Queridos amigos,
Queridos compatriotas,
Queridos camaradas de armas
Queridos irmãos e familiares dos
mártires que deram sua vida para defender a Soberania Argentina na ação heroica
para Reconquistar Las Malvinas por nossa Pátria.
Hoje nos reunimos para rogar pelas
almas de aqueles que deram sua vida pela Pátria, e que por Providência de Deus,
descansam junto ao General Belgrano, envoltos no mar que reflete nossa bandeira
celeste e branca, como o manto de nossa Mãe.
Ainda que passaram 30 anos, jamais poderemos esquecê-los,
jamais esqueceríamos, ainda que ao longo destes anos nos queiram fazer
esquecer, e queiram estender um manto de silêncio.
Por mais que queiram
desmalvinizar, por mais que queiram dizer que isso nunca existiu, que se existiu
foi um erro, que foi um tapa de afogamento, de um general desfigurado.
Jamais poderemos esquecer, porque ao longo destes
anos, destes tristes e cinzentos anos, em que nossa Pátria sangra, em decadência
e desintegração, o gesto heroico dos que ofereceram suas vidas, marcou o único
gesto de grandeza com o qual podemos reencontrarmo-nos os argentinos.
Jamais poderemos esquecê-los.
Por isso estamos aqui para rezar.
Hoje estamos aqui para recordar aquelas jornadas.
Aquelas jornadas nas quais o povo argentino, sem distinção de partidos, sem
distinção de bandeiras, se sentiu unido e reagiu como um só homem, em um só
coração e em uma só alma.
Porque por cima das
falsidades, por cima das promessas que não se cumprem, por cima dos programas
falaciosos, por cima dos discursos mentirosos dos políticos da mudança, e dos
meios de comunicação, teve um ideal de Pátria, teve algo nobre que fez com que
esse povo reagira como um só homem.
Foram momentos de grandeza, de ânimo, de vitória,
momentos de dor e de derrota. Isto não podemos esquecer.
Foi um momento de grandeza
entre tanta mediocridade. Depois começamos a afundar, novamente nesta
mediocridade e desintegração crescente, preâmbulo do caos, anarquia e
dissolução nacional.
Por isso nos unimos aqui como
argentinos de fé, para rezar, pelas almas de aqueles que foram mortos em
combate. Isto é um dever de Piedade Altíssimo, já que deram sua vida por uma
causa nobre, uma causa justa, e o fizeram sabendo que estavam cumprindo com seu
dever.
Como cristãos devemos amar nossa família, mas
também devemos amar a essa família grande que é a Pátria, que é minha família,
e as famílias de todos aqueles que estão unidos por laços de tradição, de
história, de sangue, de língua, e de fé; pelos que forjaram esse passado comum,
e nos legaram um destino comum.
Essa virtude da Piedade é um dever de respeito e
honra aos pais e à Pátria, porque nela temos nascido e nos criado, porque dela
e nela recebemos tudo o que possuímos.
Por isso hoje ao rezar pelas almas dos mortos,
temos que rezar por nossa Pátria e recordar nossa história. Temos que mirar o
presente e o futuro. Nós, os que estamos vivos não podemos permitir que tenha
sido inútil o sacrifício dos mortos que ofereceram suas vidas por nossa Pátria.
Querem nos fazer esquecer do
heroísmo, nos querem fazer esquecer do sacrifício, nos querem fazer esquecer
dos grandes ideais, porque tudo isso não lhes convém.
Não lhes convém os covardes, não lhes convém os
traidores, não lhes convém os vendedores de pátrias, não lhes convém os que
compactuam e entregam nossos recursos ao inimigo, nossa Cordilheira e nosso
Mar. Não lhes convém os que querem esquartejar a Argentina em três ou quatro
republiquetas.
Não lhes convém os que nomearam no Ministério de
Defesa uma cidadã inglesa. Sim! Uma cidadã inglesa, filha de um alto
funcionário inglês, da Embaixada do Reino Unido na Argentina.
Não lhes convém os que, por
expressa instrução de nossos inimigos, denegriram, humilharam e trancafiaram em
verdadeiros campos de concentração os chefes militares que pelearam nas
Malvinas.
Não lhes convém os que desintegraram nossas F.A.
como o que estão fazendo atualmente com a Gendarmerie e a Polícia Federal, por
ordem desta mesma cidadã inglesa. Em síntese, os ingleses conduzem o Ministério
de Defesa e o Ministério de Segurança Interior argentinos.
Não lhes convém os políticos da oposição, qualquer
seja, já que eles também prosperam com o negócio mortal da droga, do jogo e da
prostituição, pelo qual querem destruir a moral e dignidade de nosso povo.
Não lhes convêm
espírito das Malvinas porque é o espírito da pátria, porque é o espírito
de Deus, da unidade, do amor. Porque é o espírito de nosso povo, é o espírito
de luta, o espírito de sacrifício e dignidade. Porque é o espírito da Nação
Argentina.
A quem cabe dúvidas que a ação heroica de Malvinas,
última guerra entre duas bandeiras, duas nações, duas linhagens, antes de
entrar de cheio nesta modernidade materialista, escravizadora e globalizada, não
continua hoje, em todo espaço nacional, com esta perversa Guerra Interna com
métodos mais sutis, mas muito mais mortífera que aquela que hoje recordamos.
Por acaso, não provoca mais morto a droga, que
penetra sem nenhum tipo de controle pela fronteira norte, onde a comissária
inglesa retirou a gendarmeria para leva-la à Grande Buenos Aires, levando o
caos e a criminalidade a níveis incontroláveis?
Por acaso, não provoca mais morto no corpo e no
espírito de nosso humilde povo, nos jovens e nas famílias, todas estas
perversas leis contra a unidade do matrimônio e a família, pedra angular de
nosso povo e nossa Nação?
Por isto querem que esquecemos. Nós não podemos
trair esse sangue derramado, porque não podemos trair e esquecer o sacrifício
de nossos irmãos, nossos amigos, nossos camaradas de luta. Porque não podemos
permitir que esse sangue seja derramado inutilmente.
O sangue daqueles que morreram por nossa Pátria são
sementes de uma nova Pátria, de uma Pátria que custará mais sacrifício e muitos
anos de luta. Mas isso não importa.
Temos que seguir sendo
combatentes, cada um no posto que Deus lhe designou, para que, como disse o
grande General, “sejamos o que devemos ser, senão, não seremos nada”.
Para que nossa pobre Pátria Argentina, tão ferida e
maltratada, possa um dia encher-nos de orgulho, como de orgulho nos encheram
aqueles heróis puntanos que hoje recordamos, que foram capazes de dar sua vida
como disse o Senhor, “Nada ama mais que aquele que é capaz de dar a vida pelo
seu povo”.
Nos aproximamos aos dias santos, aos dias que a
Igreja revive a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sabemos que para
seguir a Cristo temos que estar dispostos a carregar a Cruz.
Cristo é o Rei que nos ama e que nos chama para
conquistar nossa Pátria. E Cristo em nenhum momento nos chama com promessas de
uma vida fácil, cômoda. Cristo disse com clareza “O que quiser ser meu
discípulo, que pegue uma Cruz e me siga”. Quer dizer que para chegar à Glória
da Ressurreição e à Vida, ao Triunfo e ao seu Reino, há que passar pela
Sexta-Feira Santa, pela Paixão e pela Morte.
Este é nosso caminho pessoal, mas também o caminho
de nossa Pátria. O caminho que nos marcaram os que ofereceram sua vida em
combate.
Peçamos ao Senhor, nestes dias, que nos ajude a ser
fiéis nesta empresa, peçamos ao Senhor nestes dias, para que esta Pátria
entregada pelo Judas, humilhada, crucificada, possa alegrar-se um dia com a
Ressurreição, com a Vida que não passa, a qual Ele nos Chama, para reinar um
dia junto a Ele, e os que deram já sua vida por esta Pátria do Céu e da Terra.
2 de Abril de 2012, Provincia
de San Luis - Argentina.
Por Victor Eduardo Vital - Veterano de Guerra,
Batalhão de Infantaria da Marinha 5 (BIM5)
Fonte: Fundación Malvinas