terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Brasil e Rússia buscam expulsar o dólar em transações bilaterais



"Atualmente estamos discutindo a realização de pagamentos em moedas nacionais, o que permitirá criar contas em reais na Rússia e em rublos no Brasil, e financiar os projetos em moedas nacionais", assinalou Serguéi Vasíliev, vice-presidente de Vneshekonombank, em declarações à rede Rossiya24.

Na semana passada em Moscou se celebrou um foro empresarial Brasil-Rússia que coincidiu com a visita à capital russa da Presidente brasileira Dilma Rousseff.

Durante sua estadia em Moscou, Rousseff se reuniu com o primeiro-ministro Medvedev e com o presidente Putin para discutir os temas mais relevantes das relações bilaterais.

“Actualmente estamos discutiendo la realización de pagos en monedas nacionales, lo que permitirá crear cuentas en reales en Rusia y en rublos en Brasil, y financiar los proyectos en monedas nacionales”, señaló Serguéi Vasíliev, vicepresidente de  Vneshekonombank, en declaraciones a la cadena Rossiya24.

Via RT
te su estancia en Moscú, Rouseff se reunió con el primer ministro Medvédev y con el presidente Putin para discutir los temas más relevantes de las relaciones bilaterales.

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/economia/view/81288-bancos-rusia-brasil-quieren-expulsar-dolar-transacciones-bilaterales

Identidade Latino-Americana: Mariateguismo e Magonismo

Por Christian Bouchet

As formas autóctonas do socialismo latino-americano estão um pouco ignoradas pelos militantes europeus, sejam cultivados ou curiosos. Isso levou à consequência nefasta de privá-los de pontos de referência e de exemplos normalmente remarcáveis e originais e que poderiam ser tomados e utilizados na luta política européia.

Assim Haya la torre, Van Marees, Mariategui ou os irmãos Magon, por exemplo, propõem cada um um enfoque original das relações entre o socialismo e a identidade.

Neste curto artigo trataremos sobre Mariategui e os irmãos Magon, porque os estudos sobre eles estão conhecendo um -relativo- empurrão devido ao primeiro centenário do primeiro de seu nascimento em 1994 e para o outros o levante zapatista.

Mariategui, um marxista nietzscheano

Nascido em Moquegua, no sur do Perú, em 1894 em uma família pobre e católica e tradicionalista, Carlos Mariategui, muito logo órfão de pai e de saúde frágil, busca rapidamente noe studo e no misticismo compensações à dificuldade de sua existência.

Jovem jornalista, consagra seu tempo às investigações literárias estetizantes. Mas em 1919, se tem que exilar por motivos políticos. Durante cerca de 5 anos, recorrerá à Europa, interessando-se pela França pelo dadaísmo e pelo surrealismo, e na Itália pelo pensamento de Gramsci.

De volta ao Perú nos finais de 1923, se junta com Víctor Raúl Haya de la Torre e participa na criação do partido pan-americano APRA (Aliança Popular evolucionário Americana) que apoiará com sua caneta e procurando criar em torno de si uma frente cultural. Com este fim, em Setembro de 1926, funda Amauta (que em quechua significa mestre de sabedoria. Eleito para render homenagem à cultura inca). Mas aos finais de 1928, J. C. Mariategui se separa do APRA rechaçando este partido por não ser mais que populista e proclamando sua fé em um socialismo peruano que deve ter por fim uma "criação heróica". Este pouco tempo depois na iniciativa da criação do jornal sindical Labor e do partido Socialista Peruano que logra sua filiação à Internacional Comunista sob este nome e em que Mariategui é a alma até sua morte aos 35 anos em 1930.

Afirmando-se marxista, mas reconhecendo a influência recebida de Sorel, de Nietzsche e de Bergson, Mariategui foi um comunista particularmente heterodoxo (por essa razão o PSP foi, a sua morte, totalmente retomado pela Internacional). Nos movimentos políticos depois da primeira guerra mundial -liberalismo, fascismo, comunismo- examina sobretudo "o enfrentamento entre o esgotamente decadente e a novidade criadora". Na ação política, busca sobretudo "o chamado à via heróica" e "à apologia do aventureiro, do grande aventureiro". E -heterodoxia suprema- para Mariategui, o socialismo deve ser antes de tudo identitário e enraizado, e busca de aproximar seu compromisso político ao passado do Perú, ao comunismo aristocrático dos incas e depois das comunidades camponesas. Assim em uma das duas únicas obras que publicou estando vivo "Sete Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana" que apareceu na época da criação do PSP, faz do Perú profundo o lugar privilegiado da expressão da vida e da alma do povo e examina as questões de educação, religião, centralismo, regionalismo, literatura, economia, não em sua relação com o proletariado urbano, mas em relação à realidade indígena e seus laços com a terra.

Com este fim, é sem dúvida significativo que o atual Partido Comunista do Perú de A. Guzmán se reclame do "sendero luminoso do pensamento de Mariategui" e confirme assim a opinião dos politólogos e etnólogos sérios que estimam que depois de uma linguagem estereotipada marxista particularmente obscura, Sendero Luminoso é antes de tudo um movimento de resistência indígena à modernidade ocidental.

O magonismo: um comunialismo mexicano

O magonismo como corrente ideológica organizada aparece em 1892 e desaparece, vítima da repressão, em 1916. Saca seu nome dos irmãos Ricardo e Enrique Flores Magon que -influenciados pelo exemplo dos populistas russos- criaram um círculo revolucionário anti-yankee e anti-cleciral na região de Oaxaca. Este círculo se introduzirá rapidamente no Partido Liberal mexicano (no México do fim do século XIX os liberais eram a extrema esquerda) onde serão a ata ativista e esquerdista.

A característica desta corrente é que seu socialismo tem sua origem no comunalismo indígena e é uma reposta autóctona à ocidentalização e à tentativa de dominação americana sobre o México. Toma a defesa - o retorno segundo os casos - à organização indígena da sociedade: democracia organizada, propriedade coletiva da terra, trabalho limitado à cobertura das necessidades, uso não capitalista dos recursos, etc.

Durante 26 anos, toda a ação dos magonistas seguirá o mesmo eixo. Sublevar as tribos indígenas, pô-las a consistir grupos armados e recuperar - ou a defender - suas terras. Para Ricardo Flores Magon, o aspecto teórico era secundário, senão inútil, e somente a ação e seu exemplo contavam.

Até 1918 - data na que Ricardo Flores Magon foi preso por um distanciamento do exército yankee que atuava no México, transportado aos EUA e assassinado - os magonistas criaram numerosos grupos armados, estiveram na origem de numerosos levantamentos de tribos indígenas e participaram no movimento zapatista. Totalmente esquecidos em continuação, seu nome reapareceu - mas de uma forma quase inapreciável - quando o comandante Marcos declarou em uma entrevista que o pensamento prático dos insurgentes de Chiapas vinha na linha direta de Zapata e dos irmãos Magon.


Traduzido por Álvaro Hauschild

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Argentinos protestam contra a polícia por causa de prisioneiro

12/12/12 Tucumán, Argentina - Pessoas se chocaram contra a polícia enquanto clamavam contra a justiça de um prisioneiro que acaba de ser liberado.

Via Worldriots

Haitianos começam a significar problemas no RS



O que seria um conflito entre empregador e trabalhadores se transformou em uma polêmica em Igrejinha, no Vale do Paranhana, por envolver nove haitianos. Desde a última quinta-feira eles não estão mais trabalhando em um curtume da cidade. Nesses dias afirmam que não têm dinheiro sequer para comer.

A situação envolvendo os trabalhadores estrangeiros chegou ao Governo do Estado e na Assembleia Legislativa. Nesta quarta-feira uma comissão deverá ir até a cidade na tentativa de mediar o conflito, e resolver o problema. O caso também tem repercutido entre os moradores do município.

Contratado no início de novembro, o grupo integrava um contingente de 44 haitianos que trabalha no curtume Agro Latina. Os funcionários estrangeiros recebem, em média, R$ 900 por mês, além de alojamento e, nos primeiros 30 dias, toda a alimentação. Passado o primeiro mês, a empresa passará a cobrar R$ 0,50 por refeição.

O desentendimento entre a empresa e os nove haitianos começou no momento do primeiro pagamento. Discordando de descontos na folha, ainda na semana passada, os trabalhadores chegaram a procurar o Ministério Público (MP) denunciando ser submetidos a trabalho escravo.

— Eles estão descontando R$ 250 de cada haitiano, que seriam custos do transporte para cá. Mas isso não estava no acordo, por isso não aceitamos — afirma Michelet Clervoyant, 33 anos.

Dois dos haitianos foram embora para Curitiba nesta segunda-feira. Os demais seguem morando no alojamento da empresa, e estão recebendo ajuda do Sindicato dos trabalhadores na Indústrias de Calçados e Vestuário de Igrejinha. Os haitianos pretendem se estabelecer em outra cidade.

— Temos família para ajudar no Haiti. Se querem nos mandar embora, que paguem os 60 dias que ainda teríamos pelo contrato inicial — ressalta Petit Jean Louis, 30 anos.

O que diz a empresa
A empresa por afirma que não demitiu nenhum dos nove haitianos. A Agro Latina diz que deu aos funcionários estrangeiros privilégios que não dá aos seus colaboradores locais. O grupo, de acordo com o diretor da empresa, Renato Argenta, recebeu alojamento, comida no refeitório do curtume, e adiantamentos de salários.

— Fizemos campanha para arrecadar roupas e produtos de higiene, porque eles não tinham nada. Tudo o que foi descontado foi previamente acordado com todos eles, tanto que outros 35 haitianos seguem trabalhando e estão dando um bom resultado — reforça Argenta.


Auditorias não apontaram irregularidades trabalhistas
Acionado pelo Ministério Público de Igrejinha, o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito para analisar a situação dos trabalhadores haitianos. Segundo a procuradora do trabalho de Novo Hamburgo, Juliana Bortoncello Ferreira, uma auditoria realizada na empresa na última sexta-feira não apontou irregularidades trabalhistas.

A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa também acompanha o caso. De acordo com o coordenador da comissão, Juliano Müller de Oliveira, o problema foi de adaptação, especialmente pelas dificuldades de comunicação.

— Não houve nenhum abuso de direitos por parte da empresa. Estamos acompanhando a situação para ajudar esses trabalhadores e resolver a situação — diz.


Detalhe ZH
Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa estima que existam mais de 3 mil haitianos trabalhando no Rio Grande do Sul. Em função das trocas de emprego e cidade, já não se sabe exatamente por onde eles estão espalhados. 

Via Zerohora

Náuatles criam sua própria polícia ante a violência institucional

Dez comunidade náuatles do núcleo comunal de Temalacatzingo constituiram formalmente a Polícia Cidadã e Popular (PCP), com mais de 100 integrantes, entr os quais se encontram também mulheres. No ato de repúdio a Enrique Peña Nieto como presidente imposto do México, vieram representações de Cualac, Chilpancingo, Morelos, a Univerdidade Autonoma da Cidade do México, a Frente Popular Revolucionária, Brigada da justiça e várias aldeias de La Montaña.



A constituição do PCP foi consultada e aprovada em assembléias populares e existe principalmente ante aos ataques de violência, crime organizado e violência institucional que tem prevalecido na área.



Temalacatzingo é uma comunidade estabelecida desde os tempos pré-hispânicos em La Montaña del Guerrero, onde se fala Nahuatl como na maioria das outras comunidades e onde se faz trabalhos artísticos com laca.

Atualmente, disseram os membros do conselho, "continua o ataque neoliberal distruindo o planeta além de continuar seus embates de repressão como se deu nos protestos contra Peña Nieto, em que a Frente Nacional protestava contra a imposição (do presidente), assim como ocorreu com os estudantes em 68 ou os indígenas massacrados em Acteal"

Ver mais em Los Angeles Press

América Latina solidária deseja melhoras à Chávez

 A solidariedade da América Latina com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, destaca neste Domingo nos pronunciamentos em favor da saúde do estadista, quem deverá submeter-se a uma nova intervenção quirúrgica.

Neste sentido, neste Domingo, o governo do México manifestou seus melhores desejos pelo êxito da operação, assim como a plena recuperação do mandatário e a chancelaria mexicana ratificou uma vez mais a solidariedade com o povo e governo de Venezuela.

De igual forma se pronunciou o presidente do Chile, Sebastián Piñera, através da rede social Twitter, ao desejar a Chávez "muita fé, força e uma pronta recuperação".

De Barcelona (Espanha), o chefe de Estado da Bolívia, Evo Morales, expressou a solidariedade, admiração e respeito do povo de seu país ao mandatário venezuelano.

O mandatário boliviano ressaltou que Chávez venceu batalhas ideológicas, econômicas, eleitorais, e também a primeira parte pela vida. "Esta é uma nova batalha pela vida e será também vencida, como tantas vezes foi", acrescentou.

"Presidente neste momento tão difícil, muita sorte, muita fortaleza, pelo bem da pátria grande", enfatizou.

Por sua parte, o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, expressou a solidariedade de seu país com o presidente Chávez e se mostrou confiante no êxito da intervenção quirúrgica.

Chávez informou na rede nacional de rádio e televisão que depois de detectarem células malignas no mesmo lugar onde apresentou um tumor cancerígeno, deverá submeter-se a uma nova operação.

Nesse sentido, a Assembléia Nacional da Venezuela autorizou neste Domingo a viagem do estadista a Cuba para o procedimento médico.

Via Patriagrande

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

China: onde tudo parece desumano, um cão ensina lealdade

Na China, um cachorro cuidava de seu dono que tinha desmaiado no meio da rua. Os enfermeiros, comovidos com a lealdade do cãozinho, deixaram acompanhar seu dono na ambulância.

O cão se manteve firme e ladrava a todos que se aproximavam do dono desacordado. Depois do dono ser posto na ambulância, o cãozinho o procurou desesperadamente pelo chão, até o farejar na porta da ambulância, quando resolveu pular para dentro e acompanhar seu amo.


domingo, 9 de dezembro de 2012

Breve tratado da rebelião

Por Robert de Herte

 Ernst Jünger escreveu em 1951 no "Tratado do Rebelde": "Para o rebelde são indispensáveis duas qualidades. Rechaça deixar-se prescrever as leis do poder, se usarem a propaganda ou empreguem a violência. Sua decisão é defender-se". Dominique Venner agregou: "Aquele que os rebeldes tiveram em comum em todos os tempos é de fato de ter descoberto, por diversas maneiras, uma cincompatibilidade absoluta entre seu próprio ser e o mundo em que lhes tocava viver".

O rebelde rechaça, com sua conduta, a ordem em que está dada o mundo em que foi jogado. O rechaça em nome de uma legitimidade que se encontra mais além da legalidade. O rechaça porque encontra a legitimidade e a norma em si mesmo [...]. Seu rechaço é total. O rebelde é aquele que não crê, despreza aqueles que buscam deslumbrá-lo fazendo-lhe ver honras, interesses, privilégios e reconhecimentos. Na mesa de jogo, é aquele que não joga: o espírito do tempo resbala sobre ele como a água sobre as pedras. Espírito livre, homem livre, não coloca nada por cima da liberdade da mente e da pessoa. Ele mesmo é expressão de liberdade. "É rebelde, quem está imerso na liberdade, lei de sua própria natureza", escreveu Jünger.

Ele não é somente um homem que rechaça submeter-se. Certamente, como o que resiste ou o dissidente, o rebelde é a prova de que uma alternativa é sempre possível, rebelião não somente ligada às circunstâncias; é de ordem existencial. O rebelde sente fisicamente a impostura, a sente instintivamente. Dissidente se faz, rebelde se nasce. O rebelde é rebelde porque qualquer outro modo de ser lhe é impossível. O resistente deixa de combater quando carece de instrumentos. Mas o rebelde, ainda em prisão, continua sua rebelião; por isso pode ser considerado um perdedor, sem embargo, não é vencido jamais. Os rebeldes não sempre podem mudar o mundo, mas o mundo nunca logrou mudá-los.

Antes um mundo ao qual sente desprezo ou desgosto, o rebelde não pode considerar satisfatória a indiferença, que é demasiado próxima à neutralidade. O rebelde está feito para a luta, ainda que a mesma seja sem esperança. Não é um renunciante. O rebelde se sente estranho no mundo em que habita, sem todavia desejar deixar de habitá-lo: sabe que se pode nadar contra a corrente à condição de não abandonar o leito do rio.

Pertence a essa minoria que em todas as épocas prefiriu o perigo à escravidão, sabe que o respeito de si sempre deve ser conquistado. Seu distanciamento, puramente interior, não impede o contato, dado que tal contato é necessário para a luta. Se "recorre ao bosque", não o faz para refugiar-se - sem bem frequentemente é um bandido - senão para retomar a força vital. "O bosque sempre está presente", prossegue Jünger. "Existe o bosque no deserto como na cidade, onde o Rebelde vive escondido sob a máscara de qualquer profissão. Existem bosques na própria pátria, assim como sobre qualquer solo onde pode expressar sua resistência. Mas sobretudo existe bosques atrás das linhas inimigas".

O revolucionário persegue um objetivo; não necessariamente é assim para o rebelde. O rebelde pode lutar para afirmar um estilo. Luta porque não pode fazer outra coisa que lutar. O revolucionário entende chegar a um objetivo, enquanto o rebelde encarna, ante tudo, um estado de ânimo. O rebelde despreza o jogo de deixar-se arrastar pela onda extremista e a manipulação presentemente eficaz dos "slogan". não se encontra entre aqueles que se limitam a anunciar o Apocalipse, sem ter o mínimo de capacidade para dar-lhe o remédio.[...]

No "curso da história", em compensação, o rebelde reconhece o instante e o captura. Para romper o cerco, para tentar introduzir um grão de areia na máquina, racionaliza sobre situações concretas. Determina a estratégia em relação com o que vê transcorrer sob seus olhos, não recorre a modelos superados. O rebelde é antes que nada móvel. Mobiliza o pensamento e o torna móvel. Não é soldado, sim guerrilheiro. Não conduz operações regulares, lança golpes de punho. Não está por trás de uma linha de frente, mas atravessa toda as frentes. O rebelde pode ser ativo ou contemplativo, homem de conhecimento ou de ação. No plano estratégico pode ser lobo ou leão. Existem de diversos tipos. No âmbito do pensamento, foram rebeldes Péguy, Bernaros, Orwell, e mais recentemente Jack Keourac, Dominique de roux, Burroughs, Passolini, Mishima, Jean Cau [...], no âmbito da ação, depois de tantos "despertadores de povos", podemos citar o subcomandante Marcos que, sem cometer nenhum atentado, defende de modo exemplar a liberdade dos indígenas de Chiapas. De Robin Hood aos zapatistas, a filiação é uma só.

Os rebeldes sempre existiram, mas o mundo atual lhes reserva um rol de todo particular. Durante a modernidade, o rebelde aparecia rechaçado com respeito ao revolucionário: se estimava que estava privado de uma clara consciência ideológica e que preferia o jogo desordenado das reações instintivas às estratégias largamente meditadas. Hoje que a modernidade está concluindo, eles reencontram o posto e lhes corresponde.

A globalização faz da Terra um mundo privado de exterior, privado de outra parte, que não é possível atacar partindo de um ponto mais além de si mesmo. Um mundo deste tipo não é impulsionado à explosão, mas a uma depressão implosiva. O rebelde está apto para este mundo porque anima redes e propaga suas ideias de forma viral. Desde este ponto de vista, é também uma figura pós-moderna, mas antagonista. De um modo sempre mais homogêneo encarna a singularidade.

É um ponto opaco em um mundo lançado á transparência totalitária, um sujeito em um mundo de objetos virtuais, um sedicioso por excelência em um mundo civilizado virado em policial. Um estranho que pode ser bem excluído em nome da luta contra a exclusão, se não fora que preventivamente  o mesmo se excluiu.

É aqui porque, em um certo sentido, o futuro pertence ao pensamento rebelde, ao pensamento que desenha inéditas frentes de batalha, esboça uma nova topografia, prefigura outro mundo. Porque a história sempre fica aberta. Jünger disse chamar Rebelde aquele "que isolado e privado da pátria pela marcha do universo, se vê entregado à nada". E escreve "quando um povo inteiro se prepara para passar ao bosque, se converte em uma temível potência".

[Robert de Herte é pseudônimo de Alain de Benoist. Este ensaio foi publicado em "Elements" Nº 101, Maio de 2001, Paris, e em "Diorama" Nº 245, Maio-Junho de 2001, Florencia]
 
 
[Tradução de Álvaro Hauschild]

Irã propõe ajuda para Uruguai se tornar independente

 Da Pérsia. O vice-chanceler disse que o Irã pode ter com o Uruguai uma relação tão estreita como as que mantém com Venezuela e Bolívia. Afirmou que uma guerra com Israel não teria retorno.

Irã afirma que estão dadas as condições para levar as relações diplomáticas com Uruguai a um plano mais profundo e põe como exemplo sua estreita cooperação com Bolívia e Venezuela em diversos assuntos.

O vice-chanceler do Irã para a América e Europa, Ali Asghar Khaji, realizou na Sexta-Feira uma visita oficial ao Uruguai e manteve reuniões com seu par uruguaio, Roberto Conde, e o presidente da Câmara de Deputados, Jorge Orrico (FA).

O funcionário do governo iraniano disse ao El Pais que os encontros foram "excelentes" e que a intenção de seu governo é aprofundar os laços com Uruguai.

"Durante as últimas décadas, América Latina tem sido testemunha de evoluções muito importantes. Movimentos populares que perseguiam o objetivo de soberania e uma independência verdadeira para seus povos lograram triunfar e governar. Um dos princípios básicos da República Islâmica do Irã é a independência, e por isso resulta natural que se acerque a esses países que transitam por esse caminho de independência. Isso permite que exista um ambiente de colaboração entre Irã e diferentes países da América Latina", afirmou Khaji.

Destacou que com Uruguai há pontos de vistas comuns para estabelecer uma excelente relação bilateral. "Há uma boa base para avançar", indicou. Salientou que as economias de ambos os países podem se complementar em diversos assuntos e anunciou que já teve contatos a nível científico para promover transferência tecnológica.

Afirmou que Uruguai pode lograr uma relação tão estreita como a que hoje Irã mantém com países como Venezuela e Bolívia, onde há um alto grau de transferência do conhecimento gerado em diversos assuntos pela nação persa.

"Os grandes meios não dizem que Irã é a economia número 17 do mundo. Que de acordo com registros internacionais, se encontra entre os primeiros países do mundo em assuntos de conhecimento científico e tecnológico. No desenvolvimento de nanotecnologia e biotecnologia, Irã está entre os dez primeiros países do mundo, e é dos mais avançados de sua região em matéria de produção de cimento, aço, máquinas agrícolas, produção de sementes, etc. Nada disto se diz por parte dos grandes meios", insistiu Khaji.

Quanto á região, disse que a política de seu governo é "colocar à disposição dos governos amigos da América Latina todo o desenvolvimento do conhecimento científico, industrial ou agrícola. Essa é nossa mostra de amizade. Ao invés de buscar os interesses econômicos, comot emos o princípio da independência dos países, estamos dispostos a transferir nossa tecnologia aos países amigos como Uruguai para que eles encontrem sua própria independência".

E disse, "na Venezuela, ao invés de exportar cimento construímos uma fábrica de cimento. Também construímos uma fábrica de automóveis e tratores. Na Bolívia, instalamos fábricas de produção de lácteos, construímos um hospital, capacitamos em nosso país jóvens bolivianos em distintas áreas. Consideramos o avanço de outros países como nosso próprio avanço".

Também sublinhou que o intercâmbio comercial pode aumentar. Uruguai vende arroz, carne, lácteos e lã ao Irã e importa petróleo, agroquímicos e fertilizantes.

A visita do vice-chanceler iraniano, não muito publicitada pelo governo, ocorre em momentos em que a relação do governo com Israel atravessa um período de tensão pelas posturas políticas assumidas frente ao conflito de Gaza.

Via El País

Os novos maias desmentem teoria do fim do mundo


 Três sábios maias chegaram a Cuba para acender um dos últimos fogos sagrados para se despedir desta era e saudar à que nasce no próximo 22 de Dezembro. O fizeram em uma praça de La Habana ante a presença de centenas de cubanos que participaram com oferendas para agradecer à Mãe Terra, ao Sol, ao rio e ao mar.

Maria Faviana Cuchoy, Pedro Yac e Rosalina Tuyc foram os primeiros maias que acenderam um fogo sagrado em Cuba porque "é uma fortuna talvez vir a compartilhar aqui com os irmãos cubanos através destes conhecimentos e valores que também eles se irradiaram para muitos povos na América e em outros continentes", disse ao público Rosalina, cuja família foi massacrada nos anos 80.

P: Por que se diz que vocês são sábios maias?

R: Bom, assim nos apelidaram, nós não somos os que colocaram estes títulos e categorias, simplesmente nós somos filhos e filhas da Mãe Terra e responsáveis também para poder cuidar de todo retorno que temos principalmente nestes tempos de crise, crise de valores, crise econômica, crise política, crise também do aquecimento global. Na Terra todos somos responsáveis a os povos indógenas em maior quantidade em todas partes do mundo temos dito que a terra pertence aos povos indígenas, pertence à humanidade e que portanto necessitamos cuidá-la, protegê-la, não pô-la todos seus recursos ao mercado.

P: Se vulgarizou um pouco internacionalmente o tema do ano 2012, realmente. O que é que anunciam os maias?

R: Bom, os avós maias sempre tiveram em mãos o calendários maia e neste calendários maia se trabalhou com a contagem do tempo,  através de toda a astronomia, através do movimento também da Terra, o movimento do Sol, da Lua, das estrelas. Em base a estes movimentos os maias puderam contar milhares e milhares de anos adiante. Então, a contagem do tempo começa com um dia, logo com 20 dias, logo com um ano.

O tempo que vamos finalizar em 21 de Dezembro é uma era de 400 anos, e obviamente as pessoas atuais, já não manejamos toda essa contagem, porque vivemos 500 anos ou mil anos, se vivessemos mais anos estou segura de que manejaríamos todos os seres essa contagem. Mas os avós maias iluminados através dos distintos movimentos do universo puderam decifrar estes tempos.

Ao finalizar esta etapa, vimos tantas coisas e somos testemuunhas de muitas atrocidades, mas também de grandes valores da vida e aprendizados que vamos a adquirir. Nesse novo tempo vamos começar, esperamos novas mudanças, novas transformações por exemplo, vão acontecer mudanças políticas. Muitos governos previram que em 20 anos haveria zero pobreza e se equivocaram, muitos disseram que as crises não iam afetar os países bem desenvolvidos e afetoou, que não iam ter guerras e tivemos.

Creio que agora em todo este sistema que os maias contaram e que estiveram juntos, caminharam juunto ao tempo sozinhos, nós temos que nos sentir felizes, orgulhosos e privilegiados de poder observar a vinda de um novo Sol, e este novo Sol exatamente começaria em 22 de Dezembro.

P: Por que acender um dos últimos fogos sagrados em Cuba?

R: Bom, eu diria que são...talvez são passos escritos pelos antepassados porque nós consideramos pois de que os tainos (indígenas cubanos) de aqui foram os primeiros, e lamentavelmente se desconhece sua existência. Sem embargo, estou completamente segura de que nos fica um grande legado que nos deixaram nas construções, em sua utilização, costumes, terras. Creio que há muita conexão com a água, muita conexão com estas terras sagradas.

Lamentavelmente, muitos povos indígenas foram exterminados pelas leis e pelas políticas também e isto invisibilizou sua existência, tal igual nos passa com os maias de Guatemala. Nossa sociedade disse, os maias foram, eram ou estiveram ali, mas não reconhecem que nós somos parte deste legado.

Temos e estamos todavia na contagem do tempo, por isso é uma fortuna talvez vir a compartilhar aqui com os irmãos cubanos através destes conhecimentos e valores que também eles irradiaram para muitos povos na América e em outros continentes.

P: Quais valores, por exemplo?

R: Os valores de solidariedade, os valores de todos os aprendizdos na educação, na saúde. Que seria a outra maneira de ver o desenvolvimento,, em muitos de nossos países, para mim é impressionante ver que aqui o grau de preparação acadêmico é muito alto. Se por acaso em Guatemala, os povos indígenas talvez há uns 3 ou 5% que vão à universidade. Lá se queremos entrar a um ciclo educativo temos que pagar, se não tivermos como o fazer ficamos de fora.

P: Mas vocês tem aqui jovens estudando?

R: Creio que isso é uma enorme fortuna que tenhamos gente nossa aqui, ainda que lá não se valoriza esses conhecimentos que levam, mas são grandes aprendizados.

P: Muito obrigado.


Via Publico