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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

EUA assumem agora o lado fascista na história


Em uma celebração em Pequim na quinta-feira, dia 3 de setembro de 2015, marcando o aniversário de 70 anos da liberdade chinesa do agressor Japão logo do final da Segunda Guerra Mundial na China, os Estados Unidos conspicuamente evitaram de se posicionar ao lado de seu antigo aliado da Segunda Guerra, a China, que foi um dos aliados pró-democracia durante a guerra, e ao invés disso retrospectivamente mudou de lado, para o lado do antigo eixo dos poderes fascistas, entre eles Japão e Alemanha.

A diplomacia internacional está duramente focada no simbolismo historico, algo que qualquer um que está envolvido em diplomacia internacional entende. A diplomacia internacional é constantemente sobre história, e sobre fazer historia; esta é a natureza dessa profissão; e o simbolismo histórico neste evento diplomático em particular foi claro: os EUA retrospectivamente deixaram o lado anti-fascista dos Aliados, e mudaram para o lado do Eixo; os EUA agora se identificam com as nações do Eixo da Segunda Guerra - os agressores. Os EUA não mais se identifica com o lado das nações que foram agredidas.

A BBC, reportando as preparações da China para o evento, referiu-se à "notável ausência dos líderes ocidentais" da lista de pessoas que aceitaram os convites. "A parada serve a um papel duplo: uma reflexão sobre o passado e um sinal para o futuro. Os discursos dos oficiais chineses sobre os horrores do passado chinês - humilhação histórica nas mãos de poderes coloniais - estão diretamente ligados aos atuais interesses chineses sobre soberania e integridade territorial, incluindo os Mares Oriental e Sul chineses. Em um nível visceral dentro da sociedade chinesa, é impossível separar o passado do presente". A reportagem ainda fechou reconhecendo a resolução do presidente chinês, Xi Jinping, de "proteger os interesses essenciais da China". Esta é uma referência simpática e não de todo hostil, no fim de um artigo. A captação da BBC de uma foto que era similarmente honesta, e sem qualquer coloração propagandística do então planejado evento: "A parada comemora o que a China chama de 'Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa'". É de fato como a China a chama, e como de fato foi; e a BBC estava honestamente apresentando a perspectiva chinesa sobre uma parte momentânea da história chinesa. Os comuns noticiários anti-chineses e anti-russos do Ocidente não estavam presentes nesta admirável reportagem da BBC.

Então, na quinta, 3 de setembro, o dia do evento, a agência de notícias oficial da China, Xinhua (agora chamada "Nova Agência de Notícias da China", a fim de enfatizar o rompimento da China com relação à posição marxista-leninista dos tempos da Guerra Fria) manifestaram que "Xi chama os países a lembrar da história e perseguir o desenvolvimento pacificamente", e suas notícias abriram:

O presidente chinês Xi Jinping disse na quinta que todos os países deveriam tomar lições da história da Segunda Guerra e buscar um desenvolvimento pacífico.

Xi fez as observações enquanto saudava uma grande parada militar para comemorar o aniversário de 70 anos da vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês Contra a Agressão Japonesa e a Guerra do Mundo Anti-Fascista.

"É nossa sincera esperança que todos os países adquiram sabedoria e força da história, persigam pacificamente o desenvolvimento e trabalhem juntos para abrir um futuro promissor de paz mundial", disse ele a mais de 800 convidados chineses e estrangeiros.

A vitória da China na guerra foi um grande triunfo vencido pelo povo chinês em luta, ombro a ombro, com seus aliados anti-fascistas e com os povos em todo o mundo, disse ele.

"Como o principal cenário oriental da guerra anti-fascista, a guerra chinesa de resistência fez uma crítica contribuição para a vitória de todo o mundo", acrescentou Xi.

"Nenhuma força é maior que as que trabalham juntas em uma mente" ele disse, notando que durante a guerra, pessoas de todos os aliados anti-fascistas e outras forças em torno do mundo uniram mãos na luta contra seu inimigo comum.

"Nós os chineses nunca esqueceremos o incalculável apoio dado pelos países amantes de paz e justiça, pessoas e organizações internacionais, à nossa luta contra os japoneses agressores."


A reportagem descreveu a visão de Xi para o futuro da China:

Com uma memória dolorosa do passado, disse Xi, que o povo chinês têm persistentemente se comprometido em um caminho de pacífico desenvolvimento e uma estratégia de abertura em que todos ganham.

"Uma China mais forte e mais desenvolvida significará uma força mais forte para a paz mundial", disse o presidente.

O Jornal de Notícias Econômicas Alemão, em reportagem, notou:

Muitos líderes se abstiveram de participar na parada militar - a fim de não ofender os EUA entre outros aliados do Japão. A Alemanha e os EUA enviaram apenas seus embaixadores. O único líder da União Europeia lá era o presidente da República Tcheca, Milos Zeman. O muito criticado na China, conservador de direita, primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, negou o convite para o memorial à vitória da resistência chinesa.

Então, quem esteve lá? Quem de fato aceitou o convite?

Entre os aproximadamente 30 convidados estatais foram Vladimir Putin, os Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, o Presidente Park Geun-hye da Coreia do Sul, que também sofreu com as agressões japonesas. Na parada também marcharam em torno de 1000 soldados de 17 países como Rússia, Cuba, Kazaquistão, México, Paquistão e Sérvia.

Em outras palavras, este evento, que foi sobre Segunda Guerra, teve uma lista atendida que refletiu, ao invés da Segunda Guerra, a Guerra Fria - guerra entre o capitalismo e o comunismo - embora o comunismo esteja hoje completamente morto e só deixou vestígios na simbologia geopolítica, que já se apagam. A ideologia contra a qual os EUA travou a Guerra Fria deveria, portanto, agora ser ignorada, não mais tratada como se a Guerra Fria estivesse ainda viva e fosse ainda o foco central da política externa dos EUA. O foco desta Guerra Fria dos EUA sobre o evento da Segunda Guerra é doente, especialmente na era das ameaças reais dos jihadistas islâmicos ao redor do mundo, uma ameaça real tanto para o Oriente quanto para o Ocidente. Essa Segunda Guerra Fria pode produzir uma Terceira Guerra Mundial, uma guerra nuclear global. Para quê? Sobre o quê? Não sobre terrorismo islâmico. Mas isto é, apesar de tudo, o que os líderes dos EUA estão procurando: restaurar a Guerra Fria, depois de todo senso decente para uma coisa dessas foi deixada de lado. Um artigo de Xinhua foi mancheteado "Poucos no Ocidente se lembram do papel da China na Segunda Guerra: especialista de Oxford", e abriu: "Poucos no Ocidente se lembram do fato de que a China foi o primeiro país a entrar no que se tornou a Segunda Guerra, e foi um aliado dos Estados Unidos e da Grã Bretanha logo depois de Pearl Harbor até a rendição do Japão em 1945, disse um especialista de Oxford".

CCTV America mancheteou em 25 de agosto "China divulga lista de líderes mundiais a atender a parada do Dia da Vitória", e notou: "repórteres na conferência mostraram interesse sobre os líderes que não atenderão ao convite da celebração".

O BRICS Post reportou que, "Com exceção da presidente brasileira, Dilma Rousseff, que está lutando contra a oposição doméstica, os líderes dos Estados do BRICS são esperados a atender a parada chinesa no próximo mês para fortificar laços".

O Portal Matutino do Sul da China, na mais minuciosa de todas as reportagens sobre a lista dos que atenderão, mancheteou "Apenas os 'amigos verdadeiros' da China atenderão à parada de aniversário ao passo que os líderes-chave ocidentais e Kim Jong Un não estarão lá". A reportagem afirmou: "O único chefe de Estado ou governo da União Europeia é o presidente Milos Zeman da República Tcheca. O primeiro ministro Shinzo Abe do Japão não atenderá, embora o antigo primeiro ministro japonês Tomiichi Murayama atenderá. Pyongyang [Coreia do Norte] mandará seu membro Politburo, Choe Ryong-hae. Os EUA, o Canadá e a Alemanha enviarão representantes das suas missões diplomáticas na China [alguém da embaixada], enquanto a França e a Itália enviarão ministros estrangeiros". No entanto, o antigo primeiro ministro britânico, Tony Blair, também atendeu, como fez o presidente Vladimir Putin da Rússia e Park Geun-hye da Coreia do Sul.

Em outras palavras: os EUA, Canadá, Alemanha e Coreia do Norte enviarão os representantes de níveis mais baixos; a República Tcheca, a Coreia do Sul e a Rússia enviaram o de maior nível; e França, Itália, Bretanha e Japão ficaram no meio. China é um dos países do BRICS, assim é natural que os BRICS enviem representantes de nível maior. A Coreia do Norte enviou apenas um membro da Politburo, isto indica que Pyongyang está profundamente insatisfeita com o grau de apoio que a China alcançou recentemente. Japão enviou um antigo primeiro ministro, isto mostra que o governo japonês realmente não quer outra guerra entre dois gigantes econômicos da Ásia: é uma concessão extraordinária do país cuja derrota foi celebrada no evento.

A lista de convidados é um livro completo de informação sobre onde as coisas realmente estão na estrutura das relações internacionais. É um estatuto histórico, sobre o presidente, bem como sobre o passado. O simbolismo pode não ser tão descaradamente claro como palavras, mas é tão mais significativo, porque é a realidade crua, que palavras podem representar apenas (ou talvez até confundir). Claramente, a administração de Obama fez de tudo que pôde para apoiar as potências antigamente fascistas, Japão e Alemanha, contra a China, retrospectivamente, nesta ocasião. Japão é menos disposto que a Alemanha para andar junto ao esforço da Alemanha para reconstruir relações mundiais sobre a fundação da Segunda Guerra com os EUA tendo mudado 180 graus para se tornar agora o poder líder fascista (substituindo o que a Alemanha foi). A Itália também não tende a abraçar inteiramente o papel dos EUA como líder fascista mundial. Assim, também, o Reino Unido não tende inteiramente a aceitar (a aliança EUA-RU está se esgaçando). A Coreia do Norte está aparentemente junto dos EUA apenas por causa da sua relação com a China. Coreia do Sul é mais interessada em não ofender a China do que contribuir a fortalecer a relação de vassalo que tem com o fascista EUA. É extraordinário, mas isto se fortalece enquanto a Coreia do Norte enfraquece os laços com a China.

No entanto, ao passo que os EUA adota uma liberdade simbólica do nazismo, como faz com o financiamento do Praviy Sektor na Ucrânia e de grupos neonazistas por todo o mundo, sua ideologia continua liberal. EUA precisam desesperadoramente de homens fortes que lutem por seus interesses, e não há nada de mais inteligente do que apoiar grupos neonazistas para que façam o trabalho sujo e manter o controle à distância. Na Ucrânia, todavia, estes grupos, que caíram na armadilha de George Soros e outros, estão gradativamente percebendo o erro, e se voltando contra o governo de Kiev em favor do qual lutavam, passando para o lado anti-EUA, dos separatistas pró-russos.

parte deste artigo foi retirado de estrategicculture

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Os EUA podem impedir uma guerra contra a Rússia?


por Jack Hanick
Os Estados Unidos tendem a uma guerra contra a Rússia. Alguns chamam esta nova situação de "aumento de hostilidade" ou "Guerra Fria II". Há dois lados nesta história. Penso que os jornalistas estadunidenses de todas as convicções geopolíticas não estão oferecendo análises críticas. Compreender o lado russo e tomar seriamente seus argumentos podem ajudar a prevenir sérias consequências.

Os estadunidenses (o povo) acreditam que os russos são alimentados por propaganda feita pela mídia controlada pelo Estado. Se os russos (o povo) só pudessem ver a verdade, eles pensam, eles adotariam a posição dos EUA. Isto não é verdade. Há mais que 300 estações de televisão disponíveis em Moscou. Apenas 6 são controladas pelo Estado. A verdade é que os russos preferem ouvir as notícias do Estado ao invés aquelas da internet ou de outras fontes. É diferente de quase qualquer outro país do mundo. Não é a Coreia do Norte, onde as notícias são censuradas. Cada noite durante a crise da Crimeia, qualquer um poderia assistir a CNN ou a BBC meterem pau na Rússia.

Com relação à Ucrânia, a Rússia desenhou uma linha vermelha: nunca permitirá a Ucrânia ser parte da OTAN. A Rússia vê os EUA como o agressor, rodeando a Rússia com bases militares na Europa Oriental em todas as oportunidades desde o colapso da União Soviética. Os EUA veem a Rússia como o agressor contra seus vizinhos. Um pequeno passo em falso poderia levar à guerra. Agora a guerra não será mais "lá". Os bombardeiros russos voando para a Califórnia em 4 de julho claramente demonstram isso. Os russos compreendem que os EUA nunca lutaram uma guerra em sua própria terra desde a guerra civil. Se novas hostilidades começarem, a Rússia não deixará a guerra ser à distância, na qual os EUA disponibilizam as armas e os conselheiros, deixando que os outros "de botas no chão" combatam. A Rússia levará a guerra para os EUA. Como chegamos a este ponto crítico em tão pouco tempo?

Primeiro, algum retrospecto. Fui à Moscou há dois anos e meio. Fui à Rússia para construir um canal de notícias não-governamental com visões editoriais consistentes com a Igreja Ortodoxa Russa. Completei a missão e retornei ao Ocidente. Vejo dois lados desse conflito e, a menos que haja mudança de pensamento, o resultado será catastrófico. Quando cheguei, a relação entre os EUA e a Rússia pareciam normais. Como americano, minhas ideias foram aceitas, mesmo buscadas. No momento, o sr. Obama planejava atacar o exército de Assad na Síria por ter cruzado a "linha vermelha" em busca de armas químicas. A Rússia interveio e persuadiu a Síria a destruir suas armas químicas. O sr. Putin ajudou o sr. Obama salvar o rosto e não fazer uma mancada ainda maior na Síria. Logo depois, o sr. Putin escreveu um editorial publicado no The New York Times, no qual foi em geral bem recebido. As relações pareciam estar no seu curso normal. Houve cooperação no Oriente Médio e a russofobia estava leve.

Então a Rússia passou uma lei que preveniu a propaganda sexual para menores de idade. Foi o início das tensões. O lobby LGBT no Ocidente viu esta lei como anti-gay. Não foi isso que eu vi. A lei foi uma cópia direta da lei inglesa e foi tencionada a prevenir a pedofilia, não se referindo a relações entre adultos. Relações gays na Rússia não são ilegais (embora não sejam aceitas pela maioria do povo). Com relação aos protestos gays, ficaram longe da visão das crianças. Vejo isto do mesmo modo que vimos nos EUA crianças serem distanciadas de ver filmes marcados com "R". A punição por quebrar esta lei é um tanto menos que $100. Estacionamento duplo em Moscou é mais pesado: $150. Não obstante, a reação estava generalizada contra a Rússia.

O boicote das Olimíadas de Sochi foi o modo do Ocidente de descreditar a Rússia. A Rússia viu este boicote como um ato agressivo feito pelo Ocidente para interferir em suas políticas internas e ridicularizar a Rússia. Sochi foi para os russos uma grande fonte de orgulho nacional e não teve nada que ver com política. Para o Ocidente, isso foi o primeiro passo para criar a narrativa de que a Rússia era a antiga repressora União Soviética e que a Rússia deve ser parada.

Então vieram as revoluções coloridas na Ucrânia. Quando o presidente da Ucrânia foi derrubado (Yanukovich), do ponto de vista russo foi um golpe organizado pelo Ocidente. A derrubada de um presidente democraticamente eleito sinalizou que o Ocidente estava interessado em uma expansão de poder, não em valores democráticos. As conversações vazadas da Secretária Assistente de Estado, Victoria Nuland, e o Embaixados estadunidense, Geoffrey Pyatt, sugerem que os EUA estiveram ativamente envolvidos na mudança de regime na Ucrânia. Para a Rússia, os ucranianos são seus irmãos, muito mais que qualquer outro grupo. As línguas são similares; eles são ligados culturalmente e religiosamente. Kiev teve um papel central na cristianização da Rússia. Muitos russos têm membros familiares na Ucrânia. Para os russos, esta relação especial foi destruída por forças externas. Imaginem se o Canadá de repente se aliasse à Rússia ou à China. Os EUA certamente veriam isto como uma ameaça em sua fronteira e agiriam decisivamente.

Quando a União Soviética colapsou, do ponto de vista estadunidense, as fronteiras da Europa Oriental foram congeladas. Entretanto, no fim dos anos 1990, as fronteiras da Iugoslávia mudaram, dividindo o país ao meio. Os russos tinham aceitado o governo de Kiev sobre a Crimeia desde 1954, como um irmão confiável pode cuidar de uma propriedade da família. Mas quando este irmão não mais fazia parte da família, a Rússia quis a Crimeia de volta. A Crimeia também queria a Rússia de volta. Os crimeanos falam russo e estão atados com a herança russa de 300 anos. Do ponto de vista russo, foi um problema familiar que não interessa ao Ocidente, as sanções impostas foram vistas como agressão por parte do Ocidente para manter a Rússia no seu lugar.

As sanções separam a Rússia do Ocidente e a empurram para a China. O turismo chinês na Rússia bate os níveis recordes. Mais transações são agora estabelecidas diretamente entre o Rublo e o Yuan, sendo o dollar estadunidense um meio que já míngua. Embora o dollar permanece forte agora, é enganador. A China criou o banco banco AIIB para diretamente competir contra o FMI por poder bancário mundial, e os EUA estão tendo problemas em prevenir seus aliados de se juntar a ele. Esta é a primeira rachadura na dominação financeira dos EUA, como resultado direto das sanções.

Estamos nos movendo mais perto de uma guerra real. Os republicanos e os democratas falam em política externa com a Rússia. Quando todos os políticos estão de acordo, não há discussão de abordagens alternativas. Qualquer alternativa para o isolamento completo da Rússia e para a construção da OTAN em torno das fronteiras russas é um sinal de fraqueza. Qualquer alternativa para a construção militar é criticada como "apaziguamento", comparada à falida política externa do primeiro ministro britânico, Neville Chamberlain, com relação à Alemanha Nazista entre 1937 e 1939.

Os liberal-democratas historicamente são anti-guerra, mas não agora. Na República Tcheca houve o começo de um movimento anti-guerra quando a OTAN pôs seu armamento nas suas fronteiras. "Tanques, mas nenhum obrigado [Tanks but no thanks]" se tornou um coro. Os tchecos ficaram desconfortáveis com um músculo que flexionava rumo ao impasse. Apenas um só libertário, Ron Paul, elevou uma crítica da sabedoria dessa construção militar.

O erro que custará aos EUA muito caro é a hipótese de que a Rússia  tem as mesmas ambições que a União Soviética. A estratégia da Guerra Fria usada contra a União Soviética não pode ser repetida com os mesmos resultados. A União Soviética foi comunista e ateia. A Rússia moderna retornou às suas raízes cristãs. Há um renascimento na ortodoxia russa com mais de 25.000 novas igrejas construídas na Rússia depois da queda do comunismo. Em qualquer domingo, as igrejas são embaladas. Mais de 70% da população se identifica como cristã ortodoxa. Combinados este renascimento religioso com o renovado nacionalismo a Rússia cresce auto-confiante.

A ideologia marxista seguida pela União Soviética foi evangelista. Apenas quando todo o mundo tiver se tornado comunista é que os princípios marxistas teriam sido realizados. Quando as fazendas coletivas perderam seus fins, foi porque todo o mundo não era mais comunista, não porque a ideologia destruiu a iniciativa individual. Por esta razão, a União Soviética precisou dominar o mundo todo. Para a Rússia moderna, a dominação mundial não é o objetivo. A Rússia quer manter sua identidade russa e não perdê-la para forças estrangeiras.

A história russa é repleta de invasores tentando conquistar a Rússia Napoleão e Hitler são apenas os últimos exemplos. A Rússia sempre prevaleceu. Dirigindo do aeroporto, você pode ver exatamente o quão perto Hitler chegou de Moscou. Você também lembrou que foi aqui que ele foi parado. A Rússia está certa de que repelirá o novo invasor: a OTAN.

Uma guerra com a Rússia não pode ser vencida economicamente. O petróleo russo e uma abundância de recursos naturais ocupa o maior perímetro do mundo. Está crescendo em sua habilidade de substituir bens restritos [sancionados] do Ocidente. Uma guerra à distância usando o exército ucraniano não resolverá o problema.

Ainda há tempo de fazer um acordo. Mais sanções e mais isolamento do Ocidente não são o meio para resolver as diferenças. Os EUA articulando seu músculo militar não resolverá os problemas. A guerra não é a resposta, mas muito frequentemente na história se torna a única solução quando dois lados se recusam a ver o ponto de vista do outro.

via katheon

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Policial russo sacrifica sua vida e salva 300 crianças na estrada, e sobrevive

 No sábado, uma caravana de 9 ônibus voltava de um acampamento de crianças pela cidade de Abakan, capital da República da Khakassia no sul da Sibéria quando um policial - que agora é saudado como um heroi - fez o impensável.

Aleksandr Kosolapov, um oficial de polícia russo, acompanhava o comboio de aproximadamente 300 crianças quando um motorista imprudente vinha do outro lado desviando da sua pista e se dirigindo de encontro com o comboio das crianças. Conforme a Toyota Caldina, que acelerava em alta velocidade, avançava para além da linha divisória das duas pistas, passando à contra-mão na auto-pista Abakan-Ak-Dovurak, o oficial Kosolapov notou que tinha uma decisão a tomar - e tomou-a sem hesitação.

Sem se preocupar com sua própria vida, o homem de 39 anos, a quem estavam confiadas as crianças, desviou seu Ford Focus para ficar entre o primeiro ônibus e o veículo fora de controle. A calculada, porém devastadora, colisão deixou ambos os veículos completamente destruídos e o oficial em estado grave.

"O oficial rapidamente avaliou a situação e arriscou sua própria vida, conseguiu prevenir uma colisão fatal", disse a polícia Khakassiana. "Como resultado da colisão massiva, o carro de patrulha se transformou literalmente em uma pilha de ferro. De acordo com os especialistas, é um milagre o oficial de polícia ainda estar vivo".

O oficial Kosolapov está agora consciente e em condição estável.

Quanto aos cinco passageiros - um dos quais era um menino de 10 anos de idade - que estavam na Toyota; todos sobreviveram e milagrosamente sofreram apenas ferimentos leves.

Nenhuma das crianças que estavam nos ônibus foram feridas.

As autoridades estão agora revisando o incidente e abriram um caso criminal sob artigo de "violação do motorista de leis de trânsito ou operação de veículos que resultam em graves riscos à saúde humana", contra o motorista do carro desgovernado.







via theantimedia

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Parque Patriota: Putin constrói "Disney World" militar


Putin atirando em um tigre com um tranquilizador
O faixa-preta em Judô, artilheiro no Hockey, líder russo, Vladimir Putin inaugurou seu último presente ao povo russo na quinta-feira - um parque Disney World militar e patriota, onde famílias podem passear, relaxar e brincar com tanques de guerra e armas. Elas também podem participar de esportes extremos. Tudo por amor à pátria!

O Parque Patriota, como é conhecido, se localiza a uma hora de Moscou, em Kubinka, e é valorado em 20 bilhões de rublos (em torno de 370 milhões de dólares). Andar em doces tanques de guerra, escalar e atirar granadas, tocar e atirar com armamento, os visitantes podem comprar todo o arsenal de Putin que se possa imaginar, até mesmo bolsas de iPhone e jaquetas militares.

"As crianças deveriam vir para cá, brincar com o armamento, escalar em tanques e ver o que há de mais moderno em tecnologia militar, que eles deveriam ter conhecido há tempo", disse o padre ortodoxo russo Sergey Privalov na cerimônia de abertura do parque, de acordo com o The Guardian.

A realização do parque é para 2017 - por ora, visitantes podem se divertir com os tanques, veículos blindados e lançadores de mísseis, e olhar estandes de ímãs de geladeira de Putin, Joseph Stalin, e o mão-direita Lavrenty Beria. Diversão para toda a família!

Deseja saber algo sobre a Rússia?

via vice

sábado, 16 de maio de 2015

Os dez exércitos mais poderosos do mundo


Os especialistas geralmente são unânimes na hora de repartir o pódio do poderio militar entre as potências do mundo. A medalha de ouro é tradicionalmente para os EUA, a prata para a Rússia e o bronze para a China. Mas quanto ao resto da lista há grandes divergências entre os especialistas.

Em várias estatísticas atuais que estimam quais são os exércitos mais poderosos do mundo, há imprecisões, sustenta o portal We Are Mighty. Em muitas, incluída a famosa lista de Global Firepower, o poderio naval de um país está determinado pelo número de navios e não por seu movimento, explica o portal, que refaz o cálculo. O resultado? Coreia do Sul tem Forças Armadas superiores às da Alemanha, enquanto a Turquia perde para o Japão e cai para a décima (e última) posição da lista, segundo reportagem retirada da RT.

1. Estados Unidos

O gasto militar dos EUA supera o total conjunto do resto da lista. Sua supremacia em número de navios e aviões em comparação com qualquer outro país também é evidente.

2. Rússia

As tropas russas contam com o maior número de tanques do mundo. Sua marinha e seu parque aéreo militar são os segundos maiores depois dos EUA.

3. China

Por enquanto, a China ocupa o terceiro lugar no 'top 10', mas realiza grandes investimentos para escalar postos. O país asiático tem o maior número de pessoal militar ativo, o segundo parque de tanques (depois da Rússia), e sua marinha e suas Forças Aéreas são as terceiras a nível global.

4. Índia

O número de pessoal militar índio é apenas um pouco inferior ao dos EUA. A cifra, combinada com os importantes parques de navios e aviões dá um resultado impressionante.

5. Reino Unido

O Reino Unido dispõe de um modesto número de aviões militares e um forte parque de tanques. Além disso, entre os 10 integrantes da lista ocupa o último lugar quanto ao pessoal militar ativo. Mas ao mesmo tempo tem a quinta marinha e o quinto maior gasto militar do planeta.

6. França

Apesar de não liderar em números, França dispõe de um equipamento muito moderno e avançado. Além disso, fabrica grande parte de seus próprios investimentos militares, o que a capacita para se armar em caso de conflito prolongado.

7. Coreia do Sul

Coreia do Sul dispõe do quinto maior número de tropas do mundo, enquanto é a sexta quanto a parques aéreos e de tanques. Os especialistas salientam que, ainda que a marinha sul-coreana (a oitava da lista) é bem menos numerosa que a de sua principal rival potencial, Coreia do Norte, é muito mais poderosa.

8. Alemanha

Os militares alemães são conhecidos por sua boa preparação e o país investe muito em armamento. Não obstante, segundo explica We Are Mighty, que coloca Alemanha só na oitava posição, o país europeu ultimamente experimenta problemas com o equipamento que fornecem os fabricantes nacionais. Além disso, Berlim depende demasiado de fontes externas de combustível.

9. Japão

Japão tem a quarta maior marinha do mundo e o quinto maior número de aeronaves militares. Não obstante, sua Constituição, reformada depois da Segunda Guerra Mundial, lhe proíbe usar suas tropas no estrangeiro.

10. Turquia

Turquia possui o quinto maior número de tanques do mundo e ocupa a sexta posição quanto a militares ativos. Seu investimento militar é o mais modesto da lista e é 32 vezes menor que a dos EUA. Não obstante, com os jihadistas do Estado Islâmico a suas portas, o preparativos bélicos turcos vão se intensificar, adverte We Are Mighty.


sábado, 11 de abril de 2015

Dos 74 países com base militar dos EUA, Alemanha se destaca com 179 bases

Os EUA possuem bases em pelo menos 74 países e tropas praticamente em todo o mundo - é um imperialismo global que rotineiramente intervém em assuntos de outros Estados usando a força

Em 24 de março, o presidente estadunidense Barack Obama anunciou que todas as 9.800 tropas estadunidenses atualmente estacionadas no Afeganistão permanecerão lá até o fim de 2015. Isso gerou grande crítica: foi, depois de tudo, a promessa de Obama que a última tropa americana deixaria o país em 2014.

A fins de comparação, a Rússia tem apenas 10 bases no exterior
Aqueles que esperam que os EUA deixarão o Afeganistão, entretanto, deveriam parar um minuto para considerar isto: os EUA ainda não deixaram a Alemanha. De fato, há poucos lugares que os EUA não deixaram, e enquanto certamente a maioria deles não impõem uma ameaça aos soldados americanos, eles revelam um padrão sobre a estada dos EUA, mais que ir embora.

De acordo com informação oficial providenciada pelo Departamento de Defesa (DoD) e seu Centro de Informação de Defesa (CMDC) há ainda em torno de 40.000 tropas americanas e 179 bases americanas só na Alemanha, mais de 50.000 tropas no Japão (e 109 bases), e dezenas de milhares de tropas, com centenas de bases, em toda a Europa.

Mais de 28.000 tropas americanas estão presentes em 85 bases só na Coréia do Sul, e estão lá desde 1957.

Ao todo, baseado em informação contida no último relatório da estrutura de base (BSR) do DoD, os EUA têm bases em pelo menos 74 países e tropas em praticamente todo o mundo, variando de milhares a apenas um em alguns países (um adido, por exemplo).

A fins de comparação, a França tem bases em 10 países, e o Reino Unido em 7.

Calcular a extensão da presença militar dos EUA não é uma tarefa fácil. A informação providenciada pelo Departamento de Defesa é incompleta, e se encontram inconsistências nos documentos. Quartz pediu esclarecimento do Departamento de Defesa, mas não recebeu resposta.

Em seu livro Base Nation: How US Military Bases Abroad Harm America and the World, David Vine, professor associado de antropologia na Universidade Americana, detalha as dificuldades para acessar os dados da presença militar dos EUA no exterior. Ele escreve:

"De acordo com a contagem publicada mais recentemente, os militares dos EUA ocupam ainda 686 "sítios base" nos 50 estados e Washington, DC.

Enquanto 686 sítios-base são uma simples figura em seu próprio direito, essa talha fortemente exclui muitas bases dos EUA bem conhecidas, como as em Kosovo, Kuwait e Qatar. Menos surpreendentemente, a contagem do Pentágono também exclui bases secretas, como aquelas em Israel e Arábia Saudita. Há tantas bases que o próprio Pentágono desconhece o número total."

Isso não é o único problema - até uma contagem definitiva de bases incluiria uma ampla variedade de facilidades. "Base" em si é um termo guarda-chuva que inclui locais como "postos", "estações", "campos", "fortes". Vine explica:

"As bases são de todos os tamanhos e formas, desde sítios massivos na Alemanha e no Japão até pequenos radares em Peru e Porto Rico. [...] Até resorts militares e áreas de recreação em locais como a Toscana e Seul são um tipo de base; em torno do mundo, os militares têm mais de 170 pistas de golfe."

O mapa abaixo representa as bases no exterior, de acordo com a contagem da BSR, e de pesquisas independentes conduzidas por Vine (e Quartz) usando notícias verificadas assim como informação cruzada com o Google Maps. Este mapa não toma em conta as bases da OTAN, incluindo uma no Turcomenistão e na Algéria, publicado por Wikileaks por ser uma base só dos EUA.

A maioria dos países parecem ter uma concentração pequena de bases dos EUA (abaixo 10). Comparado com as 179 na Alemanha, 37 em Porto Rico, 58 na Itália. O maior índice de militares permanece em países que os EUA invadiram na Segunda Guerra Mundial, enquanto sua presença em áreas de contenção mais recente, como o Oriente Médio, são um tanto reduzidas, pelo menos em termos de número de base.

Tem sido notado pelos comentadores antes que não todas as bases são de tamanho significantes. No entanto, dadas as informações disponíveis é difícil de realmente calcular o tamanho das diferentes instalações. Vine escreve:

"O Pentágono diz que são apenas 64 'instalações maiores' pelo mar e que a maioria de suas bases são 'instalações pequenas ou em locais pequenos'. Mas define 'pequeno' como tendo um valor acima de US$ 915 milhões. Em outras palavras, pequeno não é tão pequeno assim."

A informação sobre tropas no exterior, também, é incompleta, que torna difícil de saber a verdadeira extensão do contingente militar americano. O analista de forças armadas de IHS Jane, Dylan Lehrke, contou ao Quartz que é difícil até mesmo de localizar em definição a presença militar - para o governo, isso significa bases ou tropas desenvolvidas, embora pareçam aceitáveis de incluir outras formas de presença:

"Com certeza pode-se dizer que os EUA têm presença militar na Síria no momento. Eles podem não ter bases e tropas no chão, mas devemos incluir a força aérea. Os militares dos EUA indiscutivelmente têm mais presença na Síria do que na Alemanha [...]. Levando essa ideia adiante, seria também racional dizer que os EUA têm presença militar onde utiliza veículos não tripulados para destruir alvos."

Todos os países que têm alguma soma de presença militar americana - desde um adido militar até as tropas envolvidas no Iraque e no Afeganistão - estão em destaques pelo mundo (a Rússia inclusive, onde as publicações do DoD dizem ter 24 militares).

Levando em conta uma presença militar considerável, existência de bases, e se os EUA conduzem drones (Yemen, Síria, Paquistão) em um país resulta em representação geográfica do poder militar dos EUA no exterior, conforme abaixo:

via russiainsider

sábado, 7 de março de 2015

Comunicado da Unidade Internacionalista Ernesto Che Guevara

Muitos já conhecem Rafael Lusvarghi, importante voluntário brasileiro na Nova Rússia, que antes do cessar fogo batalhou em Donetsk, Lugansk e participou da vitória na batalha de Debaltsevo contra as tropas fascistas da Junta Ucraniana.
bandeira da Unidade Ernesto Che Guevara

Unidos a ele estão outros camaradas brasileiros na Unidade Internacionalista Ernesto Che Guevara, formação de Pervomaiska com fim de sabotagem e infiltração na linha de frente. Além do mais, esta unidade acolhe voluntários de outros países.

A seguir, comunicação da Unidade na página do facebook:

Orientações para voluntários:
- Se apresentar 
- Passaporte, não é necessário visto, o brasileiro tem a permissão de permanecer três meses na Rússia
- Passagem para a Rússia
- Na Rússia, em Moscou tomar ônibus para Pervomaisk, ou Stkhanov ou Lugansk (mais informações caso necessário)
- O ônibus costuma sair nos dias pares, por isso se prepare para permanecer algum tempo em Moscou, segundo sua conveniência e necessidade.
- O ônibus custa por volta de 1600 rublos, somente a ida. A volta custa praticamente a mesma coisa.
- Cem dólares, então, são o mínimo necessário para se ter além da passagem de avião.
- A passagem pela fronteira é normal e convencional (mais informações caso necessário).
- Aprender russo será uma necessidade. Não importa se você não sabe agora (recomendamos que já comece a estudar), mas durante sua estadia se prepare para aprender o idioma. O inglês não é totalmente imprescindível, mas é muito útil e até certo ponto necessário. Na nossa unidade já existe um macedônio falante de inglês e outros anglofónos estão por vir, pois é uma unidade internacional. Além disso, o inglês facilitária sua viagem até certo ponto.
- Com sua vinda confirmada, serão fornecidos contatos para te apoiar.
- É necessário experiência militar? Não, mas é desejável. Disciplina e clareza nas ideias, o minimo de saber escrever de uma maneira calma e correta, são necessários.
- É preciso aderir a certos princípios humanos básicos de respeito ao povo local, respeito aos camaradas, RESPEITO AO INIMIGO, respeito aos costumes locais entre outros princípios relativos a cortesia e a solidariedade.
- Nós não somos mercenários, nem conquistadores e nem terroristas, quem vir deve estar pronto para servir o povo.
- É preciso concordar com a necessidade de se derrubar a Junta fascista de Kiev e, no mínimo, a libertação de todas as províncias que compõem a Novorrússia. Suportar toda a iniciativa de estatização, controle operário, nacionalização dos bancos e renúncia das dívidas.
- Não é aceitável a condenação do projeto imperialista contra a Rússia e conivência com o mesmo no Brasil. Quanto a política interna, recomenda-se um certo nível de reserva.
- Atualmente, tenham claro que esta é uma unidade de infantaria voltada para a infiltração, reconhecimento, sabotagem e diversionismo, situada no FRONT de Pervomaiska. Não, isso não quer dizer que todos serão jogados contra o inimigo como buchas de canhão, mas qualquer interesse em atuar outra unidade, especialmente de artilharia, deve ser discutido com antecedência. Tomar parte em assaltos de ofensivas é, até então, opcional. O treinamento existe, mas é básico e prático, de acordo com as possibilidades. Não se iluda com treinamentos, esqueça os filmes - a familiarização com a arma é o suficiente para se ter um soldado, caso esteja realmente despreaprado, não será levado para ação. Sim, existem funções mais simples, mas estas estão sujeitas a discussão e ao momento. ESTEJA PRONTO E CIENTE, NINGUÉM VAI TE ARREMESSAR PARA A MORTE, MAS NÃO SE ILUDA, ESSE É UM EXÉRCITO POPULAR EM SITUAÇÃO DE GUERRA. A maioria dos guerreiros locais não tinha formação militar antes da guerra.
- Nós e o Grande Exército do Don mantemos uma disciplina um tanto horizontal e respeitosa, a noção de voluntariado é mais sagrada do que em outros grupos, o respeito é lei. Os oficiais só cumprem funções, a rigor não existe oficialato e a relação entre todos é a relação entre GUERREIROS, não entre soldados e aristocratas a milhas de distância chamados de "oficias". Esse espírito democrático se manifesta ainda mais em nossa unidade, mas LEMBRE-SE de respeitar o conhecimento daqueles que o têm e LEMBRE-SE DE AQUI É GUERRA. Aqui não existe o fanatismo castrense, todos são voluntários, mas guerra é guerra.

Obrigado,
VENCEREMOS

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Israelitas atacam palestinos que homenageavam mandela


As forças do regime israelita agrediram nesta segunda-feira os cidadãos palestinos que participavam nas cerimônias para render homenagem ao falecido líder sul-africano, Nelson Mandela, na ocupada Cisjordânia.

Os oficiais israelitas atacaram e feriram dezenas de palestinos congregados em diferentes pontos da Cisjordânia, que homenageavam Mandela, herói da luta contra o apartheid no continente africano.

Durante o evento os palestinos, também, cantaram lemas condenando as agressões impiedosas do regime de Tel Aviv contra a nação palestina, especialmente na assediada Faixa de Gaza.

O primeiro presidente negro da África do Sul, que dedicou sua vida à luta em defesa da igualdade de direitos de raça, se considera um dos partidários mais importantes da causa do povo palestino.

"O direito palestino nunca esquecerá seu histórico discurso no qual afirmou que a revolução na África do Sul nunca alcançaria seus objetivos até que os palestinos fossem libertados", disse na sexta passada o presidente do Estado palestino, Mahmud Abas, ao elogiar o compromisso do falecido Mandela com a causa palestina.

É de mencionar que o primeiro ministro do regime de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu não participar nos funerais de Mandela alegando o alto custo que implicaria sua viagem à África.

Sem embargo, os especialistas políticos asseveram que Netanyahu não viajou ao país africano porque os pensamentos do líder africano não caíam bem ao premier do regime israelita.

O funeral de Estado e enterro do Mandela vão se realizar no domingo, 15 de dezembro, em Qunu, seu povo natal e onde passou o melhor período de sua vida.

Via Hispantv

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Hersh: Obama mentiu sobre ataque químico na Síria


Proeminente jornalista investigador estadunidense, Seymour Hersh, diz que o presidente dos EUA, Barack Obama, não contou a verdadeira história sobre o ataque de armas químicas orquestrado próximo de Damasco em Agosto.

O jornalista, com prêmio Pulitzer, publicou em nova reportagem no London Review of Books [Revista de Livros de Londres] que a administração de Obama estava consciente do fato de que os terroristas que lutam contra o governo sírio viriam a usar armas químicas, mas não informaram.

"Barack Obama não contou toda a história neste outono quando tentou tornar Bashar al Assad culpado pelo caso do ataque de armas químicas próximo de Damasco em 21 de Agosto. Em alguns momentos, ele omitiu inteligência importante, e em outros apresentou suposições como fatos", escreveu no artigo.

Hersh acrescentou que o presidente dos EUA recusou reconhecer que Al-Nasura Front, um grupo filiado da Al-Qaeda, de acordo com reportagens da inteligência dos EUA, ministrou a produção do gás Sarin. Sarin é um nervo agente que baseado em descobertas da ONU foi usado no ataque em Damasco.

"Quando o ataque ocorreu, Al Nasura deveria ter sido suspeito, mas a administração fez o possível para atacar Assad".

Obama, em um discurso televisionado em 10 de setembro, acusou o governador sírio de executar o ataque que matou centenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças.

"Nós sabemos que o regime de Assad foi responsável...e isto é o porque, depois de cuidadosa deliberação, eu determinei que está no interesse de segurança dos EUA responder ao ataque com armas químicas feito pelo regime de Assad através de um ataque militar", disse Obama.

O presidente Obama foi à guerra contra a Síria, mas estava indo sem reconhecer explicitamente quem executou o ataque na manhã de 21 de Agosto, Hersh acrescentou.

O investigador-jornalista disse que os oficiais militares e de inteligência estavam irritados com "a manipulação deliberada da inteligência" sobre o incidente.

Hersh disse que um alto-funcionário de inteligência descreveu a arrogância da administração de Obama sobre a responsabilidade jogada sobre a Síria como uma "fraude". O ataque "não foi resultado do regime atual", o jornalista escreveu um email ao colega.

Ele escreveu que outro oficial da inteligência contou a ele que "a administração de Obama alterou as informações disponíveis - em vistas da sequência temporal - para permitir ao presidente e seus secretários fazer a inteligência recobrar dias depois o ataque como se tivesse sido flagrado e analisado em tempo real, como se o ataque estivesse ocorrendo".

O governo sírio veementemente negou as alegações dos EUA. Culpa os militantes estrangeiros Takfiri por executar o ataque químico.

Via Presstv

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Em breve: Terceira Intifada. Vem o Plano Andinia?


A extensão da violência e dos crimes do regime de Tel Aviv contra os palestinos mostram a proximidade de uma Terceira Intifada contra os israelitas.

Assim indicou na noite desta quinta Husam Badran, um alto membro do Movimento de Resistência Islâmica Palestina (HAMAS), que assegurou que se pode produzir um levantamento massivo contra o regime de Israel na Cisjordânia.

Segundo o dirigente palestino exilado no Qatar, os esforços do regime usurpador de Tel Aviv para reprimir os palestinos, através das conversações de paz, não poderão deter a nação palestina em sua luta, resistência e caminho para a liberdade.

Assim, Badran criticou a cooperação do Estado Palestino com o regime de Tel Aviv no âmbito de segurança.

Há meses, uma delegação israelita composta por líderes do partido direitista Likud, alguns membros dos assentamentos judeus e vários rabinos e assessores políticos se reuniram com as autoridades do Estado da Palestina na cidade cisjordana de Ramalá.

Por sua vez, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, advertiu na semana passada o regime israelita de uma terceira intifada, além da extensão da violência na região, se fracassarem os chamados diálogos de paz palestino-israelitas.

A primeira intifada contra a ocupação israelita ocorreu entre 1987 e 1993 e a segunda no ano de 2000. Durante ambas as mobilizações morreram pelo menos 6200 palestinos.

N.doB.: Sabe-se que faz parte do plano do judaísmo internacional (que acreditam que o Estado de Israel é anti-judaico, visto que para sua religião YHWH fez o mundo para que dominassem por completo, e não restringir-se a apenas uma parte) uma terceira intifada e uma terceira guerra mundial. Este é o motivo que terão para um novo êxodo judeu e para a tomada de mais um posto avançado que, sendo já desenvolvido, supõem-se que seja na região onde hoje se encontra a Patagônia, região de grandes investimentos do capital internacional e área de controle estrangeiro (EUA, Reino Unido e Israel). Na dianteira da guerra das Malvinas está o Plano Andinia, que é como se nomeia a tomada da América do Sul para um novo Estado judaico.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Exército sírio confisca armas israelitas usadas pelos terroristas


As forças do Exército sírio confiscaram nesta Terça uma grande quantidade de armas e munições israelitas de tipo LAW dos terroristas em torno da cidade de Damasco, capital síria.

As tropas sírias confiscaram estas armas em um esconderijo dos terroristas, onde assim encontraram artefatos explosivos improvisados, IED (por sua sigla em inglês), foguetes (RPG, por sigla em inglês), bombas e mapas, entre outras coisas.

Por outro lado, as forças sírias aniquilaram 46 homens armados, de nacionalidade jordana, líbia, egípcia, iraquiana e chechena, durante as operações de limpeza em diversas partes do país árabe.

Os soldados do Exército sírio, além disto, eliminaram um grande número de terroristas e desmantelaram armazéns de armas e munições de terroristas nas cidades de Homs (Oeste) e Idiib (Noroeste).

Há mais de dois anos, a Síria é cenário de uma onda de violência perpetrada por terroristas, financiados e dirigidos por alguns países ocidentais e vários regionais, como Arábia Saudita, Qatar e Turquia, que têm como fim acabar com o governo do presidente sírio, Bashar al Assad.

Os grupos armados que lutam contra o governo sírio confessaram em várias ocasiões que receberam armamentos de países estrangeiros.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Exército israelita engrossa com mercenários europeus

Milhares de mercenários europeus estão nas filas do exército do regime israelita, de acordo com as revelações da organização de direitos humanos, Euromid (Organização para a Cooperação dos Países Mediterrâneos). A entidade salientou que estes mercenários procedem de diferentes países do mundo, entre eles Alemanha, Noruega, Dinamarca e Holanda.
Vídeo de Hispantv

Universidades alemãs recebem fundos do Pentágono


Uma reportagem mostra que universidades alemãs têm recebido milhões de euros dos militares dos EUA para projetos de pesquisas em munições e programas de drones.

Na segunda-feira, o jornal alemão Suuddeutsche Zeitung reportou que pelo menos 22 universidades e institutos de pesquisa confirmaram receber mais de 10 milhões em euros de benefícios do Pentágono dos EUA desde 2000.

Além disso, a reportagem mostrou que o Pentágono ainda pagou às universidades cujas regras excluem a indústria armamentista.

De acordo com o jornal, a Universidade Ludwig-Maximilian de Munique (LMU) pagou mais de 470 mil euros do Ministério de Defesa dos EUA para pesquisa em explosivos militares.

Mais, os fundos do Pentágono foram dados à Universidade de Marburg, que está pesquisando sistemas de navegação para drones e "munições de aço" e à Fraunhofer Society, uma rede de amplitude nacional de instituições de pesquisa, para pesquisar vidro a prova de bala e explosivos.

A oposição política alemã imediatamente criticou a cooperação entre as universidades nacionais e o Pentágono, clamando por mais transparência das universidades do país com relação aos seus projetos de terceiros.

"É inacreditável que esta cooperação não tenha sido publicada e que algumas universidades recusam dar informação sobre estes contratos", disse o parlamentar Nicole Gohlke, membro de um partido de esquerda.

Outros críticos disseram que essas universidades alemãs estão violando regras étnicas conforme estes projetos têm fins bélicos.

"É problemático quando a ciência foca na guerra, especialmente quando é pelos EUA. Depois de tudo, os EUA impulsionam guerras de agressão, e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU", disse Jurgen Altmann, físico e pesquisador pacífico na Universidade de Dortmund.

NdoB: lembramos que em qualquer parte do mundo as universidades são utilizadas para projetos privados que, de uma ou de outra maneira, servem para objetivos antinacionais. Uma pesquisa feita para qualquer área da engenharia pode ser utilizada para fins bélicos. E não apenas pode, como é de fato utilizada. Uma pesquisa da sociologia, por sua vez, é utilizada na manipulação midiática e no manejo público em geral em prol de objetivos privados. O perigo não está, portanto, nos investimentos com fins bélicos, mas na privatização das pesquisas, que colocam os resultados em mãos particulares (e assim estrangeiras).

via Presstv

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Sem acordo com Irã. Culpa do Ocidente"


Presstv entrevistou Hamidreza Emadi, diretor de redação da Presstv em Teerã, a fim de discutir a negociação entre Irã e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha.

O que segue é uma transcrição aproximada da entrevista.

Presstv: Sua opinião sobre o que o Sr. Kaplan (o outro convidado) disse e que basicamente trouxe plutônio nisto, basicamente dizendo que é Paris que atualmente por alguma razão não quer que este acordo siga em frente.

Emadi: Deixe-me citar algo da revista Arab Magazine, “O ministro de defesa francês recentemente acata uma visita à região pela conclusão do acordo de U$ 1.5 bilhões com Arábia Saudita para todos os navios arábicos”.

Isto mostra que os franceses recentemente estão tendo acordos financeiros com países regionais como Arábia Saudita que, todo mundo sabe, é muito contra o acordo com Teerã.

Ao mesmo tempo sabemos que a França providenciou armas nucleares a Israel e que ambos têm acordos militares muito fortes. Assim, a França está ajudando Israel a obter armas nucleares. A França está ajudando Arábia Saudita a reforçar seu setor militar. Assim é como a França trata com estas duas entidades e estes dois mais ferrenhos críticos do tratado com Irã.

É possível que os Israelitas pediram para que a França sabotasse a conversação para o acordo. Sabemos que nada pode acontecer sem a permissão dos EUA. Talvez os EUA também se envolveram nisto. Mas o que sabemos por enquanto é que a França foi a única que tentou seu melhor para contrariar o acordo com Irã no encontro em Genebra.

Presstv: O que você pensa sobre a sub-secretária de Estado estadounidense, Wendy Sherman, ao viajar para Tel um dia depois que as intensas conversas terminaram?

Parece que ela vai à Tel Aviv basicamente para reportar ou receber ordens de Israel. Sua opinião acerca disso; por que ela deveria ir diretamente de Genebra para Tel Aviv sem retornar a Washington?

Emadi: É muito constrangedor para os estadounidenses, para o povo estadounidense, e até para os europeus, que seus governos recebem ordens de Tel Aviv.

Israel é uma entidade que existe há seis décadas e agora dá ordens a países como EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha e até mesmo Rússia e China, sobre o que fazer e como pensar.

Então, o primeiro ministro israelita disse hoje mais cedo que chamou aqueles líderes e que pediu a eles que esperassem e não fizessem acordo com Irã.

O que isto significa? O que o G5+1 está fazendo agora é apenas gastar o tempo dos iranianos. Apenas gastando o tempo dos europeus. Apenas gastando o tempo dos EUA, se ouvir o que Israel está lhe dizendo.

[Em resposta a Lee Kaplan]: Não se trata de judeus, Sr. Kaplan, não estamos falando de judeus. É Israel. É um regime falso. Não tem que ver com os judeus. Tem tudo que ver com os sionistas. Não se trata de atacar os judeus; não tem nada que ver com ataque aos judeus.

Quem tem armas nucleares? Israel tem armas nucleares, Israel não assinou o Tratado da Não-Proliferação (NPT), Israel está tecnicamente em guerra com todos os países regionais. É assim que é, esta é a realidade.

Presstv: S.r Kaplan disse o que o Sr. Netanyahu disse – que “um acordo ruim é um acordo ruim” – agora que estamos falando sobre uma entidade sobre a qual supõe-se ter muitas armas nucleares e que conseguiram – se for oportuno dizer – criticar Irã, que continuamente disse que é um projeto nuclear pacífico e que não estão buscando armas nucleares nem as possuem.

Então, o que isto significa? Assim como na comunidade internacional e na legislação internacional, onde Israel tenta anular e evitar um acordo entre Irã, que não tem armas nucleares, e os G5+, tem de continuar a tratar com sanções e todas as outras pressões de partes da comunidade internacional?

Emadi: Israel não quer que a crise termine. Israel quer que essa crise fique onde está, porque Israel é um tipo parasita de criatura que vive das crises. Ele quer crise na região. Quer crise no mundo, porque pode contar ao povo que temos um inimigo, que temos de gastar dinheiro em projetos militares, que temos de atacar outros países porque temos inimigos.

Então estes projetos belicistas e de difusão do medo têm de continuar para que Israel sobreviva. De outro modo Israel não poderia sobreviver, porque Israel é um regime falso.

Voltando à conversação do G5+1 com Irã, o fato do problema é o time de negociação iraniano, um monte de pessoas diriam que não era um grupo sério, mas nesse momento em torno do Sr. Zarif, Ministro de Relações Exteriores, e seu time são um grupo sério e ninguém no Irã duvida da sua seriedade.

Se o ministro de relações exteriores não pode chegar a um acordo com o outro partido significa para os iranianos que não é culpa do time de negociação iraniano, que foi a culpa do outro grupo. Assim fica bem claro para os iranianos que o outro partido, o partido ocidental em particular, está perdendo tempo, não está negociando de boa fé, de forma séria. Isso precisa mudar.

Esta dinâmica precisa mudar e o partido ocidental em conversações deve parar de ouvir Israel se desejam pôr um fim a esta crise de uma vez por todas.

[Em resposta a Kaplan]: Nós temos direitos nucleares sob a lei internacional. Não se trata de judeus. Trata-se de Israelitas. Trata-se de sionistas…e o mundo todo sabe o que os sionistas são agora, o que eles estão fazendo ao mundo todo. Os sionistas estão destruindo o mundo inteiro.

Presstv: O sr. Kaplan disse antes de tudo que Israel não tem usado armas nucleares. Eles podem ter, mas claro que nós sabemos que Israel usou armas químicas contra palestinos e outras muitas vezes sem ser condenado na comunidade internacional, como sustenta agora a situação na base. Quão provável que Teerã e o G5+1 será capaz de chegar ou não a um acordo?

Emadi: Irã é muito sério sobre a conversação. Irã diz que estamos prontos a aliviar toda a preocupação dos EUA e outros sobre seu programa nuclear. Irã diz que estamos sendo mais transparentes. Irã diz que estamos prontos a qualquer coisa para mostrar ao mundo inteiro que o nosso programa nuclear é pacífico.


Mas enquanto Israel influenciar a conversação, enquanto o primeiro ministro israelense chamar esses líderes ocidentais e dar ordens a eles para não entrar em acordo com Irã, não sei o que estas conversas repercutem, não sei qualquer ponto na negociação com países que não têm autoridade para negociar. Assim é como é a situação. Eles devem parar de dar ouvidos a Israel se desejam chegar a um acordo.

Via Presstv

sábado, 7 de setembro de 2013

Dugin sobre Síria: estamos na maior crise da história geopolítica moderna



Entrevista ao importante intelectual russo Alexander Dugin sobre a crise síria e a posição em que se encontram atualmente Estados Unidos e Rússia, ressaltando que vivemos em um momento histórico no qual se batem muitas coisas com os possíveis cenários futuros: a queda dos Estados Unidos como superpotência ou uma guerra às portas da Rússia.

Manuel Ochsenreiter: Professor Dugin, o mundo enfrenta, nesses momentos, na Síria a maior crise internacional desde a queda do Bloco Oriental em 1989/90. Washington e Moscou se encontram em um confronto através de terceiros no campo de batalha sírio. Esta é uma nova situação?

Dugin: Temos que ver a luta pelo poder político como o velho conflito do poder terrestre, representado pela Rússia, e do poder marítimo, representado pelos Estados Unidos e seus sócios da OTAN. Isto não é um fenômeno novo, mas a continuação da velha luta geopolítica e geoestratégica. A década dos 90 foi a época da grande derrota do poder terrestre representado pela URSS. Michail Gorbachov negou a continuação desta luta. Isto foi uma espécie de traição e resignação diante do mundo unipolar. Mas com o presidente Vladimir Putin, no início da primeira década dos anos 2000, chegou a uma reativação da identidade geopolítica da Rússia como potência terrestre. Este foi o começo de um novo tipo de competência entre o poder marítimo e o terrestre.

Manuel Ochsenreiter: Como começou esta reativação?

Dugin: Tudo começou com a segunda guerra da Chechênia (1999-2009). A Rússia, nesse momento, estava sob pressão pelos ataques terroristas chechenos e pelo possível separatismo do Cáucaso Norte. Putin teve que notar que todo o Ocidente, os EUA e a União Europeia, estavam do lado dos separatistas chechenos e terroristas islâmicos que combatiam contra o exército russo. Este é o mesmo argumento que presenciamos hoje na Síria ou tempos atrás na Líbia. O Ocidente deu apoio à guerrilha chechena, e este foi o momento da revelação do novo conflito entre o poder terrestre e o poder marítimo. Com Putin, o poder terrestre se reafirmoou. O segundo momento da revelação foi em Agosto de 2008, quando o regime pró-ocidental da Geórgia atacou Zchinwali na Ossétia do Sul. A guerra entre a Rússia e a Geórgia foi o segundo momento da revelação.

Ochsenreiter: A crise síria é atualmente o terceiro momento da revelação?

Dugin: Extamanete. Talvez seja até mesmo o último, porque agora tudo está em jogo. Se Washington não intervir e aceitar a posição da Rússia e da China, este seria o final dos Estados Unidos como candidato a superpotência e poder único. Esta é a razão pela qual creio que Obama seguirá adiante na Síria. Mas se a Rússia aceitar a intervenção dos Estados Unidos, e se Moscou finalmente trair Bashar al Assad, isto significaria de imediato um golpe muito dura contra a identidade política russa. Isto significaria a grande derrota do poder terrestre. Depois disto, um ataque contra o Irã seria feito, e ainda mais um no Cáucaso do Norte. Entre os poderes separatistas no Cáucaso Norte existem muitas pessoas que são apoiados pelas potências anglo-americana, Israel e Arábia Saudita. Se a Síria cair, começará imediatamente a guerra na Rússia, no nosso país. Significa que Putin não pode renunciar a Assad, porque isto significaria o suicídio geopolítica da própria Rússia. Talvez estamos neste momento na maior crise da história geopolítica moderna.

Ochsenreiter: Agora que ambas as potências mundiais dominantes, EUA e Rússia, estão em uma luta pela sua existência futura...

Dugin: De fato. No momento não há nenhuma outra solução possível. Não podemos encontrar nenhum tipo de compromisso. Nesta situação não há uma solução que satisfaça ambos os lados. Sabemos por outros conflitos como o armênio-azerbaijano ou o conflito palestino-israelense. É impossível encontrar uma solução para ambas as partes. Somos atualmente testemunhas do mesmo na Síria, mas em uma escala maior. A guerra é a única maneira de fazer uma revisão da realidade.

Ochsenreiter: Por quê?

Dugin: Temos que imaginar este conflito como um tipo de jogo de cartas como o poker. Os jogadores têm a possibilidade de ocultar suas capacidades, para fazer todo tipo de truques psicológicos, mas quando começar a guerra todas as cartas estarão sobre a mesa. Agora estamos presenciando o momento final do jogo de cartas, antes das cartas serem jogadas sobre a mesa. Este é um momento muito sério, porque a posição como potência mundial está em jogo. Se os Estados Unidos tiverem êxito, poderia se impor por algum tempo como posição dominante absoluta. Esta seria a continuação da unipolaridade e do liberalismo mundial estadounidense. Este seria um momento muito importante porque até agora os EUA não foram capazes de implementar seu domínio de forma estável, mas no momento em que ganharem a guerra, o farão. Mas se o Ocidente perder a terceira batalha (a primeira foi a guerra da Chechênia, a segunda a da Geórgia), este seria o final dos EUA e de seu domínio. Vejamos o seguinte: nem EUA nem Rússia podem renunciar a esta situação. Simplesmente, é impossível para ambos não reagir.

Ochsenreiter: Por que Estados Unidos e o presidente Barack Obama vacilam com sua agressão contra a Síria? Ele apela à decisão do Congresso? Por que pedir permissão quando não precisa?

Dugin: Não devemos cometer o erro e começar a fazer análises psicológicos sobre Obama. A guerra principal se dá nesses momentos nos bastidores. E esta guerra está sendo liberada em torno de Vladimir Putin. Ele está sob uma grande pressão dos funcionários liberais, pró-estadounidenses e pró-israelenses que rondam o presidente russo. Eles tratam de convencê-lo a desistir da luta, e o pessoal em torno de Putin são a quinta coluna do Ocidente. Isto significa que Putin é o único. Ele tem a população ao seu lado, mas não a elite política. Assim que temos que ver a decisão da administração de Obama de pedir permissão ao Congresso como uma espécie de espera. Eles tratam de forçar a pressão sobre Putin. Eles usam todas suas redes na elite russa para influenciar na decisão de Putin. Esta é a guerra invisível que está passando nestes momentos.

Ochsenreiter: Este momento é novo?

Dugin: (Risos) Absolutamente não! É a forma moderna das tribos arcaicas tratarem de influenciar o chefe do inimigo com ruídos fortes, gritos e tambores de guerra. Eles se golpeiam no peito para impôr o medo no inimigo. Creio que os esforços dos Estados Unidos para influenciar Putin são uma forma moderna de guerra psicológica anterior à batalha real. A Administração estadounidense tratará de ganhar esta guerra sem o oponente russo no campo de batalha. Para isso tem que convencer Putin de desistir. Eles têm muitos instrumentos para isto.

Ochsenreiter: Mais uma vez, o que acontece com a posição de Barack Obama?

Dugin: Creio que todos estes aspectos pessoais no lado estadounidense são menos importantes que no lado russo. Na Rússia, uma pessoa decide hoje sobre a guerra e a paz. Nos Estados Unidos, Obama é mais um tipo de administrador burocrático. Obama é muito mais previsível. Ele não atua em seu nome, mas se limita a seguir a linha central da política exterior estadounidense. Temos que notar que Obama não decide nada em absoluto. Ele é a figura de um sistema política que faz as verdadeiras decisões importantes. A elite política toma as decisões, Obama segue o plano escrito para ele. Para dizer claramente, Obama não é nada, e Putin é tudo.

Ochsenreiter: Você disse que Vladimir Putin tem a maioria da população russa a seu lado. Mas agora é época de paz. Na guerra síria, também apoiarão ele?

Dugin: Esta é uma pergunta muito boa. Em primeiro lugar, Putin perderia grande parte de seu apoio se não reagir em uma intervenção ocidental na Síria. Sua posição se debilitaria por desistir. As pessoas que apoiam Putin o fazem porque querem apoiar um líder forte. Se não reagir e resolver desistir devido à pressão dos Estados Unidos, seria considerado pela maioria da população como uma derrota pessoal de Putin. Assim que vê, isso é mais a guerra de Putin do que a guerra de Obama. Mas se intervir na Síria enfrentará dois problemas: a sociedade russa quer uma grande potência mundial, mas não está pronta para pagar os custos. Quando o volume destes custos ficarem claros, isso poderia causar uma espécie de choque para a população. O segundo problema é o que eu já disse, que a maioria da elite política é pró-ocidental. Eles se oporiam à guerra de imediato e começariam com sua propaganda para criticar as decisões de Putin. Isto poderia provocar uma crise interior. Creio que Putin seja consciente destes dois problemas.

Ochsenreiter: Você disse que os russos podem ser surpreendidos pelos custos de uma guerra. Não existe o perigo de que não poderão apoiar Putin por esta razão?

Dugin: Não creio. Nosso povo é muito heróico. Volte na história. Nosso povo não estava preparado para entrar em uma guerra, mas quando se viram obrigados a entrar, venceram a guerra, apesar de todos os custos e sacrifícios. Olhe para as guerras napoleônicas ou para a Segunda Guerra Mundial. Nós, os russos, perdemos muitas batalhas, mas no fiinal vencemos estas guerras. Mesmo que não estejamos preparados, sempre venceremos.

Traduzido por Álvaro Hauschild