sexta-feira, 25 de maio de 2012

Protecionismo argentino gera dano real à economia europeia

A União Europeia (UE) denunciou nesta sexta-feira a Argentina ante a Organização Mundial do Comércio (OMC) pelas "restrições" às importações impostas pelo governo da presidente Cristina Kirchner, que provocaram um "dano real" à economia europeia. "As restrições argentinas à importação violam as normas comerciais internacionais e devem ser eliminadas. Estas medidas provocam um dano real às empresas da UE e prejudicam o emprego e toda nossa economia", declarou o comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht.
 
A denúncia da UE não envolve a recente decisão da Argentina de expropriar 51% das ações da petroleira YPF, todas elas procedentes dos 57,4% sob controle da espanhola Repsol. Fontes europeias afirmaram que a UE está considerando todas as opções e está muito preocupada com a decisão argentina. A denúncia inicia um longo processo na OMC, com sede em Genebra. Em uma primeira fase, as duas partes foram chamadas para negociar. Contudo, se depois de 60 dias não chegarem a um acordo, a entidade instalará um painel arbitral que deverá "pronunciar-se sobre a legalidade das medidas argentinas".
 
Caso seja preciso, a OMC poderá impor sobretaxas sobre os bens argentinos. Justamente a UE é o segundo maior mercado da Argentina, atrás apenas do Mercosul, e o principal investidor estrangeiro do país, com mais de 50% do total. De acordo com as fontes europeias, "as medidas protecionistas adotadas pela Argentina provocaram uma queda de 14% das exportações europeias à Argentina no período abril 2011 - abril 2012, enquanto que as importações procedentes da Argentina recuaram 4%".
 
Uma imagem muito clara do impacto das medidas pode ser vista no porto de Buenos Aires, onde se "verão fileiras de containeres", descreveram. As restrições em 2011 "afetaram cerca de 500 milhões de euros" em exportações nesse mesmo ano. "Desde carros até eletrodomésticos, passando por telefones celulares, todos os produtos europeus foram afetados", disse De Gucht. Caso a UE tenha expressado nos últimos meses sua preocupação com relação ao governo de Kirchner, "a resposta de Argentina não foi satisfatória para os membros" do bloco europeu.
 
Em março, 19 membros da OMC, incluindo todos os países da União Europeia, além de Estados Unidos, Japão, México e Panamá, se queixaram ante a OMC pelas restrições que a Argentina tem aplicado às importações. O governo de Cristina Kirchner tem incrementado de forma gradativa as barreiras às importações desde a crise mundial de 2008, tendo intensificado esse processo desde abril de 2011. Com as medidas protecionistas, o governo argentino pretende manter o superávit comercial, que é sua principal fonte de divisas, ante o fechamento dos mercados financeiros após o default de 2001.
 
Essas medidas, no entanto, têm provocado fortes tensões com seus sócios do Mercosul. Inclusive, o Parlamento Europeu pediu recentemente em Bruxelas que retire a Argentina do Sistema Generalizado de Preferências (GSP), do qual se beneficiariam até 2014 cerca de 27% das vendas argentinas à UE. De Gucht precisou que "de momento" a UE não pensa em retirar a Argentina do GSP ou interromper as negociações para um acordo de livre comércio com o Mercosul.
 
Kirchner justificou a expropriação da YPF com a queda da produção de petróleo, que dobrou as importações de hidrocarbonetos em 2011 com relação a 2010, que o governo considerou uma falta de investimentos da petroleira. Na véspera, o chanceler argentino, Héctor Timerman, criticou em Paris as medidas protecionistas de países desenvolvidos e afirmou que a "Argentina e os países em desenvolvimento são prejudicados pelas altíssimas restrições comerciais". "O comércio deve ser um instrumento de aproximação entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento", afirmou.

 http://www.jornaldenegocios.pt/images/2012_04/cristinafernandezkirchnerargentinanot.jpg

Fonte

terça-feira, 22 de maio de 2012

Desemprego entre jovens no mundo deve se manter em alta até 2016, diz OIT

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou um novo relatório nesta terça-feira (22/05) em relação ao desemprego de jovens pelo mundo e a situação não é das mais otimistas. Segundo a organização, a tendência para os próximos quatro anos é que a taxa mundial de jovens desempregados continue alta.

Somente em 2012, segundo o relatório da organização, a estimativa é que aproximadamente 75 milhões de jovens, entre 15 e 24 anos, fiquem desempregados.

“A crise de desemprego entre os jovens pode ser vencida desde que a criação de emprego para eles se torne uma prioridade no processo político e que os investimentos no setor privado acelerem radicalmente", disse o diretor executivo da OIT para o Emprego, José Manuel Salazar-Xirinachs.

Ainda de acordo com o relatório, em comparação com os dados apresentados em 2007, neste ano haverá 4 milhões de jovens desempregados a mais. Segundo o estudo, intitulado como Tendências Mundiais do Emprego dos Jovens, 12,7% dos jovens devem ficar desempregados nesse ano.

O índice é idêntico àquele apresentado no auge da crise econômica de 2009, mas é superior aos números referentes ao ano passado, quando o desemprego atingia 12,6% dos jovens entre 15 e 24 anos no mundo.

“[O que deve ser feito] passa por medidas como alívios fiscais e incentivos para as empresas que contratam jovens, esforços para reduzir a diferença de competências entre os jovens, programas de empreendedorismo que integrem formação qualificada, e acesso aos capitais, bem como uma melhoria da proteção social dos jovens", disse Salazar-Xirinachs.

A alta nos índices de desemprego, aliada à crise econômica que atinge o continente, é o que mais tem provocado protestos de jovens pela Europa, em especial na Espanha, Itália, Inglaterra e Portugal.


 Via Opera Mundi

Quase 2 mil peças falsificadas chinesas encontradas em aviões militares dos EUA

Um grande número de aparelhos eletrônicos chineses falsificados está sendo usados em equipamentos militares americanos. A informação foi divulgada em um relatório do Senado americano.

O documento trata de uma investigação realizada ao longo de um ano. Durante esse período, o Comitê do Senado das Forças Armadas descobriu que um total de 1.800 peças falsificadas foram usadas em aeronaves militares americanas.

Das mais de 1 milhão de peças tidas como suspeitas, cerca de 70% teriam vindo da China, de acordo com o relatório.

O problema foi atribuído às limitações da rede de abastecimento de peças existente nos Estados Unidos e ao fracasso chinês em conter seu mercado ilegal.

Segundo o comitê, a falha em uma peça importante pode ocasionar riscos e ameaçar a segurança nacional americana, e, além disso, acarretar custos elevados para o Departamento de Defesa.

O documento afirma que os militares americanos dependem de uma série de ''pequenos e incrivelmente sofisticados componentes'' encontrados em sistemas de visão noturna, rádios e aparelhos de GPS. A falha de uma única peça poderia colocar um soldado em risco, disse o relatório.

O comitê do Senado afirmou ainda que peças falsas foram achadas em helicópteros SH-60B utilizados pela Marinha, em aviões de carga C-130J e C-27J e no avião Poseidon P-8A da Marinha.

Depois da China, as maiores fontes de peças falsificadas para aviões militares são a Grã-Bretanha, segundo o documento.

Críticas à China

O comitê fez críticas à China por fracassar em conter fabricantes de peças ilegais. Os senadores disseram ainda que a China não concedeu vistos para os políticos do comitê que pretendiam realizar investigações no país.

''Em vez de reconhecer o problema e de tentar de forma agressiva interromper a ação dos falsificadores, o governo chinês tenta evitar o escrutínio'', afirmou.

Mas os senadores concluíram ainda que programas do Departamento de Defesa, como o Programa de Intercâmbio de Dados de Indústrias e o Governo (Gidep, na sigla em inglês), que visa rastrear peças falsificadas, vem ''deixando a desejar''.

Entre 2009 e 2010, o Gidep recebeu apenas 217 relatos relativos a supostas peças falsificadas, a maioria delas vieram de apenas seis companhias. Somente 13 relatos foram fornecidos por agentes governamentais.
O documento elogia, no entanto, o Ato de Autorização de Defesa Nacional, promulgado pelo presidente Barack Obama no final do ano passado para combater a entrada de peças falsificadas no país e reduzir a terceirização de componentes de fornecedores desconhecidos.

A divulgação do relatório sobre a China se dá em um momento em que os Estados Unidos estão procurando intensificar sua estratégia de defesa para a região Ásia-Pacífico.

O Departamento de Defesa também está se preparando para cortar cerca de US$ 450 bilhões (R$ 912 bilhões) de seu orçamento ao longo da próxima década.

 

 Via BBC

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Europa faz planos para possível saída grega do euro

Por Sebastian Moffett e Mike Peacock


BRUXELAS/LONDRES, 18 Mai (Reuters) - As autoridades europeias estão trabalhando em planos de contingência no caso de a Grécia sair da zona do euro, afirmou nesta sexta-feira o comissário comercial da União Europeia (UE), Karel De Gucht, enquanto Berlim disse estar preparada para todas as eventualidades.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, um dos críticos mais ferrenhos da Grécia, disse que a turbulência do mercado, alimentada pela crise da dívida da zona do euro, pode durar um ano ou dois.
"Quanto à crise de confiança no euro ... em 12 a 24 meses, vamos ver uma calmaria nos mercados financeiros", afirmou.

Os formuladores de políticas insistem que querem que a Grécia permaneça na zona do euro, mas o comissário de Comércio da União Europeia, Karel De Gucht, disse que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu estavam trabalhando em cenários caso o país tenha que sair.
"Um ano e meio atrás, talvez houvesse o risco de um efeito dominó", disse De Gucht ao jornal belga em língua holandesa De Standaard.

"Mas hoje há no Banco Central Europeu, bem como na Comissão, serviços que trabalham em cenários de emergência se a Grécia não conseguir. A saída grega não significa o fim do euro, como alguns dizem."
Especulações sobre tal planejamento têm sido abundantes, mas os comentários de Gucht, que foram confirmados por uma pessoa próxima a ele, pareciam ser a primeira vez que um oficial da UE reconheceu a existência de contingências sendo elaboradas.

Um porta-voz do Ministério das Finanças alemão, questionado sobre os planos para uma possível saída grega, disse sem dar mais detalhes: "O governo alemão tem, naturalmente, a responsabilidade com seus cidadãos de estar preparado para qualquer eventualidade".

Mas um porta-voz da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, escreveu no Twitter que não havia planejamento ativo.


"A Comissão Europeia nega firmemente (que) está trabalhando em um cenário de saída para a Grécia", escreveu Oliver Bailly. "A Comissão quer que a Grécia permaneça na zona do euro."
As ações no mundo caíram e os custos de empréstimos na Alemanha atingiram recordes de baixa conforme incerteza sobre o futuro da Grécia na zona do euro e o aprofundamento da crise bancária espanhola reforçaram a busca por ativos seguros.

Os investidores foram abalados por um rebaixamento nos ratings de 16 bancos espanhóis pela Moody's Investors Service, embora a ação já fosse esperada.

O sentimento azedou a tal ponto que uma pesquisa de opinião mostrando que os gregos estão voltando a apoiar os partidos que apoiam o resgate do país teve pouco impacto.

Se eles votarem dessa forma nas eleições de 17 de junho, o lugar da Grécia na zona do euro ficaria mais garantido e a ameaça de contágio para países como a Espanha iria diminuir.

A pesquisa, a primeira realizada desde que as negociações para formar um governo fracassaram e uma nova eleição foi convocada, mostrou o partido conservador Nova Democracia em primeiro lugar, vários pontos à frente do radical de esquerda Syriza, que prometeu rasgar o programa de resgate de 130 bilhões de euros.

"Cabe aos políticos gregos explicar a realidade a seu povo e não fazer falsas promessas", disse Schaeuble à rádio francesa Europe 1. "Queremos que a Grécia fique no euro, mas cumpra os seus compromissos, e isso é uma decisão que cabe aos gregos."

Via Reuters