terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Rafael Lusvarghi está sob plano de extermínio na Ucrânia

Rafael Lusvarghi, voluntário brasileiro pela Novarrússia, preso pela SBU (serviço de segurança ucraniano) na primavera do hemisfério sul em 2016, está sujeito a ser assassinado na cadeia de Lukyanovsky

 
Três meses e meio preso pelos fascistas ucranianos está o soldado voluntário brasileiro Rafael Lusvarghi, cujo destino não importa para o governo brasileiro. As embaixadas brasileiras em Kiev (capital ucraniana) e Moscou, supostamente "anti-fascistas", não manifestaram ação alguma para proteger seu cidadão.

Neste período a vida do ex-combatente brasileiro corre gravíssimo perigo. Segundo as informações que se tem, Rafael está sob tortura e transferido para a prisão de Lukyanovsky, em Kiev, onde está sujeito a levar um sumiço por parte do governo neonazista ucraniano, financiado por Goerge Soros, junto com outro grupo de combatentes. Assim, em 23 de janeiro de 2017 ele foi severamente espancado, no dia seguinte, dia 24, teve sua perna quebrada. Ele também foi "posto na parede": ameaçado de morte, caso até 25/01 (no dia seguinte) ele não encontrar dinheiro. A alegação é que ele está sendo condenado por "matar ucranianos e estuprar ucranianas". A guarda e a administração do presídio não toma medidas para proteger Rafael, abandonando-o às torturas perpetradas pelo governo corrupto e desesperado de Kiev, sob presidência de Poroshenko, que se vê abandonado pela União Europeia e por Soros depois da derrota dos Clinton no governo americano, quem mantinha o projeto de financiar o governo ucraniano para criar uma guerra contra os russos. No Leste Europeu há milhares de tropas da OTAN desde o ano passado, que esperavam o aval de Hillary (que acreditava vencer as eleições) para iniciar uma guerra mundial atacando os russos.

... o brasileiro Rafael Fernandes Marques Lusvarghi era comandante do pelotão "Viking": em Donbass lutou em setembro de 2015, onde se converteu à Igreja Ortodoxa Russa e jurou lealdade ao Exército do Todo-Poderoso e foi ferido.

Foi detido pela SBU de Kiev em 6 de outubro de 2016: o avião em que estava foi ordenado pelo serviço secreto britânico a desviar da rota e pousar em Kiev, onde ele pôde ser preso pelo governo ucraniano. Ele ia para o leste europeu trabalhar em uma empresa de segurança, sem nenhum plano de reintegrar ao exercício das armas de novo.

De acordo com um de seus camaradas no Brasil, Raphael Machado, depois de ser ferido o ex-voluntário foi mobilizado, embora seu objetivo com a viagem tinha tão somente interesses profissionais e privados. "No início de 2016 Lusvarghi escreveu e-mails para muitos serviços privados de segurança a fim de trabalho. Ele recebeu vagas de muitos lugares diferentes. Seis meses depois ele recebeu uma mensagem de um grupo chamado "Omega Consulting Group". Ele respondeu ao serviço britânico. -- contou ao Tsargrad.

Assista ao vídeo para a NTV no site Antifaschist.
 
A presidente da União dos presos políticos e refugiados políticos na Ucrânia, Larisa Shesler, também acredita que seus amigos em Donbass subestimam as ações do SBU:
 
"Isso aconteceu porque subestimam os serviços do SBU. Eles não se dão conta de que até informações de participantes em missões humanitárias na LNDR (em Lugansky e Donbass) são enviados pelo governo secreto de Kiev a Interpol... nós estamos tomando as medidas cabíveis para livrar o Rafael, e a única maneira é extraditando-o de volta para o Brasil. Mas, infelizmente, até agora sem sucesso.

Rafael está abandonado pelo governo brasileiro, que não se manifesta para proteger seu cidadão. E com a justiça do governo de Kiev não há nada a fazer. Devido às dificuldades, a OSCE, as organizações humanitárias e a Cruz Vermelha devem ser acionados para alcançar o objetivo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sunitas e xiitas: o mito dos ódios remotos e novo mapa do Oriente Próximo

Por Martí Nadal

elordenmundial.com-14/11/2016

O oriente próximo encontra-se afundado em uma guerra total entre as duas correntes do Islã? Investigar os conflitos da região é necessário para desfazer os relatos que desconectam a violência atual de eventos contemporâneos e em seu lugar associam a ódios étnicos ancestrais.

Sunitas e xiitas seguem lutando desde o cisma que dividiu os muçulmanos depois da morte de Maomé no ano de 632? Dando uma olhada no mapa dos conflitos da região, temos a impressão de que nos países onde convivem Sunitas e Xiitas, acabam se enfrentando sem remédio. Na Síria, o regime de Bashar al Assad, dominado pela maioria alauíta, um ramo distante do xiismo, enfrenta uma oposição formada majoritariamente por grupos islamitas sunitas. No Iraque, a caída do sunita Saddam Hussein elevou ao poder a maioria Xiita, que agora deve fazer frente a uma insurgência liderada pelo grupo terrorista Estado Islâmico nas regiões sunitas do país. E, no esquecido Yemen, os huties uma milícia pertencente ao ramo do xiismo, tem tomado a capital do país e desde janeiro de 2015 sofrem os bombardeios de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. A tudo isso deve-se somar a guerra fria que protagonizam a República Islâmica xiita doIrã com a Arábia Saudita, bastião do fundamentalismo sunita, cujas disputas espalham-se por todos os campos de batalha do oriente próximo.

As divisões étnico religiosas do oriente próximo:fonte https://thesinosaudiblog.files.wordpress.com/2011/05/mid-east-religion.jpg

O sectarismo entendido aqui como um enfrentamento entre as distintas correntes do Islã é sem dúvida um componente vigoroso nos conflitos atuais, O auto denominado Estado Islâmico e suas pretensões genocidas tem convertido em habituais os ataques suicidas em bairros xiitas de Damasco, Bagdá ou Sanar, que tem deixado milhares de civis mortos. A isto se deve somar a proliferação de milícias xiitas que frequentemente molestam e aterrorizam aspopulações sunitas, antes controladas por grupos jihadistas. A retórica sectária também se assenta no atual alvoroço regional, promovido por clérigos e autoridades fundamentalistas e difundida através de cadeias por satélite e redes sociais. O teólogo e figura televisiva Yusuf al Qaradawi, que apresenta o programa mais popular da Al Jazeera, a cadeia mais vista do mundo árabe, tem acusado os alauitas de serem “mais infiéis que os judeus e cristãos”; por sua parte, outro célebre locutor da mesma emissora tem pedido em mais de uma ocasião a limpeza étnica de xiitas e alauítas sírios.

Respaldados por esta linguagem sectária, os meios ocidentais assumem que os conflitos na Síria, Iraque e Iêmen formam parte de uma guerra histórica de aniquilação étnica de onde os estados e as milícias se alinham em um grupo e outro dependendo de sua afiliação religiosa. Esta leitura etno-religiosa da violência que hoje sacode o oriente próximo é denominada ”relato dos ódios remotos” ( ancient hatreds, em inglês), porém, tal e como veremos, essa história é na realidade um mito.

O relato dos ódios remotos: da Iugoslávia ao Oriente Próximo

A origem desta teoria sobre conflitos étnicos perenes se encontra no final da Guerra Fria e não se tem aplicado só a sunitas e xiitas. O primeiro caso que se popularizou ocorreu depois da desintegração da Iugoslávia comunista. Autores como Samuel Huntington ou Robert Kaplan ajudaram a definir a guerra na Bósnia como um conflito plenamente étnico religioso entre croatas católicos, bósnios muçulmanos e sérvios ortodoxos. Também se construiu um relato sugerindo que o comunismo foi só um remendo transitório que unia alguns grupos étnicos que realmente seguem se odiando desde séculos atrás.

O colapso do forte governo central precipitou a violência, que só havia sido contida, porém nunca erradicada.

Hoje em dia, muitos artigos que pretendem explicar a violência atual entre sunitas e xiitas no oriente próximo seguem pautas similares.O relato geralmente se repete assim:depois de morrer o profeta Maomé, alguns muçulmanos consideraram que Abu Bakr amigo do profeta, devia ser o novo líder, enquanto que outros fiéis eram partidários de seu primo Ali.Os seguidores de Abu Bakr venceram e acabaram convertendo-se nos sunitas; os partidários da linha familiar de Ali, os xiitas, seriam derrotados, convertendo-se numa minoria freqüentemente perseguida dentro do islã.Nascia assim um ódio eterno e inalterável, agora desatado pela ausência de uma autoridade superior que os mantivessem unidos.

Em sua pretensão de responder a pergunta ‘’Porque matam-se sunitas e xiitas?, os meios ocidentais freqüentemente consideram as guerras na Síria e Iraque como de aniquilação étnica, com origem nas disputas sucessórias à morte de Maomé, na veneração de santos, nas interpretações distintas do Corão e demais diferenças doutrinais.O impacto dos eventos históricos e políticos contemporâneos são erroneamente descartados.

Em nenhum dos conflitos no oriente médio há só dois grupos definidos pela confissão religiosa.O intento de explicar de forma simples a violência por parte de alguns meios de informação a levado freqüentemente a reducionismos absurdos.Fonte: Chappatte (International New York Times).

As guerras que ocorrem no oriente próximo desde a 1.400 anos não são fruto de antipatias
sectárias, irracionais e intermináveis.Tais ódios não constituem o motor dos conflitos, mas sua consequência.O relato dos ódios remotos está baseado em conceitos errôneos, amplia inimizades sectárias e ignora os elementos geopolíticos e sociais e os interesses dos Estados do Oriente Próximo.

Esta teoria é herdeira do orientalismo clássico, que pressupõe que o oriental, o muçulmano, guia-se por sua identidade mais primária, a religião, em todos os aspectos de sua vida.Deste modo, os meios ocidentais tendem a buscar explicações étnicos e religiosos em conflitos que explodem por problemas socioeconômicos e políticos e que se espalham devido aos cálculos políticos interessados de potências exteriores.Os sírios não se levantaram contra Al Assad porque é alauíta nem o Irã saiu a seu resgate porque compartilham certas crenças.

A principal consequência dos relato dos ódios remotos é a construção em nosso imaginário de dois grandes blocos monolíticos e antagônicos constituídos por sunitas e xiitas.Não existem raízes nacionais, ideológicas, linguísticas ou socioeconômicas dentro destes dois grupos e pressupõe-se uma inimizade e um fervor religioso a indivíduos, à milícias e inclusive a países que na realidade carecem deles.

Rivalidade dentro da seita e alianças intersectárias

Em realidade, os países e milícias que os meios atribuem dentro do sunismo ou no xiismo não são nem comportam-se como blocos homogêneos e por utilizarem as duas seitas como as duas principais unidades de análises nas relações internacionais da região conduzirá a mais equívocos que a acertos.

Sunitas

Por um lado, o grupo sunita na realidade está repartido em três frentes visíveis.De entrada,a Wahabita Arabia Saudita exerce a liderança de um grupo de países que pretendem preservar o status quo regional.Junto a Riad caminham o governo secularista egípcio de Abdel Fatah al Sisi e as monarquias da Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.Entre suas prioridades figura dizimar o expansionismo iraniano onde ele surge.Por isso que derrubar Al Assad, um fiel aliado de Teerã, é um de seus principais objetivos.Ademais, esses países viram as revoluções árabes de 2011 como um grave desafio à sua hegemonia.

Não obstante, os partidários do statu quo devem lidar com rivais dentro de sua própria seita.O pequeno reino do Qatar a anos vem exercendo uma política exterior potente, porém flexível, que a levado a se unir com os islamitas da Irmandade Muçulmana e Turquia.Esse grupo, que em teoria é ideologicamente próximo ao islamismo da Arábia Saudita, envolve uma de suas maiores dores de cabeça.A diferença de seus vizinhos, o Qatar percebeu as malogradas Primaveras Árabes como uma oportunidade para estender sua influência.É por isso que celebraram a caída do regime de Mubarak no Egito e a ascensão ao poder do islamita Morsi.Seu contínuo apoio a agora deposta Irmandade Muçulmana egípcia trouxe em 2014 a pior crise entre as monarquias do golfo:Arábia Saudita, os Emirados e Bahrein retiraram seusembaixadores da capital do Qatar.

Líbia é um caso que evidencia as fissuras dentro do denominado bloco sunita.O país é esmagadoramente sunita, todavia encontra-se profundamente dividido e afundado em uma guerra civil desde as revoltas populares e a operação da Otan que derrubaram Kadafi em 2011.Atualmente, Líbia está dividida entre dois governos.Por umlado, os Emirados e Egito dão apoio a um executivo secular a leste,enquanto Turquia e Qatar apoiam a um governo de tribunal islâmico emTrípoli.Líbia é a prova de que o aumento da violência tem menos que ver com brigas sectárias do que com cálculos geopolíticos de países vizinhos.

Estas dissonâncias também se evidenciaram durante o golpe de estado contra Erdogan no verão deste ano.Arábia Saudita demorou 15 horas para condenar a ação do exército e alguns meios têm acusado aos Emirados de financiar os responsáveis do fracassado golpe.Enquanto o Irã, que há anos luta indiretamente com a Turquia na Síria, foi o primeiro país a condená-lo.

Finalmente, existe um terceiro grupo dentro do sunismo que em realidade está composto por centenas de organizações que minam a suposta unidade sunita.Trata-se das numerosas milícias jihadistas que, apesar de receberem apoio logístico ou financeiro por parte dos Estados sunitas, seguem considerando esses regimes ilegítimos.A relação entre os governos e os grupos jihadistas deve entender-se mais como de benefício mútuo e não baseada numa concepção similar de religião.O Estado Islâmico, por exemplo, dedica mais tempo e recursos a derrotar outros grupos rebeldes sunitas que a lutarem contra Al Assad.

Apesar dos evidentes sentimentos sectários que possuem, esses grupos são capazes de ações pragmáticas para perseguir seus interesses.Em2016, o ex-chefe dos serviços secretos israelenses admitiu que seupaís ajudou aos jihadistas da Frente AL Nusra, filial da Al Qaeda emSíria, e nas colinas de Golan.Esta assombrosa aliança obviamente não é baseada em um sentimento de afinidade, porém em interesses comuns, neste caso, arrebatar posições chaves à milícia libanesa Hezbollah, que combate junto ao governo sírio e envolve um dos maiores riscos para a segurança de Israel.

Xiitas

O denominado grupo xiita tampouco está isento de dissonâncias.Recentemente popularizou-se a expressão ‘’meia lua xiita’’ para se referir a aliança entre Hezbollah, Síria, Iraque e Irã.Embora certamente esses atores são estreitos aliados, os motivos dessa união não devem se buscar em simpatias dogmáticas.A coalizão original entre o regime laico, baathista e pan árabe da Síria com a teocracia persa do Irã nunca se á baseado no credo, mas que é herdeira da suposta ameaça comum do regime laico, baathista e pan árabe de Saddam Hussein.

A rivalidade entre Arábia Saudita e Irã que se espalha por todo oriente próximo não baseia-se em diferenças religiosas surgidas depois da morte de Maomé, mas nos interesses regionais opostos.Fonte: Kal (The Economist).

É comum também reduzir os alauítas ou os zaides a um ramo do xiismo, porém seus credos ortodoxos são bastante distintos do xiismo majoritário.Em realidade, as crenças dos alauítas tem permanecido ocultas durante séculos aos principais clérigos do xiismo.Não foi até 1948, quando os primeiros estudantes alauítas assistiram pela primeira vez a seminários religiosos na cidade iraquiana de Nayaf, centro da teologia xiita.Os alunos foram insultados e humilhados por suas crenças e, ao fim de pouco, a maioria deles voltaram à Síria.Recentemente um grupo de líderes religiosos alauíta emitiuum comunicado onde negavam sua condição de ‘’ramo do xiismo’’ com o objetivo de se distanciar do regime de Al Assad e do Irã.

Tampouco é estranho encontrar alianças entre grupos sunitas e xiitas que não se encaixam no molde do relato dos ódios remotos.Irã há décadas vem sendo o principal provedor do grupo islamico Hamas, e Al Qaeda e os Talibãs também colaboram com Teerã quando a sido necessário.Em Síria, grupos palestinos sunitas lutam junto com Al Assad e seu exército segue formado majoritariamente por sunitas; no Iraque várias tribos sunitas do oeste colaboram com Bagda para frear os terroristas do Estado Islamico.
Se bem é verdade que afinidades religiosas ou ideológicas podem ajudar na hora de costurar alianças e, sobretudo, justificá-las discursivamente, a geopolítica do oriente próximo segue regendo-se majoritariamente pelos interesses particulares dos estados.

Implicações políticas:um país para cada grupo étnico

Poderia parecer que o mito dos ódios remotos é simplesmente uma ocorrência devido a periodistas ou pretensos especialistas sem um conhecimento profundo da região, porém sua propagação não é inócua e tem consequências políticas.Bill Clinton, influenciado enormemente porum livro de Robert Kaplan, planejou a política estadunidense naguerra da Bósnia baseando-se na crença de que muçulmanos,católicos e ortodoxos massacram-se há séculos.Barack Obama também atua influenciado pelo relato dos ódios remotos entre sunitas e xiitas.Durante o último discurso sobre o estado da união, assegurouque parte da atual agitação no oriente próximo está ‘’originadaem conflitos de a milhares de anos’’ e em mais de uma ocasião manifestou sua preocupação pelos ódios entre países sectários.

A percepção de que os distintos grupos étnico religiosos não podem coexistir devido a ódios eternos é em primeiro lugar errônea e em segundo lugar perigosa.Por um lado, pretende negar qualquer suspeita de culpabilidade europeia e estadunidense sobre o estado atual da região.Dado que seguem lutando desde há milhares de anos, o apoio ocidental à ditaduras opressoras, a grupos rebeldes partidários de limpezas étnicas ou a calamitosa guerra do Iraque que oxigenou o sectarismo, não são responsáveis do estouro sectário atual.

Também, a consolidada imagem dos orientais como seres movidos por paixões étnicas e religiosas propensos a se matarem implica outra grave consideração: a corrente -crescente- opinião que pede que o mapa do oriente próximo seja redesenhado baseando-se nas fronteiras de seita.Desde a invasão do Iraque, mas especialmente depois das revoluções de 2011, tem-se popularizado vários mapas que pretendem redesenhar as fronteiras da região para assim salvá-los desses ódios étnicos.Numerosos políticos e especialistas defendem o desmembramento do Iraque* e Síria*, apesar de que tais pretensões secessionistas não figuram nas agendas dos grupos sunitas, xiitas e alauítas.Esses cartógrafos amadores culpam o acordo Sykes-Picot, que partiu as províncias otomanas depois da Primeira Guerra Mundial, por todos os males na região.Em suas opiniões, o grande erro das potências coloniais foi criar Estados ‘’artificiais’’ onde as seitas e outros grupos étnicos mesclavam-se, impossibilitandoassim a concepção de um estado homogêneo para a Europa*.O que muitos desses artigos esquecem de mencionar é que a criação do Estado-Nação europeu se baseia em séculos de limpezas étnicas e genocídios culturais para atingir tal nível de uniformidade.

Em 2016, um tenente coronel do exército estadunidense , Ralph Peters, publicou versão do que deveria ser a região argumentando que, ‘’sem esta revisão considerável das fronteiras não conseguiremos um oriente próximo em paz’’.No entanto recentemente, o New YorkTimes publicou um mapa onde cortava 5 países em 14 pedaços.


Proposta de Ralph Peters https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/7c/Ralph_Peters_solution_to_Mideast.jpg


É ilusório pensar que a única via para a paz na região é colocar cada grupo étnico em sua própria caixa, fechada e separada das demais.A história do Oriente Próximo está atormentada de violência dentro das mesmas seitas; você só precisa ver países como Argélia, Líbia e Egito, que, apesar de não terem minorias xiitas relevantes, possuem um passado recente com abundante violência.Este artigo não pretende argumentar que qualquer tipo de modificação de fronteiras na região é prejudicial nem nega a existência da violência sectária.Sua intenção é evidenciar o perigo de que as políticas ocidentais na região estão baseadas nos mesmos princípios orientalistas de cem anos atrás, que reduzem a identidade e os interesses dos atores da região ao sectarismo levando a um ponto absurdo.Paradoxalmente, o uso do prisma sectário conduz a políticas sectárias.Estabelecer cotas de poder confessionais, como no Iraque, ou fazer um país para cada etnia só implica a criação de novas minorias ao qual negaram-lhes a plena consideração de cidadãos por não pertencerem à nação.

Tradução: Elvis Braz Fernandes

sábado, 5 de novembro de 2016

TSIDMZ: A Busca por Beleza, Majestade e Metafísica

por Mindaugas Peleckis

TSIDMZ significa THULESEHNSUCHT IN DER MASCHINENZEIT, isso quer dizer Sehnsucht (nostalgia) por Thule em um Tempo de Máquinas. Thule é um “espaço primordial”, provavelmente um lugar físico, mas indubitavelmente, um domínio metafísico. De acordo com a mitologia indo-europeia, os povos indo-europeus que outrora habitaram as terras da Eurásia eram descendentes de Thule, a última terra remanescente do continente Hiperbórea. De uma maneira muito breve e grosseira, podemos dizer que Thule é equivalente ao Éden bíblico. É o lugar da “perfeição” original, o lugar dos ancestrais e heróis que viveram próximos ao divino. A TSIDMZ expressa exatamente esse tipo de nostalgia de um ponto de vista pessimista, significando “ausência”, e também de um ponto de vista construtivo, significando uma nova realização. Portanto, essa nova realização deve ser alcançada em nossos tempos, “In Der Maschinenzeit”. Será possível realizar uma sociedade justa, sublime e “espiritual” na era pós-atômica? Será possível combinar a máquina com a Tradição? De acordo com a TSIDMZ uma possível resposta pode ser encontrada no Futurismo, a nível artístico e cultural, e no Socialismo, a nível político e social. Como consequência, música eletrônica e toda forma de arte “industrial” tornam-se imperativos. No que tange aos níveis social e político o Homem deve ser o mestre da máquina, e não mais um escravo ou vítima. Da mesma forma, a nível cultural o Novo Homem precisa se integrar com a máquina, que deve tornar-se parte de sua nova cultura com o objetivo de dar continuidade aos valores tradicionais com essa nova ferramenta. Como resultado, isso irá criar uma identificação artística e estética, que dará uma nova identidade apropriada ao Arbeiter, como Jünger o entendeu (o Arbeiter é o conceito de E.Jünger sobre o Novo Homem que combina técnica e visão ascética/metafísica). “A técnica é o meio pelo qual a figura do trabalhador mobiliza o mundo.” – E. Jünger. Como consequência, a TSIDMZ apreciou a ideia, o conceito e o tema eurasianos: equilíbrio social, superar todas as ideologias, uma weltanschauung metapolítica e metafísica para reconquistar a Eternidade na pós-modernidade. A TSIDMZ é parte da Associação de Artistas Eurasianos: https://www.facebook.com/EurasianArtistsAssociation. [Fonte: página da TSIDMZ no facebook]. Em minha opinião, a TSIDMZ é uma das melhores e mais interessantes bandas da atualidade: letras profundas, temas sérios, música dramática: é uma bomba que irá explodir sua mente se ela está sob o controle do Big Brother. A entrevista com o líder da banda, Tetsuo, também conhecido como Uomo D’Acciaio (ideias, música, atmosferas, amostras, distorções, efeitos) foi feita em 17 de Outubro de 2016.

Você trabalhou com uma pletora de artistas ao longo dos anos. Quais colaborações foram/são as mais interessantes e importantes pra você, e por quê?

Eu tive a chance de trabalhar com muitos artistas e amigos que eu sempre gostei e apreciei. Cada colaboração foi importante para o enriquecimento cultural e musical do som da TSIDMZ e teve uma origem e história excepcional.

Das primeiras colaborações com Lonsai Maikov, Rose Rovine e Amanti, Heiliges Licht, [distopia], Narog, etc. até as últimas com Gregorio Bardini, barbarossa Umtruk, Order Of Victory, L’Effet C’Est Moi, The Wyrm, Corazzata Valdemone, Gnomonclast, Strydwolf, Suveräna, Horologium, Porta Vittoria, Sonnenkind, Le Cose Bianche, Valerio Orlandini, Winterblood, the Serbian poet/writer Boris Nad etc, eu posso dizer com orgulho que a música sempre foi e é muito variada e em constante evolução e enriquecimento.

Você pode me dizer, resumidamente, quais são as principais ideias por detrás de sua música? Você poderia mencionar suas composições, álbuns e colaborações favoritos?

Por detrás da música da ThuleSehnsucht há a fascinação pela relação dos opostos, a descoberta do desconhecido e a busca pela beleza, majestade e metafísica.

Eu gosto de tudo que fiz ainda se em uma viagem hipotética ao passado eu quisesse melhorar ou mudar algumas coisas. Cada música, CD, compilação, trabalho avulso e colaboração possui uma história, origem, desenvolvimento e esforço único, então é difícil dizer o que eu prefiro. Tudo foi útil para o nosso crescimento.

Uma menção especial vai para Barbarossa Umtruk. Um artista francês muito prolífico, original e talentoso que eu amava antes de começar minha própria música. Ele encontrou uma alquimia de sons única e temas que me fascinaram muito e influenciaram profundamente minha abordagem pessoal à música e a alguns temas.

Por essa razão e em primeiro lugar pela amizade que estabelecemos de maneira espontânea, nós fizemos muitas músicas em colaboração e por isso ele é o único artista presente em toda a trilogia da TSIDMZ (Pax Deorum Hominumque, Ungern Von Sternberg Khan, René Guénon et la Tradition Primordiale) com duas músicas em cada álbum. Da mesma forma, eu tive a chance de estar em alguns de seus trabalhos: La Fosse De Babel, Der Talisman Des Rosenkreuzers: La Mission Secrete Du Baron Sebottendorf, Tagebuch eines Krieges (2005-2015).

O novo álbum está indo bem, mas não como os últimos três CD’s físicos. Ele é menos marcial e muito mais meditativo. Se Pax Deorum Hominumque, por exemplo, possui uma abordagem fácil, o álbum René Guénon et la Tradition Primordiale requer maior concentração e interesse sobre o assunto que eu trato em cada música. Uma boa maneira seria escutar o álbum acompanhando os textos (disponíveis através do Facebook e Bandcamp da TSIDMZ). E dali em diante minha esperança é que todos comecem uma pesquisa e um estudo de maneira profunda e pessoal, interessando-se pelos temas.

O som é mágico. Você provou isso. Porém, o que resta quando não há música?

Som é energia e Deus é pura energia (pensante) então talvez o som puro nunca irá acabar.

O que é e o que não é um som artístico?

Arte em geral deveria estar em primeiro lugar na promoção/educação da beleza, natureza e espiritualidade. As artes deveriam elevar a humanidade, deveriam proporcionar visões do todo e da eternidade e ao mesmo tempo deveriam exorcizar a realidade. Esses são os elementos menos presentes nas “artes” modernas.

Arte, nesse caso, arte musical, significa também trazer algo (em ideias, ou sons, ou em textos em um estilo específico de voz) do “mundo das ideias” platônico para esse mundo. Imitar outro artista, repetir o que já foi dito por outros e “copiar e colar” não é arte. É muito mais uma questão de ser bom ou ruim tecnicamente ou como banda cover.

O que você pensa sobre as relações entre a arte antiga e a arte de computador? Elas são compatíveis?

O computador, como toda coisa inanimada, é uma ferramenta. Uma arma não mata até que alguém a utilize para matar e o computador não mata a arte ou a música até que você o utilize para fazê-lo. Em toda coisa inanimada o que importa é qual o “espírito” que há por detrás dela. Com qual espírito, valor, princípio, visão de mundo e filosofia você utiliza o laptop, a arma, o carro, a família, música, sexo, matemática etc. Aqui se encontra a questão principal e a primeira de todas.

Ferramentas são só coisas inanimadas até que você decida como e quando usá-las. É claro que algumas ferramentas são mais perigosas que outras e requerem mais atenção e mais consciência, mas uma sociedade doente não deveria usar sequer uma colher. Tudo o que uma sociedade doente ou uma filosofia doente ou uma pessoa moralmente doente usa e faz estará errado. De maneira oposta, uma sociedade saudável ou uma pessoa saudável ou uma Weltanschauung saudável irão usar de uma maneira apropriada até mesmo o fogo. Para concluir, tudo pode ser feito (não por todos), mas depende como é feito.

O que você pensa a respeito dos milhares de projetos de bandas eletrônica, neofolk, industrial, ambient, tribal, eletroacústico, avant-guarde etc? É um tipo de tendência, ou uma inclinação em direção à músicas melhores?

Em todos os lugares e em todas as épocas da história sempre houve muitos artistas, músicos, instrumentistas e assim por diante. A única diferença é que agora com as tecnologias, internet, plataformas web e etc. é mais fácil divulgar a própria música e as performances. O que você escutava na taverna, na festa do vilarejo ou nas ruas, hoje pode ser escutado em casa através de um dispositivo, porque as tecnologias permitiram gravar o que uma vez só podia ser tocado e escutado em um evento público.

Agora nós podemos ter tudo imediatamente e a primeira consequência disso é a produção em série e desvalorização de tudo, a falta de entendimento profundo acerca do que escutamos.

O problema toca a questão da socialização e da qualidade.

Se outrora a música foi um agregador social e cultural, agora o homem pós-moderno pode isolar-se completamente de qualquer contexto social e pode escutar o que quiser no momento em que quiser (e na maioria das vezes, o que o sistema quer que você escute. É o zeitgeist! A solidão pós-moderna, consequência do extremo individualismo, a desintegração social e a falta de valores tradicionais e naturais controla mais e mais as nossas vidas. É claro que até no passado a música era tocada e escutada em solidão ou em situações muito privadas, mas o que era uma exceção ou apenas uma das muitas formas de se escutar música agora se tornou a norma.

Então nós chegamos na qualidade. O fato de que agora podemos gravar qualquer coisa que quisermos não significa que estamos indo em direção a uma música superior ou a coisas de maior qualidade. Quantidade raramente significa qualidade. Nós temos uma sobrecarga de álbuns que saturam a escuta. Muitos desses álbuns são só boas composições técnicas, repetição das estruturas habituais de grandes artistas históricos que são chamadas incorretamente de arte.

Imitação não é arte, é apreciável e legal, mas não é música ou arte superior. Ter uma atitude de “banda cover”, uma “atitude de DJ” ou possuir uma boa técnica no que tange à música não é suficiente para preencher a palavra arte. Um som original, textos originais ou músicas originais ou composições originais não são poucas, mas também não são propriedades de qualquer músico. Como eu disse, arte significa trazer algo do “Mundo das Ideias” para esse mundo; quantos dos ditos artistas fazem isso?

Então com a internet a qualidade definitivamente caiu. A internet deveria ser uma maneira de promover e começar para observar como a sua arte funciona; a pós-modernidade é um mundo líquido (dinheiro falso que não existe; o deus invisível chamado mercado que hoje governa tudo; a ideia de que tudo é permitido e não há certezas) e o mp3 sem graça e de baixa qualidade em uma plataforma web que hoje existe, mas amanhã talvez não, é outro elemento da decadente “sociedade líquida” em que vivemos. Não se tem certeza sobre nada, nada mais é qualitativo, tudo é massivo, quantitativo, plastificado, em série, sem nenhum entendimento profundo e mensurável unicamente através do dinheiro... e hoje nem o dinheiro possui um valor real; dinheiro líquido, sem ouro ou um papel correspondente, devido ao fato de que uma grande quantia de dinheiro é criada diariamente na virtualidade (com a consequente usura e especulação).

Concluindo, o primeiro passo urgente é retornar à natureza, nos tornarmos “muito humanos”, e libertarmo-nos desse mundo desumanizado e cada vez mais mecanizado. Referente às artes, um bom ponto de partida poderia ser recuperar o prazer de ler um livro físico ou escutar música em um vinil ou em um CD; na verdade, é impossível ter um controle total e uma compreensão completa de algo até que esse algo esteja somente na virtualidade ou em estado líquido.

Quando conseguirmos re-descobrir o valor de uma sociedade real-concreta que raciocina pelo bem comum, para a beleza física e metafísica e para as raízes das pessoas e identidades e não para os interesses do mercado, talvez será mais fácil iniciar um novo caminho em que a música também se incline ao melhor e em direção a ideias mais originais...

 O que mais inspira você?

Deus, beleza, majestade, eternidade, opostos, filosofia, metafísica, metapolítica, geopolítica, mitologia, religiões, tradições, identidades, pessoas, ideias e ideologias, história, arqueologia corrente e arqueologia oculta, futurismo, cinema, a relação homem-máquina, surrealismo, vida e morte, música industrial, clássica, folk, étnica, eletrônica e rock (metal).

No que você está trabalhando agora?

Está sendo planejado um novo álbum com um som novo, novas ideias e novos temas, mesmo que os anteriores ainda estejam sempre presentes de uma forma ou de outra. Além disso, o projeto está sempre ativo em suas colaborações, compilações temáticas e trabalhos separados.

O que o nome da sua banda significa para você? Que ideologia/religião/visão de mundo você segue?

Significa tudo que eu fui e ainda sou. Significa minha principal Weltanschauung. TSIDMZ é um acrônimo para ThuleSehnsucht in Der MaschinenZeit; isso quer dizer Sehnsucht (nostalgia) por Thule em Tempos de Máquinas. É uma frase que une a parte espiritual com a parte filosófica e a parte artística e musical da minha pessoa. Em poucas palavras, sou eu.

É uma frase que também foi influenciada profundamente por esta famosa frase de E. Jünger: “A técnica é o meio pelo qual a figura do trabalhador mobiliza o mundo.”.

“O Trabalhador” é o Novo Homem de E. Jünger, que combina a técnica moderna e visão ascética/metafísica; em um nível cultural esse Novo Homem precisa se integrar com a máquina, que se tornou parte de sua nova cultura, para que ele possa dar continuidade aos valores tradicionais com essa nova ferramenta.

Eu não me prendo a nenhuma definição. Nem na filosofia e nem na música. Para todo campo humano há muitos rótulos como se fossem marcas comerciais e muitas pessoas que não pensam, são monótonas, iguais em tudo (iguais de maneira inferior e não superior).

As pessoas estão cada vez mais cegas que nunca irão ver o quanto já está condicionado pelos contravalores pós-modernos e antinaturais e pela miríade de mentiras e pseudomitos modernos e pós-modernos em que vivemos. Pensar com seu próprio cérebro significa ser humilde para escutar, descobrir, ler, comparar e entender profundamente (e não com um punhado de frases encontradas nas mídias sociais) o que é totalmente oposto ao que a mídia e o presente sistema orwelliano mandaram você pensar até agora. Esse é só o primeiro ponto para começar a dizer: “Eu penso”.

A humanidade pós-moderna está no ápice da desumanização, no ápice do afastamento da natureza e da vida concreta e real.

Iluminismo, uma espécie de nova religião sem um deus transcendente (como todo materialismo, progressismo, evolucionismo, internacionalismo, ideologias de liberação, feminismo, veganismo e assim sucessivamente com todo o resto de “religiões” modernas construídas ao redor de falsas construções mentais e elementos singulares transformados em absolutos para toda realidade), realizou o primeiro passo para o afastamento de Deus (com o slogan/desculpa frequente de “oh como são ruins as religiões”... seria a bomba atômica ou todo o mal materialista e “laicista” dos últimos séculos uma consequência das religiões!?), e o último passo foi dado com a atual desconexão pós-moderna em relação à vida, à natureza, ao pensamento lógico e simplesmente de sermos humanos.

Em suma, nós podemos dizer que de um deus transcendente no centro do universo nós ganhamos o mercado no centro do universo.

A melhor solução é ter fortes princípios tradicionais e só então considerar qualquer tipo de música, qualquer filosofia e qualquer ideologia. Quando você possui princípios fortes, identitários, naturais, eternos e espirituais, quando você possui uma filosofia holística verdadeira (e não sectária como muitos modernos erroneamente chamam as “filosofias”/conhecimentos), quando você sabe que tudo possui uma origem divina ou espiritual (apenas leia Platão) e limites muito específicos impostos por princípios metafísicos (e portanto você é forçado a não fazer qualquer coisa permitida pela tecnologia ou humanos comuns) quando você entende que a matéria é limitada e o ilimitado (como é o mercado) é um contravalor antinatural, quando você entende que o bem comum é o valor mais alto em uma sociedade, quando você entende que primeiro existe a família e os povos com suas histórias/identidades próprias, únicas, específicas que precisam ser preservadas para que sobrevivam (esse sentimento deveria ser instintivo e padrão, e o fato de que a modernidade o destruiu em muitos povos, é outro sinal da completa desconexão com tudo que é natural e lógico), você também é capaz de compreender o melhor de cada situação e construir a sua “vontade de poder” / moralidade e talvez estar “além do bem e do mal”.

É claro que o mundo pós-moderno não ajuda de modo algum. O “pensamento fraco” e o pior relativismo dominam.

O Novo Homem, o “Übermensch” deve lidar com isso, é a última luta.

“Atualmente nós não estamos em guerra contra uma nação, contra um fenômeno, contra um partido ou uma ideia política, mas sim contra o surgimento de um novo e apavorante aeon, um aeon que irá varrer tradições, irá inverter valores, irá aniquilar e substituir a essência profunda, real e espiritual do ser humano com identidades falsas, baixas e demoníacas. Como consequência nós precisamos ser Futuristas: assistindo ao futuro e à técnica como uma continuação em relação ao passado e à tradição.”

TSIDMZ –ThuleSehnsucht In Der MaschinenZeit-


Obrigado

Tradução: Maurício Oltramari

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Como os Corvos se Tornaram Negros


Era uma vez, muito tempo atrás, Wotan caminhava sob os braços de Yggdrasil quando dois corvos mergulharam e pousaram em seus ombros. O corvo em sua esquerda era branco como a névoa de Niflheim (até então todos os corvos eram brancos), e seus olhos miraram as nuvens. O corvo em sua direita reluzia no sol como a neve de Jotunheim, e olhou-o com alvos e claros olhos. E Wotan chamou o corvo a sua direita de Hugin - Pensamento -, e o outro nomeou-o de Munin - Memória.

Conforme os dias passavam, Hugin e Munin fixaram-se na curiosidade do Pai de Todos por tudo que havia nos Nove Mundos, voando e observando e ouvindo a tudo que podiam, e às noites retornavam a Ele para contá-lo tudo que tinham visto e ouvido nas longas horas do dia. Contaram-lhe sobre os lentos pensamentos das montanhas, sobre as coloridas e sempre mutáveis memórias dos homens, e sobre o som da canção do coração de tudo que vive.

E embora Wotan se deleitasse com o conhecimento que lhe traziam ele sempre sentia que ali faltava algo, e dizia, "Foi muito, mas ainda não o bastante. Amanhã vocês devem voar de novo. Tentem descansar por ora". E os corvos dormiram com dificuldade, sem saber o que lhes faltava, e cada manhã eles voavam de novo. Chegou então uma de muitas noites depois de um longo dia em que eles tinham visto tudo o que a luz de Sunna poderia mostrar, tinham ouvido a todos os pensamentos brilhantes dos homens em Midgard, e leram suas memórias despertas, momento em que Hugin disse a Munin: "Ainda não podemos voltar. Precisamos ir adiante". E mergulharam na noite escura.

E Hugin voou através dos sonhos negros da humanidade e ouviu seus pensamentos os quais não deviam pensar durante o dia, nem mesmo diante de si mesmos. Ele guinou através do vazio entre as estrelas onde não havia nada, e para dentro do crepuscular mundo do futuro onde há tudo e nada ao mesmo tempo. E quando retornou, suas penas, de ponta a ponta, eram negras como a noite.

E Munin adentrou as mentes dos homens em cada canto e célula assombrada onde eles escondiam todas as coisas que não gostavam e as trancafiavam dizendo "não lembro mais". Planou o vácuo indistinguível de Ginnungagap, e sempre adiante até que alcançou as cinzas de Ragnarok que obscureceu esta era. E quando ele retornou, suas penas, do bico ao rabo, eram negras como a fuligem.

Os corvos voltaram a Wotan imediatamente antes do despertar da aurora, quando a noite estava em sua mais negra expressão, e quando eles pousaram em seus ombros ele soube tudo que eles tinham visto, e eles não precisaram lhe contar. E ele entendeu o que estava faltando, mas assentiu dizendo "É muito, e é o bastante. Descansarão por hoje". E os corvos piscaram sonolentos sob os primeiros raios do sol nascente que brilhou em suas agora penas negras, esconderam seus bicos sob suas asas e dormiram muito bem.

Desde então todos os corvos foram vistos negros como uma sombra em noite sem estrelas. Muito raramente acontece de alguém vislumbrar um corvo branco, e seria você um sortudo se visse algum, e viria a saber que já caminhara longe o bastante para a terra da memória, tempos de outrora em que os corvos costumavam ser alvos.

sábado, 30 de julho de 2016

Huldufólk: crença islandesa em elfos

Elfos dançando sobre um lago no crepúsculo. O conceito nórdico de elfo era muito semelhante às Criaturas da Terra ou espíritos protetores da natureza.
August Malmström, 1866.
 
Religião na Islândia Medieval

Capa de um manuscrito da Prosa Edda,
mostrando Wotan, Heimdallr, Sleipnir e
outras figuras da mitologia nórdica.
Islândia foi estabelecida pelos Nórdicos no século IX. Quando os vikings chegaram da Escandinávia, eles trouxeram com eles sua língua, cultura e religião nórdicas. Devido à localização da Islândia, sendo isolada por uma boa distância da Europa, a religião Nórdica sobreviveu muito mais na Islândia do que em qualquer outro lugar. Mesmo depois da cristianização, o clima cultural na Islândia era de tal modo que os costumes antigos conseguiram sobreviver juntamente da nova religião.

Na verdade, foi um cristão quem relembrou os mitos nórdicos como os conhecemos hoje. Snorri Sturluson reescreveu a Prosa Edda, também chamada de Edda Juvenil, bem como as Sagas dos Reis Nórdicos no século XIII. Embora a Islândia tenha se tornado decididamente cristã muito antes dos tempos de Snorri, o povo não se afastou de suas raízes como aconteceu aos outros europeus.

Embora a Igreja Católica Romana tenha sido responsável pela (frequentemente forçada) conversão da Europa nórdica, o catolicismo, em muitos casos, permitiu que as práticas dos povoados regionais mantivessem seus costumes como se houvessem entes cristãos sendo ali venerados. O culto aos santos é um bom exemplo. As deidades locais eram frequentemente re-rotuladas como santos locais. Assim, os locais puderam continuar venerando-os. Quando a Renascença ganhou força, entretanto, os reformadores investiram contra os aspectos "pagãos" do catolicismo. Crenças populares, vistas como remanescentes do paganismo, foram pisadas com grande fervor. Embora houvessem caçadas às bruxas na Islândia, a população era removida o bastante dos acontecimentos da Europa ao ponto das crenças sobreviverem comparativamente intactas.

Entre as antigas crenças que se mantiveram estava uma forte conexão com o Landvaettir e Huldufólk - as "criaturas da terra" e o "povo oculto".
Parque Nacional Jökulsárgljúfu, Islândia. Foto: Karl Kerling.

A Paisagem Mística
Ilha de Lava no Lago Mývatn.
Foto: Andreas Tille

Enquanto o isolamento da Islândia pôde tê-los separado ao ponto de proteger sua cultura, pode ter havido outra razão pela qual o folclore antigo sobreviveu. A paisagem da Islândia é... bem, é difícil de resumir em uma palavra. A paisagem é drástica, poderosa, dramática, que inspira temor, e você ainda poderá dizer que é mágica.

Apesar do nome da Islândia (N.T.: Terra do Gelo), a terra é bastante fértil, com uma abundância de verde durante partes do ano. Sendo uma nação-ilha, o mar era (e é) uma fonte de renda e sustento. Assim, os laços com a terra e o mar permaneceram fortes.

Ainda mais aguda é a ostentação da Islândia de incomuns fenômenos geológicos. É uma das mais ativas regiões vulcânicas da Terra. A atividade geotermal tal como os geysers (gáiseres) e as fontes termais são também abundantes. O que torna essa região tão única é que os vulcões e as fontes termais estão justapostos com as formações de rocha nevada e com os glaciares.
Gígjökull, glaciar se desprendendo de Eyjafjallajökull, Islândia. Foto: Andreas Tille

Terra de Fogo e Gelo
Erupção vista em Þórolfsfell.
Foto: David Karna

Assim, o que a geologia única da Islândia tem que ver com a sobrevivência da mitologia nórdica? Bem, é quase como se a terra fosse um vivo mensageiro de certos mitos. Fogo e Gelo são uma grande parte do imaginário envolvido no mito de criação nórdico.

Mustpelheim é a terra do calor e do fogo. É são quente que nada pode sobreviver ali exceto criaturas indígenas, como os jötunn (gigantes) de fogo.

Niflheim, por sua vez, é o oposto. É um frio nebuloso, terra do gelo. Nove rios de gelo fluem através desta gélida realidade.

Entre estas duas terras está um grande vazio chamado Ginnungagap. E estava no vazio onde o fogo e o gelo se encontram, faiscando a criação dos Nove Mundos.
Pôr do sol no Goðafoss, Winter, Islândia. Foto: Andreas Tille

A Crença nos Elfos nos Nossos Dias
Casinhas de elfos perto de Strandakirkja,
sul da Islândia.
Foto: Christian Bickel

Uma grande minoria da população islandesa abertamente admite acreditar em elfos e outras Entidades Ocultas nos nossos dias. Estas crenças sobreviveram o máximo possível nas áreas rurais, onde fazendeiros podem ainda comunicar-se com as Criaturas da Terra. Entretanto, a crença é surpreendentemente prevalecente em áreas urbanas também. Muitas casas residenciais prestam homenagem aos elfos do jardim construindo casinhas para eles. Casinhas de elfos podem ser vistas pontilhando o país.

Embora apenas uma pequena porcentagem de pessoas admitirão acreditar neles, uma muito alta porcentagem da população ainda não negará sua existência. Muitas pessoas não abertamente dizem que os elfos são reais, mas ao mesmo tempo tomam precauções para evitar incomodá-los. É algo como que dizer que "os elfos provavelmente não existem, mas eu não quero de qualquer forma me precipitar, caso eles mesmo existam!".

Elfos Moram em Grandes Rochas
Álfaborg, castelo das criaturaspróximo a Borgarfjörður.
Foto: Schorle

Islandeses acreditam que elfos vivem dentro de pedregulhos e grandes formações rochosas. Se um pedregulho é conhecido por ser morada de um elfo, é considerado desrespeitoso escalá-lo ou se intrometer no local de qualquer modo. Má sorte pode cair sobre alguém que incomoda os elfos.

É interessante que mesmo que o número de pessoas que abertamente dirão "eu acredito em elfos" é uma minoria, o público ainda aconselhará a parar projetos de construção que passarão por cima de terra acreditada ser ocupada por elfos.

Estradas e construções de autoestradas foram abortadas e alteradas quando o público soube que as rochas dos elfos iriam ser demolidas.

As bases militares dos Estados Unidos na Islândia foram investigadas pelos locais por pôr em perigo o bem-estar dos elfos indígenas. Em 1982, 150 pessoas apareceram na base naval dos EUA clamando que as atividades militares dos EUA estavam pondo em perigo a vida dos elfos nativos.

Algumas vezes "portas de elfos" foram feitas de madeira e pintadas em colorido pelos locais para serem colocadas em frente a rochas conhecidas por serem povoadas por elfos. Isto serve como uma marca de identificação a fim de que os outros saibam não se intrometer nestas rochas.

Comunicação com os Elfos
Um garotinho fala com uma princesa elfo.
Ilustração: John Bauer

Os elfos islandeses se comunicam com os humanos de vários modos. Eles podem expressar insatisfação de modos que não são verbais, mas nunca menos descaradamente. Por exemplo, eles podem fazer rolar pedras e causar outros desastres naturais a fim de fazer conhecer que a atividade humana está os ameaçando e enraivecendo. Eles podem também causar doenças em humanos, destruição de colheitas e doenças em mantimentos.

Quando os elfos estão contentes, no entanto, eles podem abençoar um fazendeiro com uma abundante safra, ou agraciar sua região com climas agradáveis e mares calmos para a navegação.

Sonhos são outro modo de comunicação do elfo com os homens. Um construtor islandês registrou que estava planejando remover um pedregulho em seu projeto, e uma elfo que nele vivia veio a ele em sonho. Ela suplicou que ele deixasse sua família por um tempo até que recolhessem seus pertences a fim de encontrar alojamento temporário até que o pedregulho fosse realocado, momento em que eles poderiam voltar. O construtor estagnou a realocação do pedregulho por alguns dias, adiando a construção. Quando questionado por isso, o construtor recusou mudar os planos. Tratar os elfos com respeito era simplesmente a coisa certa a se fazer.

Elfos podem falar diretamente com os homens em ocasiões. A maioria das pessoas não são capazes de vê-los, mas indivíduos agraciados com habilidades psíquicas mediúnicas podem ser capazes de ver e se comunicar com os elfos.

Entretanto, se você andar por alguma vila islandesa, você possivelmente encontrará a dona de casa que diz que pode ver e falar com os elfos residentes no seu jardim.
 
via exemplore

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Os Saami: povo de pastores de renas do extremo Norte

Família Saami na Noruega em torno de 1900 (imagem de domínio público)
 
Quem são os Saami?

Os Saami, também falado Sami, são um povo indígena que viveram no extremo norte da Escandinávia por centenas, senão milhares de anos. Embora fossem vizinhos dos Antigos Nórdicos, eles eram um grupo étnico inteiramente distinto. Enquanto as línguas oficiais da Noruega, Suécia e Dinamarca são germânicas, a língua dos Saami pertencem à família fino-úgrica (juntamente com finlandeses, húngaros e outros). Assim, enquanto estão espalhados por estas nações (exceto Dinamarca) eles são uma cultura distinta e separada.

Discriminação Histórica
Os Saami ocupam Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia

A região tradicionalmente ocupada pelos Saami é conhecida como Sápmi. Ela é considerada uma "região cultural", mas não é uma nação.

Embora os Saami estejam espalhados por uma vasta extensão de terra, eles foram historicamente discriminados e não têm seu próprio estado-nação.

Como povos indígenas de outras terras, tais como os Nativos Norte Americanos por exemplo, foram submetidos a programas de assimilação, tentativas foram feitas para romper a cultura Saami e assimilar seu povo às culturas maiores dos países onde viveram.

Por causa dessas campanhas, elementos da cultura Saami começaram a morrer e entraram em perigo de desaparecerem para sempre. Esforços massivos para converter os Saami de sua religião nativa foram instituídos pelos luteranos durante os séculos XVIII e XIX. Muitas crianças Saami foram forçadas a falar norueguês ou sueco ao invés de sua própria língua.
Bandeira dos Saami e da "região cultural" Sápmi

Infelizmente, isto não era incomum durante as eras recentes. Há paralelos não apenas com os nativos da América do norte, mas isto também ocorreu com os falantes de língua celta na Irlanda, no País de Gales e outras áreas da Grã-Bretanha.

Assim como muitos outros grupos foram tratados como inferiores pela população dominante, os Saami foram frequentemente zombados e olhados por cima. Por muitos anos eles foram chamados de "Lapões" e sua morada conhecida por "Lapônia". Até hoje muitas pessoas não sabem que o termo "lapão" é ofensivo aos Saami. Aparentemente o termo se refere a trapos e implica que eles são um "povo que veste trapos". Hoje, o termo Saami ou Sami é preferido.

Os Saami e Suas Renas
"Pastor Laestadius instruindo os lapões" por François-Auguste Biard, 1840

Um homem e uma criança Saami, em Finnmark, Noruega, 1900
Dever-se-ia dizer que os Saami, como alguns outros povos, tiveram uma ampla variedade de ocupações. Pastoreio de renas é uma pela qual eles são mais conhecidos, mas isso não é tudo que os Saami fazem ou fizeram historicamente. Isso pode algumas vezes ser um ponto de contenção quando afirmações são feitas de que todos os Saami são pastores de rena. Dito isto, é verdade e justo dizer que o pastoreio de renas é um grande aspecto da cultura Saami por gerações.

Até os nossos dias, o pastoreio de renas é ainda praticado por muitos Saami. Os animais vivem uma vida semi-selvagem, gastando muito do seu tempo vagando para pastar em amplos espaços abertos do extremo norte. Os Saami dirigem as renas para casa em determinados momentos para contar e alimentar o gado.

As renas e o povo Saami viveram juntos em harmonia por centenas de anos. Os animais providenciam aos Saami comida, couro para roupas, e as galhadas eram usadas para fabricar ferramentas e outros utensílios domésticos.

Uma mulher sueca vestida em trajes tradicionais Saami com uma rena branca. Foto: Anthony Randell
Mas a conexão com as renas é mais antiga do que se pode datar. As renas constituem um significado espiritual e cultural simbólico para o povo Saami. Eles aparecem bastante em mitos, lendas e artes tradicionais.

Cartão postal vintage da "Lapônia".

Shamãs do Norte

Conforme dito acima, os Saami enfrentaram injúrias e perseguições durante séculos. Um elemento maior de sua cultura que foi atacado com grande vigor foi sua religião ancestral.
Cópia do tambor rúnico pertencente ao centenário Saami Anders Paulsen. Departamento Cultural do Museu em Olso, Noruega. O tambor rúnico foi confiscado pelas autoridades de Vadsø em 1691. Foto por Sandivas.

A espiritualidade indígena dos Saami é uma forma antiga de animismo. Central ao seu sistema de crença era a presença de shamãs. Estes shamãs são conhecidos por seus tambores do espírito fabricados à mão que eram usados para bater um transe induzindo um ritmo para uma jornada ao mundo do espírito. Os tambores dos shamãs eram feitos de couro animal, frequentemente pele de rena. Desenhado no tambor estaria um mapa que dirigia o shamã para os Outros-mundos.

Uma ilustração antiga de um shamã Saami tocando tambor em transe. Note que o artista interpreta a jornada do espírito do shamã como demoníaca.
Contrariamente à crença popular, punhados de povos europeus ainda não tinham sido cristianizados ao fim da Idade Média e até mesmo durante a Idade Moderna. Os Saami foram um destes grupos. A Europa do Norte foi por muito tempo considerada o último bastião do paganismo, e muitos livros ensinavam que os nórdicos vikings eram os últimos europeus a se converterem ao cristianismo. Isto é falso. Muitos outros povos mantiveram-se firmemente fiéis a suas religiões nativas por centenas de anos depois da conversão dos povos germânicos e nórdicos. Os bálticos são assim um exemplo, quando o grande reino da Lituânia se manteve antes de sucumbir aos invasores teutônicos. O povo de Mari El, que vivem profundamente adentro da Rússia, são outro grupo de pessoas que mantiveram-se fortemente agarrados aos costumes nativos.

Em torno do século XVIII e XIX, e até mesmo do XX, os Saami foram mirados por missionários luteranos para conversão e assimilação. Suas crenças espirituais ancestrais foram incompreendidas e rotuladas de demoníacas. Ao mesmo tempo que sua religião era dissolvida, os Saami foram desencorajados a falar as línguas nativas. Eles foram também subjugados à propriedade privada, e perderam muito de suas pastagens ao longo dos anos. Mesmo aos nossos dias os Saami lutam para reconquistar a terra na qual viveram e puseram seu gado para pastar por centenas de anos.

Renovação e Renascimento da Cultura
Homem Saami em vestes tradicionais. Foto: Norbert Kiss

Nos últimos anos houve uma renovação do orgulho popular entre os Saami. Eles usam recursos como a internet para conectar com outros Saami por longas distâncias e promovem caminhadas para promover seus interesses comuns. Eles deram vozes ao demandar os direitos e o respeito que eles merecem.

Assim como outros grupos na Europa e em outros lugares estão revivendo suas crenças ancestrais, alguns Saami estão revivendo sua própria religião indígena e reintroduzindo o shamã Saami.

Outros aspectos da cultura estão recebendo atenção também. Muitos artistas Saami estão trazendo sua música tradicional ao escopo internacional. Sua música tende a possuir insinuações do som de uma tribo ouvido em outras culturas indígenas ao redor do mundo, com um nível de influência folk escandinávia, mas um som que é distintamente Saami.

Há muitas culturas belas ao redor do mundo. Mas há algo de especialmente mágico nos Saami. Pode ser o simples mas profundamente significativo modo com o qual eles tradicionalmente existiram no esbranquiçado de neve extremo norte. Pode ser sua assombrosamente bela música folk, ou o contraste entre as vívidas cores de suas roupas tradicionais contra o branco limpo da neve. Este povo parece manter algo que muitos de nós há muito perdemos; uma profunda conexão com a natureza e com os animais com os quais eles compartilham sua morada.
 
 
 
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