terça-feira, 26 de novembro de 2013

Exército israelita engrossa com mercenários europeus

Milhares de mercenários europeus estão nas filas do exército do regime israelita, de acordo com as revelações da organização de direitos humanos, Euromid (Organização para a Cooperação dos Países Mediterrâneos). A entidade salientou que estes mercenários procedem de diferentes países do mundo, entre eles Alemanha, Noruega, Dinamarca e Holanda.
Vídeo de Hispantv

Universidades alemãs recebem fundos do Pentágono


Uma reportagem mostra que universidades alemãs têm recebido milhões de euros dos militares dos EUA para projetos de pesquisas em munições e programas de drones.

Na segunda-feira, o jornal alemão Suuddeutsche Zeitung reportou que pelo menos 22 universidades e institutos de pesquisa confirmaram receber mais de 10 milhões em euros de benefícios do Pentágono dos EUA desde 2000.

Além disso, a reportagem mostrou que o Pentágono ainda pagou às universidades cujas regras excluem a indústria armamentista.

De acordo com o jornal, a Universidade Ludwig-Maximilian de Munique (LMU) pagou mais de 470 mil euros do Ministério de Defesa dos EUA para pesquisa em explosivos militares.

Mais, os fundos do Pentágono foram dados à Universidade de Marburg, que está pesquisando sistemas de navegação para drones e "munições de aço" e à Fraunhofer Society, uma rede de amplitude nacional de instituições de pesquisa, para pesquisar vidro a prova de bala e explosivos.

A oposição política alemã imediatamente criticou a cooperação entre as universidades nacionais e o Pentágono, clamando por mais transparência das universidades do país com relação aos seus projetos de terceiros.

"É inacreditável que esta cooperação não tenha sido publicada e que algumas universidades recusam dar informação sobre estes contratos", disse o parlamentar Nicole Gohlke, membro de um partido de esquerda.

Outros críticos disseram que essas universidades alemãs estão violando regras étnicas conforme estes projetos têm fins bélicos.

"É problemático quando a ciência foca na guerra, especialmente quando é pelos EUA. Depois de tudo, os EUA impulsionam guerras de agressão, e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU", disse Jurgen Altmann, físico e pesquisador pacífico na Universidade de Dortmund.

NdoB: lembramos que em qualquer parte do mundo as universidades são utilizadas para projetos privados que, de uma ou de outra maneira, servem para objetivos antinacionais. Uma pesquisa feita para qualquer área da engenharia pode ser utilizada para fins bélicos. E não apenas pode, como é de fato utilizada. Uma pesquisa da sociologia, por sua vez, é utilizada na manipulação midiática e no manejo público em geral em prol de objetivos privados. O perigo não está, portanto, nos investimentos com fins bélicos, mas na privatização das pesquisas, que colocam os resultados em mãos particulares (e assim estrangeiras).

via Presstv

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Israel constrói mais colônias em território palestino


O regime israelita, indiferente às preocupações e condenações internacionais, aprova a construção de mais assentamentos ilegais nos territórios ocupados dos palestinos.

A notícia foi dada nesta Segunda pela organização israelita não governamental La Paz Ahora, contrária à colonização deste regime.

"Uma comissão da administração militar israelita encarregada da Cisjordânia aprovou recentemente a construção de 829 assentamentos", informa Lior Amihai, responsável pela ONG.

O jornal israelita 'Haaretz' confirma a informação e precisa que os novos assentamentos serão construídos nas colônias de Givat Zeev, ao norte de Al-Quds (Jerusalém Leste), Nofei Prat, Givat Salit e Nokdim.

Não obstante, a construção de novos assentamentos por parte do regime de Tel Aviv tinha parado por um tempo por medo de irritar ainda mais a comunidade internacional, que as considera ilegais porque estão situadas nos territórios ocupados.

Neste contexto, muitos acreditam que esta decisão é uma espécie de represália do primeiro ministro israelita, Benyamin Netanyahu, pelo acordo que foi feito na madrugada de Domingo entre Irã e o Grupo 5+1 sobre o programa de energia nuclear do país persa.

Quando o mundo saudava este importante acordo, Netanyahu não pôde conter sua ira e disse que "o que se conseguiu em Genebra não é um acordo histórico, mas um erro histórico".

O regime israelita utiliza a construção de novos assentamentos ilegais em territórios ocupados palestinos como uma ferramenta para ameaçar o mundo quando algo não lhe convém. Se bem que não necessita desculpas para continuar suas políticas expansionistas e violar sistematicamente a normativa internacional.

Ucrânia rejeita UE e se reaproxima da Rússia

O governo da Ucrânia se separa do acordo com a União Europeia e se aproxima com a Rússia. As ruas de Kiev, capital da Ucrânia, se enchem de manifestantes pró-UE.

Em 21 de Novembro, Ucrânia anunciou que suspenderia um acordo iminente de comércio com a União Europeia e reataria aproximação com a Rússia.

De acordo com o primeiro ministro ucraniano, a decisão foi tomada para assegurar a segurança nacional do país, depois de considerar os efeitos do comércio com a Rússia. Também falou da necessidade de restaurar os acordos com a Federação Russa.

A União Europeia, por sua vez, não gostou, afirmando que a decisão atrairia investimentos estrangeiros ao país.

Lembramos que a Ucrânia foi peça-chave para os países da OTAN na formação de um Cordão Sanitário contra a Rússia, que visa dividir os países da ex-URSS e assim controlá-los através da formação de novos tratados e blocos econômicos-militares.

A Revolução Laranja parece nunca ter terminado, e os protestos que se direcionam contra a Rússia parecem continuar sob influência da UE e da OTAN. Todavia, o país reaproxima com seus antigos aliados.

domingo, 24 de novembro de 2013

Argentina: GMOs causam graves defeitos em fetos


Argentina se tornou um dos maiores produtores de soja, com a maioria de sua safra sendo composta de organismos geneticamente modificados (GMO). A pulverização agrotóxica no país aumentou consideravelmente nos últimos anos, em 1990 9 milhões de barris de agrotóxicos foram requeridos, comparado aos 84 milhões de barris que hoje se demanda. Incluído nisto está o uso de mais de 200 milhões de litros de herbicidas contendo venenos como glifosfato, principal ingrediente no Roundup. Toda a safra do país, em todas as safras de algodão e milho, se tornou geneticamente modificada nesta última década. Juntamente com o aumento da safra GMO e com o uso de pesticidas, o país recebe um preocupante e alarmante crescimento de defeitos de nascença, estatísticas de câncer, e outras doenças. Isto levou muitos dos cidadãos, incluindo profissionais médicos, a afirmar que pesticidas, GMOs e gigantes de biotecnologia são os únicos culpados.

A menina Camila Veron, de dois anos de idade [na imagem acima], nasceu com problemas múltiplos nos órgãos e gravemente deficiente. Os médicos contaram à família que a culpa é provavelmente dos agrotóxicos. Dezenas de outros casos similares estão preocupando a região. É fortemente pensado que o herbicida usado nas safras geneticamente modificadas agiu no período de gravidez, causando defeitos no cérebro, coração, intestinos, no feto. Em Ituzaingo, um distrito composto de 5 mil pessoas [e rodeado por muitos campos] vivenciaram nos últimos oito anos mais de 300 casos documentados de câncer associados a fumigação e pesticidas. Eles reportaram estatísticas de câncer 41 vezes mais que o padrão nacional.

A Monsanto [não surpreendentemente] negou as reclamações de que seus GMO têm contribuído de alguma forma para o aumento na ocorrência de nascimentos defeituosos no país. Com aquelas dezenas de casos expostos, que ilustram o desuso e ilegalidade de aplicação pesticida, os pesticidas estão aparecendo em estatísticas alarmantes no solo e na água ingerida. De forma perturbadora, em 80% das crianças sobreviventes em um local foram encontrados pesticidas no sangue. Estudos demonstraram que baixa concentração de pesticidas [como o glifosfato] leva a células humanas adoecerem e a causar câncer.

Infelizmente, para o departamento de relações públicas da Monsanto, a Associated Press documentou muitos casos dentro do país onde os venenos foram e estão sendo aplicados de muitas formas proibidas por lei, ou desaconselhável pela ciência. Profissionais de medicina também avisam seus clientes que a aplicação de pesticida no país é a culpada. Não só é o aumento das safras Roundup um risco para os residentes na região, mas um perigo para o meio ambiente, e outros animais que se alimentarão das safras. Na luta contra os gigantes de alimentos geneticamente modificados e tecnologia biotecnológica [protegidos pelo governo], como a Monsanto, é crucial lembrar que os alimentos geneticamente modificados nunca foram seguros para consumo por um período de tempo estendido. Uma única esperança é que as corporações como Monsanto, que destróem vidas e comunidades, sejam responsabilizadas por seu descaso e ações deploráveis.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

EUA espionou cidadãos britânicos com apoio de Londres


A Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA pelas siglas em inglês) esteve espiando os cidadãos britânicos que não eram suspeitos de nenhum delito, em virtude de um acordo secreto com os funcionários de inteligência do Reino Unido, segundo revelou na Quarta o jornal britânico ‘The Guardian’.

De acordo com os documentos obtidos pelo excontratado da NSA, Edward Snowden, o rastreamento e armazenamento das chamadas telefônicas e correios eletrônicos dos cidadãos britânicos foi autorizado graças a um acordo secreto feito em 2007 entre funcionários de inteligência do Reino Unido e da agência de espionagem dos EUA.

EUA e Reino Unido são dois sócios importantes do clube dos “Cinco Olhos”, uma aliança de intercâmbio de inteligência composta por EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Neste sentido, se supunha que estes cinco Estados estavam comprometidos a respeitar, entre si, os direitos de privacidade de seus cidadãos. Não obstante, os documentos obtidos por Snowden revelam que em 2007 as regras mudaram, através de cujas mudanças a NSA estava autorizada a espionar qualquer telefone celular dos cidadãos britânicos.

Desde o início do mês de Junho deste ano, os documentos filtrados por Snowden esclareceram as crescentes atividades de espionagem de Washington no mundo inteiro.

Os documentos demonstram como o Governo do país estadounidense recolheu os registros telefônicos de todos os cidadãos estadounidenses.


Outros documentos também mostram que as agências de espionagem dos EUA hackearam os sistemas de informática das missões diplomáticas de outros países e que Washington esteve escutando as chamadas telefônicas de pelo menos 35 líderes mundiais, incluindo as da chanceler alemã Angela Merkel, uma dentre os líderes mais influentes na Europa.

Israel busca outro aliado para substituir EUA


O regime de Israel já não considera benéfica a relação que tem com os EUA.

O ministro israelense de relações internacionais, Avigdor Lieberman, salientou na Quarta que o regime de Tel Aviv necessita de outro aliado que substitua os EUA.

“O vínculo entre Israel e seu principal aliado estratégico, EUA, se debilitou”, disse Lieberman, enquanto afirmou que este regime não deve confiar no país estadounidense como confiou até agora.

O titular do regime israelense admitiu, por sua vez, que os estadounidenses “têm muitos problemas e desafios em todo o mundo”, além dos obstáculos que têm dentro de suas fronteiras, como “problemas econômicos” e de imigração.

“A política externa de Israel durante muitos anos esteve orientada à Washington, mas a política externa implementada por mim tem muitas direções mais”, manifestou Liberman.

De acordo com o jornal ‘Jerusalem Post’, o funcionário israelense declarou inclusive que Washington depende do dinheiro de alguns países árabes, mas afirmou que ele mesmo está tratando de criar conexões com os países interessados em um vínculo com o regime israelense, que não dependam do mundo árabe, sem especificar exatamente quais são.

As declarações do ministro do regime israelense tiveram lugar em momentos em que as relações israelitas-estadounidenses foram afetadas sobre a decisão de Washington de seguir adiante com as conversações com Irã até chegar a um acordo sobre o programa de energia nuclear do país persa, muito em confronto com a postura do regime de Israel, que insiste em continuar a imposição das sanções anti-iranianas.


Durante o último round de conversações entre Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China + Alemanha), celebrada na cidade suíça de Genebra entre 7 e 10 de novembro, as partes estavam a ponto de chegar a um acordo, mas devido a posição tomada pelo chanceler francês Laurent Fabius em favor de Tel Aviv e a falta de compromisso do secretário de Estado estadounidense, John Kerry, os diálogos não alcançaram um acordo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Nacionalistas tchecos protestam contra a usura e o saque do regime pós-comunista

Por Manuel Ortiz



Centenas de simpatizantes e militantes do partido nacionalista Partido dos Trabalhadores pela Justiça Social (DSSS) marcharam pelo centro de Praga para se manifestarem contra o atual sistema liberal nacido da queda do regime soviético por continuar e piorar os vícios de seu antecessor.

A manifestação se realizou no contexto de greves estudantis anti-comunistas de 17 de novembro de 1989 que deram início à chamada Revolução de Veludo, sendo aquela uma busca por um sistema com maior justiça social, mas que, nas palavras do líder do DSSS, o novo regime não trouxe democracia, mas apenas "mentiras, hipocrisia, arrogância dos poderosos, corrupção do Estado e saqueio da Nação".

"Os bens do Estado foram roubados e o solo nacional vendido aos estrangeiros, desemprego, pobreza, usura, o sistema político e a sociedade afundados na imundície moral. Essa é a realidade e, 24 anos desde a Revolução de Veludo". Esse seria uma das mensagens principais do protesto, apontando como culpados os ex-presidentes Václav Havel, Václav Klaus e ao presidente atual Miloš Zeman pela situação atual.

Ao final da marcha na capital o líder do DSSS, Tomas Vandas, emitiu um breve discurso no qual chamou os manifestantes como a "única oposição ao regime atual". Um discurso também esteve a cargo de um representante da Jungen Nationaldemokraten, a organização jovem do Partido Democrático Nacional da Alemanha (NPD), onde criticou o capitalismo e a globalização, além de exigir uma Europa forte das nações.

Uma vez terminado o evento, a polícia deixou seus oponentes realizar sua manifestação que queria evitar por primeiro e deixar claro que ninguém exceto eles podem protestar contra o governo com mensagens "O 17 de Novembro não pertence aos nazis".

Via El Ministerio

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A desintegração da Líbia, à beira de uma catástrofe humanitária

Ameaça de fome, incessante guerra interna, colapso econômico e possibilidade de desintegração do país. Tal é o quadro que apresenta hoje a Líbia, país que recebeu uma "lição de democracia" da coalisão ocidental.



Existe a possibilidade de devolver a esse país a via pacífica os quem devem responder pelas gravíssimas consequências da revolução apoiada pelo exterior?

Dois anos após a chamada revolução líbia a situação do país não pode ser denominada mais que crítica. As atuais autoridades nominais e os líderes da nova onda de protestos bloqueiam as relações econômicas elementais da Líbia com o mundo exterior, das quais dependem se não tudo, ao menos muitas coisas.

Alguns não podem pagar as importações de alimentos, porque os outros bloqueiam a exportação de petróleo, tão necessário à entrada de recursos ao orçamento. Além disso, a extracção do óleo é de dez vezes inferior em comparação aos tempos "prerevolucionários".

E tudo isso porque o país se reuniram novamente forças armadas de diferentes grupos, o que praticamente bloqueou os restos do complexo petrolífero. As autoridades tentam controlar o exército, torná-los parte das forças de segurança , mas os esforços são infrutíferos. Não há dinheiro .

Em tal situação, a pergunta "o que fazer?" torna-se uma questão de uma forma muito concreta. Está em risco o destino de todo um povo . A Voz da Rússia perguntou ao orientalista Anatoly Yegorin se os países ocidentais devem assumir a responsabilidade , inclusive financeira , diante do povo da Líbia. Aqui está a resposta :


"Sim, deveriam. Eles forçaram a aprovação da resolução , segundo a qual interviriam como defensores do povo, que supostamente foi oprimido por Gaddafi . Eles lançaram trinta mil ataques aéreos contra a Líbia e onze cidades ficaram em ruínas. Ocidente prometeu dez bilhões de dólares para reconstruir as cidades, mas permanecem em ruínas.


Os países ocidentais, dado que se importam tanto para a paz na Líbia, devem tomar medidas urgentes, realizar uma conferência ou fazer qualquer outra coisa, para que a Líbia seja pelo menos um Estado federal e não se desintegre.


Mas o Ocidente, como sempre, não se apressa em corrigir seus erros dramáticos. Como resultado, o governo totalmente debilitado não tem chance de financiar até mesmo as necessidades básicas, tais como as importações de cereais . Para o país de seis milhões de habitantes, que não tem um complexo agro-industrial básico, isso envolve uma grande catástrofe humanitária.


Deixam de vigorar até mesmo contratos de importação de cereais previamente selados. Aparentemente, os fornecedores estrangeiros, com razão, do ponto de vista empresarial, exigem o cancelamento da dívida. Mas tal inflexibilidade não promete aos líbios nada de bom. Atualmente corre risco a importação de cinqüenta mil toneladas de trigo, o suficiente para alimentar por vários meses apenas a capital e nada mais."


O co-presidente do comitê russo de Solidariedade com os Povos da Líbia e da Síria, Oleg Fomin, argumenta que a comunidade internacional poderia intervir ativamente na situação.


Se a ONU respondeu a sua predestinação , não por coincidência foi criticada por Gadafi em seu famoso discurso em Nova York, deve responsabilizar aqueles que mergulharam o país numa crise, e obrigá-los a pagar para a reconstrução da economia nacional , educação, medicina e outros setores vitais.


Aqueles que arruinaram o país devem responder . Isso é, em seu tempo, tal responsabilidade foi colocada sobre a Alemanha .


Enquanto isso, na sexta-feira em Trípoli se protagonizou confrontos entre diferentes grupos armados que deixaram dezenas de mortos e feridos. E na situação de "todos contra todos", não parece haver nenhum raio de esperança.

via Soberania argentina

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dugin: O Ocidente atual deveria ser aniquilado


Para muitos dos nossos leitores o nome do filósofo, cientista político, tradicioinalista, professor Alexander Dugin, como seus vários livros, são bem conhecidos. É o motivo pelo qual não começamos por Adão e Eva. Vocês podem encontrar mais informações sobre A. Dugin e seus trabalhos nestes sites: http://www.arcto.ru, http://www.4pt.su, http://dugin.ru

O professor Dugin respondeu a algumas das nossas questões. Segue abaixo a entrevista.

Entrevista: Caro professor, poderíamos começar nossa conversa com sua própria e interessante biografia. Antes de tudo, é verdade o que está escrito no Wikipedia e em outros locais? O que é verdade e o que não é? Pai, que trabalhou na GRU, círculo nazista liderado por E. Golovin, muitas perturbações políticas, intimidade com Putin?

Dugin: É tudo pura mentira. Nem Putin, nem nazista, nem pai do GRU e assim por diante. Minha biografia é minha bibliografia (cf. J. Evola). Eu não mexo no Wikipedia por duas razões:

1)     Há um grupo de administradores liberais que imediatamente restauram todas as mentiras para conservar a minha imagem pejorativa (a guerra de rede – é apenas uma democracia, nada pessoa, mas a democracia é sempre uma mentira);
2)     O indivíduo (bem como eu mesmo) não importa para mim; só a missão importa.

Então eu não me inclino a falar de mim mesmo. Leiam meus livros, formem suas opiniões pessoais sobre minhas ideias primeiro, a personalidade do autor, depois é opcional.

E: As principais coisas a se discutir nesta entrevista são suas ideias, as quais eu considero mais interessantes e globalmente importantes, de que o mundo ocidental parece estar entrando em colapso. É isto? O fim da civilização ocidental foi previsto muito antes. Quanto tempo devemos ainda esperar? Há algo que deve acontecer? Terceira Guerra Mundial? Revolução global? Nada (quer dizer, o colapso como processo natural)?

Dugin: Eu mais penso que nada vai acontecer, nada. Isto é o que é realmente terrível. A eternidade é o momento interminável do tédio. Heidegger estudou em seu trabalho, Die Grundbegriffen der Metaphysik o fenômeno do tédio profundo. Quanto ao caráter existencial do Dasein moderno, Gnostic Basilides descreveu o mundo PÓS-fim como completamente balanceado, o mundo sem eventos. Isto não quer dizer que não hajam mais eventos, mas que não vivenciamos mais os eventos como eventos. O colapso permanente é bem analisado pelo escritor inglês Alex Kurtagic.

O problema real surge quando ninguém percebe ele como problema. Eis onde estamos. O Ocidente é o centro do tédio. Ele não explode, mas implode sempre mais profundamente.

Eles estão certos de que isto durará para sempre. O fim do mundo é a impossibilidade do Mundo de terminar. O mundo inacabável não é mais um Mundo, é a agregação dos fragmentos insignificantes da existência como um todo. Estamos vivendo nas 6-9 hipóteses do Parmênides de Platão – há multitudes(πολλά), não há mais unidade (ν). Um mundo assim não pode existir (de acordo com os neoplatônicos). Eu cocordo com eles, não com a mídia de massa e com a cultura prêt-a-porter ou com os hegemônicos intelectuais.

E: Você publicou muitos livros – nem posso conta-los (você pode?). Eu lembro do primeiro que eu li – foi espantoso em 1999, sobre conspiralogia. Você acredita em uma séria conspiração global como os Bilderberg, Maçonaria, Illuminatti, ou outros grupos que REALMENTE estão atuando hoje? Se sim, por favor, explique como isso funciona e o que deveríamos esperar disto.

Dugin: Não me lembro quantos são os meus livros, mas da qualidade deles. A qualidade é muito diferente porque os livros foram escritos para públicos diversos. A conspiralogia é descrita por mim como um tipo de sociologia primitiva. Para a sociologia há um ponto muito importante: o que a sociedade pensa sobre o que está acontecendo não é menos importante que o que realmente está acontecendo ou que o que os especialistas científicos pensam. Então, estudando as teorias de conspiração acabamos por estudar a mente das pessoas, os mitos, a cultura, os medos, as estruturas gnoseológicas e cognitivas. A crença das pessoas nas conspirações. Significa que eles existem ou subsistem (de acordo com a ontologia diferenciada de Alexius Meinong).

É irônico que você menciona os Bilderberg (grupo internacional oficialmente existente) ou os Maçons (organização historicamente documentada) e os Illuminatti, que são produto das teorias de conspiração modernas (houve uma organização assim no fim do século XVIII, mas logo desapareceu). Os Bilderberg planejam? Os Maçons planejam? Penso que sim. O que eles planejam exatamente? Ninguém sabe a não ser os membros. Os membros não falam sobre o que eles planejam. Então não sabemos muito claramente de seus planos. Mas as pessoas imaginam, deduzem, acham, adivinham. É apaixonante estudar, como elas fazem. Elas expressam medos, desejos subconscientes, compreensão oculta da sociedade, da história, das hierarquias, do destino...apaixonante estudar tudo isso.

E: Você é considerado como o pai do Eurasianismo e da Quarta Teoria Política. Você poderia explicar o foco das suas ideias?

Dugin: O Eurasianismo pensa que a Rússia não é um país, mas uma civilização. Então deveria ser comparada não com os países europeus ou asiáticos, mas com as civilizações europeias, islâmicas ou hindus. A Rússia-Eurásia consiste do caráter moderno e pré-moderno, das culturas e etnias do Leste-Europeu. Esta identidade particular deveria ser reconhecida e reafirmada no contexto do novo projeto de integração. O Eurasianismo nega a universalidade da civilização ocidental e a unidimensionalidade do processo histórico (dirigido pelo liberalismo, pela democracia, direitos humanos, economia de mercado e assim por diante). Há culturas diferentes com diferentes antropologias, ontologias, valores, tempos e espaços. O Ocidente não é nada mais que uma província mundial hipertrofiada e insolente com megalomania. É caso abjeto da hybris. A humanidade deveria lutar contra o Ocidente com fim de pôr suas pretensões nos limites legítimos. A província mundial deveria voltar a ser o que é – a província, o histórico caso isolado, a opção – não um fato universal, normativo ou de objetivo comum.

A Quarta Teoria Política é a teoria que afirma:

1)      Três principais ideologias políticas modernas (o liberalismo, o comunismo/socialismo e o fascismo/nazismo) não são mais adequadas – então precisamos descartar todas elas (ou seja, sem mais liberalismo, socialismo e fascismo – notem o fascismo e comparem com o que eles dizem de mim);
2)      Precisamos construir a Quarta Teoria Política além das três descartadas; dessa vez não pode ser moderna (pós-moderna ou pré-moderna);
3)      O sujeito da Quarta Teoria Política é o Dasein segundo o que Heidegger descreveu em seus trabalhos (não o indivíduo como no liberalismo, nem a classe como no marxismo, nem a raça ou o Estado como no fascismo/nazismo) – O Dasein deveria ser libertado do modo inautêntico de existência;
4)      O Dasein é plural e depende da cultura, de modo que o mundo deve ser multipolar (toda cultura, etnia ou religião tem seu própria Dasein – não estão necessariamente em contradição, mas são diferenciadas).
5)      Clamamos pela revolução existencial mundial dos Daseins – Daseins fas sociedades humanas unidas pela luta contra-hegemônica global – contra o globalismo ocidental e contra o universalismo liberal, assim como contra a a dominação dos EUA.

E: A União Eurasiana estabeleceu-se muitos anos atrás. Agora parece estar no esquecimento, apesar de que se pode ver que a parte oriental do mundo (China, Irã, etc.) está se fortalecendo enquanto a parte ocidental se enfraquece. Prossegue? Qual é a situação da União Eurasiana agora e o que você prevê para o futuro dela?

Dugin: A União Eurasiana é nossa ideia tomada pelos burocratas de Putin. Penso que é somente uma forma de assegurar o futuro da Rússia e a condição indispensável para a multipolaridade. A Rússia deveria estar do lado dos poderes não-ocidentais. Há muitos problemas com a União Eurasiana – objetivos e subjetivos. A hegemonia americana e quinta coluna na Rússia danifica ela, e a ineficácia da burocracia russa torna a situação sempre pior. Não obstante será estabelecida, porque deve ser estabelecida.

E: Guerras e revoluções por toda parte agora... Mali, Síria, Palestina, Tunísia... O que você pensa sobre a situação no Magreb/Oriente Médio? Terminará o sangue e outra guerra de mais de dez anos?

Dugin: Não. Nunca terminará. É o projeto do caos financiado pelo Ocidente enfraquecido a fim de controlar as sociedades não-ocidentais por outros meios. O sangue será espalhado mais e mais. Só quando todos os islâmicos voltarem suas armas contra os hegemônicos ocidentalistas e unirem-se à batalha final dos eurasianistas poderá terminar. O Império continua a dividir, mas não pode mais efetivamente controlar. Então começa a dividir e, e é tudo. Não pode dominar, só matar. Então precisamos revidar.

E: Qual é sua opinião sobre o Islã e o Irã?

Dugin: Eu admiro o Irã e admiro o shiismo e o sufismo. É a tradição espiritual que luta contra a modernidade mirando seu centro. Há muitos tipos de Islã. Gosto do Islã tradicional e tenho algumas dúvidas sobre a versão wahhabista. É uma versão modernista e universalista do Islã e parece funcionar sob os interesses dos EUA como um tipo de unidade sub-imperialista. Em suma, eu apoio o tradicionalismo em todas as religiões. Mas o Irã e a tradição shiita eu os amo com meu coração.

E: Que futuro (próximo e distante) gostaria de ver para o mundo? Qual sua visão?

Dugin: No status quo estamos desprovidos de futuro. Compreendo o futuro existencialmente como o horizonte da existência autêntica do Dasein, como Ereignis (evento/em si mesmo), a vinda do último Deus (letzte Gott). Mas este futuro é incompatível com o Logos decadente da história Ocidental. O Ocidente atual (EUA e em parte a Europa) deveriam ser aniquilados e a humanidade deveria ser reconstruída sob fundamentos diferentes – em face da Morte e do Abismo.

Deveria haver um Novo Começo da Filosofia ou...nada mais. O mesmo nada de agora, não perseguido mais como tal. Assim, o futuro não deveria vir por si mesmo. Nós deveríamos fazê-lo. Mas antes precisamos destruir o que é ou parece ser.

E: Como vejo do Facebook e das páginas da internet, há muitas pessoas prontas para alguma revolucionária mudança de paradigma de suas mentes e talvez ainda revoluções físicas. Mudanças reais estão para surgir no nosso mundo? Poderia prever quando e como?

Dugin: A mudança de paradigma é absolutamente necessária. Eu não vejo homens ou mulheres suficientes e prontos para mudar eles próprios e o mundo em torno deles. Mas vejo alguns. É muito pouco para a esperança, mas muito grande para o desespero. Eu gostaria de ver passos mais decisivos e concretos. É bom que alguns começam a despertar. O ódio ao Ocidente, ao globalismo, ao consumismo, à mídia de massas, às mentiras democráticas, ao lixo dos direitos humanos, ao capitalismo, à ditadura tão chamada “sociedade civil” e à dominação americana estão obviamente crescendo. Então deveríamos seguir adiante. Fraqueza significa revolução e guerra. É pouco provável que eles começarão agora. Mas eles deveriam começar exatamente agora porque amanhã será tarde demais.

E: Desejo a você todo o melhor e agradeço pelas respostas – a última questão: quais são as principais ideias nas quais você está trabalhando agora?

Dugin: No manual de Relações Internacionais para as universidades russas, na Teoria do Mundo Multipolar (publicada, mas ainda em desenvolvimento), no desenvolvimento da Quarta Teoria Política, nos estudos heideggerianos no campo da filosofia (tenho escrito já dois livros sobre Heidegger e continuo trabalhando no mesmo projeto), no tradicionalismo (Henry Corbin, círculo Eranos – tenho comprado recentemente todas as edições do Eranos Jahrbuch na Suíça), na sociologia da imaginação (no estilo de G. Duran – fazem dois anos do meu doutorado sobre o assunto), em novos livros sobre geopolítica (geopolítica histórica da Rússia, regiões do mundo e assim por diante), no platonismo e neoplatonismo, eurasianismo (claro), na teologia ortodoxa, antropologia social e etnossociologia, economia (meios alternativos), e em estudos conservadores.

Também: ensino na Universidade Estatal de Moscou (sendo chefe do departamento de sociologia das Relações Internacionais) – RI, geopolítica, etnossociologia, sociologia; conferências (ao redor do mundo); aconselhando o governo russo e o parlamento (enquanto membro oficial dos conselheiros do chefe de Estado Duma S. Naryshkin); e dirijo o Movimento Internacional Eurasiano.

E: Obrigado.

Dugin: De nada.