sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Taxa de suicídio entre alemães do Vale do Taquari e seus motivos

Segundo o Jornal A Hora, Forquetinha tem a maior taxa de suicídios do país. Reproduziremos a notícia abaixo:


A cada 45 minutos, uma pessoa comete suicídio no país. Das cinco cidades com maior prevalência de atentados contra a própria vida, três estão no RS, sendo duas no Vale do Taquari. Os dados foram divulgados ontem pelo governo federal.

Ao apresentar o primeiro boletim epidemiológico nacional sobre suicídio, o Ministério da Saúde emite o alerta sobre o aumento de 12% no número de registros em quatro anos. A divulgação faz parte das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção.

O ranking nacional de casos é liderado pelo município de Forquetinha. Em média, são registrados 78,7 casos a cada cem mil habitantes na cidade, bem acima da taxa de mortalidade brasileira, de 5,7 para cada cem mil.

A cidade de Taipas, no Tocantins, aparece na segunda colocação, seguida por Travesseiro. O município do Vale do Taquari tem índice de 57 casos para cada cem mil habitantes. A quinta cidade com maior prevalência é André da Rocha, também no RS. Ao todo, 23% dos casos do país são registrados na Região Sul.

Durante a apresentação dos dados, a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis, Fátima Marinho, afirma que os números podem ser ainda maiores, uma vez que existem casos que não são registrados, devido aos tabus em torno do tema.

Todos os anos, ocorrem em média 11 mil mortes autoprovocadas no paí. Idosos com 70 anos ou mais apresentaram as maiores taxas, com 8,9 suicídios para cada cem mil habitantes. Conforme Fátima, entre os fatores que contribuem para isso, estão a maior prevalência de doenças crônicas, depressão e abandono familiar nessa faixa etária.
O avanço dos suicídios entre jovens também preocupa o ministério. Hoje, ele é a quarta causa de morte de brasileiros entre 15 e 29 anos. O boletim ainda indica crescimento nos casos na faixa etária entre 10 e 19 anos, que passaram de 782 em 2011 para 893 em 2015.
Sinais de alerta

O Ministério da Saúde também enumerou os principais fatores de risco para o suicídio. Entre eles, estão transtornos mentais como depressão, alcoolismo e esquizofrenia, questões sociodemográficas, como isolamento social, e psicológicas, como perdas recentes.

Condições de saúde incapacitantes, como lesões que desfiguram o paciente, dor crônica e neoplasias malignas também são sinais de alerta. De acordo com o ministério, nenhum desses aspectos podem ser considerados de forma isolada, e cada caso deve ser tratado de forma individual.

O estudo mostra que a proporção de óbitos por suicídio foi maior entre as pessoas que não têm um relacionamento conjugal. Do total de mortes, 60,4% eram de pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas, contra 31,5% de casadas ou em união estável.

Conforme Fátima, ao mesmo tempo em que o casamento se torna um fator de proteção para o homem, no caso das mulheres, os índices de suicídio aumentam devido à violência doméstica. Das 48.204 pessoas que tentaram tirar a própria vida entre 2011 e 2016, 69% era mulheres e 31% homens.

Por outro lado, a taxa de mortalidade por suicídio dos homens é quatro vezes maior, com uma média de 8,7 casos para cada cem mil habitantes. No caso das mulheres, são registrados 2,4 óbitos para cada cem mil pessoas.


Depois de Forquetinha, Travesseiro é a terceira cidade, que está literalmente ao lado da primeira. Mas, segundo informações informais, o bairro de Conventos de Lajeado, alguns quilômetros longe destas cidades, tem índices de suicídios ainda maiores.

As autoridades insistem em debates inúteis em volta de depressão, esquizofrenia e afins. O que não faz o menor sentido. As autoridades estão se cegando, estão negando uma investigação séria sobre o assunto, abandonando o povo à própria sorte. Outro motivo que costumam dar para os índices é o uso de agrotóxicos e a indústria de fumo; mas o que explica as taxas entre os jovens, que crescem em zonas de intensa urbanização? Forquetinha e Travesseiro não possuem plantações de fumo, por exemplo. Mas elas têm algo que pode nos levar ao verdadeiro motivo: perda de identidade social.

Os alemães do interior do país talvez sejam, depois dos índios das matas, o povo que mais sofre com a brutal urbanização de suas cidades e commoditização de sua cultura. A perda de uma formação psicológica do sujeito do indivíduo, jogado no mercado de trabalho, arrancado de suas tradições familiares, com certeza têm muito que ver aí. Cresce o turismo nas regiões germânicas, e enquanto alguns homens lucram com a "cultura", muitas famílias, empobrecidas, são obrigadas a abandonar suas terras, suas casas, e se tornam parte da brutal classe proletária das grandes cidades, no caso do Val do Taquari: Lajeado.

Ocorre aqui algo semelhante ao que já tivemos a oportunidade de citar sobre os índios. No caso dos alemães, deve-se acrescentar o fator do feminismo, que no Rio Grande do Sul avança com ferocidade maior do que nos outros estados do país. Antigamente, os casamentos arranjados davam um caminho, uma identidade certa ao sujeito, uma terra para plantar com o dote, etc. A geração de jovens atual é a primeira que está plenamente "livre" disto, e cresceu em baladas (dever-se-ia investigar o papel das baladas que Lajeado tem, cidade que surpreende pela mentalidade "baladeira" talvez mais que qualquer outra no país todo), cresceu na disputa de egos, na disputa por vestidos caros, sucesso e ganhos pessoais, sejam financeiros ou afins. A feificação da sociedade germânica, ao longo de "Oktobers" regadas por rappers negros, uma insistência na destruição e na negação da identidade germânica instigada por autoridades e pelos grandes empresários, interessados na dissolução da comunidade germânica, está firmemente ligada ao suicídio crescente.

O individualismo neoliberal, e o consequente isolamento social que decorre da dissolução das identidades e das relações sociais, é o fator que mais corrói o gaúcho, sobretudo o alemão dos vales. Tiraram-lhe a oportunidade de ser alemão, e tudo perdeu para ele o sentido de ser, a sociedade em primeiro lugar e, em seguida, a própria vida. O caso dos índios é sintomático e muito semelhante: tiraram-lhes o que lhes tornavam índios, seus rios sagrados, suas terras, suas organizações tribais.

Então, de modo algum pode-se colocar o fator genético como causa, como as pesquisas também gostam de citar. O alemão se mata não porque tem genética para isso, mas porque está sendo introduzido pela força a uma sociedade que não reflete suas potencialidades internas, suas características psico-físicas. A pobreza que avança entre agricultores é outro fator, pois ela é responsável pelo desenraizamento das famílias e sua dissolução interna. O alemão que sai da região dos vales é, também, o principal suicida nas outras regiões, como é o caso de Santa Maria e Porto Alegre, onde índices entre outros povos é sempre mais raro.

Está na hora de as autoridades brasileiras abrirem os olhos para a realidade e abandonarem esse dramatismo em torno de "transtornos" dos quais eles sequer se preocupam em estudar as causas. Quanto mais insistem em "apoio emocional", pior fica a situação. Que tipo de respeito uma autoridade destas merece?

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