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domingo, 1 de novembro de 2015

Dos verdadeiros mecanismos da economia liberal: um caso brasileiro



por Maurício Oltramari

Assim como a grande maioria dos países do Ocidente, nas últimas décadas o Brasil tem sido cada vez mais consoante com a abertura de seus mercados a empresas multinacionais e com a integração de suas transações econômicas à dinâmica de negociação dos mercados globalizados. Essa postura trouxe ao país investimentos em setores importantes da indústria, do comércio e da prestação de serviços, e com eles, a chegada -ou a formação- de novos oligopólios e monopólios, fenômeno ao qual estão suscetíveis todas as economias regionais integradas aos seus respectivos mercados nacionais e ao mercado global.



As mesmas estruturas e poderes reguladores do liberalismo econômico -o sistema capitalista- que permitem a formação desses monopólios e oligopólios a nível internacional, também permitem, mutatis mutandis, a sua formação na esfera nacional. Isso significa, em termos econômicos, que há setores da prestação de serviços, do comércio e da indústria nacional que são dominados por uma empresa ou um seleto (e pequeno) grupo de empresas. Fato que dificulta e prejudica gravemente a existência e a manutenção dos pequenos e micro negócios em geral, nos quais se incluem, evidentemente, as empresas e os ofícios familiares.



Distante da obsoleta teoria econômica da “mão invisível”, -proposta por Adam Smith em “A Riqueza das Nações”- que postula a existência de uma determinada ordem de interesses coordenando a economia como uma entidade autônoma, as transações econômicas dos mercados globalizados movimentam-se por “mecanismos” muito diferentes, que nada tem a ver com a “oferta e demanda” que descreve a figura metafórica do filósofo inglês.



A nível nacional e internacional, esses “mecanismos” são os verdadeiros reguladores dos preços e de outras variáveis que estão diretamente relacionadas com a produção e venda de determinados bens e serviços. Nesse caso específico, estamos falando dos cartéis ou dos acordos informais -para definição de preços e quantidade de produção de bens- que os grandes empresários estabelecem entre si para garantir a maximização dos seus lucros. No caso brasileiro há alguns exemplos que podem ser utilizados para echar luz sobre essa realidade nefasta que passa despercebida pela grande maioria da população. Nesse texto, relataremos o caso de uma empresa que foi confrontada pela realidade dos oligopólios em um setor da indústria brasileira, e decidiu levar até as últimas consequências a determinação de não cooperar com a formação desses verdadeiros cartéis. Tratam-se dos fatos que levaram ao fechamento das empresas do empresário argentino Ramiro Vasena. O relato que segue é uma reprodução resumida de sua entrevista dada ao canal argentino Toda La Verdad Primero, no programa Producción Nacional, apresentado e comandado por Juan Manuel Soaje Pinto.



O caso do empresário e hoje dirigente político, aconteceu no Rio de Janeiro nos anos 90 e ganhou notoriedade na mídia nacional, tendo matérias publicadas nos principais veículos de comunicação do país. Ramiro Vasena foi proprietário de um grupo de empresas fabricante de peças para automóveis e caminhões, que registrava um crescimento expressivo nesse setor da indústria em meados da década de 90. A primeira empresa do grupo foi fundada por seu pai na zona oeste do Rio de Janeiro, e na época que Ramiro assumiu, contava com cerca de 50 funcionários. A empresa foi constituída com o intuito de suprir a necessidade de mercadorias daquele setor, já que existia uma grande demanda por esses produtos e os mecânicos e industriais -os principais consumidores- reclamavam dos preços altos e abusivos cobrados pelos fabricantes. Depois de cinco anos à frente do comando das empresas -que contavam já com mais de 550 funcionários no total- e alavancando seus negócios a patamares cada vez mais altos o empresário viu de súbito sua empresa ser subjugada pelos interesses de um oligopólio que manejava os preços das mercadorias segundo seus próprios interesses econômicos.



Quando as empresas do seu grupo abarcavam já uma fatia expressiva no mercado consumidor brasileiro do ramo de autopeças, o empresário foi procurado pelos maiores industriais do ramo e convidado a fazer parte de uma associação informal que estabelece preços e regras específicas para a produção e venda dessas peças. Em definitivo: uma associação ilícita; um cartel. Como nos relata Ramiro, as regras propostas pelo cartel foram as seguintes: elevar os preços dos bens e reduzir a produção, com o intuito de maximizar o lucro e reduzir os custos. E assim, alinhar-se aos preços praticados pelo mercado, ou seja, os preços definidos arbitrariamente por um seleto grupo de empresários, proprietários das maiores empresas do ramo em questão.  



Ramiro afirma que se negou a atender a essas exigências dos outros industriais, entendendo as consequências que essa decisão poderia trazer: iria prejudicar tanto aos seus consumidores quanto ao povo brasileiro como um todo, já que estaria infringindo as leis que vigoravam no país naquele momento. Como Ramiro enfatiza, periodicamente as novas exigências e regras decididas pelo cartel eram transmitidas ao empresário. Confrontado e ameaçado caso não aceitasse os termos impostos, manteve a decisão de não fazer parte da associação e ele salienta o que lhe diziam os empresários que o intimaram: “o Brasil é nosso”.



Inicialmente, a empresa de Ramiro foi alvo de um conhecido “mecanismo” regulador do mercado, o dumping. Resumidamente, essa prática comercial consiste na venda -por parte de uma ou mais empresas- de produtos por um preço considerado abaixo ou muito abaixo de seu valor justo ou do preço praticado em um determinado país. O intuito dessa técnica é prejudicar ou eliminar os concorrentes, fato que se verificou nas empresas do empresário argentino, quando seus concorrentes reduziram os preços de determinados produtos para valores que estavam abaixo do preço de custo desses bens. Além do dumping, Ramiro afirma que muitos de seus produtos eram sabotados e danificados nas lojas de revenda de autopeças. Nessa época, a empresa já enfrentava dificuldades para a realização e entrega de pedidos dos clientes.



Com o faturamento prejudicado e reduzido frente às condições impostas pelas regras ocultas do mercado, as empresas do grupo de Ramiro começaram a enfrentar dificuldades financeiras. Mas essas dificuldades não afetaram somente a Ramiro e sua família, mas a todos os seus trabalhadores e suas famílias. Mais uma vez estavam se repetindo a sina da desigualdade e injustiça impostas por um sistema econômico que favorece a ganância de poucos e prejudica os mais necessitados: os trabalhadores e suas famílias.  Por fim, ele decidiu levar a questão à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, apresentando uma denúncia formal, relatando a situação atual de sua empresa e apontando as práticas ilegais levadas a cabo pelos industriais do ramo de autopeças. As denúncias foram por abuso de poder econômico, tentativa de formação de cartel e práticas ilegais de comércio, segundo o empresário, que chegou a conversar com cinco ministros de justiça durante todo o período em que tentava desmantelar o cartel e dar fim às injustiças que lhe eram impostas.



Ele aponta a existência de uma “máfia” por detrás das empresas e dos órgãos de justiça no Brasil. Segundo as gravações que ele fez de suas conversas com participantes do cartel, como Roberto Kasinski*, ficou comprovada a ligação que eles mantinham com Salomon Rotenberg, diretor da Secretaria de Direito Econômico na época em que as denúncias foram feitas. O diretor era amigo pessoal de Kasinski, e segundo o que este último havia dito em tom claro ao próprio Ramiro, nada aconteceria se as denúncias fossem levadas à frente. De forma concomitante, os veículos de comunicação que inicialmente haviam dado grande atenção ao seu caso, agora silenciavam.



Ramiro relata também como organizou protestos nas ruas do Rio de Janeiro para tornar público o que acontecia com suas empresas, quando era auxiliado pela polícia e muitos voluntários, sendo esta a única forma que ele conseguia para que o processo na justiça fosse levado adiante. Enquanto toda essa epopeia às avessas se desdobrava, eram as famílias dos trabalhadores que sofriam as consequências mais nefastas dessa verdadeira conspiração, que não é uma exceção no mundo empresarial dos mercados liberais.



Não será difícil para o leitor imaginar qual é o fim dessa história. Com suas empresas severamente prejudicadas pela ação desse cartel e acumulando um número cada vez maior de dívidas Ramiro teve que retirar-se do ramo da venda de autopeças e sua empresa acabou vendida para uma multinacional estrangeira. Na esfera econômica, viu a sina dos negócios familiares repetir-se: os grandes oligarcas engoliram sua empresa e continuaram tornando-se ainda mais ricos e projetando suas garras país afora. Na esfera social, viu seus trabalhadores e a comunidade prejudicados e sem possibilidade de reação, engolindo as injustiças e as dificuldades, sempre esperando por dias melhores. A cartilha liberal foi seguida à risca.



É evidente pelo relato da experiência de Ramiro -e como o próprio industrial afirma- a existência de uma “máfia”; um cartel estabelecido no ramo de autopeças do Brasil, mas não apenas isso. É possível estender essa experiência para que possamos analisar outros grandes setores da indústria e do comércio no Brasil e no mundo, e entender quais são os verdadeiros “mecanismos” e agentes ocultos que orientam a economia das nações. Cujas únicas preocupações são o próprio enriquecimento e a perpetuação de seu status de elite mundial, à custa, obviamente, da exploração dos povos e de suas culturas.



Estabelecidas e sustentadas pelas estruturas de poder das democracias do Ocidente, as elites ocultas que determinam o rumo das economias nacionais e dos mercados globais continuam a exercer seu poder, fundado nos princípios do liberalismo econômico. Sem o ataque direto ao aparato militar e econômico dos centros de poder será impossível reverter a situação que recai sobre nossas cabeças e afeta a todos, principalmente aos trabalhadores e aos empresários familiares, que estão à base da comunidade. E são esses trabalhadores e empresários -o povo brasileiro- os responsáveis diretos pela tarefa de desmantelar essa teia liberal, infiltrada -através da economia- em todos os aspectos da vida cotidiana, e assim restaurar ao trabalho e ao comércio o lugar e a dignidade que lhes pertence dentro da sociedade.



*Filho de Abraham Kasinski, fundador e dono de uma das maiores empresas de autopeças do Brasil nos anos 90, a COFAP.

Entrevista (em espanhol)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A Parceria Transpacífico (TTP): Economia e Guerra



A Parceria Transpacífico (TPP - Trans-Pacific Partnership) possui como objetivo minar a influência dos países do BRICS. Além disso, o tratado ameaça transformar-se no maior instrumento de influência das corporações multinacionais, não apenas na região, mas a nível mundial.


Nos Estados Unidos, chegou-se a um consenso para o estabelecimento da Parceria Transpacífico. É o maior acordo de livre comércio incluindo a América, Austrália e o sudoeste asiático.


Estas são as doze nações:

Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Estados Unidos, Vietnam.

É esperado que sua abrangência alcance um território habitado por 400 milhões de pessoas, representando 40% da economia mundial. O acordo é acompanhado por fortes críticas dos especialistas devido à atmosfera de mistério que o cerca. De fato, o texto do documento ainda não foi publicado.

O estabelecimento da Parceria Transpacífico foi feito em segredo. Ele inclui doze países dos dois lados do Pacífico. O centro, é claro, é ocupado pelos Estados Unidos da América, que busca fortalecer sua influência na região. Não é segredo que no mundo moderno a economia é um dos instrumentos utilizados para alcançar dominação geopolítica. Em primeira instância, o acordo da Parceria Transpacífico é um golpe desferido contra a China.

A Parceria Transpacífico está estabelecida como uma união econômica. No entanto, esse tipo de associação sempre traz implicações geopolíticas. Vamos entender porque foi necessário estabelecer associações naquela região. Doze estados, que entraram na parceria para formar um anel de abrangência transcontinental que se estende do polo Norte ao polo Sul. Incluindo 40% do comércio mundial. Oficialmente, os membros da parceria buscam a derrubada das barreiras comerciais. Porém, vamos observar quais são as consequências dessa união na esfera militar. Um passo importante na eliminação de barreiras – um espaço comum para a aviação civil. Para a comodidade dos voos livres é necessária a criação de uma zona identificada para a defesa aérea comum. Se isso ocorre, os americanos poderão mover-se secretamente pelo extenso espaço aéreo e atacar zonas internas da China, sem aproximar-se da costa do país.

Isso implica cortar os meios de expansão da China em direção ao Sul. Um envolvimento da Malásia na área onde os EUA dominam permite controlar o estreito de Malaca, que serve como rota comercial para a Europa e por onde passa o fornecimento de petróleo para o Japão. Portanto, a China é privada da oportunidade de tornar-se mais forte no pacífico. Finalmente, a Parceria Transpacífico é o próximo passo executado pelos Estados Unidos para ditar sua vontade à Eurásia, e é a chave para conseguir a hegemonia mundial. O controle direto não pode ser obtido nas circunstâncias atuais. O que resta é confiar na artimanha do isolamento. A mais de meio século atrás os americanos construíram uma zona de influência no atlântico e no mediterrâneo. Agora é hora de tentar limitar a Rússia na área do pacífico. Nesse sentido, um cordão é a figura ideal para tentar empurrar e encurralar alguém.

Barack Obama: “Nós precisamos fazer todos os esforços para que os Estados Unidos estabeleça os princípios da economia mundial. Afinal de contas, se não formularmos as regras do comércio internacional, quem o fará? Evidentemente, a China.”

A atmosfera de mistério pode ser explicada. De acordo com especialistas, o acordo irá inevitavelmente destruir o negócio americano, levará ao aumento do desemprego e fará com que os países participantes tornem-se reféns das corporações multinacionais. A história nos relata alguns precedentes. A visita de Nixon à China foi em 1972. Antes que os Estados Unidos tivessem a tarefa de transferir a disputa –que na época era frente à União Soviética-  em direção à China, seu antigo aliado geopolítico. Os americanos investiram energicamente na economia chinesa. O número de americanos empregados na indústria caiu de 25% do total de empregados para 17%. Vinte anos depois a situação ficou ainda pior. Os indicadores caíram para 10%. Isto resultou no encerramento do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio no começo dos anos 90. Muitas das industrias dos EUA transferiram-se para o Canadá e México. O mesmo está acontecendo agora. Porém, na zona de comércio não há apenas um país ou dois, mas doze países. Os EUA sacrificando os interesses de seus próprios cidadãos para satisfazer as ambições geopolíticas de companhias multinacionais.

“O governo dos EUA é uma marionete, que está a favor e serve àqueles que possuem o dinheiro. Os principais acionistas do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos. Esse acordo, que legaliza a posição privilegiada e os direitos das corporações multinacionais, que, se acordo iniciar-se, irão ditar seus termos aos países.”

A aliança econômica tem como objetivo minar a influência dos países do BRICS, especialmente China, Rússia e Índia. O histórico pacto entre os países do Círculo do Pacífico demonstra o quanto a Índia –apesar de seus esforços para modernizar e abrir sua economia, a terceira maior da Ásia- acabou ficando para trás de seus vizinhos no que diz respeito à derrubada de barreiras comerciais.

A Índia ficou de lado enquanto ocorriam as longas negociações das doze nações que compõem a Parceria Transpacífico, ao mesmo tempo em que as autoridades do país focaram-se em promover outras parcerias comerciais. E ainda, um tratado de investimento entre os EUA e a Índia avançou timidamente enquanto os dois países discutiam à respeito dos direitos de propriedade intelectual e acessibilidade de mercado. Um acordo de livre comércio ficou estagnado por anos, com ambas as partes relutantes em abrir seus mercados agricultores.

À medida que seus maiores parceiros comerciais juntaram-se em blocos com tarifas reduzidas, a Índia arriscou-se a ficar isolada dos principais mercados em um momento em que o Primeiro Ministro Narenda Modi tenta acelerar o crescimento econômico e integrar o seu país nas redes de fornecimento globais.

Além disso, o acordo comercial ameaça tornar-se o maior instrumento de influência de corporações multinacionais, não apenas na região, mas também à nível mundial.

A razão pela qual o povo desses países ditos “democráticos” não saberá dos termos, até que quatro anos tenham se passado nesse acordo secreto, que seus governos assinaram, é que eles terão assinado para autorizar as corporações multinacionais a processar os seus respectivos governos (os pagadores de impostos), potencialmente por cifras assustadoras. Não em uma corte jurídica democrática na qual o público tenha elegido os juízes ou elegido as pessoas que apontariam os juízes. Ao invés disso, serão eleitos três árbitros, selecionados de acordo com algo chamado de “convenção CIADI”, e “a convenção CIADI estabelece que a maioria dos árbitros não deve compartilhar a nacionalidade das partes que discutem a causa” – em outras palavras: a maioria dos árbitros será de origem estrangeira; todos os árbitros, com exceção de um, serão escolhidos por corporações multinacionais, e o árbitro que não for escolhido por estes, não será necessariamente escolhido pelo país em a empresa está estabelecida. De qualquer maneira, apenas um dos árbitros poderá possivelmente ser escolhido pelo país em que a empresa está estabelecida.

Se o árbitro não corporativo acaba sendo selecionado por um país estrangeiro, então o país que disputa a causa não será representado em todos esses processos, que podem estabelecer multas que irão impactar profundamente a nação processada e enriquecer a corporação à frente do processo. Isso não significa necessariamente que a multa, se houver, será maior do que ela deve ser, mas simplesmente que não há contabilidade democrática no processo de determinar qual multa será imposta ao país processado.

Ademais, as decisões tomadas nesse cenário, diferente das decisões dos tribunais -nas quais é possível recorrer à sentença- não serão passíveis de recurso.

Além disso, nessa Parceria do Transpacífico nenhuma nação irá possuir o direito de processar qualquer corporação multinacional, enquanto estas podem, no proceder do acordo, processar unicamente a um governo nacional.

Finalmente, através da criação da Parceria Transpacífico o governo dos EUA está matando dois coelhos numa cajadada só. Por um lado, ele permite que as multinacionais estejam unidas por tempo indeterminado à elite americana. Por outro lado, tenta manter seu lugar como hegemonia global. Liberalismo americano requer sacrifício. E as vítimas são pessoas comuns, como as que saíram para protestar em todos os estados dos EUA, do Oregon à Carolina do Norte. 

Traduzido por Maurício Oltramari, via Katehon

terça-feira, 28 de julho de 2015

Rússia expulsa os alimentos geneticamente modificados


 
Neonnettle: O vice-primeiro ministro russo, Arkady Dvorkovich anunciou que o futuro da agricultura para a Rússia não envolverá GMO (alimentos geneticamente modificados). A Rússia agora tende a focar em melhorar a saúde do solo e em ter a comida mais limpa do mundo.
 
De acordo com WorldTruthTV, a Rússia não importa GMO como fazem os países europeus, nem os faz crescer. Contrariamente aos EUA, a Rússia aprofundou sua preocupação quanto à segurança dos GMO e optou em implementar um moratorium estendido sobre seu uso como parece aos outros, tecnologias mais seguras que não vêm com o risco de nascidos defeituosos, disrupção endócrina e câncer.
 
No recente Fórum Econômico Internacional feito em São Petersburgo, Dvorkovich contou aos ouvintes que a Rússia "optou por um caminho diferente", e que o país "não mais usará tecnologias genéticas em alimentos" que aumentem a produção. O anúncio coincide com as afirmações feitas pelo presidente Vladimir Putin em 2014 sobre a necessidade de proteger os cidadãos russos contra os GMO. 

"Precisamos construir adequadamente nosso trabalho de modo que não esteja contrário às nossas obrigações perante a WTO (Organização Mundial do Comércio, pela sigla em inglês)", afirmou Putin. "Mas mesmo com isto em mente, não obstante temos métodos e instrumentos legítimos para proteger nosso próprio mercado, e sobretudo os cidadãos".

Oficial: GMO causam obesidade e câncer, e não serão tolerados.

Esse é o tipo de coisa que os americanos deveriam demandar dos seus próprios políticos eleitos - uma ênfase sobre proteger as pessoas ao invés dos lucros das corporações - mas, infelizmente, os Estados Unidos olham para os GMO de modo muito diferente. A despeito de todos os riscos envolvidos, os fantoches políticos americanos acreditam que os GMO deveriam continuar a dominar o mercado de alimentos nacional sem que eles próprios sejam etiquetados.

Enquanto isto, a Rússia está rumando para a expulsão dos venenos tóxicos, enfatizando a necessidade de políticas agrárias que tomam uma abordagem precavida às modalidades controversas como biotecnologia que envolvem gens artificiais e pesticidas tóxicos. A vice-presidente da Associação Nacional para Segurança Genética Russa, Irina Ermakova, disse recentemente:

"Foi provado que não apenas na Rússia, mas também em muitos outros países do mundo que os GMO são perigosos. O consumo e o uso de GMO podem levar a tumores, cânceres e obesidade".

O primeiro ministro: Se os americanos querem GMO, tudo bem, mas os russos preferem orgânicos.

O primeiro ministro Dmitri Medvedev também fez algumas chamadas ano passado quando anunciou que a Rússia não mais importaria quaisquer produtos GMO, audaciosamente proclamando que a Rússia tem mais que o bastante de terras e recursos para produzir alimentos orgânicos seguros e limpos, sem qualquer necessidade de alimentos multinacionais e bio-pirateados, além de químicos venenosos.

Ele afirmou, conforme a RT.com, que "se os americanos gostam de comer produtos GMO, deixemos que comam então. Nós não precisamos disto; temos o bastante de espaço e oportunidades para produzir alimentos orgânicos".

Com tudo isso em mente, os "Rússia maligna" da mídia americana se tornou menos convincente. Os estadounidenses serão duramente pressionados a nunca ter um político contra a GMO, como são os líderes russos, e então estes é que são os "bandidos" e os estadounidenses é que são os "mocinhos"?

domingo, 26 de julho de 2015

Os 'Quatro Grandes' Bancos de Wall Street e as 'Oito Famílias'

por Alfredo Jalife-Rahme
 
A mídia russa expurgou e apontou em forma específica os quatro oligopólios financeiristas - os "quatro grandes megabancos" -que "controlam o mundo", como é o caso de uma perturbadora investigação de Russia Today: Black Rock, State Street Corp., FMR (Fidelity), Vanguard Group.


Resulta também que a "privatização da água" é realizada pelos mesmos "megabancos" de Wall Street, em uníssono do Banco Mundial, que beneficia em seu conjunto o nepotismo dinástico dos "Bush" que buscam controlar o Aquífero Guarani na América do Sul, um dos maiores de "água doce" do planeta.

Já desde 2012 o anterior legislador texano Ron Paul - pai do candidato presidencial Rand; um dos criadores do apóstata "Partido do Chá (Tea Party)", mas um dos melhores fiscalistas dos EUA - tinha salientado que "os Rotschild possuem ações das principais 500 transnacionais da revista Fortune" que são controladas pelos "quatro grandes (The Big Four)": Black Rock, State Street, FMR (Fidelity) e Vanguard Group.

Agora, Lisa Karpova, de Pravda.ru, entra no labirinto das finanças globais e comenta que se trata de "seis, oito ou talvez 12 famílias que realmente dominam o mundo, sabendo que é um mistério (supersic!) difícil de decifrar".

Como pode existir no século XXI ultratecnificado e transparentemente democrático, como pregam seus turiferários também e tão bem controlados, tanta opacidade para conhecer quem são os plutocratas megabanqueiros oligopólios/oligarcas que controlam as finanças do planeta?

Karpova salienta que as oito (supersic!) reduzidas "famílias", que foram amplamente citadas na literatura, não se encontram longe da realidade: Goldman Sachs, Rockefeller, Loeb Kuhn e Lehman (em Nova Iorque), os Rothschild (de Paris/Londres), os Warburg (de Hamburgo), os Lazard (de Paris), e Israel Moses Seifs (de Roma). Haja lista polêmica onde, a meu ver, nem são todos os que estão, nem estão todos os que são!

Karpova empreendeu o "inventário dos maiores bancos do mundo" e percebeu-se da identidade de seus principais acionistas, assim como de quem "toma as decisões". Alguém poderá criticar, não sem razão, que o inventário de Karpova não alcança a sofisticação de Andy Coghlan e Debora MacKenzie, da revista New Scientist, que develam a plutocracia bancária e suas redes financeiristas - o um por centro que governo o mundo -, baseados em uma investigação de três teóricos dos "sistemas complexos", mas que no final das contas coincide de forma surpreendente, apesar de sua simplicidade interrogatória.

Karpova descobriu que os sete megabancos de Wall Street controladores das principais transnacionais globais são: Bank of America, JP Morgan, Citigroup/Banamex, Wells Fargo, Goldman Sachs, Bank of New York Mellon e Morgan Stanley. Karpova descobre que os megabancos de outrora são controlados por sua vez pelo "núcleo" de "quatro grandes" (The Big Four)": Black Rock, State Street Corp., FMR (Fidelity) e Vanguard Group.

Estes são os achados dos controladores de cada um dos sete megabancos: 1) Bank of America: State Street Corp., Vanguard Group, Black Rock, FMR (Fidelity), Paulson, JP Morgan, T. Rowe, Capital World Investors, AXA, Bank of NY Mellon; 2) JP Morgan State Corp., Vanguard Group, FMR (Fidelity), Black Rock , T. Rowe, AXA, Capital World Investor, Capital Research Global Investor, Northern Trust Corp., e Bank of Mellon; 3) Citigroup/Banamex: State Street Corp., Vanguard Group, Black Rock, Paulson, FMR (Fidelity), Capital World Investor, JP Morgan, Northern Trust Corporation, Fairhome Capital Mgmt e Bank of NY Mellon; 4) Wells Fargo: Berkshire Hathaway, FMR (Fidelity), State Street, Vanguard Group, Capital World Investors, Black Rock, Wellington Mgmt, AXA, T. Rowe e Davis Selected Advisers; 5) Goldman Sachs: os quatro grandes, Wellington, Capital World Investors, AXA, Massachusetts Financial Service e T. Rowe; 6) Morgan Stanley: os quatro grandes, Mitsubishi UFJ, Franklin Resources, AXA, T. Rowe, Bank of NY Mellon e Jennison Associates, e 7) Bank of NY Mellon: Davis Selected, Massachusetts Financial Services, Capital Research Global Investor, Dodge, Cox, Southeatern Asset Mgmt. e os cuatro grandes.

Os "quatro grandes" que dominam os sete megabancos e gozam de sobreposição e interações apenas destróem quem controlam State Street e Black Rock. 

A) State Street: Massachusetts Financial Services, Capital Research Global Investor, Barrow Hanley, GE, Putnam Investment e … os quatro grandes (eles mesmos são acionistas!), e B) Black Rock: PNC, Barclays e CIC.

Dá o exemplo de sobreposições/interações , como PNC, que é controlado por três dos "quatro grandes": Black Rock, State Street e FMR (Fidelity).

Em seu livro Guerra de Câmbios, o autor chinês Song Hongbing no momento catalogava os Rothschild como a família mais rica do planeta, com um descomunal capitão de 5 bilhões de dólares.

Se os Rothschild fossem um país, teriam então o quinto (supersic!) lugar do Ranking global, atrás do PIB de 7,3 bilhões de dólares da Índia (quarto lugar) e maior que Japão de 4,8 bilhões de dólares (quinto) e antes que a Alemanha (sexto), Rússia (sétimo), Brasil (oitavo) e França (nono).

Já havia citado um artigo do mesmo The Economist - também propriedade, como The Financial Times, do grupo Pearson -: todos controlados pela matriz Black Rock, um dos "quatro grandes" - em que se demonstrava as transnacionais que Black Rock controla: principal acionista de Apple, Exxon Mobil, Microsoft, GE, Chevron, JP Morgan, P&G, Nestlé, sem contar os 9 por cento de ações da Televisa.

Segundo Karpova, "os quatro grandes" controlam além disso as maiores transnacionais anglosaxões: Alcoa; Altria; AIG; AT&T; Boeing; Caterpillar; Coca-Cola; DuPont; GM; G-P; Home Depot; Honeywell; Intel; IBVM; Johnson&Johnson; McDonald's; Merck; 3M; Pfizer; United Technologies; Verizon; Wal-Mart; Time Warner; Walt Disney; Viacom; Rupert Murdoch' News; CBS; NBC Universal. Os donos do mundo!

Como se o anterior fosse pouco, Karpova comenta que a "Reserva Federal (a FED) compreende 12 bancos, representados por um conselho de sete pessoas e representantes dos quatro grandes".

No fim do dia a FED está controlada pelos "quatro grandes" privados: Black Rock, State Street, FMR (Fidelity) e Vanguard Group.

A meu ver, é muito provável que existam imprecisões que seriam produto da própria opacidade dos megabanqueiros.

Na fase da "guerra geofinanceira", o que conta é a percepção dos analistas financeiros da China e da Rússia que acusam a existência de "quatro grandes" e oito famílias, entre as quais se destacam os banqueiros escravistas Rothschild: controladores em seu conjunto de outro tanto de megabancos e da FED.

Os donos do universo!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Crises: as explanações convencionais e a marxista

 por Valentin Katasonov

Não muitas pessoas corretamente desvendam sinais enviados de cima chamados "crises". Essas crises econômicas pelos dois últimos séculos já surpreendente e periodicamente têm atormentado a humanidade. Algumas pessoas consideram-nas como uma variedade dos desastres naturais como secas e tsunamis. Ao mesmo tempo, as pessoas frequentemente se negam a ver as razões humanas por trás das crises - razões condicionadas, acima de tudo, pela mudança de consciência do homem, e então por suas ações e por seu comportamento.

A doutrina de William Jevons, economista inglês, estatístico e filósofo (1836-1882), é considerada um exemplo de uma abordagem natural e física à explanação das crises periódicas. De acordo com sua opinião, o fator do desenvolvimento cíclico é um processo conectado ao movimento de manchas sobre o sol (que, por sua vez, influencia a condição da agricultura, e assim o cientistas arranjou uma corrente de causas e efeitos que explicam as mudanças de todos os aspectos da vida em sociedade).

Aliás, Alexander Chizhevsky (1897-1964), nosso cientista doméstico, é muito mais conhecido na Rússia como um dos representantes dessa abordagem. Ademais, ele não foi um economista, mas um bio-físico. De acordo com Chizhevsky, a atividade solar tem uma amplitude definida de oscilações que se encontram nos 11 anos de amplitude de oscilações da indústria.

A abordagem subjetiva-psicológica não é menos popular durante os dois últimos séculos. O ponto é que o fator de todas as mudanças na economia são as mudanças no humor do homem (otimismo, desânimo, desapontamento, pânico, etc.).

Por exemplo, Arthur Pigu (1877-1959), economista inglês, acreditou que a crise foi causada por acumulação de "erros de otimismo". Pigu explicou essas ideias em 1929 em seu trabalho Flutuações Industriais.

John Keynes (1883-1946), um conhecido economista inglês, também viu uma repetição do desenvolvimento da economia nas mudanças dos humores psicológicos das pessoas e usou tais conceitos que pouco tem que ver com as ideias exatas da ciência, como "inclinação para salvamentos", "inclinação para investimentos", etc. "O Psicologismo" de Keynes é revisado em sua obra-prima Teoria Geral da Apreensão, do Interesse e do Dinheiro.

As razões da ordem demográfica são frequentemente tomadas como razões da crise de superprodução. A lógica do raciocínio dos "deterministas demográficos" é assim: a produção de bens (serviço) cresce até a saturação da demanda no mercado dos tais bens (serviço). A capacitação do mercado, de acordo com eles, é especificada, antes de tudo, pela população do país. No entanto, as dadas razões não explicam coisa alguma. Primeiro, porque pode ajudar a explicar apenas a interrupção do crescimento de produção, mas não sua queda e progresso cíclico. Em segundo lugar, porque não está nada claro o porquê precisamos de crescimento permanente da economia se todas as necessidades da sociedade por bens e serviços é satisfeita. Basicamente, a produção deveria crescer na economia com a demanda saturada, mas deveria encontrar crescimento demográfico e nada mais.

A análise de tendências do crescimento econômico e dos processos demográficos demonstra que os ritmos do incremento de renda bruta para o século XX como um todo sobre o mundo são orientados por uma lei além e maior do que o nível de aumento populacional. Isso prova apenas que a dinâmica econômica (ao menos na economia moderna) não é determinada pela demografia. Um tal rápido desenvolvimento da economia no século XX difere de uma sociedade medieval, onde a demografia e a economia tiveram trajetórias muito similares.

Provavelmente, é possível e necessário estudar as ligações entre a dinâmica da economia e as tendências demográficas, mas você deve entender que a) a dinâmica econômica e das tendências demográficas podem ter ainda direções distintas (por exemplo, a recessão econômica pode ocorrer em condições de rápido crescimento da população); b) na ligação "economia-demografia" o ciclo de negócios é primário, e os processos demográficos são secundários, a dinâmica da economia é derivativa (mas não o contrário). Particularmente, a recessão da economia causa processos demográficos desfavoráveis; a expansão da economia melhora os processos demográficos.

Em uma palavra, explicando o ciclo da economia pelas mudanças na demografia, os "deterministas demográficos" confundem causa e efeito.

Um grande grupo de economistas consideram as crises um inadvertido "pagamento" pela engenharia e pelo progresso econômico da humanidade. A ciclicidade é posta no desenvolvimento da ciência, da engenharia, das forças produtivas. É a abordagem tecnocrata.

As ideias tecnocráticas sobre a natureza das crises prevalece entre os economistas modernos. Por exemplo, a teoria do "desenvolvimento de onda da economia" de Nikolai Kondratiev (1892-1938), nosso economista doméstico, é muito popular. As chamadas "longas ondas de Kondratiev" são explicadas por um certo mecanismo misterioso de desenvolvimento da ciência e da tecnologia: periodicamente (uma vez a cada 50-60 anos) há descobertas causando mudanças revolucionárias na engenharia e em todas as forças produtivas da sociedade. No entanto, as ideias similares foram populares no século XIX quando o Ocidente enfrentou a primeira crise de superprodução. Aqui podemos nos lembrar da teoria do "desenvolvimento cíclico da economia" de Karl Marx (1818-1883); as gerações velhas e adultas se lembram dessa teoria muito bem devido aos livros de economia política capitalista. O comprimento dos ciclos de Marx é muito menor que o comprimento dos ciclos de Kondratiev.

No Ocidente, os trabalhos de Josef Shumpeter (1883-1950), economista austríaco, são ampplamente conhecidos entre os trabalhos sobre explanação do desenvolvimento cíclico da economia. Antes de tudo, é seu trabalho publicado em Business Cycles, 1939.

Todas as teorias tecnocratas, apesar da diferença na linguagem utilizada, a estimativa do comprimento do ciclo, entre as fases do ciclo e algumas outras partes têm semelhança no geral. Seus autores tomam como as razões do desenvolvimento cíclico da economia (e de acordo com isso a periodicidade das crises) os "avanços tecnológicos", mais estritamente a ciclicidade dos processos de deslocamento dos fundos financeiros com uma nova base de engenharia. Por diferentes variações os autores de teorias similares demarcam as seguintes fases do ciclo:

1) explosão da produção baseada em novas tecnologias e larga escala de investimentos em indústrias "locomotivas";
2) expansão do mercado e elevação da demanda efetiva em todas as indústrias (as fontes de dinheiro originadas nas indústrias "locomotivas" espalhadas em toda a economia);
3) O multiplicativo aumento em todas as indústrias das despesas da crescente demanda efetiva agregada;
4) a exaustão do efeito multiplicativo e decréscimo da produção (crise de superpopulação, recessão) com todas as consequências (dificuldade em vendas de produtos, quebra de negócios, redundância, desmoronamento de preços para os bens e ativos etc.).

Os "tecnocratas" como Kondratiev têm pouca consideração em aspectos antropológicos, sociais e políticos da atividade econômica, e sua estrutura lógica é como um esboço astrológico ou cabalístico. Tais autores, voluntariamente ou não, atribuem algumas propriedades místicas do desenvolvimento em "cíclico", "onda", "espiral", à ciência, à engenharia, às forças produtivas como se o assunto fosse sobre nascer do sol ou crepúsculos ou mudanças de estação. Esse misticismo lembra um pouco o panteísmo - uma filosofia e concepção religiosa da existência de uma certo Deus impessoal identificado com a natureza.

O paradoxo está no fato de que antes que a humanidade transferisse a economia para a civilização capitalista realmente teve uma natureza sazonal de progresso desde que era predominantemente agrária. Mas nessa economia não havia crises econômicas de superprodução (logo mais as crises de subprodução como um resultado das secas e outros desastres naturais). Na civilização capitalista, a atividade trabalhista do homem foi concentrada na indústria, i.e., se afastou das influências dos fatores sazonais. No entanto, desde aquele tempo a sociedade experimentou crises cíclicas na economia, e com surpreendente periodicidade.

Para os partidários das diferentes abordagens dos economistas "profissionais" em relação à explicação das crises (tecnocratas, subjetivas, psicológicas, monetaristas, etc.), a medida moral e espiritual da vida econômica parece estar além das teorias. De acordo com isso, as propostas "construtivas" de tais "profissionais" são combinadas para corrigir o atual modelo (capitalista), não tocando na fundação espiritual e moral da sociedade. Por exemplo, impulsionar ou, pelo contrário, refrear a regulação estatal da atividade econômica. Ou corrigir a política monetária por meios de aumento de fornecimento de moeda (ou, pelo contrário, retirar uma parte do dinheiro de seu movimento). Ou substituir o papel moeda por ouro (metal). E assim por diante. No entanto, tais medidas "cosméticas" podem apenas suavizar as crises, no máximo. Um pouco mais tarde, a doença da economia volta ainda mais forte. Os sintomas são muito diferentes e chamados diferentemente: inflação ou desinflação, desemprego, superprodução ou subprodução, recessão, depressão, estagnação, estagflação, bancarrota, pânico bancário, revelia, etc.

O retorno da doença sob seus diferentes nomes significa que o diagnóstico e os métodos de tratamento foram especificados incorretamente.

Economia política por Marx: definição do capitalismo

Representantes separados da abordagem tecnocrata tiveram nuances que detalham e suplementam a explanação tecnocrata da crise com fatores sociais, psicológicos e até mesmo políticos. É razoável expandir sobre a teoria de Karl Marx que foi a "única teoria correta" em nosso país (Rússia) por 70 anos. Ademais, nas condições da crise atual podemos assistir o Renascimento do Marxismo, muitos buscam por uma explicação da atual (a primeira em cem anos na Rússia) crise em Das Kapital - o principal trabalho dentre os clássicos.

Certamente, Marx como um filósofo é claramente tecnocrata, desde que busca quaisquer variações da vida pública nas variações da força produtiva, e a força produtiva ele, acima de tudo, reduz aos meios de produção, i.e., maquinário e tecnologias. Mas em Das Kapital a abordagem tecnocrata aparece como a meia-distância, e forja a abordagem da economia política. Figurativamente falando, Marx em Das Kapital subiu um passo acima: a abordagem da economia política estipula a análise das relações humanas, mas não todas e apenas aquelas que se relacionam com a economia. As relações econômicas sob Marx são relações entre pessoas ligadas à produção, ao intercâmbio, à distribuição e ao consumo de produtos do trabalho (bens, serviços). Na verdade, Marx vê no homem o Homo oeconomicus. Quando traduzido, isso significa "homem econômico", i.e., uma criatura com um simples conjunto de necessidades e instintos (Marx chama isso de "preocupações econômicas"). Algo como um animal ou uma máquina com as reações conhecidas antecipadamente a um ou outro "sinal do mercado".

Para explicar a teoria de progresso cíclico de Marx, devemos ainda antes falar sobre o entendimento "clássico" de algumas categorias chaves. Antes de tudo, da categoria do "capitalismo". Vejam, ele afirma muito definidamente que as crises cíclicas são características somente do capitalismo. O capitalismo é o que timidamente hoje chamamos de "economia de mercado". Do próprio nome "capitalismo" segue-se uma tal organização da sociedade em que o principal objetivo da atividade humana é acumulação, aumento de capital, mas não produção de bens e serviços para satisfação de necessidades vitais de todos os membros da sociedade.

Vamos nos colocar de lado por um momento: a palavra "capitalismo" descobre todo o sentido e propósito dessa civilização a qual costumamos chamá-la deste modo. O problema é que em relação ao acúmulo de capital a elite da sociedade tem propósitos ainda "maiores", que durante toda a história foram escondidos e continuam a ficarem escondidos.

Dialética dos ricos e do poder

Estou me referindo à supremacia do mundo, o poder mundial. Os ricos são o poder sobre todas as coisas. E há o poder sobre o povo. Se falarmos sobre o poder sobre o corpo humano, sua capacidade de criar quaisquer confortos, é uma mera "conservação do corpo". Já foi assim na história. Mas há o poder sobre a alma do homem, "conservação da alma". A elite dessa sociedade que mecanicamente chamamos de "capitalista" também tende a este objetivo maior. Quando o poder sobre a alma do homem é alcançado, será o poder sobre seu corpo, e todos os valores materiais sobre a Terra.

Em relação a este objetivo maior, os milionários parecem apenas meios. Apenas os "selecionados" e "iniciados" na elite assim chamada sociedade "capitalista", os usurários, entendem isso e são guiados por isso, e estaremos falando sobre eles mais tarde. Aqueles "selecionados" não são materialistas vulgares em geral, eles têm altos "ideais", "espiritualidade" e "religião". Do ponto de vista do cristianismo, é a insanidade, a espiritualidade com sinal menor, objetivando o homem a ocupar um lugar de Deus e dominar sobre a natureza e sobre as pessoas, como um Deus. É como a nebulosidade espiritual ocorrida com Lúcifer, o anjo de Deus (2 Crusts. 11-14) que desejou ser como Deus, e pareceu ser prostrado e transformado em Satã conhecido como Lúcifer. É notável que muitos "selecionados" e "iniciados" conscientemente vangloriam Lúcifer.

Eu penso que, ainda do ponto de vista deles, a doutrina de Marx sobre o "capitalismo" é materialismo rude, tratamento vulgar da civilização, o "produto intelectual" das plebes. Aqueles que estudam o marxismo e sua doutrina de formações sócio-econômicas não podem entender até agora o sentido espiritual-político da história moderna e aqueles eventos que a Rússia experiencia hoje.

Como nós a tempo fomos ensinados pelos professores do marxismo-leninismo baseados na teoria de Marx de formações socio-econômicas, aquele "capitalismo vem para mudar o feudalismo". Atualmente, essa frase padrão esconde a maior mudança da história da humanidade: uma nova civilização sob o codenome "capitalismo" vem para mudar a civilização cristã (que foi mascarada sob um "feudalismo" indiferente). Para mascarar sua natureza espiritual, os clássicos reduziram tudo ao "capital", "valor excedente" e "lucro". O problema é que essa civilização nega e se sobrepõe ao cristianismo. Max Weber (1864-1920) falou sobre isso aproximadamente em meio século depois do Das Kapital em seu trabalho Ética Protestante e Espírito do Capitalismo.

Capitalismo é uma civilização anticristã

Hoje o processo da "sobreposição" do capitalismo sobre o cristianismo foi tão longe que qualquer pessoa imparcial entende que a civilização anticristã está por trás do símbolo "capitalismo".

A definição correta desse sistema público que começou a alguns séculos atrás nos permite desvendar o objetivo "maior" que a elite da sociedade "capitalista" está erigindo. Esse objetivo é a chegada do Anticristo. Só o Mal, um inimigo da humanidade, sabe bem sobre esse objetivo "maior". Os usurários pensam que eles serão donos de todo o mundo. Atualmente, eles apenas limpam o caminho para o Mal, são seus mensageiros. Eles usam usurários "em silêncio". Nós não vamos desvendar as iguarias espirituais da civilização com o codenome "capitalismo". Você pode ler o que é sua estrutura, o "núcleo" espiritual-religioso, o desenvolvimento do caminho etc. estão no recentemente publicado livro de O. Zabegailo, Entendimento Espiritual da História (vejam a lista de referências ao fim do capítulo).

Mas devemos retornar ao problema das crises. Os clássicos entram no esquema do progresso cícliclo no conceito econômico de "demanda pagável limitada" que, em sua opinião, é um "defeito" orgânico do capitalismo. Para salvar o leitor de recontar sobre o Das Kapital, onde Marx com linguagem Talmudista profissional tenta explicar o caráter cíclico do desenvolvimento da economia capitalista, devemos dizer apenas: o fator de "demanda pagável limitada" no modelo de Marx "cobre" o fator do "cíclico progresso do capital fixo" (melhoramento, envelhecimento e deslocamento dos fundos fixos obsoletos), criando um efeito sinergético negativo periódico poderoso como as crises destrutíveis de superprodução.

A doutrina de Marx: meia verdade ou meia mentira

De acordo com Marx, há um conflito incurável do capitalismo - entre demanda pagável limitada e oferta de bens e serviços. A demanda pagável limitada (demanda de população para bens de consumo e serviços, e companhias - sobre máquinas, equipamento e outros bens de investimento, matéria prima, energia), a decadência e a estagnação da economia é o "padrão" do capitalismo. É a doença que "surge", e todo mundo pode ver o "podre" do capitalismo. A doença pode ser "interna" apenas por um curto período - na fase da expansão econômica. Como a crise do capitalismo de modo engraçado nota, em um tal sistema social a estagnação é um padrão do estado econômico da sociedade, e o progresso e o crescimento são curtos períodos entre os períodos de estagnação.

De acordo com Marx, atraso de demanda pagável (i.e. demanda providenciada com dinheiro) da oferta de bens e serviços é causada por exploração capitalista. Essa exploração é exibida, acima de tudo, na apropriação por um capitalista (o dono da empresa) do básico criado por um produto do trabalhador (novo custo) - assim chamado "produto excedente", ou "valor excedente". O trabalhador apenas "permanece" do custo recreado como um "produto indispensável". Tal "permanece" não pode providenciar um processo pagável necessário, especialmente tomando em conta o precipitado processo de polarização de propriedade da sociedade e acumulação do capital nas mãos de capitalistas e homens de negócio. Marx chamou este processo de "lei universal de acumulação capitalista".

As provisões mencionadas acima dos clássicos são populares o bastante, e bem conhecidas para não apenas professoras de economia. Hoje, nas condições de crise em que observamos um certo Renascimento do Marxismo, o Das Kapital se tornou um livro requerido de novo. Realmente, muitas provisões dos clássicos como "sobreposição" são atuais. No entanto, o que Marx falou sobre o progresso cíclico da economia e da demanda pagável limitada, como mostraremos em seguida, - apenas metade - a verdade. O criador de Das Kapital não terminou o discurso mamis importante. Ele fala que o atraso crônico da demanda pagável da oferta de bens é causada por capitalistas, pela classe capitalista. E atualmente, o capitalista vai ao primeiro plano, que recebe um valor excedente, i.e. um operário, industrialista ou dono de usina. E aqui Marx mistura a verdade com a mentira, ele faz um coquetel chamado "meia-verdade". E a meia-verdade é algumas vezes pior que uma fraude, desde que a mentira "pura" pode ser pega mais facilmente. As explanações mencionadas acima sobre as crises (ainda acrescidas com explanações de economia política) são superficiais, elas não toca as "fontes" da operação de uma civilização capitalista.

Via Kathateon

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Ameaças ao Brasil: Projeto Triplo A e outros ataques

É sabido que universidades brasileiras estão se reaproximando da Rússia (UFRGS, UFSM, UNB, etc.) a fins de projetos tecnológicos, energéticos e geopolíticos. Este é o motivo pelo qual começam a receber ataques vergonhosos como o feito contra a UFSM recentemente. Ademais, há uma suposta crise financeira que abala as universidades e as dificulta de levar os projetos adiante e de criar outros; tudo não passa de uma reação dos ativistas e espiões da OTAN, que abundam no Brasil, com vistas a derrubar o atual governo e retirar o país do seu rumo para guiá-lo segundo os interesses dos EUA e da OTAN.

As conspirações crescem, os ataques crescem, em todas as frentes: os escândalos da FIFA (detenção de José Maria Marin e afastamento de Blatter) são a maneira que os agentes atlantistas encontraram para dificultar o andamento da Copa e das Olimpíadas, respectivamente na Rússia e no Brasil, que muito temem o "propagandismo político", medo responsável também pelo silêncio de muitas mídias ocidentais sobre os eventos do Dia da Vitória ocorridos na Rússia (os maiores do mundo todo), ofuscados por eventos improvisados e mal-feitos em países da OTAN para ter pretexto de dominar o assunto na mídia. O objetivo social é este: isolar a Rússia, impedir a aproximação cultural/intelectual/geopolítica do povo brasileiro com os russos. O objetivo político é este: manter o país na progressiva decadência anti-tradicional, laica e de ideologia liberal. O econômico é este: dominar os setores mais importantes do país e tomar o controle da "cabeça" (ver: FHC promete entregar parte do Brasil aos EUA).

Abaixo, reportagem retirada de Sputnik:

No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Brasil se vê diante de uma proposta do presidente da Colômbia para criar um “corredor ecológico” que iria dos Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia. Segundo o professor Rogério Maestri, porém, as preocupações supostamente ambientais do projeto podem esconder interesses estrangeiros bem mais perversos.

“Esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação. É o germe de uma ocupação de uma parte do Brasil com o objetivo de isolá-lo do norte, do Caribe, e a América do Sul da parte norte”, disse o especialista em entrevista à Sputnik.

Professor visitante de Engenharia Hidráulica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Maestri se preocupa não apenas com os aspectos técnicos da questão ambiental, mas também com os fatores geopolíticos por trás de ideias como a do chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos, que anunciou publicamente em fevereiro que iria propor ao Brasil e à Venezuela este “ambicioso” corredor ecológico.

“Será o maior corredor do mundo, com 136 milhões de hectares, que batizamos de Triplo A, pois seria andino, amazônico e atlântico, indo dos Andes até o Atlântico, no Brasil”, declarou Santos no programa oficial de televisão Agenda Colômbia, em 16 de fevereiro. Segundo as palavras do presidente colombiano, a proposta serviria para “preservar a área e como uma contribuição da humanidade para a discussão sobre como deter as mudanças climáticas”. No entanto, de acordo com Maestri, é bastante provável que o discurso de Santos esconda intenções menos louváveis.

Em primeiro lugar, conforme aponta o professor, o termo “corredor ecológico” é impróprio para qualificar o projeto do Triplo A. “De acordo com o costume internacional, se fazem corredores com largura de, digamos, no máximo 1 km. (…) O que chamam de corredor ambiental é algo que varia aqui [no Triplo A] de 50km a 500km”, ressaltou.

“Pode ser qualquer coisa, menos corredor ambiental. É um rasgo que se faz no norte do Brasil”.

De fato, segundo lembra Maestri, um corredor ecológico legítimo na Amazônia, a saber, que levasse em conta a necessidade de preservar a integridade de uma determinada extensão de mata a fim de garantir o fluxo genético entre espécies e evitar a endogamia, deveria integrar outras regiões mais prejudicadas pela exploração humana na região, e não teria a necessidade ambiental de ir até o Atlântico.

“Por que ir até o Atlântico? Se é problema ambiental, era pra ir mais para o sul, mais para baixo da Venezuela, por exemplo, e não precisava ir exatamente até o Atlântico. Chegar de um lado a outro é claramente estratégico, e não é por acaso que [o Triplo A] teria dois pontos de acesso”.

Talvez seja interessante notar que a ideia inicial do “ambicioso” projeto de Santos seja atribuída a Martín von Hildebrand, fundador da ONG Gaia Amazonas e membro da Gaia Foundation, organização também não governamental, mas com fortes vínculos com a Casa Real Britânica.

Segundo o site oficial da ONG inglesa, o trabalho na Amazônia começou com a mediação do ambientalista brasileiro José Lutzenberg, que também atuou no ministério do governo Fernando Collor de Mello. Na época, ele sofreu diversas críticas, sendo acusado inclusive de receber dinheiro indevido da Gaia Foundation, como noticiado pela revista Executive Intelligence Review, bem como de isolar os ambientalistas brasileiros das decisões políticas, preferindo o conselho de estrangeiros.

“Todas as cabeças coroadas europeias gostam muito de ONGs – não as que queiram fazer alguma coisa no seu próprio país, mas que queiram fazer nos outros países”, afirmou o professor da UFRGS.

De acordo com Maestri, de fato, o envolvimento da Gaia Foundation na proposta do Triplo A é mais um indício “de uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”.

“Se se olha a tradição europeia, vê-se que eles enxergam muito longe… Não é, por exemplo, como o americano, que é um pouco mais intempestivo, que tenta invadir no momento. Os ingleses, europeus, em geral, têm um raciocínio mais em longo prazo. Então eles vão implantando essas pequenas coisas, esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação”.

Além disso, Maestri também chama a atenção para o fato de a ideia ser patrocinada pela Colômbia, um dos maiores aliados dos EUA na América Latina, onde Washington dispõe de sete bases militares.

“Do lado da Colômbia tem bases americanas, e do lado do Brasil pode ter bases francesas. Então nas duas extremidades ficam países do Norte, com grande possibilidade de ter acesso a esse ‘corredor’… a essa ocupação. Faz sentido dentro de uma lógica estratégica”, explica o professor.

Se efetuado, o Triplo A seria composto em 62% por território brasileiro, 34% por território colombiano e 4% por território venezuelano. Ou seja, a gestão do “corredor” teria que ser tripartite, o que, de acordo com Maestri, facilitaria a dominação estrangeira da região amazônica, especialmente porque o projeto da Gaia Foundation envolve o conceito de autogestão dos povos indígenas.

“Essas tribos estão em um processo de incorporação de tecnologias modernas, algumas ainda bem atrasadas, outras mais evoluídas. (…) Com essa autogestão, eles [os índios] ficam sujeitos à manipulação. É mais ou menos o que acontece em diversos países da África, que foram fragmentados ao extremo e agora são sujeitos a invasões permanentes de tropas neocoloniais. (…) Ou seja, essa visão de uma autodeterminação também serve [a interesses estrangeiros]; pode levar eles, daqui a um tempo, a escolherem o país que vai ser o seu suporte. Isso já contraria o princípio pétreo da Constituição que é a indivisibilidade do Brasil”, adverte o especialista.

“Essas comunidades têm todo o direito e devem ser preservadas (…). Porém, provavelmente com o tempo – e isso é mais ou menos lógico –, essas culturas indígenas não vão ficar satisfeitas em viver na ‘Idade da Pedra’ e vão querer mais. Bem, quem vai fornecer esse mais? Vai ser o Brasil, a Colômbia, a Venezuela, ou os países europeus?”, acrescentou.

A gigantesca área abrangida pelo Triplo A guarda enormes reservas de água, minérios e biodiversidade. Ou seja, seria uma imensa riqueza a ser pretensamente “gerida” por povos indígenas, que, segundo observa o professor, “podem ser enganados por qualquer um, um posseiro qualquer”, assim como “podem ser enganados por outros países”.

Outra evidência dos interesses econômicos por trás da proposta, segundo o professor, é o fato de que o corredor abarcaria a região acima do Rio Amazonas – partes mais altas que, sendo mais secas, seriam mais aproveitáveis para atividades lucrativas, como a criação de gado.

De qualquer forma, o presidente colombiano prometeu apresentar o projeto na próxima conferência ambiental da COP 21, que será realizada entre os dias 7 e 8 de dezembro em Paris. Na opinião de Maestri, entretanto, a ideia não deve dar frutos pelo menos dentro dos próximos cinco anos.

“É um projeto de longo prazo. Depois da COP 21, [a ideia] vai evoluindo, evoluindo, até que vão questionar a própria capacidade do Brasil de gerir essa parte. Como se eles, os europeus, americanos, fossem capazes de gerir. As florestas deles simplesmente foram acabadas. Onde teve colonialismo, acabaram com florestas imensas”, notou o professor.

“Somos tão incompetentes assim? Se a Amazônia existe, é porque tinha um governo brasileiro, que bem ou mal ainda conservou. Qual a moral que têm países que desmataram, que colonializaram ao máximo – e ainda colonizam, agora com o neocolonialismo –, em chegar e falar que o Brasil é incapaz?”

De acordo com Maestri, não se pode negar a importância da conservação da Amazônia, mas a tarefa deve ser levada a cabo “dentro da lógica nacional”. O especialista defende, sobretudo, a “presença forte do Exército brasileiro impedindo o corte dessas matas”, o reforço da ocupação do Estado na região e uma “cobertura de satélites” para melhorar o monitoramento, tarefa que, segundo ele, pode ser feita em parcerias múltiplas com outros países, inclusive com o sistema de navegação GLONASS, da Rússia, que acaba de ganhar sua segunda estação no Brasil.

No entanto, Maestri ressalva que o Estado tem que se fazer presente não só na parte da defesa, mas também na esfera social. “A Amazônia não é um vazio”, diz o professor, defendendo a necessidade de dar assistência em saúde e educação às pessoas que habitam a região amazônica. “Ocupar a Amazônia para evitar ser ocupado”, resume ele.

“Se o Estado brasileiro ocupar aquela região efetivamente, ninguém entra. Ocupar integralmente, desde o médico, da professora, do pequeno hospital, até as Forças Armadas”, concluiu o especialista.

Saibamos escolher nossos parceiros que não querem nos subjugar, mas ajudar a nos erguermos.
LUTEMOS PELO BRASIL!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Acordo nuclear iraniano e luta por influência na Eurásia

por Yusuf Fernández – 

Desde a Revolução Islâmica no Irã que derrubou a ditadura de Shah Reza Pahlavi, apoiado pelos EUA, em 1979, uma constante na política externa estadunidense foi uma implacável hostilidade contra o Irã. Washington apoiou a guerra de Saddam Hussein contra esse país (1980-1988) e em 2003 a Administração de Bush preparou planos para a guerra contra ele. Desde 2011, EUA e seus aliados da União Europeia submeteram o Irã ao regime de sanções econômicas mais duro da história.

Não obstante, a estratégia norteamericana mudou nos últimos anos. Depois do fracasso das guerras dos EUA no Afeganistão e no Iraque, onde Washington foi incapaz de derrotar as respectivas insurgências ou convencer os governos desses países a se submeter a seus ditados, a opinião pública e o establishment político dos EUA não querem ver o país arrastado em novos conflitos no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, Washington desconfia da ascensão da China na região da Ásia, no Pacífico e no mundo em geral. Obama aprovou a nova estratégia do "giro para a Ásia", que busca opor-se ao crescente papel da China na região, onde os EUA estão tratando de construir uma nova aliança anti-Pequim. O executivo pró-estadunidense da Austrália e o governo de Shinzo Abe no Japão, que está determinado a executar um papel mais agressivo na Ásia e busca eliminar a assim chamada "cláusula pacifista" na constituição japonesa, foi convertido nos aliados naturais dos EUA nesta estratégia.

A crise da Ucrânia empurrou também o EUA e seus aliados da OTAN a um confronto político e estratégico contra Rússia. Moscou tomou medidas com o fim de reforçar seu poder militar, incluindo o desenvolvimento de novos barcos, aviões e mísseis nucleares. Também está promovendo a União Eurasiana com alguns estreitos aliados, como Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e outros Estados.

Irã é um ator central neste jogo. Além de ser um grande e populoso país, Irã possui as segundas reservas de gás e as terceiras de petróleo no mundo. Sua posição geoestratégica é única. O país une a Ásia Central com o Oriente Médio e o Golfo Pérsico, e construiu uma sólida aliança com alguns países da região, incluindo Síria, Iraque e o Líbano. Milhões de muçulmanos no mundo seguem também o Imam Ali Jamenei e os líderes religiosos iranianos. Suas relações com a África, Ásia e América Latina estão se tornando cada vez mais importantes.

Durante mais de uma década, os EUA, que sempre souberam que Irã não tem intenção de construir armas nucleares como numerosas evidências mostra, utilizou desse tema com o fim de pressionar este último país a obstaculizar seu desenvolvimento tecnológico e econômico. Agora, a situação no mundo mudou e os EUA estão tentando levar o assunto para sua perspectiva real. A crise nuclear com Irã se converteu em um fardo para Washington porque lhe impede de pôr em prática sua estratégica anti-chinesa e anti-russa e, desse modo, teria que ser resolvida.

Irã se converteu em um baluarte na luta contra o terrorismo no Oriente Médio. Teerã apoia Iraque, Síria e o Líbano contra a agressão terrorista, que estão sendo alimentada pela Arábia Saudita, pelo Qatar e pela Turquia. Os EUA e seus aliados europeus apoiaram durante anos o esforço destes países para utilizar os terroristas como instrumentos na região contra os governos amigos de Irã, mas agora eles temem a crescente ameaça destes grupos, que estão determinados a atacar também as nações ocidentais. Alguns governos e mídias ocidentais estão mudando sua posição com relação ao Irã e Síria e começando a advogar por uma cooperação com tais países nesta luta.

Ao mesmo tempo, as companhias norteamericanas estão ansiosas por entrar no mercado iraniano. Elas vêem o Irã como um novo El Dorado, onde podem lograr enormes benefícios. Até agora, as companhias russas e chinesas, e em menor escala europeias, estão muito melhor posicionadas para se aproveitar do levantamento das sanções sobre o Irã. As empresas estadunidenses estão tratando de mudar essa situação e voltar ao Irã, mas necessitam que Washington elimine as sanções unilaterais com o fim de alcançar este objetivo.

A influência israelense e a pressão do lobby sionista sobre o Congresso se converteram em um obstáculo principal para a implementação desta nova estratégia. Eles têm uma grande influência sobre a política externa norteamericana, mas desta vez seus interesses chocam com os de uma parte importante do establishment político e militar e com das grandes corporações estadunidenses. Isso poderia fazê-los perder sua batalha contra o acordo sobre o Irã. Em um desafio aberto ao lobby sionista, as mídias corporativas, tais como New York Times ou Washington Post, mostraram seu apoio ao acordo nuclear e dizem abertamente que uma acomodação com Irã reforçaria a mão dos EUA contra suas mais importantes e formidáveis rivais geo-estratégicas: Rússia e China.

Um recente artigo no New York Times, escrito por Michael Godeon e David Sanger, ambos autores com estreitos vínculos com o establishment militar e de inteligência dos EUA, mostrou um apoio ao acordo nuclear. Os autores salientaram que um entendimento com Irã reforçaria a posição mundial dos EUA frente a Rússia e China em múltiplas formas.

China é agora o maior sócio econômico do Irã e o mais importante investidor. Rússia foi durante muito tempo seu principal provedor de armamento. Não obstante, esta associação sofreu um revés em 2010 quando Moscou negou implementar um contrato de provisão de mísseis terra-ar S-300 ao Irã citando as sanções da ONU. Washington espera que um acordo nuclear e a necessidade de cooperar contra o terrorismo lhe permitirão competir pela influência geopolítica e econômica no Irã com o objetivo de neutralizar a influência russa e chinesa nesse país.

EUA, no entanto, necessita da Rússia e da China como mediadores em suas comunicações com Teerã, mas está convertendo-se em algo cada vez mais problemático para Washington o fato de depender de Moscou e Pequim neste esforço em um momento em que as relações estão piorando.

A reposta da Rússia e da China

Não há dúvida de que a China e a Rússia compreendem este perigo e tomaram medidas para manter sua influência sobre o Irã.

Em Janeiro, durante uma visita do ministro de defesa russo, Serguei Shoigu, em Terrã, os dois lados firmaram um novo acordo de cooperação. Em uma conferência de imprensa onde explicou o mesmo, o ministro de defesa do Irã, Hossein Dehqan, disse que seu país e Rússia "compartilham uma análise da estratégia global dos EUA e sua ingerência nos assuntos regionais e internacionais" e eles puseram assim mesmo de relevo a necessidade de cooperar na luta contra o terrorismo".

Algumas horas depois do anúncio do acordo de Lausana, Igor Korotchenko, que lidera o think tank Centro de Análise do Comércio Global de Armas de Moscou, disse a Sputnik que "o levantamento de sanções ao Irã, incluindo o embargo de armas, seria o mais absolutamente lógico". "De grande importância para nós é a entrega de mísseis atualizados S-300 ao Irã. Um contrato nesse sentido poderia ser renovado em termos aceitáveis para Moscou e Teerã", acrescentou.

Rússia salienta que está também disposta a vender automóveis, aviões e barcos ao Irã depois da eliminação das sanções contra a República Islâmica. "Estamos interessados nas provisões a este país. Isso inclui os automóveis, aviões, construção de barcos e outras indústrias", disse o ministro de Indústria e Comércio Denis Manturov na cidade de Javarovsk, no leste da Rússia, salienta Interfax. "Estamos preparados para trabalhar juntos para incrementar a cooperação e os projetos conjuntos", salientou.

Por sua vez, o ministro de relações internacionais, Wang Yi, visitou Teerã em fevereiro com o fim de incrementar os vínculos políticos e econômicos entre os dois países. As importações chinesas de petróleo do Irã aumentaram quase 30% no ano passado e Wang disse que "existe aliás um enorme espaço para a cooperação no terreno da energia e nos parques industriais de acordo com as necessidades de desenvolvimento do Irã e as capacidades da China", disse o ministro citado pela agência Reuters.

Wang visitará Moscou em abril e os dois países analisarão a situação criada depois do alcance do acordo com Irã e as medidas dirigidas a impedir que os EUA incrementem sua influência na Eurásia.

Rússia e China podem agora abrir a porta para a adesão do Irã à Organização de Cooperação de Shangai. Esta grande organização busca garantir a estabilidade, promover a unidade da Eurásia e contrabalancear a influência norteamericana neste grande espaço.