Mostrando postagens com marcador Alexandr Dugin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alexandr Dugin. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dugin: EUA estão por trás dos atentados em Vologrado


Entrevista ao conhecido politólogo e filósofo russo, Alexander Dugin, para o sítio web Algerie Patriotique e no qual compartilha sua análise sobre os terríveis atentados na Rússia cometidos em finais de 2013. Para Dugin, os ataques terroristas não são mais um novo ataque à Rússia de Putin por sua política externa, principalmente por seu papel no Oriente Médio. Retirada de Elministerio.

Entrevista: Que análise faz sobre a deterioração da segurança na Rússia depois dos atos terroristas em Vologrado?

Dugin: Não acredito que seja a deterioração da segurança na Rússia. Alguns atos terroristas são quase incontroláveis quando se trata de regiões com populações mais ou menos homogêneas que apoiam, em certa medida, os grupos terroristas como é o caso no Cáucaso Norte, Rússia. O fato de que a atividade terrorista está aumentando ultimamente demonstra que as forças que querem desestabilizar a Rússia se concentram nos Jogos Olímpicos de Sochi.

Os Estados Unidos e os países da OTAN querem mostrar Putin, que se opõe radicalmente ao liberalismo e à hegemonia estadunidense, como um "ditador" ao comparar Sochi com Munique da época de Hitler. É a guerra midiática. Nesta situação, as forças que apoiam a política hegemônica estadunnidense, especialmente as redes sub-imperialistas locais, como os wahabistas patrocinados pela Arábia Saudita, tratam de confirmar esta imagem convertendo a Rússia em um país onde não há um mínimo de segurança e que estão prontos para instalar a ditadura com atos terroristas dirigidos principalmente aos Jogos Olímpicos de Sochi de Putin.

Sabemos que o chefe da inteligência saudita, Bandar Bin Sultan, propôs a Putin garantir a segurança da Rússia em troca do cessar do apoio russo a Damasco. Putin se enfureceu e rechaçou explicitamente, acusando os sauditas de serem terroristas, que realmente são e pior que os que servem aos interesses dos Estados Unidos.

Assim, os grupos wahabistas ativos na Rússia, guiados pelos sauditas, e através deles por seus amos em Washington, cumpriram a ameaça de Bandar Bin Sultan. Em última instância, são os Estados Unidos que atacam a Rússia de Putin para castigá-lo por sua política independente e insubmissa à ditadura hegemônica liberal estadunidense.

E: Quem está por detrás?

Dugin: Creio que expliquei em minha resposta à pergunta anterior. Enquanto a quem em concreto organizaram este ato terrorista, não sei sobre isso mais que outros. Parece que são as redes wahabistas do Cáucaso Norte e as mulheres de terroristas liquidados pelos serviços especiais russos. Creio que vergonhozamente são utilizados pelos chefes cínicos, consciente ou inconscientemente, trabalhando para os interesses estadunidenses.

E: Alguns creem que estes ataques terroristas são o resultado do contínuo apoio da Rússia à Síria e Ucrânia. Você compartilha desta opinião?

Dugin: Está absolutamente certo. Se trata do "castigo americano" realizado pelos cúmplices dos estadunidenses através dos sauditas.

E: Quais serão as medidas que o Kremlin tomará para evitar uma escalada da violência no país?

Dugin: Creio que o aumento da violência durante o período dos Jogos Olímpicos de Sochi é inevitável. Espero que em Sochi se consiga controlar a situação, apesar de tudo, mas é teoricamente impossível conseguir rodeado de regiões organizamente ligadas a certos grupos de população no norte do Cáucaso, onde de encontram as principais bases dos terroristas. Dessa vez não é Chechênia, que é fundamental para o sistema do terrorismo, mas antes Daguestão e Kabardino-Balkária. Se tratará de fazer o melhor, mas não se deve esquecer que se trata de uma grande potência mundial, os Estados Unidos, que nos ataca. Isto é um desafio muito sério que requer uma resposta simétrica. Assim veremos...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Dugin: Uma Europa livre precisa de uma Alemanha livre dos EUA


Com a derrota militar do Reich III, a Alemanha foi ocupada pelas superpotências vitoriosas: Estados Unidos e União Soviética, tendo como consequência um processo de reeducação através da qual se negou ao povo alemão uma identidade nacional e o direito à soberania. Com a queda do império soviético, sua situação não melhorou. A reunificação" da Alemanha não foi mais que a anexação da parte oriental ao território controlado por Washington. Assim considera o importante politólogo e filósofo russo Alexander Dugin, que nesta entrevista acrescenta ademais que para que haja uma Europa soberana, uma Alemanha independente deve existir como requisito prévio.

Manuel Ochsenreiter: Professor Dugin, o escândalo de espionagem da NSA causou um profundo impacto nas relações germano-estadounidense. Aos alemães nos foi dito por décadas que Washington é nosso "amigo" e "sócio". Agora muitos alemães se deram conta de que os Estados Unidos se comportam até hoje mais ou menos como uma força de ocupação. Por que demoraram tanto tempo para se darem conta?

Dugin: Não podemos responder a esta importante pergunta sem precisões históricas. Em primeiro lugar, a Alemanha perdeu a Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1945 se produziu a rendição incondicional das forças armadas alemãs. A resposta à derrota total da guerra foi a ocupação total das duas principais potências: Estados Unidos e União Soviética. Washington e Moscou não foram apenas as forças principais ao final da guerra, também representaram os dois campos ideológicos da era posterior à guerra. As províncias do Leste da Alemanha, eventualmente anexadas pela Polônia e União Soviética, e o centro da Alemanha foram ocupados pelo exército soviético, Alemanha Ocidental pelo exército estadounidense e seus aliados ocidentais do Reino Unido0 e França. A Alemanha foi dividida por suas forças de ocupação. Nenhuma parte da Alemanha estava livre. Falando com sinceridade, ocupação é ocupação. Não há níveis de ocupação.

Com a ideologia da Guerra Fria em ambos os lados da Alemanha ocupada, o rosto da ocupação mudou. Os alemães da República Democrática Alemã (RDA) foram educados de uma maneira que a União Soviética os livrou do nazismo e que agora são "livres". A ocupação soviética foi interpretada nas escolas e a educação como garantia da "liberdade e independência". O mesmo podemos ver na República Federal da Alemanha (RFA), onde os poderes anglosaxões da ocupação reeducaram a população. Ali foi dito aos alemães que as forças ocidentais os livraram em 1945 e protegeram sua "liberdade e democracia" contra a "ameaça comunista" no Oriente. Mas nem os alemães da RDA nem os da RFA eram livres e soberanos, mas seguiam invadidos.

M.O.: Este era o passado. Mas com a reunificação da Alemanha em 1990, a Guerra Fria terminou oficialmente. Isso foi o que os líderes políticos de todas as forças de ocupação e o chanceler alemão Helmut Kohl afirmaram...

Dugin: Este é talvez um dos maiores erros de interpretação da recente história alemã. Esta não foi a reunificação de uma Alemanha livre, independente e soberana - foi a absorção de uma parte da Alemanha ocupada pela outra parte da Alemanha ocupada.

A parte anglosaxã da Alemanha simplesmente "anexou" a antiga parte soviética da Alemanha. Este passo tem que ver com o final da guerra fria: a frente socialista tinha capitulado diante a frente capitalista. Agora toda a Alemanha está ocupada pelo Ocidente. Política, econômica, estratégica e intelectualmente, a Alemanha é um país ocupado. Ao mesmo tempo, a antiga propaganda ocidental da Guerra Fria se converteu em um tipo de filosofia importante para o conceito do mundo unipolar com um só polo de decisões - o Ocidente.

M.O.: Assim não havia oportunidade de ter obtido verdadeira liberdade em 1990?

Dugin: Havia uma possibilidade. Depois da queda do bloco comunista não havia mais nenhuma razão para a ocupação ocidental da Alemanha. A Alemanha não necessitava mais militares estadounidenses para defendê-la, porque a ameaça tinha desaparecido. A Rússia pós-soviética era muito débil para apresentar qualquer tipo de desafio ou perigo para a Alemanha. Não tinha nenhuma necessidade em absoluto da presença de militares estadounidenses em solo alemão.

O puro fato de que não abandonaram a Alemanha depois de 1990 mostra que segue sendo um país ocupado. O escândalo de espionagem contra a população, a economia e os líderes políticos da Alemanha só expõe este fato de novo.

M.O: Quando se negociou o "Tratado sobre o acordo final com respeito a Alemanha" em 1990, o líder soviético Mikhail Gorbachov aceitou uma Alemanha pertencente à OTAN e a retirada dos soldados soviéticos, enquanto que os soldados estadounidenses e armas nucleares continuam aqui até o dia de hoje. Por que Gorbachov não realizou uma campanha em favor de uma Alemanha livre, neutra e indeepndente?

Dugin: Em termos gerais, todo o período da década de 1990 é considerado na Rússia moderna como a época da "grande traição" de nossos interesses nacionais. Tudo o que foi feito na política interna e externa por Gorbachov, e mais tarde por Boris Yeltsin, é julgado como um completo fracasso. Consideramos sua política como uma absoluta estupidez e incompetência. A rendição perante o Ocidente em 1990, o abandono da RDA, não para uma nova Alemanha mas para uma RFA maior, se considera hoje na Rússia como uma das vergonhas desta grande traição. Além disso, Gorbachov e Yeltsin sacrificaram nossa Rússia!
Zbigniev Brzezinski e Alexandr Dugin

M.O.: ... te refere à União Soviética?

Dugin: Não, me refiro à Rússia! A Grande Rússia não foi criada pelos bolcheviques, eles só a tomaram e chamaram de União Soviética. O Estado existia desde centenas de anos antes dos bolcheviques.

M.O.: Voltando à Alemanha em 1990: a independência e a neutralidade da Alemanha foi discutida até mesmo em Washington...

Dugin: Falei com o politólogo, geoesrategista e estadista polaco-estadounidense, que serviu como assessor de Segurança Nacional para os Estados Unidos, Zbigniew Brzezinski. Perguntei-lhe por que os estadounidenses prometeram a Gorbachov neutralidade nas primeiras negociações. Brzezinski é uma pessoa muito valente e sincera. Ele me respondeu com sinceridade: "Enganamos Gorbachov!" Creio que Brzezinski me disse a verdade.

M. O.: Gorbachov era tão ingênuo, ou também um malicioso?

Dugin: Gorbachov não só é ingênuo, mas também um criminoso. Ele estava entregando todas nossas posições estratégicas ao oponente sem obter nada em troca. E neste sistema a reunificação alemã entra perfeitamente. Não foi um evento nacional alemão, mas simplesmente o intercâmbio de um regime de ocupação por outro na entidade da RDA. Não houve liberação ou obtenção da soberania alemã, apenas uma ampliação da parte ocupada pelos anglosaxões de seu país.

Para Washington, este foi um passo muito bom e inteligente, a potência hegemônica liberal ocidental obteve poder não só na parte alemã ocupada pelos soviéticos, mas também tiveram no Leste europeu, sem sacrificar uma só gota de sangue.

Podemos dizer hoje: a debilidade da União Soviética em 1990 foi desgraça da Alemanha. Com uma Moscou forte, a Alemanha poderia ter se convertido em um Estado independente, livre e soberano.

M. O.: Os políticos estadounidenses, assim como os políticos alemães, utilizam os termos "amizade" e "associação"...

Dugin: Não há nenhuma possibilidade em absoluto de chamar a ocupação como amizade ou associação. Associação e ocupação se contradizem. Estados Unidos não pode ser um verdadeiro aliado enquanto ocupar a Alemanha.

M. O.: Alguns jornalistas tradicionalistas alemães defendem a presença das instalações militares dos Estados Unidos na Alemanha. Dizem: a Alemanha tem que ser "vigiada" pelos aliados ocidentais porque nos comportamos de forma "pouco fiável" no passado...

Dugin: (Risos) Sério? Façamos uma vistoria na Alemanha atual. Seu país é completamente liberal, democrático e absolutamente inocente em sua política interna e externa. Mais uma vez: não há uma só razão para a ocupação - mas a ocupação continua. E este é o verdadeiro escândalo - não a espionagem e as atividades de inteligência dos Estados Unidos sobre a Alemanha. Esta situação status quo se converte agora óbvia para a sociedade alemã. Cada vez mais alemães se perguntam por que a ocupação continua, e para quê?

M. O.: Estes políticos e jornalistas respondem muito claramente: por causa causa da "vergonha do passado"...

Dugin: Esta "vergonha do passado" foi há muito tempo. Se torna mais e mais difícil justificar a ocupação pelos acontecimentos que aconteceram há 70 anos. Para a Alemanha é um desafio hoje em dia, devido ao fato da classe política em Berlim ter se acostumado com a situação da ocupação, mas isso não pode continuar para sempre. Assim hoje só há uma opção: ou acabar com a ocupação, ou aceitar como um tipo de situação eterna na Alemanha.

M. O.: Quanto mais tempo passa da rendição incondicional das forças armadas alemãs em 1945, maior é nossa celebração aos estadounidenses e seu exército como "libertadores"...

Dugin: Nada pode continuar com esta demagogia para sempre. Não há nenhuma razão para que a Alemanha seja membro da OTAN, não há razão para que as tropas estadounidenses continuem em solo alemão, não há razão para considerar Washington como "aliado", não há razão para considerar como iguais os interesses nacionais dos Estados Unidos e da Alemanha.

Em todos os aspectos a Alemanha tem sua própria agenda. Assim em longo prazo, só pode haver uma solução: a Alemanha deveria se reafirmar como entidade política independente, livre e soberana. Qualquer coisa que digam os políticos americanos ou alemães, a verdade é muito simples: não há liberdade com a ocupação. Se os alemães querem liberdade, independência e soberania, devem se rebelar contra a ocupação. Não se rebelar contra ela significa aceitá-la.

M. O.: Isso soa demasiado fácil...

Dugin: (Risos) Certamente não é fácil em absoluto. Falemos de um passo político e histórico muito importante e decisivo. Mas é inevitável, porque a lógica da ocupação se volta agora mais e mais transparente. Já não é possível ocultar esta situação. A ocupação estadounidense na Alemanha se baseia em puro poder político e militar e não em razões estratégicas da Alemanha. Agora fica claro para todos na Alemanha - mas o reconhecimento deste fato é muito difícil.

M. O.: Assim como o escândalo da NSA não é outra coisa senão um sintoma do verdadeiro problema - a ocupação?

Dugin: Exato! Não há que confundir-se ao converter um sintoma no problema real. O que fazem os estadounidenses na Alemanha, o fazem no contexto de uma força de ocupação. Por certo: Washington não "espia" na Alemanha - Washington simplesmente controla seu território.

Depois da Segunda Guerra Mundial os EUA foram donos da metade da Europa - agora são donos de toda Europa. A intervenção de Washington nos assuntos políticos internos dos Estados europeus não é "política externa" - é visto como uma forma de política interna.

M. O.: Nos principais meios de comunicação da Alemanha, assim como nos comunicados da imprensa dos políticos alemães, podemos ler a seguinte interpretação do escândalo da NSA: "Deveríamos estar contentes de que são os nossos amigos que nos espiam e não os Estados autoritários como a Rússia! Isto seria muito pior!" Isso é o surgimento da retórica da Guerra Fria ou simplesmente uma manobra de distração?

Dugin: Sim, também li esta estranha argumentação. Mas temos que entender o que significa "guerra de redes". Se trata de um tipo de guerra de informação e de inteligência. Um dos princípios desta guerra não é só controlar os inimigos, mas também os aliados. O sócio de hoje pode converter-se no rival de amanhã. Precisamente a Alemanha está sob ataque. Que os grandes meios de comunicação e os políticos da Alemanha defendem os interesses dos Estados Unidos é um aspecto desta guerra, assim como "vacinar" o povo alemão contra a Rússia. Estou convencido de que aquelas pessoas que estão por detrás da defesa dos interesses dos Estados Unidos e por detrás das campanhas anti-russas são armas estratégicas de informação dos EUA na Alemanha.

M. O.: Os críticos responderam agora: "Hein professor Dugin, você é um teórico da conspiração!"

Dugin: (Risos) Claro, o fariam. Mas o conceito de "guerra de redes" foi declarado abertamente na década de 1990 pelo governo dos Estados Unidos.

M. O.: A classe política em Berlim, especialmente nossa chanceler Angela Merkel e seu partido CDU, é pró-estadounidense. Durante o escândalo de PRISM em Junho de 2013, defenderam os interesses de Washington. Agora, depois se soube que a NSA estava espiando o telefone celular da chanceler, não puderam evitar mais uma reação. Mas simplesmente discutiram sobre os direitos de privacidade em todo o mundo, nunca sobre a ocupação ou sobre a soberania nacional. Por acaso o governo alemão pró-estadounidense nos distrai do verdadeiro problema?

Dugin: Não estou seguro disto. Podemos considerar esta situação como a primeira etapa da aparição na superfície do verdadeiro e mais importante problema. Falemos com franqueza: não podemos esperar da atual classe política alemã qualquer declaração dos direitos de soberania. Isto é muito pouco realista, ou não?

M. O.: Seria um tipo de milagre...

Dugin: Então não esperemos milagre na política. A atual classe política alemã faz o que pode. Os políticos alemães tentam protestar de uma forma suave e aceitável para as forças de ocupação. É uma espécie de "crítica de baixo". Vem junto como: o pequeno cidadão privado está um pouco irritado pela vigilância do governo em seus assuntos privados. É a reação dos débeis, dos completamente submissos, a reação servil do escravo perante o senhor.

M. O.: Claro, não é a reação entre sócios iguais...

Dugin: Não, em absoluto. Mas não sejamos tão pessimistas.

M. O.: Por que não?

Dugin: Acredito que esta reação mostra uma espécie de compreensão da situação. Se reconhece que não pode seguir assim sem nenhuma mudança. A sociedade está cada vez mais insatisfeita com a situação. A Alemanha está economicamente bem, socialmente mais ou menos, enquanto que os Estados europeus que a rodeiam enfrentam problemas muito difíceis. A Alemanha é o motor da Europa.

Nesta situação, a dominação estadounidense contradiz os interesses nacionais da Alemanha cada vez mais, assim como os interesses comuns europeus. Estou convencido de que a classe política alemã encontrou por ora a maneira mais inocente de reagir porque precisam, queiram ou não. Por certo, é muito lógico que o governo alemão não proteste contra a violação dos direitos de soberania alemã.

M. O.: Por quê?

Dugin: Porque a Alemanha não é um Estado soberano. Se não tem direitos de soberania, não podem ser violados por outros. Se a Alemanha quer se converter num Estado soberano, deve se rebelar contra a ocupação. A liberação vem primeiro, depois a soberania. Não se pode querer ser soberano e livre enquanto se está ocupado.

M. O.: "Rebelião" soa violento!

Dugin: (Risos) Não, em absoluto, isso é um clichê. Rebelião seria que um chanceler alemão exigisse abertamente ao governo dos EUA a retirada de suas tropas do solo alemão.

M. O.: Agora falamos realmente de milagres!

Dugin: A reunificação alemã não foi considerada um milagre muito pouco provável, até mesmo no verão de 1989?

M. O.: Disse uma coisa importante! Mas de todos os modos: agora mesmo Berlim parece ser mais fiel a Washington que a outros países ocidentais.

Dugin: Acredito que a Alemanha é um país muito disciplinado. O liderado alemão se sente contratado por seus senhores de Washington. Na relação germano-estadounidense somos testemunhas de um possível relançamento trágico da velha proclamação alemã das Waffen SS "Meine Ehre Heisst Treue" ("Minha honra se chama lealdade"). Desta vez, a lealdade aos Estados Unidos.

M. O.: Que interessante interpretação das relações germano-estadounidenses...

Dugin: (Risos) Sim, é uma espécie de fidelidade. Mas acredito que só uma parte da sociedade alemã compartilha esta atitude com a elite política de seu país.

M. O.: Nosso governo diz que não há alternativa à política transatlantista e à "associação" com os Estados Unidos...

Dugin: A independência alemã é um passo futuro inevitável completamente calculada racionalmente que tem que vir algum dia. É o interesse da sociedade alemã, assim como da economia.

Façamos uma vistoria à sociedade alemã de hoje: é liberal e democrática. Atualmente não há mais influência nacionalista ou revanchista. Quando falamos da soberania alemã, estas coisas não têm nenhum papel. Existem razões sociais, racionais e econômicas puras para que a Alemanha rompa as estratégias ditadas por Washington.

A razão é que todos estes aspectos entram em conflito mais e mais com os Estados Unidos, o qual quer organizar e controlar seu espaço europeu, assim como de outras regiões do mundo. Temos que esperar o ressurgimento alemão não da parte nacionalista ou tradicionalista da sociedade alemã, que está débil e completamente saturada pela "vergonha do passado". Mas até o aspecto liberal e democrático da sociedade alemã tem um vivo interesse na independência perante os Estados Unidos. Economistas alemães têm atualmente um profundo interesse contra o controle dos Estados Unidos. Encontramos a sociedade alemã atual em profundo conflito com Washington; não se trata só de espionagem da NSA.

M. O.: Você fala de economia, de aspectos sociais e da sociedade liberal da Alemanha. Que papel desempenha coisas como "a identidade nacional alemã" no conflito com os Estados Unidos?

Dugin: Eu sabia que esta pergunta chegaria...

M. O.: ...já que é um aspecto importante?

Dugin: É, mas não terá papel nenhum no conflito futuro com Wahington. Tais aspectos estão totalmente proibidos atualmente. Sejamos realistas: na Alemanha temas como "a identidade nacional alemã" não se discutem.

Quando não tem nenhum papel na própria Alemanha, como será isto um ponto importante no conflito com Washington? Os conflitos de interesses econômicos e sociais entre Washington e Berlim são atualmente muito mais perigosos para a presença dos Estados Unidos na Alemanha e Europa do que qualquer agenda identitária ou nacional-cultural.

M. O.: Então, na sua opinião, nossa identidade nacional não terá nenhum papel hoje ou no futuro na "questão alemã"?

Dugin: Eu não disse isso! Certamente não terá papel nenhum em um futuro próximo e na questão da emancipação alemã da potência ocupante estadounidense. Agora temos razões completamente racionais para tal emancipação que preocupam muito mais Washington do que qualquer aspecto tradicional anti-estadounidense na Alemanha.
Alexandr Dugin e Manuel Ochsenreiter em Freiburg, Alemanha
M. O.: Faz um par de semanas teve uma situação irônica em um programa de entrevistas alemão. O ex-embaixador dos EUA na Alemanha, John Kornblum, deu uma conferência a políticos e jornalistas alemães. Disse que Washington e Berlim são "sócios", não "amigos". Otto von Bismarck disse uma vez que a política externa está próxima de interesses, não de amizade. Como é que chega um diplomata dos EUA a nos dar sermão na forma de pensar de Bismarck atualmente?

Dugin: Essas coisas realmente não me surpreendem. Depois da Segunda Guerra Mundial o pensamento livre, especialmente sobre as relações com as forças de ocupação, foi absolutamente proibido na Alemanha.

Antes de 1945 fomos testemunhas do pensamento nação-centrista sobre o destino da Alemanha em todos os campos políticos de seu país. Comunistas, social-democratas, centristas, nacional conservadores e nacionalsocialistas tinham a nação alemã no centro de seus pensamentos.

O patriotismo alemão não foi em absoluto uma invenção dos nacionalsocialistas como muitos alemães acreditam hoje em dia. O pensamento nação-centrista na política se encontra também em outros países como França, Estados Unidos, Reino Unido ou Rússia. É completamente normal pensar assim. E foi até 1945 uma tradição alemã. Depois de 1945, esta forma de pensar foi proibida e difamada na Alemanha. Os alemães se viram obrigados de repente a penas pela "humanidade", pela "comunidade internacional", "nos valores ocidentais" ou de qualquer outra forma cosmopolita.

A reeducação no período pós-guerra buscou assegurar que a nova elite alemã não trabalhasse para estabelecer uma Alemanha livre e independente. A ausência completa de qualquer possibilidade de uma forma de pensar nação-centrista na política alemã foi lograda pelo poder soviético na RDA e pelos EUA na RFA.

Os alemães foram educados no pensamento anti-alemão. Não podemos esperar da elite ou da inteligência alemã, claro que com algumas exceções, pensamento centrado na Alemanha.

Assim não devemos nos surpreender que os políticos e intelectuais alemães falem em termos de "amizade" e não de "interesses" quando se trata das relações com as forças de ocupação.

Quando um político alemão deixa sua esfera, será substituído imediatamente pelos alemães que defendem exatamente esta esfera anti-alemã. É uma espécie de "Gulag" ou "campo de concentração" intelectual ou mental. Mas desta vez os norteamericanos são os comandantes e capitães deste campo e a elite alemã interpreta o papel da "Kapo", a polícia do campo.

Você deve aceitar isto ou se rebelar. Para a rebelião é cedo, mas chegará com segurança. Uma Alemanha livre e independente é uma grande oportunidade para toda a Europa. A Europa só pode se emancipar da dominação estadounidense com uma Alemanha emancipada.

Traduzido por Álvaro Hauschild, via Elministerio

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dugin: O Ocidente atual deveria ser aniquilado


Para muitos dos nossos leitores o nome do filósofo, cientista político, tradicioinalista, professor Alexander Dugin, como seus vários livros, são bem conhecidos. É o motivo pelo qual não começamos por Adão e Eva. Vocês podem encontrar mais informações sobre A. Dugin e seus trabalhos nestes sites: http://www.arcto.ru, http://www.4pt.su, http://dugin.ru

O professor Dugin respondeu a algumas das nossas questões. Segue abaixo a entrevista.

Entrevista: Caro professor, poderíamos começar nossa conversa com sua própria e interessante biografia. Antes de tudo, é verdade o que está escrito no Wikipedia e em outros locais? O que é verdade e o que não é? Pai, que trabalhou na GRU, círculo nazista liderado por E. Golovin, muitas perturbações políticas, intimidade com Putin?

Dugin: É tudo pura mentira. Nem Putin, nem nazista, nem pai do GRU e assim por diante. Minha biografia é minha bibliografia (cf. J. Evola). Eu não mexo no Wikipedia por duas razões:

1)     Há um grupo de administradores liberais que imediatamente restauram todas as mentiras para conservar a minha imagem pejorativa (a guerra de rede – é apenas uma democracia, nada pessoa, mas a democracia é sempre uma mentira);
2)     O indivíduo (bem como eu mesmo) não importa para mim; só a missão importa.

Então eu não me inclino a falar de mim mesmo. Leiam meus livros, formem suas opiniões pessoais sobre minhas ideias primeiro, a personalidade do autor, depois é opcional.

E: As principais coisas a se discutir nesta entrevista são suas ideias, as quais eu considero mais interessantes e globalmente importantes, de que o mundo ocidental parece estar entrando em colapso. É isto? O fim da civilização ocidental foi previsto muito antes. Quanto tempo devemos ainda esperar? Há algo que deve acontecer? Terceira Guerra Mundial? Revolução global? Nada (quer dizer, o colapso como processo natural)?

Dugin: Eu mais penso que nada vai acontecer, nada. Isto é o que é realmente terrível. A eternidade é o momento interminável do tédio. Heidegger estudou em seu trabalho, Die Grundbegriffen der Metaphysik o fenômeno do tédio profundo. Quanto ao caráter existencial do Dasein moderno, Gnostic Basilides descreveu o mundo PÓS-fim como completamente balanceado, o mundo sem eventos. Isto não quer dizer que não hajam mais eventos, mas que não vivenciamos mais os eventos como eventos. O colapso permanente é bem analisado pelo escritor inglês Alex Kurtagic.

O problema real surge quando ninguém percebe ele como problema. Eis onde estamos. O Ocidente é o centro do tédio. Ele não explode, mas implode sempre mais profundamente.

Eles estão certos de que isto durará para sempre. O fim do mundo é a impossibilidade do Mundo de terminar. O mundo inacabável não é mais um Mundo, é a agregação dos fragmentos insignificantes da existência como um todo. Estamos vivendo nas 6-9 hipóteses do Parmênides de Platão – há multitudes(πολλά), não há mais unidade (ν). Um mundo assim não pode existir (de acordo com os neoplatônicos). Eu cocordo com eles, não com a mídia de massa e com a cultura prêt-a-porter ou com os hegemônicos intelectuais.

E: Você publicou muitos livros – nem posso conta-los (você pode?). Eu lembro do primeiro que eu li – foi espantoso em 1999, sobre conspiralogia. Você acredita em uma séria conspiração global como os Bilderberg, Maçonaria, Illuminatti, ou outros grupos que REALMENTE estão atuando hoje? Se sim, por favor, explique como isso funciona e o que deveríamos esperar disto.

Dugin: Não me lembro quantos são os meus livros, mas da qualidade deles. A qualidade é muito diferente porque os livros foram escritos para públicos diversos. A conspiralogia é descrita por mim como um tipo de sociologia primitiva. Para a sociologia há um ponto muito importante: o que a sociedade pensa sobre o que está acontecendo não é menos importante que o que realmente está acontecendo ou que o que os especialistas científicos pensam. Então, estudando as teorias de conspiração acabamos por estudar a mente das pessoas, os mitos, a cultura, os medos, as estruturas gnoseológicas e cognitivas. A crença das pessoas nas conspirações. Significa que eles existem ou subsistem (de acordo com a ontologia diferenciada de Alexius Meinong).

É irônico que você menciona os Bilderberg (grupo internacional oficialmente existente) ou os Maçons (organização historicamente documentada) e os Illuminatti, que são produto das teorias de conspiração modernas (houve uma organização assim no fim do século XVIII, mas logo desapareceu). Os Bilderberg planejam? Os Maçons planejam? Penso que sim. O que eles planejam exatamente? Ninguém sabe a não ser os membros. Os membros não falam sobre o que eles planejam. Então não sabemos muito claramente de seus planos. Mas as pessoas imaginam, deduzem, acham, adivinham. É apaixonante estudar, como elas fazem. Elas expressam medos, desejos subconscientes, compreensão oculta da sociedade, da história, das hierarquias, do destino...apaixonante estudar tudo isso.

E: Você é considerado como o pai do Eurasianismo e da Quarta Teoria Política. Você poderia explicar o foco das suas ideias?

Dugin: O Eurasianismo pensa que a Rússia não é um país, mas uma civilização. Então deveria ser comparada não com os países europeus ou asiáticos, mas com as civilizações europeias, islâmicas ou hindus. A Rússia-Eurásia consiste do caráter moderno e pré-moderno, das culturas e etnias do Leste-Europeu. Esta identidade particular deveria ser reconhecida e reafirmada no contexto do novo projeto de integração. O Eurasianismo nega a universalidade da civilização ocidental e a unidimensionalidade do processo histórico (dirigido pelo liberalismo, pela democracia, direitos humanos, economia de mercado e assim por diante). Há culturas diferentes com diferentes antropologias, ontologias, valores, tempos e espaços. O Ocidente não é nada mais que uma província mundial hipertrofiada e insolente com megalomania. É caso abjeto da hybris. A humanidade deveria lutar contra o Ocidente com fim de pôr suas pretensões nos limites legítimos. A província mundial deveria voltar a ser o que é – a província, o histórico caso isolado, a opção – não um fato universal, normativo ou de objetivo comum.

A Quarta Teoria Política é a teoria que afirma:

1)      Três principais ideologias políticas modernas (o liberalismo, o comunismo/socialismo e o fascismo/nazismo) não são mais adequadas – então precisamos descartar todas elas (ou seja, sem mais liberalismo, socialismo e fascismo – notem o fascismo e comparem com o que eles dizem de mim);
2)      Precisamos construir a Quarta Teoria Política além das três descartadas; dessa vez não pode ser moderna (pós-moderna ou pré-moderna);
3)      O sujeito da Quarta Teoria Política é o Dasein segundo o que Heidegger descreveu em seus trabalhos (não o indivíduo como no liberalismo, nem a classe como no marxismo, nem a raça ou o Estado como no fascismo/nazismo) – O Dasein deveria ser libertado do modo inautêntico de existência;
4)      O Dasein é plural e depende da cultura, de modo que o mundo deve ser multipolar (toda cultura, etnia ou religião tem seu própria Dasein – não estão necessariamente em contradição, mas são diferenciadas).
5)      Clamamos pela revolução existencial mundial dos Daseins – Daseins fas sociedades humanas unidas pela luta contra-hegemônica global – contra o globalismo ocidental e contra o universalismo liberal, assim como contra a a dominação dos EUA.

E: A União Eurasiana estabeleceu-se muitos anos atrás. Agora parece estar no esquecimento, apesar de que se pode ver que a parte oriental do mundo (China, Irã, etc.) está se fortalecendo enquanto a parte ocidental se enfraquece. Prossegue? Qual é a situação da União Eurasiana agora e o que você prevê para o futuro dela?

Dugin: A União Eurasiana é nossa ideia tomada pelos burocratas de Putin. Penso que é somente uma forma de assegurar o futuro da Rússia e a condição indispensável para a multipolaridade. A Rússia deveria estar do lado dos poderes não-ocidentais. Há muitos problemas com a União Eurasiana – objetivos e subjetivos. A hegemonia americana e quinta coluna na Rússia danifica ela, e a ineficácia da burocracia russa torna a situação sempre pior. Não obstante será estabelecida, porque deve ser estabelecida.

E: Guerras e revoluções por toda parte agora... Mali, Síria, Palestina, Tunísia... O que você pensa sobre a situação no Magreb/Oriente Médio? Terminará o sangue e outra guerra de mais de dez anos?

Dugin: Não. Nunca terminará. É o projeto do caos financiado pelo Ocidente enfraquecido a fim de controlar as sociedades não-ocidentais por outros meios. O sangue será espalhado mais e mais. Só quando todos os islâmicos voltarem suas armas contra os hegemônicos ocidentalistas e unirem-se à batalha final dos eurasianistas poderá terminar. O Império continua a dividir, mas não pode mais efetivamente controlar. Então começa a dividir e, e é tudo. Não pode dominar, só matar. Então precisamos revidar.

E: Qual é sua opinião sobre o Islã e o Irã?

Dugin: Eu admiro o Irã e admiro o shiismo e o sufismo. É a tradição espiritual que luta contra a modernidade mirando seu centro. Há muitos tipos de Islã. Gosto do Islã tradicional e tenho algumas dúvidas sobre a versão wahhabista. É uma versão modernista e universalista do Islã e parece funcionar sob os interesses dos EUA como um tipo de unidade sub-imperialista. Em suma, eu apoio o tradicionalismo em todas as religiões. Mas o Irã e a tradição shiita eu os amo com meu coração.

E: Que futuro (próximo e distante) gostaria de ver para o mundo? Qual sua visão?

Dugin: No status quo estamos desprovidos de futuro. Compreendo o futuro existencialmente como o horizonte da existência autêntica do Dasein, como Ereignis (evento/em si mesmo), a vinda do último Deus (letzte Gott). Mas este futuro é incompatível com o Logos decadente da história Ocidental. O Ocidente atual (EUA e em parte a Europa) deveriam ser aniquilados e a humanidade deveria ser reconstruída sob fundamentos diferentes – em face da Morte e do Abismo.

Deveria haver um Novo Começo da Filosofia ou...nada mais. O mesmo nada de agora, não perseguido mais como tal. Assim, o futuro não deveria vir por si mesmo. Nós deveríamos fazê-lo. Mas antes precisamos destruir o que é ou parece ser.

E: Como vejo do Facebook e das páginas da internet, há muitas pessoas prontas para alguma revolucionária mudança de paradigma de suas mentes e talvez ainda revoluções físicas. Mudanças reais estão para surgir no nosso mundo? Poderia prever quando e como?

Dugin: A mudança de paradigma é absolutamente necessária. Eu não vejo homens ou mulheres suficientes e prontos para mudar eles próprios e o mundo em torno deles. Mas vejo alguns. É muito pouco para a esperança, mas muito grande para o desespero. Eu gostaria de ver passos mais decisivos e concretos. É bom que alguns começam a despertar. O ódio ao Ocidente, ao globalismo, ao consumismo, à mídia de massas, às mentiras democráticas, ao lixo dos direitos humanos, ao capitalismo, à ditadura tão chamada “sociedade civil” e à dominação americana estão obviamente crescendo. Então deveríamos seguir adiante. Fraqueza significa revolução e guerra. É pouco provável que eles começarão agora. Mas eles deveriam começar exatamente agora porque amanhã será tarde demais.

E: Desejo a você todo o melhor e agradeço pelas respostas – a última questão: quais são as principais ideias nas quais você está trabalhando agora?

Dugin: No manual de Relações Internacionais para as universidades russas, na Teoria do Mundo Multipolar (publicada, mas ainda em desenvolvimento), no desenvolvimento da Quarta Teoria Política, nos estudos heideggerianos no campo da filosofia (tenho escrito já dois livros sobre Heidegger e continuo trabalhando no mesmo projeto), no tradicionalismo (Henry Corbin, círculo Eranos – tenho comprado recentemente todas as edições do Eranos Jahrbuch na Suíça), na sociologia da imaginação (no estilo de G. Duran – fazem dois anos do meu doutorado sobre o assunto), em novos livros sobre geopolítica (geopolítica histórica da Rússia, regiões do mundo e assim por diante), no platonismo e neoplatonismo, eurasianismo (claro), na teologia ortodoxa, antropologia social e etnossociologia, economia (meios alternativos), e em estudos conservadores.

Também: ensino na Universidade Estatal de Moscou (sendo chefe do departamento de sociologia das Relações Internacionais) – RI, geopolítica, etnossociologia, sociologia; conferências (ao redor do mundo); aconselhando o governo russo e o parlamento (enquanto membro oficial dos conselheiros do chefe de Estado Duma S. Naryshkin); e dirijo o Movimento Internacional Eurasiano.

E: Obrigado.

Dugin: De nada.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CURITIBA/PR: Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política



"Estamos frente aos portões de entrada da pós-modernidade. Seus primeiros sinais já se fazem visíveis. A queda do mundo ideológico que marcou toda luta política pelo intenso século XX configura um deserto espiritual em que nada brota no campo do pensamento. É o deserto subpolítico da pós-modernidade. 

Esquerda e direita desaparecem como topográfica política identificável, a primeira endireita-se em matéria de vínculo econômico, e a segunda esquerdiza-se em matéria de valores e cultura. O que resta da direita apodrece na busca de sistemas para otimizar o status quo, e o que resta da esquerda deliberadamente autoaliena-se em simulacros de revoluções. 


Ilusões débeis e apegos anímicos a ideias já carcomidas pelo poder do capital, bandeiras sujas de dólares e símbolos de uma era de seriedade e luta comercializados no mercado negro ideológico.


Pouca coisa é ideologicamente identificável na pós-modernidade, e o ideal do indivíduo emancipado e desobrigado é talvez a principal delas. Este, por sua vez, é a luz destes tempos, que cegou todas as outras chamas ideológicas. Isto marca não menos o liberalismo como o representante completo no campo das ideias deste ideal, e pensamento reinante em todas as esferas.


Marxismo, Fascismo e teorias políticas interligadas, os quais configuraram outrora alternativas ao mundo liberal, hoje já não se representam como forças políticas, senão como meros atores que cumprem determinados papeis inofensivos no jogo da política pós-moderna. Estas são ideologias completamente derrotadas. O fascismo foi pisado e decapitado de forma fulminante, o marxismo foi humilhado e hoje é mantido como escravo ideológico. E uma vez sem inimigos a altura, o liberalismo transmuta a si mesmo em pós-liberalismo e domina a personalidade do Ocidente. Como uma locomotiva globalista e capitalista, passando por cima de todos os povos e nações, o Ocidente americanista e europeu simplesmente expande seu domínio em direção a um mundo comprimido sob o signo do poder militar e cultural que derivam de uma divindade econômica.
         
Assim, diante das possibilidades e das tendências catastróficas que se fazem notar a medida que a era pós-moderna avança irreversivelmente, necessário se torna produzir uma rota de saída, e, a partir dela, um caminho para o enfrentamento.
          
Este é o espírito da Quarta Teoria Política. 

Já está mais do que na hora de uma verdadeira alternativa vir a tona a tudo isso. Corrupção, usura, exploração, opressão, relativismo, já estão em níveis críticos, pois esgotam-se seus meios de velamento.
          
Aquilo que pela insuficiência, impotência e incompetência, mesmo com todo potencial de enfrentamento, foi incapaz  de abater o grande inimigo americano, liberal e globalista, deve ser redefinido, revirado, reposicionado até o ponto de essencialmente não ser mais o que um dia foi. Deve ser, pois, superado.
          
Uma nova frente de batalha está para ser conquistada. Diante de um grande agente que porta o signo da antítese total, que conduz um signo do mal, todo ideal de oposição carrega uma marca de salvação, de destino, de dever, de libertação. E isto é incorporado na proposta de uma quarta posição política que rompe as barreiras ideológicas do fracasso, da manipulação e nos leva a uma vontade irresistível de lutar.
          
A 1ª Conferência Ibero-Americana Sobre a Quarta Teoria Política é um evento que marca em terras austrais uma nova posição político-ideológica, forjada na certeza inegociável de se superar em criatividade e beligerância todas as formas e estratégias um dia criadas para enfrentar a ideologia liberal dominante, e atingir uma posição geopolítica que proteja os povos da América Austral da dominação imperialista do grande capital.
          
No mundo das ideias esta proposta é das mais empolgantes. Desmontar marxismo, perfurar seu núcleo ideológico e observá-lo desde fora, dissecar o fascismo, retirar e examinar seu sujeito histórico, perceber o próprio liberalismo em sua forma expandida, com suas vertentes, globalização, sistema financeiro, leis econômicas e jurídicas, etc, é um ótimo exercício para um espírito disposto ao desafio de pensar e interpretar a realidade.
          
Esperamos com enorme satisfação a participação de todos, que possam superar as dificuldades de todos os tipos e se fazer presentes neste evento.
          
De toda equipe organizadora do evento e amigos ajudantes, um forte abraço a todos.

Nos vemos em Curitiba."
Evento:
A 1ª Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política ocorrerá em Curitiba/PR - Brasil, nos dias 15 e 16 de Novembro de 2013.


Inscrições:
A inscrição só passará a ter validade com o pagamento das taxas previamente estipuladas pela Organização do Evento, as quais devem ser pagas por meio de depósito bancário. Para efetuar o pagamento é necessário enviar um e-mail para 4tpbrasil@gmail.com, informando o interesse em participar do Evento. Entraremos em contato informando a conta corrente para o depósito bancário. Após o pagamento, que deve ser informado enviando o comprovante de depósito scanneado ou fotografia com dados legíveis, o inscrito receberá a resposta de confirmação dentro de 3 dias. 

Obs.: Não é necessário o envio de dados pessoais como RG e CPF por email, porém é obrigatória a apresentação do RG para entrar no local.

TAXA DE INSCRIÇÃO: R$ 50,00. 

Localização:
Centro de Convenções de Curitiba
Rua Barão do Rio Branco, 370 - Centro
Curitiba - PR, 80010-180 

Local privilegiado, próximo de vários pontos turísticos da cidade, de fácil acesso no trajeto aeroporto-local, rodoviária-local e com muitos outros hotéis com preços acessíveis ao redor, sendo alguns indicados para os interessados reservarem suas estadias.
Programação:
Em breve. 


Estadia e Alimentação: 
A hospedagem e alimentação para os dois dias do evento são de responsabilidade do inscrito. Serão oferecidos durante todo o evento lanches da tarde durante um pequeno intervalo entre as apresentações Sugerimos alguns hotéis, pousadas e albergues próximos ao local da Conferência, na região central de Curitiba.
  
Sugestões de Hospedagens


Segue abaixo uma relação de hotéis mais econômicos, próximos ao local em que será realizado o encontro:


Hotel Itamaraty

Av. Presidente Afonso Camargo, 279, em frente à Rodoviária http://www.hotelitamaratycwb.com.br

Palace Hotel Paraná

Rua Barão do Rio Branco, 62 http://www.palacehotelpr.com.br/

Aladdin Hotel - Paraná Suite

Rua Lourenço Pinto, 440 http://www.hotelaladdin.com.br/

Hotel Marabá

Rua André de Barros, 435 http://www.marabahoteis.com.br/

L'Avenue Apart Hotel

Rua XV de Novembro, 526 http://www.lavenueaparthotel.com.br

Apart Hotel Paraty

Rua Riachuelo, 30 http://www.hotelparati.com.br/

Hostel Roma

Rua Barão do Rio Branco, 805 http://www.hostelroma.com.br

EuroHotel

Rua João Negrão, 400 http://www.eurohotel.com.br


Alimentação


Na região central de Curitiba, principalmente próximo ao local do evento, há inúmeros bons restaurantes, para todos os gostos, de diferentes tipos de culinárias. 


Palestrantes:

LEONID SAVIN

Formação: Faculdade Sumy de construção de máquinas; faculdade de teologia; Associação Ucraniana de Educação a Distância; Escola Superior de Jornalismo; assim como inúmeros seminários e cursos de treinamentos sobre ONG’s e organização intra-governamentais como a ONU e o Conselho da Europa. 


ALBERTO BUELLA

Professor Licenciado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires; (DEA) Diplome d'Etudes Approfondies pela Universidade de París - Sorbonne; Doutor em Filosofia pela Universidade de París - Sorbonne.  Nascido em Buenos Aires em 1946, é um filósofo argentino que tem se destacado por seus trabalhos nas áreas de metapolítica, teoria do dissenso e teoria da virtude, tendo sido o fundador da primeira revista de metapolítica ibero-americana, ou hispano-americana, ainda nos anos 90.


Conferência Ibero-Americana sobre a Quarta Teoria Política

sábado, 7 de setembro de 2013

Dugin sobre Síria: estamos na maior crise da história geopolítica moderna



Entrevista ao importante intelectual russo Alexander Dugin sobre a crise síria e a posição em que se encontram atualmente Estados Unidos e Rússia, ressaltando que vivemos em um momento histórico no qual se batem muitas coisas com os possíveis cenários futuros: a queda dos Estados Unidos como superpotência ou uma guerra às portas da Rússia.

Manuel Ochsenreiter: Professor Dugin, o mundo enfrenta, nesses momentos, na Síria a maior crise internacional desde a queda do Bloco Oriental em 1989/90. Washington e Moscou se encontram em um confronto através de terceiros no campo de batalha sírio. Esta é uma nova situação?

Dugin: Temos que ver a luta pelo poder político como o velho conflito do poder terrestre, representado pela Rússia, e do poder marítimo, representado pelos Estados Unidos e seus sócios da OTAN. Isto não é um fenômeno novo, mas a continuação da velha luta geopolítica e geoestratégica. A década dos 90 foi a época da grande derrota do poder terrestre representado pela URSS. Michail Gorbachov negou a continuação desta luta. Isto foi uma espécie de traição e resignação diante do mundo unipolar. Mas com o presidente Vladimir Putin, no início da primeira década dos anos 2000, chegou a uma reativação da identidade geopolítica da Rússia como potência terrestre. Este foi o começo de um novo tipo de competência entre o poder marítimo e o terrestre.

Manuel Ochsenreiter: Como começou esta reativação?

Dugin: Tudo começou com a segunda guerra da Chechênia (1999-2009). A Rússia, nesse momento, estava sob pressão pelos ataques terroristas chechenos e pelo possível separatismo do Cáucaso Norte. Putin teve que notar que todo o Ocidente, os EUA e a União Europeia, estavam do lado dos separatistas chechenos e terroristas islâmicos que combatiam contra o exército russo. Este é o mesmo argumento que presenciamos hoje na Síria ou tempos atrás na Líbia. O Ocidente deu apoio à guerrilha chechena, e este foi o momento da revelação do novo conflito entre o poder terrestre e o poder marítimo. Com Putin, o poder terrestre se reafirmoou. O segundo momento da revelação foi em Agosto de 2008, quando o regime pró-ocidental da Geórgia atacou Zchinwali na Ossétia do Sul. A guerra entre a Rússia e a Geórgia foi o segundo momento da revelação.

Ochsenreiter: A crise síria é atualmente o terceiro momento da revelação?

Dugin: Extamanete. Talvez seja até mesmo o último, porque agora tudo está em jogo. Se Washington não intervir e aceitar a posição da Rússia e da China, este seria o final dos Estados Unidos como candidato a superpotência e poder único. Esta é a razão pela qual creio que Obama seguirá adiante na Síria. Mas se a Rússia aceitar a intervenção dos Estados Unidos, e se Moscou finalmente trair Bashar al Assad, isto significaria de imediato um golpe muito dura contra a identidade política russa. Isto significaria a grande derrota do poder terrestre. Depois disto, um ataque contra o Irã seria feito, e ainda mais um no Cáucaso do Norte. Entre os poderes separatistas no Cáucaso Norte existem muitas pessoas que são apoiados pelas potências anglo-americana, Israel e Arábia Saudita. Se a Síria cair, começará imediatamente a guerra na Rússia, no nosso país. Significa que Putin não pode renunciar a Assad, porque isto significaria o suicídio geopolítica da própria Rússia. Talvez estamos neste momento na maior crise da história geopolítica moderna.

Ochsenreiter: Agora que ambas as potências mundiais dominantes, EUA e Rússia, estão em uma luta pela sua existência futura...

Dugin: De fato. No momento não há nenhuma outra solução possível. Não podemos encontrar nenhum tipo de compromisso. Nesta situação não há uma solução que satisfaça ambos os lados. Sabemos por outros conflitos como o armênio-azerbaijano ou o conflito palestino-israelense. É impossível encontrar uma solução para ambas as partes. Somos atualmente testemunhas do mesmo na Síria, mas em uma escala maior. A guerra é a única maneira de fazer uma revisão da realidade.

Ochsenreiter: Por quê?

Dugin: Temos que imaginar este conflito como um tipo de jogo de cartas como o poker. Os jogadores têm a possibilidade de ocultar suas capacidades, para fazer todo tipo de truques psicológicos, mas quando começar a guerra todas as cartas estarão sobre a mesa. Agora estamos presenciando o momento final do jogo de cartas, antes das cartas serem jogadas sobre a mesa. Este é um momento muito sério, porque a posição como potência mundial está em jogo. Se os Estados Unidos tiverem êxito, poderia se impor por algum tempo como posição dominante absoluta. Esta seria a continuação da unipolaridade e do liberalismo mundial estadounidense. Este seria um momento muito importante porque até agora os EUA não foram capazes de implementar seu domínio de forma estável, mas no momento em que ganharem a guerra, o farão. Mas se o Ocidente perder a terceira batalha (a primeira foi a guerra da Chechênia, a segunda a da Geórgia), este seria o final dos EUA e de seu domínio. Vejamos o seguinte: nem EUA nem Rússia podem renunciar a esta situação. Simplesmente, é impossível para ambos não reagir.

Ochsenreiter: Por que Estados Unidos e o presidente Barack Obama vacilam com sua agressão contra a Síria? Ele apela à decisão do Congresso? Por que pedir permissão quando não precisa?

Dugin: Não devemos cometer o erro e começar a fazer análises psicológicos sobre Obama. A guerra principal se dá nesses momentos nos bastidores. E esta guerra está sendo liberada em torno de Vladimir Putin. Ele está sob uma grande pressão dos funcionários liberais, pró-estadounidenses e pró-israelenses que rondam o presidente russo. Eles tratam de convencê-lo a desistir da luta, e o pessoal em torno de Putin são a quinta coluna do Ocidente. Isto significa que Putin é o único. Ele tem a população ao seu lado, mas não a elite política. Assim que temos que ver a decisão da administração de Obama de pedir permissão ao Congresso como uma espécie de espera. Eles tratam de forçar a pressão sobre Putin. Eles usam todas suas redes na elite russa para influenciar na decisão de Putin. Esta é a guerra invisível que está passando nestes momentos.

Ochsenreiter: Este momento é novo?

Dugin: (Risos) Absolutamente não! É a forma moderna das tribos arcaicas tratarem de influenciar o chefe do inimigo com ruídos fortes, gritos e tambores de guerra. Eles se golpeiam no peito para impôr o medo no inimigo. Creio que os esforços dos Estados Unidos para influenciar Putin são uma forma moderna de guerra psicológica anterior à batalha real. A Administração estadounidense tratará de ganhar esta guerra sem o oponente russo no campo de batalha. Para isso tem que convencer Putin de desistir. Eles têm muitos instrumentos para isto.

Ochsenreiter: Mais uma vez, o que acontece com a posição de Barack Obama?

Dugin: Creio que todos estes aspectos pessoais no lado estadounidense são menos importantes que no lado russo. Na Rússia, uma pessoa decide hoje sobre a guerra e a paz. Nos Estados Unidos, Obama é mais um tipo de administrador burocrático. Obama é muito mais previsível. Ele não atua em seu nome, mas se limita a seguir a linha central da política exterior estadounidense. Temos que notar que Obama não decide nada em absoluto. Ele é a figura de um sistema política que faz as verdadeiras decisões importantes. A elite política toma as decisões, Obama segue o plano escrito para ele. Para dizer claramente, Obama não é nada, e Putin é tudo.

Ochsenreiter: Você disse que Vladimir Putin tem a maioria da população russa a seu lado. Mas agora é época de paz. Na guerra síria, também apoiarão ele?

Dugin: Esta é uma pergunta muito boa. Em primeiro lugar, Putin perderia grande parte de seu apoio se não reagir em uma intervenção ocidental na Síria. Sua posição se debilitaria por desistir. As pessoas que apoiam Putin o fazem porque querem apoiar um líder forte. Se não reagir e resolver desistir devido à pressão dos Estados Unidos, seria considerado pela maioria da população como uma derrota pessoal de Putin. Assim que vê, isso é mais a guerra de Putin do que a guerra de Obama. Mas se intervir na Síria enfrentará dois problemas: a sociedade russa quer uma grande potência mundial, mas não está pronta para pagar os custos. Quando o volume destes custos ficarem claros, isso poderia causar uma espécie de choque para a população. O segundo problema é o que eu já disse, que a maioria da elite política é pró-ocidental. Eles se oporiam à guerra de imediato e começariam com sua propaganda para criticar as decisões de Putin. Isto poderia provocar uma crise interior. Creio que Putin seja consciente destes dois problemas.

Ochsenreiter: Você disse que os russos podem ser surpreendidos pelos custos de uma guerra. Não existe o perigo de que não poderão apoiar Putin por esta razão?

Dugin: Não creio. Nosso povo é muito heróico. Volte na história. Nosso povo não estava preparado para entrar em uma guerra, mas quando se viram obrigados a entrar, venceram a guerra, apesar de todos os custos e sacrifícios. Olhe para as guerras napoleônicas ou para a Segunda Guerra Mundial. Nós, os russos, perdemos muitas batalhas, mas no fiinal vencemos estas guerras. Mesmo que não estejamos preparados, sempre venceremos.

Traduzido por Álvaro Hauschild

sexta-feira, 29 de março de 2013

Eurásia acima de tudo

Por Alexandr Dugin

Em nossa sociedade russa - especialmente na esfera social e política - no início do novo milênio a deficiência de ideias é sentida dolorosamente. A maioria das pessoas - incluindo governadores, políticos, cientistas, trabalhadores - são orientados na vida, nas escolhas políticas por um conjunto de fatores momentâneos, preocupações casuais, apelos transitórios e efêmeros. Estamos perdendo rapidamente qualquer representação geral sobre o sentido da vida, sobre a lógica da história, sobre os problemas do homem, sobre o destino do mundo.

Escolhas existenciais e sociais foram substituídas pela publicidade agressiva. No lugar de uma ideologia política significativa e responsável destaca-se alguns eficazes ( ou ineficazes) PR. O resultado da luta de idéias é definido pelo volume de investimentos em entretenimento. Confrontos dramáticos de povos, culturas e religiões se transformam em shows inspirados por companhias transnacionais e petroleiras. Sangue humano, vida humana e espírito humano viram abstração estatística, custos para o consumidor, na melhor das hipóteses - figura demagógica de um discurso nas suaves e ambíguas lamentações humanitárias, ocultando uma dupla medida.

No lugar de uma uniformidade totalitária, chega uma totalitária indiferença. A maioria dos partidos políticos e movimentos sociais formalizados perseguem propósitos táticos. Praticamente em lugar nenhum pode ser encontrado uma ideologia explícita e consequente capaz de captar o homem do estado de sono indiferente, para fazer valer a pena viver.



Americanismo e a necessidade de uma alternativa

O mais rigoroso - e ao mesmo tempo mais nocivo - projeto de cosmovisão foi formulado pelos liberais. Essas forças geopoliticamente orientadas através dos Estados Unidos e o Ocidente, tomando por exemplo copiar a política, a economia, tipo de sociedade, cultura e ideal de civilização americanos. Esse campo tem sua dignidade - seu projeto é lógico e consistente, sua teoria e prática estão conectadas. Mas também é lógico o mal, morte, dissolução e perda da integridade orgânica. Os liberais dizem um decisivo "sim" para esse "mundo uniforme", confuso, vão, individualista, oligarca, vazio de qualquer orientação moral, espiritual e tradicional, que os Estados Unidos - superpotência mundial - se esforça para criar em escala planetária, entendendo sua superioridade tecnológica e econômica como um mandato para uma hegemonia de gerência privada em escala mundial. Essa americanização da Rússia, de todo o mundo, essa submissão servil ao guardião do novo mundo - guardião dos shows - obviamente não é muito agradável para muitas pessoas. Mas essa oposição geralmente aparece apenas emocionalmente, fragmentada, de forma inconsistente. Pessoas e movimentos sócio-políticos inteiros estão inercialmente satisfeitos com as antigas correntes, com resíduos de épocas diferentes, mais harmoniosas e mais nobres, com algo ao menos de alguma forma diferente da tsunami atlantista que arrasta os restos de nossa própria civilização russa. A hostilidade ao estilo de vida americano, à famosa "nova ordem mundial" é uma qualidade totalmente positiva, que deve ser bem recebida em qualquer lugar que a encontremos. Mas isso não é o suficiente. Uma contraproposta ativa, uma alternativa realista, concreta e capaz é indispensável para nós. As condições ao início do milênio são consideravelmente novas. E aqueles que querem um futuro diferente, ao invés desse caos controlado e desintegração de luzes de neon imposta a nós pela América, são compelidos a dizer um "não", mas também formular, propor, demonstrar de defender, um diferente, próprio, plano de civilização.

A visão de mundo mais massiva, mais geral, que oferece tal alternativa à hegemonia Americana, ao mundo unipolar, os triunfo do Ocidente, é o Eurasianismo.

Os pais fundadores do Eurasianismo

Historicamente, o Eurasianismo existiu por 20 anos como tentativa de interpretar o desenvolvimento sócio-político, cultural e geopolítico da Rússia como um processo uniforme e basicamente contínuo desde o Principado de Kiev até a URSS. Os eurasianistas detectaram por trás da dialética do destino nacional do povo russo e do Estado russo uma missão histórica unitária, expressa diferentemente em vários níveis. Uma tese principal dos primeiros eurasianistas (conde N.S. Trubestkoy, P. Savitsky) soava assim: "O Ocidente contra a humanidade", ou seja, as nações do mundo florescendo complexidade de culturas e civilizações contra o padrão ocidental unitário e totalitário, contra a dominação política, econômica e cultural do Ocidente. Rússia (tanto arcaica, monarca-ortodoxa, quanto a Soviética) viu os eurasianistas como um reduto e uma vanguarda de seu processo mundial, uma fortaleza de liberdade contra a hegemonia unidimensional sobre a humanidade de um tumor irreligioso, secularizado, pragmático e egoísta - a civilização ocidental, proclamando supremacia e dominação jurídica, material e espiritual. Com base nisso os eurasianistas aceitaram a União Soviética como uma nova - paradoxal - forma do caminho original da Rússia. Desaprovando ateísmo e materialismo na esfera cultural, eles reconheceram trás a face exterior do comunismo as características nacionais arcaicas, por trás da Rússia Soviética a legítima herança geopolítica da missão russa.

Sendo lógicos e convencidos patriotas russos, os eurasianistas chegaram a conclusão sobre a inadequação das formas tradicionais, nas quais a Ideia Nacional na Rússia foi investida durante os últimos séculos. O lema Romanov - "Ortodoxia, Autocracia, Nacionalidade" - era apenas uma fachada conservadora escondendo por trás de si conteúdos bastante modernos, basicamente copiados da Europa. O patriotismo soviético expressava a ideia nacional em termos de classe, que não capta a essência do problema civilizacional, nem reconhece o significado da missão histórica da Rússia. O nacionalismo secular dos Romanov era apenas uma imitação formal dos regimes europeus. O patriotismo soviético ignorou o elemento nacional, quebrou a conexão com as tradições, deixou de lado a Crença dos pais.

Uma nova abordagem sintética era indispensável. Tal abordagem se desenvolveu também no âmbito da filosofia eurasianista, dentro dos movimentos sociais e políticos dos eurasianistas. os pais-fundadores do Eurasianismo deram pela primeira vez a maior estima à natureza (imperial) multi-nacional do Estado russo. Eles atentaram especialmente ao fator turco. O papel da herança de Gengis Khan, administrador da soberania Tártara assimilada por Moscou no século XVI, foi visto como uma virada decisiva da Rússia para o Oriente, para suas origens, para o seus próprios valores.Na saga ortodoxa é exatamente essa época está ligada com a "Sagrada Rússia", na transformação de Moscou na Terceira Roma (Após a queda de Czargrad e o fim do Império Bizantino). A missão da Sagrada Rússia foi expressa na auto-afirmação de sua própria cultura eurasiana, de um sistema social original, distinta em suas principais características do caminho seguido pelos países do Ocidente Católico Romano e Protestante.

A Rússia foi concebida pelos eurasianistas como uma vanguarda do Oriente contra o Ocidente, como uma linha de defesa avançada da sociedade tradicional contra a sociedade moderna, secular, ordinária e racionalizada. Mas na luta centenária pela preservação de um "ego" cultural, Rússia, diferentemente de outras sociedades orientais, adquiriu ativamente experiência do Ocidente, adotando as técnicas aplicadas, emprestando alguns métodos - mas o tempo todo com o propósito de enfrentar o Ocidente com suas próprias armas. Na linguagem moderna, isso seria "modernização sem ocidentalização". Então a Rússia conseguiu mais que outras sociedades para combater efetivamente a pressão do Ocidente.

A partir disso os eurasianistas chegaram a uma conclusão importante: Rússia necessita não apenas voltar às suas raízes, mas combinar um conservador e revolucionário recomeço. Rússia deve modernizar ativamente, desenvolver, abrir parcialmente para o mundo circundante, mas salvar rigorosamente e cristalizar sua própria identidade. Então alguns chamam os eurasianistas de "Bolcheviques ortodoxos".

Infelizmente, historicamente, este notável movimento não foi apreciado na devida medida. Os sucessos impressionantes da ideologia marxista fez a refinada perspectiva conservadora-revolucionária do eurasianista ineficaz, supérflua. Até ao final dos anos 30, o impulso inicial do movimento eurasianista, tanto na Rússia e entre a emigração russa, havia definitivamente morrido.

A corrida de revezamento da ideia eurasiana foi executado doravante não tanto por políticos e ideólogos, quanto por cientistas (em primeiro lugar o grande historiador russo Lev Gumilyov).

Neo-eurasianismo

Os acontecimentos dramáticos das últimas décadas na Rússia, em todo o mundo, fizeram novamente as idéias Eurasianistas urgentes, essenciais. O Ocidente deteve o seu maior adversário civilizacional - a URSS. A ideologia Marxista subitamente perdeu o seu apelo. Mas uma nova alternativa geral ocidentalismo e o liberalismo (que hoje estão incorporadas em seu pleno desenvolvimento, a civilização dos EUA e América - de que mesmo os europeus, os avós do monstro mundo, começam a sentir nervosos) não apareceu ainda.

E não poderia aparecer de qualquer maneira.

As peças separadas - nacionalismo pré-revolucionário, clericalismo, o sovietismo totalmente inercial ou a imaginação extravagante de ecologismo e esquerdismo - não poderiam se transformar em uma frente unida. Não havia base de visão de mundo comum, sem denominador comum. A aproximação ocasional de posições dos adversários para a globalização e americanização não resultou em uma verdadeira síntese de visões de mundo.

Neste momento em que as mentes mais atentas, os corações mais puros e as almas mais flamejantes se converteram também à herança Eurasiana. Nele eles viram uma força salvadora, o germe dessa doutrina, essa ideologia, que cumpre idealmente as exigências do presente momento histórico.

Neo-eurasianismo começa a ser construído como corrente social, filosófica, científica, geopolítica e cultural desde o fim dos anos 80. Se distanciando do legado dos eurasianistas russos dos anos 20 e 30, incorporando a experiência espiritual da tradição da Ortodoxia russa, se enriquecendo pela crítica social dos populistas e socialistas russos, interpretando de uma nova maneira as conquistas da etapa Soviética na história nacional, ao mesmo tempo dominando a filosofia do tradicionalismo e da revolução conservadora, metodologia geopolítica e doutrinas revolucionárias originais como a "nova esquerda" (ou seja, aquelas correntes intelectuais que foram elaboradas no Ocidente, mas direcionadas contra a lógica dominante em seu desenvolvimento) - os neo-eurasianistas se tornaram a mais séria plataforma de visão de mundo na sociedade russa moderna, adquirindo a forma de escola científica completa, um sistema de iniciativas sociais e culturais.

Os neo-eurasianistas lançaram a base da geopolítica russa moderna, ganhando um forte potencial pessoal de simpatizantes em estruturas e ministérios de gabinetes ligados ao setor militar, baseando-se em projetos eurasianistas operacionais internacionais, militares e econômicos muito sérios.

O neo-eurasianismo influenciou a moderna politologia, sociologia e filosofia internas.

O eurasianismo se tornou gradualmente um relevante instrumento conceitual do monopólio estatal russo exigindo um padrão estratégico para o desenvolvimento de uma estratégia de atividade macroeconômica de longo prazo, dependendo não de processos políticos momentâneos, mas de uma constante histórica, geográfica e civilizacional.

Estabeleceu as bases de todo um conjunto de correntes de vanguarda na cultura jovem, dando um vívido impulso para o desenvolvimento criativo, apaixonado em toda direção na arte.

O neo-eurasianismo teve um forte impacto sobre os partidos políticos e movimentos na Rússia moderna - encontramos grandes empréstimos do arsenal ideológico neo-eurasianista nos documentos programáticos da "Unidade", KPFR (Partido Comunista), OVR (Otetchetsvo-Vsyo Rossiya), LDPR (Partido Liberal Democrata), o movimento "Rússia" uma série de movimentos e partidos menores. Entretanto esses empréstimos permanecem fragmentados, combinados com alguns outros elementos heterogêneos ou até mesmo contraditórios (tudo isso fazem os grandes partidos russos no lugar da tática, formações não-ideologistas criadas para soluções de curto prazo, problemas políticos locais).

O novo tema político e social

Chegou a hora de dar o próximo passo, dar ao eurasianismo dimensão social e política concreta. A ideologia neo-eurasianista ultrapassa gradualmente o nível da pura elaboração teórica. O novo governo da Rússia está seriamente engajado na solução de problemas estratégicos que enfrenta o país, e sua obviamente insatisfação com as fórmulas primitivas e destrutivas impostas pelo Ocidente e os influentes da Rússia: ele precisa de uma visão de mundo e apoio político e social. As autoridades atuais, sua especificidade, sua imagem social, diferem consideravelmente do período pós-Soviético e dos tempos da passividade acrítica do liberalismo irresponsável. Uma nova visão de mundo estatal, um novo padrão de politicamente-correto amadureceu. Isto é comprovado pela essa busca perseverante de uma ideia nacional em que as autoridades estão hoje envolvidas.

Se o sistema político e partidário habitual é adequado para a decisão de problemas momentâneos (embora consideramos como inadequado mesmo em sentido estrito pragmático), em uma perspectiva de médio prazo (e muito menos uma visão estratégica de longo prazo) ele não tem chance, e requer uma reforma radical. O sistema vigente evoluiu durante o processo de demolição do modelo soviético e sua substituição por uma formação liberal-democrata pró-ocidental. Mas hoje nem o primeiro nem o último é aceitável para a Rússia. E além disso, é inadequado frente a difícil situação que o país enfrenta - consequência das políticas ridículas seguidas anteriormente. O que precisamos é de partidos e movimentos com base em uma visão de mundo, refletindo os interesses dos estratos concretos da população, que se fundem com o povo, educando, treinando e defendendo-o, em vez de explorar a confiança (e ingenuidade) das massas para o benefício particular ou de grupo.

Todas as condições que floresceram para o surgimento de um rigoroso movimento eurasianista na nova Rússia. E aqueles que estavam nas origens do Neo-eurasianismo que formaram as premissas teóricas e bases da geopolítica russa, filosofia eurasiana, ciência política conservadora-revolucionária e a sociologia, que passou anos lutando pelos ideais da Eurásia, para o renascimento do povo russo e nosso grande poder - aqueles feitos para decisão de formar o novo movimento social e político "EURASIA".

Quem serão os participantes do movimento "Eurásia"?

Para quem estamos dirigindo o chamado para entrar e fazer o nosso movimento? Para cada russo, educado e não, influente e o último dos humildes, para o trabalhador e para o gerente, para o necessitado e a pessoa bem de vida, para o russo e o tártaro, para os ortodoxos e os judeus, para o conservador e modernista, para o aluno e para o defensor da lei, para o soldado e o tecelão, para o governador e o roqueiro. Mas só para quem ama a Rússia, que não pode pensar em si mesmo sem ela, que percebeu a necessidade de um grande esforço, o que é exigido de todos nós para que nosso país e nosso povo continue no mapa do novo milênio (a partir do qual eles persistentemente tentam nos apagar), para quem quer, apaixonadamente quer, que todos nós, finalmente levantemos em um grande poder, lançaria para fora de nosso organismo comum a sua excrescência parasitária, seria rasgar o véu de neblina mental, , afirmaria acima o país, o continente, o mundo nossos ideais solares russos - os ideais de liberdade, igualdade, a fidelidade às origens.

Centro radical

O movimento "Eurásia" baseia-se nos princípios de centro radical. Nós não somos nem de esquerda nem de direita, não somos nem cegamente aderentes com as autoridades, nem oposicionistas a qualquer custo, latindo sem motivo algum. Estamos cientes de que a autoridade de hoje na Rússia, o presidente Vladimir Vladimirovich Putin requer ajuda, apoio, solidariedade, coesão. Mas, ao mesmo tempo, a submissão cega aos líderes, a conivência acrítica a autoridade só porque é autoridade, não é hoje menos (se não mais) perniciosa do que a rebelião direta. Somos centristas, na medida em que o Presidente e o ato de autoridade para o bem do governo, para o bem do povo. E não de uma forma populista e transitória, mas numa perspectiva de médio e longo prazo. Aqui, novamente, seremos para o presidente fervorosos, radicalmente, até o fim, não prestando atenção aos pequenos erros, aceitando todos os sofrimentos e dificuldades, que irão surgir desde que a Rússia vai se defina pelo serio propósito de resgatar em si e todo o resto o mundo da terrível ameaça insidiosa do Ocidente. Nada mais centrista do que o nosso apoio incondicional e total ao  poder construtivo patriótico da autoridade (mesmo em suas ações mais impopulares) simplesmente não podia ser. Assim, nossos precursores, os eurasianos, apoiaram os odiados regimes fundamentalistas ortodoxos e marxistas porque enfrentaram o Ocidente - o pior dos males. Mas o nosso centrismo radical não é passivo. Nós percebemos claramente que a autoridade presente na Rússia de acordo com a lógica das coisas não tem representação (e não pode ter) clara dos objetivos estratégicos fundamentais, do dramático problema filosófico e espiritual que nasce do novo milênio - terrível, arriscado, ameaçador, problemático, incompreendido durante séculos de batalhas sangrentas e cruéis sofrimentos... Neste sentido, a autoridade hoje está perdida e precisa de ajuda, para orientar pontos, marcos, especificando que é a tarefa das pessoas, seu mais ativo, obstinado, inteligente, lado idealista e patriota (isso também deve se reunir em nosso movimento, para tornar-se seu núcleo).

Aqui os papéis mudam, e agora é a vez da autoridade ouvir a voz da Eurásia. Essa voz não é o servil "sim, senhor?" de partidos condescendentes e artificiais, bom para cadeiras e telas de TV. Deve ser o apelo radical da terra, o voto de gerações, o grito das profundezas do nosso espírito e nosso sangue.

Prioridade do movimento Eurasiano

Nosso movimento espalha os princípios eurasianistas a todos os níveis da vida.

Na esfera religiosa significa diálogo sólido e construtivo entre os credos tradicionais para a Rússia, - Ortodoxia, Islamismo, Judaísmo, Budismo. Os ramos da Eurásia das religiões mundiais têm muitas diferenças dessas formas que tiveram raízes em outras regiões do mundo. Existe um estilo comum de vista espiritual eurasiana, o qual, contudo, não elimina a todas as diferenças e originalidade de princípios. Esta é uma base séria e positiva para a aproximação, o respeito mútuo, a compreensão mútua. Devido à abordagem eurasianista de questões religiosas muitos atritos inter-confessionais podem ser ignorados ou organizados.

Na esfera da política externa, Eurasianismo implica um amplo processo de integração estratégica. Reconstrução na base da CEI [Comunidade dos Estados Independentes] de um sólido União eurasiana (analógico à URSS em uma nova base ideológica, econômica e administrativa).

A integração estratégica dos espaços internos da CEI deve se espalhar gradualmente também para áreas mais amplas - para os países do eixo Moscou-Teerã-Deli-Pequim. Uma política eurasianista é invocada para abrir para a Rússia uma saída para os mares quentes, e não através de guerra e sofrimento, mas através da paz e aberta cooperação amistosa.

Políticas eurasianistas para o Ocidente implicam em relações prioritárias com os países europeus. A Europa moderna - como contra a época em que os pais-fundadores Eurasianismo agiram - não representa mais a origem do "mal mundo". Os eventos rápidos políticos do século XX contribuíram para transferir este registro duvidoso ainda mais para a ala Ocidental - para a América do Norte, para os EUA. Portanto, em um estágio atual Rússia pode encontrar na Europa parceiros estratégicos interessados ​​no renascimento do seu antigo poder político. A Rússia Eurasianista deve desempenhar o papel de distribuidor da Europa, mas desta vez a partir da ocupação americana política, econômica e cultural.

A política eurasianista da Rússia é dirigida a cooperação ativa com os países da região do Pacífico, em primeiro lugar com o Japão. Os gigantes econômicos dessa área devem ver nas políticas eurasianistas da Rússia o ponto de orientação para um sistema político auto-sustentável, e também para um potencial estratégico de recursos e de novos mercados.

Em um nível planetário Eurasianismo significa oposição ativa e universal à globalização, é igual ao "movimento anti-mundialista". Eurasianismo defende o florescimento da complexidade de povos, religiões e nações. Todas as tendências anti-globalistas são intrinsecamente "eurasianas".

Somos partidários consequentes de "federalismo eurasianista". Isso significa uma combinação de unidade estratégica e etno-cultural autônomas (em casos definitivos econômicos). Diferentes modos de vida a nível local em combinação com o centralismo rigoroso nos momentos básicos, ligados aos interesses do Estado.

Devemos reviver as tradições do povo russo, contribuir para a recuperação do crescimento demográfico russo. E o mais importante, despertar nas pessoas a sua espiritualidade intrínseca e orgânica, a moral, ideais elevados, vida e patriotismo fervoroso. Sem o renascimento prioritário da nação russa, o projeto eurasianista não tem chance de se tornar uma realidade. Compreender esse fato é a base de nossa visão de mundo.

Eurasianismo na esfera social significa a prioridade do princípios públicos acima do individual, da subordinação aos padrões econômicos estratégicos, para os problemas sociais. Toda a história econômica da Eurásia prova que o desenvolvimento de mecanismos econômicos aqui acontece de acordo como uma alternativa lógica aos liberal-capitalistas, padrões individualistas de benefício pessoal, que evoluíram no Ocidente sobre a base da ética protestante. A lógica liberal de gestão é alheia a Eurásia, e apesar de enormes esforços, não há maneira de quebrar essa característica profundamente enraizada de nosso povo. O princípio comunitário coletivo de governar a economia, a contribuição do critério de "equidade" no processo de distribuição - tudo isso representa uma característica de nossa história econômica. O eurasianismo insiste em um relato positivo e avaliação de tal circunstância, e sobre esta base dá preferência a padrões econômicos socialmente orientados.

Eurasianismo implica uma reavaliação positiva do arcaico, do antigo. Ele se refere ao passado fervorosamente, para o mundo da Tradição. O desenvolvimento do processo cultural é visto pelo Eurasianismo em uma nova referência para o arcaico, para a inserção de motivos culturais originais na estrutura das formas modernas. A prioridade nesta área é devolvida aos motivos nacionais, para as fontes de criatividade nacional, para a continuação e revitalização de tradições.

Sendo um nova visão de mundo, só agora tendo tomado uma forma definida, Eurasianismo lida principalmente com a juventude, para as pessoas cuja consciência não foi ainda estragada por saltos aleatórios de um padrão inadequado ideológico para outro, ainda menos adequado. O ideal eurasiana é o homem forte, apaixonado saudável e belo (em vez de o bastardo viciado em cocaína de discotecas, o gangster meia-boca ou a puta para venda). Estamos em condições de oferecer diferentes valores positivos, em vez do culto ao feio e ao patológico, ao invés do cinismo e servilismo diante das marionetes de shows mundiais. Nós não devemos permitir que nossos filhos sejam mortos, violados, degradados, pervertidos, vendidos ou acorrentado a uma agulha. Nosso ideal é uma celebração da saúde física e espiritual, força e fé, dignidade e honra.

O movimento "Eurásia" pode se tornar uma realidade apenas se muitas pessoas se reunirem em torno dele. Muito pode ser feito até mesmo por um único homem, mas, como disse Lautréamont, todos devem cuidar de poesia!

Em um âmbito ainda maior - todos devem cuidar da Eurásia!

Agora tudo depende dos nossos esforços. Ninguém está prometendo apenas vitórias, levantar de ações do setor de bem-estar ou de entretenimento. Adiante está um dispendioso trabalho diário, muitas vezes, invisível por fora.

Avante está a dificuldade e a batalha, perdas e labutas, mas avante está também o gozo e o Grande Propósito!

Via The Fourth Political Theory

Tradução por Conan Hades.