quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Islandeses derrotam o Governo e reescrevem constituição após fraude bancária - E nenhuma palavra da mídia americana

Por Rebecca Savastio

Você se imagina participando de um protesto frente à Casa Branca e forçando todo o governo estadunidense a recuar? Você pode imaginar um grupo de cidadãos comuns escolhidos aleatoriamente reescrevendo a constituição para incluir medidas proibindo fraudes corporativas? Isso parece incompreensível nos Estados Unidos, mas os islandeses fizeram isso. Os islandeses forçaram todo seu governo a ceder após o escândalo de fraude bancária, derrotando o partido governista e criando um grupo de cidadãos encarregados de escrever a nova constituição que oferece a solução para prevenir que a ganância empresarial destrua o país. A constituição da Islândia foi desfeita e está sendo reescrita por cidadãos comuns; usando a técnica crowdsoursing ("fornecimento pela multidão") via canais de redes sociais como Facebook e Twitter. Esses eventos acontecem desde 2008, e ainda não há nenhuma palavra da grande mídia estadunidense sobre algum deles. Na verdade, todos os eventos que ocorreram foram registrados por jornalistas internacionais, agências de notícias estrangeiras, cidadãos jornalistas e blogueiros. Isso criou uma corrente de acusações de um encobrimento internacional da história pelas fontes de notícia da grande mídia estadunidense.



Um "iReport" no CNN, escrito por um cidadão comum em Maio de 2012 questionou os motivos por que essa revolução não foi largamente coberta nos Estados Unidos, sugerindo que talvez a grande mídia é controlada por grandes interesses corporativos e então se encontra relutante em noticiar as atividades islandesas. Este informe está abrindo caminho pela mídia social. O CNN postou uma declaração em seu site dizendo: "Nós percebemos que esse iReport é largamente compartilhado no Facebook e no Twitter. Por favor note que esse artigo foi postado em Maio de 2012. CNN não verificou as reivindicações e estamos trabalhando para localizar o escritor original." É interessante notar que no CNN Europe já cobriu os protestos e a submissão do governo, levando muitos a questionar por que CNN deveria "investigar" agora as reivindicações.

Além da própria cobertura do CNN Europe do escândalo, os eventos na Islândia foram largamente cobertos pela mídia internacional e são facilmente verificáveis em uma simples busca no Google que leva a uma variedade de fontes de notícias confiáveis que seguem com inúmeros reportes sobre a revolução Islandesa. Todo um documentário foi feito sobre a derrota governamental chamado Pots, Pans and other Solutions, e agora, a discussão se foca em se as ações dos cidadãos realmente cooperam em tornar a Islândia uma nação mais justa.

Para entender a magnitude do que aconteceu na Islândia, o melhor e traçar paralelos entre a fraude bancária inicial que causou o colapso da economia islandesa e a fraude bancária nos Estados Unidos que causou a crise hipotecária seis anos atrás. Na Islândia, banqueiros inescrupulosos inflacionaram o valor dos bancos islandeses a nível internacional o que causou a "bolha" que finalmente estourou em 2008 e viu a maioria dos bancos irem à falência.

Uma situação parecida ocorreu nos EUA apenas um ano antes do colapso na Islândia, com a crise hipotecária em 2007. Os credores hipotecários estadunidenses conscientemente emprestaram dinheiro aos futuros proprietários que não podiam se dar ao luxo de comprar uma casa. Isto, por sua vez, levou a valores de casas falsamente inflacionados e a um ciclo vicioso de muitos empréstimos. Assim como na Islândia, a bolha estourou e muitos banqueiros estiveram prestes a declarar falência. Na Islândia, os cidadãos tomaram as ruas aos milhares, bateram panelas e frigideiras no que foi conhecido como "revolução das panelas e frigideiras" (N.d.T.: o que é conhecido na América do Sul como "panelaço"), levando à prisão e perseguição dos banqueiros inescrupulosos responsáveis pelo colapso econômico. Os cidadãos islandeses também se recusaram a pagar pelos pecados dos banqueiros e rejeitaram qualquer medida tributária para socorrê-los. Nos Estados Unidos o governo socorreu os banqueiros e não prendeu ninguém.

A revolução das panelas e frigideiras não foi coberta pela grande mídia estadunidense. Na verdade, qualquer informação sobre essa revolução se encontra somente nos noticiários internacionais, blogs e documentários online, e não nos artigos de primeira página como seria o esperado de organizações de notícias cobrindo um evento dessa magnitude. O New York Times publicou um pequeno punhado de notícias, blogs e partes de opiniões, mas sobretudo camuflou a narrativa principal dizendo que o colapso financeiro de 2008  causou "caos muito além das fronteiras nacionais" ou invés de apontar que os islandeses tomaram as ruas com panelas e frigideiras e forçaram seu governo a ceder.

Como diz o ditado, "há dois lados para cada história", mas uma versão pais apropriada da frase seria "em qualquer história, há vários lados, opiniões, pontos de vista e perspectivas". A história na Islândia não é exceção. Blogs Socialistas e Marxistas aqui nos EUA afirmam que houve uma grande conspiração dos noticiários que encobriu a revolução islandesa porque a mídia é controlada por corporações, incluindo bancos, e os "poderes constituídos" não querem que cidadãos estadunidenses recebendo nenhuma ideia para uma revolução própria. Alguns blogueiros conservadores islandeses alegam que enquanto houve de fato uma revolução, esta não levou a uma constituição bem sucedida e de ampla aceitação. Eles dizem que a situação na Islândia está pior do que nunca, e que os reportes internacionais de um efetivo levante democrático levando a um melhor governo são simplesmente mitos. Comentaristas de mídia social estão coçando suas cabeças sobre por que eles foram roubados da história da revolução de panelas e frigideiras da Islândia.

Como a maioria das narrativas, a verdade pode estar em algum lugar no meio de todas essas perspectivas. No entanto uma coisa é clara: é impossível encontral algum noticiário da grande mídia estadunidense informando sobre a revolução na Islândia, a resignação do governo inteiro e a prisão dos banqueiros responsáveis pelo colapso econômico por lá. Tenha a revolução levado ou não a um governo viável e a uma constituição eficaz é irrelevante frente ao fato de que a mídia americana simplesmente ignorou esse evento nos últimos cinco anos.

É possível que as fontes da grande mídia tenham encoberto propositalmente os eventos na Islândia para apaziguar seus patrocinadores? Não parece possível, ainda assim, que a explicação poderia ser dada ao porque essas notícias nunca foram parar nas primeiras páginas das nossas mais confiáveis organizações midiáticas aqui nos Estados Unidos?

Como a Islândia luta para recuperar sua fundamentação com um novo governo, os cidadãos norte-americanos podem ou não serem capazes de olhar para a Islândia como um exemplo de democracia perfeita em ação. A verdadeira questão, porém, é por que não foram dadas aos cidadãos norte-americanos a informação sobre a destituição do governo islandês e a prisão dos banqueiros inescrupulosos? Estão os jornalistas no controle dos principais meios de comunicação ou há alguma verdade nas acusações de que as grandes empresas podem, de fato, forçando os jornalistas a manter o silêncio sobre os acontecimentos mundiais que podem inspirar ações semelhantes aqui em os EUA?

Via Las Vegas Guardian Express 

Tradução por Conan Hades

Nota do Blogueiro: Algo muito semelhante pode ser constatado entre as mídias de Língua Portuguesa, alguma informação pode ser encontrada em blogs, sites ou midia alternativa (inclusive publicado pelo próprio Portal Legionário aqui e aqui), porém um silêncio total da grande mídia a respeito dos fatos que ocorreram na Islândia após 2008. Tal qual grupelhos que se entitulam "conservadores" porém criticam manifestações populares sem ao menos apresentar uma única solução viável, ao contrário, pregando a manutenção das estruturas corruptas, isso sem levar em conta a possibilidade destes ultimos estarem veiculando informações distorcidas ou falseadas.

Austrália anula lei que permite matrimônio homossexual


O Tribunal Superior da Austrália anulou nesta quinta-feira a lei que permitia os matrimônios entre pessoas do mesmo sexo na capital do país, que inclui Camberra, por considerá-la inconstitucional.

A legislação que foi aprovada em outubro pelo governo regional 'é inconsistente com a Lei Federal de Matrimônios de 1961, e por isso contraria a Constituição", segundo salienta a falha da máxima instância judicial australiana.

De acordo com o ditame do Tribunal, a lei nacional, que define o matrimônio como uma união entre um homem e uma mulher, representa uma declaração completa e exaustiva das leis do matrimônio.

"A Corte sustenta que o objeto da Lei do TCA é garantir igualdade do matrimônio para parelhas do mesmo sexo e não para reconhecer legalmente uma relação, o que é relevantemente distinto da relação de matrimônio que contempla a lei federal", disse.

Em conclusão, a Lei do TCA não pode operar ao mesmo tempo que a Lei federal", concluiu pela agência local AAP.

Portanto, indicou que o Parlamento da Austrália tem o poder, amparado na Constituição do país, de legislar sobre o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

A decisão implica a anulação dos matrimônios dos trinta pares homossexuais que, desde o fim de semana passado, tinham casado até agora nesta jurisdição.

O tribunal indicou que adiantou sua decisão para esclarecer a situação às pessoas que queriam se amparar nessa lei e salientou que tomará um tempo para emitir todos os detalhes de sua falha.

A decisão judicial supõe uma vitória para o governo da Austrália, liderado pelo conservador Tony Abbott, que impugnou a lei do TCA depois de sua aprovação.

O matrimônio entre pessoas do mesmo sexo é legal na Holanda, Espanha, Bélgica, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia, Argentina, Dinamarca, Uruguai, Brasil, Nova Zelândia e França.

Da mesma forma é legal em certas partes dos EUA e em alguns outros territórios como a capital do México, o estado mexicano de Quintana Rojo, ou o pequeno estado brasileiro de Alagoas.

via Telesur

Vende-se meninas sírias na Arábia Saudita


Uma onda de críticas foi levantada na Arábia Saudita depois que foi emitido um anúncio de venda de meninas sírias na capital do Estado árabe, Riad.

Segundo a rede de televisão de AL-Alam, no anúncio se menciona o preço de cada menina síria, que é 10 mil reais sauditas (quase 9 mil dólares).

Para vários ativistas sauditas, se trata de um negócio com a crise síria e se interpreta como um uso indevido das necessidades dos refugiados sírios.

Não são poucos os informes que emitiram as organizações e entidades pró-direitos humanos a respeito da má situação que vivem os quase 1,9 milhões de refugiados sírios nos campos instalados em países vizinhos.

Em 14 de julho, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediu ajuda urgente da comunidade internacional para os refugiados sírios, em especial para as mulheres e crianças que estão altamente expostos a diferentes tipos de abusos na Jordânia.

Desde meados de março de 2011, a Síria vive fortes distúrbios e massacres indiscriminados, planejados desde o exterior; uma situação crítica que é agravada com o passar do tempo, devido aos incessantes atos de violência protagonizados pelos terroristas, que buscam derrubar o governo sírio.

N.doB.: Os países que apoiam os terroristas são principalmente Israel, Turquia, EUA, França, Arábia Saudita e Reino Unido. A OTAN, em suma, está por trás da distribuição de armas e pessoas, que entram no território sírio através da Arábia Saudita e da Turquia.

O mesmo ocorre agora na Ucrânia, cujo governo legítimo está sofrendo um golpe da OTAN aliada à União Europeia, e há ameaça de uma nova guerra na Europa entre os atlantistas e as potências da terra, estas últimas representadas principalmente pela Rússia. Ademais, o objetivo último do terrorismo midiático e da ameaça de uma guerra civil na Ucrânia, orquestrados pelos atlantistas, é arrancar a Ucrânia da aliança com a Rússia com fim de dominá-la, como ocorre em todos os países em que os atlantistas enfiam suas tropas (p. ex. Iraque, Líbia, Afeganistão, Palestina, Kôsovo etc.).

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A Função da Beleza na Vida

Por Prado Esteban - "Breve e raro é o belo em sua delicadeza e vulnerabilidade"
Max Scheller

A beleza, a transcendência e a sublimidade formam parte das necessidades básicas, as mais primárias, se se deseja conservar a civilização, sem embargo o peculiar da condição humana é que esta se localiza entre o sórdido e o bestial e entre o sublime e grandioso. Muitas correntes filosóficas tentaram superar essa condição enfrentando o corpo e a consciência, apresentando ao sábio, que é capaz de boa vida, desvinculado de todo o baixo e vil da nossa natureza. Tal projeto só é possível para uma minoria, porque exige descarregar sobre a maioria o considerado degradado, mas que é imprescindível para a vida, quer dizer, só é possível em uma sociedade da escravidão.

Mas, além disto, esta ideia descabida decompõe e perverte a natureza do humano tanto quanto ou mais que as outras correntes bestialistas que tomam nosso ser sensível mais elementar como único fator a ter em conta e o alimento dos impulsos e as satisfações grosseiras do corpo como meta essencial da vida.

O certo é que ambas são ideologias da negação da nossa natureza autêntica que é indissoluvelmente bipartida e ambas renegam o humano da mesma forma, quer dizer, nos desumanizam. Se defendemos a reumanização como fator de recuperação de nosso potencial como sujeitos, temos que aprender a aceitar e afirmar nossa humanidade tal como é, com todos seus constituintes.

O comum é assumir que se se deseja uma sociedade sem castas governantes, esta viverá voltada para as necessidades materiais e alheia à beleza e sublimidade, assim os movimentos populares do presente decretaram a centralidade do doméstico e fisiológico, do pequeno e funcional, salientando de burguês tudo que se distancia do imediato e somático.

Nada há de mais falso que considerar herdeiras da tradição popular estas novíssimas correntes que são filhas significadas da modernidade e entrelaçam também com outros momentos da história nos quais o povo desapareceu para se tornar plebe ou populacho, grupo marginal e humilhado, preso a sua condição de escravo e dependente de seus amos.

Quando o povo foi povo, o que em nosso redor foi uma situação comum por um espaço de tempo muito grande, se dotou de uma cultura material e espiritual própria que se girava sobre a ideia de realçar o humano e suas necessidades em todas suas dimensões e complexidade. Por isso as necessidades físicas e espirituais da espécie foram tomadas em seu conjunto como fundamentos de sua dignidade.

Assim um ato tão primário e elementar como o comer não foi nem considerado o centro da existência nem desprezado por seu caráter de necessidade fisiológica, pelo contrário foi elevado e dotado de respeito enquanto ato humano. Basta observar a beleza dos utensílios mais humildes como as colheres de madeira da arte pastoril, os cornos talhados tão belamente para conter as modestas azeitonas.

Além disso se acrescentou a esse ato simples a distinção de torná-lo centro da cerimônia de convivência, a mesa como centro de encontro, lugar privilegiado para a comunicação afetiva e de vivência dos próximos, as famílias, os amigos e os vizinhos, artesanato da hospitalidade e dos rituais festivos. O costume de abençoar a mesa, de recolher-se interiormente antes de comer dava um caráter sagrado a essa função corporal.

A sociedade moderna em seu afã de dessacralizar a vida humana converteu o comer em um ato plenamente animal e fisiológico, o modelo de indivíduo que engole na rua um hambúrguer, solitário, sem mais objeto que preencher o estômago, quase sempre com mais calorias do que o recomendável, é o paradigma de uma sociedade que aspira à animalidade, a converter os seres humanos em animais do trabalho.

O povo fez o cotidiano, o corporal e o doméstico transcendentes e sublimes e dotou o divino de anatomia fazendo-o descer à escala da pessoa, dando forma humana. Um modelo exemplar deste fato é a arte romântica na qual o sagrado e o corpóreo se enlaçam de forma substancial como meta-representação de nossa condição autêntica.

Isto se faz por um sentido da dignidade da vida e da pessoa, que necessita se realizar materialmente e o faz, entre outras vias, através da beleza, da capacidade para reconhecê-la (por exemplo na natureza) e para criá-la e dotar de valor estético os objetos mais cotidianos e humildes, um azulejo, um bordado, uma fechadura ou até um cinzeiro.

A modernidade quis destruir essa cultura cuja singularidade dotava aos sujeitos que pertenciam a ela de um enorme potencial e energia, de uma grande força pessoal e coletiva e por isso separou a beleza da vida. Hoje a "arte" é o que fazem os artistas, uma ínfima minoria de "inspirados" que produzem mercadorias cujo valor é outorgado pelas convenções políticas e flutuações de um mercado dirigido. Mas para o povo este termo teve uma acepção muito mais ampla e divergente, muito mais aberta, as artes se referiam às habilidades, destrezas e técnicas para criar novos objetos ou materiais necessários para a vida, algo que comprometia quase toda a comunidade de uma ou outra maneira e se comporia de uma extraordinária abundância de obras em múltiplas ordens. Não negaram a existência do gênio natural em certas pessoas para criar em distintos planos, os dons, naturais ou construídos, como atributos da singularidade humana eram muito valorizados pela comunidade popular.

Para romper esse mundo em primeiro lugar se impôs o funcionalismo da fabricação em série que desalojou da vida comum a beleza para dar preeminência ao prático e utilitário, se decretou que a experiência estética estaria separada da existência cotidiana das pessoas e habitaria em espaços especiais (que estes espaços fossem sistêmicos ou alternativos não mudaria substancialmente a questão). Em segundo lugar, estabelecida a figura do artista como ser genial e iluminado se voltou a destruir todo o belo e elevado para impor a arte do feio, esfarrapado, profano, ridículo, estúpido, cretino...a arte-nada apresentada como cúmulo do crítico anti-burguês.

A vida real das classes populares se tinha que tomar obrigatoriamente degradada e sórdida, exaltando a miséria espiritual, separando o corpo, a mente e o coração, descarrilando a equilibrada unidade alcançada ao longo de séculos e herdada de geração em geração.

Com isso se preparou um indivíduo, varão ou mulher, capaz de submeter-se à nadificação e ao desprezo brutal do assalariado, à submissão permanente e à obediência cega das consignas do sistema, um indivíduo capaz de viver sem grandeza, sem beleza e sem dignidade.

Nossos ancestrais compreendiam, não de uma forma verborrágica, mas prática, que as necessidades corporais, as afetivas, as intelectivas e espirituais deviam se entrelaçar substancial e efetivamente, a beleza dos objetos úteis outorgava transcendência aos elementos mais primários da existência, e além disso representava a criatividade, autonomia, singularidade, maestria e graça do autor. Mas não caíram no absurdo de considerar a estética como um atributo unicamente dos objetos, das coisas, se valorizou especialmente a beleza das pessoas, das relações e das instituições humanas.

Cada um oferecia à vida social seus atributos naturais, físicos, intelectivos, espirituais, de convivência, comunicativos etc. de maneira que as virtudes ou qualidades humanas fossem materializadas nas pessoas e o apreço pelas faculdades singulares de cada um fosse a norma.

Cultivou-se a elegância e o gênio, a força física, a energia vital, a cordialidade, a alegria, a boa língua, as habilidades manuais, a criatividade artística, a valentia, a entrega, a capacidade amorosa, a beleza física, a sublimidade espiritual, o galantejo, o bom humor, cada um na forma e maneira em que lhe permitiam o temperamento e disposição peculiar.

Este sentido de própria valorização e dignidade se aprecia por exemplo na foto de dois lagarteranos em traje de boda, realizada em Oropesa em 1858, a beleza das pessoas, da composição do grupo, a nobreza da expressão é um conjunto que ocorre por sua beleza.

Também os ritos de convivência, as cerimônias da vida política e, por suposto, a festa são elementos dotados de transcendência e beleza, vitalidade e força.

É curioso que muitos elementos profundos da cultura popular se compartilhem com acervos tradicionais tão distantes como o dos gaúchos, sem embargo as palavras de Atahualpa Yupanqui ressoam como se tivessem sido ditas sob o carvalho centenário de uma aldeia castelhana. A sabedoria vital, prática, que pensa sobretudo em fazer da pessoa, pessoa em toda sua extensão e pessoa para a convivência, para a comunidade, para a ascensão de tudo o que humaniza. Esta reflexão de Yupanqui sobre a diferença entre a festa e a farra, entre o bem falar e o saber calar... Que difícil é nossa época em que nada tem equilíbrio e tudo é desmedido e excessivo!

Como dói o gaúcho da destruição da linguagem que é a destruição da beleza, da pessoa e da comunidade!

E não obstante até este homem  íntegro e sábio duvida de seu valor intrínseco e substancial em um momento, no valor de seu acervo e sua civilizada forma de vida e diz que foi demasiado pobre para provar a universidade sem se dar conta que se tivesse provado esse lugar não seria senão uma a mais das mentes uniformizadas e vazias que nela se constróem.

Sem pensamos em uma estratégia para a regeneração social não podemos deixar de lado a necessidade da beleza nas coisas, nas relações, nas pessoas e nas instituições, a necessidade da estética e da entrega de valor a cada ato humano. Só uma sociedade que seja capaz de estar em um permanente esforço de criação, em uma inquebrantável decisão de constituir-se cada um e cada uma em um expoente da excelência e da virtude humana pode ser uma sociedade de ascensão da civilização como compêndio das melhores possibilidades da nossa espécie.



Via Paginatransversal

Aos amantes de pão: trigo pode ser grave ameaça


As dietas sem glúten poderiam logo deixar de ser moda e converter-se em uma necessidade, adverte um estudo que revela que as proteínas do trigo podem ser prejudiciais para todos os seres humanos.

Milhões de pessoas seguem uma dieta livre de glúten. Algumas o fazem porque são celíacas, ou seja, intolerantes a esta substância, mas a maioria eliminou o glúten porque assegura que ajuda a perder peso e ganhar energia.

Além disso, quem não padece de doença celíaca salienta que notaram uma melhoria em sua saúde a dieta sem glúten, assegurando que essa dieta ajuda a tratar problemas médicos como dores de cabeça e das articulações, transtornos de pele, epilepsia, depressão e insônia.

De acordo com a investigação, o trigo moderno é capaz de produzir mais de 23.000 variedades diferentes de proteínas potencialmente daninhas. Uma das proteínas que se encontra no trigo e culpada por prejudicar a saúde é a Aglutinina de Germe de Trigo (WGA pela sigla em inglês), que forma parte da categoria das lectinas. Estas são capazes de acabar com as vilosidades no trato intestinal, causando, entre outros problemas, uma inflamação permanente. Além disso, a WGA é neurotóxica e pode inibir o funcionamento dos nervos, o que supõe uma importante preocupação para quem sofre de doenças neurológicas degenerativas como Alzheimer ou esclerose múltipla.

Dado que existe uma forte conexão entre o intestino e o cérebro através do nervo vago, os problemas intestinais podem afetar por sua vez o estado de ânimo das pessoas e inclusive seu comportamento.

A preocupação não é só para um pequeno segmento da população sensível ao glúten. É um assunto que afeta todos os seres humanos, ressalta o artigo.

"O que converte a WGA em única é que pode prejudicar diretamente a maioria dos tecidos do corpo humano sem necessidade que haja predisposição genética", explicou o investigador médico Sayer Ji.

Segundo o especialista, isso poderia explicar "porque as condições inflamatórias e degenerativas crônicas são endêmicas em populações que consomem trigo, inclusive nas que não se manifestam com frequência alergias ou intolerância ao glúten".

Via RT

Crianças assistindo pornô e revelando abusos sexuais

Em reportagem na Dailymail, está que crianças de cinco anos foram expulsas de escolas por sérios abusos sexuais, assistir pornografia, e inapropriadas fotografias suas com conotação sexual.

Centenas de crianças foram banidas da sala de aula por "desrespeito sexual", incluindo assalto, assédio e bullying. Outras foram expulsas por toques inadequados, comportamentos lascivos e pinturas sexuais.

Chocantemente, algumas crianças estavam sendo disciplinadas no seu primeiro ano da escola primária quando novos alunos, de mais ou menos quatro ou cinco anos de idade, outros com 13, 14 e 15, tiveram de ser punidos.

Uma nova investigação descobriu que na Inglaterra há mais de 2mil incidentes entre janeiro de 2010 e setembro de 2013, apesar de que na realidade o número é bem maior, desde que em torno de dois terços das 153 autoridades contactados disseram que não mantiveram informações dos casos, recusaram ou excluíram.

Instituições de caridade infantil e políticos descreveram os fatos, cobertos pela Press Association, como "extremamente preocupante" e pediram ao governo que dificulte o acesso à pornografia por parte das crianças, e que implemente um robusto programa de educação sexual.

Jon Brown, líder do combate ao abuso sexual da NSPCC, disse: "A extensão do assédio sexual e do comportamento sexual inapropriado e, nos piores casos, violência por parte das crianças é extremamente preocupante.

Exposição ao extremo, algumas vezes materiais sexualmente violentos e degradantes estão a poucos cliques e podem perverter o pensamento dos jovens do que é um comportamento sexual normal e aceitável.

Mandar mensagens sexuais é agora a norma para muitos jovens que podem começar enviando imagens explícitas deles próprios.

Precisamos de boa qualidade e uma educação apropriada à idade nas escolas para ajudar os jovens a desenvolver saudáveis e positivas relações entre si, para que as crianças entendam e não se sintam pressionadas a viver de maneira sexualizada, e a respeitar umas as outras".

Seis crianças em aulas de recepção, pela Inglaterra, se envolveram em atos sexuais na escola, segundo as informações colhidas.

Há mais 15 incidentes envolvendo crianças de seis e sete anos de idade, aumentando para 69 incidentes com crianças no sexto ano da escola, quando as crianças estão aos 11 anos, no momento do desrespeito sexual.

Há aumento de incidentes com crianças na escola secundária - com 175 incidentes no sétimo ano da escola.

Os dados mostram aumentos maiores ainda nos grupos dos próximos três anos - com 248 incidentes aos 13 anos de idade, 256 aos 14, 240 aos 15, no décimo ano da escola.

A ex-apresentadora de televisão e Lib Dem peer, Baroness Benjamin, disse que ela não se surpreende pelos dados, tendo ouvido evidências e recebido reportagens de instituições sobre incidentes envolvendo muitas crianças jovens.

Ela disse: "Acredito que um dos principais fatores contribuintes é a exposição da criança a materiais pornográficos na internet, que estão estimulando nelas o que vêem. Elas querem descobrir o que se sente na experiência do ato sexual, e se elas não alcançam o nível de satisfação esperado, vão à próxima garota.

Precisamos de um programa robusto de relação e educação sexual em todas as escolas do país para crianças e jovens, em idades apropriadas, para ajudá-los a entender o verdadeiro significado de amor, respeito e relações sexuais incondicionais".

A ex-apresentadora de Play School disse que os meninos jovens estão "aderindo à pornografia" e que os professores precisam treinar para detectar mudanças no comportamento das crianças que podem sugerir um abuso sexual.

Ela acrescentou: Precisamos ensiná-las que o sexo é coisa de mútuo respeito."

A grande maioria de incidentes é com relação aos garotos, e 9% com meninas.

No entanto, há alguns picos de gênero nos dados. Um porta-voz da London Borough of Hillingdon disse: "A maioria dos casos envolve insinuação sexual por mensagens em crianças que se comunicam por tecnologias móveis (celulares, iphone, etc.).

Também há reportagens ocasionais de menores de idade com relações sexuais, que não chegam a ser investigados, através de cujas investigações a polícia tomaria conhecimento. Comportamentos sexuais, tais como masturbação, são assuntos bem comuns.

"Em termos do quadro incluindo consultas informais, bem como encaminhamentos formais, a maioria são meninas (55%)".

A mesma reportagem da Dailymail tenta fazer com que as pessoas aceitem um programa de educação sexual no país inteiro, o que é inapropriado. O verdadeiro motivo desta exposição e transformação dos jovens não está na internet ou nos celulares (o que, no entanto, deveriam ser recolhidos das crianças), mas na política liberal do país e do mundo ocidental, que permite um agravamento dos interesses em prazeres carnais em detrimento do valor de dignidade da vida humana das civilizações tradicionais.

A educação sexual nas escolas e nas famílias só vai agravar o problema, porque as crianças vão receber apenas a formalização moral do comportamento humano, mas não vão compreender o verdadeiro motivo pelo qual devem se comportar de determinada maneira. Assim, na geração seguinte, com a perda de sentido psicológico e cultural para a moral social, o niilismo sexual se agravará definitivamente.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Israelitas atacam palestinos que homenageavam mandela


As forças do regime israelita agrediram nesta segunda-feira os cidadãos palestinos que participavam nas cerimônias para render homenagem ao falecido líder sul-africano, Nelson Mandela, na ocupada Cisjordânia.

Os oficiais israelitas atacaram e feriram dezenas de palestinos congregados em diferentes pontos da Cisjordânia, que homenageavam Mandela, herói da luta contra o apartheid no continente africano.

Durante o evento os palestinos, também, cantaram lemas condenando as agressões impiedosas do regime de Tel Aviv contra a nação palestina, especialmente na assediada Faixa de Gaza.

O primeiro presidente negro da África do Sul, que dedicou sua vida à luta em defesa da igualdade de direitos de raça, se considera um dos partidários mais importantes da causa do povo palestino.

"O direito palestino nunca esquecerá seu histórico discurso no qual afirmou que a revolução na África do Sul nunca alcançaria seus objetivos até que os palestinos fossem libertados", disse na sexta passada o presidente do Estado palestino, Mahmud Abas, ao elogiar o compromisso do falecido Mandela com a causa palestina.

É de mencionar que o primeiro ministro do regime de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu não participar nos funerais de Mandela alegando o alto custo que implicaria sua viagem à África.

Sem embargo, os especialistas políticos asseveram que Netanyahu não viajou ao país africano porque os pensamentos do líder africano não caíam bem ao premier do regime israelita.

O funeral de Estado e enterro do Mandela vão se realizar no domingo, 15 de dezembro, em Qunu, seu povo natal e onde passou o melhor período de sua vida.

Via Hispantv

OCDE: Pobreza acima do limite em Israel


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) adverte que o nível de pobreza em Israel é o mais alto entre os 35 membros deste organismo.

Em Israel, o nível de vida se mantém muito abaixo dos outros membros da OCDE e registra a taxa de pobreza relativa mais alta, segundo o último informe da organização econômica, elaborado pelo ministro de finanças do regime israelita, Yair Lapid, e pelo secretário geral da instituição internacional, Ángel Gurria.

De acordo com a reportagem, os ingressos de uma a cada cinco famílias se encontram abaixo da linha relativa de pobreza e o desemprego entre os homens ultra ortodoxos é um ponto muito preocupante.

O regime israelita, aliás, mantém as conexões sociais, moradia, educação e habilidades, equilíbrio entre trabalho e vida, segurança pessoal, qualidade ambiental e participação cidadã abaixo do padrão da OCDE, destaca o estudo.

A OCDE solicita às autoridades do regime de Tel Aviv uma rápida atuação para lançar um programa geral destinado a melhorar o bem-estar social mediante a aplicação de várias reformas em diversos âmbitos.

Sem embargo, a má situação econômica e desigualdade social nos territórios ocupados palestinos ocasionaram o aumento da insatisfação social entre os israelitas, o que causou o crescente número de pessoas que tentam se suicidar ou imolar.

N.doB.: Enquanto Israel fecha os olhos para os assuntos internos de pobreza, gasta todo dinheiro em guerras externas, levando seus próprios problemas para os povos estrangeiros que possuem excelente estabilidade, como no caso do Irã, da Síria antes da intervenção e da Líbia antes da intervenção. Hoje, com a intervenção israelita, os palestinos, os sírios e os líbios enfrentam um caos incalculável, e já clamam pela volta de um Gaddafi, presidente líbio morto, e pela resistência de Assad, presidente sírio.

Via Hispantv

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Hersh: Obama mentiu sobre ataque químico na Síria


Proeminente jornalista investigador estadunidense, Seymour Hersh, diz que o presidente dos EUA, Barack Obama, não contou a verdadeira história sobre o ataque de armas químicas orquestrado próximo de Damasco em Agosto.

O jornalista, com prêmio Pulitzer, publicou em nova reportagem no London Review of Books [Revista de Livros de Londres] que a administração de Obama estava consciente do fato de que os terroristas que lutam contra o governo sírio viriam a usar armas químicas, mas não informaram.

"Barack Obama não contou toda a história neste outono quando tentou tornar Bashar al Assad culpado pelo caso do ataque de armas químicas próximo de Damasco em 21 de Agosto. Em alguns momentos, ele omitiu inteligência importante, e em outros apresentou suposições como fatos", escreveu no artigo.

Hersh acrescentou que o presidente dos EUA recusou reconhecer que Al-Nasura Front, um grupo filiado da Al-Qaeda, de acordo com reportagens da inteligência dos EUA, ministrou a produção do gás Sarin. Sarin é um nervo agente que baseado em descobertas da ONU foi usado no ataque em Damasco.

"Quando o ataque ocorreu, Al Nasura deveria ter sido suspeito, mas a administração fez o possível para atacar Assad".

Obama, em um discurso televisionado em 10 de setembro, acusou o governador sírio de executar o ataque que matou centenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças.

"Nós sabemos que o regime de Assad foi responsável...e isto é o porque, depois de cuidadosa deliberação, eu determinei que está no interesse de segurança dos EUA responder ao ataque com armas químicas feito pelo regime de Assad através de um ataque militar", disse Obama.

O presidente Obama foi à guerra contra a Síria, mas estava indo sem reconhecer explicitamente quem executou o ataque na manhã de 21 de Agosto, Hersh acrescentou.

O investigador-jornalista disse que os oficiais militares e de inteligência estavam irritados com "a manipulação deliberada da inteligência" sobre o incidente.

Hersh disse que um alto-funcionário de inteligência descreveu a arrogância da administração de Obama sobre a responsabilidade jogada sobre a Síria como uma "fraude". O ataque "não foi resultado do regime atual", o jornalista escreveu um email ao colega.

Ele escreveu que outro oficial da inteligência contou a ele que "a administração de Obama alterou as informações disponíveis - em vistas da sequência temporal - para permitir ao presidente e seus secretários fazer a inteligência recobrar dias depois o ataque como se tivesse sido flagrado e analisado em tempo real, como se o ataque estivesse ocorrendo".

O governo sírio veementemente negou as alegações dos EUA. Culpa os militantes estrangeiros Takfiri por executar o ataque químico.

Via Presstv

sábado, 7 de dezembro de 2013

Uma fábrica ocupada e gerida por trabalhadores

Em julho de 2011, os trabalhadores da fábrica Vio.Me. decidiram "ocupar" as instalações em que trabalhavam. A diretoria havia deixado de pagar seus salários.



Os trabalhadores, em fevereiro de 2013, decidiram reabrir por sua própria conta e risco a fábrica e começar de novo a produção. Sua principal produção, detergentes, sabões e outros produtos de limpeza.

Na Grécia, milhares de empresas quebram a cada ano e o desemprego chega a 27% (60% para os jovens), a experiência de Vio.Me., uma fábrica autogerida por seus trabalhadores, se converteu em um símbolo de luta contra a crise. Até quatro anos atrás, Vio.Me. era uma fábrica de Tessalônica como outra qualquer: seus trabalhadores fabricavam produtos químicos e para construção, e cada mês recebiam seus salário; e os lucros eram para o empresário.

Em 2010 os problemas econômicos da Grécia começaram a afetar a Philkeram-Johnson, a maior produtora de azulejos da Grécia e empresa proprietária da Vio.Me. A direção decidiu, primeiro, diminuir os salários e, um ano depois, deixou de pagá-los. Os trabalhadores iniciaram uma série de protestos até que, finalmente, decidiram tomar uma atitude e cobrar os atrasos ocupando a fábrica. Inclusive um tribunal lhes deu a razão.

"O empresário deve nossos salários desde maio de 2011. Os tribunais nos permitiram confiscar as instalações e todo o maquinário em troca dos salários não pagos", explica recentemente um dos operários, Alekos Sideridis.



Se cumprem quatro meses e meio do início da produção autogerida e coincidindo com uma jornada internacional de solidariedade ao Vio.Me. os trabalhadores e agora donos da fábrica apresentaram esta semana sua produção em Tessalônica, a segunda maior cidade da Grécia. A nova produção é similar à antiga (detergentes, sabão e outros produtos de limpeza) mas agora o fazem utilizando "somente produtos naturais", uma petição dos movimentos sociais e ambientais que os apoiaram desde o início da ocupação. A experiência dos 38 trabalhadores de Vio.Me. que decidiram assumir a produção gerou uma grande rede de solidariedade não apenas na Grécia, mas também internacionalmente, e intelectuais como David Harvey e Naomi Klein, que visitou a fábrica no último dia 4, expressaram o seu apoio.

Mas existe um grande obstáculo: as dívidas do empresário.

Os operários formaram uma cooperativa e a organização da produção é, ressaltam os trabalhadores, "totalmente democrática", já que as decisões são tomadas em assembléia. Mas o caminho não está isento de obstáculos, como explica Sideridis. "O problema o grande problema é que o Estado exige que, uma vez que continuamos o funcionamento da empresa, ainda que seja com estatuto de cooperativa, devemos assumir as dívidas deixadas pelo empresário", disse o operário. Entre outros problemas, o edifício em que se encontra Vio.Me. se encontra hipotecado, o que supõe uma dívida que a nova cooperativa não pode assumir. E por isso, não estão autorizados a comercializar os produtos pela via regular. "Então dependemos das redes de solidariedade que estão se desenvolvendo em várias cidades, tanto na Grécia quanto no exterior". Na Grécia da crise, as redes de distribuição alternativa se desenvolveram muito nos ultimos anos, seja através de novas moedas (como o TEM da cidade de Volos), virtuais ou bancos de tempo, o que permitiu a sobrevivência aos trabalhadores da Vio.Me., que de outro modo não seria possível. "Até agora ganhamos muito pouco (reconhece o trabalhador) mas as vendas aumentam rápido e estamos convencidos de que podemos encontrar soluções aos problemas de comercialização e que, graças às pessoas solidárias, podemos produzir como cooperativas oficialmente".

Via Tribuna de Europa