando ele disse que os fracassos do Presidente Trump em estabelecer relações construtivas com a Rússia devem-se à sabotagem de forças enraizadas dentro do governo: “Certos políticos estado-unidenses, incluindo aqueles que ataram as mãos do Presidente Trump não permitindo que ele cumprisse com suas promessas de campanha de normalizar e melhorar as relações com a Rússia, ainda são incapazes de aceitar esse fato.”

A propósito numa conferência em 12 de Junho junto ao presidente da Polônia, Trump foi pressionado por um repórter a tomar a linha dura contra a Rússia, que aparentemente está “ameaçando a Polônia”. Enquanto fingia concordar com a narrativa Rússia=bully, Trump concluiu sua resposta dizendo “Espero que a Polônia venha a ter um excelente relacionamento com a Rússia. Espero que nós venhamos a ter um excelente relacionamento com a Rússia e, inclusive, com a China e muitos outros países.” Trump tinha anteriormente convocado a Rússia, a China e a América para converterem suas centenas de milhões de dólares gastos em forças armadas em projetos que sejam do interesse comum de todos. Durante sua declaração chave ao Fórum Econômico, Putin desvelou o “elefante na sala” trazendo o tema da quebra do sistema financeiro global: “a degeneração do modelo de universalista de globalização e sua transformação numa paródia, numa caricatura de si próprio, onde as regras internacionais comuns são substituídas pelas leis... de um país.” Putin prosseguiu alertando para uma “fragmentação do espaço econômico global e por uma quebra forçada devido a uma política de egoísmo econômico completamente ilimitada. Mas esse é o caminho para um conflito sem fim, guerras comerciais e talvez não apenas comerciais. Figurativamente esse é o caminho para a terminal luta de todos contra todos.”

O ponto ressaltado foi que em última instância sem um novo sistema econômico, o perigo de injustiça e de aniquilação global pairará sempre sobre a humanidade. Ecoando a filosofia da cooperação ganha-ganha de Xi Jinping, Putin disse que o que é necessário em última instância é “um modelo mais justo e estável de desenvolvimento. Esses acordos deveriam não só ser escritos claramente, mas deveriam ser observados por todos os participantes. Entretanto, eu estou convencido que falar sobre uma ordem econômica como essa continuará sendo um pensamento caprichoso, a não ser que retornemos ao centro da discussão, isto é, noções como as de soberania, como o direito incondicional de cada país na sua estrada desenvolvimentista e, deixe-me acrescentar, responsabilidade pelo desenvolvimento sustentável universal, e não apenas pelos próprios desenvolvimentos.”


BIO: Matthew J.L. Ehret é um jornalista, palestrante e fundador da revista Canadian Patriot Review (O Patriota Canadense). Ele é um autor junto ao The Duran, à Fundação de Cultura Estratégica, Fort Russ e o Orient Review. Seus trabalhos têm sido destacados em Zero Hedge, Executive Intelligence Review, Global Times, Asia Times, L.A. Review of Books, and Sott.net. Matthew também publicou o livro “Chegou o Tempo do Canadá Ingressar na Nova Rota da Seda” e três volumes da História Não-contada do Canadá (disponíveis em untoldhistory.canadianpatriot.org). Ele pode ser contatado em matt.ehret@tutamail.com

domingo, 6 de setembro de 2015

Jihadistas chechenos deixam Síria e juntam-se a Kiev


 Não é de se surpreender: jihadistas do Estado Islâmico, grupo terrorista financiado pelos Estados Unidos e que saiu do controle de seus tentáculos (aqui, aqui e aqui), e que se opõem à Rússia nos confrontos chechenos, estão saindo da Síria e rumando para a Ucrânia (cujo governo também é financiado pelos Estados Unidos), onde se supõe com isto uma reunião de forças por parte da OTAN em uma possível Terceira Guerra Mundial. Com o exército de Assad tomando controle do território sírio, os terroristas são realocados para outro ponto de atuação: governo de Kiev, ou o Praviy Sektor, batalhão neonazista também financiado pela OTAN, e que também está saindo de controle do governo de Kiev. A reportagem abaixo se trata de uma entrevista a um terrorista jihadista que fala um pouco sobre o deslocamento de forças islâmicas para lutar pelo Ocidente, por aqueles que supostamente desejam destruir.
"Morte separatista", escrito na faca
 [Anna Nemtsova para o Daily Beast]Um batalhão de combatentes do Cáucaso é entregue a Kiev na Guerra da Ucrânia. Contudo, a sua presença pode causar mais estrago do que auxiliar.

MARIUPOL, Ucrânia – Apenas a uma hora de distância dessa cidade sitiada, em um antigo resort localizado no mar de Azov*, que hoje é uma base militar, militantes da Chechênia – veteranos jihadistas em suas próprias terras e, mais recentemente, na Síria – agora servem no que é chamado de Batalhão Xeique Mansur. Alguns deles afirmam terem sido treinados, pelo menos, no Oriente Médio junto a combatentes do conhecido Estado Islâmico, ou EI.

Em meio às forças desiguais que se alistaram na luta contra os separatistas da região oeste da Ucrânia, Donbass, apoiado pela Rússia, poucos são mais controversos e mais nocivos para a reputação da causa que eles dizem querer servir. O Presidente russo Vladimir Putin adoraria apresentar os combatentes que ele apoia como cruzados enfrentando perigosos jihadistas, ao invés do governo Ucraniano que pretende integrar intimamente o país com a Europa Oriental.

Ainda assim, muitos ucranianos patriotas, desesperados para conquistar terreno na luta contra as forças apoiadas pela Rússia, estão dispostos a aceitar os militantes chechenos para seu lado.

Ao longo do último ano, dezenas de combatentes chechenos cruzaram a fronteira da Ucrânia, alguns de maneira legal, outros de maneira ilegal, e em Donbass encontraram-se com o Pravyi Sektor, uma milícia de extrema-direita. Os dois grupos, com dois batalhões, possuem muito pouco em comum, mas eles compartilham um inimigo e compartilham essa base.

O Daily Beast conversou com os militantes chechenos sobre o seu possível apoio ao Estado Islâmico e os seus afiliados no Norte do Cáucaso, que agora é chamado de Estado Islâmico e Emirado do Cáucaso e é considerado uma organização terrorista tanto pela Rússia quanto pelos Estados Unidos.

Os combatentes chechenos declararam-se motivados com a chance de lutar contra os russos na Ucrânia, a quem eles chamam de “invasores do nosso país, Ichkeria”, outro termo para designar a Chechênia.

De fato, eles estavam aborrecidos com as autoridades ucranianas por não terem permitido a entrada de mais militantes chechenos vindos do Oriente Médio e das montanhas do Cáucaso. O batalhão Xeique Mansur, fundado em outubro de 2014, “precisa de reforços”, eles afirmam.

O homem que os chechenos deferem como o seu “emir”, ou líder, é chamado “Muslim”, um nome de batismo comum no Cáucaso. Ele relatou como cruzou a fronteira ucraniana no ano passado: “Levei dois dias para atravessar a fronteira ucraniana, e as autoridades que controlam a fronteira atiraram em mim,” ele disse. Ele vive tranquilamente nessa base militar, mas está indignado porque um número maior de seus recrutas não pode chegar até ali. “Três dos nossos chegaram vindos da Síria, e quinze ainda estão esperando na Turquia” ele disse ao Daily Beast. “Eles querem abraçar o meu caminho, querem juntar-se ao nosso batalhão agora mesmo, mas as autoridades que patrulham a fronteira ucraniana não estão deixando que eles entrem”.

Muslim mostrou um pedaço de papel com o nome de outro checheno que está vindo juntar-se ao batalhão. O bilhete escrito à mão relata que Amayev Khayadhzi foi preso na Grécia no dia 4 de setembro de 2014, e agora poderia ser deportado para a Rússia. (na Grécia, o advogado de Khayadhzi contou ao Daily Beast via telefone que há uma chance de seu cliente ser transferido para a França, onde está sua família).

“Outros dois amigos nossos estão presos e ameaçados de deportação para a Rússia, onde eles ficariam presos por toda a vida ou seriam mortos por Kadyrov”, Muslim contou ao Daily Beast, referindo-se ao aliado de Putin e presidente da Chechênia, Ramzam Kadyrov.

O comandante apontou a um jovem militante próximo a ele: “Mansur veio para cá da Síria”, disse Muslim. “Ele utilizou o EI como base de treinamento para aprimorar as suas habilidades em combate”. Mansur esticou a sua mão direita, que estava desfigurada, segundo ele, por um ferimento de artilharia. E outros dois projéteis continuam cravados em suas costas, ele relatou.

“Sem fotografias”, Mansur sacudiu negativamente a sua cabeça quando um jornalista tentou tirar uma foto sua. Nem de sua mão, e nem de costas: “Minha religião não permite isso”.

De fato, para demonstrar que são perigosos, armados, e que seu número estava crescendo, esses chechenos postaram uma fotografia na rede social russa Vkontakt, que em realidade é controlada pelo governo russo. Porém, muitos deles tiveram seus rostos censurados, provavelmente para evitar processos, seja na Rússia ou no Ocidente.

“Kadyrovtsy [Kadyrov] conhece meu rosto e minha mão muito bem”, Mansur explicou ao Daily Beast.

Mansur disse que não teve de correr ao longo da fronteira sendo alvejado por balas como Muslim. “Nós conseguimos chegar a um acordo com os Ucranianos”, ele relatou.

A chegada de combatentes chechenos pró-Ucrânia do estrangeiro ajudou a aliviar os problemas de imigração dos chechenos já residentes na Ucrânia, os militantes explicaram.

Kadyrov enviou alguns de seus chechenos para lutar no conflito ao lado dos russos no ano passado, disse Muslim, e como resultado “havia um risco temporário de algumas famílias chechenas serem deportadas da Ucrânia... mas desde quando nós começamos a chegar aqui em Agosto do ano passado, nenhum checheno vivendo na Ucrânia teria razões para reclamar”.

Os ex-combatentes da Síria estavam indo para a Ucrânia porque estavam desapontados (ou horrorizados) pela ideologia do EI?

“Nós estamos lutando contra a Rússia há mais 400 anos; hoje eles [os russos] explodem e queimam vivos os nossos irmãos, juntamente com suas crianças, então aqui na Ucrânia nós continuamos lutando nossa guerra,” disse o comandante. Muitos chechenos hoje na Ucrânia relembraram a guerra da Chechênia nos anos 90 como uma guerra pela independência, que foi reconhecida por um breve período, e depois revogada.

Desde então a guerra no Cáucaso transformou-se em terrorismo, vitimando aproximadamente mil civis, muitos deles crianças, em uma série de ataques terroristas. E independentemente do inimigo em comum, isso se apresenta como um sério problema para Kiev, se ela aceitar receber esses combatentes.

“O governo ucraniano devia estar ciente de que os islâmicos radicais lutam contra a democracia,” diz Varvara Pakhomenko, uma especialista do International Crisis Group. “Hoje eles aliam-se com os nacionalistas ucranianos contra a Rússia, amanhã eles estarão lutando contra os liberais.”

Pakhomenko disse que algo similar aconteceu na Geórgia em 2012 quando o governo de lá foi acusado de cooperação com radicais islâmicos da Europa, Chechênia, e do Pankisi Gorge, uma região habitada por chechenos na Geórgia.

Para os observadores internacionais cobrindo o terrorismo na Rússia e no Cáucaso nos últimos quinze anos, a presença de radicais islâmicos na Ucrânia soa de maneira “desastrosa”, disseram ao Daily Beast os membros do International Crisis Group.

Não obstante, muitos ucranianos e oficiais em Mariupol apoiam a ideia de contratar mais milicianos chechenos. “Eles são guerreiros corajosos, prontos para morrer por nós, eles são amados, e da mesma maneira serão todos aqueles que nos protegerem da morte,” relatou Galina Odnorog, um voluntário que abastece os batalhões com equipamento, água, comida e outros itens. Na noite anterior as forças ucranianas contabilizaram seis soldados mortos e mais de uma dúzia de feridos.

“EI, terroristas – qualquer um é melhor do que nossos líderes preguiçosos,” disse Alexander Yaroshenko, deputado do conselho legislativo local. “Eu me sinto mais confortável ao redor de Muslim e seus rapazes do que com o nosso prefeito ou governador.”

O batalhão do Pravyi Sektor, que coopera com os militantes chechenos, é uma lei em si mesmo, no que diz respeito às suas ações, e frequentemente está fora de controle, tendendo a incorporar qualquer um em suas fileiras, de acordo com a própria vontade. Em julho, duas pessoas foram mortas e oito ficaram feridas em uma batalha entre a polícia e o Pravyi Sektor, houve troca de tiros e granadas. Na segunda-feira, militantes do Pravyi Sektor provocaram batalhas nas ruas do centro de Kiev, deixando três policiais mortos e mais de 130 feridos.

Ainda assim, o governo de Kiev está considerando a transferência do Pravyi Sektor para uma unidade especial do SBU, o serviço de segurança ucraniano, o que fez com que muitas pessoas questionassem se a milícia chechena irá juntar-se às unidades do governo também. Até agora, nem o batalhão do Pravy Sektor nem o batalhão de milicianos chechenos estão registrados com as forças oficiais.

Na Ucrânia, que continua perdendo dezenas de soldados e civis toda semana, muitas coisas podem sair fora do controle, mas “seria inimaginável permitir que os atuais e os ex-combatentes do EI viessem a participar de qualquer unidade controlada ou apoiada pelo governo” diz Paul Quinn-Judge, principal conselheiro do International Crisis Group na Rússia e na Ucrânia. “Seria politicamente desastroso para a administração de Poroshenko: nenhum governo Ocidental em sã consciência aceitaria isso, e seria um enorme presente para a propaganda do Kremlin. O governo ucraniano estaria melhor servido promovendo as suas decisões para encaminhar o EI de volta para a fronteira”.

*N.T. – A autora refere-se ao tempo do trajeto percorrido de carro entre os dois lugares.

Traduzido por Maurício Oltramari e revisado por Portal Legionário

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Os EUA podem impedir uma guerra contra a Rússia?


por Jack Hanick
Os Estados Unidos tendem a uma guerra contra a Rússia. Alguns chamam esta nova situação de "aumento de hostilidade" ou "Guerra Fria II". Há dois lados nesta história. Penso que os jornalistas estadunidenses de todas as convicções geopolíticas não estão oferecendo análises críticas. Compreender o lado russo e tomar seriamente seus argumentos podem ajudar a prevenir sérias consequências.

Os estadunidenses (o povo) acreditam que os russos são alimentados por propaganda feita pela mídia controlada pelo Estado. Se os russos (o povo) só pudessem ver a verdade, eles pensam, eles adotariam a posição dos EUA. Isto não é verdade. Há mais que 300 estações de televisão disponíveis em Moscou. Apenas 6 são controladas pelo Estado. A verdade é que os russos preferem ouvir as notícias do Estado ao invés aquelas da internet ou de outras fontes. É diferente de quase qualquer outro país do mundo. Não é a Coreia do Norte, onde as notícias são censuradas. Cada noite durante a crise da Crimeia, qualquer um poderia assistir a CNN ou a BBC meterem pau na Rússia.

Com relação à Ucrânia, a Rússia desenhou uma linha vermelha: nunca permitirá a Ucrânia ser parte da OTAN. A Rússia vê os EUA como o agressor, rodeando a Rússia com bases militares na Europa Oriental em todas as oportunidades desde o colapso da União Soviética. Os EUA veem a Rússia como o agressor contra seus vizinhos. Um pequeno passo em falso poderia levar à guerra. Agora a guerra não será mais "lá". Os bombardeiros russos voando para a Califórnia em 4 de julho claramente demonstram isso. Os russos compreendem que os EUA nunca lutaram uma guerra em sua própria terra desde a guerra civil. Se novas hostilidades começarem, a Rússia não deixará a guerra ser à distância, na qual os EUA disponibilizam as armas e os conselheiros, deixando que os outros "de botas no chão" combatam. A Rússia levará a guerra para os EUA. Como chegamos a este ponto crítico em tão pouco tempo?

Primeiro, algum retrospecto. Fui à Moscou há dois anos e meio. Fui à Rússia para construir um canal de notícias não-governamental com visões editoriais consistentes com a Igreja Ortodoxa Russa. Completei a missão e retornei ao Ocidente. Vejo dois lados desse conflito e, a menos que haja mudança de pensamento, o resultado será catastrófico. Quando cheguei, a relação entre os EUA e a Rússia pareciam normais. Como americano, minhas ideias foram aceitas, mesmo buscadas. No momento, o sr. Obama planejava atacar o exército de Assad na Síria por ter cruzado a "linha vermelha" em busca de armas químicas. A Rússia interveio e persuadiu a Síria a destruir suas armas químicas. O sr. Putin ajudou o sr. Obama salvar o rosto e não fazer uma mancada ainda maior na Síria. Logo depois, o sr. Putin escreveu um editorial publicado no The New York Times, no qual foi em geral bem recebido. As relações pareciam estar no seu curso normal. Houve cooperação no Oriente Médio e a russofobia estava leve.

Então a Rússia passou uma lei que preveniu a propaganda sexual para menores de idade. Foi o início das tensões. O lobby LGBT no Ocidente viu esta lei como anti-gay. Não foi isso que eu vi. A lei foi uma cópia direta da lei inglesa e foi tencionada a prevenir a pedofilia, não se referindo a relações entre adultos. Relações gays na Rússia não são ilegais (embora não sejam aceitas pela maioria do povo). Com relação aos protestos gays, ficaram longe da visão das crianças. Vejo isto do mesmo modo que vimos nos EUA crianças serem distanciadas de ver filmes marcados com "R". A punição por quebrar esta lei é um tanto menos que $100. Estacionamento duplo em Moscou é mais pesado: $150. Não obstante, a reação estava generalizada contra a Rússia.

O boicote das Olimíadas de Sochi foi o modo do Ocidente de descreditar a Rússia. A Rússia viu este boicote como um ato agressivo feito pelo Ocidente para interferir em suas políticas internas e ridicularizar a Rússia. Sochi foi para os russos uma grande fonte de orgulho nacional e não teve nada que ver com política. Para o Ocidente, isso foi o primeiro passo para criar a narrativa de que a Rússia era a antiga repressora União Soviética e que a Rússia deve ser parada.

Então vieram as revoluções coloridas na Ucrânia. Quando o presidente da Ucrânia foi derrubado (Yanukovich), do ponto de vista russo foi um golpe organizado pelo Ocidente. A derrubada de um presidente democraticamente eleito sinalizou que o Ocidente estava interessado em uma expansão de poder, não em valores democráticos. As conversações vazadas da Secretária Assistente de Estado, Victoria Nuland, e o Embaixados estadunidense, Geoffrey Pyatt, sugerem que os EUA estiveram ativamente envolvidos na mudança de regime na Ucrânia. Para a Rússia, os ucranianos são seus irmãos, muito mais que qualquer outro grupo. As línguas são similares; eles são ligados culturalmente e religiosamente. Kiev teve um papel central na cristianização da Rússia. Muitos russos têm membros familiares na Ucrânia. Para os russos, esta relação especial foi destruída por forças externas. Imaginem se o Canadá de repente se aliasse à Rússia ou à China. Os EUA certamente veriam isto como uma ameaça em sua fronteira e agiriam decisivamente.

Quando a União Soviética colapsou, do ponto de vista estadunidense, as fronteiras da Europa Oriental foram congeladas. Entretanto, no fim dos anos 1990, as fronteiras da Iugoslávia mudaram, dividindo o país ao meio. Os russos tinham aceitado o governo de Kiev sobre a Crimeia desde 1954, como um irmão confiável pode cuidar de uma propriedade da família. Mas quando este irmão não mais fazia parte da família, a Rússia quis a Crimeia de volta. A Crimeia também queria a Rússia de volta. Os crimeanos falam russo e estão atados com a herança russa de 300 anos. Do ponto de vista russo, foi um problema familiar que não interessa ao Ocidente, as sanções impostas foram vistas como agressão por parte do Ocidente para manter a Rússia no seu lugar.

As sanções separam a Rússia do Ocidente e a empurram para a China. O turismo chinês na Rússia bate os níveis recordes. Mais transações são agora estabelecidas diretamente entre o Rublo e o Yuan, sendo o dollar estadunidense um meio que já míngua. Embora o dollar permanece forte agora, é enganador. A China criou o banco banco AIIB para diretamente competir contra o FMI por poder bancário mundial, e os EUA estão tendo problemas em prevenir seus aliados de se juntar a ele. Esta é a primeira rachadura na dominação financeira dos EUA, como resultado direto das sanções.

Estamos nos movendo mais perto de uma guerra real. Os republicanos e os democratas falam em política externa com a Rússia. Quando todos os políticos estão de acordo, não há discussão de abordagens alternativas. Qualquer alternativa para o isolamento completo da Rússia e para a construção da OTAN em torno das fronteiras russas é um sinal de fraqueza. Qualquer alternativa para a construção militar é criticada como "apaziguamento", comparada à falida política externa do primeiro ministro britânico, Neville Chamberlain, com relação à Alemanha Nazista entre 1937 e 1939.

Os liberal-democratas historicamente são anti-guerra, mas não agora. Na República Tcheca houve o começo de um movimento anti-guerra quando a OTAN pôs seu armamento nas suas fronteiras. "Tanques, mas nenhum obrigado [Tanks but no thanks]" se tornou um coro. Os tchecos ficaram desconfortáveis com um músculo que flexionava rumo ao impasse. Apenas um só libertário, Ron Paul, elevou uma crítica da sabedoria dessa construção militar.

O erro que custará aos EUA muito caro é a hipótese de que a Rússia  tem as mesmas ambições que a União Soviética. A estratégia da Guerra Fria usada contra a União Soviética não pode ser repetida com os mesmos resultados. A União Soviética foi comunista e ateia. A Rússia moderna retornou às suas raízes cristãs. Há um renascimento na ortodoxia russa com mais de 25.000 novas igrejas construídas na Rússia depois da queda do comunismo. Em qualquer domingo, as igrejas são embaladas. Mais de 70% da população se identifica como cristã ortodoxa. Combinados este renascimento religioso com o renovado nacionalismo a Rússia cresce auto-confiante.

A ideologia marxista seguida pela União Soviética foi evangelista. Apenas quando todo o mundo tiver se tornado comunista é que os princípios marxistas teriam sido realizados. Quando as fazendas coletivas perderam seus fins, foi porque todo o mundo não era mais comunista, não porque a ideologia destruiu a iniciativa individual. Por esta razão, a União Soviética precisou dominar o mundo todo. Para a Rússia moderna, a dominação mundial não é o objetivo. A Rússia quer manter sua identidade russa e não perdê-la para forças estrangeiras.

A história russa é repleta de invasores tentando conquistar a Rússia Napoleão e Hitler são apenas os últimos exemplos. A Rússia sempre prevaleceu. Dirigindo do aeroporto, você pode ver exatamente o quão perto Hitler chegou de Moscou. Você também lembrou que foi aqui que ele foi parado. A Rússia está certa de que repelirá o novo invasor: a OTAN.

Uma guerra com a Rússia não pode ser vencida economicamente. O petróleo russo e uma abundância de recursos naturais ocupa o maior perímetro do mundo. Está crescendo em sua habilidade de substituir bens restritos [sancionados] do Ocidente. Uma guerra à distância usando o exército ucraniano não resolverá o problema.

Ainda há tempo de fazer um acordo. Mais sanções e mais isolamento do Ocidente não são o meio para resolver as diferenças. Os EUA articulando seu músculo militar não resolverá os problemas. A guerra não é a resposta, mas muito frequentemente na história se torna a única solução quando dois lados se recusam a ver o ponto de vista do outro.

via katheon

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Ameaças ao Brasil: Projeto Triplo A e outros ataques

É sabido que universidades brasileiras estão se reaproximando da Rússia (UFRGS, UFSM, UNB, etc.) a fins de projetos tecnológicos, energéticos e geopolíticos. Este é o motivo pelo qual começam a receber ataques vergonhosos como o feito contra a UFSM recentemente. Ademais, há uma suposta crise financeira que abala as universidades e as dificulta de levar os projetos adiante e de criar outros; tudo não passa de uma reação dos ativistas e espiões da OTAN, que abundam no Brasil, com vistas a derrubar o atual governo e retirar o país do seu rumo para guiá-lo segundo os interesses dos EUA e da OTAN.

As conspirações crescem, os ataques crescem, em todas as frentes: os escândalos da FIFA (detenção de José Maria Marin e afastamento de Blatter) são a maneira que os agentes atlantistas encontraram para dificultar o andamento da Copa e das Olimpíadas, respectivamente na Rússia e no Brasil, que muito temem o "propagandismo político", medo responsável também pelo silêncio de muitas mídias ocidentais sobre os eventos do Dia da Vitória ocorridos na Rússia (os maiores do mundo todo), ofuscados por eventos improvisados e mal-feitos em países da OTAN para ter pretexto de dominar o assunto na mídia. O objetivo social é este: isolar a Rússia, impedir a aproximação cultural/intelectual/geopolítica do povo brasileiro com os russos. O objetivo político é este: manter o país na progressiva decadência anti-tradicional, laica e de ideologia liberal. O econômico é este: dominar os setores mais importantes do país e tomar o controle da "cabeça" (ver: FHC promete entregar parte do Brasil aos EUA).

Abaixo, reportagem retirada de Sputnik:

No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Brasil se vê diante de uma proposta do presidente da Colômbia para criar um “corredor ecológico” que iria dos Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia. Segundo o professor Rogério Maestri, porém, as preocupações supostamente ambientais do projeto podem esconder interesses estrangeiros bem mais perversos.

“Esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação. É o germe de uma ocupação de uma parte do Brasil com o objetivo de isolá-lo do norte, do Caribe, e a América do Sul da parte norte”, disse o especialista em entrevista à Sputnik.

Professor visitante de Engenharia Hidráulica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Maestri se preocupa não apenas com os aspectos técnicos da questão ambiental, mas também com os fatores geopolíticos por trás de ideias como a do chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos, que anunciou publicamente em fevereiro que iria propor ao Brasil e à Venezuela este “ambicioso” corredor ecológico.

“Será o maior corredor do mundo, com 136 milhões de hectares, que batizamos de Triplo A, pois seria andino, amazônico e atlântico, indo dos Andes até o Atlântico, no Brasil”, declarou Santos no programa oficial de televisão Agenda Colômbia, em 16 de fevereiro. Segundo as palavras do presidente colombiano, a proposta serviria para “preservar a área e como uma contribuição da humanidade para a discussão sobre como deter as mudanças climáticas”. No entanto, de acordo com Maestri, é bastante provável que o discurso de Santos esconda intenções menos louváveis.

Em primeiro lugar, conforme aponta o professor, o termo “corredor ecológico” é impróprio para qualificar o projeto do Triplo A. “De acordo com o costume internacional, se fazem corredores com largura de, digamos, no máximo 1 km. (…) O que chamam de corredor ambiental é algo que varia aqui [no Triplo A] de 50km a 500km”, ressaltou.

“Pode ser qualquer coisa, menos corredor ambiental. É um rasgo que se faz no norte do Brasil”.

De fato, segundo lembra Maestri, um corredor ecológico legítimo na Amazônia, a saber, que levasse em conta a necessidade de preservar a integridade de uma determinada extensão de mata a fim de garantir o fluxo genético entre espécies e evitar a endogamia, deveria integrar outras regiões mais prejudicadas pela exploração humana na região, e não teria a necessidade ambiental de ir até o Atlântico.

“Por que ir até o Atlântico? Se é problema ambiental, era pra ir mais para o sul, mais para baixo da Venezuela, por exemplo, e não precisava ir exatamente até o Atlântico. Chegar de um lado a outro é claramente estratégico, e não é por acaso que [o Triplo A] teria dois pontos de acesso”.

Talvez seja interessante notar que a ideia inicial do “ambicioso” projeto de Santos seja atribuída a Martín von Hildebrand, fundador da ONG Gaia Amazonas e membro da Gaia Foundation, organização também não governamental, mas com fortes vínculos com a Casa Real Britânica.

Segundo o site oficial da ONG inglesa, o trabalho na Amazônia começou com a mediação do ambientalista brasileiro José Lutzenberg, que também atuou no ministério do governo Fernando Collor de Mello. Na época, ele sofreu diversas críticas, sendo acusado inclusive de receber dinheiro indevido da Gaia Foundation, como noticiado pela revista Executive Intelligence Review, bem como de isolar os ambientalistas brasileiros das decisões políticas, preferindo o conselho de estrangeiros.

“Todas as cabeças coroadas europeias gostam muito de ONGs – não as que queiram fazer alguma coisa no seu próprio país, mas que queiram fazer nos outros países”, afirmou o professor da UFRGS.

De acordo com Maestri, de fato, o envolvimento da Gaia Foundation na proposta do Triplo A é mais um indício “de uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”.

“Se se olha a tradição europeia, vê-se que eles enxergam muito longe… Não é, por exemplo, como o americano, que é um pouco mais intempestivo, que tenta invadir no momento. Os ingleses, europeus, em geral, têm um raciocínio mais em longo prazo. Então eles vão implantando essas pequenas coisas, esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação”.

Além disso, Maestri também chama a atenção para o fato de a ideia ser patrocinada pela Colômbia, um dos maiores aliados dos EUA na América Latina, onde Washington dispõe de sete bases militares.

“Do lado da Colômbia tem bases americanas, e do lado do Brasil pode ter bases francesas. Então nas duas extremidades ficam países do Norte, com grande possibilidade de ter acesso a esse ‘corredor’… a essa ocupação. Faz sentido dentro de uma lógica estratégica”, explica o professor.

Se efetuado, o Triplo A seria composto em 62% por território brasileiro, 34% por território colombiano e 4% por território venezuelano. Ou seja, a gestão do “corredor” teria que ser tripartite, o que, de acordo com Maestri, facilitaria a dominação estrangeira da região amazônica, especialmente porque o projeto da Gaia Foundation envolve o conceito de autogestão dos povos indígenas.

“Essas tribos estão em um processo de incorporação de tecnologias modernas, algumas ainda bem atrasadas, outras mais evoluídas. (…) Com essa autogestão, eles [os índios] ficam sujeitos à manipulação. É mais ou menos o que acontece em diversos países da África, que foram fragmentados ao extremo e agora são sujeitos a invasões permanentes de tropas neocoloniais. (…) Ou seja, essa visão de uma autodeterminação também serve [a interesses estrangeiros]; pode levar eles, daqui a um tempo, a escolherem o país que vai ser o seu suporte. Isso já contraria o princípio pétreo da Constituição que é a indivisibilidade do Brasil”, adverte o especialista.

“Essas comunidades têm todo o direito e devem ser preservadas (…). Porém, provavelmente com o tempo – e isso é mais ou menos lógico –, essas culturas indígenas não vão ficar satisfeitas em viver na ‘Idade da Pedra’ e vão querer mais. Bem, quem vai fornecer esse mais? Vai ser o Brasil, a Colômbia, a Venezuela, ou os países europeus?”, acrescentou.

A gigantesca área abrangida pelo Triplo A guarda enormes reservas de água, minérios e biodiversidade. Ou seja, seria uma imensa riqueza a ser pretensamente “gerida” por povos indígenas, que, segundo observa o professor, “podem ser enganados por qualquer um, um posseiro qualquer”, assim como “podem ser enganados por outros países”.

Outra evidência dos interesses econômicos por trás da proposta, segundo o professor, é o fato de que o corredor abarcaria a região acima do Rio Amazonas – partes mais altas que, sendo mais secas, seriam mais aproveitáveis para atividades lucrativas, como a criação de gado.

De qualquer forma, o presidente colombiano prometeu apresentar o projeto na próxima conferência ambiental da COP 21, que será realizada entre os dias 7 e 8 de dezembro em Paris. Na opinião de Maestri, entretanto, a ideia não deve dar frutos pelo menos dentro dos próximos cinco anos.

“É um projeto de longo prazo. Depois da COP 21, [a ideia] vai evoluindo, evoluindo, até que vão questionar a própria capacidade do Brasil de gerir essa parte. Como se eles, os europeus, americanos, fossem capazes de gerir. As florestas deles simplesmente foram acabadas. Onde teve colonialismo, acabaram com florestas imensas”, notou o professor.

“Somos tão incompetentes assim? Se a Amazônia existe, é porque tinha um governo brasileiro, que bem ou mal ainda conservou. Qual a moral que têm países que desmataram, que colonializaram ao máximo – e ainda colonizam, agora com o neocolonialismo –, em chegar e falar que o Brasil é incapaz?”

De acordo com Maestri, não se pode negar a importância da conservação da Amazônia, mas a tarefa deve ser levada a cabo “dentro da lógica nacional”. O especialista defende, sobretudo, a “presença forte do Exército brasileiro impedindo o corte dessas matas”, o reforço da ocupação do Estado na região e uma “cobertura de satélites” para melhorar o monitoramento, tarefa que, segundo ele, pode ser feita em parcerias múltiplas com outros países, inclusive com o sistema de navegação GLONASS, da Rússia, que acaba de ganhar sua segunda estação no Brasil.

No entanto, Maestri ressalva que o Estado tem que se fazer presente não só na parte da defesa, mas também na esfera social. “A Amazônia não é um vazio”, diz o professor, defendendo a necessidade de dar assistência em saúde e educação às pessoas que habitam a região amazônica. “Ocupar a Amazônia para evitar ser ocupado”, resume ele.

“Se o Estado brasileiro ocupar aquela região efetivamente, ninguém entra. Ocupar integralmente, desde o médico, da professora, do pequeno hospital, até as Forças Armadas”, concluiu o especialista.

Saibamos escolher nossos parceiros que não querem nos subjugar, mas ajudar a nos erguermos.
LUTEMOS PELO BRASIL!

domingo, 15 de dezembro de 2013

660 indivíduos e 147 corporações controlam a economia mundial


Um estudo da Universidade de Zurique revelou que um pequeno grupo de 147 grandes corporações transnacionais, principalmente financeiras e extrativistas de minério, na prática controlam a economia global. O estudo foi o primeiro a analisar 43.060 corporações transnacionais e desvendar a teia de aranha da propriedade entre elas, conseguindo identificar 147 companhias que formam uma "super-entidade"

O pequeno grupo está estreitamente interconectado através dos conselhos administrativos corporativos e constitui uma rede de poder que poderia ser vulnerável ao colapso e propensa ao "risco sistêmico", segundo diversas opiniões. O Projeto Censurado da Universidade Sonoma State da Califórnia desclassificou esta notícia sepultada pelos meios de comunicação e seu ex-diretor Peter Phillips, professor de sociologia nesta universidade, ex-diretor do Projeto Censurado e atual presidente da Fundação Midia Freedom/Project Censored, a citou em seu trabalho "The Global 1%: Exposing the Transnational Ruling Class" (1%: exposição da classe dominante transnacional), firmado com Kimberly Soeiro e publicado em Projectcensored.org.

Os autores do estudo são Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battinson, investigadores da Universidade de Zurique (Suíça), que publicaram seu trabalho em 26 de outubro de 2011, sob o título "A Rede de Controle Corporativo Global" (The Network of Global Corporate Control) na revista científica PlosOne.org.


Na representação do estudo publicado em PlosOne, os autores escreveram: "A estrutura da rede de controle das empresas transnacionais afeta a competência do mercado mundial e a estabilidade financeira. Até agora, foram estudadas só pequenas mostras nacionais e não existia uma metodologia adequada para avaliar o controle a nível mundial. Se apresenta a primeira investigação da arquitetura da rede de propriedade internacional, junto com o cálculo da função mantida por cada jogador global".

"Descobrimos que as corporações transnacionais formam uma gigantesca estrutura como gravata borboleta e que uma grande parte dos fluxos de controle conduzem a um pequeno núcleo muito unido de instituições financeiras. Este núcleo pode ser visto como um bem econômico, uma "super-entidade" que planeja novas questões importantes, tanto para os investigadores como responsáveis políticos".

O jornal conservador britânico Daily Mail foi talvez o único do mundo que acolheu esta notícia, em 20 de outubro de 2011, apresentada por Rob Waugh sob o chamado titular "Existe uma "super-corporação que dirige a economia global? O estudo clama que poderia ser terrivelmente instável. A investigação descobriu que 147 empresas criaram uma "super-entidade" dentro do grupo, controlando 40% da riqueza".

Waugh explica que o estudo da Universidade de Zurique "prova" que um pequeno grupo de companhias - principalmente bancos - exerce um poder enorme sobre a economia global. O trabalho foi o primeiro a examinar um total de 43.060 corporações transnacionais, a teia de aranha da propriedade entre elas, e estabeleceu um "mapa" de 1.318 empresas como coração da economia global.

"O estudo encontrou que 147 empresas desenvolveram em seu interior uma "super-entidade", controladora de 40% de sua riqueza. Todos possuem parte ou totalidade de um e outro. A maioria são bancos - os 20 maiores, incluídos Barclays e Goldman Sachs. Mas a estreita relação significa que a rede poderia ser vulnerável ao colapso", escreveu Waugh.

Mapa-mundi da riqueza

O tamanho dos círculos representa os ingressos. Os círculos roxos são "corporações super-conectadas" enquanto os amarelos são "corporações muito conectadas". As 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia globalizada mostram suas conexões de propriedade parcial entre uns e outros, e o tamanho dos círculos corresponde aos ingressos. Através das empresas seus proprietários controlam a maior parte da economia "real" (Ilustração dos autores, PlosOne, 26/10/2012)

"De fato, menos de 1% das empresas foi capaz de controlar 40% de toda a rede", disse ao Dialy Mail James Glattfelder, teórico de sistemas complexos do Instituto Federal Suíço de Zurique, um dos três autores da investigação.

Algumas hipóteses do estudo foram criticadas, como a ideia de que propriedade equivale a controle. "Não obstante, os investigadores suiços não têm nenhum interesse pessoal: limitaram-se a aplicar na economia mundial modelos matemáticos utilizados habitualmente para modelas sistemas naturais, usando Orbis 2007, uma base de dados que contém 37 milhões de companhias e investidores", informou Waugh.

Economistas como John Driffil,, da Universidade de Londres, especialista em macroeconomia, disse à revista New Scientist que o valor do estudo não radicava em ver quem controla a economia global, mas mostra as estreitas conexões entre as maiores corporações do mundo. O colapso financeiro de 2008 mostrou que este tipo de rede estreitamente unida pode ser instável. "Se uma empresa sofre angústia, esta se propaga", disse Glattfelder.

Para Rob Waugh e para o Daily Mail um "porém": "Parece pouco provável que as 147 corporações no coração da economia mundial possam exercer um poder político real, pois representam muitos interesses", assegurou o jornal conservador britânico.

A riqueza global do mundo é estimada em torno de 200 bilhões de dólares, ou seja, duas centenas de milhões de milhões. Segundo Peter Phillips e Kimberly Soeiro, o 1% mais rico da população do planeta agrupa, aproximadamente, 40 milhões de adultos. Estas pessoas constituem o segmento mais rico dos primeiros níveis da população dos países mais desenvolvidos e, intermitentemente, em outras regiões.

Segundo o livro de David Rothkop "Super-classe: A elite do poder mundial e do mundo que está criando", a super elite abarcaria aproximadamente 0,0001% (1 milhonésimo) da população do mundo e compreenderia uns 6.000 a 7.000 pessoas, ainda que outros salientam 6.660. Entre esse grupo haveria de buscar os donos das 147 corporações que cita o estudo dos investigadores de Zurique.

O 1% GLOBAL: 660 INDIVÍDUOS E 147 CORPORAÇÕES CONTROLAM A ECONOMIA MUNDIAL

Desmascaramento da super classe dominante transnacional

Peter Phillips e Kimberly Soeiro*

Este estudo pergunta "quem são o 1% da elite do poder do mundo? e como operam em uníssono sobre os 99% restante para incrementar suas próprias ganâncias privadas?" Examinamos uma mostra do 1%: o setor mineiro, cujas corporações extraem material de setores comuns globais da Terra e utilizam mão de obra barata para acumular riqueza. O valor do material removido por estas grandes companhias petrolíferas, de gás e variadas organizações de extração de minerais, excede em longe o custo real de extração. Também examinamos o setor investidor do 1% global: corporações cuja atividade primária consiste em acumular e reinvestir capital.

Este setor inclui os bancos centrais, as maiores empresas de gestão de dinheiro para o investimento e outras corporações cujos esforços primários são a concentração e a reprodução do dinheiro, como companhias de seguros. Finalmente, analisamos como as redes globais da elite centralizada do poder - o 1%, suas companhias, e os diversos governos a seu serviço - planejam, manipulam e fazem cumprir políticas que beneficiam sua concentração contínua de riqueza e poder. Demonstramos como o império militar-industrial-midiático EUA/OTAN atua em serviço da classe corporativa transnacional na proteção do capital internacional no mundo.

O "Movimento Ocupa" desenvolveu uma marca, "o outro 99%", que resume a grande desigualdade de riqueza e poder entre o 1% mais rico do mundo e o resto de nós. Enquanto o mantra dos 99%, indubitavelmente, serve como ferramenta de motivação para envolver abertamente mais gente, explica muito pouco sobre quem integra o 1% e como mantêm seu poder no mundo. Ainda que boa porção da investigação acadêmica se ocupou da elite do poder nos EUA, só na metade da última década se investigou a emergência de uma classe corporativa transnacional[1].

A mais destacada entre as primeiras obras sobre a ideia de 1% interconectado dentro do capitalismo global foi o livro A Classe Capitalista Transnacional, de Leslie Sklair, 2001 [1]. Sklair acreditou que a globalização moveria as corporações transnacionais (CTN) em papéis internacionais mais amplos, que conduziriam os estados de origem das corporações a papéis menos importantes que os acordos internacionais desenvolvidos através da Organização Mundial do Comércio (OMC) e de outros organismos. O que emergia destas corporações era uma classe capitalista transnacional, cujos membros e interesses incrementariam cada vez mais seus alcances internacionais, enquanto todavia estavam enraizados em suas sociedades. Sklair escreveu:

"A classe capitalista transnacional se pode dividir analiticamente em quatro frações principais: (i) donos e reguladores das CNTs e seus afiliados locais; (ii) burocratas e políticos da globalização; (iii) profissionais da globalização; (iv) elites do consumismo (comerciantes e mídia)... por suposto, também é importante observar que a classe corporativa transnacional (CCT) e cada uma de suas frações, não sempre estão unidas totalmente diante de cada problema. Não obstante, em seu conjunto, as pessoas principais destes grupos constituem uma elite de poder mundial, uma classe dominante ou um círculo íntimo, no sentido em que estes termos são utilizados para caracterizar as estruturas de classes dominantes de países específicos" [3]

Estima-se que a riqueza do mundo total está em torno dos 200 bilhões de dólares, com EUA e Europa retendo, aproximadamente, 63%. Para estar entre a metade mais rica do mundo, um adulto necessita apenas de 4.000 dólares em ações resultadas de dívidas. Um adulto requer mais de 72 milhões para pertencer aos 10% superiores de proprietários globais de riqueza e mais de 588 milhões para ser membro do 1%. Em 2010, o 1% superior dos mais ricos do mundo tinha ocultado mais de 21 a 32 bilhões de dólares em contas bancárias secretas isentas de impostos por todo o mundo [4].

Enquanto isso, a metade mais pobre da população global conjunta possui menos de 2% da riqueza global [5]. O Banco Mundial divulgou em 2008 que 1,29 bilhões de pessoas viviam em extrema pobreza, com menos de 1,25 dólar por dia, e outros 1.200 milhões mais viviam com menos de 2 dólares por dia [6]. Starvation.net reportou que 35 mil pessoas, principalmente crianças pequenas, morrem de fome por dia no mundo todo [7].

O número de mortes desnecessárias excedeu os 300 milhões durante os últimos 40 anos. Os granjeiros de todo o planeta produzem mais que o suficiente de comida para alimentar adequadamente o mundo inteiro. A produção global de grãos de 2007 cresceu a 2,3 bilhões de toneladas, 4% mais que no ano anterior, mas cada dia um bilhão de pessoas passam fome. Grain.org descreve as razões básicas da fome atual no artigo "As corporações todavia estão fazendo uma matança por fome": enquanto os granjeiros produzem bastante comida para alimentar o mundo, os especuladores destes commodities e os grandes comerciantes de grão como Cargill controlam os preços e a distribuição global de alimentos [8].

Também é importante examinar como se cria riqueza e como se concentra. Historicamente, a riqueza foi capturada e concentrada por conquista por diversos grupos poderosos. Para um exemplo histórico basta só uma mirada na apropriação pela Espanha da riqueza dos impérios Asteca e Inca no começo do século XVI. A história dos impérios romano e britânico também mostra exemplos.

Uma vez adquirida, então a riqueza se pode utilizar para estabelecer meios de produção, tais como as antigas fábricas britânicas de algodão, que exploram a mão de obra para produzir mercadorias cujo valor de intercâmbio é superior ao custo do trabalho, um processo analisado por Karl Marx em O Capital [9].

O negócio organizado contrata trabalhadores que são pagos por baixo do valor de sua força de trabalho. O resultado é a criação do que Marx chamou mais-valia, um valor superior ao custo do trabalho. A criação da mais valia permite, a quem possui os meios de produção, concentrar mais capital.

Além disso, a concentração do capital acelera a exploração de recursos naturais por empresários privados, ainda que realmente estes recursos naturais sejam a herança comum de todos os seres vivos [10]. Neste artigo, perguntamos: quem são o 1% da elite do poder do mundo? E em que medida atuam em uníssono para suas próprias ganâncias privadas e benefícios a custo dos 99%?

Examinaremos uma mostra do 1%: o setor mineiro-extrativista, cujas corporações obtêm material tirado de campos comuns da terra e usam mão de obra barata para acumular riqueza. Se trata das corporações dedicadas a extrair petróleo, gás e outras companhias que extraem minerais. O valor do material retirado excede em longe o custo real da extração.

Também examinaremos o setor de investimento do 1%: corporações cuja atividade primária é amassar e reinvestir capital. Este setor inclui os bancos centrais, as maiores empresas de gestão de investimento monetário e outras corporações como as companhias de seguros que apontam à concentração e ampliação do dinheiro.

Finalmente, analisamos como as redes globais do poder centralizado - a elite do 1%, suas companhias e variados governos a seu serviço - planejam, manipulam e fazem cumprir políticas que beneficiam sua concentração contínua de riqueza e poder.

O setor extrator: o caso de Freeport-McMoRan (FCX).

Freepor-McMoRan (FCX) é o maior extrator mundial de cobre e ouro. A companhia controla depósitos enormes em Papua, Indonésia; também opera no Norte e na América do Sul e na África. Em 2010 vendeu 3,9 bilhões de libras de cobre, 1,9 milhões de onças de ouro e 67 milhões de libras de milbdeno. Em 2010 reportou ingressos de 18,9 bilhões de dólares e uma renda líquida de 4,2 bilhões [11].

A mina Grasberg de Papua Indonésia emprega 23.000 trabalhadores com salários abaixo de 3 dólares por hora. Em setembro de 2011 os trabalhadores foram às ruas por salários melhores e melhores condições de trabalho. Freeport tinha oferecido um aumento de 22% e os manifestantes disseram que não era suficiente, exigindo um padrão internacional de 17 a 43 dólares por hora. O conflito salarial atraiu os membros de uma tribo local, que tinham seus próprios problemas com respeito a direitos de terra e contaminação. Armados com lanças e flechas, se uniram aos trabalhadores que bloqueavam os caminhos de acesso à mina [12]. Durante a tentativa dos manifestantes de bloquear ônibus repletos de trabalhadores de substituição, as forças de segurança do Estado mataram e feriram vários manifestantes.

Freeport foi criticada por pagar às autoridades por segurança. Desde 1991, pagou quase 13 bilhões de dólares ao governo indonésio com uma tarifa de 1,5 de royalty sobre o ouro e o cobre extraído e, em consequência, tem em seus bolsos a polícia militar e regional indonésia. Em outubro de 2011, o diário Jakarta Globe divulgou que as forças de segurança indonésias de Papua Oeste, notavelmente a polícia, recebem generosos pagamentos diretos e sob o poder de Freeport-McMoRan. O Chefe Nacional da Polícia Timur Pradopo admitiu que os oficiais recebem em torno de 10 milhões de dólares anuais, que Pradopo descreveu como "dinheiro para o almoço". A proeminente organização não governamental indonésia Imparsia situou os pagamentos anuais diretos em 14 milhões de dólares [13].

estes pagamentos recordam inclusive os maiores desembolsos feitos pela Freeport às forças militares indonésias ao longo de dois anos, que quando foram revelados motivaram uma investigação da Comissão de Segurança e Intercâmbio dos EUA sobre a responsabilidade de Freeport sob a Lei sobre Práticas Estrangeiras Corruptas dos EUA.

Acrescentando, a polícia do Estado e o exército foram criticados muitas vezes pelas violações de direitos humanos na região montanhosa remota, onde um movimento separatista ferve a fogo lento por décadas. Anistia Internacional documentou numerosos casos em que a polícia indonésia utilizou força desnecessária contra manifestantes. Por exemplo, as forças de segurança atacaram uma concentração de massas em Jayapura, capital de Papua, e trabalhadores em manifestação na mina de Freeport. Pelo menos mataram 5 pessoas e muitas mais foram feridas em assaltos que mostram um padrão contínuo de violência pública contra dissidentes pacíficos. Outro ataque brutal e injustificado, ocorrido em 19 de outubro de 2011, contra mil de papuenses que exerciam seu direito a reunião e liberdade de expressão, causou a morte de pelo menos 3 civis de Papua, além de muitos, detenção de centenas e condenação de 6 por traição [14].

O Jakarta Globe divulgou em 7 de novembro de 2011 que "os trabalhadores em manifestação empregados por Copper e Gold, filial de Freepost-McMoRan em Papua, baixaram suas exisgências mínimas de aumento salarial de 7,50 a 4 dólares por hora, disse o Sindicato dos Trabalhadores Tudo-Indonésia (SPSI em inglês)" [15]. Virgo Solosa, funcionário do sindicato, disse a Jakarta Globe que consideraram "a melhor solução para todos" aceitar um salário por cima do mínimo de 1,5 dólares a hora.

Os trabalhadores da mina de cobre Cerro Verde, de Freeport no Perú, também foram à manifestação neste mesmo tempo, pondo de relevo a dimensão global da confrontação com Freeport. Os trabalhadores exigiram aumentos salariais de 11%, enquanto a companhia ofereceu apenas 3%.

A greve peruana terminou em 28 de novembro de 2011 [16] e em 14 de dezembro Freeport McMoRan anunciou um acordo na mina indonésia que estendia o contrato com o sindicato por dois anos. Os trabalhadores de Freeport continuam com salários baixos, que atualmente aumentam a tão pouco como 2 dólares por hora e subirão em 24% no primeiro ano do convênio coletivo e os 13% no segundo ano. O acordo também inclui melhoras em benefícios e uma bonificação por uma só vez equivalente a três meses de salários [17].

Em ambas greves em Freeport os governos exerceram pressão sobre os grevistas para uma solução que implicaram muito altos níveis nacionais e internacionais. Durante a greve de Freeport-McMoRan a administração Obama ignorou a notória violação de direitos humanos e, em seu lugar, fortaleceu os laços militares EUA-Indonésia. O secretário de Defesa dos EUA Leon Panetta que chegou a Indonésia no estouro imediato do ataque de Jayapura, não formulou nenhuma crítica ao assalto e reafirmou o apoio dos EUA à integridade territorial indonésia. Panetta também elogiou o manejo da Indonésia quanto a greve em Freeport-McMoRan[18].

O presidente Barack Obama visitou a Indonésia em novembro de 2011 para consolidar relações com Jakarta como parte da escalada de esforços de Washington orientada a combater a influência chinesa na região Ásia-Pacífico. Obama acabava de anunciar que os EUA e a Austrália começariam um manejamento rotatório de 2.500 infantes da marinha dos EUA em uma base em Darwin, um movimento ostentável de modernizar a presença dos EUA na região e de permitir participação no "treinamento comum" à contraparte militar australiana. Mas alguns especulam que EUA tem uma agenda oculta. O jornal tailandês "The Nation sugeriu que uma das razões seria oferecer garantias remotas de segurança, de longe e a duas horas de voo, ao ouro de propriedade da estadunidense Freeport McMoRan e a mina de cobre em Papua Oeste [19].

O fato de que os trabalhadores da mina de cobre da Sociedade Mineira Cerro Verde, de Freeport no Perú, também estiveram em greve ao mesmo tempo destaca a dimensão global da confrontação de Freeport. Os trabalhadores peruanos exigiam aumentos de 11%, enquanto Freepor oferecia apenas 3%. A greve foi levantada em 28 de novembro de 2011 [20]. Em ambas greves, os governos exerceram pressão para submeter os grevistas, não só com a presença de força militar e de polícia, mas também envolvendo altos níveis internacionais. O fato de que o Secretário de Defesa dos EUA mencionara uma greve nacional na Indonésia mostra que os problemas que afetam os benefícios do 1% corporativo internacional estão em jogo ao mais alto nível do poder.

A opinião pública da Indonésia está fortemente contra Freeport em 8 de agosto de 2011, Karishma Vaswani, da BBC, reportou que "a corporação mineira dos EUA Freeport-McMoRan foi acusada de tudo, desde contaminar o ambiente ao financiamento da repressão, em suas quatro décadas de operações na província indonésia de Papua...pergunta na rua a qualquer papuano o que pensa de Freeport e lhe dirá que a corporação é uma ladra, disse Nelels Tebay, um pastor de Papua e coordenador da rede da paz de Papua" [21].

Os grevistas de Freeport ganharam o apoio do Movimento Ocupa dos EUA. Ativistas do Occupy Phoenix e da Rede de Ação pelo Timor Leste marcharam contra os chefes de Freeport em Phoenix, em 28 de outubro de 2011, para manifestar contra as matanças da polícia indonésia na mina Grasberg de Freeport-McMoRan [22].

James R. Moffett, presidente da junta directiva de Freeport-McMoRan Copper e Gold, Inc. (FCX), possui mais de quatro milhões de ações de um valor próximo aos 42 dólares cada uma (total, 168 milhões de dólares). Segundo o informe na reunião anual de FCX lançada em junto de 2011, a remuneração anual de Moffett em 2010 foi de 30,57 milhões de dólares.

Richard C. Adkerson, presidente do conselho de FCX, possui mais de 5,3 milhões de ações (222,6 milhões de dólares). Sua remuneração total também foi de 30,57 milhões de dólares em 2010. As rendas de Moffett e Adkerson os colocam nos níveis superiores ao 1% do mundo. Sua interconexão com os níveis mais altos do poder na Casa Branca e no Pentágono se expressa na atenção específica que lhes presta a ambos o secretário de Defesa dos EUA e, como sugerem suas circunstâncias, a consciência do presidente dos EUA. Não tem dúvida que os executivos e o diretório de Freeport McMoRan estão firmemente posicionados nos níveis mais altos da classe corporativa transnacional.


Conselho administrativo de Freeport-McMoRan

Jamesa R. Moffet, afiliações políticas e corporativas: copresidente, presidente e chefe executivo (CEO, Chief Executive Officer) de McMoRan Exploration Co.; PT Freeport Indonesia; Madison Minerals Inc.; Horatio Alger Association of Distinguished Americans; Agrico, Inc.; Petro-Lewis Funds, Inc.; Bright Real Estate Services, LLC; PLC-ALPC, Inc.; FM Services Co.

Richard C. Adkerson, afiliações políticas e corporativas: Arthur Anderson Company; presidente de International Council on Mining and Metals; membro da junta directiva de International Copper Association, Business Council, Business Roundtable, Junta de Consejeros del Kissinger Institute, Madison Minerals Inc.

Robert Allison Jr., afiliações políticas: Anadarko Petroleum (11 bilhões de dólares de ingressos em 2010); Amoco Projection Company.Robert A. Day, afiliaciones corporativas: CEO de W.M. Keck Foundation (con activos de más de mil millones de dólares en 2010); abogado de Costa Mesa, California.

Robert A. Day, afiliações corporativas: CEO de W.M. Keck Foundation (com ações de miss de 1 bilhão de dólares em 2010); advogado de Costa Mesa, California.

Gerald J. Ford, afiliações políticas corporativas: Hilltop Holdings Inc, First Acceptance Corporation, Pacific Capital Bancorp (vendas anuais: 13 bilhões de dólares), Golden State Bancorp, FSB (Banco de Ahorros Federales que se fundiu com Citigroup en 2002), Rio Hondo Land & Cattle Company, Diamond Ford, Dallas (vendas: 200 milhões de dólares), Scientific Games Corp., SWS Group (vendas anuais: 422 milhões de dólares); American Residential Cmnts LLC.

● H. Devon Graham Jr, afiliaciones corporativas: R.E. Smith Interests (compañía de gestión de activos; renta: 670.000 dólares).
● Charles C. Krulak, afiliaciones corporativas y gubernamentales: presidente de la universidad Birmingham-South College; comandante del Cuerpo de Marina, 1995-1999; MBNA Corp., Union Pacific Corporation (ventas anuales: 17 mil millones de dólares), Phelps Dodge (adquirida por FCX en 2007).
● Bobby Lee Lackey, afiliaciones corporativas: CEO de McManusWyatt-Hidalgo Produce Marketing Co.
● Jon C. Madonna, afiliaciones corporativas: CEO de KPMG (servicios profesionales de auditoría, ventas anuales: 22,7 mil millones de dólares), AT&T (ingresos 2011: 122 mil millones de dólares), Tidewater Inc. (ingresos 2011: 1,4 mil millones de dólares).
● Dustan E. McCoy, afiliaciones corporativas: CEO de Brunswick Corp. (ingresos: 4,6 mil millones de dólares), Louisiana-Pacific Corp. (ingresos 2011: 1,7 mil millones de dólares).
● B.M. Rankin Jr., afiliaciones corporativas: vice presidente del directorio de FCX, cofundador de McMoRan Oil and Gas en 1969.
● Stephen Siéguele, afiliaciones corporativas: fundador/CEO de Advanced Delivery and Chemical Systems Inc., Advanced Technology Solutions, Flourine on Call Ltd.

BlackRock é uma das redes de poder mais concentradas do 1% global. Os membros da “décima oitava” (eightteen) da junta directiva estão conectados com uma parte significativa do coração do capital financeiro do mundo. Suas decisões podem mudar impérios, destruir moedas e empobrecer a milhões. Alguns dos maiores gigantes financeiros do mundo capitalista estão conectados entrelaçando suas conselhos administrativos em BlackRock, incluindo o Bank of America, Merrill Lynch, Goldman Sachs, PNC Bank, Barclays, Swiss Reinsurance Company, American International Group (AIG), UBS A.G., Arab Fund for Economic and Social Development, J.P. Morgan Chase & Co e Morgan Stanley.

Uma investigação da Universidade de Zurique de 2011, concluída por Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston no Instituto Federal Suíço, divulga que um pequeno número de corporações – principalmente bancos – manejam um enorme poder sobre a economia global [26]. Usando dados de Orbis 2007, uma base de dados que abarca 37 milhões de companhias e investidores, os investigadores suíços aplicaram à economia mundial modelos matemáticos usualmente empregados como modelos naturais.
O estudo foi o primeiro em observar 43.060 sociedades transnacionais e estudar a teia de aranha da propriedade entre elas. A investigação criou um “mapa” de 1.318 companhias do núcleo da economia global. O estudo concluiu que 147 corporações formam uma “super-entidade” dentro deste mapa, controlando 40% da riqueza. Os “top 25” entre as 147 companhias super-conectadas incluem as seguintes corporações:

1. Barclays PLC*
2. Capital Group Companies Inc.
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. J. P. Morgan Chase & Co.*
7. Legal & General Group PLC
8. Vanguard Group Inc.
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co. Inc.*
11. Wellington Management Co. LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc.
14. Credit Suisse Group*
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc.*
19. T Rowe Price Group Inc.
20. Legg Mason Inc.
21. Morgan Stanley*
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc.
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation*
(*Diretores de BlackRock)

Nitidamente, para nossos propósitos, os membros do conselho de BlackRock têm conexões diretas com pelo menos 7 das 25 corporações superiores que Vitali e outros identificaram como “super-entidade internacional”. O conselho administrativo de BlackRock tem vínculos diretos com 7 das 25 sociedades mais interconectadas do mundo. Dezoito membros do conselho de BlackRock controlam e influenciam dezenas de bilhões de dólares da riqueza em todo mundo e representam o núcleo das corporações super-conectadas do setor financeiro. Sob o corte transversal aparece uma amostra de figuras chaves e ativos corporativos da “super-entidade econômica global” identificada por Vitali e outros.

Outras figuras chaves e conexões corporativas ao interior dos níveis mais altos da “super-entidade econômica global”:

·         Um grupo privado de corporações de capitais com sede em Los Angeles controla 1 bilhão de dólares em ativos.

·         FMR, uma das maiores corporações de fundos mútuos do mundo, controla 1,5 bilhões de dólares em ativos e atende a mais de 20 milhões de clientes individuais e institucionais; seu presidente e CEO é Edward C. (Ned) Johnson III.

·         AXA controla 1,5 bolhões de dólares em ativos, atende a 101 milhões de clientes; CEO: Henri de Castries, também diretor da Nestlé (Suíça).

·         State Street Corporation, opera desde Boston e administra ativos de 1,9 bilhões de dólares; seus diretores incluem Joseph L. Hooley, CEO da State Street Corporation; Kennett F. Burnes, presidente jubilado e CEO da Cabot Corporation (faturamento em 2011: 3,1 bilhões de dólares).

·         JP Morgan/Chase (ativos 2011: 2,3 bilhões de dólares), conselho administratico: James A. Bell, vice-presidente (VP) executivo jubilado de The Boeing Company; Stephen B. Burke, CEO da NBC Universal e VP executivo da Comcast Corporation (TV por assinatura); David M. Cote, CEO da Honeywell International, Inc.; Timothy P. Flynn, presidente retirado de KPMG International; e Lee R. Raymond, CEO jubilado da Exxon Mobil Corporation.

·         Vanguard (ativos sob sua gestão em 2011: 1,6 bilhões de dólares), diretores: Emerson U. Fullwood, VP da sociedade de Xerox; JoAnn Heffernan Heisen, VP de Johnson & Johnson, Robert Wood Johnson Foundation; Mark Loughridge, CEO da IBM, Global Financing; Alfred M. Rankin Jr., CEO da NACCO Industries, Inc., National Association of Manufacturers, Goodrich Corp y presidente do Banco Reserva Federal de Cleveland.

·         UBS AG (ativos 2012: 620 bilhões de dólares), seus diretores incluem a Michel Demaré, membro do Conselho da Syngenta e IMD Foundation (Lausanne); David Sidwell, ex-CEO da Morgan Stanley.

·         Merrill Lynch (Bank of America), ativos en administrados em 2011: 2,3 bilhões de dólares. Seus diretores incluem: Brian T. Moynihan, CEO de Bank of America; Rosemary T. Berkery, diretora jurídica do Bank of America/Merrill Lynch (antes Merrill Lynch y Co., Inc.), membro de Coselho Consultivo Legal del New York Stock Exchange, diretora de Securities Industry and Financial Markets Association; Mark A. Ellman, director gerente de Credit Suisse, First Boston; Dick J. Barrett, co-fundador de Ellman Stoddard Capital Partners, MetLife, Citi Group, UBS, Carlyle Group, ImpreMedia, Verizon Communications (TV por assinatura e comunicacões), Commonwealth Scientific and Industrial Research Org, Fluor Corp, Wells Fargo, Goldman Sachs Group.


Os diretores dessas super corporações conectadas representam uma pequena porção do 1% global. A maioria das pessoas com ativos superiores a 588 mil dólares não são jogadores importantes das finanças internacionais. No melhor dos casos, utilizam as empresas de gestão de ativos para produzir retornos de se capital. Seu valor líquido envolve frequentemente ativos não financeiros, como propriedades imobiliárias e empresas.

Análise: CCT e o poder mundial

Como a Classe Corporativa Transnacional (CCT) mantém a concentração e o poder da riqueza no mundo? O 1% mais rico da população representa, aproximadamente, 40 milhões de adultos. Estas pessoas constituem o segmento mais rico das primeiras classes da população dos países mais desenvolvidos e, intermitentemente, de outros países.

A maior parte desses 1% desempenha trabalhos seguros ou trabalha em atividades associadas a instituições do establishment. Aproximadamente 10 milhões desses indivíduos têm ativos superior a 1 milhão de dólares e aproximadamente 100 mil possuem ativos financeiros maiores que 30 milhões de dólares.

Imediatamente abaixo do 1% do primeiro escalão estão aqueles que trabalham normalmente em corporações importantes, governos, negócios próprios e várias instituições pelo mundo. Este primeiro nível constitui aproximadamente de 30 a 40% de empregados no núcleo dos principais países desenvolvidos e cerca de 30% está na segunda classe das economias, enquanto os 20% mais abaixo correspondem às economias periféricas (conhecidas anteriormente por “terceiro mundo”). O segundo nível de trabalhadores globais representa o crescente exército de trabalho informal: operários de fábricas, trabalhadores das ruas e diaristas, cada vez com menos ajuda das organizações de governo e assistência social.

Estes trabalhadores, concentrados principalmente nas megalópoles, correspondem de 30 a 40% do pessoal em economias industrializadas centrais e outros 20% ao segundo nível e às economias periféricas. Isso deixa um terceiro nível de alcance mundial de gente indigente, no qual 30% são adultos de países centrais e as economias secundárias complementam com 50% de pessoas dos países periféricos, com oportunidades de renda extremamente limitadas, que lutam para sobreviver com alguns dólares por dia. Se trata de 2,5 bilhões de pessoas que vivem com menos de dois dólares por dia, dezenas de milhares morrem por dia por desnutrição e enfermidades facilmente curáveis, e que nunca usaram um telefone. [27]

Como se observa em nossa amostra do setor de mineração e de investimentos, as elites corporativas se interconectam através de vínculos diretos de conselhos administrativos das 70 maiores multinacionais, organizações políticas, grupos midiáticos e outras instituições acadêmicas ou sem fins lucrativos.

A amostra do setor de investimentos exibe vínculos financeiros muito mais poderosos do que a rede do setor extrativista. No entanto, ambos representam vastas redes de recursos concentrados nas diretorias ou conselhos administrativos de cada corporação. O corte da amostra de diretores e recursos das 8 corporações super-conectadas replica esse modelo de conexões corporativas em múltiplos conselhos administrativos, por exemplo, grupos ou partidos políticos, grandes meios de informação e governos, controlando assim extensos recursos globais. Esta engrenagem de relações se repete através de corporações top interconectadas com a classe corporativa transnacional, resultando em uma rede altamente conectada e poderosa de indivíduos que compartilham o interessa comum de preservar sua dominação de elite.

A investigação sociológica mostra que as diretorias entrelaçadas têm um potencial de facilitar a coesão política. Um sentido coletivo de “nós” emerge no interior dessas redes de poder, conseguindo que seus membros pensem e atuem em uníssono, não só para si mesmos e suas corporações individuais, mas com um maior sentido de propósitos “bons para a ordem”, por assim dizer. [28]

Nossa amostra de 30 companhias altamente conectadas ao interior das diretorias exerce influência sobre alguns dos mais poderosos grupos ou organismos que fixam políticas pelo mundo, como o Conselho Britânico-Americano de Negócios, Conselho de Negócios EUA-Japão, Business Roundtable, Business Council e Kissinger Institute. Influenciam 10 bilhões de dólares em recursos monetários e controlam a vida trabalhista de milhões de pessoas. Considerando tudo, são uma elite de poder por si mesmo, atuando em um mundo de redes de elites de poder, e se comportam como classe dirigente do mundo capitalista.

Além disso, essa elite global de 1% domina e controla as empresas de relações públicas e os meios corporativos globais, que protegem seus interesses servindo à superclasse como sua máquina de propaganda. Os meios corporativos proporcionam entretenimento às massas distorcem a realidade da desigualdade. As notícias corporativas são controladas pelo 1% para manter as ilusões de esperança e isentar a responsabilidade dos poderosos em tempos difíceis. [29]

Na amostra, 4 de 30 diretores das super corporações estão conectados diretamente com companhias de relações públicas e grandes meios. Thomas H. O’Brien e Ivan G. Seidenberg estão no conselho administrativo de Verizon Communications, onde Seidenberg é presidente. Verizon informou mais de 110 bilhões de dólares em receitas em 2011[30]. David H. Komansky e Linda Gosden Robinson estão na diretoria do Grupo WPP, que descreve a si mesmo como líder mundial em serviços de comunicações de marketing, com ganhos totais superiores a 65 bilhões de dólares em 2011. WPP é um conglomerado entre várias entre várias empresas de relações públicas e marketing do mundo, em áreas que incluem publicidade, controle de investimentos em mídia, percepção de consumidores, marca e identidade corporativa, comunicações – e propaganda – de atenção em saúde, promoção de marketing digital e de relacionamento. [31]

Mesmo na profundidade do 1% da elite rica está o que David Rothkopf chama de superclasse. Rothkopf, ex-diretor de Kissinger Associates e comissionado como subsecretário de comércio para políticas comerciais internacionais, em 2008 publicou seu livro “Superclasse: a elite do poder mundial e o mundo que está criando”[32]. Segundo Rothkopf, os superclasse constituem aproximadamente 0,0001% (milionésima) parte da população mundial e compreende entre 6 a 7 mil pessoas, ainda que alguns digam 6.660. São aqueles que assistem cada ano o Fórum Econômico Mundial de Davos, voam ou navegam em jatos privados e iates, incorporam capital monetário, entrelaçam megacorporações, desenham políticas para a elite do mundo em cima da pirâmide do poder mundial.

94% dessa superelite é do sexo masculino, predominantemente “branca”, e sobretudo vindos da América do Norte e Europa. Essas pessoas que definem as agendas na Comissão Trilateral, Grupo de Bilderberg, G-8, G-20, OTAN, Banco Mundial e OMC. Provenientes dos níveis mais altos do capital financeiro, corporações transnacionais, governos, militares, acadêmicos, ONGs, líderes espirituais e outras elites na sombra. As elites na sobra incluem, por exemplo, as políticas profundas de segurança nacional em conexão com os cartéis de droga, que anualmente extraem 8.000 toneladas de ópio em zonas de guerra dos EUA, depois dos lavadores de 500 bilhões de dólares que utilizam bancos transnacionais, metade deles estabelecidos nos Estados Unidos. [33]

Os multimilionários e o 1% global são similares aos donos de plantações coloniais. Sabem que são uma pequena minoria com extensos recursos e poder, mas igualmente devem se preocupar continuamente em evitar que as massas exploradas entrem em rebelião. Como resultado dessa insegurança de grupo, os superclasse trabalham duro para proteger essa estrutura de riqueza concentrada. A proteção do capital é a principal razão pela qual os países da OTAN explicam 85% dos gastos para a defesa do mundo, com os EUA gastando mais em militares do que o resto do mundo combinado [34]. O temor de rebeliões e outras formas de distúrbios motivam a agenda global da OTAN na guerra antiterrorista [35]. A declaração da cúpula da OTAN 2012 em Chicago diz:

"Como líderes da aliança estamos determinados a assegurar que a OTAN conserve e desenvolva suas capacidades necessárias para realizar sua tarefa essencial de defesa coletiva, gestão de crise e cooperação em segurança e, de tal modo, desempenhar um rol essencial em promover a segurança no mundo. Devemos resolver essa responsabilidade enquanto enfrentamos uma grave crise financeira e nos corresponde adentrarmos em desafios estratégicos. A OTAN permite que juntos conquistemos maior segurança do que se qualquer um pudesse atuar sozinho.

Confirmamos a importância de continuar um vínculo transatlântico forte e a solidariedade como Aliança, assim como o significado de compartilhar responsabilidades, papeis e riscos a fim de resolver juntos os desafios dos aliados norte-americanos e europeus (...) Com confiança fixamos a meta para as forças da OTAN 2020: frotas moderas e firmemente conectadas e equipadas, treinadas, exercitadas e comandadas de maneira que possam atuar juntas, como sócios, em qualquer ambiente". [36]

A OTAN está emergindo rapidamente como força policial da classe corporativa transnacional. Enquanto a CCT emergia mais decididamente a partir dos anos 80, a OTAN começava operações mais amplas, coincidindo com a queda da União Soviética (URSS). A OTAN primeiro se aventurou nos Bálcãs, onde continua presente, e logo se instalou no Afeganistão. A OTAN começou uma missão de treinamento no Iraque em 2005, recentemente conduziu operações na Líbia e, desde julho de 2012, considera uma operação militar na Síria. (N.d.T.: Até o presente momento Bashar al-Assad vem conquistando importantes vitórias para a soberania de seu país frente a miríade de chacais que rodeiam a Síria).

Está claro que os superclasse usam a OTAN para a sua segurança global. Isso é parte de uma estratégia de expansão da dominação militar dos EUA ao redor do mundo, enquanto o império militar-industrial-midiático EUA/OTAN atua a serviço da classe corporativa transnacional para a proteção do capital internacional em qualquer lugar do mundo [37].

Os sociólogos William Robinson e Jerry Harris anteciparam essa situação em 2000, quando descreveram "uma mudança no estado de bem-estar social ao estado de controle social (polícia) somado à expansão das forças de segurança pública e privada, o encarceiramento massivo de populações excluídas, novas formas de apartheid social e legislação anti-imigrante [38]. A teoria de Robinson e Harris previu exatamente a agenda da superclasse global de hoje, incluindo:

- Continuidade por parte de Obama da agenda do estado policial de seus antecessores, Bush pai, Clinton e Bush filho.

- Agenda de dominação global de longo alcance, que utiliza forças militares dos EUA/OTAN para desencorajar a resistência dos Estados e manter políticas internas de repressão, ao serviço da manutenção da ordem do sistema capitalista.

- A consolidação contínua do capital em todo o mundo, sem interferência dos governos nem de movimentos sociais [39].

Além disso, essa agenda levou ao empobrecimento posterior da metade mais pobre da população do mundo, e uma implacável queda em espiral dos salário para todo o mundo do segundo escalão, incluindo alguns do primeiro escalão [40]. Este é um mundo que faz frente às crises econômicas, onde a solução neo-liberal é gastar menos em necessidades humanas e mais em forças de segurança [41]. É um mundo das instituições financeiras comportando-se como alienadas, onde a resposta à quebra consiste em imprimir mais dinheiro mesiante facilitações quantitativas, com bilhões de novos dólares produzindo inflação.

Como diz Andrew Kollin em State, Power and Democracy "há uma dimensão orweliana na perspectiva do governo (primeiro de Bush depois de Obama), que escolheu ignorar a lei, e no lugar, criar decretos para legitimar ações ilegais, dando permissão a si mesmo para atuar sem intenção alguma de compartilhar o poder de acordo com a Constituição ou o direito internacional" [42].

E em Globalization and Demolition of Society, Dennis Loo escreve: "Ao final de contas a divisão fundamental da nossa sociedade é entre aqueles cujos interesses estão na dominação e seus planos de monopolizar a sociedade e os recursos do planeta e aqueles interessados na exploração desses recursos para o benefício de todos, não de alguns" [43].

O Movimento Occupy usa como conceito principal o slogan "o 1% versus os 99%" em suas manifestações, perturbações e desafios às praticas da classe corporativa transnacional, em cujo interior os superclasse globais constituem um elemento chave para levar adiante a agenda da superelite para a guerra permantente e o controle social total. Occupy é exatamente o que mais temem os superclasse, um movimento democrático global que denuncie a agenda do CCT e a continuidade do teatro das eleições de governo, onde os protagonistas apenas mudam de roupa mas continuam os mesmos. Enquanto Occupy mais se negue cooperar com a agenda dos CCT e mobilize mais ativistas, é mais provavel que o sistema inteiro de dominação caia de joelhos sob o poder popular de movimentos democráricos



1. Para um aprofundamento acadêmico sobre este tema é sugerido a leitura desses textos:
–C. Wright Mills, The Power Elite, New York, Oxford University Press, 1956;
–G. Willian Domhoff, Who Rules America, 6th edition, Boston, McGraw Hill Higher Education, 2009;
–William Carroll, The Making of a Transnational Capitalist Class, Zed Books, 2010.
2. Leslie Sklair, The Transnational Capitalist Class, Oxford, UK, Blackwell, 2001.
3. Leslie Sklair, “The Transnational Capitalist Class And The Discourse Of Globalization”, Cambridge Review of International Affairs, 2000, http://www.theglobalsite.ac.uk/press/012sklair.htm
4. Tax Havens: Super-rich hiding at least $21 trillion, BBC News, July 22, 2012, http://www.bbc.co.uk/news/business-18944097
5. Tyler Durgen, A Detailed Look At Global Wealth Distribution, 10/11/10, http://www.zerohedge.com/article/detailed-look-global-wealth-distribution.
6. “World Bank Sees Progress Against Extreme Poverty, But Flags Vulnerabilities”, World Bank, Press Release No. 2012/297/Dec., February 29, 2012, http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/NEWS/0,,contentMDK:23130032~pagePK:64257043~piPK:437376~theSitePK:4607,00.html.
7. Mark Ellis, The Three Top Sins of the Universe, http://www.starvation.net/
8. “Corporations are Still Making a Killing from Hunger”, April 2009, Grain, http://www.grain.org/article/entries/716-corporations-are-still-making-a-killing-from-hunger.
9. On the extraction of surplus-value from labor, see Karl Marx, Capital, Vol. 3 (New York and London: Penguin, 1991 [1894]).
10. See, e.g., Paul Burkett, Marx and Nature: A Red and Green Perspective (New York: St. Martins, 1999), Chapter 6; for additional information on the Fair Share of the Common Heritage see, http://www.fairsharecommonheritage.org/.
11. Freeport-McMoRan Copper and Gold, Notice of Annual Meeting of Stockholders, June 15, 2011, document April 28, 2001, http://www.ecocumentview.com/FCX_MTG.
12. “Freeport Indonesia Miners, Tribesmen Defend Road Blockades”, Reuters Africa, November 4, 2011, http://af.reuters.com/article/metalsNews/idAFL4E7M410020111104.
13. “Police Admit to Receiving Freeport ‘Lunch Money,’” Frank Arnaz, Jakarta Globe, October 28, 2011,http://www.thejakartaglobe.com/news/police-admit-to-receiving-freeport-lunch-money/474747
14. “Indonesia must investigate mine strike protest killing”, Amnesty International News, October 10, 2011, http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/indonesia-must-investigate-mine-strike-protest-killing-2011-10-10; West Papua Report, November 2011, http://www.etan.org/issues/wpapua/2011/1111wpap.htm
15. Camelia Pasandaran, “Striking Freeport Employees Lower Wage Increase Demands”, Jakarta Globe, November 7, 2011, http://www.thejakartaglobe.com/business/striking-freeport-employees-lower-wage-increase-demands/476800.
16. Alex Emery, “Freeport Cerro Verde, Workers Sign Three-Year Labor Accord”, Bloomberg News, December 22, 2011, http://mobile.bloomberg.com/news/2011-12-22/freeport-cerro-verde-peru-workers-sign-three-year-labor-accord.
17. Eric Bellman and Tess Stynes, “Freeport-McMoRan Says Pact Ends Indonesia Strike”, Wall Street Journal, December 14, 2011, http://online.wsj.com/article/SB10001424052970203893404577098222935896112.html
18. John Pakage, “When there is no guarantee of the security of life for the people of Papau”, West Papua Media Alerts, March 1, 2012, http://westpapuamedia.info/tag/freeport-McMoRan/.
19. “Reasons to go the Darwin”, The Nation (Thailand), November 30, 2011, http://www.nationmultimedia.com/opinion/Reasons-to-go-to-Darwin-30170893.html
20. “Cerro Verde strike to be over by November 28 – Peru”, Business News Americas, November 24, 2011,http://www.bnamericas.com/news/mining/cerro-verde-strike-to-be-over-by-november-28
21. Karishma Vaswani, “US Firm Freeport Struggles to Escape Its Past in Papua”, BBC News, Jakarta,http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-pacific-14417718
22. Phoenix Arizona, October 28, 2011, Youtube report: http://www.youtube.com/watch?v=CvJxy2GvOHE.
24. Data for this section is drawn for StreetInsider.com.
25. Data for the corporations listed in this section comes from the annual report at each corporation’s website. Biography information was gained from the FAX annual report to investors and online biographies for individuals whine available.
26. Stefania Vitali, James B. Glattfelder, and Stefano Battiston, “The Network of Global Corporate Control”, PLoS ONE, October 26, 2011, http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0025995.
27. Willian Robinson and Jerry Harris, “Towards a Global Ruling Class? Globalization and the Transnational Capitalist Class”, Science and Society 64, no. 1 (Spring 2000).
28. Val Burris, “Interlocking Directorates and Political Cohesion Among Corporate Elites”, American Journal of Sociology 3, no. 1 (July 2005).
29. Peter Phillips and Mickey Huff, “Truth Emergency: Inside the Military-Industrial Media Empire”, Censored 2010 (New York: Seven Stories Press, 2009), 197–220.
30. Verizon Financials 2012, http://www22.verizon.com/investor/ Hoovers describes Verizon as, “the #2 US telecom services provider overall after AT&T, but it holds the top spot in wireless services ahead of rival AT&T Mobility.” Hoovers Inc. http://www.hoovers.com/company/Verizon_Communications_Inc/rfrski-1.html.
32. David Rothkopf, SuperClass: the Global Power Elite and the World They are Making (New York: Farrar, Straus, and Giroux, 2008).
33. Peter Dale Scott, American War Machine, Deep Politics, the CIA Global Drug Connection, and the Road to Afghanistan (Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, 2010). See also Censored Story #22, “Wachovia Bank Laundered Money for Latin American Drug Cartels”, in Chapter 1.
34. David Rothkopf, Superclass, Public Address: Carnegie Endowment for International Peace, April 9, 2008.
36. NATO, Summit Declaration on Defence Capabilities: Toward NATO Forces 2020, May 20, 2012, http://www.nato.int/cps/en/SID-1CE3D0B6-393C986D/natolive/official_texts_87594.htm.
37. For an expanded analysis of the history of US “global dominance”, see Peter Phillips, Bridget Thornton and Celeste Vogler, “The Global Dominance Group: 9/11 Pre-Warnings & Election Irregularities in Context”, May 2, 2010, http://www.projectcensored.org/top-stories/articles/the-global-dominance-group/ and Peter Phillips, Bridget Thornton, and Lew Brown, “The Global Dominance Group and U.S. Corporate Media”, Censored 2007 (New York: Seven Stories, 2006), 307–333.
38. Willian Robinson and Jerry Harris, “Towards a Global Ruling Class? Globalization and the Transnational Capitalist Class”, Science and Society 64, no. 1 (Spring 2000).
39. John Pilger, The New Rulers of the World (New York: Verso, 2003).
40. Michel Chossudovsky and Andrew Gavin Marshall, eds., The Global Economic Crisis (Montréal: Global Research Publishers, 2010).
41. Dennis Loo, Globalization and the Demolition of Society (Glendale, CA: Larkmead Press, 2011).
42. Andrew Kolin, State Power and Democracy (New York: Palgrave MacMillan,c2011), 141.
43. Loo, Globalization, op cit., 357. Similar Posts: Exposing the One Percent: Freeport McMoRan Exploits Workers and the Environment The Global Dominance Group: 9/11 Pre-Warnings & Election Irregularities in Context Who are the Global One-Percent Ruling Class_on Project Censored Barack Obama Administration Continues US Military Global Dominante.